Testemunhos

Pessoas cuja vida é exemplo de fé e caridade

Tereza de Calcutá: missionária do amor de Deus

Gilda Carvalho

Ao nascer, em 26 de agosto de 1910, Madre Tereza de Calcutá recebeu o nome de Agnes Gonxha Bojaxhiu. Filha de pais albaneses, Madre Tereza viveu na sua Macedônia natal até decidir, ainda na juventude, entrar para o convento, na congregação das Irmãs do Loreto. Lá, em devoção à santa Terezinha do Menino Jesus, assumirá o nome de Tereza. Após fazer seus votos, é enviada à Índia, onde passará a residir e de cujo povo sofrido irá se tornar a mãe.

Um dia, no trem que a levaria a uma cidade no Himalaia, ouviu o chamado de Deus, que lhe pedia para estar junto aos pobres, vivendo e cuidando deles na rua. Abandona, então, o claustro do convento e só vai seguir a missão que o Senhor lhe confiara. Logo começam a se achegar outras jovens, desejosas de também servir a Deus, através do cuidado com os mais pobres e, em 1950, Madre Tereza funda a Congregação das Missionárias da Caridade, que logo estaria difundida por todo o mundo.

Madre Tereza percorreu inúmeros países, foi recebida por chefes de Estado, reis e rainhas, recebeu o Prêmio Nobel da Paz, mas nunca deixou de lado o trabalho árduo junto àqueles que mais necessitavam. Morreu em 05 de setembro de 1997, de ataque cardíaco, e um ano depois, foi beatificada pelo Papa João Paulo II.

Sua figura frágil, coberta pelo hábito branco típico das Missionárias da Caridade, toma uma dimensão avassaladora quando se descobre o potencial de trabalho daquela mulher. Madre Tereza fez uma opção radical, que a levou para longe do fausto e da segurança da família e do convento, mas viveu na plenitude a opção de Jesus Cristo pelo mais simples e pelo mais pobre. Inúmeros relatos são feitos sobre o impacto que pessoas das mais diversas procedências sofreram ao se encontrar com a Madre. Outros tantos, são aqueles que falam de sua profunda comunhão com Deus, de sua incapacidade de tomar decisões – das mais simples às mais difíceis – sem antes consultá-Lo em oração. Madre Tereza é, sem dúvida, uma mística que viveu na concretude do trabalho diário o encontro com seu Senhor.

Muitas frases lhe são atribuídas. Uma, porém, marca a reflexão aqui proposta. Madre Tereza disse certa vez, que não poderíamos deixar que ninguém saísse de nossa presença sem se sentir melhor ou mais feliz. E continuava, nessa mesma ocasião ou em outra, mas que complementa o dito acima, dizendo que cada um de nós era, muitas vezes, o Evangelho lido pelo nosso próximo.

Ora, se somos o Evangelho que nosso próximo lê, o que estamos lhe dizendo, com nossas palavras, com nossas obras? Qual o real testemunho que damos de nossa comunhão com Cristo. Ao olhar a vida e a obra de Madre Tereza é possível identificar as letras da parábola do Samaritano contada por Jesus aos seus discípulos, ou as Bem-Aventuranças pregadas pelo Mestre, ou ainda, ouvimos Sua própria voz pregar a compaixão pelos pobres, as palavras de ordem para que os milagres acontecessem.

Madre Tereza viveu a intensa alegria daqueles que vivem a santidade já em vida: unida ao Seu Senhor, contemplando-O onde Ele anunciara que estaria – na face do excluído, do mais pobre, do mais oprimido, do que sofre. Possamos também ali encontrá-Lo.

Dom Luciano no céu

Pe Geovane Saraiva

Dom Luciano Mendes de Almeida, grande homem de Deus, por muitos anos bispo auxiliar de São Paulo, Secretário Geral e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por dois mandatos consecutivos, Arcebispo de Mariana – MG., deixou este mundo no dia 27 de agosto de 2006, coincidentemente, na festa de Santa Mônica, a mãe forte, por sua resistência, lágrimas e orações, conseguindo a conversão do filho Agostinho, um dos maiores Santos da Igreja e da própria humanidade, e no sétimo aniversário de morte de Dom Helder Pessoa Câmara, o homem dos grandes sonhos e nascido para as coisas mais elevadas, homem das viagens e cidadão do Mundo…

Dom Luciano soube viver e amar em profundidade o dom precioso da vida,  acolhendo o Filho de Deus como aquele que revelou o rosto amoroso e o enviado do Pai e como aquele que veio do alto. “Em Cristo Deus quis habitar com toda sua plenitude” (Col 1, 19). Esforçou-se para que esse mistério chegasse a todos, especialmente aos empobrecidos e rejeitados da sociedade, em nossos tempos…

Ele foi ao encontro da proposta do Filho de Deus, espalhando bondade, por onde passou, com o seu jeito simples de viver, acreditando na força transformadora da Palavra de Deus e da Eucaristia – acolhendo Jesus: “Pão da vida, pão descido do céu” (Jo 6, 34). “A Eucaristia é mensagem de comunhão fraterna, não só enquanto nos ajuda a vencer o egoísmo e partilhar o pão e também quando elimina o rancor e o dinamismo de vingança, mas enquanto consegue superar mágoas e ressentimentos e aproximar os distantes…” (Conferência de Dom Luciano, 15º Congresso Eucarístico Nacional – Florianópolis – SC).

Ele, uma preciosidade, com o seu modo santo de viver, tinha o céu ao seu redor. Mas mesmo assim ele queria ver o céu. Um dia ele decidiu: “Há um tempo queria muito ver o céu, saber como é lá. Um dia subi no céu. Não pensei que fosse tão bonito assim, fiquei contente com tanta música, pessoas dançando na presença de Deus. Mas, de repente, percebi que eu estava escondido atrás de uma árvore. Descobri que o céu é ver os outros felizes”.

Dom Moacyr Grechi, ao iniciar o retiro do clero de Fortaleza, disse: “Queria também invocar Dom Luciano Mendes, que tenho com “santo”. Eu fiz esta experiência: Iniciando a Conferência de Aparecida eu rezei a Dom Luciano dizendo: em Puebla o senhor muito ajudou a dar aquele tom evangelizador, que marcou a nossa pastoral; em santo Domingo, se não fosse a sua presença, com sua doçura e inteligência, talvez tivéssemos voltado para casa, sem nenhum Documento Pastoral. Eu quero a sua ajuda também nesta Conferência de Aparecida. Depois que eu rezei, mudei completamente por dentro: de desanimado que estava, resolvi enfrentar a Conferência com empenho, marcando presença em todas as reuniões, compreendendo que era a hora de Deus e que não deveria deixar passar em vão. Quero que Dom Luciano interceda por nós nestes dias do retiro do clero de Fortaleza”.

Dom Luciano, subindo ao céu, optou em primeiro lugar pela vida, em especial a vida dos empobrecidos, comprometida e indefesa. Que seu testemunho nos encoraje e nos estimule na nossa escolha e seguimento de Jesus de Nazaré, acolhendo-o com generosidade.

Deus seja louvado, amado e glorificado por esse homem que só soube fazer o bem. O amor nele cresceu e se fez dom, vivendo não para si, mas para Deus e para os irmãos e irmãs.

O que você gostaria de contar sobre D. Luciano?

Deus é bom

A frase dita por Dom Luciano Mendes de Almeida em diversos momentos, inclusive quando estava doente, sintetiza com simplicidade e clareza a visão de um homem que deu testemunho da bondade de Deus. D. Luciano foi sempre “o irmão do outro”, título do livro escrito por um dos irmãos dele, Candido Mendes.

Bispo da Região Belém, na Arquidiocese de São Paulo, depois arcebispo de Mariana, em Minas Gerais, secretário-geral e presidente da CNBB, a presença de D. Luciano deixou marcas. Todos têm algo a contar, a testemunhar sobre a vida deste homem especial…

E você, o que tem a contar? Use o espaço dos comentários para registrar sua homenagem:

D. Hélder Câmara morreu há 10 anos

Fonte: Agência Ecclesia

Bispo brasileiro fica na história pelo seu pioneirismo dentro e fora da Igreja

Numa das suas passagens por Portugal, D. Hélder Câmara afirmou que “ninguém nasce para ser escravo ou mendigo”. No entanto, ao observar a realidade que o circundava, o antigo bispo de Olinda e Recife (Brasil) via que eles existiam e estavam bem perto do pastor. A cidade de Fortaleza (Brasil) viu nascer, a 7 de Fevereiro de 1909, D. Hélder Câmara. Filho de uma família pobre e numerosa (dos treze irmãos apenas oito conseguiram sobreviver), os pais deram-lhe o nome de um pequeno porto holandês: Hélder.

Aos 14 anos ingressa no Seminário diocesano da cidade natal (Prainha de São José), sendo metade das despesas pagas pela Obra das Vocações Sacerdotais. Recebeu a ordenação sacerdotal em 1931 e, cinco anos depois, foi enviado para o Rio de Janeiro, onde se tornou animador da Acção Católica Brasileira e, posteriormente, seu assistente nacional. Nos ouvidos ressoam-lhe palavras antigas do pai: “Meu filho, você sabe o que é ser padre? Padre e egoísmo nunca podem andar juntos.”

Apesar de ter ficado conhecido como ícone da paz e irmão dos pobres, nos primeiros tempos de padre esteve ligado ao movimento Ação Integralista Brasileiro, próximo das teses de Mussolini e do corporativismo português. Aos olhos de alguns era uma persona non grata. Mais tarde, D. Hélder Câmara explica esse episódio: “Participei num movimento de que estava convencido. O grande combate era entre o Este e o Oeste, os Estados Unidos e a União Soviética”. E acrescenta: “Mas depressa me apercebi que mais grave do que essa luta era a que se travava entre o Norte e o Sul”.

A Segunda Guerra Mundial e o agravamento da situação social no Brasil reconduziram D. HélderCâmara ao lugar de líder da contestação social e religiosa no Brasil. Em 1952 é nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro pelo papa Pio XII.

Poucos anos antes da sua nomeação trabalhou na Nunciatura Apostólica do Rio e, através de contatos diretos com Monsenhor Montini (futuro Papa Paulo VI), conseguiu que a Secretaria de Estado do Vaticano aprovasse a constituição da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Esta foi a precursora das Conferências Episcopais criadas, mais tarde, pelo II Concílio do Vaticano. Depois da aprovação da CNBB, D. Hélder propõe ao Vaticano a fundação do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM). A autorização chegou em 1955, acumulando D. Hélder Câmara o cargo de Secretário-Geral da CNBB e Vice-presidente da CELAM.

Paralelamente à dinamização destes dois organismos, o prelado brasileiro empenhou-se também no campo social. Em 1956 funda a Cruzada S. Sebastião (destinada à solução dos problemas habitacionais nas favelas) e, três anos mais tarde (1959) criou o Banco da Providência (entidade de assistência social para os casos de miséria absoluta).

Em 1964 foi nomeado arcebispo de S. Luis do Maranhão e meses depois é enviado para Olinda e Recife, onde permanecerá, como bispo residencial, durante vinte anos. “Aqui eu sonhei com uma obra em que pudesse trabalhar não para o povo mas com o povo” – sublinhou na altura. Preocupa-se com o problema do desenvolvimento e da pobreza em todo o nordeste brasileiro.

A sua voz profética ecoava, apesar das perseguições que lhe moveram. Em 1968, o pastor daquele território eclesial publica o livro “Revolução dentro da Paz”. Dois anos depois, uma campanha difamatória impede-o de receber o Prémio Nobel da Paz. Foi acusado de demagogo, exibicionista e “emissário camuflado de Fidel Castro e Mao”.

Nunca recebeu galardão da Paz, no entanto o município de Oslo (Noruega) concedeu-lhe (em 1974) um prémio de valor equivalente. O seu prestígio internacional era intocável e recebeu o doutoramento Honoris Causa de várias universidades. O Japão atribuiu-lhe (1983) o prémio Niwano para a Paz, enquanto a Itália o distinguiu com o Prémio Balzan.

Trabalhar com os pobres era a sua paixão. No entanto, da sua pena saíram várias obras literárias: “O deserto é fértil” (1971); “Cristianismo, Socialismo, Capitalismo” (1973); “Nossa senhora no meu caminho” (1981) e “Utopias peregrinas” (1993). Dois poemas seus inspiraram uma oratória e um ballet: “Sinfonia dos dois mundos” (musicada pelo Pe. Pierre Kaelin) e “Missa para um tempo futuro” (com coreografia de Maurice Béjart).

A 7 de Julho de 1980, durante a viagem de João Paulo II ao Brasil, o papa polonês reabilita publicamente a sua imagem ao abraçá-lo efusivamente e dando-lhe o maior título de sempre: “Irmão dos pobres e meu irmão”. Um gesto ovacionado por uma multidão perplexa.

No mês de Abril de 1984, o “bispo vermelho e dos pobres” despede-se da sua diocese, depois de Roma ter aceite a sua resignação por limite de idade. “Pouco importa que um bispo se jubile; a Igreja continua” – disse D. Hélder Câmara na Eucaristia celebrada no Estádio do Recife perante 30 mil pessoas.

A 27 de Agosto de 1999, o homem que tinha como lema “In Manus Tuas” (Nas Tuas Mãos) despediu-se da vida terrena. Quando soube da sua morte, D. Manuel Martins, bispo emérito de Setúbal disse: “um gigante da história da Igreja que impressionava pela sua fragilidade humana, mas albergava uma coragem do tamanho do mundo”.

Região Belém faz homenagem a D. Luciano

Representantes de diversos grupos e comunidades participaram da missa em memória de D. Luciano Mendes de Almeida dia 27 de agosto, quando se completaram três anos de sua morte. A celebração na igreja Cristo Rei, no Tatuapé, foi presidida por D. Pedro Luiz Stringhini, bispo regional – veja a homilia:

Ao final da cerimônia, ao som do mantra “Deus é bom”, houve novas homenagens a D. Luciano:

Padre e egoísmo: NUNCA!

Pe. Geovane Saraiva

Dom Helder Câmara tem muito a nos ensinar, nós que procuramos mergulhar na sua vida, neste ano do centenário de seu nascimento. Ele que desde a juventude mostrou-se determinado e comprometido com a realidade social, com os empobrecidos, nunca se esquecendo do conselho de seu pai: “Meu filho, você sabe o que é ser padre? Padre e egoísmo nunca podem andar juntos. Padre tem que gastar-se, deixar-se devorar”.

Ao deixar o Ceará em 1936 para abraçar, como padre novo, uma nova missão na cidade do Rio de Janeiro, como técnico em educação do Distrito Federal, recebeu um conselho do seu bispo, que lhe disse: “Meu filho, é Deus, é Deus que está lhe chamando para o Rio de Janeiro. Aceite! Vá, meu filho, vá!”.

Foi para o Rio de Janeiro, trabalhou, trabalhou e ficou conhecido como o bispo das favelas. Mas seu superior, Dom Jaime de Barros Câmara, não gostava, não achava bom e reclamava do seu contato aberto, ao se dirigir as pessoas, dizendo: “O senhor não pode fazer isso. Um bispo da Igreja é um príncipe e um príncipe não pode se misturar”. Mas Dom Helder adorava se misturar! “Quantas vezes eu celebro em área de miséria e o meu povo canta: O Senhor é o meu pastor, e nada me pode faltar. Eu olho ao seu redor e vejo que está faltando tudo”.

Dom Helder confidenciou: “Uma de minhas maiores emoções, em toda minha vida, foi quando da abertura da primeira sessão do Concílio Vaticano II. Em sua aula inaugural, o Papa João XXIII disse com força: ‘Aqui estamos para a nossa conversão’ e ele mesmo se incluía. Isso significava que nós, cristãos, padres e bispos e até o Papa, precisávamos reaprender o Evangelho. A beber novamente da fonte d’água da vida que é o próprio Deus de Deus”.

Foi o bispo brasileiro mais influente em todo Concílio Vaticano II, com grande mérito abrir, para a Igreja, o caminho de renovação, da Igreja povo de Deus e que a mesma tinha que ir ao encontro dos sofredores e empobrecidos, dos “sem voz e sem vez”. Dizia ele: “Se eu não me engano, nós, os homens da Igreja, deveríamos realizar dentro da Igreja as mudanças que exigimos da sociedade. Não pense que Deus ajuda a miséria. Deus não aprova as injustiças. As injustiças sociais são problemas nossos”.

No século passado, Dom Helder foi a pessoa, entre todos os brasileiros, mais conhecida no exterior. Depois de Edson Arantes do Nascimento (Pelé) e Juscelino Kubitschek foi ele, sem dúvida, o nome sobre o qual mais se perguntava fora do Brasil.

Completando 10 anos da sua morte, neste 27 de agosto de 2009, dentro do seu centenário, somos convidados a acolher o amor como dom, como inspiração e proposta de vida. É importante olhar para convicção vocacional de Dom Helder, para o brilho de sua sabedoria, com raríssimas qualidades: inteligência, cultura e espírito de liderança e, ao mesmo tempo, com um incontestável amor por todas as pessoas do planeta, marcadas pela dor e sofrimento de toda natureza.

Morte e centenário de nascimento de Dom Helder é lembrado em cidades do Nordeste

No dia em que completa dez anos da morte de Dom Helder Câmara, e no ano em que é comemorado o centenário de seu nascimento, a Catedral da Sé de Olinda, em Pernambuco, realiza celebração amanhã (27) em homenagem ao bispo católico. Na ocasião também haverá o lançamento da “Cátedra dom Helder de Direitos Humanos” na Universidade Católica de Pernambuco. O presidente do Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM) e arcebispo de Aparecida (SP), dom Raimundo Damasceno preside a celebração.

Além do arcebispo, estarão presentes na homenagem, o novo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Nordeste 2, da Universidade Católica de Pernambuco, do Instituto dom Helder Câmara, entre outros. A celebração será às 19h, na Igreja da Sé de Olinda, local onde dom Helder foi sepultado.

Já na Paraíba, a diocese de Campina Grande e o Centro de Ação Cultural (Centrac) realizam programação especial para celebrar o centenário de nascimento do bispo católico que foi considerado o dom da paz e símbolo da luta pelos direitos humanos. O seminário “O Peregrino da Paz – os 100 anos de Dom Helder Câmara” abre as homenagens no dia 31 deste mês. A exibição de um documentário intitulado “Mensageiro da Liberdade” que retrata a vida e os ensinamentos do bispo também está incluído na programação.

Além do seminário também haverá a exposição “Dom Helder: Memória e profecia no seu centenário 1909 – 2009”. O trabalho artístico foi criado na França e cedido ao Brasil, por seu curador José Broucker. São 26 painéis com textos e fotografias que resgatam a trajetória do religioso. Os eventos são gratuitos e abertos ao público.

Dom da Paz

Cearense nascido em Fortaleza, no dia 7 de fevereiro de 1909, Dom Helder Camara foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e também o único brasileiro indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz, recebeu 33 títulos de doutor honoris causa em universidades ao redor do mundo. Iniciou na vida religiosa aos 22 anos de idade.

Além da vida religiosa, Dom Helder lutou contra o autoritarismo resistindo ao regime militar. Trabalhou em prol dos menos favorecidos e buscou o respeito aos direitos humanos.

D. Helder, D. Luciano

Neste 27 de agosto fazemos memória dos 10 anos do falecimento de D. Helder Camara e 3 anos do falecimento de D. Luciano Mendes de Almeida.

Dois arcebispos eminentes, dois cristãos convictos, dois seres humanos que dignificam a humanidade pela grandeza e humildade no serviço aos pobres e pequenos. Bispos dos esquecidos, viveram pobres a serviço dos pobres!

Quem conviveu com eles teve o privilégio de conhecer a beleza do Amor e da misericórdia de DEUS.

D. Luciano Mendes de Almeida

D. Luciano Mendes de Almeida

D. Helder Camara

D. Helder Camara

Celebrar a memória de tão grandes seres humanos, ornados pela simplicidade, profecia e verdade é comprometer-se no discipulado missionário do Senhor JESUS.

Saudades é o que sentimos, que falta nos fazem, como é bom recordar de suas vidas e pricipalmente ter presente a força profética de suas palavras, com força e ternura de quem confia e nunca perde a esperança.

Sem dúvida os dois eminentes arcebispos, amigos e irmãos dos fracos e excluídos santificaram-se na alegria e na dor de servirem sem limites.

D. Helder, D. Luciano, orem por nós, nos ajudem a sermos sempre fiéis ao SENHOR JESUS!


A Região Belém celebrou missa em memória de D. Luciano na quinta-feira, 27 de agosto, na igreja Cristo Rei, no Tatuapé. A cerimônia foi presidida pelo bispo regional D. Pedro Luiz Stringhini. Veja a homilia:

A Igreja servidora de Dom Helder

Pe. Geovane Saraiva

Dom Helder Câmara, por onde passou, deixou uma marca indelével. Mesmo no ostracismo, no isolamento e excluído dos meios de comunicação social, durante o regime militar, que via nele um risco e um perigo à democracia, permaneceu forte e corajoso, sem nunca se abalar.

Ele foi uma das poucas criaturas da humanidade, com seu jeito de viver e de colocar-se diante de Deus, que nos deixa verdadeiramente orgulhosos. Foi um dos homens mais humano, mais simples e mais transparente que a nossa civilização cristã já produziu. A paixão dele por Deus era enorme e se traduzia no seu modo de amar o irmão, vendo nele o próprio Deus.

Sua força imaginadora, sua criatividade e, sobretudo, sua capacidade de produzir e realizar as coisas foram extraordinárias, fazendo surgir uma nova Igreja, uma Igreja marcada, profundamente pela esperança, como ele afirmava: “Esperança é crer na aventura do amor, jogar nos homens, pular no escuro, confiando em Deus”. Ele se antecipou, em ideias e vestes, ao aggiornamento que o Papa João XXIII promoveu e com o qual iria revolucionar, não apenas a Igreja, mas o mundo hodierno.

Dom Helder foi um articulador, na melhor expressão da palavra, um conspirador, pensando no bem, com suas iniciativas, compartilhadas por muita gente da Igreja, desejando fazer com que a Igreja-Instituição se comprometesse e se engajasse na causa dos empobrecidos, identificando-se com seu Fundador e Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo. Pensava e desejava ele uma Igreja mais pobre e mais servidora.

O “Pacto das Catacumbas”, documento desafiador e ao mesmo tempo salutar, 16 de novembro de 1965, que foi uma excelente oportunidade para uma boa parte dos bispos pensar e refletir sobre eles mesmos, no sentido de viver na simplicidade e na pobreza, numa Igreja encarnada na realidade, comprometida com seu  povo, renunciando as aparências de riqueza, dizendo não as vaidades, consciente da justiça e da caridade.

Logo que chegou ao Rio de Janeiro, numa hora santa do clero, em que o Cardeal Sebastião Leme criara os turnos de Adoração ao Santíssimo Sacramento, o jovem Padre Helder subiu ao púlpito para o seu primeiro sermão junto aos colegas de sua nova Diocese. A figura magra, pálida, de olhos fechados, mãos trêmulas e exaltadas, pronunciou uma oração que, até bem pouco, era recordada pelos padres daquela Arquidiocese do Rio. Foi quase um escândalo: Dom Helder cobrou dos sacerdotes aquele fervor e aquele entusiasmo que dia-a-dia, pouco a pouco ia se esfriando. Como em transe, os Profetas do Antigo Testamento, enumerava as tibiezas de todos e de cada um, o desamor ao trabalho pastoral e a falta de garra no apostolado…

Ao assumir a Arquidiocese de Olinda e Recife, na sua mensagem de posse, disse com firmeza: “Quem estiver sofrendo, no corpo ou na alma; quem, pobre ou rico, estiver desesperado, terá lugar especial no coração do bispo”. A pregação do Evangelho foi para ele, ao mesmo tempo, candente e misericordiosa, apaixonada e sensata.

O pastor dos empobrecidos, dos “sem voz e sem vez”, dizia bem alto: “Ninguém se escandalize quando me vir frequentando criaturas tidas como indignas e pecadoras. Ninguém se espante me vendo com criaturas tidas como envolventes e perigosas”.

Que o Peregrino da Paz e o Irmão dos Pobres, no seu centenário de nascimento, lá do céu, lembre-se de nós.

Encontrar o Mestre com Santo Afonso

Pe. Geovane Saraiva

Chamado e enviado para evangelizar, de um modo todo particular, os empobrecidos e abandonados de seu tempo, Santo Afonso Maria de Ligório tornou-se grande e importante, patrimônio da humanidade inteira. Para nós que o temos como padroeiro, ele é glorioso, ao ponto de afirmar: “Salve o Glorioso Santo Afonso”.

Ele, um gigante em santidade, empenhado nas missões populares, sensível às necessidades e às situações das consciências de sua gente; o seu zelo e o seu amor pela Eucaristia, como também a sua devoção Virgem Maria, leve-nos a uma vida de oração e a um compromisso com o Reino de Deus, nestes belos dias que antecede sua festa.

Neste momento em que a Igreja na América Latina e no Caribe, pelo Documento de Aparecida, afirma que o fundamento da fé no Cristo ressuscitado e sua ação evangelizadora se dá a partir de um encontro pessoal e transformador com o Mestre. E iluminados pelo Ano Catequético Nacional que propõe à Igreja aprender caminhando, ouvindo e agindo com o Mestre a partir da passagem dos “Discípulos de Emaús” (cf. Lc 24,13-35), teremos como tema central da festa do nosso padroeiro, a proposta de ENCONTRAR O MESTRE COM SANTO AFONSO.

Afonso Maria de Ligório fez seu encontro com o Mestre a partir das injustiças de sua época. E aprofundou, a cada dia de sua vida, essa intimidade com o Jesus Cristo em sua missão como padre e posteriormente como bispo.

Que a exemplo de Santo Afonso possamos nos encontrar de forma pessoal, consciente e transformadora com nosso Mestre Jesus, na vida, na ação litúrgica, na sociedade, na Igreja, no irmão, na família, em Maria, na Palavra e na natureza.

Desejo que todos possam, caminhando mais próximos de Santo Afonso, vivenciar esta experiência apaixonante e única do encontro com o Mestre Jesus Cristo. Que estes dez dias de festa sejam um momento forte de espiritualidade e de convivência através das celebrações eucarísticas e da parte social.

Que Deus abençoe a todos, sob a intercessão de Afonso Maria de Ligório.