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Notícias de interesse do Povo de Deus

Um novo batismo

Rubens Marchioni, diácono

Hoje fui novamente batizado, agora na capela da Universidade São Judas Tadeu. Hoje passei a pertencer ao grupo dos que já participaram de uma celebração do Sacramento do Batismo presidida pelo Pe. Julio Lancellotti.

A liturgia, celebrada no dia 22 de fevereiro, começava na porta da igreja. Da Acolhida à Bênção Final, em cada gesto e palavra, ela envolvia a todos e os conduzia de maneira inevitável para o sentido de fazer parte da vida da Igreja, com “i” maiúsculo. Foi assim comigo, foi assim com todos os que participaram daquele momento de integração na vida cristã. Era como se todos estivéssemos recebendo novamente aquele sacramento.

O clima que marcou a celebração, como disse, foi de uma festa genuína, contagiante, como só é possível quando se tem à frente alguém apaixonado pelo Reino e por seus membros como o Pe. Julio. Que o diga a lágrima que a certa altura explodiu dos meus olhos rotineiros enquanto aquele profeta conduzia a celebração da chegada de novos pequenos irmãos (Felipe, Pietro e Vinícius) à comunidade cristã e transformava num momento único e absolutamente especial um evento que poderia ter sido um ritual mecânico feito apenas de palavras e alguns gestos decorados.

Obrigado, Senhor, por esse momento de alegria renovada. Amém.

Veja abaixo algumas fotos da celebração:

Médicos Sem Fronteiras

Durante o mês de fevereiro, a exposição da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) permite ao público conhecer a atuação de seus voluntários em situações de emergência, ou seja, guerras, exclusão social, catástrofes naturais e epidemias. Instalada na Estação Sé do Metrô, a mostra é multissensorial e possibilita a interação virtual dos visitantes em quatro tipos de situações exibidas em vídeo.

A participação ocorre numa cabine (de 2,55 metros quadrados, escura e com chão de brita) onde a pessoa escuta sons dos ambientes das intervenções e pode decidir o que fazer numa situação de emergência mostrada no vídeo. Depois acompanha a decisão tomada pela equipe de médicos da ONG. Durante os três minutos de duração do vídeo, o visitante vivencia o cotidiano desses profissionais, atendendo casos de desnutrição, catástrofe natural, conflitos armados e epidemias.

Além da cabine, há uma exposição fotográfica com 12 imagens da atuação do movimento humanitário criado em 1971, por médicos e jornalistas franceses insatisfeitos com a ajuda humanitária oferecida durante a guerra de Biafra, na Nigéria. Hoje com 25 mil profissionais espalhados pelo mundo, leva cuidados médicos à população em situação de risco de mais de 60 países. Pelo trabalho realizado, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1999. Chegou ao Brasil, em 1991, para ajudar a cuidar da epidemia de cólera na Amazônia. Desde então, desenvolve projetos assistenciais no Complexo do Alemão, capital carioca, onde está sediada.

Na exposição, o visitante poderá ver mapas interativos das missões do movimento humanitário e ouvir explicações de seus integrantes e voluntários presentes no local. A ideia da mostra é tornar o trabalho de MSF mais conhecido pelo público e mostrar a participação do Brasil, explica a assessora de imprensa da instituição, Juliana Braga. Há 40 brasileiros atuando na organização. A mostra passou pelo metrô carioca, quando deixar a capital paulista (há previsão de se deslocar para outra estação do Metrô), seguirá para Porto Alegre, Recife e Salvador.

