Dom Paulo Evaristo Arns

Dom Paulo Evaristo Arns comemora 94 anos de idade

Dom Paulo Evaristo Arns comemora 94 anos de idade

O arcebispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, comemora 94 anos na segunda-feira, 14/09/2015, dia da Santa Cruz. No final da missa das 18h de 13/09, o Pe. Julio Lancellotti lembrou da importância do testemunho de Dom Paulo para a Igreja, o Brasil e o mundo.

Mais detalhes nos avisos paroquiais da semana:

O Arcanjo inicia novas transmissões ao vivo pela Internet

No domingo, 16/10, o site “O Arcanjo no ar” começou a usar novas ferramentas que permitem transmitir ao vivo celebrações e outros eventos de interesse da comunidade. Na missa das 18h, foram transmitidos pela web a homilia e os avisos finais, em que o Pe. Julio Lancellotti convidou os participantes para a celebração de São Judas Tadeu, na capela da Universidade dia 28, a partir das 19h30. Ele falou também do comportamento da imprensa e citou a eleição para os Conselhos Tutelares em São Paulo:

httpv://www.youtube.com/watch?v=SahIka0J7kc

 

Dom Paulo Evaristo Arns, 90 anos

O franciscano Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, completou 90 anos na quarta-feira, 14 de setembro. O cardeal esteve à frente da Arquidiocese de São Paulo de 1970 a 1998. Aposentou-se e desde 2007 leva uma vida retirada, na Congregação Franciscana “Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos”, onde recebe auxílio de religiosas e religiosos para as atividades cotidianas. Sempre que tem disposição mantém hábitos de leitura, inclusive em outros idiomas, e chega a traduzir textos. Nos últimos anos, optou por uma agenda menos intensa e de raras aparições públicas.

Dom Paulo chegou a São Paulo em meio à ditadura. Logo se colocou como autoridade moral contra a violação de direitos humanos, com prisões arbitrárias e tortura, e deu respaldo para que grupos de resistência pudessem existir.

Nascido em Forquilinha, em Santa Catarina, no ano de 1921, Dom Paulo foi ordenado padre em 1945. Após cursar letras na Universidade Sorbonne, na França, uma das mais renomadas da Europa, retornou ao Brasil e passou a atuar em Petrópolis (RJ), na serra fluminense, onde permaneceu durante dez anos. Foi a partir da década de 1960, em São Paulo, que ganhou projeção como defensor dos trabalhadores.

O Brasil, além da repressão, passava por um momento de intensa migração para as cidades, que se inchavam e não davam condições dignas de vida às massas. Nas periferias, o religioso incentivou a formação e o fortalecimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), ressaltando a fé de que a Igreja Católica deve ser feita pelo povo, nas ruas, e não apenas nos templos.

Consagrado bispo em 1966, foi elevado a arcebispo de São Paulo em 1970. Até 1998, permaneceu como principal referência na Arquidiocese paulistana.

Ano passado, ao completar 65 anos de ordenação sacerdotal, Dom Paulo Evaristo Arns concedeu entrevista ao Pe. Cido Pereira, Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo. Na gravação, ele conta como foi a vida de padre, o amor por São Paulo, a opção que fez pelos pobres e pela periferia, as qualidades que todo padre precisa ter e deixa uma mensagem de esperança:

(com informações da Rede Brasil Atual)

Dom Paulo sai do hospital

O cardeal D. Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, deixou na quarta-feira, 19/01, o Hospital Santa Catarina, onde estava internado desde o dia 1º. D. Paulo, de 89 anos, sofreu uma cirurgia de emergência em decorrência de um processo infeccioso na vesícula biliar e depois teve uma pneumonia, permanecendo na UTI até 14 de janeiro.

O arcebispo está em casa e passa bem, segundo as religiosas que o acompanham.

