juventude

Pastoral do Menor reafirma posição contra a redução da maioridade penal

O bispo referencial da Pastoral do Menor, dom Luiz Gonzaga Fechio, enviou carta aos deputados federais, membros da Comissão Especial de Elaboração de Proposta de Emenda à Constituição Federal que Reduz a Maioridade Penal no Brasil. No texto, é reafirmado o posicionamento da Pastoral do Menor contra a PEC. Confira, abaixo, a carta:

Carta aos Deputados Federais membros da Comissão Especial de Elaboração da Proposta de Emenda à Constituição Federal  que Reduz a Maioridade Penal no Brasil.

”Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Evangelho de São Mateus

A Pastoral do Menor, organismo da CNBB, à luz do Evangelho e em consonância com o posicionamento da própria CNBB, considerando toda a discussão ocorrida nos últimos meses acerca da Proposta de Emenda à Constituição Federal que Reduz a Maioridade Penal no Brasil, deseja reafirmar a própria POSIÇÃO TOTALMENTE CONTRÁRIA À ESSA MODIFICAÇÃO.

O Papa Francisco ao acolher a delegação da Associação Internacional de Direito Penal , no dia 23 de outubro de 2014 tem afirmado:

“…vivemos em tempos nos quais, tanto por parte de alguns sectores da política como de certos meios de comunicação, por vezes se incita a violência e a vingança, pública e privada, não só contra quantos são responsáveis por ter cometido delitos, mas também contra aqueles sobre os quais recai a suspeita, fundada ou não, de ter infringido a lei.

…há por vezes a tendência a construir deliberadamente inimigos: figuras estereotipadas, que concentram em si todas as características que a sociedade sente ou interpreta como ameaçadoras. Os mecanismos de formação destas imagens são os mesmos que, outrora, permitiram a expansão das ideias raciais.

…deploráveis condições de detenção que se verificam em diversas partes do planeta constituem muitas vezes um autêntico aspecto desumano e degradante, sendo muitas vezes o produto das imperfeições do sistema penal, outras, da carência de infraestruturas e de planificação, e em muitos casos mais não são que o resultado do exercício arbitrário e cruel do poder sobre as pessoas privadas da liberdade.

Os Estados devem abster-se de castigar penalmente as crianças, que ainda não completaram o seu desenvolvimento para a maturidade e por este motivo não podem ser acusadas. Ao contrário, elas devem as destinatárias de todos os privilégios que o Estado é capaz de oferecer, quer no que diz respeito a políticas de inclusão quer no respeitante a práticas que se orientam para fazer crescer nelas o respeito pela vida e pelos direitos dos outros.”

As palavras do Papa nos permitem discernir sobre o tema da redução da maioridade penal nos colocando claramente diante de uma decisão que vai bem além de uma mera questão legalista, pois necessariamente nessa arena atual de discussão se confrontam dois grandes blocos de valores humanos.

De um lado podemos priorizar os valores da vingança, ódio, discriminação, encarceramento, total ausência de oportunidade, confinamento e de uma forte tendência a um perigoso higienismo social. Do outro lado temos os valores cristãos dos direitos humanos, dos processos de oportunidade e respeito absoluto à pessoa humana, da presença de uma tolerância educativa e restaurativa, de ações preventivas que possam interromper esse ciclo de violência e, sobretudo o valor da vida e não da morte. Afinal essa é a escolha necessária diante dessa proposta.

Prezados Deputados e Prezadas Deputadas da Comissão Especial, a Pastoral do Menor, em total afinidade com a posição do Papa Francisco e norteada pela Palavra de Deus que quer vida em abundância para todos e não morte e castigo social, reafirma a POSIÇÃO CONTRÁRIA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL.

Semeemos fraternidade, igualdade, amor, justiça, igualdade e equidade social, assim não será necessário reduzir os direitos de nenhuma pessoa humana.

