Charles de Foucauld

Charles Eugène de Foucauld

A sepultura de Carlos de Foucauld encontra-se em El-Goléa, no deserto sul da Argélia
* 15 de Setembro de 1858 em Estraburgo, na França
† 01 de Dezembro de 1916, em Tamanrasset, na Argélia
Oração do Abandono
De Carlos de Foucauld, rezada diariamente pelos seguidores da sua espiritualidade
Meu Pai, a vós me abandono. Fazei de mim o que quiserdes. O que de mim fizerdes, eu vos agradeço. Estou pronto para tudo, aceito tudo, contanto que a vossa vontade se faça em mim e em todas as vossas criaturas, não quero outra coisa, meu Deus.
Entrego minha alma em vossas mãos, eu vo-la dou, meu Deus, com todo o amor do meu coração, porque eu vos amo e é para mim uma necessidade de amor dar-me, entregar-me em vossas mãos sem medida, com infinita confiança de que sois o meu Pai.
Beato Charles Eugène de Foucauld nasceu em 15 de Setembro de 1858 emEstrasburgo, (França). De meio familiar aristocrático, fica órfão de pai e mãe em 1864. Freqüenta a Escola Especial Militar de Saint-Cyr. É herdeiro de uma enorme fortuna, que rapidamente delapida em jogo, indisciplina e excentricidades. Retrata-se e, já oficial do exército francês, é colocado na Argélia. Deixa a vida militar e torna-se explorador em Marrocos. Chega a receber uma medalha da Sociedade Francesa de Geografia em reconhecimento do trabalho de investigação no Norte de África. Mais tarde, uma prolongada reflexão sobre a vida espiritual vai conduzi-lo a uma conversão súbita e leva-o a ingressar na Ordem Trapista. Nesta Ordem estabelece-se em França, e depois na síria. Deixa os Trapistas em 1897 em busca de uma vocação religiosa autónoma e ainda não definida. É ordenadosacerdote em 1901. Regressa à Argélia e leva uma vida isolada do mundo numa zona dos Tuaregues, mas interventiva junto da população. Aprende a língua Tuaregue e estuda o léxico e gramática, os cantos e tradições dos povos do Deserto do Saara. Tem a intenção de criar uma nova ordem religiosa, o que sucede apenas depois da sua morte: os Irmãozinhos de Jesus. É assassinado por assaltantes de passagem em 1 de Dezembro de 1916. Foi beatificado pelo Papa Bento XVI em 13 de Novembro de 2005. (Fonte Enciclopédia Wikipédia, na Internet)
A Espiritualidade do Irmão Carlos de Foucauld
Por René Voillaume
COM JESUS, EM NAZARÉ, NO DESERTO E NOS CAMINHOS DOS HOMENS
“O Padre Carlos de Foucauld, por sua parte, sempre concebeu a sua vida religiosa consagrada como uma participação da forma de vida de Cristo (…). Ele deixa tudo para entrar na vida monástica, porque não pode con­ceber o amor sem uma imperiosa necessidade de viver unicamente para Aquele que ama, de imi­tá-lo em tudo e de partilhar a sua condição de vida. A regra de vida do irmão Carlos pode resumir-se na sua decisão de imitar Jesus tal como o Evangelho lho revela. É então que desco­bre no desenrolar da existência terrestre de Cristo como que três maneiras de viver: em Nazaré,no deserto, e pelos caminhos como operário evangélico. Esta intuição tão simples revelou-se nele extraordinariamente fecunda e dominou sua mar­cha espiritual. O Irmão Carlos esteve constantemente atento para fazer de sua vida uma imi­tação sempre mais fiel daquela de seu bem-amado irmão e Senhor Jesus.  

Charles Eugène de Foucauld
A sepultura de Carlos de Foucauld encontra-se em El-Goléa, no deserto sul da Argélia
* 15 de Setembro de 1858 em Estraburgo, na França
† 01 de Dezembro de 1916, em Tamanrasset, na Argélia
Oração do Abandono
De Carlos de Foucauld, rezada diariamente pelos seguidores da sua espiritualidade
Meu Pai, a vós me abandono. Fazei de mim o que quiserdes. O que de mim fizerdes, eu vos agradeço. Estou pronto para tudo, aceito tudo, contanto que a vossa vontade se faça em mim e em todas as vossas criaturas, não quero outra coisa, meu Deus.
Entrego minha alma em vossas mãos, eu vo-la dou, meu Deus, com todo o amor do meu coração, porque eu vos amo e é para mim uma necessidade de amor dar-me, entregar-me em vossas mãos sem medida, com infinita confiança de que sois o meu Pai.
Beato Charles Eugène de Foucauld nasceu em 15 de Setembro de 1858 emEstrasburgo, (França). De meio familiar aristocrático, fica órfão de pai e mãe em 1864. Freqüenta a Escola Especial Militar de Saint-Cyr. É herdeiro de uma enorme fortuna, que rapidamente delapida em jogo, indisciplina e excentricidades. Retrata-se e, já oficial do exército francês, é colocado na Argélia. Deixa a vida militar e torna-se explorador em Marrocos. Chega a receber uma medalha da Sociedade Francesa de Geografia em reconhecimento do trabalho de investigação no Norte de África. Mais tarde, uma prolongada reflexão sobre a vida espiritual vai conduzi-lo a uma conversão súbita e leva-o a ingressar na Ordem Trapista. Nesta Ordem estabelece-se em França, e depois na síria. Deixa os Trapistas em 1897 em busca de uma vocação religiosa autónoma e ainda não definida. É ordenadosacerdote em 1901. Regressa à Argélia e leva uma vida isolada do mundo numa zona dos Tuaregues, mas interventiva junto da população. Aprende a língua Tuaregue e estuda o léxico e gramática, os cantos e tradições dos povos do Deserto do Saara. Tem a intenção de criar uma nova ordem religiosa, o que sucede apenas depois da sua morte: os Irmãozinhos de Jesus. É assassinado por assaltantes de passagem em 1 de Dezembro de 1916. Foi beatificado pelo Papa Bento XVI em 13 de Novembro de 2005. (Fonte Enciclopédia Wikipédia, na Internet)
A Espiritualidade do Irmão Carlos de Foucauld
Por René Voillaume
COM JESUS, EM NAZARÉ, NO DESERTO E NOS CAMINHOS DOS HOMENS
“O Padre Carlos de Foucauld, por sua parte, sempre concebeu a sua vida religiosa consagrada como uma participação da forma de vida de Cristo (…). Ele deixa tudo para entrar na vida monástica, porque não pode con­ceber o amor sem uma imperiosa necessidade de viver unicamente para Aquele que ama, de imi­tá-lo em tudo e de partilhar a sua condição de vida. A regra de vida do irmão Carlos pode resumir-se na sua decisão de imitar Jesus tal como o Evangelho lho revela. É então que desco­bre no desenrolar da existência terrestre de Cristo como que três maneiras de viver: em Nazaré,no deserto, e pelos caminhos como operário evangélico. Esta intuição tão simples revelou-se nele extraordinariamente fecunda e dominou sua mar­cha espiritual. O Irmão Carlos esteve constantemente atento para fazer de sua vida uma imi­tação sempre mais fiel daquela de seu bem-amado irmão e Senhor Jesus.
Entre estas três maneiras de viver de Cristo, escolheu imitar particularmente a primeira, em Nazaré. Todavia esta escolha não o impede de seguir Jesus também no deserto e nos caminhos da evangeli­zação dos homens. Como poderia ser de outra forma para quem escolheu dar-se a Cristo Jesus cuja vida e missão não poderiam ser perfeitamente compreendidas nem participadas através de um único modo de vida, concebido como excluindo os outros?
Quanto mais você freqüentar o irmão Carlos esforçando-se para melhor compreender o fundo de sua alma, mais compreenderá como nele esta intuição dos três modos de vida de Cristo é característica. Efetivamente, é um dos traços essenciais de sua mensagem.”
[Mensagem extraída do livro “Sentinelas de Deus na Cidade”, de René Voillaume, Ed. Paulinas, SP, 1976]
Ensinamentos espirituais de Carlos de Foucauld, o Irmão Universal

“Quanta doçura soube ter Jesus com quem dele se aproximava”
Charles de Foucauld e o eremitério no deserto de Tamanrasset
HÁ  UMA  DIFERENÇA  TÃO  GRANDE  ENTRE  DEUS  E TUDO  O  QUE  NÃO  É  ELE
“A minha vocação religiosa nasceu no mesmo momento da minha fé: Deus é tão grande! Há uma diferença tão grande entre Deus e tudo o que não é ele…” (Carta a Henry de Castries, 14 de agosto de 1901) 

QUIBUS  AUXILIIS?

“Mediante a tua graça, e que graça! Com a tua misericórdia, uma infinidade de misericórdias!… Graças à intercessão da Santa Virgem, de São José, de Santa Madalena, de São João Batista, de meu anjo da guarda, de todos os santos e de todas as santas, de tantas pessoas que me amam e que não estão mais neste mundo; […] com a ajuda de São Paulo Eremita e de Santo Antônio, cuja memória celebramos nestes dias.” (Anotação de 15 de janeiro de 1895) 

JESUS  DERRAMARÁ  GRAÇAS  ABUNDANTES  E  ELES  COMPREENDERÃO

“Os nativos nos acolhem bem; não são sinceros: cedem à necessidade. Quanto será preciso para que adquiram realmente os sentimentos que hoje fingem ter? Talvez isso nunca aconteça… Saberão distinguir os soldados dos padres e ver em nós servos de Deus, ministros de paz e de caridade, irmãos universais? Não sei. Se eu fizer o meu dever, Jesus derramará graças abundantes e eles compreenderão.” (Carta a madame De Bondy, do sul de Beni Abbés, 3 de julho de 1904) 

FONTE E  BÁLSAMO  DE  CONSOLAÇÃO

“Nós nos esforçamos para ter uma infinita delicadeza em nossa caridade; não nos limitamos aos grandes serviços, mas cultivamos aquela terna delicadeza capaz de cuidar dos detalhes e que sabe derramar, com gestos de nada, uma montanha de bálsamo nos corações. ‘Dai-lhes de comer’, diz Jesus. Da mesma forma nós, com aqueles que vivem ao nosso lado, entramos nos pequenos detalhes de sua saúde, de sua consolação, de suas orações, de suas necessidades: consolamos, damos alívio com as atenções mais diminutas; para com aqueles que Deus põe ao nosso lado esforçamo-nos por ter aquelas ternas, delicadas, pequenas atenções que teriam entre si dois irmãos cheios de delicadeza, e mães cheias de ternura por seus filhos, com a finalidade de consolar, o quanto possível, todos aqueles que nos cercam, e ser para eles fonte e bálsamo de consolação, como o foi sempre nosso Senhor para todos aqueles que se aproximavam dele: para a santa Virgem e São José, mas também para os apóstolos, para Madalena e para todos os outros… Quanta consolação, quanta doçura soube dar a todos aqueles que se aproximavam dele.” (de La bonté de Dieu) 

A  ORAÇÃO

“Não procura organizar, preparar a fundação dos Pequenos Irmãos do Sagrado Coração de Jesus: apenas vive como se tivesses de ficar sempre sozinho. Se estais em dois, em três, num pequeno número, vivai como se nunca tivésseis de se tornar mais numerosos. Reza como Jesus, tanto quanto Jesus, reservando como ele um lugar sempre muito grande para a oração… Sempre à imagem dele, deixa muito espaço para o trabalho manual, que não é um tempo subtraído da oração, mas doado à oração; o tempo de teu trabalho manual é um tempo de oração. Reza fielmente todos os dias o breviário e o rosário. Ama Jesus de todo o teu coração (dilexit multum), e a teu próximo como a ti mesmo por amor dele… A tua vida de Nazaré pode-se fazer em qualquer parte, viva-a no lugar mais útil ao próximo.”
(Meditação de 22 de julho de 1905) 

A  FRAQUEZA  DOS  MEIOS  HUMANOS  É  CAUSA  DE FORÇA


“Eis nossas armas, as do nosso Esposo divino que nos pede que deixemos continuar a viver em nós a vida dele, ele mesmo, o único Amante… a única Verdade… Não encontraremos melhor do que ele e ele não envelhece… Sigamos esse modelo único e estaremos seguros de fazer muito bem, pois dessa forma não seremos mais nós a viver, mas será ele a viver em nós; nossas ações não pertencerão mais a nós, humanos e miseráveis, mas a ele, e serão por isso divinamente eficazes.” (Carta ao padre Charles Guérin, 15 de janeiro de 1908) 

OS  POBRES

“Amamos os ricos, pois são filhos de Deus; mas não nos ocupamos deles, já que não precisam disso; ocupamo-nos dos pobres, já que precisam de tudo e porque Jesus os deixou para nós como irmãos, mas como Ele mesmo para serem cuidados, nutridos, vestidos, consolados, santificados, salvos, enfim, amados. Eles são ‘os seus irmãos’, são a família que ele adotou; a que deixa a nós.” (Meditação sobre o Salmo 81) 

CABE A ELE CHAMAR-NOS

“Deus nos dará a todo instante o que é necessário para cumprir qualquer missão que lhe aprouver dar-nos… Ele no-lo dará sobrenaturalmente, sem nenhuma preparação de nossa parte, se isso lhe agradar, como fez com seus grandes apóstolos Pedro e Paulo […]. Ou então no-lo dará fazendo-nos cooperar com sua graça por meio de nosso trabalho, e então nos dirá Ele mesmo de que forma devemos realizar esses trabalhos preparatórios… Cabe a ele chamar-nos na hora em que quiser que nos dediquemos a eles.”
(Meditações sobre os Santos Evangelhos, 234ª) 

TU  DÁS  A  SAÚDE  ÀS  ALMAS  POR  PURA  COMPAIXÃO

“Tu dás a saúde às almas, mesmo quando elas não te pedem, ó meu Deus, por pura compaixão, por puro amor pela obra de tuas mãos, por tuas ovelhas, ó bom Pastor! Que assim seja! Tu não esperas que a ovelha perdida, agredida pelo lobo e já quase morta sob os seus dentes, chame por Tua ajuda; de longe, sempre a vê e sempre lhe dá, até o último momento, tudo o que lhe é necessário para escapar do inimigo. Que assim seja.” (Meditação sobre as passagens dos Santos Evangelhos relativas às quinze virtudes, 106ª) 

UM  RELÂMPAGO  QUE  ILUMINA  POR  UM  INSTANTE A  NOITE  DA  TERRA

“Tu poderias, meu Deus, guiar José usando de meios bem diferentes, em vez das aparições: temos a impressão de que tenhas como objetivo tornar, desde as primeiras páginas do Evange­lho, evidente aos nossos olhos essa verdade da esperança que é preciso ter na tua graça (que tu nos dás para nos conduzir para a glória), que nos mostras assim, já no início do Novo Testamento, esses anjos, essas estrelas que se elevam ao teu chamado para guiar os homens… É como um relâmpago que ilumina por um instante a noite da terra e nela faz visível, aos nossos olhos estupefatos, qual é a tua maneira de dirigir as almas.” (Meditações sobre as passagens dos Santos Evangelhos relativas às quinze virtudes, 8ª)
******
Para Bento XVI, Charles de Foucauld, exemplo de fraternidade universal, testemunhou o Evangelho respeitando as outras religiões.
Como é tradição neste pontificado, no final da celebração eucarística e do rito da beatificação, Bento XVI desceu do Palácio Apostólico até á Basílica de S. Pedro para venerar as relíquias dos novos bem-aventurados e saudar os fiéis. O Papa salientou que Charles de Foucauld nos convida à fraternidade universal que viveu no Sahara, no meio dos tuareg, convida-nos ao amor do qual Cristo nos deu o exemplo.
“Demos graças a Deus pelo testemunho oferecido por Charles de Foucauld, disse o Papa, recordando que durante a sua vida contemplativa e escondida em Nazaré encontrou a verdade da humanidade de Jesus, convidando-nos a contemplar o mistério da Incarnação; naquele lugar ele aprendeu muito sobre o Senhor que queria viver com humildade e pobreza. (Rádio Vaticano, 13.11.2006)
Entre estas três maneiras de viver de Cristo, escolheu imitar particularmente a primeira, em Nazaré. Todavia esta escolha não o impede de seguir Jesus também no deserto e nos caminhos da evangeli­zação dos homens. Como poderia ser de outra forma para quem escolheu dar-se a Cristo Jesus cuja vida e missão não poderiam ser perfeitamente compreendidas nem participadas através de um único modo de vida, concebido como excluindo os outros?
Quanto mais você freqüentar o irmão Carlos esforçando-se para melhor compreender o fundo de sua alma, mais compreenderá como nele esta intuição dos três modos de vida de Cristo é característica. Efetivamente, é um dos traços essenciais de sua mensagem.”
[Mensagem extraída do livro “Sentinelas de Deus na Cidade”, de René Voillaume, Ed. Paulinas, SP, 1976]
Ensinamentos espirituais de Carlos de Foucauld, o Irmão Universal

“Quanta doçura soube ter Jesus com quem dele se aproximava”
Charles de Foucauld e o eremitério no deserto de Tamanrasset
HÁ  UMA  DIFERENÇA  TÃO  GRANDE  ENTRE  DEUS  E TUDO  O  QUE  NÃO  É  ELE
“A minha vocação religiosa nasceu no mesmo momento da minha fé: Deus é tão grande! Há uma diferença tão grande entre Deus e tudo o que não é ele…” (Carta a Henry de Castries, 14 de agosto de 1901) 

QUIBUS  AUXILIIS?

“Mediante a tua graça, e que graça! Com a tua misericórdia, uma infinidade de misericórdias!… Graças à intercessão da Santa Virgem, de São José, de Santa Madalena, de São João Batista, de meu anjo da guarda, de todos os santos e de todas as santas, de tantas pessoas que me amam e que não estão mais neste mundo; […] com a ajuda de São Paulo Eremita e de Santo Antônio, cuja memória celebramos nestes dias.” (Anotação de 15 de janeiro de 1895) 

JESUS  DERRAMARÁ  GRAÇAS  ABUNDANTES  E  ELES  COMPREENDERÃO

“Os nativos nos acolhem bem; não são sinceros: cedem à necessidade. Quanto será preciso para que adquiram realmente os sentimentos que hoje fingem ter? Talvez isso nunca aconteça… Saberão distinguir os soldados dos padres e ver em nós servos de Deus, ministros de paz e de caridade, irmãos universais? Não sei. Se eu fizer o meu dever, Jesus derramará graças abundantes e eles compreenderão.” (Carta a madame De Bondy, do sul de Beni Abbés, 3 de julho de 1904) 

FONTE E  BÁLSAMO  DE  CONSOLAÇÃO

“Nós nos esforçamos para ter uma infinita delicadeza em nossa caridade; não nos limitamos aos grandes serviços, mas cultivamos aquela terna delicadeza capaz de cuidar dos detalhes e que sabe derramar, com gestos de nada, uma montanha de bálsamo nos corações. ‘Dai-lhes de comer’, diz Jesus. Da mesma forma nós, com aqueles que vivem ao nosso lado, entramos nos pequenos detalhes de sua saúde, de sua consolação, de suas orações, de suas necessidades: consolamos, damos alívio com as atenções mais diminutas; para com aqueles que Deus põe ao nosso lado esforçamo-nos por ter aquelas ternas, delicadas, pequenas atenções que teriam entre si dois irmãos cheios de delicadeza, e mães cheias de ternura por seus filhos, com a finalidade de consolar, o quanto possível, todos aqueles que nos cercam, e ser para eles fonte e bálsamo de consolação, como o foi sempre nosso Senhor para todos aqueles que se aproximavam dele: para a santa Virgem e São José, mas também para os apóstolos, para Madalena e para todos os outros… Quanta consolação, quanta doçura soube dar a todos aqueles que se aproximavam dele.” (de La bonté de Dieu) 

A  ORAÇÃO

“Não procura organizar, preparar a fundação dos Pequenos Irmãos do Sagrado Coração de Jesus: apenas vive como se tivesses de ficar sempre sozinho. Se estais em dois, em três, num pequeno número, vivai como se nunca tivésseis de se tornar mais numerosos. Reza como Jesus, tanto quanto Jesus, reservando como ele um lugar sempre muito grande para a oração… Sempre à imagem dele, deixa muito espaço para o trabalho manual, que não é um tempo subtraído da oração, mas doado à oração; o tempo de teu trabalho manual é um tempo de oração. Reza fielmente todos os dias o breviário e o rosário. Ama Jesus de todo o teu coração (dilexit multum), e a teu próximo como a ti mesmo por amor dele… A tua vida de Nazaré pode-se fazer em qualquer parte, viva-a no lugar mais útil ao próximo.”
(Meditação de 22 de julho de 1905) 

A  FRAQUEZA  DOS  MEIOS  HUMANOS  É  CAUSA  DE FORÇA


“Eis nossas armas, as do nosso Esposo divino que nos pede que deixemos continuar a viver em nós a vida dele, ele mesmo, o único Amante… a única Verdade… Não encontraremos melhor do que ele e ele não envelhece… Sigamos esse modelo único e estaremos seguros de fazer muito bem, pois dessa forma não seremos mais nós a viver, mas será ele a viver em nós; nossas ações não pertencerão mais a nós, humanos e miseráveis, mas a ele, e serão por isso divinamente eficazes.” (Carta ao padre Charles Guérin, 15 de janeiro de 1908) 

OS  POBRES

“Amamos os ricos, pois são filhos de Deus; mas não nos ocupamos deles, já que não precisam disso; ocupamo-nos dos pobres, já que precisam de tudo e porque Jesus os deixou para nós como irmãos, mas como Ele mesmo para serem cuidados, nutridos, vestidos, consolados, santificados, salvos, enfim, amados. Eles são ‘os seus irmãos’, são a família que ele adotou; a que deixa a nós.” (Meditação sobre o Salmo 81) 

CABE A ELE CHAMAR-NOS

“Deus nos dará a todo instante o que é necessário para cumprir qualquer missão que lhe aprouver dar-nos… Ele no-lo dará sobrenaturalmente, sem nenhuma preparação de nossa parte, se isso lhe agradar, como fez com seus grandes apóstolos Pedro e Paulo […]. Ou então no-lo dará fazendo-nos cooperar com sua graça por meio de nosso trabalho, e então nos dirá Ele mesmo de que forma devemos realizar esses trabalhos preparatórios… Cabe a ele chamar-nos na hora em que quiser que nos dediquemos a eles.”
(Meditações sobre os Santos Evangelhos, 234ª) 

TU  DÁS  A  SAÚDE  ÀS  ALMAS  POR  PURA  COMPAIXÃO

“Tu dás a saúde às almas, mesmo quando elas não te pedem, ó meu Deus, por pura compaixão, por puro amor pela obra de tuas mãos, por tuas ovelhas, ó bom Pastor! Que assim seja! Tu não esperas que a ovelha perdida, agredida pelo lobo e já quase morta sob os seus dentes, chame por Tua ajuda; de longe, sempre a vê e sempre lhe dá, até o último momento, tudo o que lhe é necessário para escapar do inimigo. Que assim seja.” (Meditação sobre as passagens dos Santos Evangelhos relativas às quinze virtudes, 106ª) 

UM  RELÂMPAGO  QUE  ILUMINA  POR  UM  INSTANTE A  NOITE  DA  TERRA

“Tu poderias, meu Deus, guiar José usando de meios bem diferentes, em vez das aparições: temos a impressão de que tenhas como objetivo tornar, desde as primeiras páginas do Evange­lho, evidente aos nossos olhos essa verdade da esperança que é preciso ter na tua graça (que tu nos dás para nos conduzir para a glória), que nos mostras assim, já no início do Novo Testamento, esses anjos, essas estrelas que se elevam ao teu chamado para guiar os homens… É como um relâmpago que ilumina por um instante a noite da terra e nela faz visível, aos nossos olhos estupefatos, qual é a tua maneira de dirigir as almas.” (Meditações sobre as passagens dos Santos Evangelhos relativas às quinze virtudes, 8ª)
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Para Bento XVI, Charles de Foucauld, exemplo de fraternidade universal, testemunhou o Evangelho respeitando as outras religiões.
Como é tradição neste pontificado, no final da celebração eucarística e do rito da beatificação, Bento XVI desceu do Palácio Apostólico até á Basílica de S. Pedro para venerar as relíquias dos novos bem-aventurados e saudar os fiéis. O Papa salientou que Charles de Foucauld nos convida à fraternidade universal que viveu no Sahara, no meio dos tuareg, convida-nos ao amor do qual Cristo nos deu o exemplo.
“Demos graças a Deus pelo testemunho oferecido por Charles de Foucauld, disse o Papa, recordando que durante a sua vida contemplativa e escondida em Nazaré encontrou a verdade da humanidade de Jesus, convidando-nos a contemplar o mistério da Incarnação; naquele lugar ele aprendeu muito sobre o Senhor que queria viver com humildade e pobreza. (Rádio Vaticano, 13.11.2006)
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Deserto: lugar de Deus

Pe. Geovane Saraiva

Pela importância do tema, seria necessário um trabalho científico, porque é impensável qualquer entendimento neste campo espiritual, sem uma compreensão, no mínimo básica, do deserto como lugar de Deus. Infelizmente, a falta de um tempo suficiente e, mais ainda, das fontes que são necessárias, não favorecem a realização deste ideal. Quando falamos de deserto, vem logo na mente à imagem do Bem Aventurado Charles de Foucauld, na sua bela afirmação: “É na solidão, vivendo somente com Deus, no recolhimento profundo da alma que esquece o que existe para viver só em comunhão com Deus, onde Deus se entrega totalmente a quem se abandona totalmente a ele”.

Precisamos de sabedoria para compreender os sinais de Deus. Não podemos também prescindir de um espírito perseverante e ao mesmo tempo corajoso para entrar na nossa própria humanidade, no sentido de compreendermos as diversas tentativas de fugas do absoluto de Deus, sobretudo, na certeza de que ele é Pai e nos acompanha sempre, por toda parte, mesmo quando tentamos nos distanciar dele (cf. Rm8, 35-39). Daí é que vem a confiança e a certeza de que ele não se separa de nós; nunca e jamais perde a paciência para conosco.

O deserto deixou em Charles de Foucauld uma marca indelével. Ele dizia: “É necessário passar pelo deserto e nele permanecer para receber a graça de Deus: é no deserto que nos esvaziamos de nos desprendermos de tudo o que não seja de Deus […].” É por isso mesmo que compreendemos que de sua incredulidade, indiferença, egoísmo e impiedade, caiu nas mãos de Deus. Foi arrebatado e seduzido por Jesus de Nazaré, que o tornou o único e o maior tesouro de sua vida. “Se alguém está em Cristo é uma nova criatura. Passaram-se as coisas antigas” (2Cr. 5, 17).

Charles de Foucauld nasceu na França e viveu de 1858 a 1916. No dia 30 de outubro de 1886 se submeteu a vontade de Deus, ajoelhando e confessando os seus pecados. Experimentou uma alegria inexprimível, a alegria do Filho pródigo. Foi beatificado no dia 13 de novembro de 2005 pelo Papa Bento XVI.

Seu testemunho e sua mística encantaram os seus seguidores no mundo inteiro, numa grande paixão e fascínio por Jesus de Nazaré, concretizado no amor e na solidariedade para com os que estão longe do convívio social, os empobrecidos e excluídos, buscando na Eucaristia a força necessária para concretizar o projeto de amor do Pai. O Beato Charles de Foucauld, indo habitar e levando a Eucaristia para os irmãos no Deserto do Saara, tornou-se o homem da ternura e da compaixão, com uma enorme vontade de ser amigo de todos, bons e maus, de amar a todos, indistintamente e ser de verdade o irmão universal. Toda sua vida foi um profundo ato de amor: “Tão logo que acreditei que existia um Deus, compreendi que não podia fazer outra coisa, senão viver só para ele”.

O caminho da contemplação e da oração torna-se itinerário dos seus seguidores e admiradores. Ele sempre se colocou no último lugar, com sua vida em harmonia com o Evangelho, reservada e discreta, não se esforçando para converter ninguém, mas querendo fazer uma única coisa: “proclamar bem alto o Evangelho com a própria vida”. A vida do Bem Aventurado Charles de Foucauld, com seu martírio, no dia 1º de dezembro de 1916, não foi um valor em si mesmo. Mas foi consequente, com muitos motivos, ao entrar numa profunda sintonia com Deus, na coragem do heroísmo profético, chamando nossa atenção para o conflito, porque mergulhar no Evangelho é mergulhar nos conflitos e nas tempestades (cf. Mt 14, 26-32).

O grande mérito do Irmão Charles de Foucauld foi viver o Evangelho no meio dos conflitos e das tempestades, distanciando-se da “bondade”, como era conhecida no seu tempo. Não se contentando e até se indignando com o anúncio do Evangelho que não satisfaz, não converte e não transforma. Procurou assemelhar-se a Jesus de Nazaré em tudo, sobretudo, na paixão e no calvário. Seu martírio foi consequência da sua opção pelo Evangelho e a justiça do Reino.

Charles de Foucauld traçou um caminho para os seus seguidores, propondo-lhes o caminho da cruz e do Evangelho. Portanto, ao ouvir algo do irmão querido, com sua vida e seus escritos, é impossível permanecer na indiferença. Ele nos conduz e nos arrasta ao seguimento de Jesus de Nazaré, seu “bem-amado no Senhor”.

Cristo precisa de nós, não como admiradores, cheios de sentimentos, mas como seguidores. Que a voz profética desse irmão muito querido não cale jamais e que as pessoas de boa vontade se inspirem no Irmão Universal para descobrir o caminho da contemplação e da oração, o caminho de Deus, tão bem percorrido pelo querido irmão Charles de Foucauld, o deserto como lugar sagrado e de Deus.

O irmão universal, Charles de Foucauld

Da incredulidade, indiferença, egoísmo e impiedade, caiu nas mãos de Deus. Foi arrebatado e seduzido por Jesus de Nazaré, tornando-se o único e maior tesouro de sua vida. “Se alguém está em Cristo é uma mova criatura. Passaram-se as coisas antigas” (2Cr 5, 17).

Charles de Foucauld nasceu na França e viveu de 1858 a 1916. No dia 30 de outubro de 1886 se submeteu a vontade de Deus, ajoelhando e confessando os seus pecados. Experimentou uma alegria inexprimível, a alegria do Filho pródigo. Foi beatificado no dia 13 de novembro de 2005 pelo Papa Bento XVI.

Seu testemunho e sua mística encantaram os seus seguidores no mundo inteiro, numa grande paixão e fascínio per Jesus de Nazaré, concretizado no amor e na solidariedade para com os que estão longe do convívio social, os pobres e excluídos, buscando na Eucaristia a força necessária para concretizar o projeto de amor. A partir da Eucaristia amou a humanidade inteira.

O Beato Charles de Foucauld, indo habitar e levando a Eucaristia para os irmãos no Deserto do Saara, tornou-se o homem da ternura e da compaixão, com uma enorme vontade de ser amigo de todos, bons e maus, de amar a todos, indistintamente e ser de verdade o irmão universal. Toda sua vida foi um profundo ato de amor: “Tão logo que acreditei que existia um Deus, compreendi que não podia fazer outra coisa, senão viver só para ele”.

O caminho da contemplação e da oração deve ser o itinerário dos seus seguidores e admiradores. Ele sempre se colocou no último lugar, com sua vida em harmonia com o Evangelho, reservada e discreta, não se esforçando para converter ninguém, mas querendo fazer uma única coisa: “proclamar bem alto o Evangelho com a própria vida”.

A vida do Bem-aventurado Charles de Foucauld, com seu martírio, no dia 1º de dezembro de 1916, não foi um valor em si mesmo. Mas foi conseqüente, com muitos motivos, ao entrar numa profunda sintonia com o Deus, na coragem do heroísmo profético, chamando nossa atenção para o conflito, porque mergulhar no Evangelho é mergulhar nos conflitos e nas tempestades (cf. Mt 14, 26-32).

O grande mérito do Irmão Charles de Fuocauld foi viver o Evangelho no meio dos conflitos e das tempestades, distanciando-se da “bondade”, como era conhecida no seu tempo. Não se contentando e até se indignando com o anúncio do Evangelho que não satisfaz, não converte e não transforma. Procurou assemelhar-se a Jesus de Nazaré em tudo, sobretudo, na paixão e no calvário. Seu martírio foi conseqüência da sua opção pelo Evangelho e a justiça do Reino.

Charles de Foucauld traçou um caminho para os seus seguidores, propondo-lhes o caminho da cruz e do Evangelho. Portanto, ao ouvir algo do irmão querido, com sua vida e seus escritos, é impossível permanecer na indiferença. Ele nos conduz e nos arrasta ao seguimento de Jesus de Nazaré, seu “bem-amado no Senhor”.

Cristo precisa de nós, não como admiradores, cheios de sentimentos, mas como seguidores. Que a voz profética deste irmão muito querido não cale jamais e que as pessoas de boa-vontade se inspirem no Irmão Universal para descobrir o caminho da contemplação e da oração, o caminho de Deus, tão bem percorrido pelo querido irmão Carlos de Jesus, o irmão Carlos de Foucauld.

Pe Geovane Saraiva
[email protected]

Fonte: http://www.paroquiasantoafonso.org.br

Ano Sacerdotal: o Pe. Charles de Foucauld (II)

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

“Tão logo cri em Deus, compreendi que não podia fazer outra coisa senão viver para Ele”. “Minha vocação religiosa começa na mesma hora que minha fé: Deus é tão grande!” Dando continuidade às nossas reflexões em torno do Ano sacerdotal, vejamos hoje o que significou na vida do Pe. Charles de Foucauld a fé em Deus que se revelou a ele em resposta à sua prece: “Deus meu, se existis, fazei eu vos conheça”.

Em 1890 Charles de Foucauld entra para a Trapa “Nosssa Senhor das Neves” na França. Seis meses após se decide por uma Trapa muito mais pobre em Akbés na Síria. Começa então a elaborar um projeto de congregação religiosa “à sua maneira”: “eu suspiro por Nazaré”, afirma. Pede então dispensa dos votos. Em outubro de 1896, estando na Argélia, ele é enviado a Roma para estudar e em 1897 o Abade geral dos trapistas o deixa livre para seguir sua vocação. A partir de março de 1897, Charles está em Nazaré onde assume a função de porteiro das Clarissas e vive numa cela junto da clausura. Diz então: “tive a permissão de ficar só em Nazaré e de viver, como operário, desconhecido, de meu trabalho cotidiano: solidão – prece – adoração – meditação do evangelho – trabalho humilde”. Aí permanece um pouco mais de três anos Esse tempo, ele assim o definiu: “para me assemelhar mais ainda a Jesus”. Volta então à França e em Nossa Senhora das Neves se prepara para ser padre e é ordenado em nove de junho de 1901.

Um ano antes ele havia escrito: “só pelo fato de celebrar a missa eu darei a Deus maior glória e farei aos homens maior bem”. Em setembro de 1901 o Pe. Charles de Foucauld se estabelece em Beni-Abbés, na Argélia, onde constrói uma casa para fundar a comunidade dos Pequenos Irmãos do Sagrado Coração de Jesus dentro de uma Regra “monástica”. Seu objetivo: “continuar no Saara a vida oculta de Jesus em Nazaré, não para pregar, mas para viver na solidão a pobreza, o humilde trabalho de Jesus. Na região verifica a prática da escravidão. Alerta sobre isso amigos e autoridades. Resgata alguns escravos.

Em 1904 entra em contato com os tuaregues, estuda sua língua e começa a traduzir para o tuaregue o evangelho. Nenhum sacerdote tinha entrado antes no mundo dos tuaregues, população seguidora do islamismo e hostil, sobretudo aos franceses. Instala-se em Tamanrasset e empreende um enorme trabalho científico sobre a língua dos tuaregues, suas canções, poesias e se faz ajudar por alguém do país. Em julho de 1907 proíbem-no de celebrar a missa, mas ele decide continuar vivendo no meio deles. Depois de seis meses lhe é dado a permissão de celebrar, mas não pode guardar o SS. Sacramento.

Em 1907 ele fica gravemente enfermo, à beira da morte. Os tuaregues salvam-no alimentando-o com leite de cabra. Charles, impotente, dependendo de seus vizinhos faz a experiência de que a amizade – o amor dos irmãos – se verifica na troca, na reciprocidade. De 1909 a 1913 Charles faz três viagens à França para apresentar o projeto de uma “União de irmãos e irmãs do Sagrado Coração”, associação de fieis para a conversão dos infiéis”: cristãos “capazes de fazer conhecer, por seu exemplo, a religião cristã e de fazer ver o evangelho em suas vidas”. É dele a frase: “meu apostolado deve ser o apostolado da bondade. Vendo-me deve-se dizer: já que esse homem é tão bom…sua religião também deve ser boa”.Estoura a guerra em 1914. Pe, Foucauld volta a Tamanrrasset. O deserto se torna agitado. Para proteger as populações Pe. Foucauld constrói um pequeno forte onde acolhe as pessoas do entorno em perigo. Continua a trabalhar as poesias e os provérbios tuaregues.

Em primeiro de dezembro de 1916 um grupo de tuaregues da seita senussita – fanáticos – seqüestra o Pe. Charles de Foucauld e o mata. Foi sepultado a 20 metros do forte com os militares mortos com ele na ocasião. Pe. Charles de Foucauld foi declarado Bemaventurado aos 13 de novembro de 2005 em Roma. No dia de sua morte ele havia escrito: “nosso aniquilamento é o meio mais poderoso que temos para unir-nos a Jesus e de fazer o bem às almas” e ainda: “quando o grão de trigo caído na terra não morre ele fica só. Se morre, produz muitos frutos. Eu não morri ainda, por isso estou só. Orai pela minha conversão para que, morrendo, eu produza fruto”(cartas de 01.12.1916). Hoje são 19 os grupos de leigos, sacerdotes, religiosos(as) que vivem o evangelho inspirados por Pe. Charles de Foucauld. O Pe. Charles de Foucauld se tornou para todos os cristãos, muito especialmente para nós sacerdotes, modelo de seguimeno de Jesus, manso, pobre e humilde. O encontro com Jesus Cristo transformou sua vida. O Pe. Charles jogou no lixo toda vaidade e procurou viver de Deus na solidão do deserto e na solidariedade com os pobres, sustentado por uma intensa vida eucarística.

Ano Sacerdotal: o Pe. Charles de Foucauld (I)

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

Neste Ano Sacerdotal, escrever sobre o padre Charles de Foucauld é um dever e um prazer. Dever por ser ele permanentemente um inspirador de muitas vidas sacerdotais, sobretudo para aqueles padres membros da Fraternidade Sacerdotal “Jesus-Caritas”. É também um prazer porque na vida de Charles de Foucauld, podemos tocar o mistério do amor de Deus. Charles nasceu em Estrasburgo, a 15 de setembro de 1858, de família nobre, cujo lema era: “jamais voltar atrás”. A perda dos pais aos seis anos de idade deixa-lhe na alma dolorosa ferida. O avô materno, coronel do exército, cuida de Charles. A família optou pela nacionalidade francesa.

Charles conclui o ensino médio com os jesuítas em Paris. Começa então a preparar-se para a carreira militar, mas é despedido da escola por indisciplina. Aos 16 anos considera ter perdido a fé: “eu que desde minha infância havia estado envolto por tantas graças, filho de uma mãe santa…eu me afastava cada vez mais de vós, Senhor. Toda a fé havia desaparecido de minha vida”, escreveu ele mais tarde, Em 1878 seu avô morre, deixando-lhe considerável fortuna que ele começa a dissipar rapidamente. Entra na Escola de Cavalaria e ganha o último lugar em uma trma de 87 estudantes.

Na guarnição de Pont-à-Mousson vive na farra e perde a credibilidade ao se envolver com uma jovem de má reputação, conhecida por Mimi. Quando seu regimento é enviado para a Argélia, Charles leva Mimi como se fosse sua esposa. Descoberta a fraude, o Exército quer licenciá-lo. Ele recusa, preferindo ficar inativo. Volta à França. Em 1881, ao saber que seu regimento está participando de uma ação perigosa na Tunísia, Charles abandona Mimi e pede reintegração nas fileiras do exército, reunindo-se de novo a seus companheiros. Por oito meses se porta como excelente oficial, apreciado tanto por seus superiores como pelos soldados. De 1882 a 1886 vive uma experiência nova. Em 1882, seduzido pela África do Norte, deixa o exército e se instala na Argélia, preparando-se para uma viagem de “Reconhecimento de Marrocos”. Aprende árabe e hebráico. Viaja clandestinamente por Marrocos disfarçado de rabino arriscando sua vida em várias viagens. Impressionam-no as orações dos muçulmanos: “o Islã produziu em mim uma profunda transformação, uma revolução interior”.

Fica noivo na Argélia, mas acaba abandonando o projeto de se casar em razão da oposição da família da noiva. “”Volta à França e põe-se a escrever seu livro “O Reconhecimnto de Marrocos”, trabalho que lhe mereceu a medalha de ouro da Sociedade Francesa de Geografia. Vive então com sobriedade e se interroga sobre a vida interior, sobre a vida espiritual. Entra nas igrejas, sem fé, e repete este prece estranha: “Deus meu, Deus meu, se existis, fazei que eu vos conheça”. No final de outubro de 1886, Charles entra na igreja de Santo Agostinho e pede ao Pe. Huvelin, que lhe fora apresentado por uma prima, algumas explicações sobre religião. O Pe. Huvelin convida-o com veemência a ajoelhar-se e a se confessar. Ele o faz e recebe imediatamente a comunhão. Começa a partir deste dia, uma nova vida, despontando a vocação para a vida religiosa.

Em 1.888 viaja para Terra Santa e Nazaré lhe toca profundamente a alma. Retornando à França, doa todos os seus bens para sua irmã e faz vários retiros com o objetivo de encontrar uma ordem religiosa na qual entrar. Seu desejo é viver “a vida oculta do humilde e pobre trabalhador de Nazaré”. A trapa lhe parece a melhor escolha. É sua esta frase: “Tão logo cri que havia um Deus, compreendi que não podia fazer outra coisa senão viver para Ele”. Caro(a) leitor(a), por hoje paro por aqui. Esta frase merece nossa consideração, sobretudo em um momento em que se profetiza a inexistência de Deus, como o faz o cientista inglês Dawkins: “Nossa existência é o fantástico produto do acaso. Não desperdice esta vida; outra não haverá”. Mas também quantos são os que afirmam crer em Deus e vivem como se Deus não existisse! A fé na existência de Deus, não chega a penetrar na vida. Professam com a boca a fé e vivem na idolatria do dinheiro, do prazer e do poder. Vão à igreja aos domingos e, durante a semana, cuidam egoisticamente de seus interesses, esquecidos da sorte do próximo. Todos nós somos chamados à santidade.

Cabe-nos sempre de novo perguntar-nos sobre a coerência de nossa vida com aquilo que afirmamos crer. Jesus nos ensinou que o primeiro e maior mandamento é este: “amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com toda a tua força. E o segundo mandamento é: amarás o teu prósimo como a ti mesmo. Não existe outro mandamento maior do que estes”(Mt 12,30-31). No próximo artigo veremos como Charles de Foucauld viveu intensamente esse amor.