Ressurreição

Espiritualidade Pascal: o Domingo

Dom Edmar Peron

“Em cada semana, no dia a que chamou domingo, a Igreja celebra a Ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua Paixão” (Sacrosanctum Concilium, 102). Mas a cada domingo celebramos a Páscoa? Já não bastaria celebrá-la uma vez por ano e, assim, ficar livre nos outros domingos para sair da Cidade ou ir ao Shopping? Bem, que o domingo seja dia de repouso e de alegria, a Igreja não nega (mesmo que a sociedade a apresente o domingo cada vez mais como um dia qualquer de trabalho para muitos homens e mulheres), assim como não deixa de nos convocar para a celebração, reunidos em comunidade. Vejamos alguns textos que podem nos ajudar a meditar sobre esse assunto.

A cada celebração dominical, desde a Páscoa, a leitura do Evangelho nos tem proposto o Domingo como dia do encontro com o ressuscitado. Maria Madalena, “no primeiro dia da semana, foi ao túmulo de Jesus bem de madrugada, quando ainda estava escuro” (Jo 20,1 – Domingo de Páscoa). Os discípulos se reuniram “ao anoitecer desse dia, que era o primeiro da semana” e, depois, outra vez os encontramos reunidos no domingo e, dessa vez, “Tomé estava com eles” (Jo 20,19.26 – Segundo Domingo da Páscoa). São Lucas nos apresenta Jesus caminhando com os dois discípulos de Emaús, “nesse mesmo dia”, isto é, “no primeiro dia da semana” (24,1.13 – Terceiro Domingo da Páscoa). Assim, a partir desses evangelhos, podemos dizer que a experiência do encontro com Jesus ressuscitado que fizeram Maria Madalena, os Apóstolos e os discípulos que iam para Emaús aconteceu no domingo.

A Igreja, no Concílio Vaticano II, resgatou o Domingo como “principal dia de festa, […] dia da alegria e dia do repouso” (SC 106). Esse é o dia no qual nos reunimos para fazer memória da Paixão, Ressurreição e glória do Senhor Jesus e dar graças a Deus que em sua “grande misericórdia”, ao ressuscitar Jesus dentre os mortos, “nos fez renascer para uma esperança viva” (1Pd 1,3). E fazemos isso de modo particular pela celebração da eucaristia, pela qual anunciamos a morte do Senhor e proclamamos a sua ressurreição, até que ele venha (1Cor 11,26 – Oração Eucarística). Podemos, pois, com toda confiança proclamar que o Domingo, pela ressurreição de Jesus dentre os mortos, é o dia que o Senhor fez para nós, dia de exultação e de alegria.

Lembro um testemunho. Em tempo de perseguição, no ano 304, em Abitene, atual Turquia, 49 cristão foram pegos reunidos no domingo, enquanto celebravam a Eucaristia – o que lhes era proibido pelas leis do imperador Dioclesiano; ao serem interrogados no tribunal sobre tal desobediência, um deles, chamado Emérito, respondeu: “Sine dominico non possumus”, ou seja, nós não podemos viver sem nos reunirmos em assembleia no domingo para celebrar a Eucaristia. Faltar-nos-iam as forças para enfrentar as dificuldades quotidianas sem sucumbir. Depois de terríveis torturas, os 49 cristão foram mortos. Eis os mártires do domingo. Sobre esse assunto, meditemos a homilia de Bento XVI, em Bari, no dia 29 de maio de 2005.

Desse modo, a espiritualidade pascal inclui a vivência do Domingo: reunir-se para celebrar, alegrar-se no Senhor e repousar. É claro que esse ideal é, em nossos dias, uma profecia daquela liberdade que Deus oferece aos seus filhos e filhas. Como vivemos o Domingo? Deixemo-nos impulsionar pelos mártires de Abitene: sem o Domingo, o dia do Senhor, nós não podemos viver!