Atenciosamente,

Dom Luiz Gonzaga Fechio
Bispo referencial da Pastoral do Menor
Belo Horizonte, abril de 2015

Jovens fazem ação solidária nas Casas da Missão Belém

Mariana Nascimento

No dia 21 de dezembro, o grupo de Jovens e o grupo de Crisma da paróquia São Miguel Arcanjo foram fazer uma visita a duas casas da Missão Belém. Uma que é de triagem, de maneira que quem chega das ruas vai para ela e depois é mandado para outras casas. E na outra para idosos e doentes. Este ano, o grupo de Crisma quis fazer algo diferente de uma confraternização em uma pizzaria e sim algo que realmente representa o espírito de Natal.  Nada mais coerente do que ir levar um pouco de alegria a quem está na luta para trazê-la de volta à sua vida. Foram levados 100 pares de chinelos Havaianas com cartões. Antes da entrega os jovens leram uma mensagem de Natal que levava o significado da coroa do Advento. Os moradores ficaram muito emocionados e felizes com o que havia se preparado a eles e com tanto carinho.  Sem dúvida o momento mais bonito daquele dia foi a atitude de doarem seus antigos chinelos para os novos irmãos que virão morar com eles.

Jovens fazem ação solidária nas Casas da Missão Belém

E é de momentos assim que 2014 precisa estar repleto. Essa é a chave contra o individualismo e o ódio tão presentes no mundo de hoje. O Natal não é só um feriado… Tão pouco uma festa com presentes, papai noel, coca-cola e peru, mas sim o nascimento da esperança, coragem, alegria, paz e amor. Tudo isso vem porque Jesus está chegando. É tempo para pensarmos em cada sonho e resto de certeza que irão se realizar para renovar nossas energias e conseguirmos olhar ainda pro futuro com determinação. Nem sempre é fácil, porém se não fizermos isso, a graça de viver vai se perder. Se formos à luta, aí está a graça, de sentir aquela esperança, aquela alegria de estarmos em busca, pensando em conquistarmos aquilo que almejamos. Mas, claro, não devemos pensar  que teremos sucesso sempre. Às vezes as coisas não ocorrem como imaginamos. Entretanto, se assim aconteceu, é porque no futuro algo melhor está por vir. Deus tem um plano melhor e com certeza mesmo dando tudo errado, não foi em vão. Só foi o jeito de Deus nos fazer crescer.

Jovens fazem ação solidária nas Casas da Missão Belém

“Os jovens têm que sair e fazer valer, sair e lutar pelos seus valores.”
“Não devemos ter medo da bondade e da ternura.”

Papa Francisco

Veja as fotos:

Grupo de jovens visita casa da Missão Belém

No final da missa das 18h, o Pe. Julio pediu aos jovens para contar a experiência de visitar uma das casas da Missão Belém, que acolhe moradores de rua. Ele voltou a falar do ECC – Encontro de Casais com Cristo – e lembrou que dia 24/11, Domingo de Cristo Rei, será o encerramento do Ano da Fé – veja nos avisos da semana:

Para encerrar, a comunidade cantou “Utopia”, de Zé Vicente:

DNJ 2013: Jovens peregrinam no Ano da Fé

Centenas de jovens de toda a Igreja de São Paulo saíram às ruas no último domingo, 20/10, com concentração no Pátio do colégio, para participar do Dia Nacional da Juventude, organizado pelo Setor Juventude da Arquidiocese de São Paulo, sob o tema: “Juventude e Missão” e o lema: “Jovem: levante-se, seja fermento!”.

A arquidiocese de São Paulo está fazendo diversas peregrinações em virtude do Ano da Fé. Os jovens também peregrinaram à Catedral da Sé para renovar sua Fé Cristã, com missa presidida pelo cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, e concelebrada pelo clero presente.

Foi uma tarde agradável, com apresentações artísticas e reflexões feitas a partir do tema do DNJ; todos cantaram, dançaram e também e rezaram pela juventude. Para o evento ficar marcado e ainda relembrar a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, os jovens fizeram o Flash Mob “Eu acredito na Juventude”.

Dom Odilo disse que todos são “enviados por Jesus Cristo para anunciar o evangelho”, e que é necessário ter consciência de que é o trabalho de cada um, como cristão. “Somos um povo missionário, enviados por Jesus ao mundo para anunciar a Boa Nova do Reino de Deus”, completou.

A proposta do DNJ em 2013 foi de continuar as temáticas da JMJ Rio 2013, do “Ano da Fé” e da Campanha da Fraternidade deste ano, chamando a atenção para a formação de discípulos-missionários de Jesus Cristo em meio à juventude.

