crucificado

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio no Domingo de Cristo Rei

Assista à reflexão do Pe. Julio Lancellotti no Domingo de Cristo Rei, celebrado em 24/11/2013, Dia do Leigo e do encerramento do Ano Litúrgico e do Ano da Fé. No Evangelho de Lucas, Jesus crucificado promete a um dos ladrões condenados que ele entrará no Reino naquele mesmo dia – mostrando que Deus não castiga, nem condena, mas é misericordioso, um contraponto ao livro do Gênesis.

Gravação realizada na missa das 18h na igreja São Miguel Arcanjo.

Que faz Deus numa cruz?

José Antonio Pagola

Adital – [Tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez]

Segundo o relato evangélico, os que passavam ante Jesus crucificado sobre a colina do Gólgota escarneciam Dele e, rindo-se da Sua impotência, diziam-Lhe: “Se és o Filho de Deus, desce da cruz”. Jesus não responde à provocação. A Sua resposta é um silêncio carregado de mistério. Precisamente porque é Filho de Deus permanecerá na cruz até à Sua morte.

As perguntas são inevitáveis: Como é possível acreditar num Deus crucificado pelos homens? Damo-nos conta do que estamos a dizer? Que faz Deus numa cruz? Como pode subsistir uma religião fundada numa concepção tão absurda de Deus?

Um “Deus crucificado” constitui uma revolução e um escândalo que nos obriga a questionar todas as ideias que nós, humanos, fazemos a um Deus a quem supostamente conhecemos. O Crucificado não tem o rosto nem os traços que as religiões atribuem ao Ser Supremo.

O “Deus crucificado” não é um ser onipotente e majestoso, imutável e feliz, alheio ao sofrimento dos humanos, mas um Deus impotente e humilhado que sofre conosco a dor, a angústia e até a mesma morte. Com a Cruz, ou termina a nossa fé em Deus, ou nos abrimos a uma compreensão nova e surpreendente de um Deus que, encarnado no nosso sofrimento, nos ama de forma incrível.

Ante o Crucificado começamos a intuir que Deus, no Seu último mistério, é alguém que sofre conosco. A nossa miséria afeta-O. O nosso sofrimento salpica-O. Não existe um Deus cuja vida transcorre, por assim dizer, à margem das nossas penas, lágrimas e desgraças. Ele está em todos os Calvários do nosso mundo.

Este “Deus crucificado” não permite uma fé frívola e egoísta num Deus onipotente ao serviço dos nossos caprichos e pretensões. Este Deus coloca-nos a olhar para o sofrimento, o abandono e o desamparo de tantas vítimas da injustiça e das desgraças. Com este Deus encontramo-nos, quando nos aproximamos do sofrimento de qualquer crucificado.

Os cristãos continuam a tomar todo o gênero de desvios para não dar com o “Deus crucificado”. Temos aprendido, inclusive, a levantar o nosso olhar para a Cruz do Senhor, desviando-a dos crucificados que estão ante os nossos olhos. No entanto, a forma mais autêntica de celebrar a Paixão do Senhor é reavivar a nossa compaixão. Sem isto, dilui-se a nossa fé no “Deus crucificado” e abre-se a porta a todo o tipo de manipulações. Que o nosso beijo ao Crucificado nos coloque sempre a olhar para quem, próximo ou afastado de nós, vive a sofrer.

O grão de Trigo!

Queremos ver JESUS, pediram os gregos a Felipe.

E o que ouviram e viram foi um homem que fala do grão de trigo que para dar fruto tem que morrer!

JESUS não foge dos conflitos, é fiel e consequente até o fim, mesmo passando por tribulações:

Agora sinto-me angustiado. E que direi? Pai livra-me desta hora?

JESUS nos convida a segui-LO com coragem e generosidade, sem nos enganar e sem esconder as dificuldades que teremos que enfrentar por amor,
Quem ama sabe que o amor nos traz desafios e orienta as nossas escolhas.

O amor dirige o nosso olhar e a afeição de nossas vidas.
O amor nos ajuda a compreender e aceitar o mistério de ser grão de trigo que se não morre não produz fruto.

A beleza do grão e o seu sentido está em se tornar fruto, produzir outros grãos e perpetuar a VIDA!

JESUS nos diz: Eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a MIM.

Elevado na Cruz!
O crucificado nos atrai! A cruz nos enternece pela dor e pelo amor!

O crucificado revela ao mesmo tempo a violência que o condenou e executou, para destruir sua vida e suas propostas, e a coragem e a generosidade de quem é fiel e “tendo amado os seus amou-os até o fim”.

Amou até as últimas consequências, sem se apegar a si mesmo.

A Cruz atrai, o crucificado nos edifica e desconcerta, silencia o nosso egoísmo, e nos impele a sermos seus seguidores.

Contemplando a cruz, segurando o grão
na palma da mão
penetrando o teu olhar.
JESUS crucificado,
me ensinas
a coragem de te amar e seguir!
Mesmo que passe pela cruz,
sei que estás comigo
me ama e és minha luz !


Assista abaixo à homilia da missa de 29/03/2009:

http://mms.bizmedia.com.br/bizmedia/Homilia20090329-final.wmv