Serviço:
Exposição Interativa Médicos Sem Fronteiras no Mundo
Estação da Sé – área paga do mezanino
Durante todo o mês de fevereiro
De segunda a sexta-feira, das 6 às 20 horas
Sábados, das 12 às 17 horas
Entrada gratuita

Mais de 450 crianças morreram nos ataques à Gaza

O Tribunal Internacional sobre a Infância declarou, no dia 12 de fevereiro, o Estado de Israel culpado de crimes de lesa humanidade e genocídio contra a infância palestina da Faixa de Gaza, durante os ataques que iniciaram no dia 27 de dezembro de 2008 e duraram 22 dias, matando mais de 450 crianças. Na sentença, o tribunal, formado por promotores internacionais de 11 países do mundo, sendo nove da América Latina, um da África e um da Ásia, denuncia os crimes aberrantes e o avanço sistemático do infanticídio contra as crianças da Faixa de Gaza por parte do exército israelense.

Segundo o tribunal, Israel violou todas as Convenções Humanitárias de Genebra, todas as declarações internacionais de Direitos Humanos e apresentou como método de guerra o ataque à população civil. A sentença é constituída de provas dos ataques à população infantil palestina e da violação das leis internacionais e do estatuto de Roma, com testemunhos de crianças e mães da Faixa de Gaza, junto a assinaturas e petições de milhares de pessoas da América Latina, Europa, África e Ásia.

O organismo destaca ainda que a infância palestina tem vivido sob o genocídio das bombas, das metralhadoras, e da utilização como escudos humanos das crianças por parte do exército israelense. Afirma que 700 mil crianças da região foram submetidas a massacres, assassinatos, a crimes contra a humanidade, ao genocídio, ao bloqueio humanitário, sequestro e à destruição de suas escolas, de seus lares, de suas famílias e de suas casas.

“É a Sentença Moral e Ética em memória das crianças palestinas que morrem em Gaza, pelo menos para devolve-lhes a dignidade que lhes roubaram com esses crimes da barbárie humana, acompanhada por mais de 2.000 assinaturas e petições de organizações e cidadãos de mais de 50 países do mundo que apóiam este Tribunal Internacional de Consciência e solicitam à Corte Penal Internacional e aos organismos internacionais de justiça e direitos humanos da União Européia e da América Latina a abertura de causa e investigação e condenação dos culpados dos crimes”, afirma o documento.

Ainda de acordo com a sentença, as violações do direito internacional humanitário devem ser perseguidas e investigadas pelos Estados, em especial pelos Estados parte dos Convênios de Genebra de 1949. O tribunal lembra que Israel é parte desde 1950 do IV Convênio, aplicável à proteção da população civil, mas não investiga nem persegue os atos que são denunciados ante seus tribunais militares e penais.

O mais adequado para a realização do julgamento desses crimes seria a atuação da Corte Penal Internacional, de acordo com a sentença. No entanto, o Estado de Israel não pe parte do Estatuto dessa Corte, permitindo que os crimes de guerra perpetrados em seu território ou por seus nacionais fiquem impunes.

A sentença na íntegra pode ser acessada em: www.calameo.com/viewer.swf?bkcode=00001604142f6507ebaac&langid=en

Articulação estuda proposta de política pública para população de rua

A articulação nacional da Pastoral do Povo da Rua discutiu, entre os dias 13 e 16 de fevereiro, em Belo Horizonte (Minas Gerais), a proposta da “Política Nacional para Inclusão Social da População em Situação de Rua”. Os resultados da discussão serão apresentados no encontro do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), agendado para acontecer nos próximos dias 9 e 10 de março.

Segundo Fernanda Gonçalves, membro da Pastoral do Povo da Rua de Fortaleza, o encontro foi para estudar a proposta da Política Nacional, apontando possíveis alterações no documento. Ela explica que todas as sugestões de mudanças serão levadas para o encontro do GTI que, depois de uma ampla discussão com todos os órgãos e entidades envolvidos, apresentarão um documento final.

A Política Nacional define estratégias que visem a defesa e garantia dos direitos das pessoas que vivem nas ruas. O documento propõe alternativas para diminuir a população de rua através da capacitação e da profissionalização dos indivíduos para que, dessa forma, eles possam se inserir no mercado de trabalho.

