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Notícias de interesse do Povo de Deus

Esperança para as crianças-soldado

Trata-se de um dos piores tipo de escravidão, mas continua nos dias de hoje: crianças usadas como soldados, possivelmente 250.000 em todo o mundo, que são obrigadas a matar seus vizinhos, às vezes até seus pais, irmãos e amigos.

Em dias passados, Bento XVI prestou homenagem aqueles que tentam pôr fim a este terrível flagelo e ajudar estas crianças a regressarem à vida normal. Falando no final de sua audiência geral semanal em 24 de junho, ele contou a uma delegação visitante liderada pela ONU, uma entidade que luta contra o uso de crianças como combatentes, seu “profundo apreço” pelo seu empenho.

“Penso em todas as crianças do mundo, em especial naquelas que estão expostas ao medo, abandono, fome, abuso, doença, morte”, o Santo Padre disse. “O Papa está próximo de todas estas vítimas e se lembra delas em oração”.

Segundo a Coalizão contra o uso de crianças-soldados, grupo de organizações de direitos humanos, embora muitas crianças tenham sido libertadas das guerras, outras milhares foram arrastadas para novos conflitos como os da Costa do Marfim, Sudão, Chade, Colômbia, República Democrática do Congo e Mianmar.

As crianças, algumas até de cinco anos de idade, não só são treinadas para usar armas, mas também para espalhar minas e explosivos, observar, espionar, ou agir como chamariz, correios ou guardas. Elas também podem ser forçadas a desempenhar funções de apoio logístico, e muitas das meninas são coagidas à escravatura sexual. A maioria são mal alimentados e têm pouco ou nenhum abrigo. E mesmo que os seus captores as libertem, são muitas vezes estigmatizadas na volta para casa e rejeitadas por suas comunidades.

Ainda há esperança para aquelas que sobrevivem e que conseguem escapar. Segundo as Nações Unidas, em grande parte graças ao trabalho das comunidades religiosas e, em particular, da Igreja Católica, elas têm acesso a comida e abrigo, e são ajudadas na reabilitação e reintegração.

Radhika Coomaraswamy, representante do secretariado-geral da ONU para as crianças e os conflitos armados, disse que ela tinha em parte vindo ao Vaticano para agradecer pessoalmente a Bento XVI pelo trabalho que a Igreja está a fazer nesta área. A Igreja, disse ela numa conferência de imprensa em 24 de junho em Roma, está fazendo “um enorme e bom trabalho” para ajudar essas crianças. Através de sua vasta rede, disse, a Igreja se sensibiliza através da educação e atua como um “sistema de alerta rápido” para ajudar a proteger e impedir as crianças de serem raptadas.

Promovida pela Comunidade de leigos de Sant’Egídio, que por si só muitas vezes tem apoiado a reabilitação dessas crianças, a conferência de imprensa também ouviu Grace Akallo, uma ex-criança-soldado de Uganda, hoje com 29 anos. Graças ao trabalho da Igreja, ela ganhou uma nova vida depois de ser raptada de sua escola católica e levada para o Sudão, onde foi forçada ao casamento, ensinada a usar armas de fogo e onde conheceu outras crianças que haviam sido coagidas a matar parentes e amigos.

Ela finalmente encontrou a liberdade, foi recuperada graças a sua ex-diretora – uma freira – que simplesmente lia para ela, e acabou por freqüentar uma universidade em Uganda. Ela agora é uma estudante formada nos Estados Unidos.

“O que estas crianças mais precisam é de amor e aceitação, pois a maioria da sociedade as rejeita”, disse Akallo, e salientou a importância da “prevenção e proteção” para estas crianças. Educação da sociedade é fundamental, ela disse, e relembrou como, ao voltar para casa, era “expulsa do ônibus, chamada de palavrões e espancada por vezes na cabeça, porque acreditavam que eu tinha cometido crimes.”