O DNJ é uma atividade permanente do Setor Juventude e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e é um momento forte de celebração, de sentido de pertença dos jovens à Igreja e de sua visibilidade na sociedade. Em todo o Brasil, inúmeras manifestações foram promovidas através do Dia Nacional da Juventude.

O Dia Nacional da Juventude nasceu em 1985, tendo como tema “DNJ: Construindo uma nova sociedade”. Desde então, 28 edições já foram realizadas.

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

Carta pela evangelização dos jovens no Brasil

O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, dom Eduardo Pinheiro da Silva, enviou carta aos padres e responsáveis pela evangelização da juventude no Brasil. No texto, o bispo deseja que o Dia Nacional da Juventude (DNJ), a ser celebrado no final deste mês missionário, atinja o maior número possível de adolescentes e jovens.

Evangelização dos jovens no Brasil

Confira o texto na íntegra:

Caros párocos e demais responsáveis pela evangelização da juventude no Brasil.

“Educá-los na missão, a sair, a pôr-se em marcha, a estar sempre nas ruas pela fé. Assim fez Jesus com seus discípulos: não os manteve apegados a Ele como a galinha aos pintinhos; os enviou. […] Empurremos os jovens para que saiam.”
(Francisco, 27/07/2013)

Chegou, mais uma vez, o “Mês Missionário”. Já é tradição dedicarmos este mês à reflexão sobre esta dimensão que faz parte de nossa vida cristã. Nenhum cristão pode abrir mão de ser missionário, uma vez que esta realidade é intrínseca ao Batismo. Podemos atuar missionariamente de maneiras diferentes, mas todos acolhem o mesmo mandato de Jesus Cristo: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19).

Há tempo estou percebendo – e me alegrando! – que os conceitos “missão” e “missionário” vêm sendo acolhidos normalmente pelas novas gerações. “Ser missionário” ou “fazer missão” ou algo deste gênero, já não remete mais à ideia exclusiva dos louváveis missionários e missionárias, quase sempre sacerdotes e consagrados, que se deslocavam de terras estrangeiras para conviver e servir à evangelização em nosso país, principalmente nos lugares mais desafiadores. Hoje, com muita naturalidade, os jovens estão se apropriando destes termos e buscando formas novas de fazerem valer esta sua vocação batismal. Isto é maravilhoso! Saibamos valorizar esta realidade para que eles possam, ali onde vivem, testemunhar mais fortemente ao mundo a gratuidade do serviço em prol dos mais desfavorecidos, sofredores e esquecidos de nossa realidade.

Na JMJ Rio 2013 nossos jovens foram, de maneira intensa e celebrativa, provocados a entenderem e vivenciarem este chamado. Certamente voltaram para suas casas, comunidades, grupos, paróquias, escolas, animados em fazer valer o que o Papa Francisco soube tão bem motivar. E agora nos vem uma dúvida: o que eles estão encontrando em nossos ambientes? Não basta Jesus Cristo enviar estes seus jovens discípulos, nem o Papa motivá-los à missão se eles não forem colocados em situação de desenvolvimento deste mandato. Há muita energia de amor e serviço concentrada no coração e nos sonhos dos jovens, aguardando ocasiões propícias para sua propagação. A fala do Papa na Catedral do Rio foi muito direta aos adultos, evangelizadores e educadores da juventude: cabe a nós a responsabilidade de educar os jovens para a missão, empurrando-os às ruas para que sejam protagonistas de uma nova história, a partir da fé em Jesus Cristo e de sua vivência eclesial.

Como obedecer ao Sucessor de Pedro, concretizando isto que ele nos pede?  Estamos no fim do “Ano da Juventude” e do “Ano da Fé”. Esta bonita coincidência é, para nós brasileiros, provocação de Deus a um trabalho mais consistente e criativo para que os jovens, convictos e formados à luz da fé, se tornem profetas proativos na realidade sociocultural em que se encontram. Assim, não percamos o precioso momento das nossas Assembleias e Reuniões de avaliação e planejamento que acontecem normalmente agora, por exemplo, em nossas Paróquias, Dioceses, Regionais, Pastorais, Congregações Religiosas, Movimentos para operacionalizarmos algumas das propostas contempladas no Texto-base da Campanha da Fraternidade 2013 e, principalmente, nas 8 Linhas de Ação do Documento 85, “Evangelização da Juventude – Desafios e Perspectivas Pastorais”. Ali encontramos uma riqueza imensa de reflexões e sugestões que, acrescida a este contexto juvenil pelo qual estamos passando, proporcionarão novos tempos aos nossos jovens, às nossas comunidades, à sociedade.

