Aparecida

114ª Romaria Arquidiocesana a Aparecida

114ª Romaria Arquidiocesana a Aparecida

No dia 3 de maio acontece a 114ª Romaria da Arquidiocese de São Paulo ao Santuário Nacional de Aparecida.

Com o tema “Virgem Mãe aparecida, velai por nossas famílias”, a Romaria irá concentrar grupos de várias paróquias e comunidades da Arquidiocese para uma celebração no Santuário com o arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, os bispos auxiliares e padres.

A missa no Santuário Nacional terá início às 10h, contudo, às 9h40, haverá um momento simbólico que marcará a presença arquidiocesana. Jovens representantes das seis  regiões episcopais da Arquidiocese entrarão com bandeiras pelos corredores da basílica em direção ao altar. O Secretariado Arquidiocesano de Pastoral convida os romeiros a levarem lenços com as cores das regiões episcopais para o momento simbólico.

No final da celebração haverá tradicional momento da entrada da imagem de nossa senhora aparecida para a oração de consagração à Padroeira do Brasil.

As pessoas devem se informar nas paróquias mais próximas sobre a formação de grupos para romaria, bem como para as inscrições.

Também foi preparado um texto para uma vigília a ser feita antes da romaria nas paróquias tanto para os romeiros, quanto para aqueles que não poderão ir, bem como para reflexão durante a viagem ou individualmente.

Baixe o subsídio da vigília

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

Os cristãos e a política

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Em Aparecida, SP, acaba de ser realizada a 52ª assembleia geral anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com a participação de cerca de  350 bispos, vindos de dioceses de todo o Brasil.

Uma extensa pauta de temas foi enfrentada, sobretudo de questões da própria Igreja Católica, além de agradecerem a Deus pela recente canonização de São José de Anchieta. Mas os bispos também refletiram sobre a situação social, política e econômica do Brasil, em vista das relações da Igreja com a sociedade e dos católicos com o ambiente em que vivem e atuam.

Em especial, a CNBB preparou e vai publicar uma reflexão sobre os desafios que os cristãos precisam encarar na sua condição de cidadãos e pessoas de fé. Quem crê, também é convidado a agir na vida social em conformidade com as convicções de sua consciência, iluminada pela fé.

O ano eleitoral oferece uma ocasião privilegiada para participar, de forma democrática, da definição dos rumos do Brasil. A mobilização popular já levou à aprovação da “lei da ficha limpa”, que afasta de candidaturas a cargos eletivos quem deu provas de falta de confiabilidade para assumir cargos de responsabilidade pública. Isso representa um avanço, mas não é suficiente.

Desde junho de 2013, o Brasil assiste a uma série de manifestações de rua, que clamam por uma política de melhor qualidade; o “discurso das ruas” pede a atenção prioritária de governantes e legisladores para as verdadeiras necessidades da população; aponta para a superação de certo modo de fazer política, feita de conchavos em função de interesses de parte, ou orientadas à perpetuação no poder – um poder que abandona o bem dos cidadãos e se torna fim em si mesmo.

Os cristãos não podem eximir-se de participar consciente e responsavelmente da promoção do bem do País. O povo gosta de esportes, mas está sinalizando que deseja mais que isso: quer ser tratado com respeito e viver com dignidade. Apesar dos esforços já feitos, ainda há muita precariedade em serviços públicos essenciais e desperdício, quando não o sumiço nos mecanismos da corrupção, de recursos que deveriam ser destinados a dar melhores condições de vida ao povo.

As condições de sofrimento, exclusão social, violência e injustiça em que vivem ainda muitos brasileiros, não condizem com a dignidade humana nem dão glória ao nome de Deus. Os cristãos, eleitores e candidatos, precisam sentir-se profundamente interpelados a desempenhar uma cidadania ativa para a definição dos rumos que o Brasil deverá trilhar, orientados, certamente, pelos princípios da justiça, da dignidade humana e da solidariedade social.

Algumas pessoas sentem reações alérgicas ao ouvirem falar em política; bem ou mal, aprenderam a identificar a política como “coisa ruim”, na qual as pessoas decentes não se metem… É grave que se tenha chegado a um descrédito popular tamanho em relação à política! E quando a palavra sobre questões políticas vem de representantes da hierarquia da Igreja, inflamam-se ânimos, sempre prontos a reivindicar que o Estado é laico e que religião e política devem permanecer separadas.

A estes últimos, vale lembrar que uma boa interpretação da laicidade do Estado resolve essa polêmica; a Igreja Católica não quer tomar o poder do Estado e também entende que o Estado seja laico, não imponha a religião a ninguém e assegure a todos a liberdade de não crer, ou de crer e de expressar publicamente as próprias convicções.

Mas não se pode pretender que os cristãos, como quaisquer outras pessoas de fé, sejam alheios à política e às causas do bem comum. Como cidadãos, e na diversidade de convicções que movem a cidadania, também eles têm o direito de falar e de agir conforme suas convicções, respeitada ordem pública válida para todos. O “Estado laico” não pode ser invocado como pretexto para a discriminação religiosa, nem para a imposição, sobre a sociedade, de um pensamento oficial e único.

O papa Francisco, na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho, 2013), fala de maneira incisiva da dimensão social da ação da Igreja (capítulo 4º). E isso não significa apenas promover obras de assistência social em favor dos desvalidos, sem dúvida necessárias: trata-se de ir às implicações  comunitárias e sociais da fé cristã: “no próprio coração do Evangelho aparece a vida comunitária e o compromisso com os outros” (nº 177).

O Evangelho de Cristo, base para a fé dos cristãos, propõe uma relação pessoal com Deus, mas também pede relações novas e coerentes com o próximo. A resposta de fé e amor a Deus, da parte do homem, “não deveria ser entendida como a mera soma de pequenos gestos pessoais em favor de alguns indivíduos necessitados, uma espécie de ‘caridade por receita’, nem também como uma série de ações destinadas apenas a apaziguar a consciência. A proposta cristã é o Reino de Deus (cf Lc 4,43); trata-se de amar a Deus, que reina no mundo. Na medida em que ele reinar entre nós, a vida social será um espaço de fraternidade, de justiça, de paz e dignidade para todos. Por isso, tanto o anúncio como a experiência cristã tendem a provocar consequências sociais” (nº 180).

Após afirmar que não se pode limitar a religião ao âmbito privado, “apenas para preparar as almas para o céu”, o Papa conclui: “ninguém pode nos exigir que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre acontecimentos que interessam aos cidadãos” (n 182). Os cristãos têm muito a contribuir para o convívio social e não devem omitir-se, nem ser impedidos de participar generosamente dessa tarefa.

113ª Romaria a Aparecida

A Arquidiocese de São Paulo convida todos a participar da 113ª Romaria a Aparecida, sob o tema “Com Mãe Aparecida, Mestra de Vida Cristã”, no dia 4 de maio, com Missa na Basílica às 10h, presidida pelo Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, e concelebrada por todos os bispos auxiliares e pelo vigário episcopal da região Ipiranga.

Os interessados devem procurar a sua paróquia para informar-se se nela está sendo organizada saída de ônibus a Aparecida. Se não, o pároco indicará a paróquia mais próxima.

Antes da Missa, terá a entrada das bandeiras das regiões. Todos os peregrinos deverão levar consigo um lenço medindo 30×30, de TNT, na cor da sua região, o qual será agitado em determinados momentos.

As seis regiões episcopais têm suas características, mas todos estão em comunhão na Casa da Mãe, e, é claro, na Arquidiocese.

A organização orienta que os peregrinos não saiam tarde de São Paulo para que não corram o risco de não conseguir estacionar os ônibus ou carros.

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

O evangelho de Aparecida

Dom Demétrio Valentini

Com a realização, em Aparecida, da V Conferência Latino Americana em 2007, e com a visita do Papa nesse ano ao Santuário Nacional, a festa de Nossa Senhora Aparecida recebeu um destaque especial. Aparecida está se tornando uma referência, não só para a Igreja no Brasil, mas também a Igreja na América Latina, com repercussões positivas em âmbito mundial.

Este destaque se deve, sobretudo, ao “relato de Aparecida”. Trata-se da narrativa dos episódios que compuseram o cenário do encontro da pequena imagem no Rio Paraíba. Estes episódios foram compondo uma espécie de nova “parábola evangélica”, feita de circunstâncias bem concretas, de início ligadas aos pobres pescadores, mas em seguida envolvendo mais pessoas, até a imagem ser reconhecida como um símbolo carregado de mensagens positivas.

Pela maneira como os fatos foram encadeados, a história de Aparecida se reveste de uma singularidade muito especial. Ela assume características bem evangélicas. Ela continua a dinâmica do Evangelho. Em suas parábolas, Cristo sabia organizar suas narrativas de modo a transmitirem a mensagem que ele queria expressar. Assim dá para reconhecer no relato de Aparecida um fio condutor, apontando para valores evangélicos bem evidentes.

Aparecida tem como fato desencadeador da interpretação religiosa, circunstâncias que fazem parte da realidade cotidiana, de consistência indiscutível. É dessas circunstâncias reais e concretas que se fez a costura de todo o episódio. Baseado, portanto, em cenas da vida real, como Cristo fazia em suas parábolas.

Neste sentido, Aparecida não parte de fatos extraordinários, que envolvem a subjetividade das pessoas, como são as “aparições”, sempre necessitadas de discernimento eclesial para serem aceitas.

Aparecida não teve nenhuma “aparição”. Sua mensagem se assenta em dados reais. O Rio Paraíba continua lá, a pequena imagem também, revestida agora do manto que expressa a respeitosa acolhida do mistério, detectado pelos simples pescadores, iluminados por sua fé.

O relato de Aparecida, se constitui, na verdade, em exemplo de como perceber a presença do mistério, nas circunstâncias cotidianas da vida. É um relato que não apela, em nenhum momento, para episódios fora da normalidade. Aparecida nos ensina a perceber a presença do mistério de Deus no cotidiano da vida.

O Papa Francisco, em sua homilia aos Bispos do Brasil, no Rio de Janeiro, fez uma exímia interpretação mística de todo o relato de Aparecida. Ele estruturou esse relato em forma de verdadeira parábola, na qual ele se permitiu ir tirando, de imediato, as lições práticas dos diversos momentos do episódio.

Desde o achado da imagem. Mesmo fragmentada, foi acolhida com respeito pelos pescadores. Em sua fé simples e profunda, souberam valorizar o pequeno símbolo imerso nas águas. Eles mesmos o recompuseram, com sua iniciativa de unir corpo e cabeça. Tiveram cuidado e carinho para com a pequena imagem assim recomposta. Eles a acolheram, protegendo-a, e cobrindo-a com um manto. Assim ela se tornou motivo de atração de outras pessoas, que passaram a se reunir em torno dela, suscitando a necessidade de erguer uma pequena capela, desencadeando o processo de ampliação e difusão de sua mensagem.

Aparecida nos ensina uma grande lição. As circunstâncias concretas de nossa vida, são matéria prima para a permanente parábola evangélica, que somos todos chamados a reescrever. Quanto mais simples forem os episódios desta parábola, mais próximos estarão do Evangelho. Pois Deus continua preferindo o caminho da simplicidade e da pobreza para ele mesmo realizar suas maravilhas, como Maria reconheceu antes de todos!

A recepção do Concílio Vaticano II no Brasil e na América Latina

Leonardo Boff

Celebramos 50 anos do Concílio Vaticano II (1962-1965). Ele representa uma ruptura do curso que a Igreja Católica vinha percorrendo por séculos. Era uma Igreja, fortaleza sitiada, defendendo-se de tudo o que vinha do mundo moderno, da ciência, da técnica e das conquistas civilizatórias como a democracia, os direitos humanos e a separação entre Igreja e Estado.

Mas uma lufada de ar fresco veio de um Papa ancião do qual nada se esperava: João XXIII (+1963). Ele abriu portas e janelas da Igreja. Disse: ela não pode ser um museu respeitável; ela tem que ser a casa de todos, arejada e agradável para se viver.

Antes de mais nada, o Concílio representou, na linguagem cunhada pelo Papa XXIII, um aggionamento, quer dizer, uma atualização e uma reconstrução de sua auto-compreensão e do tipo de presença no mundo.

Mais que sumariar os elementos principais introduzidos pelo Concílio, interessa-nos como este aggiornamento foi acolhido e traduzido pela Igreja latino-americana e pelo Brasil. A esse processo se chama de recepção que significa uma releitura e um refazimento das intuições conciliares dentro do contexto latino-americano, bem diferente daquele europeu no qual se elaboraram todos os documentos. Enfatizaremos apenas alguns pontos essenciais.

O primeiro, sem dúvida, foi a profunda mudança de atmosfera eclesial: antes predominava a “grande disciplina”, a uniformização romana e o ar sombrio e antiquado da vida eclesial. As Igrejas da América Latina, da África e da Ásia eram Igrejas-espelho daquela romana. De repente começaram a sentir-se Igrejas-fonte. Podiam se inculturizar e criar linguagens novas. Agora se irradia entusiasmo e coragem de criar.

Em segundo lugar, na América Latina se deu uma redefinição do lugar social da Igreja. O Vaticano II foi um Concílio universal mas na perspectiva dos países centrais e ricos. Ai se definiu a Igreja dentro do mundo moderno. Mas existe um sub-mundo de pobreza e de opressão. Este foi captado pela Igreja latino-americana. Esta deve se deslocar do centro humano para as periferias sub-humanas. Se aqui vigora opressão, sua missão deve ser de libertação. A inspiração veio das palavras do Papa João XXIII: “a Igreja é de todos mas principalmente quer ser uma Igreja dos pobres”.

Esta viragem se traduziu nas várias conferências episcopais latinoamericas desde Medellin (1968) até Aparecida (2007) pela opção solidária e preferencial pelos pobres, contra a pobreza. Ela se transformou na marca registrada da Igreja latino-americana e da teologia da libertação.

Em terceiro lugar, é a concretização da Igreja como Povo de Deus. O Vaticano II colocou esta categoria antes daquela da Hierarquia. Para a Igreja latinoamericana Povo de Deus não é uma metáfora; a grande maioria do povo é cristã e católica, logo é Povo de Deus, gemendo sob a opressão como outrora no Egito. Dai nasce a dimensão de libertação que a Igreja assume oficialmente em todos os documentos de Medellin (1968) até Aparecida (2007). Esta visão da Igreja-povo-de-Deus ensejou o surgimento das Comunidades Eclesiais de Base e das pastorais sociais.

Em quarto lugar, o Concílio entendeu a Palavra de Deus, contida na Bíblia como a alma da vida eclesial. Isso foi traduzido pela leitura popular da Bíblia e pelos milhares e milhares de círculos bíblicos. Neles os cristãos comparam a página da vida com a página da Bíblia e tiram conclusões práticas, na linha da comunhão, da participação e da libertação.

Em quinto lugar, o Concílio se abriu aos direitos humanos. Na América Latina foram traduzidos como direitos a partir dos pobres e por isso, antes de tudo, direito à vida, ao trabalho, à saúde e à educação. A partir daí se entendem os demais direitos, ir e vir e outros.

Em sexto lugar, o Concílio acolheu o ecumenismo entre as Igrejas cristãs. Na América latina o ecumenismo não visa tanto a convergência nas doutrinas mas a convergência nas práticas: todas as Igrejas juntas se empenham pela libertação dos oprimidos. É um ecumenismo de missão.

Por fim, dialoga com as religiões vendo nelas a presença do Espírito que chega antes do missionário e por isso devem ser respeitadas com seus valores.

Por fim cabe reconhecer: a América Latina foi o Continente onde mais se tomou a sério o Vaticano II e mais transformação trouxe, projetando a Igreja dos pobres como desafio para a Igreja universal e para todas as consciências humanitárias.

Sob o signo de Bento XVI

Dom Demétrio Valentini

A Assembleia da CNBB deste ano parece mesmo destinada a sublinhar coincidências simbólicas.

Começa pelo fato, já registrado, de ser a qüinquagésima assembléia, justo quando se comemoram os 50 anos da abertura do Concílio. Esta coincidência revela a íntima relação entre a história da CNBB e as propostas do Concílio.

Mas há outro dado curioso. O contexto da assembléia vem marcado por três aniversários do Papa Bento XVI.

Na segunda-feira dia 16 de abril, o seu aniversário natalício. O Papa já chegou aos 85 anos de idade.

No dia 19, o aniversário de sua eleição papal.

No dia 24, o aniversário do início oficial do seu pontificado, que já chega a sete anos!

Nem precisava tanto, para recordar quem sempre é lembrado com tanta insistência. Em qualquer missa, por simples que seja, sempre existe o momento de rezar pelo Papa.

Mas parece que desta vez as datas convergem, para colocar esta assembleia, que já tinha a sua marca histórica, sob o signo do Papa Bento 16. Ao longo da assembleia, os diversos aniversários serão lembrados com a menção que merecem. Só mesmo um Papa pode celebrar três aniversários numa mesma semana!

Quando foi eleito, Bento 16 explicou a escolha do seu nome, alegando que Bento 15 tivera um pontificado breve. Assim ele pressentia que o dele também seria breve, pois acabava de celebrar 78 anos de vida.

Pelo andar da carruagem, e pela saúde que Bento 16 demonstra, a sua própria expectativa de vida vem sendo relativizada. De novo se comprova que, em se tratando de idade, só estamos seguros quando falamos a posteriori, não a priori.

Ninguém se anima hoje a fazer prognósticos a respeito da duração deste pontificado. Se olhamos para a agenda dos seus compromissos já marcados, entre os quais emerge o encontro mundial com a juventude no Rio de Janeiro em julho do ano que vem, dá para perceber que todos estão convictos que a saúde do Papa está em boa forma.

No contexto dos diversos aniversários do Papa nestes dias, vale recordar o episódio dos noventa anos do Papa Leão 13. Fizeram-lhe uma festa bonita. O cardeal encarregado de saudá-lo, no seu discurso desejou ao Papa mais dez anos de vida. Ao que Leão 13 prontamente interrompeu, dizendo: “Não se pode pôr limites à Providência de Deus!”.

Se com 90 anos era para deixar de lado as especulações, menos ainda convém especular agora, por ocasião dos 85 anos de Bento 16. Sobretudo porque o seu pontificado, que já chega a sete anos, se soma ao longo pontificado de João Paulo II. Pois dada a função exercida pelo então Cardeal Ratzinger, para presidir o mais importante “dicastério” do governo pontifício, como é a “Congregação para a Doutrina da Fé”, era evidente que os cardeais identificassem nele o candidato mais conveniente para levar em frente o pontificado de João Paulo II.

Em todo o caso, esta assembléia da CNBB, já emoldurada com as referências dos 50 anos do Concílio, pelos aniversários nestes dias, fica também colocada sob o signo de Bento 16. Até que a Providência dispuser, independente das especulações que se possam fazer.

Parafraseando o ditado, dá para dizer que “o homem supõe, e Deus surpreende!”

“Beatificação de Irmã Dulce nos faz mergulhar na profundidade de nossa fé”, afirma CNBB

“A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o povo cristão exultam de alegria pelo reconhecimento por parte da Igreja Católica das virtudes da Irmã Dulce – Anjo Bom da Bahia – e por sua beatificação no próximo dia 22 de maio, em Salvador, sua terra natal”. Essas são algumas palavras do texto divulgado pelos bispos participantes da 49ª Assembleia Geral da CNBB, em homenagem a beatificação de Irmã Dulce.

Segundo os bispos, Deus chamou a jovem Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes para um serviço especial junto ao seu povo, os baianos, em particular “os pobres, os doentes, também pessoas rejeitadas por serem portadoras de necessidades especiais. Deixando tudo, tornou-se religiosa na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus e designada para um serviço em sua cidade”.

A nota dos bispos destaca a espiritualidade de Irmã Dulce e a sua devoção por Nossa Senhora. “Sua espiritualidade era nutrida pela Eucaristia, oração, Palavra de Deus, e devoção a Nossa Senhora. A confiança na Providência Divina que se lhe manifestava em diversas ocasiões e, muitas vezes, de forma surpreendente, nunca lhe trazia constrangimento em estender as mãos para pedir ajuda a fim de saciar a fome de pão e saúde aos que a procuravam e a encorajava para seguir adiante vendo em cada sofredor o próprio Cristo Jesus.

Os bispos destacam também a escolha feita pelo papa Bento XVI na beatificação da Irmã baiana. “O papa Bento XVI, ao fazer o reconhecimento das virtudes da Irmã Dulce, nos exorta a assumirmos nossa fé, em gestos concretos, ‘para que todos tenham vida e vida em abundância’ (Jô 10,10).

Beatificação

O papa Bento XVI assinou o decreto que conclui o processo de beatificação de Irmã Dulce no dia 10 de dezembro de 2010. Irmã Dulce é a primeira baiana a tornar-se beata e agora está a um passo da canonização. O título de santa só poderá ser conferido após a comprovação de mais um milagre intercedido pela religiosa e reconhecido pelo Vaticano.

A causa da beatificação de Irmã Dulce foi iniciada em janeiro do ano 2000 por dom Geraldo Majella, bispo emérito de Salvador. Desde junho de 2001, o processo tramitava na Congregação das Causas dos Santos do Vaticano.