Também falou a Irmã Rosemary Nyerumbe, do Sagrado Coração, que dirige um centro para ex-crianças-soldado no Norte de Uganda. “Nós todos temos a responsabilidade e a obrigação de restaurar a dignidade perdida e a inocência destas crianças”, disse ela. “Você pode abrir a porta de sua casa, mas a coisa mais importante você pode fazer é abrir a porta do seu coração e chegar a essas crianças.”

Mensagem do VI Congresso de Entidades Negras Católicas

Conenc

Na cidade histórica de São Luís ‐ MA, aconteceu, entre os dias 8 a 11 de julho de 2009, o VI CONENC sobre o tema Refletindo o rosto negro da Igreja de Medellín à Aparecida, que reuniu 150 agentes de pastoral representantes de 16 Estados (RS, SC, PR, SP, RJ, ES, MG, CE, BA, MA, PA, PI, RO, DF, TO e GO), tendo contado com a participação de irmãos da Polônia, dos Estados Unidos, da Itália e do Quênia.

O CONENC tem se constituído no espaço para a reflexão, avaliação, articulação e construção de diretrizes para diversos grupos da Pastoral Afro‐Basileira (PAB), em relação à discussão da negritude no Brasil.

Nestes dias de esperança ativa, fé criativa e inovadora, pudemos rever os objetivos e a missão da PAB, o seu compromisso evangelizador à luz de Medellín a Aparecida, interagindo com a teologia que brota das manifestações afrobrasileiras e respeitando a diversidade sócio‐cultural e religiosa.
Os momentos de espiritualidade (mushaká) e os eventos culturais ajudaram a criar um clima de fraternidade e interação entre os participantes.

Motivados pelas reflexões sobre a situação atual da comunidade negra na sociedade e na Igreja concluímos que os vários desafios e prioridades da PAB são:

• Dar visibilidade aos negros e negras dentro da Igreja e na sociedade;
• Superar a discriminação de gênero e promover o protagonismo das mulheres;
• A necessidade de uma catequese que contemple a cultura, a história e a realidade dos afrobrasileiros;
• O posicionamento e o apoio à luta das comunidades tradicionais negras (quilombolas, mocambos, comunidades negras rurais e terras de preto), no processo de titulação de suas terras e do desenvolvimento sustentável;
• Intensificar o diálogo interreligioso, principalmente com as religiões de matriz africana;
• Incentivo à participação da juventude negra nas atividades da PAB;
• Incentivo e promoção das vocações à vida presbiteral e religiosa de afrobrasileiros (as);
• Participação política dos agentes da PAB e envolvimento nas discussões sobre as políticas públicas e de ação afirmativa;
• Fortalecer e ampliar o trabalho de base;
• Acompanhar o processo de implantação da lei 10.639 e 11.645
• Ampliar a atuação e participação nos espaços litúrgicos;
• Erradicar o preconceito, o racismo e intolerância na Igreja e na sociedade;
• Uso das ferramentas de comunicação, para interação entre os grupos, regionais e Secretariado Nacional.

Considerando os desafios deste VI CONENC, emanados das discussões dos grupos de trabalho, pretendemos assumir como prioridades: a revisão da metodologia da PAB, o apoio à luta das comunidades quilombolas, o desenvolvimento de uma catequese inculturada e o diálogo inter‐religioso.
Agradecendo a Olorum (Deus), à equipe organizativa e aos parceiros do VI CONENC, na certeza de nos encontrarmos no VII CONENC em 2012, no Estado do Paraná.

Um sinal

Um sinal…
Roseli da Igreja diz que saiu um lindo poema.
As meninas da Toca de Assis: Diz aí Vinícius, que problema !!!
O meu pai fala que é um sinal
Até agora nada mal
Já tocam em mim e fazem o sinal, o da Cruz
Pois tirei uma foto atrás da imagem do Sagrado Coração de Jesus
Disseram que eu era santo
Pensei, o mundo caiu pra mim agora mano
Mas no sentido bom
Tipo vou ser um grande, ah! Sei lá
A auréola na minha cabeça não foi proposital
Cara, não é sensacional
Mas por um lado o meu sobrenome tem Rafael