Programação da Semana Santa

As celebrações da Semana Santa na igreja São Miguel Arcanjo têm início na quinta-feira, 18/04, com a Missa do Lava-pés às 20h, seguida de adoração. No dia seguinte, haverá o Ofício da Paixão, às 15h, e procissão pelas ruas do bairro às 19h30. O Tríduo culmina com a Vigília Pascal, celebrada no sábado, a partir das 20h, aberta com a bênção do fogo novo. No domingo de Páscoa, as missas serão celebradas nos horários normais (7h30 e 18h na igreja São Miguel e 10h na capela da Universidade São Judas Tadeu). Veja mais detalhes nos avisos da semana:

Gravação realizada na missa das 18h de 13/04, Domingo de Ramos.

Via Sacra da Criança e do Adolescente será na próxima sexta-feira

A Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo convida todos a participar da Via Sacra da Criança e do Adolescente, na próxima sexta-feira, 11 de abril, com concentração a partir das 8h, no Pátio do Colégio, local da Primeira Estação, e onde Dom Milton Kenan Junior, Bispo Auxiliar de São Paulo, dará a benção inicial.

O objetivo é envolver o maior número possível de crianças e adolescentes. Há mais de 22 anos a Via Sacra é realizada, e surgiu por iniciativa de Dom Luciano Mendes de Almeida.

Uma curiosidade neste ano, é que os personagens da Paixão de Cristo, que participam da Via Sacra, usarão o transporte público. Eles andarão de metrô, anunciando que Jesus Cristo está presente no trabalhador, na mulher, no jovem, em toda a sociedade, e sofre com eles.

A Via Sacra é um momento de oração, anúncio e denúncia que tem como objetivo meditar a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, tendo como pano de fundo a Campanha da Fraternidade, que em 2014 tem como “Fraternidade e Tráfico Humano”, e o lema “É para liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Este ano, todos são desafiados a assumir o compromisso com a erradicação do tráfico humano. Crianças e adolescentes vão às ruas da cidade, de uma forma lúdica e envolvente, mostrar que são vítimas em potencial deste negócio. A Igreja, na sociedade é convocada a proteger, defender e promover a vida ameaçada.

Divulgue esta bela iniciativa, onde crianças e adolescentes denunciarão todos os tipos de tráfico humano.

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

Via Sacra da Criança e do Adolescente

A Semana Santa começa na Quaresma

Dom Edmar Peron

Para muitas pessoas, a Quaresma termina no Domingo de Ramos, quando se tem início a Semana Santa. Contudo, não é esse o ensinamento da Igreja, especialmente no documento sobre a preparação e celebração das festas pascais, de 16 de janeiro de 1988, chamado Paschalis Sollemnitatis, n. 27: “Na Semana Santa a Igreja celebra os mistérios da salvação, levados a cumprimento por Cristo nos últimos dias da sua vida, a começar pelo seu ingresso messiânico em Jerusalém. O tempo quaresmal continua até a Quinta-feira Santa. A partir da missa vespertina “da Ceia do Senhor” tem início o tríduo pascal”. O documento explicita, portanto, que (a) na Semana Santa fazemos memória de Cristo, nosso Salvador, desde sua entrada em Jerusalém até a sua ressurreição, passando pela crucifixão, morte e sepultura; e que (b) a Quaresma só termina quando damos início à celebração da Ceia do Senhor, ao anoitecer da Quinta-feira Santa.

Esses últimos dias da Quaresma incluem duas importantes celebrações: o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor e a Missa do Crisma.

O Domingo de Ramos antecede a grande solenidade da Páscoa e dá início à Semana Santa; esse Domingo une num todo o mistério do triunfo real de Cristo (comemorado pela bênção e procissão com ramos bentos) e o anúncio da paixão (Liturgia da Palavra da Missa).

Nesse dia, em que a Igreja recorda a entrada do Cristo em Jerusalém para realizar o seu mistério pascal, somos convidados a demonstrar nossa fé, reconhecendo a Cristo como nosso Rei Redentor. Participando da procissão, como o povo aquele dia em Jerusalém, também nós vamos ao encontro do Senhor. Os ramos – abençoados para serem levados em procissão – conservados em nossas casas, nos recordam a vitória de Cristo e nossa vida de discípulos missionários. Durante essa celebração, as comunidades católicas de todo o Brasil realizam uma coleta como gesto concreto da Campanha da Fraternidade, esse ano, para sustentar projetos contra o tráfico humano.