Apresentada pelo Governo Federal, a proposta da “Política Nacional para Inclusão Social da População em Situação de Rua” foi desenvolvida a partir do GTI, que tem a coordenação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Além de diversos ministérios, também participam do GTI: representantes do Movimento Nacional de Moradores de Rua (MNPR), da Pastoral do Povo da Rua e do Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas).

Curso de Teologia no Setor Belém

A Paróquia São Miguel Arcanjo teve presença marcante na abertura do Curso de Teologia, no Centro Pastoral São José. Era o grupo mais numeroso. Isso mostra que foi realizada uma boa divulgação e contou com o usual estímulo do Padre Júlio Lancellotti.

O curso objetiva responder aos constantes apelos da Igreja nesta Cidade de São Paulo, com seus desafios em face do tamanho e também das desigualdades. Vai ao encontro da necessidade de formação dos agentes evangelizadores, incentivando e qualificando os leigos e leigas como educadores da fé. Busca desenvolver um conhecimento interdisciplinar sobre os assuntos da fé católica.

Já na celebração que abriu o curso, tivemos uma amostra do conteúdo e também da qualidade. Nesses dois anos, com aulas às segundas-feiras, estudaremos as seguintes disciplinas: Introdução à Teologia, Bíblia, Eclesiologia, Liturgia e Sacramentos, Cristologia, Mariologia, Pneumatologia e Missiologia.

Ainda dá tempo de fazer a sua inscrição e participar da próxima aula que ocorrerá no dia 02/03/09.

Procure a Secretaria da Paróquia São Miguel Arcanjo.

A Paróquia tem presença marcante no curso. Clique na imagem abaixo pra ver os participantes da comunidade na foto ampliada.

Foto turma da São Miguel no Curso de Teologia

Veja também as fotos da abertura do curso:

Fotos de Carlos Alberto Beatriz.

Mensagem do CELAM diante da crise atual

1. A Presidência do CELAM (Conselho Episcopal Latino Americano), reunida em Bogotá nos dias 05 e 06 de fevereiro, com os Bispos Diretores dos Departamentos e Centros, no espírito da Missão Continental, manifesta sua preocupação e sua solidariedade diante da grave crise atual. Ao mesmo tempo, chama a atenção sobre a responsabilidade que todos nós temos: governantes, políticos, empresários, trabalhadores, associações civis e comunidades religiosas dos diversos credos, de promover a humanização das estruturas políticas, econômicas e de desenvolvimento, para que estejam a serviço do bem comum, da primazia do trabalho sobre o capital e da produção sobre as finanças. Queremos percorrer juntos este caminho de ameaças e de oportunidades, apostando nos valores da democracia, da participação e do diálogo.

2. “Ninguém coloca um remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo repuxa a roupa e o rasgão fica ainda maior..” (Mt 9, 16), palavras do Evangelho que Bento XVI recordou em sua bênção de Ano Novo. A referência faz clara alusão às medidas que temos de tomar diante da atual crise econômica global. Para o Pontífice, esta crise põe a prova o futuro da globalização. Na realidade, a crise atual não é o resultado de dificuldades financeiras imediatas, mas é uma consequência do estado da saúde ecológica do planeta, sobretudo, da crise cultural e moral que vivemos, cujos sintomas são evidentes há tempo em todo o mundo. (cf. Bento XVI, Homilia de 1º. de janeiro de 2009).

3. À luz do apelo do Papa, esta situação alarmante nos interpela duplamente: de um lado, nos compromete a expressar nossa solidariedade em ações e obras concretas, que facilitem a busca de soluções para os problemas do desemprego; da fome; da migração forçada; a deterioração da saúde e da perda de qualidade de vida dos pobres que, como sempre, são as vítimas mais afetadas das crises; por outro lado, nos estimula a empenhar os melhores esforços das universidades e dos institutos católicos, de investigadores e agentes de pastoral social, para contribuir na formação de um novo modelo de desenvolvimento para a América Latina e o Caribe e de um sistema econômico mundial mais bem regulamentado, que elimine a pobreza e promova a justiça e a solidariedade em nosso Continente, tristemente o mais desigual do planeta.