O Pai diz que tem de buscar a santidade
Mas eu paro e penso, será que é verdade?
Eu nunca vi Jesus
Nunca vi ele morrer na cruz
Mas aí vem na cabeça
Eu tenho que confiar no mundo
Ou na pessoa que amo muito
Que é quem eu convivo
É por aqui que finalizo.
Vinicius Rafael da Silva Penha

Homens que rezam

Os Homens que Rezam.
Toda primeira sexta-feira temos o Terço dos Homens aqui na Paróquia São Miguel Arcanjo. Momento de forte oração e uma comunhão intensa. O som grave das vozes enche a Igreja. Mesmo depois de uma semana de trabalho, eles não mostram cansaço, ao contrário, estão muito dispostos. Nesta última sexta-feira (03/07), a oração foi dedicada ao Renan da Casa Vida. Refletimos também sobre o Terço neste Brasil afora, que em muitos lugares é conhecido como os Homens que Rezam.
Venham rezar conosco!

Mensagens pela paz em Honduras

Diante da situação preocupante em Honduras, que neste final de semana viveu momentos de muita tensão, o bispo de São Félix do Araguaia e a D. Demétrio Valentini, que enviassem mensagens aos movimentos sociais, na tentativa de acalmar as tensões e ajudar na superação do impasse que se instalou e evitar a todo custo a violência, que pode resultar em muitas mortes.

Trancrevemos abaixo as mensagens, pedindo a todos orações pela paz em Honduras:

Mensagem de Dom Pedro Casaldáliga

“Com espírito fraterno e na paixão por Nossa América, livre e unida, queremos expressar nossa total solidariedade ao povo de Honduras nesta hora de tensões e violência. Que se respeite a democracia, que é respeitar a vontade do povo. O Deus da paz proteja a esse povo querido e sofrido.

Um abraço de solidariedade e de esperança.”

D. Pedro Casaldáliga
Bispo retirado de São Félix do Araguaia, Brasil.

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Mensagem de D. Demétrio Valentini, Bispo de Jales e Presidente da Cáritas Brasileira:

“Saúdo os queridos irmãos e irmãs de Honduras, que estão vivendo momentos muito importantes para o futuro democrático do seu país, e desejam o retorno imediato da legalidade, com a garantia do respeito aos direitos humanos de todas as pessoas, o cessar imediato de toda violência, e a paz em todo o país.

Quero manifestar minha solidariedade a todos os que querem uma Honduras democrática, livre das conseqüências de golpes contra a ordem constitucional, desejando que, ao mesmo tempo, sejam firmes e unidos, e evitem a todo custo que a situação descambe para a violência, que pode levar a sacrificar inutilmente vidas humanas.

Que Deus ilumine os passos de vocês, e que todo o povo de Honduras possa voltar, o quanto antes, a viver na justiça e na paz.

Com minha prece,
D. Demétrio Valentini

(Publicado originalmente pela Agência Adital)

Décimo Segundo Intereclesial

Roberto Malvezzi, Gogó *

As caravanas das Comunidades Eclesiais de Base já se preparam para ir até Porto Velho, Rondônia, para o XII Intereclesial de CEBs. Jornada longa. Os ônibus da Bahia devem levar quatro dias de ida, sete dias em Rondônia e mais quatro dias de retorno.

Nossas comunidades vão assumir definitivamente a dimensão ecológica da fé, num mundo em convulsão, de tragédias dantescas, globais, como as enchentes do Nordeste, como as cem mil mortes em um único dilúvio em Mianmar. Estamos diante de um desafio planetário que se faz um desafio de fé.

O local escolhido para assumir e aprofundar essa causa é a Amazônia, símbolo maior da devastação que o ser humano provoca na natureza. Nos crimes contra a natureza nada se cria, na se perde, tudo se vinga. James Lovelock costuma dizer que esse não será o fim da humanidade e nem o fim da vida no planeta, mas será um planeta pobre, tórrido, eliminando cerca de 70% da vida, inclusive das vidas humanas. Depois de se reajustar, o planeta se reorganiza de outra forma.