O hino a Cristo Rei, proposto para a procissão, nos leva a cantar, no refrão: “Glória, louvor e honra a ti, Cristo rei, redentor!” E as estrofes desse hino relacionam a nossa ação com aquela dos que aclamavam a Cristo, que entrava em Jerusalém: eles levavam “seus ramos e suas palmas”, e nós hoje, oferecemos “nossos hinos, nossas almas”; eles festejaram a entrada de Jesus “que ao Calvário conduzia”, mas agora que ele reina, “bem maior é nossa alegria”.

E a Missa do Crisma, nesses dias que antecedem a Páscoa, é uma manifestação da comunhão dos presbíteros com o próprio bispo, no único e mesmo sacerdócio e ministério de Cristo; nela, o bispo, concelebrando com o seu presbitério, consagra o santo Crisma e benze os outros óleos. Esses santos óleos devem ser acolhidos nas paróquias, de modo a serem usados na noite da vigília pascal, para a celebração dos sacramentos da iniciação cristã. Momento oportuno será a procissão de entrada da missa da Ceia do Senhor, na noite da Quinta-feira Santa.

Preparemo-nos para celebrar esses dias santos que concluem a Quaresma e nos introduzem no Tríduo Pascal.

Papa: “Seguir Jesus para conhecê-Lo”

“É sendo discípulo e não estudioso, que se conhece Jesus”, disse na manhã dessa quinta-feira, 20, o Papa Francisco na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta. “Todo dia – explicou – Cristo nos pergunta quem Ele é para nós, mas podemos responder somente seguindo-O”.

“Para responder a esta pergunta, que todos sentimos em nosso coração, – ‘Quem é Jesus para nós’ – não é suficiente o que aprendemos no catecismo. É importante, sim, estudá-lo, mas não é suficiente. Para conhecer Jesus, é necessário fazer o caminho feito por Pedro: depois da humilhação, Pedro continuou com Jesus, viu seus milagres, viu seu poder; pagou os impostos como lhe disse Jesus, pescou um peixe, pegou-lhe a moeda da boca, viu muitos milagres como este. Mas a um certo ponto, Pedro renegou Jesus, o traiu e aprendeu a difícil ciência – a sabedoria – das lágrimas, do pranto”.

Pedro pede perdão a Jesus e não obstante isso, depois da Ressurreição, é questionado três vezes a propósito de seu amor, às margens do Lago Tiberíades.

“A primeira pergunta: ‘Quem sou eu para você?’ pode ser entendida somente depois de um longo caminho, de graça e de pecado – um caminho como discípulo. A seus Apóstolos e a Pedro, Jesus não disse ‘Conheçam-me!’, mas ‘Sigam-me!’. É este ‘seguir’ que nos faz conhecer Jesus; com nossas virtudes, com nossos pecados, mas segui-Lo sempre”.

“É necessário – insistiu Francisco – um encontro cotidiano com o Senhor, todos os dias, com nossas vitórias e nossas fraquezas”. Mas – acrescentou – “é um caminho que não podemos percorrer sozinhos. Precisamos da ação do Espírito Santo”:

“Conhecer Jesus é um dom do Pai; é Ele que nos faz conhecer Jesus; é um trabalho do Espírito Santo, que é um grande trabalhador. Não é um sindicalista, ele explica o mistério de Jesus e nos dá o sentido de Cristo. Olhemos Jesus, Pedro e os Apóstolos, e ponhamos em nosso coração esta pergunta: Quem sou eu para você? E como discípulos, peçamos ao Pai que nos faça conhecer Cristo no Espírito Santo, que nos explique este mistério”.

Fonte: News.VA

Testemunhas da Ressurreição!

As aparições do Ressuscitado trazem uma mensagem inquestionável: JESUS, o VIVENTE, venceu a morte.

A morte não tem poder sobre ELE!
Não destruiu a sua VIDA e Missão, somos chamados a perpetuar sua presença no mundo pela fé e testemunharmos que a VIDA é mais forte que a morte.

O texto de Lucas (24 , 35-48) mostra que depois da ressurreição JESUS mostra-se mais humano que nunca.
José Maria Castilho, refletindo essa passagem do evangelho nos diz:
“Uma vez que, em JESUS, DEUS se fundiu e se confundio com o humano, quando JESUS ressuscita, por mais divinizado que nos o pensamos e acreditemos, a divinização não traz consigo um afastamento, nem a miníma perda de sua condição humana, ao contrário: precisamente porque nós o vemos mais divino, por isso se faz mais profundamente HUMANO.

Castilho continua:
Isto explica que JESUS é reconhecido ao partir o pão, e sua presença tira o medo e as dúvidas, dando a paz e alegria; se deixa ver, tocar, apalpar, come diante de todos”.

JESUS lhes abriu o entendimento para compreender as Escrituras.

VÓS SOIS TESTEMUNHAS DE TUDO ISSO!

Somos chamados, convocados a testemunhar sua presença e ação na história, a ajudar em seu nome aos paralizados a andar, a sair da apatia e da indiferença, a superar o medo e o individualismo.

Hoje JESUS nos diz:
Por que estais com medo?
Por que surgem dúvidas em seu interior?
Olhai minhas mãos e meus pés, SOU EU em pessoa.
JESUS lhes mostrou as mãos e os pés.

JESUS comeu diante deles!

Todo este texto nos comove e nos envolve, é a pedagogia do AMOR paciente, do AMOR ferido e ressuscitado que nos leva a crer sem impor mas a se propor, doar, conviver e a transformar-se para transformar!
SENHOR da Vida, da dor e do Amor,
é impossível não acreditar em TI,
e na força suave da tua presença,
no pão partilhado, na convivência e no compromisso.

Ajuda-me a testemunhar na e pela vida que sois o SENHOR!
O RESSUSCITADO
O VIVENTE
A força e a ternura do DIVINO AMOR !


Assista abaixo à homilia da missa de 26/04/2009:

‘Lázaro, vem para fora!’

Sílvio Alves Félix

Ao sermos impelidos à reflexão sobre a Ressurreição do Senhor por ocasião da Páscoa, vem-nos à mente, a forte passagem bíblica de João capítulo 11, 1-43 que nos relata o episódio da Ressurreição de Lázaro. Esta, parece ser a única a nos relatar que Jesus chorou. Outra tradução bíblica diz: “comoveu-se interiormente e ficou conturbado”.

Diante desse trecho do evangelho de João, nos deparamos com um Jesus justo poderoso e glorioso, mas por outro lado um Jesus extremamente humano a ponto de se comover e até chorar, ao receber a notícia de que seu amigo Lázaro já havia morrido há quatro dias.

As irmãs de Lázaro, Marta e Maria, haviam mandado um recado a Jesus informando: “Senhor aquele que amas está doente.” (Jo11, 3). Mas Jesus, certo de que poderia demorar um pouco mais onde estava, assim o fez.

Podemos contemplar também outro aspecto forte dessa passagem bíblica, a saber, o momento que Jesus chega ao povoado de Betânia. “Informada da notícia da chegada de Jesus, Marta irmã de Lázaro, saiu ao seu encontro, e com intimidade de amiga, fala ao Senhor: “… se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido…”. Observe que profissão de fé em Jesus! E a mesma ainda completa: “Mais ainda agora sei que tudo que pedires a Deus ele te concederá.” (Jo 11,22) E Jesus vendo o sofrimento de sua amiga Marta, lhe diz: “Teu irmão ressuscitará” (Jo 11,23). A profundidade desse diálogo é de fato comovente! Oxalá pudéssemos cada um de nós ter a liberdade de falar com o Senhor com toda essa transparência, com toda essa franqueza e serenidade que essa conversa entre amigos aqui relatada, o diálogo de Jesus e Marta, nos transmite e nos transcende, mostrando-nos o quanto preenchida de Deus estava Marta, uma vez diante de Jesus, o próprio Deus nosso Salvador. Esse é para nós, um modelo de oração ideal, ou seja, dialogar com o Senhor de forma franca, livre e desprendida, abrindo-se a ele de maneira sincera e irrestrita.

Na sequência desse diálogo de fé, entre Marta e Jesus, ele, o Senhor, faz uma oração que nos remete a sua própria ressurreição: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá. Crês nisso?” (Jo 11,25-26). Aqui nos deparamos com uma “autoproclamação” da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, dita por ele mesmo, saída de seus lábios, dando a Marta a certeza da Ressurreição para os que nele crêem.

Continuando com essa leitura orante, o evangelista nos relata também, o encontro de Maria com o Senhor, ela também diz o mesmo a Jesus: “Senhor se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. E aqui o evangelista mais uma vez faz referência à comoção interior de Jesus: “Quando Jesus a viu chorar e também os judeus que a acompanhavam, comoveu-se interiormente e ficou conturbado.” E mais à frente no texto, diz claramente: Jesus chorou. (Jo 11,35)

Ao ler e meditar este trecho de João, percebe-se Jesus muito mais próximo de nós do que podemos imaginar. Pois, como pode o Senhor Deus ser tão humano?! E com isso chega-se a conclusão de que Jesus é hoje mais do que nunca, nosso companheiro, nosso amigo e irmão em todas as nossas dificuldades e sofrimentos. Muitas vezes diante das intempéries que nos são impostas na vida, sentimo-nos de certa forma desamparados e até um pouco predispostos a nos entregar a um sentimento de revolta, uma vez que não somos socorridos por Jesus da forma como queremos ou necessitamos naquele momento. E aqui, o evangelista nos mostra Jesus comovido, talvez até angustiado e triste diante da morte do amigo Lázaro e do sofrimento de Marta e Maria, irmãs do morto e suas amigas.

Os judeus que estavam na casa de Marta e Maria para consolá-las e velar o morto, presenciaram o encontro de Jesus com as duas irmãs e perceberam a comoção dele, comentando entre si: “Vede como ele o amava.” (Jo 11,36) Podemos contemplar aqui o quão transparente se mostrou Jesus diante desse acontecimento. O mesmo Jesus que falava forte e tinha posições firmes a favor dos pobres e excluídos da época, o mesmo Jesus que se opôs fortemente aos vendilhões do templo de Jerusalém a ponto de expulsá-los, mostra sua compaixão pela morte do amigo que de fato muito amava.

Observe que liberdade de vida, que liberdade de ação! Muitas vezes nós achamos que nosso principal problema é dinheiro, é saúde, é amor, e na maioria das vezes o nosso problema é de liberdade, ou mesmo, falta de liberdade para agir, e falta de liberdade para viver e enxergar as possibilidades que a vida nos dá e os momentos intensos que a vida nos dispõe.

Em seguida Jesus pergunta: “Onde o colocastes?” (Jo 11,34) Aqui o Senhor recebe como resposta um convite: Vem e vê! (Jo 11,34) A partir daí o evangelista narra o episódio da ressurreição propriamente dita, que é um dos grandes milagres praticados por Jesus se não o maior de toda sua vida pública, pois quando o mesmo manda retirar a pedra, as irmãs de Lázaro dizem: Senhor, já cheira mal: é o quarto dia! (Jo 11,39). E Jesus aproveita para reafirmar sua intenção de ressuscitar Lázaro relembrando a Marta: ” Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” (Jo 11,40). E após a retirada da pedra, Jesus profere uma oração das mais profundas e belas encontradas na Bíblia:

“Pai dou-te graças porque me ouviste. Eu sabia que sempre me ouves. Mas, digo isso por causa da multidão que me rodeia; para que creiam que me enviaste.” (Jo 11,42).

Chegamos então ao ponto da grande ordem de Jesus que grita em alta voz: “Lázaro vem para fora.” (Jo 11,43). Ao que Lázaro obedece e sai do túmulo ainda com os pés e mãos enfaixados. Hoje Jesus também nos ordena a sair e vir ao seu encontro a segui-lo e a ressurgir de onde estamos, de nossas prisões de nossos túmulos que a pós-modernidade nos impõe. Jesus nos convida a um encontro íntimo e pessoal com ele, e esse encontro só pode se dá por meio de uma comunidade viva que se reúne para celebrar em seu nome.

E por fim, Jesus ordena e envia Lázaro: “Desatai-o e deixai-o ir embora.” (Jo 11,44).

Cristo também nos envia ao encontro conosco mesmos e a nos confrontar e nos encontrar com nossos irmãos reunidos em comunidade. Hoje a Páscoa tem para nós cristãos católicos um significado muito mais profundo, que difere do simples fato de fazer memória da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Páscoa nos convida ao encontro, e nós podemos nos espelhar nesse belíssimo encontro de Marta, Maria, Jesus e Lázaro. Encontrar o irmão no caminho, e não ter medo de ser sincero, de abrir-se e dizer o que sente, ser conforto, ser presença, ser testemunho de fé e vida, estar firme e presente nas horas difíceis, comprometer-se com o outro e acreditar junto que a ressurreição é algo possível e que a ressurreição pode ser vivida também por meio de uma amizade verdadeira, de uma palavra de carinho, de uma atitude de comprometimento com a causa dos mais pobres e sofridos de nosso tempo, com os pobres e sofridos das grandes cidades, com as vítimas do alcoolismo, das drogas e da prostituição.

Que o Senhor Jesus possa nos inspirar e nos impulsionar a agirmos com a reta consciência e firme convicção, de que podemos ressuscitar, desde que ressuscitemos todos juntos, em comunidade, unindo forças em prol de uma igreja cada vez mais viva, comprometida e vivificante.

Feliz Páscoa!

Paz a todos e todas.

CNBB em ritmo de Páscoa

Dom Demétrio Valentini

De 22 de abril a primeiro de maio a CNBB estará realizando sua 47ª. Assembléia anual. A data é determinada pela Páscoa. Nesta época, em cada ano, os bispos vêm chegando das 270 dioceses do Brasil, para o seu encontro de dez dias.

Observadas as circunstâncias, é o tempo mais propício para reunir os bispos. Em primeiro lugar, porque na páscoa cada bispo se encontra em sua respectiva diocese, onde sua presença é indispensável para a realização das grandes celebrações que lhe cabe presidir por dever de ofício. Se é para convocar os bispos, é na páscoa que os encontramos em casa.

Mas a assembléia da CNBB em tempo de páscoa não é ditada só pela conveniência de época. A reunião de todos os bispos tem uma evidente semelhança com os acontecimentos do dia da ressurreição.
A cruz tinha desnorteado os apóstolos, e o germe da dispersão já corroía os vínculos da comunhão ente eles. No primeiro dia após o sábado, alguns já estavam se mandando de volta às suas antigas moradias, curtindo a frustração de suas esperanças, como os discípulos de Emaús.

Mas a notícia da ressurreição aos poucos foi de novo congregando os discípulos, tecendo entre eles um novo compromisso e uma nova consciência de serem depositários de uma causa que era preciso assumir e levar adiante. A ressurreição, na verdade, foi dando firmeza à Igreja, que a partir daquele dia foi se consolidando, e foi tomando consistência, toda ela derivada de Jesus Cristo, que então começou na verdade a ser compreendido na sua dimensão divina e na sua missão salvadora.

Assim continua acontecendo hoje. É ainda em Cristo Ressuscitado que a Igreja busca força para se reconhecer e para assumir a missão a ela confiada. Por isto, é muito significativo que depois da Páscoa os bispos se congreguem em assembléia, para de novo se sentirem reunidos em torno de Cristo, e dele receberem a paz, o perdão e a força do Espírito para cumprirem a missão, como aconteceu com os apóstolos.

Se olhamos a temática central da assembléia deste ano, percebemos ainda os reflexos de Aparecida. Aquela reunião representativa de toda a Igreja da América Latina vai se confirmando sempre mais como paradigmática, como evento revelador da atuação do Espírito de Deus, por ter captado a essência do Evangelho, de maneira sintética e dinâmica, expressando-o pelo binômio “discípulos e missionários de Jesus Cristo”. De fato, a atividade de Jesus pode ser sintetizada nestas duas palavras: ele formou discípulos, que se transformaram em missionários.

Nesta dupla dimensão, podemos identificar ainda hoje a tarefa da Igreja. Ela também precisa formar discípulos, para transformá-los em missionários.

Pois aí está o tema central desta assembléia: a formação dos presbíteros. Mas não só eles. Todos os membros da Igreja precisam se tornar discípulos de Cristo. Por isto o outro tema, a iniciação cristã, destinada a todos.

Mas não basta formar discípulos. Se eles não assumem a missão, é vã a sua formação. A assembléia estará atenta a esta dimensão indispensável, analisando propostas concretas da “missão continental”, que Aparecida propôs.

Numa de suas aparições como ressuscitado, Jesus surpreendeu os discípulos pescando no mar da Galiléia. Era de madrugada. Nada tinham apanhado durante a noite. Sob a palavra de Jesus, lançaram de novo a rede, que se encheu de 153 peixes.

Pois bem, o tema central de Aparecida, “discípulos e missionários”, que ainda continua presente nas assembléias da CNBB, é como as duas pontas da rede. Puxando-as, vem a rede inteira. Resta ver se vem vazia, ou cheia de peixes. Depende do compromisso dos discípulos de Cristo com as causas da humanidade. Jesus tinha dito que seriam pescadores de homens. A rede da Igreja precisa estar repleta da problemática humana.

Como no tempo dos apóstolos, o Ressuscitado pede à CNBB que lance as redes na realidade do povo brasileiro. Há um grande cardume de problemas, que aguardam a solicitude missionária da Igreja para serem assumidos à luz da Ressurreição, e transformados em caminho de vida nova para todos.

Meu Senhor e Meu DEUS!

Neste segundo Domingo da Páscoa junto com São Tomé queremos dizer: Meu Senhor e meu DEUS!

A afirmação de fé de Tomé depois de ter duvidado que o SENHOR ressuscitou é a maior declaração de fé do evangelho de João.

Tomé queria ver, tocar, apalpar. JESUS lhe concedeu.

O que viu, tocou, apalpou Tomé?

As chagas, as cicatrizes, as marcas do amor que JESUS carrega em seu corpo glorioso. O ressuscitado é o crucificado.

JESUS, o VIVENTE, não esconde o seu sofrimento, mostra-o. Não para exibir, mas para confirmar que o caminho do AMOR passa pela dor, que a morte não é definitiva, que a vida é mais forte.

JESUS deseja e concede a PAZ!

A PAZ da fidelidade, a paz de quem ama, de quem resiste e insiste.

JESUS nos envia, nos convida a receber o ESPÍRITO SANTO. A ser sinal de perdão!

Num mundo cheio de feridos e feridas, tocá-las nos faz reconhecer JESUS.

Não é fácil tocar nas feridas de quem sofre, mas se não as tocamos não serão curadas nem cicatrizadas, a paz que o SENHOR nos oferece nos ensina a sermos solidários e a testemunharmos a força do amor, que nos fortalece e fragiliza.

Tocar as chagas do SENHOR é reconhecê-lo nos chagados desta vida e deste mundo.

JESUS, como Tomé,
ajuda-me a TE reconhecer e a TE amar!
Tira de mim a incredulidade e o medo.
E que possa TE dizer:
MEU SENHOR E MEU DEUS!

Este Domingo é o da DIVINA MISERICÓDIA!
JESUS, CONFIO EM TI !

A confiança é exigência do AMOR.
Quem ama confia.

JESUS, CONFIO EM TI! Porque TE AMO, Amém!


Assista abaixo à homilia do domingo, 19/04/2009: