Tempos Litúrgicos

Os Tempos Litúrgicos – O Tempo da Quaresma

É um tempo de preparação para a celebração da Páscoa anual. Durante quarenta dias, os fiéis são conduzidos para uma vivência autêntica do Mistério Pascal na liturgia. Esse tempo litúrgico traz em si um duplo aspecto: a preparação para o Batismo dos adultos e o caráter penitencial.

Assim, toda a Igreja é chamada a se deixar purificar e renovar por Cristo. Por meio do anúncio do Evangelho, ela exorta à conversão; como podemos perceber pelas palavras ditas no momento da imposição das cinzas: “Convertei-vos e crede no Evangelho”.

O Tempo da Quaresma vai da Quarta-Feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor (Missa do Lava-Pés na Quinta-Feira Santa), exclusive. É formada por cinco domingos que são chamados 1º, 2º, 3º 4º, 5º Domingos da Quaresma.

O 4º Domingo da Quaresma também recebe o nome de “Domingo Laetare” ou “Domingo da Alegria”. Nele, podemos usar a cor rosada e ornamentar o altar com flores (cf. Instrução Geral sobre o Missal Romano, 3. ed., nn. 305 e 346).

O 6º Domingo é chamado “Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor”. Com ele, inicia-se a Semana Santa, que visa recordar a Paixão do Senhor, desde a sua entrada triunfal em Jerusalém.

Na Quinta-Feira Santa de manhã, o bispo, juntamente com os seus padres, celebra a Missa do Crisma, mais conhecida como Missa dos Santos Óleos, pois é nessa celebração que o bispo benze os santos óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagra o óleo do Crisma.

Celebrando o Tempo da Quaresma

– Cor do tempo: roxa
– Nesse período, somos convidados a praticar as obras da penitência: o jejum a oração e a caridade. Na Igreja do Brasil, esses gestos são iluminados através da reflexão e do gesto concreto da Campanha da Fraternidade.
– A Quarta-Feira de Cinzas e a Sexta-Feira Santa são dias de jejum e abstinência. Porém, esses gestos não devem ser puramente exteriores mas sim expressão de um desejo de busca de purificação dos vícios e pecados, da busca do crescimento e do equilíbrio interno.
– Na Quaresma não enfeitamos o altar com flores (exceto o Domingo Laetare, as festas e as solenidades), e os instrumentos musicais são usados apenas para sustentar o canto. Omite-se o canto do Glória e o Aleluia.
– Sendo a Quaresma o principal tempo de penitência, é importante preparar a comunidade para a celebração do Mistério Pascal através de celebrações penitenciais.
– Algumas práticas de piedade nas quais os fiéis veneram a Paixão do Senhor, como Via-Sacra, são particularmente adequadas a esse tempo litúrgico.

Jesus Cristo – Ontem, hoje e sempre
O Ano Litúrgico
Paulinas

Texto: Sidnei Fernandes Lima
Ilustrações: Sergio Ceron

Os Tempos Litúrgicos – O Tempo Comum

É formado por 33 ou 34 semanas. Está dividido em duas partes: a primeira entre a Festa do Batismo do Senhor e a Quaresma (que pode ser de 5 a 9 semanas) e a segunda (contendo as demais semanas) entre o Domingo de Pentecostes e o Tempo do Advento.

Comemoramos nesse tempo o mistério de Cristo em sua plenitude. A proclamação continuada do Evangelho aprofunda e nos leva a assimilar de modo progressivo o Mistério Pascal, pois celebramos a presença viva de Cristo naquilo que somos e fazemos. A experiência da Eucarista dominical, como Páscoa Semanal, impele a comunidade a seguir a Cristo e a observar a revelação de seus mistérios também nos acontecimentos rotineiros da vida.

Celebrando o Tempo Comum

– Cor do tempo: verde
– A preparação de nossas liturgias dominicais para esse tempo não deve partir de um “tema de conscientização e reflexão” (por mais dignos e importantes que eles sejam), pois isso pode levar a assembleia a pensar que o “tema” seja o centro da Eucaristia, deixando em segundo lugar Cristo e o Mistério Pascal. Isso não significa diminuir a oração para determinada intenção. A homilia ou reflexão, a oração dos fiéis e os demais textos que podem ser adaptados livremente devem inspirar-se na Palavra e a partir dela serem atualizados na vida da Igreja e da humanidade.
– Os cantos devem igualmente estar em harmonia com a celebração e a vida da comunidade.
– O Tempo Comum deve ser valorizado como um período de crescimento e maturação, evitando que ele pareça monótono e rotineiro.
– Devemos ajudar os fiéis a perceberem como os Evangelhos proclamados a cada domingo desenvolvem o mistério da nossa salvação, seguindo a vida pública de Jesus.
– Algumas Solenidades do Senhor acontecem no Tempo Comum: Santíssima Trindade (domingo depois de Pentecostes),  Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo (quinta-feira de pois da Santíssima Trindade), Sagrado Coração de Jesus (sexta-feira após o 2º domingo depois de Pentecostes), Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo (último domingo do Tempo Comum).

