Irmã Dulce

Igreja proclama Bem-Aventurada Dulce dos Pobres

Da enviada especial do jornal O SÃO PAULO a Salvador, Karla Maria

Mais de 70 mil pessoas testemunharam a beatificação de Irmã Dulce, o “Anjo Bom da Bahia”, na tarde deste domingo (22), em Salvador (BA).

Nem a chuva e o cansaço impediram que o Parque das Exposições fosse palco desse momento histórico, não só para a Arquidiocese de São Salvador da Bahia, como para toda a Igreja Católica, disse dom Lorenzo Baldisseri, núncio apostólico no Brasil, durante a cerimônia de beatificação, que foi presidida pelo arcebispo emérito de Salvador, cardeal dom Geraldo Majella Agnelo, representante do papa Bento 16 e do prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, cardeal Angelo Amato.

Concelebrou a missa o arcebispo de Salvador, dom Murilo Krieger, além de diversos bispos, entre os quais, o arcebispo emérito de São Paulo, cardeal dom Cláudio Hummes.

A presidente Dilma Rousseff marcou presença na cerimônia, acompanhada pelo presidente do Senado Federal, José Sarney, e pelo governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Outros políticos e doadores das Obras Sociais da Irmã Dulce, que registraram em 2010 5,6 milhões de atendimentos gratuitos, marcaram presença, mas o destaque foi a participação dos devotos que em mais de 400 caravanas de todo o Brasil, desembarcaram em Salvador demonstrar o carinho pela beata, já conclamada a santa.

A cerimônia começou com a leitura do pedido de beatificação, feito pelo dom Murilo. “O arcebispo metropolitano de São Salvador da Bahia e primaz do Brasil pede a vossa eminência reverendíssima de proclamar bem-aventurada a venerável serva de Deus Dulce Lopes Pontes, professa da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus”, solicitou o prelado.

Logo em seguida, o bispo da Diocese de Irecê (BA), dom Tommaso Cascianelli, leu uma resumida biografia da Bem-Aventurada e, dom Geraldo, a carta apostólica na qual o papa autoriza a beatificação. No documento, Bento 16 afirmou que “tendo consultado a Congregação das Causas dos Santos, por nossa autoridade apostólica, damos a faculdade para que a venerável serva de Deus Dulce Lopes Pontes […] seja chamada de hoje em diante com o nome de bem-aventurada, com sua festa fixada no dia 13 de agosto”.

Após a leitura, a foto de Irmã Dulce foi descerrada, levando a multidão a euforia. Paralelamente, a miraculada Cláudia Cristiane Santos de Araújo, seu marido Francisco Assis de Araújo e o filho Gabriel entraram em procissão para apresentar aos fiéis a relíquia da nova beata. A sobrinha de Irmã Dulce, Maria Rita Pontes, e a voluntária mais antiga das Obras Sociais da freira, Iraci Lordello, também entraram em procissão.

Na homília, o cardeal Majella, enfatizou que viver a santidade não é privilégio para algumas pessoas, mas é dever de todo cristão batizado. “Eu não disse alguns, disse todos os cristãos. Estamos celebrando a santidade que o Senhor deseja ver reproduzida em cada um de Seus filhos. Todos os fiéis devem ser santos em sua conduta moral, devem agir em conformidade com que o são: filhos de Deus”, ressaltou dom Geraldo, que foi responsável pelo pedido de abertura do processo de canonização da beata,no ano 2000.

Em pronunciamento realizado no Vaticano, após a recitação da oração mariana “Regina Coeli”, na manhã do domingo, o papa Bento 16 afirmou que estava junto aos brasileiros na alegria pela beatificação de Irmã Dulce.

“Ao saudar os peregrinos de língua portuguesa, desejo também associar-me à alegria dos pastores e fiéis congregados em Salvador, na Bahia, para a beatificação da Irmã Dulce Lopes Pontes, que deixou atrás de si um prodigioso rastro de caridade, a serviço dos últimos, levando o Brasil inteiro a venerar os desamparados”, disse, em português.

Sobre Irmã Dulce

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes nasceu em Salvador (BA) no dia 26 de maio de 1914. Conhecida como Irmã Dulce, o ‘Anjo bom da Bahia’, foi uma religiosa católica brasileira. Ela notabilizou-se por suas obras de caridade e de assistência aos pobres e aos necessitados. Após a beatificação, será chamada de ‘Bem-aventurada Dulce dos Pobres’.