4. Os Bispos da América Latina e do Caribe, reunidos em Aparecida, advertiram que a “globalização comporta o risco do fortalecimento dos grandes monopólios e de converter o lucro em valor supremo” (cf. Documento de Aparecida, n. 60). Daí, a urgente necessidade de que a globalização deva reger-se pela ética, colocando tudo a serviço da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus. (Ibid.). A atual crise financeira tem manifestado a ambição excessiva do lucro acima da valorização do trabalho e do emprego, transformando-o em um fim em si mesmo.

5. Essa inversão de valores corrompe as relações humanas substituindo-as pelas transações financeiras, que deveriam estar a serviço da produção e da satisfação das necessidades humanas. Ficou evidente que a globalização, tal como está configurada, atualmente, não tem sido capaz de interpretar e reagir em função de valores objetivos, que se encontram para além do mercado e que constituem o que há de mais importante na vida humana: a verdade, a justiça, o amor e muito, especialmente, a dignidade e os direitos de todos, inclusive, daqueles que vivem à margem do próprio mercado (cf. DA, n. 61). A economia internacional tem concentrado o poder e a riqueza nas mãos de poucos, excluindo os desfavorecidos e aumentando a desigualdade (cf. DA, n. 62).

6. Isso nos leva a considerar seriamente a necessidade de estabelecer as bases para uma nova ordem internacional, fundada em novas regras de jogo, que também tenham em conta os valores do Evangelho e os ensinamentos sociais da Igreja, a fim de promover uma globalização marcada pela solidariedade e pela racionalidade, que faça deste Continente, não só o Continente da esperança, mas também o Continente do amor. (cf. DA, n. 64). Para alcançar esse propósito, torna-se indispensável a presença e a colaboração de todos os homens e de todas as mulheres de boa vontade, sem discriminação religiosa, cultural, política e ideológica.

7. Diante do desejo de construir a paz, uma vida mais digna e plena para todos e de abrir caminhos de esperança para os pobres e excluídos, queremos concluir, fazendo nossas as perguntas de Bento XVI: “Como não pensar em tantas pessoas e famílias afetadas pelas dificuldades e as incertezas que a atual crise financeira e econômica tem provocado em escala mundial? Como não recordar a crise alimentar e o aquecimento climático, que tornam ainda mais difícil o acesso à alimentação e à água para os habitantes das regiões mais pobres do planeta?” (Discurso aos Membros do Corpo Diplomático, 8 de janeiro de 2009).

Esses questionamentos fazem ressoar hoje, com mais veemência, a dramática pergunta de Deus a Caim que nos afeta a todos, nos interpela e não nos pode deixar indiferentes: “onde está teu irmão” (Gen. 4, 9).

Bogotá, 7 de fevereiro de 2009

+ Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida, Brasil
Presidente do CELAM

+ Baltazar Enrique Porras Cardozo
Arcebispo de Mérida, Venezuela
Primeiro Vice-presidente do CELAM

+ Andrés Stanovnik, OFM.Cap.
Arcebispo de Corrientes, Argentina
Segundo Vice-presidente do CELAM

+ Víctor Sánchez Espinosa
Arcebispo eleito de Puebla-México
Secretário-geral do CELAM

+ Emilio Aranguren Echeverría
Bispo de Holguín, Cuba
Presidente do Comitê Econômico do CELAM

Casamentos na Capela São Judas Tadeu

As fotos, de casamentos realizados na Capela São Judas Tadeu em outubro de 2008 e fevereiro deste ano, proporcionam aos noivos momento de boas lembranças e à comunidade também de muito orgulho por tê-los conosco.

Casamento de Tatiana e Fernando.
Assíduos participantes desta comunidade e do site “O Arcanjo no Ar”.