Jesus Cristo – Ontem, hoje e sempre
O Ano Litúrgico
Paulinas

Texto: Sidnei Fernandes Lima
Ilustrações: Sergio Ceron

Os Tempos Litúrgicos – O Tempo do Natal

Durante esse período, comemora-se a manifestação do Senhor em nossa carne. Celebramos a “troca de dons entre o céu e a terra”, pedindo que possamos “participar da divindade daquele que uniu ao Pai a nossa humanidade”. Não celebramos apenas um acontecimento do passado, o nascimento de Jesus em Belém; celebramos o hoje da nossa salvação que se inicia com a manifestação de Deus na humanidade de nossa carne.

A alegria da Solenidade do Natal do Senhor se desdobra e se prolonga por oito dias sucessivos, os quais chamamos “Oitava do Natal”. Nesses oito dias existem algumas festas muito significativas. No dia 26 de dezembro, celebramos o primeiro mártir de Cristo, Santo Estevão. No dia 27 de dezembro, celebramos São João, apóstolo e evangelista. No dia 28 de dezembro, celebramos os Santos Inocentes Mártires. A festa da Sagrada Família, celebramos dentro do Domingo da Oitava de Natal ou, se não houver nenhum domingo dentro da oitava, celebramos no dia 30 de dezemnbro. No dia 1º de janeiro, celebramos a Solenidade da Santa Mãe de Deus.

A Solenidade da Epifania do Senhor (“epifania” quer dizer “revelação”), mais conhecida como Festa de Reis, é celebrada no dia 6 de janeiro. No Brasil é transferida para o domingo entre 2 e 8 de janeiro. Nela celebramos a manifestação do Senhor a todas as nações, que são representadas pelos magos que vão ao encontro do Salvador.

A festa do Batismo do Senhor é celebrada no domingo depois do dia 6 de janeiro, e revela a filiação divina de Jesus mediante a voz descida do céu. Nesse momento acontece a verdadeira unção e investidura de Jesus como Messias (cf. Mc 1,10).

Os textos litúrgicos nos levam não a contemplar o aniversário de Jesus, mas sim a celebrar o mistério de sua manifestação ao mundo para salvar a humanidade na humildade de nossa carne. No nascimento do Redentor, saudamos e celebramos a nossa redenção, que se cumprirá em sua Páscoa.

Celebrando o Tempo do Natal

Cor do tempo: branca
Nas missas de Natal, no momento do Credo, todos fazem genuflexão às palavras : “E se encarnou”
Na missa da Epifania do Senhor, depois da proclamação do Evangelho, ou após a Oração depois da Comunhão, faz-se o anúncio do dia da Páscoa.

Os Tempos Litúrgicos - O Tempo do Natal

O Verbo de Deus se esvazia e assume a natureza humana. Desce na terra numa gruta escura; alcança as profundezas das águas (Batismo); revela-se (Epifania) aos pastores e magos; é ungido pelo Espírito e apontado como o Cordeiro (Batismo).

Jesus Cristo – Ontem, hoje e sempre
O Ano Litúrgico
Paulinas

Texto: Sidnei Fernandes Lima
Ilustrações: Sergio Ceron

Os Tempos Litúrgicos – O Tempo do Advento

Ilustração AdventoCom este tempo inicia-se o Ano Litúrgico. A palavra “advento” significa “chegada”, “vinda”. Sua espiritualidade nos chama à esperança, a uma piedosa e alegre expectativa, à conversão, à renovação e ao juízo do Senhor.

O Advento possui quatro domingos e tem como tarefa preparar-nos para receber o Senhor, que se manifesta a nós. Começamos com a expectativa da segunda vinda de Cristo, que se dará na grandeza de sua glória. Depois, mais próximos do Natal, nós nos voltamos para a sua primeira vinda, quando ele assumiu a nossa humanidade ao nascer na gruta de Belém.

A liturgia do período do Advento é um cântico contínuo de esperança. Somos chamados a viver como os primeiros cristãos e jubilosa expectativa da volta do Senhor.

Celebrando o Advento

Cor do tempo: roxa
– No Advento, começamos um novo Ano Litúrgico. Iniciamos aos domingos a leitura de um novo evangelista (Mateus, Marcos e Lucas), conforme o ciclo trienal A-B-C.
– Nesse tempo, omite-se o Glória, mas canta-se o Aleluia.
– Usam-se o órgão e os outros instrumentos musicais. O altar é ornado com flores, com aquela moderação que convém ao caráter próprio deste tempo, de modo a não antecipar a plena alegria do Natal do Senhor. Pelo mesmo motivo, não devemos tirar a sobriedade do espaço litúrgico colocando enfeites natalinos, tão comuns no comércio.
– O 3º Domingo do Advento recebe o nome de “Domingo Gaudete” ou “Domingo da Alegria”. Nele pode-se usar a cor rosa.
– A realização de celebrações penitenciais e a celebração do sacramento da Penitência são de grande valor para a vivência autêntica desse tempo.
– A liturgia do Advento recorda frequentemente a Virgem Maria. Por isso, esse tempo é particularmente proprício para desenvolvermos na comunidade uma espiritualidade mariana voltada para a espera do nascimento do Salvador.
– Alguns aspectos da piedade popular (novenas, presépios, coroa do Advento), desde que sejam bem direcionadas por uma espiritualidade ligada ao mistério de nossa salvação, podem ajudar na vivência desse tempo.

Jesus Cristo – Ontem, hoje e sempre
O Ano Litúrgico
Paulinas

Texto: Sidnei Fernandes Lima
Ilustrações: Sergio Ceron