Dom Paulo sai da UTI

O cardeal D. Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, recebeu alta do UTI do Hospital Santa Catarina na sexta-feira, dia 14. Segundo o último boletim médico, D. Paulo “eliminou por completo a infecção pulmonar instaurada após cirurgia para a extração da vesícula e sua saúde segue estável”.

O cardeal Arns foi internado e passou por uma cirurgia de emergência dia 1º de janeiro em decorrência de um processo infeccioso na vesícula biliar. Os médicos informam ainda informou que ele está consciente, se alimenta bem, faz pequenas caminhadas e não apresenta febre nem sinais de infecção.

Igreja de São Paulo reza por D. Paulo Evaristo Arns

O arcebispo emérito de São Paulo, cardeal D. Paulo Evaristo Arns, está internado na UTI do Hospital Santa Catarina, recuperando-se de uma infecção pulmonar. No dia 1º, ele passou por uma cirurgia de emergência na vesícula.

Segundo boletim médico divulgado nesta quinta-feira, “o estado de saúde geral de D. Paulo é estável” e ele deve permanecer na UTI nos próximos dias.

O cardeal arcebispo D. Odilo Scherer pede que os fieis de toda a Arquidiocese rezem pela recuperação de D. Paulo, que tem 89 anos.

Igreja celebra 65 anos de ordenação sacerdotal de Dom Paulo

A Igreja de São Paulo celebrou no sábado, 27/11, a festa de 65 anos de ordenação sacerdotal de Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito da Arquidiocese. A missa na Catedral da Sé foi presidida pelo atual cardeal arcebispo, Dom Odilo Pedro Scherer, e contou com a participação de diversos bispos, padres, leigos.

Na abertura, Dom Paulo falou sobre a rotina que tem vivido:

A homilia foi feita por Dom Celso Queiroz, bispo emérito de Catanduva, que foi responsável pela Região Ipiranga como auxiliar de Dom Paulo até o ano 2000:

No final da celebração, Dom Paulo recebeu homenagens de crianças da Pastoral do Menor, de moradores de rua, do prefeito Gilberto Kassab,  do Pe. Tarcísio Mesquita, coordenador de pastoral da Região Belém, e de Chico Whitaker, representante dos leigos de São Paulo:

Carlos Beatriz registrou a celebração:

Sinais dos Tempos

Frei Betto

O mercado é o novo fetiche religioso da sociedade em que vivemos. Antigamente, nossos avós consultavam a Bíblia, a palavra de Deus, diante dos fatos da vida. Nossos pais, o serviço de meteorologia: “Será que vai chover?”. Hoje, consulta-se o mercado: “O dólar desvalorizou? Subiu a Bolsa? Como oscilou o mercado de capitais?”.

Diante de uma catástrofe, de um acontecimento inesperado, dizem os comentaristas econômicos: “Vamos ver como o mercado re age”. Fico imaginando um senhor, Mr. Mercado, tran cado em seu castelo e gritando pelo celular: “Não gostei da fala do ministro, estou irado.” Na mesma hora os telejornais destacam: “O mercado não reagiu bem frente ao discurso ministerial”.

Para as agências de publicidade, o mercado no Brasil compreende cerca de 40 milhões de consumidores. Neste país de 190 milhões de habitantes, uma minoria tem acesso aos bens supérfluos. Os demais, só aos de necessidade indispensável.

O grande desafio das pessoas em idade produtiva, hoje, é como se inserir no mercado. Devem ser competitivas, ter qualificação, disputar espaços. Sabem que o sistema recomenda não levarem a sério conotações éticas e encarar como quimérico um planejamento de inclusão das maiorias. O mercado é, agora, internacional, globalizado; move-se segundo suas próprias regras, e não de acordo com as necessidades humanas.

A crise da modernidade é, portanto, também a do racionalismo. No início da modernidade, principalmente na época dos iluministas, a religião era considerada superstição. Camponeses da Idade Média regavam seus campos com água benta, agradeciam aos padres (que, diga-se de passagem, cobravam pela água benta) e depois louvavam a Deus pela boa colheita. Até o dia em que apareceu um senhor oferecendo a eles um pozinho preto, o adubo, que também custava dinheiro, mas não dependia da ira ou do agrado divino – bastava aplicá-lo à terra e aquilo facilitava a colheita.

O adubo funcionou melhor que a água benta! Muitos camponeses perderam a fé, porque a concepção de Deus predominante na Idade Média era a de um Ser utilitário. (Por isso se costuma dizer, em teologia, que Deus não é nem supérfluo nem necessário; é gratuito, como todo amor).

Outrora, falava-se em produção; quem tinha um capital, precisava investi-lo, produzir. Hoje, fala-se em especulação. Dinheiro produz dinheiro. A cada dia, através de computadores, bilhões de dólares rodam o planeta em busca de melhores lucros. Passam da Bolsa de Singapura para a de Tóquio, desta para a de Buenos Aires, desta para a de São Paulo, desta para a de Nova York, e assim por diante. Agora, em Singapura, provavelmente estarão discutindo o que fazer com US$ 6 bilhões disponíveis no mercado.

Outrora, falava-se em marginalização. Alguém marginalizado no emprego ainda tinha esperança de voltar ao centro. Hoje, marginalização cedeu lugar a outro termo, exclusão – o ser humano excluído não tem esperança de volta, porque o neoliberalismo é intrinsecamente excludente. A exclusão não é um problema para ele, tal como a marginalização era para o liberalismo: é parte da lógica de crescimento do sistema e da acumulação de riquezas.

Antes, falava-se em Estado, o importante era fortalecer o Estado. Um ministro da ditadura militar chegou a declarar: “Vamos fazer crescer o bolo, depois haveremos de dividi-lo.” Só que o bolo cresceu, e o gato comeu; não se viu o resultado. Aqueles mesmos políticos que advogavam o crescimento do Estado defendem, hoje, a sua destruição, com o sofisticado lema da ‘privatização’.

Não sou radicalmente contrário à privatização, nem estatista. Há países ricos – como a França e o Reino Unido – nos quais os serviços públicos estatais funcionam muito bem. Não é por serem públicas que as empresas e os serviços devem operar negativamente. A história é outra: muitos políticos, que deveriam ser homens públicos, estão prioritariamente ligados a empresas privadas, de maneira que não têm interesse em que as coisas públicas, estatais, funcionem bem. O maior exemplo disso é o serviço de saúde no Brasil. São US$ 8 bilhões circulando por ano nos planos privados de saúde, que atendem apenas 30 milhões de pessoas numa população de 190 milhões. Por que o SUS haveria de funcio nar bem? Outrora, alguém ficava doente e dava graças a Deus por conseguir um lugar no hospital. Hoje, as pessoas morrem de medo de ir para o hospital. Hospital virou antessala de cemitério.

A privatização não é só econômica, é também filosófica, metafísica. Tem reflexos na nossa subjetividade. Também nos tornamos seres cada vez mais privatizados, menos solidários, menos interessados nas causas coletivas e menos mobilizáveis para as grandes questões. A privatização invade até mesmo o espaço da religião: proliferam as crenças ‘privatizantes’, que têm conexão direta com Deus. Isso é ótimo para quem considera que o próximo incomoda. É a privatização da fé, destituindo-a da sua dimensão social e política.

Enfim, hoje fala-se em globalização; ótimo que o planeta tenha se transformado numa aldeia. O que preocupa é constatar que esse modelo é, de fato, a imposição ao planeta do paradigma anglo-saxônico. Melhor chamá-lo de globocolonização!

Gratos a Deus por Dom Pedro existir!

Dom Pedro Luiz Stringhini termina uma grande e bela jornada pastoral aqui conosco. Nestes anos, esteve incansavelmente ao alcance de todos de uma extremidade a outra de nossa Região Episcopal Belém. Trabalhador, generoso e acessível: são essas suas características de pastor que demonstram o quanto marcou e dinamizou esta porção apaixonante da Igreja em São Paulo.

Sua partida em breve já nos deixa cheios de saudades; saudades de quem ainda não se foi, mas que permanece presente nos planos de nossos corações e agendas do ano que começa. Das agendas de papel ou digitais, podemos, com certo pesar, apagar vários dos compromissos que teríamos especificamente com ele. Dos nossos corações, ele não será jamais apagado, pois fará sempre parte da agenda de nossos sentimentos e afetos.

Indubitavelmente, Dom Pedro deixa para nós um legado exigente de empenho pastoral. Nossas 64 paróquias e mais de 150 comunidades tiveram-no vigilante, ouviram sua voz, acompanharam suas idéias, pensamentos e ações. Percebem-se no seu jeito, os modos e modelos de vida de dois pastores que marcaram seus esforços desde padre jovem assim como toda a cidade de São Paulo: Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, de inesquecível memória, e Dom Paulo Evaristo Arns, bispos de inegável amor pela cidade, especialmente suas periferias, cortiços e seus moradores de rua.

Dom Pedro tem um lado humano exigente e detalhista, personalidade firme herdada do “sangue” de imigrantes italianos do Interior de São Paulo. No entanto, demovido de orgulhos e arrogâncias, sabia pedir e dar o seu perdão. Por ser firme em determinadas posturas e opiniões, vamos acabar tendo certas saudades de seu jeito teimoso de sempre mudar algo de lugar em nossas comunidades ou no estilo de nossas celebrações; mas fazia isso se sentindo em casa em qualquer lugar de nossa amada Arquidiocese de São Paulo. E tem razões mais que suficientes para continuar se sentindo assim, porque continuará sendo sempre nosso amigo e, de certo modo, nosso pastor.

Podemos imaginar o quanto tenha sido exigente a Dom Pedro ser bispo no mesmo lugar onde foi ordenado para o serviço presbiteral. Ele viveu aqui conosco desde jovem leigo, prosseguindo como seminarista até chegar a ser padre e agora bispo de nossa Santa Igreja. Não podemos nos esquecer que, quando um novo bispo chega de outros lugares, fica simples chamá-lo pelos seus títulos: Senhor Bispo, Dom Fulano, Excelência… De longe, quando se chega, o desafio é tornar-se íntimo. Para muitos de nós, contudo, Dom Pedro Luiz é sempre simples e prazerosamente Pedro, sem títulos, apenas e suficientemente um amigo conhecido desde a juventude, com seus olhos vivazes e sorriso cativante.

Agora, saudosa porque partirá daqui, nossa Arquidiocese o entrega à Diocese de Franca para que lá, também, ele seja um bom pastor.

Embora saibamos que assim será, pedimos encarecidamente que a Igreja Particular de Franca receba Dom Pedro Luiz com grande afeto. Pedimos que todos cuidem bem dele, que não o deixem só e o abracem muito; saibam que lhe apraz uma boa e restauradora comidinha caseira e que não é exagerado em nada que lhe diga respeito a comer e beber (mas ele gosta de um vinhozinho bem ajeitado!). Saibam que ele não é luxento, nem prepotente e muito menos se preocupa demasiadamente com seus bens particulares; ele tem é prazer pela simplicidade da vida cotidiana. Temos certeza que a Diocese de Franca vai se afeiçoar rapidamente a ele.

A Dom Pedro, enviamos um abraço aqui descrito em palavras, mas que lhe daremos pessoalmente, bem apertado e aos milhares, antes que parta para seu novo pastoreio. Desejamos que Deus lhe multiplique todo o bem que ele nos fez.

Comissão Regional de Presbíteros e Coordenadores de Setor
Arquidiocese de São Paulo
Região Episcopal Belém