Fotos cedidas pelo casal Tatiana e Fernando

Casamento de Isis e Natércio.
“Os arquitetos, cujo maior ‘projeto’, agora realizado, foi sua união abençoada pelo Padre Júlio. Quanta emoção nos mostram as fotos… Outros projetos e realizações virão e nossa comunidade vai vê-los sendo edificados.” Por Carlos Beatriz.

Fotos de Carlos Beatriz

Grupo Arco-íris discute tema da Campanha da Fraternidade

A paz é fruto da justiçaSegunda-feira, dia 09 de fevereiro, recomeçamos nossos encontros, já com o livrinho da Campanha da Fraternidade de 2009 (CF 2009), apesar de ainda estarmos no TEMPO COMUM. Sempre é tempo de oração e reflexão.

FRATERNIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA é um assunto polêmico.

Iniciamos com orações, leitura da Bíblia e a partilha das experiências. Nesse momento quase todos quiseram falar. Mais da metade das pessoas do grupo já sofreu algum tipo de violência, a começar pela Cidinha, que foi o caso mais grave, o caso da Lúcia que ficou por horas nas mãos de bandidos (ela e os dois filhos da patroa, de 3 e 6 anos), casos de sequestro-relâmpago, assaltos, vítimas de estelionato etc., sem falar da violência psicológica.

Só saber que bandido é bandido porque a falta de emprego, moradia, saúde, educação o levou a isso, não resolve o problema da nossa insegurança.

Outro ponto que foi muito falado foi de que a violência tem se disseminado tanto pela certeza da impunidade. Todos nós nos sentimos vítimas, sem poder contar com as autoridades.

GESTO CONCRETO

O que fazer? Na nossa fragilidade, a solução encontrada foi: orar e pedir à Deus proteção. Na medida do possível sempre acompanharmos uns aos outros.

Já marcamos o próximo encontro, e vamos ver se podemos fazer mais do que nos comprometemos nesse encontro.

E que DEUS nos abençôe e nos guarde.

Grupo Arco-Íris

O grande levante social e religioso de Irmã Dorothy

IHU – Unisinos *

Adital – Por Moisés Sbardelotto

Na quinta-feira, dia 12 de fevereiro, completaram-se quatro anos da morte da Irmã Dorothy Mae Stang, assassinada em 2005 com seis tiros à queima-roupa, aos 73 anos de idade, em uma estrada de terra de difícil acesso no interior do município de Anapu, no Estado do Pará. Seu assassinato ocorreu a mando de grileiros e madeireiros da região que já a ameaçavam há muito tempo por seu compromisso com a defesa da terra e dos direitos humanos.

Nascida nos Estados Unidos, em 1931, e naturalizada brasileira, Dorothy fazia parte das Irmãs de Nossa Senhora de Namur, uma congregação com mais de duas mil integrantes que realizam trabalho pastoral nos cinco continentes. Foi em 1966 que ela decidiu mudar-se para o Brasil. Chegou primeiro ao Maranhão, onde se dedicou às comunidades eclesiais de base, e, em 1974, Irmã Dorothy mudou-se para o Pará, onde ajudou a estabelecer a Comissão Pastoral da Terra na diocese de Marabá.

Em 1982, vai para Anapu, onde quase 90% do município são formados por terras pertencentes à União. Lá, sua atividade pastoral e missionária busca a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento e de desenvolvimento sustentável, além da luta pela reforma agrária, com uma intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Amazônia, crimes sempre denunciados por ela.

Nesta entrevista, IHU On-Line conversou por telefone com a Irmã Margarida Pantoja, das Missionárias de Santa Teresinha, de Belém do Pará. Ir. Margarida é coordenadora do Comitê Dorothy Stang, grupo formado por religiosos e religiosas de diversas congregações, ativistas dos direitos humanos e jovens de Belém. Uma das fundadoras do Comitê, Ir. Margarida nos fala sobre as celebrações em homenagem a Ir. Dorothy, as iniciativas tomadas pelo Comitê para que a justiça seja feita no caso dos assassinos e também sobre o “banho de conscientização” provocado por Dorothy, uma mulher que “levou muito a sério o profetismo e a missão dentro da Igreja”.