Na humanidade resta pouca sensibilidade real contra a fome, a sede e as injustiças. Existe muito daquela boa vontade da qual o inferno está forrado. Só o caos ecológico pode ascender alguma reação humana. A elite mundial chegou ao paraíso e não está disposta a ceder nenhuma unha de seu bem estar ao restante da humanidade.

Nossas pequenas comunidades também já não têm o “apelo” que tinham antes, quando a opção pelos pobres era moda. Hoje o modismo eclesial é a fama, o sucesso, a movimentação milionária de produtos religiosos que fazem a fortuna de pessoas e instituições. Enfim, a tal teologia da prosperidade, tão ao gosto de setores pentecostais, tanto evangélicos como católicos. Mas, o Evangelho não está sujeito a modismos. A fidelidade aos pobres, à justiça, à partilha, à solidariedade, à fraternidade, independe das circunstancias.

Há um novo ar, uma nova clorofila, sendo respirados pelas CEBs. Eles vêm da ecologia. Muitos pastores católicos já entenderam e apóiam.

A sede de justiça é uma bem-aventurança particular das CEBs. Sem elas essa prática quase que desaparece da Igreja Católica.

De coração, desejo e peço a Deus que nossas comunidades sejam revigoradas na fé, na oração, na luta, no compromisso com a justiça e a ecologia. Serão nossa contribuição de cristãos conscientes, cidadãos, inseridos, numa crise civilizacional que já se faz presente, se aprofunda e sugere cenários terríveis.

Que Deus esteja com nossas comunidades em Rondônia. E estará.

12° Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base divulga programação

A capital de Rondônia, Porto Velho, no norte do país, sedia o 12° Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) a partir do próximo dia 21. O encontro, que vai até 25 de julho, traz como tema principal “Ecologia e Missão”. O lema deste ano é “Do Ventre da Terra, o Grito que vem da Amazônia”.

Os organizadores do evento, que é considerado um dos maiores acontecimentos religiosos e sociais do país, confirmam presença de 3 mil pessoas.

A abertura, no dia 21, será na Praça Madeira Mamoré com uma celebração às 19h, após chegada das delegações. Segundo Irmã Osnilda Silva, Coordenadora de Comunicação do 12° Intereclesial, a Celebração de Abertura é um dos principais momentos do encontro das CEBs, já que na ocasião serão lembrados todos os Intereclesiais ocorridos até então.

O início dos trabalhos acontece na manhã da quarta-feira (22) com oração pelas populações indígenas. Às 9h haverá a primeira coletiva de imprensa do evento e, no período da tarde, um Ato Penitencial será celebrado em local próximo à construção da Usina Hidroelétrica Santo Antonio.

Irmã Osnilda destaca como importante as visitas que serão feitas às Comunidades, Populações Indígenas, Casa de detenção, Hospitais e Casa Família Rosetta, que cuida de pessoas com deficiência e dependência química, no dia 23. O objetivo das visitas não é apenas conhecer, mas também ouvir e criar um laço de amizade. O lema dessas visitas é “Quem conhece ama”.

Na sexta-feira (24) dois momentos trazem ‘trocas de experiências’. Primeiro durante manhã, as “Trocas de testemunhos da experiência na Missão” reúnem grupos das regionais das CEBs do Brasil inteiro para compartilhar experiências de suas regiões. Após almoço, um dos grandes destaques do encontro se dá com o “Testemunho de pessoas proféticas”.

Segundo Irmã Osnilda, esse momento traz pessoas escolhidas, “são pessoas de presença profética, que lutam por uma causa e questionam a realidade”. A senadora Marina Silva (PT-AC) participa falando sobre a defesa da Amazônia e a líder indígena guatemalteca Rigoberta Menchú traz seu conhecimento de militante em prol da mulher. Dom José Maria Pires, conhecido como “Dom Zumbi” – por sua luta em favor da comunidade afro – e Dom Pedro Casaldáliga, também participam do Testemunho.

No último dia do 12° Intereclesial das CEBs, sábado, será realizada uma celebração ecumênica no início da manhã e haverá também escolha do local para o 13° Intereclesial. Após caminhada das comunidades, haverá encerramento com Celebração Eucarística às 17h no Estádio Aluísio Ferreira, no bairro Arigolândia.

CEBs

As Comunidades Eclesiais de Base se tornaram parte integrante da Igreja Católica na década de 70 com o objetivo de ser um ponto de partida para discussões sobre vivenciar a fé em comunhão com os povos, sobretudo os mais necessitados e excluídos.

CEBs: fermento do Reino

Pe. Jaime Carlos Patias

Dois acontecimentos significativos marcarão a vida da Igreja no mês de julho: o Mutirão Latino-Americano e Caribenho de Comunicação (Porto Alegre, dias 12 a 17) e o 12º Intereclesial das CEBs – Comunidades Eclesiais de Base (Porto Velho, dias 21 a 25). O Mutirão busca promover diálogos sobre processos de comunicação à luz da cultura solidária e o Intereclesial, escutando o grito da Amazônia, refletirá sobre ecologia e Missão. Ambos os eventos buscam caminhos para estabelecer uma sociedade mais justa e comprometida com a liberdade e a paz. As CEBs nasceram há dois mil anos com a Boa Notícia da Ressurreição de Jesus reacendendo em todos os corações a chama da esperança. É Deus que se comunica com a humanidade gerando transformação.

Os primeiros cristãos “Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações” (At 2,42). Por isso, a casa aparece como espaço importante de encontro da família e da comunidade – Igreja. Os Evangelhos mostram Jesus e seus discípulos passando pelas casas. Os Atos dos Apóstolos falam de casas acolhedoras, a serviço da evangelização: a casa de Tabita, de Cornélio, de Lídia, de Priscila e Áquila… Também Paulo, hóspede de tantas casas, recordará a acolhida recebida nas igrejas reunidas nas casas: “Saúdem os irmãos de Laodicéia, como também Ninfas e a igreja que se reúne na casa dele” (Col 4,15).

Nas casas, os primeiros cristãos eram abastecidos na fé e encorajados a sair para a Missão. Não faltavam problemas e conflitos internos e externos, marcados sobretudo, pela perseguição do império romano descrita no livro do Apocalipse.

Com o passar do tempo, sobretudo a partir do século IV depois de Cristo, com o imperador Constantino, a Igreja que antes se reunia nas casas ou mesmo nas catacumbas, com a liberdade religiosa, cede lugar à Igreja dos grandes templos e das liturgias pomposas, afastada da vida e da realidade do povo. Surgem as estruturas paroquiais e diocesanas como resposta aos desafios postos ao longo da história.

Ao mesmo tempo não faltaram vozes proféticas como São Francisco de Assis, Santa Clara, Santo Antônio e tantos outros, determinados a reconstruir a Igreja. Este período irá até o século XX, com a convocação, do Papa João XXIII, para o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965). “A Igreja está com cheiro de mofo. Precisamos abrir suas portas e janelas para que ela entre de ar novo no mundo”, dizia o Papa João preocupado em retomar a fidelidade ao projeto de Jesus. É aqui que renascem as CEBs, grupos de pessoas simples que voltam a se reunir para pensar juntos a sua realidade à luz da Palavra de Deus. As CEBs “converteram-se em centros de evangelização e em motores de libertação e desenvolvimento” (Puebla, 96). Hoje este valho e sempre novo modo de ser Igreja continua mais vivo e necessário do que nunca, justamente porque a Igreja ainda carrega o peso de suas estruturas caducas que já não favorecem a transmissão da fé.

Preocupada com a conversão pastoral e renovação missionária a Conferência de Aparecida, propõe fazer das paróquias “comunidades de comunidades” (cf. 309, 517 e 179) e transformá-las de comunidades de manutenção em “centros de irradiação missionária em seus próprios territórios” e “lugares de formação permanente”. Na busca de soluções, Aparecida reconhece a importância das CEBs, um modo de ser Igreja do passado, do presente e do futuro. O Mutirão de Comunicação e Intereclesial são momentos de graça para reafirmar o compromisso com o projeto de Deus na história. A comunicação da Boa Notícia de Jesus Ressuscitado continua ecoando nas comunidades como fermento na construção do Reino.

Oração do Matuto

Dia desses minha amiga poeta Fátima Irene Pinto foi, ela e sua sensibilidade, rezar numa daquelas igrejas que tanto abençoam as Minas Gerais. Antes que se dirigisse a Deus, ela ouviu um matuto em sua prece. Fátima silenciou. Ouviu calada, ouvidos pregados em cada palavra daquele homem simples. Ele dizia assim:

“Ói Deus, / nóis tá sempre pedindo as coisas pro Sinhô. / Nóis pede dinhero / nóis pede trabaio / nóis pede pra chovê / e se chove demais / nóis pede pra pará / mode a coiêita num afetá. // Nóis pede amô / nóis pede pra casá / pede casa pra morá / nóis pede saúde / nóis pede proteção / nóis pede paiz / nóis pede pra dislindá os nó / quano as coisa cumprica, / mode a vida corrê mió. // Quano a coisa aperta nóis reza / pedindo tudo que farta / é uma pidição sem fim / e quano as coisa dá certo / nóis vai na igreja mais perto / e no pé de argum santo / que seja de devoção / nóis dexa sempre uns merréis / e lá nos cofre da frente / nóis coloca mais uns tostão. // Mais hoje Meu Sinhô / bateu uma coisa isquisita / e eu me puis a matutá / nóis pede, pede, pede / mas nóis nunca pregunta / comé que o Sinhô tá / se tá triste ou contente / se percisa darguma coisa / que a gente possa ajudá / e por esse esquecimento / o Sinhô há de adescurpá. // Ói Deus, nóis sempre pensa / que o Sinhô não percisa de nada / mais tarvêz não seja assim / tarvêz o Sinhô percisa de mim / Sim … o Sinhô percisa, sim / percisa da minha bondade / percisa da minha alegria / percisa da minha caridade / no trato c’os meus irmão. // Nóis semo o seu espêio / nóis semo a sua Criação / nóis num pode fazê feio / nem ficá fazendo rodeio / mode desapontá o Sinhô / nem amargá o seu sonho / que foi um sonho de amô / quano essa terra todinha criô. // Ói Deus, eu prometo / vo rezá de outro jeito / vo pará com a pidição / e trocá milagre por tostão / tarvez inté eu peça uma graça / mas antes eu vo vê direitinho / o que é que andei fazendo de bão / e se nada de bão encontrá / muito vo me envergonhá / e ainda vo pedí perdão”.

Para a minha amiga só restou manter o silêncio, quebrado por um “Amém” que lhe fugiu da garganta sem pedir licença nem fazer cerimônia.

Rubens Marchioni – [email protected]

Batizado de 28 de junho de 2009

Na Festa de São Pedro e São Paulo, no encerramento do ano Paulino, a Capela São Judas Tadeu estava lotada para o batizado de mais 16 crianças.

Com alegria foram batizados: Andrielle, Bianca, Enzo, Fernanda, Gabriel, João Pedro, Julia, Lucas Borgo, Lucas Lingeardi, Manuela, Pedro, Rafael, Síria Tintaya, Vinicius Capile, Vinicius Celestino e Yuri.

Na ocasião, os pais de Lucas Coleti Lingeardi, Antonio Carlos e Mayara, legitimaram seu casamento.

Foi também o batizado do compromisso de fé, exatamente quando homenageamos São Pedro e São Paulo, colunas básicas da Igreja Católica. Pedro é o fundamento visível da unidade, e Paulo o símbolo da missão universal, por isso também se comemora o dia do PAPA, que por um lado é sucessor de Pedro e pastor de toda a Igreja e, por outro, é o peregrino e missionário que busca confirmar na fé todos os irmãos em Cristo.

Ao final da missa, lembramos que num dia festivo de São Pedro, há 24 anos, Dom Luciano deu posse ao Padre Júlio na Paróquia São Miguel Arcanjo.

Veja abaixo as fotos desse comemorado 28 de junho de 2009:

Fotos de Carlos Beatriz