As celebrações litúrgicas deste mês, embelezadas pela comemoração de grandes apóstolos, evangelistas, santos e santas se tornam, também, ocasião propícia para apresentar aos jovens, de maneira criativa, estes testemunhos missionários.  Santa Terezinha do Menino Jesus – Padroeira das Missões – aumente em nós a consciência missionária de nossa vida cristã! São Francisco de Assis – Protetor dos Desamparados – nos ajude a crescer na sensibilidade e nos gestos concretos de amor junto aos mais abandonados de nossos ambientes!

Nossa Senhora Aparecida – Mãe amada do Brasil – interceda pela nossa conversão pastoral a favor da cultura da acolhida às juventudes que estão ao nosso redor! Que o DNJ (Dia Nacional da Juventude) a ser celebrado no final deste mês missionário atinja o maior número possível de adolescentes e jovens que estão sob sua responsabilidade, para que neles sejam fortalecidos os nobres sonhos de Deus de vida plena para todo seu povo.

Com estima e orações,

Dom Eduardo Pinheiro da Silva, sdb
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB

Fonte: CNBB

A Jornada Mundial da Juventude está batendo às portas

Peregrinos de vários países estão vindo para São Paulo fazer uma experiência missionária antes de irem para o Rio de Janeiro encontrar com o Papa Francisco.

Estamos preparando as paróquias e nossos lares para recebê-los, para mostrarmos como vivemos nossa fé e como a acolhida é marca registrada no nosso povo.

Mas não é só isso. Para celebrar este momento histórico da Região Episcopal Belém nós vamos lotar o PET (Parque Esportivo do Trabalhador – antigo Ceret), no dia 19, a partir das 18h.

Mística, cultura, festa e paz é o que terão todos os que estiverem conosco. Talvez você ainda não saiba bem o que é JMJ, nem Semana Missionária (acesse: http://prejmjsp.com.br), esse é outro motivo para você estar conosco, neste dia.

O que move estes jovens? De onde vem tanta alegria? Ah, só indo lá para saber! Quem sabe você também não se anima para ir conosco para o Rio? Ainda dá tempo.

Vamos Juntos!?

Data: 19/07/2013 – Sexta-feira
Horário: 18h
Local: PET (Parque Esportivo do Trabalhador – antigo Ceret)
R. Canuto Abreu – Vila Gomes Cardim – CEP 03336-000 – São Paulo – SP
Link no Google Maps: http://goo.gl/maps/tMWUi

Para mais informações:

Região Episcopal Belém
Av. Álvaro Ramos, 366 – Belém
CEP.: 03058-060 – São Paulo – SP
Tel.: 2693.0287 / 2693.0737 / 2693.5620 (fax)
[email protected] /[email protected]

Equipe de divulgação do Festival da Juventude
Região Episcopal Belém

Maioridade penal: omissão e distorção na mídia

Celso Vicenzi
Adital

Quem acompanha diariamente as notícias na mídia sobre atos de violência cometidos por adolescentes tem a sensação de que os jovens brasileiros são os autores da maioria dos crimes graves no país. A mídia tem sido muito eficiente em provocar uma quase-histeria na opinião pública, para tentar legitimar mudanças nas leis do país. A principal delas seria a redução da maioridade penal para 16 anos. Comentaristas de TV e de emissoras de rádio –principalmente– têm sido pródigos em vociferar argumentos equivocados, de forte apelo emocional, na tentativa de imputar aos adolescentes infratores uma violência muito maior do que de fato ocorre. Jornalistas e radialistas mal informados (na melhor das hipóteses) ou irresponsáveis e inconsequentes, e, neste caso, pouco éticos –com a conivência dos proprietários– usam os meios de comunicação para difundir preconceito e discriminação.

Argumentos falsos não resistem à informação correta. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), os adolescentes brasileiros são responsáveis por 3,8% dos homicídios. Ou seja, uma quantidade muito pequena diante da gritaria geral para sustentar a redução da maioridade como a grande solução para a diminuição da criminalidade no país. A quem se quer enganar com tão tosca solução, que se provará tão inútil quanto tantas outras que não combatem a raiz do problema? A maioria dos crimes cometidos por menores de idade que cumprem medida socioeducativa são crimes de roubo e furto (43,7%) e de tráfico de drogas (26,6%), conforme dados de 2011 do Ministério da Justiça.

Nos Estados Unidos, onde existe pena de morte para adolescentes, eles são responsáveis por 11% dos homicídios cometidos, informa a Unicef. Aumentar a punição, não resolve o problema da violência. O que contribui para a solução é mais educação, distribuição de renda e políticas públicas de inclusão social. E isso já foi demonstrado em vários estudos.

A pesquisa Tendências do Crime, da ONU, revela que são minoria os países que definem o adulto como pessoa menor de 18 anos. Em 53 países estudados, 42 deles (79%) adotam a maioridade penal aos 18 anos ou mais. A Alemanha restabeleceu a maioridade para 18 anos e o Japão aumentou para 20 anos. A tendência é pelo uso de medidas socioeducativas.

Para uma outra tragédia, porém, não se vê praticamente nenhuma mobilização da sociedade, dos meios de comunicação, dos legisladores, das autoridades do país: nos últimos dez anos, 80 mil adolescentes foram assassinados no país. Uma verdadeira carnificina. Na maior parte dos casos, são jovens negros ou pardos, de baixa renda. Para conter essa violência, não há nenhum projeto em tramitação no Congresso Nacional. No entanto, segundo entidades que atuam em defesa da criança e do adolescente, existem 1.566 projetos em tramitação que se referem a direitos das crianças e adolescentes, mas apenas 376 são considerados positivos. Os demais apontam para retrocessos.

Há outro falso argumento. O de que direitos humanos protegem criminosos. Direitos humanos protegem a sociedade da barbárie, porque, num mundo sem leis e sem a proteção da dignidade humana, todos estão muito mais vulneráveis. Sociedades brutais degradam o ser humano e geram mais violência. E há uma pergunta que precisa de resposta urgente: por que o Brasil ainda tolera a tortura em muitas delegacias e presídios? Talvez pelo mesmo motivo pelo qual nunca foram punidos os torturadores que atuaram durante os anos de ditadura no país.

Não é fácil evitar sentimentos de vingança quando a violência explode de forma contundente, não raro vil e covarde. Sim, há casos graves, cruéis, que envolvem a participação de crianças e adolescentes. Mas o legislador não pode escrever as leis babando de ódio. Tampouco o aparato policial deve fazer justiça por conta própria. Nem a sociedade urrar de prazer diante da eliminação física ou da tortura daqueles que trilharam o caminho do crime. Porque esta mesma sociedade, que escolhe seus governantes, é corresponsável pela omissão do Estado.

Somos um país violento, corrupto e desigual. E há muita impunidade, sobretudo nas camadas mais ricas da sociedade. Temos que lutar contra isso.

Sem investir em educação, formação profissional e distribuição de renda, não avançaremos na luta contra o crime. O Brasil é um dos países que mais prende, e a violência não para de crescer. São mais de 500 mil presos. E mais de 200 mil mandados de prisão para cumprir. O número de detentos por 100 mil habitantes, em 2007, era de 229 no Brasil, 154 na Argentina, 117 em Portugal, 99 na Grécia, 92 na Alemanha, 83 na Itália e 66 na Dinamarca. De cada cinco presos brasileiros, apenas um trabalha. E de cada dez presos ou processados no Brasil, um é vítima de erro da Justiça. Há muito por fazer antes de achar que a solução é construir mais prisões – boa parte delas piores que os calabouços medievais.

O drama daqueles que são vítimas de violência, seja por ação de adolescentes ou adultos, deve ser acolhido e amparado. E, para que não volte a ocorrer, é preciso que a sociedade não se omita e não busque subterfúgios em falsas soluções. Se hoje há criminosos que desafiam a autoridade policial e o estado de direito, é porque falta, sobretudo, autoridade moral ao Estado para exigir o cumprimento da lei. A corrupção e a conivência com o crime em altos escalões alimentam continuamente as forças que agem contra a democratização da sociedade.

Quando o Estado não proporciona educação de qualidade; quando não garante saúde, lazer e proteção à infância; quando o braço forte da lei só atinge os mais pobres; quando não há políticas públicas para desconcentrar a renda e permitir que famílias possam sair da miséria e viver com dignidade; quando não se oferecem oportunidades a crianças e adolescentes, sobretudo aqueles que estão em situação mais vulnerável, como acreditar que é possível conter a violência? Quando a mídia contribui para a construção de um modelo de sociedade injusto, excludente, que humilha os mais pobres, como pensar em uma convivência pacífica?

Caberia à mídia, pelo seu alcance, fazer um debate honesto, sem casuísmos, sem a falsificação de dados, sem a omissão de informações, sem incitar o preconceito, a discriminação e o ódio de classe. Em outras palavras, que a mídia simplesmente faça o que seria sua obrigação: jornalismo! O debate sobre soluções para a violência tem que discutir o modelo de sociedade. Tem que ir à raiz, fugir da superficialidade, da ignorância e da demagogia, para responder, afinal, que país é este, onde se mata e se morre, às vezes com tanta crueldade. Não somos obra do acaso. Nós construímos esse modelo de sociedade. Temos que inventar outro, tendo a educação e a solidariedade como grandes alicerces.

5ª Semana Social Brasileira lança vídeo enfocando a força da juventude nos processos de mudanças do país

A coordenação da 5ª Semana Social Brasileira divulga mais um vídeo com o objetivo de mostrar o rosto jovem do Brasil.

Com uma população estimada em cerca de 53 milhões de habitantes, a juventude brasileira é parte essencial para a mudança das realidades que se buscam para um mundo melhor e mais justo.

“Muitos de nós estamos inseridos/as em diversas frentes de luta por questões relevantes para a juventude brasileira, mas é necessário provocar nos jovens o desejo especial por participar desta 5ª SSB, pois ela nos ajuda a aprofundar o que parece ser mais essencial, que é a discussão e a possibilidade de construção de um novo Estado. Precisamos compreender nosso papel fundamental no futuro, mas também no presente da sociedadebrasileira, construindo juntos/as este novo jeito”, convoca o folder da Semana.

Com base nos problemas enfrentados pelos jovens de todo o Brasil é que a 5ª SSB quer trazer para o debate o que vem sendo construído nos mais variados campos de organização promovidos pelas juventudes. Neste sentido, o vídeo quer mostrar a cara dos jovens, como eles se organizam e o que fazem participar de processos políticos e de transformação dos modelos que geram a morte de jovens.

De acordo com a organização da 5ª SSB os/as jovens devem ser entendidos/as também como sujeitos/as protagonistas da construção de uma sociedade de fato fraterna, justa e solidária. A parcela que mais sofre é a juventude, pois vive uma situação de desemprego, precarização do trabalho, educação precária, violência e extermínio, predominantemente a negra.

Nesse contexto, o maior responsável por essa situação que se encontra a juventude é o modelo desenvolvimentista implantado no Brasil, cujas bases encontram-se no modelo de produção e consumo capitalista-imperialista.

“Este modelo está baseado na acumulação do capital, especialmente pelos bancos e multinacionais, que aliados aos governos, promovem voraz ataque às riquezas e ao território, provocando injustiças socioambientais e o empobrecimento da juventude rural e urbana, em especial os jovens negros, mulheres e indígenas. Sabemos que o governo brasileiro tem avançado quando se trata de Juventude. Conseguimos, ao longo dos últimos anos, grandes conquistas, que só foram possíveis com a mobilização das organizações juvenis de todo o país”, expressa o material da Semana.

5ª Semana Social Brasileira

A 5ª SSB é um processo nacional que está em curso desde 2011 em todo o Brasil e promove a participação ampla de pessoas e entidades, a abertura ao ecumenismo e diálogo inter-religioso, o pluralismo de ideias e valores, o exercício do debate democrático em todas as instâncias e o ensaio coletivo de iniciativas transformadoras.

Agenda Juventude

• 2013: Campanha da Fraternidade “Fraternidade e Juventude”;

• Primeiro semestre de 2013: Seminários e Semanas Sociais Regionais;

• 23 a 28 de julho: Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro;

• 02 a 05 de setembro de 2013: Semana Social Brasileira, a nível nacional.

Mais informações acessar www.semanasocialbrasileira.org.br.