Confira a entrevista:

IHU On-Line – O que está sendo programado para marcar os quatro anos da morte da irmã missionária Dorothy Stang?

Margarida Pantoja – Neste ano, estamos fazendo diferente, porque todo ano vamos para a rua, fazemos protestos. Neste ano, preferimos marcar uma audiência, nesta quinta-feira às 10h, com o presidente do Tribunal de Justiça [do Estado do Pará], porque está entrando um presidente novo [Desembargador Rômulo Nunes]. Nessa audiência, iremos pedir e tentar pressionar para que aconteça o julgamento do Regivaldo [Pereira], que não foi julgado até agora pelo crime de mando do assassinato da Ir. Dorothy, e do Bida [Vitalmiro Bastos de Moura], para que seja anulado o julgamento que o inocentou.

Às 18h, temos a missa presidida por Dom Orani [João Tempesta], arcebispo de Belém, na Paróquia Maria Goretti, onde o corpo da Ir. Dorothy ficou durante a noite em que saiu do IML [Instituto Médico Legal], do dia 13 para o dia 14 [de 2005]. Em Anapu, vários movimentos também fizeram um documento que, amanhã, vai dar entrada junto com o nosso, com esses mesmos pedidos, fazendo pressão também.

IHU On-Line – Qual o significado dessas celebrações?

Margarida Pantoja – O significado forte disso tudo é não deixar o sonho da Ir. Dorothy se acabar. Precisamos fortalecê-lo, e as pessoas precisam continuar acreditando que é possível realizá-lo.
IHU On-Line – Após quatro anos do assassinato, como é possível avaliar o legado da Ir. Dorothy com relação à questão ecológica, à preservação da floresta amazônica e à defesa dos direitos humanos dos povos rebeirinhos?

Margarida Pantoja – Sem dúvida nenhuma, foi um banho de conscientização. A partir da morte da Ir. Dorothy, parece que as pessoas começaram a tomar consciência de que aquilo que ela fazia era muito importante, era vital para a continuidade desse ecossistema amazônico que está aqui. Não adianta tentar manter seres humanos vivos onde não há uma floresta viva. Então, um precisa do outro, um depende do outro.

Depois da morte da Ir. Dorothy, uma gama de trabalhos começou a ser feita ou foram reiniciados, porque havia muitos trabalhos do Incra e do Ibama que estavam parados, especialmente no que toca às políticas das questões agrárias, de reforma agrária, de regularização de lotes de terra. Tudo isso continua a ser feito.

IHU On-Line – Qual a importância de Dorothy Stang como mulher, tanto na sociedade como na Igreja?
Margarida Pantoja – Apesar de ser uma mulher tão pequenininha, em sua forma física, a Ir. Dorothy deixa um legado muito grande no sentido do seu profetismo, de mulher missionária. Ela levou muito a sério o profetismo e a missão dentro da Igreja. Sempre dizemos que ela foi como um Moisés, que acompanhou o povo no deserto. Ela fez isso com o povo que saiu do Maranhão, veio caminhando com esse povo até chegar em Anapu [uma distância de mais de mil quilômetros, n.dr.], onde começou a fazer seu trabalho e disse: “Olha, daqui nós não saímos mais, porque aqui tem uma terra que é da União, uma terra propícia para a reforma agrária”.

Para nós, é um verdadeiro exemplo de uma pessoa que seguiu esse projeto e que assumiu com muita garra o projeto de Jesus Cristo, que soube ser profeta seguindo o exemplo de Jesus Cristo, se entregando até a morte.

“Ir. Dorothy levou muito a sério o profetismo e a missão dentro da Igreja. Soube ser profeta seguindo o exemplo de Jesus Cristo, se entregando até a morte”

IHU On-Line – Das cinco pessoas acusadas pelo assassinato da Ir. Dorothy, dos dois fazendeiros apontados como mandantes, Vitalmiro Bastos de Moura, foi absolvido. Já Regivaldo Pereira aguarda julgamento. O executor do crime, Rayfran Sales, foi condenado a 28 anos de prisão. Seus comparsas, Amair da Cunha e Clodoaldo Batista receberam penas de 18 e 17 anos de prisão, respectivamente. Quais são as próximas ações que o Comitê aguarda ou irá tomar dentro do processo de punição dos assassinos e mandantes do crime?

Margarida Pantoja – De imediato, é a audiência desta quinta-feira. Nós precisamos que o caso Dorothy seja um caso exemplar. E, para ser um caso exemplar, ele precisa chegar até o fim dos julgamentos. Para nós, é de fundamental importância que o Regivaldo seja julgado e condenado pelo crime de mando. O Rayfran assumiu o crime sozinho. Se ele não assumir enquanto crime de mando, ele inocenta os fazendeiros. Então, é preciso acrescentar nos autos – e isto vai ser pedido nesta quinta-feira – a culpabilidade do Rayfran de crime de mando também. Ele precisa assumir isso. Daí sim, iremos pegar os fazendeiros, que fizeram o consórcio. Para encerrarmos esse caso no âmbito da justiça, precisamos julgar e condenar esses fazendeiros.

Regivaldo, conhecido como Taradão, foi preso no dia 26 de dezembro, mas não porque matou Dorothy. Ele foi preso porque foi mais uma vez pego falsificando documentos de terra, inclusive do mesmo lote 55, que é onde Ir. Dorothy foi assassinada.

IHU On-Line – Como você avalia a postura do governo, tanto federal como local, na questão desse processo de punição e julgamento?

Margarida Pantoja – Eu cheguei a mandar uma carta ao presidente Lula, quando ele esteve em Belém, e a resposta que recebi é de que isso não é do seu âmbito, é do Judiciário, e que ele não pode fazer nada. Mas é impressionante como um poder não pode interferir no outro. E o mesmo governo que se diz popular não pode fazer nada. Pessoas continuam sendo mortas e assassinadas, principalmente no campo, no Estado do Pará. E, mesmo estando com os dois governos, em nível estadual e federal, que se diziam do lado do povo, as coisas continuam acontecendo, infelizmente.

IHU On-Line – Como as organizações sociais avaliam a viabilidade do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) para a Amazônia, defendido pela Ir. Dorothy? Como estão avançando as negociações?

Margarida Pantoja – Segundo o doutor Felício Pontes Júnior, procurador da República aqui de Belém, que conhecia a Ir. Dorothy e o seu trabalho e que continua apoiando os grupos de Anapu, os PDSs Virola, Esperança e Jatobá estão sendo dados como modelo em nível de Brasil. Ele disse que em lugar nenhum existem projetos como esses de desenvolvimento sustentável que deram certo como os de Anapu, com todas as dificuldades que se tem, que são muitas. Mas o povo está plantando, está colhendo, está tendo dignidade e está vivendo da sua produção, porque é isso que o povo quer.
É interessante quando você ouve o povo de Anapu. Na apresentação do documentário “Mataram a Irmã Dorothy”, agora no Fórum Social Mundial, um trabalhador disse: “Nós não queremos esmola. Nós não queremos bolsa disso e daquilo. Nós queremos terra para trabalhar. Nós queremos trabalhar para nos manter”. É bonito ouvir o povo dizer isso, porque isso também é dignidade. E os povos dos PDSs querem trabalhar, querem viver do seu suor.

IHU On-Line – A Irmã Dorothy recebeu recentemente o Prêmio de Direitos Humanos das Nações Unidas, em razão de seus trabalhos na Amazônia. Como você avalia o reconhecimento do trabalho e da vida da Ir. Dorothy no Brasil?