A religiosa começou a praticar caridade aos 13 anos, ajudando mendigos que moravam nas ruas da capital baiana. Aos 18, entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição. Dedicou toda sua vida à caridade.

Em 2000, foi realizada a abertura do Processo Canônico sobre a sua vida, virtudes e fama de santidade. A graça obtida pela intercessão de Irmã Dulce, em 2003, foi examinada primeiramente no Brasil e reconhecida pelos peritos médicos como um caso que não pôde ser explicado pelos meios da ciência. Os peritos e os cardeais da Congregação para as Causas dos Santos foram unânimes no reconhecimento deste milagre, constando que se tratava de um caso extraordinário de cura.

Em abril de 2009, foram reconhecidas suas virtudes heróicas e ela foi declarada Venerável pelo Vaticano. Em junho de 2010, seu corpo foi exumado e transferido junto às suas relíquias, últimos atos antes da beatificação.

A vida da Irmã Dulce em vídeo

A TV Canção Nova resgata a história da Irmã Dulce, o “anjo bom do Brasil”, em quatro vídeos, desde a infância, a fé e o envolvimento com os pobres até as obras sociais que ela inspirou.

>> Parte 1 – Infância e adolescência

>> Parte 2 – Trabalho com os pobres

>> Parte 3 – Uma vida de oração

>> Parte 4 – Obras sociais

“Beatificação de Irmã Dulce nos faz mergulhar na profundidade de nossa fé”, afirma CNBB

“A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o povo cristão exultam de alegria pelo reconhecimento por parte da Igreja Católica das virtudes da Irmã Dulce – Anjo Bom da Bahia – e por sua beatificação no próximo dia 22 de maio, em Salvador, sua terra natal”. Essas são algumas palavras do texto divulgado pelos bispos participantes da 49ª Assembleia Geral da CNBB, em homenagem a beatificação de Irmã Dulce.

Segundo os bispos, Deus chamou a jovem Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes para um serviço especial junto ao seu povo, os baianos, em particular “os pobres, os doentes, também pessoas rejeitadas por serem portadoras de necessidades especiais. Deixando tudo, tornou-se religiosa na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus e designada para um serviço em sua cidade”.

A nota dos bispos destaca a espiritualidade de Irmã Dulce e a sua devoção por Nossa Senhora. “Sua espiritualidade era nutrida pela Eucaristia, oração, Palavra de Deus, e devoção a Nossa Senhora. A confiança na Providência Divina que se lhe manifestava em diversas ocasiões e, muitas vezes, de forma surpreendente, nunca lhe trazia constrangimento em estender as mãos para pedir ajuda a fim de saciar a fome de pão e saúde aos que a procuravam e a encorajava para seguir adiante vendo em cada sofredor o próprio Cristo Jesus.

Os bispos destacam também a escolha feita pelo papa Bento XVI na beatificação da Irmã baiana. “O papa Bento XVI, ao fazer o reconhecimento das virtudes da Irmã Dulce, nos exorta a assumirmos nossa fé, em gestos concretos, ‘para que todos tenham vida e vida em abundância’ (Jô 10,10).

Beatificação

O papa Bento XVI assinou o decreto que conclui o processo de beatificação de Irmã Dulce no dia 10 de dezembro de 2010. Irmã Dulce é a primeira baiana a tornar-se beata e agora está a um passo da canonização. O título de santa só poderá ser conferido após a comprovação de mais um milagre intercedido pela religiosa e reconhecido pelo Vaticano.

A causa da beatificação de Irmã Dulce foi iniciada em janeiro do ano 2000 por dom Geraldo Majella, bispo emérito de Salvador. Desde junho de 2001, o processo tramitava na Congregação das Causas dos Santos do Vaticano.

Irmã Dulce será beatificada

O cardeal arcebispo de Salvador (BA), dom Geraldo Majella Agnelo anunciou, nesta quarta-feira, 27, a beatificação da irmã Dulce. O pronunciamento foi feito na sede das Obras Sociais Irmã Dulce, em Salvador, e o cardeal informou que até o fim do ano será conhecida a data da cerimônia de beatificação.

Para ser considerada beata, foi necessária a comprovação da existência de um milagre atribuído a religiosa; fato que aconteceu esta semana em Roma. O processo ainda precisa ser assinado pelo papa para ser concluído.

De acordo com dom Geraldo, a religiosa é exemplo para os cristãos e a sua história de vida é o que justifica a beatificação e o processo de canonização. “Todo santo é um exemplo de Cristo, como foi o caso dela (Irmã Dulce); aquela dedicação diuturna durante toda a vida aos pobres e sofredores”.

Irmã Dulce é a primeira baiana a tornar-se beata e agora está a um passo da canonização. O título de santa só poderá ser conferido após a comprovação de mais dois milagres intercedidos pela religiosa e reconhecidos pelo Vaticano.

A causa da beatificação de Irmã Dulce foi iniciada em janeiro do ano 2000 pelo próprio dom Geraldo Majella. Desde junho de 2001, o processo tramita na Congregação para a Causa dos Santos no Vaticano.

Semana de Irmã Dulce 2010: fiéis rezam pela beatificação do Anjo Bom do Brasil

A Semana de Irmã Dulce – evento realizado anualmente desde 1993, em Salvador, Bahia – ganha, este ano, um componente especial. Os fiéis, admiradores da vida e obra de Irmã Dulce, o Anjo Bom do Brasil, se revezarão em orações para que a beatificação da freira seja anunciada o mais breve possível pelo Vaticano. Com a concessão do título de Venerável pelo papa Bento XVI em 2009, os fiéis têm motivos para renovar sua expectativa pelo anúncio da beatificação. O período é A Semana de Irmã Dulce também é dedicada à memória e ao carisma da ‘Mãe dos Pobres e acontece entre os dias 8 e 13 de março.

O ponto alto será missa do dia 13, às 9h, pela passagem dos 18 anos de falecimento da freira, na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, futuro Santuário de Irmã Dulce, no antigo Cine Roma, localizado no bairro do Bonfim, em Salvador.

Merece destaque ainda a reedição da exposição “Meio século pensando no próximo”, no Shopping Piedade, onde permanece até o sábado, dia 13. A mostra, que retrata a vida e obra de Irmã Dulce e os 50 anos de fundação da OSID através de painéis e recursos de áudio e vídeo. Depois, entre os dias 29 de abril e 12 de maio, a exposição será apresentada em Feira de Santana.

A programação se completa com a entrega da Comenda de Sócio Honorário e Benemérito das Obras Sociais Irmã Dulce, em solenidade a ser realizada no dia 11 de março, às 17 horas, no auditório do Centro de Ensino e Pesquisa do Hospital Santo Antônio. Também serão realizados eventos internos de acolhimento aos novos médicos residentes, premiação dos profissionais e voluntários que se destacaram no apoio às Obras Sociais Irmã Dulce e uma vasta programação religiosa.

Como está o processo de beatificação

Iniciada em janeiro de 2000, a causa para beatificação de Irmã Dulce venceu em abril de 2009 a penúltima etapa. O Papa Bento XVI reconheceu as virtudes heróicas da Serva de Deus Dulce Lopes Pontes, autorizando oficialmente a concessão do título de Venerável à freira baiana. O reconhecimento foi comunicado pelo próprio Papa ao prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, o Arcebispo Ângelo Amato, em audiência realizada no Vaticano. Com a medida, a freira passou a ser chamada de “Venerável Dulce”.

O título é o reconhecimento de que Irmã Dulce viveu, em grau heróico, as virtudes cristãs da fé, esperança e caridade, e permite que a causa da beatificação da religiosa cumpra agora sua última etapa: a confirmação do milagre. Uma graça só é considerada milagre após atender a quatro pontos básicos: a instantaneidade, que assegura que a graça foi alcançada logo após o apelo; a perfeição, que garante o atendimento completo do pedido; a durabilidade e permanência do benefício e seu caráter ‘preternatural’ (não explicado pela ciência). A comprovação do milagre é feita em três etapas: uma reunião com teólogos, com peritos médicos (que dão o aval científico) e, finalmente, a aprovação final do colégio cardinalício. Atualmente, o Memorial Irmã Dulce guarda mais de cinco mil cartas e depoimentos que relatam curas que os devotos acreditam milagrosas e operadas pela Fé naquela que é chamada de Mãe dos Pobres. A expectativa é que até o final de 2010 esta fase esteja concluída e os fiéis possam aguardar o anúncio da beatificação.

Os nove teólogos da Congregação para a Causa dos Santos que avalizaram por unanimidade a concessão do título de Venerável (etapa mais demorada do processo) destacaram em seus votos sua visão das virtudes da Mãe dos Pobres.

Irmã Dulce, mais perto da beatificação

A Congregação para a Causa dos Santos aprovou por unanimidade o título de “venerável” para Ir. Dulce, freira que se dedicou aos pobres na Bahia e morreu em 1992, aos 77 anos. O resultado será encaminhado ao Papa Bento XVI que poderá confirmar esse título, penúltima etapa para a beatificação da religiosa.

O anúncio foi feito na terça-feira, 20/01, pelo cardeal primaz do Brasil, D. Geraldo Majella, arcebispo de Salvador. Ir. Dulce era devota de Santo Antônio e desde os 13 anos de idade atuou como “conforto para os pobres e exame de consciência para os ricos”, segundo os teólogos que estudaram a vida da freira e a definiram como “Madre Teresa do Brasil”, pelas semelhanças de seu testemunho cristão com a beata de Calcutá.

Ir. Dulce ficou carinhosamente conhecida como “o anjo bom do Brasil”. Veja mais no site www.irmadulce.org.br, de onde extraímos a apresentação abaixo:


A frase saiu arrastada da garganta.

– Irmã, não me deixe morrer na rua – ele implorou mais uma vez.

– Meu filho, eu não tenho onde colocar você. Isto aqui é um posto médico.

Irmã Dulce procurava na mente uma outra frase para tentar explicar ao pequeno jornaleiro agonizando à sua frente, com malária, que não tinha condições de abrigá-lo, mas não encontrava palavras para uma explicação que o seu coração mostrava ser totalmente descabida. Um nome então saiu espontaneamente dos seus lábios: Ilha dos Ratos, um lugar próximo ao posto médico em que trabalhava, onde existiam casas abandonadas.

Ela sabia que talvez o esforço para socorrê-lo fosse inútil, diante do estágio já avançado da doença. Mesmo assim, não poderia ficar indiferente à dor daquela criança e decidiu lutar contra a febre, a fome, contra o desespero que se expressavam nos lábios trêmulos daquele menino.

– Venha comigo, meu filho.

O seu olhar e a paz transmitida pela sua voz trouxeram uma nova esperança para o pequeno jornaleiro. Irmã Dulce o levou pelas mãos até a Ilha dos Ratos. As casas estavam de fato vazias, mas as portas muito bem trancadas.

– Moço arrombe esta porta por favor – disse para um banhista que vinha passando.

– O que é isso irmã, a senhora ficou doida? Isto tem dono!

– Eu sei moço. Mas arrombe esta porta. Por minha conta.

– Não sei não, irmã…

– Este menino está morrendo. Ele bateu à minha porta na esperança de ser atendido. Deus não atende a todos nós? Não é Ele quem nos dá o ar, a luz, a saúde? Ele recusa alguma coisa quando pedimos com fé, com esperança? Como vamos recusar um pedido de nosso semelhante, do nosso próximo?

A porta foi arrombada e Irmã Dulce acomodou o menino. Em seguida saiu e voltou logo depois, trazendo uma lamparina de querosene, leite e biscoitos e Florentina, uma conhecida que morava nas redondezas e que, a seu pedido, passou a noite tomando conta do pequeno enfermo.

O pequeno jornaleiro seria apenas o primeiro doente recolhido nas ruas, acolhido por Irmã Dulce. No dia seguinte ela foi buscar uma velha mendiga que estava morrendo de câncer sob uma tamarindeira. Depois, um tuberculoso e em pouco tempo, dezenas de doentes estavam abrigados nas casas da Ilha dos Ratos. Para alimentá-los, a jovem freira saia de porta em porta, recolhendo comida.

Algum tempo depois, foi expulsa das casas. Iniciou então uma peregrinação com os seus doentes, que se estendeu por vários anos, até 1949. Primeiro, ela os levou para os arcos da Igreja do Bonfim, mas teve novamente que sair, dessa vez por ordem do prefeito. Foi para o Mercado do Peixe e novamente foi expulsa. Ficaria na rua com os seus doentes? Ela, então, lançou mão de um último recurso: foi à superiora da sua congregação e lhe pediu para abrigar os doentes no galinheiro do convento. Não sem relutância, a madre concordou, desde que Irmã Dulce encontrasse uma solução para as galinhas.

Em pouco tempo, o galinheiro estava limpo, colchões espalhados pelo chão e os 70 doentes abrigados. A madre superiora retornou e elogiou o empenho de Irmã Dulce. Antes de ir, perguntou pelas galinhas:

– Estão todas muito bem, na barriga dos meus doentes.

O albergue improvisado no galinheiro do Convento Santo Antônio, da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição Mãe de Deus foi o início da grande obra de fé erguida por Irmã Dulce, uma das primeiras organizações não governamentais do país, que conquistou o respeito e a admiração de todos os brasileiros.