Margarida Pantoja – Durante o Fórum Social Mundial, nós tivemos muitas manifestações de apoio ao trabalho da Ir. Dorothy. O espaço do Comitê Dorothy foi muito visitado. Já estamos tentando formar uma rede internacional de apoio ao Comitê e ao povo de Anapu. O Comitê existe por conta do povo de Anapu, então agora também é preciso que o trabalho daquele povo seja reconhecido. Não fica só na questão dos PDSs, na questão do assassinato, mas fica para nós um questionamento muito grande sobre o futuro dessa floresta, sobre o futuro desse planeta também. Porque se não cuidarmos, se não vivermos de forma sustentável, com aquilo que precisamos – porque tem muita gente acumulando, derrubando florestas, criando gado simplesmente para acumular, para ter regalias, e não para viver, para sustentar a humanidade -, se continuarmos com esse padrão de vida, daqui a pouco não vamos mais ter floresta, não vamos mais ter água, mas sim seres humanos escravos.

“A vida religiosa, após o sangue da Ir. Dorothy ter sido derramado, se levanta e assume, com muito mais vigor, com muito mais paixão, a causa da vida, a defesa dos povos”

IHU On-Line – Latifúndio, monocultura, escravidão, devastação ainda persistem. É possível ainda acreditar no sonho da Ir. Dorothy, sonhado com tantos outros, com relação à Amazônia?

Margarida Pantoja – Sem dúvida nenhuma, é possível. Quando visitamos os PDSs, a floresta, sentimos a presença da Dorothy e sentimos que, sim, é possível continuar sonhando e que muita coisa está acontecendo. Porque essas pessoas agora têm, dignidade, estão vivendo daquela terra, sem precisar derrubar. O trabalho que é feito com as biojóias, com a produção dos próprios produtos da terra que são comercializados sem muito barulho, sem muito alarde: é a agricultura familiar que está acontecendo, e isso é muito bonito.

IHU On-Line – Considerada uma mártir da terra, quais são os primeiros frutos e conquistas que a vida e a morte da Ir. Dorothy produziram para a sociedade e para a Igreja locais?

Margarida Pantoja – Um grande levante. Especialmente para a vida religiosa. A vida religiosa, após o sangue da Ir. Dorothy ter sido derramado, se levanta e assume, com muito mais vigor, com muito mais paixão, a causa da vida, a defesa dos povos, especialmente dos povos da floresta, dos povos indígenas, dos quilombolas. Mas também na Igreja como um todo, nas Pastorais Sociais que se reanimam, nos próprios bispos que estavam ameaçados de morte: nós tínhamos um, Dom Erwin [Kräutler, bispo da prelazia do Xingu, no Pará], e hoje temos três bispos sendo ameaçados de morte [além de Dom Erwin, Dom José Luiz Azcona, da prelazia do Marajó, e Dom Flavio Giovenale, de Abaetetuba, ambos no Pará], porque assumiram essa causa com muito mais vigor e de peito aberto, saindo dos seus esconderijos.

* Instituto Humanitas Unisinos

Setor Belém reflete 10º Plano de Pastoral

Setor Belém - 10o Plano de PastoralMais de 50 pessoas, representantes de 8 das 9 paróquias, participaram da Assembleia do Setor Belém no sábado, 07 de fevereiro, na paróquia São Carlos Borromeu. O ponto central da pauta foi a reflexão sobre o recém-lançado 10º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo.

A secretária de Pastoral da Região Belém, Ir. Iracema, fez uma apresentação do Plano, que se divide em três grandes partes (ver-julgar-agir) e convoca os cristãos a serem “discípulos-missionários na cidade de São Paulo”. O “ver” traz o marco da realidade, o “julgar”, o marco teológico-pastoral e o “agir”, as propostas de ação concreta nos diversos níveis.

Clique abaixo para ouvir a entrevista gravada pela equipe do site O Arcanjo no ar com a Ir. Iracema

[audio:Iracema.mp3]
Entrevista com Ir. Iracema

Entrevista com Ir. Iracema

Clique aqui para copiar a íntegra do 10º Plano de Pastoral para o seu computador (arquivo no formato PDF).

Veja as fotos da assembléia abaixo: