caridade

Angelus: não devemos reduzir o Reino de Deus a uma ‘igrejinha’

Domingo é dia de Oração Mariana. O Papa Francisco, da janela do seu escritório, dirigiu-se à Praça São Pedro lotada de fiéis e peregrinos, e falou de fazer Igreja num sentido amplo e para todos. Nada de fazer ‘igrejinhas’, de modo particular.

O Pontífice começou o Angelus lembrando do Evangelho de Mateus deste domingo, quando Jesus fala da resposta que vem dada ao convite de Deus, representado por um rei, para participar de uma festa de casamento. Um convite que tem três características fundamentais: a gratuidade, a amplidão e a universalidade.

Os convidados são tantos, continua o Papa, mas acontece alguma coisa de surpreendente: nenhum dos escolhidos aceita participar da festa, “pois tem algo a fazer. Na verdade, alguns demonstram indiferença, estranheza e até chateação. Deus é bom conosco, nos oferece gratuitamente a sua amizade, a sua alegria, a salvação, mas, tantas vezes, não acolhemos os seus donos, colocamos em primeiro lugar as nossas preocupações materiais, os nossos interesses.” Alguns convidados, continua o Pontífice, até mesmo maltratam e matam os servos que levam o convite. Mas, não obstante a falta de adesão aos chamados, o projeto de Deus não se interrompe.

“Diante da recusa dos primeiros convidados, Ele não desanima, não suspende a festa, mas repropõe o convite, ampliando, além do limite racional, e envia os seus servos nas praças e nas encruzilhadas das estradas para juntar aqueles que encontram. Trata-se de pessoas normais, pobres, abandonados e deserdados, até mesmo, bons e ruins – até os ruins são convidados -, sem distinção. E a sala se enche de ‘excluídos’. O Evangelho encontra uma acolhida inesperada em tantos outros corações.”

A qualquer um, afirma o Papa Francisco, “se dá a possibilidade de responder” ao convite de Deus. E vice-versa, “nenhum, tem o direito de se sentir privilegiado ou de reivindicar um convite exclusivo”: “Tudo isso nos induz a vencer o hábito de nos colocarmos comodamente no centro, come faziam os chefes dos sacerdotes e os fariseus. Isso não se deve fazer: nós precisamos nos abrir às periferias, reconhecendo que até quem está nas margens, até mesmo aquele que é rejeitado e desprezado da sociedade é objeto da generosidade de Deus.”

E ter uma generosidade como aquela de Deus, que chega a enxergar quem normalmente é invisível, impede, insiste o Papa, de insistir num outro tipo de erro:

“Todos somos chamados a não reduzir o Reino de Deus aos limites da ‘igrejinha’: a nossa ‘igrejinha’… Não serve isso! Mas a dilatar a Igreja às dimensões do Reino de Deus. Somente uma condição: vestir o vestido de noiva, isto é, testemunhar a caridade concreta a Deus e ao próximo.” (AC)

Fonte: News.Va

Papa recorda o Dia Mundial do Enfermo

Nesta terça-feira, 11 de fevereiro é celebrado o Dia Mundial do Enfermo. No domingo, 9, após recitar a Oração Mariana do Angelus, na Praça de São Pedro, acompanhado por milhares de peregrinos, o papa Francisco manifestou acolhida aos doentes e seus familiares.

O papa disse que este é o momento oportuno “para se colocar no centro da comunidade as pessoas doentes. Rezar com, e por elas, estar próximo a elas” e explicou que “a mensagem para este dia foi inspirada numa expressão de São João: ‘Fé e Caridade: também nós devemos dar a vida pelos irmãos’ (1 Jo3,16).

A seguir, Francisco convidou a todos a imitar o comportamento de Jesus para com os doentes de todo o tipo. “O Senhor cuida de todos – disse – partilha o seu sofrimento e abre o coração à esperança”. Na oportunidade, ele dirigiu uma palavra aos profissionais que atuam na saúde.

“Penso também a todos os profissionais da saúde. Que trabalho precioso que fazem! Muito obrigado pelo vosso precioso trabalho. Eles encontram todos os dias nos doentes não somente corpos marcados pela fragilidade, mas pessoas, às quais oferecem atenção e respostas adequadas. A dignidade da pessoa humana não se reduz nunca às suas faculdades ou capacidades e não diminui quando a pessoa está debilitada, inválida e necessitada de ajuda”, disse o papa.

O papa também dirigiu-se as famílias que têm pessoas doentes em suas casas e que muitas vezes passam por situações difíceis. “Tantos me escrevem e hoje gostaria de assegurar a minha oração para todas estas famílias e digo a elas: não tenham medo da fragilidade! Não tenham medo da fragilidade! Ajudai-vos uns aos outros com amor e sentireis a presença consoladora de Deus”.

Confira a mensagem para o Dia Mundial do Enfermo:

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O XXII DIA MUNDIAL DO DOENTE 2014

Fé e caridade: «Também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos»
(1 Jo 3, 16)

Amados irmãos e irmãs!

1. Por ocasião do XXII Dia Mundial do Doente, que este ano tem como tema Fé e caridade: também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16), dirijo-me de modo particular às pessoas doentes e a quantos lhes prestam assistência e cura. A Igreja reconhece em vós, queridos doentes, uma presença especial de Cristo sofredor. É assim: ao lado, aliás, dentro do nosso sofrimento está o de Jesus, que carrega conosco o seu peso e revela o seu sentido. Quando o Filho de Deus subiu à cruz destruiu a solidão do sofrimento e iluminou a sua escuridão. Desta forma somos postos diante do mistério do amor de Deus por nós, que nos infunde esperança e coragem: esperança, porque no desígnio de amor de Deus também a noite do sofrimento se abre à luz pascal; e coragem, para enfrentar qualquer adversidade em sua companhia, unidos a Ele.

2. O Filho de Deus feito homem não privou a experiência humana da doença e do sofrimento mas, assumindo-os em si, transformou-os e reduziu-os. Reduzidas porque já não têm a última palavra, que é ao contrário a vida nova em plenitude; transformados, porque em união com Cristo, de negativas podem tornar-se positivas. Jesus é o caminho, e com o seu Espírito podemos segui-lo. Como o Pai doou o Filho por amor, e o Filho se doou a si mesmo pelo mesmo amor, também nós podemos amar os outros como Deus nos amou, dando a vida pelos irmãos. A fé no Deus bom torna-se bondade, a fé em Cristo Crucificado torna-se força para amar até ao fim também os inimigos. A prova da fé autêntica em Cristo é o dom de si, o difundir-se do amor ao próximo, sobretudo por quem não o merece, por quantos sofrem, por quem é marginalizado.

3. Em virtude do Baptismo e da Confirmação somos chamados a conformar-nos com Cristo, Bom Samaritano de todos os sofredores. «Nisto conhecemos o amor: no facto de que Ele deu a sua vida por nós; portanto, também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16). Quando nos aproximamos com ternura daqueles que precisam de cura, levamos a esperança e o sorriso de Deus às contradições do mundo. Quando a dedicação generosa aos demais se torna estilo das nossas ações, damos lugar ao Coração de Cristo e por Ele somos aquecidos, oferecendo assim a nossa contribuição para o advento do Reino de Deus.

4. Para crescer na ternura, na caridade respeitadora e delicada, temos um modelo cristão para o qual dirigir o olhar com segurança. É a Mãe de Jesus e nossa Mãe, atenta à voz de Deus e às necessidades e dificuldades dos seus filhos. Maria, estimulada pela misericórdia divina que nela se faz carne, esquece-se de si mesma e encaminha-se à pressa da Galileia para a Judeia a fim de encontrar e ajudar a sua prima Isabel; intercede junto do seu Filho nas bodas de Caná, quando falta o vinho da festa; leva no seu coração, ao longo da peregrinação da vida, as palavras do velho Simeão que lhe prenunciam uma espada que trespassará a sua alma, e com fortaleza permanece aos pés da Cruz de Jesus. Ela sabe como se percorre este caminho e por isso é a Mãe de todos os doentes e sofredores. A ela podemos recorrer confiantes com devoção filial, certos de que nos assistirá e não nos abandonará. É a Mãe do Crucificado Ressuscitado: permanece ao lado das nossas cruzes e acompanha-nos no caminho rumo à ressurreição e à vida plena.

5. São João, o discípulo que estava com Maria aos pés da Cruz, faz-nos ir às nascentes da fé e da caridade, ao coração de Deus que «é amor» (1 Jo 4, 8.16), e recorda-nos que não podemos amar a Deus se não amarmos os irmãos. Quem está aos pés da Cruz com Maria, aprende a amar como Jesus. A Cruz «é a certeza do amor fiel de Deus por nós. Um amor tão grande que entra no nosso pecado e o perdoa, entra no nosso sofrimento e nos confere a força para o carregar, entra também na morte para a vencer e nos salvar… A Cruz de Cristo convida-nos também a deixar-nos contagiar por este amor, ensina-nos a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo para quem sofre, para quem tem necessidade de ajuda» (Via-Sacra com os jovens, Rio de Janeiro, 26 de Julho de 2013).

Confio este XXII Dia Mundial do Doente à intercessão de Maria, para que ajude as pessoas doentes a viver o próprio sofrimento em comunhão com Jesus Cristo, e ampare quantos deles se ocupam. A todos, doentes, agentes no campo da saúde e voluntários, concedo de coração a Bênção Apostólica.

Vaticano, 6 de Dezembro de 2013.

Fonte: CNBB

Papa Francisco lança primeira Encíclica: Lumen Fidei (A Luz da Fé)

Caríssimos e caríssimas,

Acabo de chegar de Roma, onde participei de várias reuniões. E, apenas de volta, tenho a alegria de lhes remeter o texto da 1ª Encíclica do Papa Francisco: Lumen fidei (A Luz da Fé): o próprio Papa Francisco já havia dito que ela seria escrita “a quatro mãos”, pois Bento XVI a tinha deixado encaminhada antes de renunciar. Era sabido que Bento XVI queria escrever uma encíclica também sobre a fé, depois das que escreveu sobre a caridade (Deus Caritas est) e sobre a esperança (Spe salvi). Mas coube ao Papa Francisco nos presentear com esse texto belo e importante sobre a fé, justo no Ano da Fé! Desejo a todos que o leiam com alegria e gratidão.

É um motivo a mais para que vivamos intensamente nossa fé e a renovemos ao longo deste Ano da Fé. Teremos, a partir de agosto, vários momentos especiais para fazê-lo, sobretudo com as peregrinações que serão feitas para a Catedral Metropolitana, onde se fará a renovação pública e solene da profissão de fé em vários grupos, conforme já foi divulgado na Carta Pastoral que lhes escrevi (“Senhor, aumentai a nossa fé!”).

Que Deus nos dê a graça de uma fé firme e perseverante, de uma esperança alegre e de uma caridade operosa!

E que a Semana Missionária, que está às portas, seja por todos vivida e aproveitada como uma graça de Deus em nossa Arquidiocese. Teremos jovens representantes de 58 países diversos, hospedados em nossas paróquias, colégios, conventos e, sobretudo, nas casas das famílias. Deus abençoe a todos!

Card. Dom Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo

Leia a versão em português de Portugal da 1ª Encíclica do Papa Francisco: Lumen fidei (A Luz da Fé):

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Organizar a caridade

Dom Demétrio Valentini
Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira até novembro de 2011
Adital

Acaba de ser publicado um importante documento do Papa Bento 16. Trata do serviço da caridade, que é indispensável para a Igreja cumprir a missão recebida de Cristo, e confiada aos Apóstolos.

O documento leva o nome de “Íntima Ecclesiae Natura”, expressão tirada da primeira encíclica do seu pontificado, sobre a Caridade, com o título de “Deus Cáritas est”.

As palavras usadas, “íntima natureza da Igreja”, sinalizam a centralidade do assunto abordado agora pelo Papa em forma de “Motu Próprio”, que desta vez traz o caráter bem claro de “legislação” específica, que a partir de agora vai regular a prática comunitária da caridade por parte da Igreja em suas diversas instâncias, especialmente em âmbito de Igreja Local.

A propósito das responsabilidades do Bispo Diocesano, o documento do Papa, amparado na Encíclica “Deus Cáritas est”, observa que a prática da caridade é um dos elementos constitutivos da vida da Igreja. Junto com o anúncio da Palavra e a celebração dos Sacramentos, não pode faltar em cada Diocese um serviço organizado da caridade.

Na medida em que este serviço, por necessidades administrativas, e por exigências de cada país, assumir forma jurídica, de entidade concreta, esta forma jurídica deve expressar claramente a índole eclesial destas instituições de caridade.

Desta disposição, regulada agora por este Decreto do Papa, vai resultar uma dupla consequência.

De um lado, as entidades caritativas que querem se apresentar como vinculadas oficialmente à Igreja, precisam “vestir a camisa” da Igreja, colocando seus estatutos em sintonia com o Direito Canônico, que regula os relacionamentos oficiais dentro da Igreja.

Por outro lado, as entidades que se dispõem a integrar a ação caritativa oficial da Igreja deverão contar com o apoio explícito e efetivo das Dioceses. Pois, para cumprir um dever que lhes é constitutivo, as dioceses saberão apoiar as entidades que em nome da Igreja procuram cumprir esta obrigação.

A legislação, decretada agora por este Motu Próprio, a entrar em vigor a partir do próximo dia 10 deste mês de dezembro de 2012, estabelece que o bispo deve incentivar as paróquias, para que todas tenham o serviço oficial da caridade, a ser assumido em forma de “Cáritas Paroquial”. Onde se mostrar conveniente, a Cáritas Paroquial pode ser assumida por diversas paróquias em conjunto.

Olhando a trajetória da Cáritas Brasileira, ao longo dos seus quase sessenta anos de atuação no Brasil, ela sempre primou em estar em sintonia com a CNBB, ao serviço da qual ela sempre se colocou, como entidade estatutariamente identificada com a Igreja, e pronta a colaborar para que a Igreja expresse sua natureza íntima pela prática da caridade, como agora recomenda Bento 16.

Talvez se façam necessários alguns ajustes estatutários, que de resto a Cáritas Brasileira sempre esteve pronta a fazer, na medida das necessidades e das conveniências.

Diante da normatização da prática comunitária da caridade, que o Papa Bento 16 acaba de fazer com este decreto, com toda a certeza a Cáritas Brasileira se colocará à disposição da CNBB, para com ela empreender os ajustes legais necessários.

O importante é que se pratique a caridade, e que por ela expressemos a natureza íntima de Deus, pois “Deus Cáritas est”, e expressemos também a missão da Igreja, que não pode prescindir da prática da caridade como missão que lhe foi confiada por Cristo.

Inverno: desafio à solidariedade com os moradores de rua

A prefeitura de São Paulo calcula que existem quase 15 mil pessoas vivendo nas ruas, uma situação que se agrava com a chegada do inverno. Grupos e entidades realizam ações de solidariedade, mas é preciso mais do que doar um agasalho ou cobertor. Veja a reportagem da TV Canção Nova:

Assista também à entrevista do Pe. Julio sobre o assunto:

Seja solidário

Participe da “vaquinha” promovida pelo jornalista André Graziano, da nossa comunidade. Essa ação pretende arrecadar R$ 3 mil em apoio ao povo da rua. Acesse http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=147160

A harmonia em Francisco de Assis

Pe Geovane Saraiva

São Francisco só viveu quarenta e quatro anos, de 1182 a 1226, mas foi o suficiente para anunciar o Evangelho em harmonia com todas as realidades existentes, começando com a própria natureza, levando a todos e a tudo uma mensagem de paz. Por isso ele é respeitado em todas as religiões, pelo seu jeito de viver, totalmente encarnado e identificado com Nosso Senhor Jesus Cristo, como o arauto da paz verdadeira e duradoura. Daí a belíssima oração atribuída ao pobrezinho de Assis: “Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz…”.

Francisco de Assis, quando jovem, sonhou com a glória militar, chegando a participar de uma guerra entre as cidades de Assis e Perúgia, mas não obtendo nenhum sucesso, a ponto pegar uma dura prisão, por um ano. Ao iniciar uma nova aventura militar, passa por uma crise de consciência, a ponto de ser questionado profundamente quanto à ação militar. Voltou para sua terra natal e, aos poucos, foi amadurecendo nele uma radical conversão.

Deus o chamava a dizer: não as vaidades do mundo, não a glória militar, não a ambição do comércio. Mas sim a imitação radical da pobreza de Cristo. Francisco de Assis foi tão profundo em viver o exercício da caridade, nos pobres, fazendo um firme propósito de nunca negar-lhes um auxílio ou esmola. Não tendo nada, mas nada mesmo para oferecer a um mendigo, tirou o seu manto novo e o trocou pelo manto esfarrapado daquele pobre mendigo.

Dois anos antes de morrer, com sua vontade louca de assemelhar-se ao Cristo, Deus entrou na sua vida de modo ainda mais profundo, através da chagas, ficando impresso no seu corpo os sinais da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, totalmente identificado com “Servo Sofredor” – “Não sei se eras Francisco ou se Cristo eras”.

O Santo de Assis acolheu sua missão, ao abraçar o mistério da cruz, numa demonstração de coragem e de fé inabalável. Aceitou tudo por amor, canalizando dentro da virtude da humildade, com a clara consciência de que todas as graças concedidas pelo o Espírito Santo de Deus, a mais preciosa é a renúncia.

Francisco de Assis foi a figura humana mais importante e atraente do milênio que passou, conhecido em todo planeta. E é precisamente a partir dele que a fé passou a ser vivida de um modo diferente, porque ele foi ao extremo, foi às raízes.

No Cântico das Criaturas vemos um Francisco de Assis amando e respeitando a criatura humana e, ao mesmo tempo, protegendo os animais e plantas, chamando-os com a maior ternura, de irmãos e irmãs. Para ele, também a chuva, o vento e o fogo deveriam ser carinhosamente respeitados como irmãos.

27 de Setembro, São Vicente de Paulo!

Aos Domingos a memória dos santos é suprimida, mas hoje não podemos deixar de lembrar um gigante da caridade e amor aos empobrecidos, doentes e idosos o magnifíco São Vicente de Paulo.

Por ser o seu dia, hoje é o Dia Internacional do Idoso!

São Vicente foi ordenado padre aos 19 anos de idade e numa viagem de barco foi feito prisioneiro e vendido como escravo , porém conseguiu escapar.

Tornou-se grande defensor dos esquecidos e campeão da caridade para com os abandonados, protetor dos doentes e empestiados condenados a morrer emparedados e fechados em suas casas sem comida, sem água e remédios, São Vicente vai buscá-los com coragem e libertá-los para que não morressem de maneira cruel e desumana, enfrenta apedrejamento e insultos, o tratam como louco e radical.

Consegue o respeito e admiração de muitos, não busca nada para si, mas para as multidões abandonadas e esquecidas, acolhe crianças e idosos, forma grupos religiosos para educá-los e protegê-los.

Com Santa Luiza de Marilac funda a congregação das Filhas da Caridade. Até hoje espalhadas por todo o mundo fazendo o bem de maneira heróica e admirável!

São Vicente faleceu a 27 de setembro de 1660, sendo canonizado em 1737.

São Vicente de Paulo, rogai por nós!

Tereza de Calcutá: missionária do amor de Deus

Gilda Carvalho

Ao nascer, em 26 de agosto de 1910, Madre Tereza de Calcutá recebeu o nome de Agnes Gonxha Bojaxhiu. Filha de pais albaneses, Madre Tereza viveu na sua Macedônia natal até decidir, ainda na juventude, entrar para o convento, na congregação das Irmãs do Loreto. Lá, em devoção à santa Terezinha do Menino Jesus, assumirá o nome de Tereza. Após fazer seus votos, é enviada à Índia, onde passará a residir e de cujo povo sofrido irá se tornar a mãe.

Um dia, no trem que a levaria a uma cidade no Himalaia, ouviu o chamado de Deus, que lhe pedia para estar junto aos pobres, vivendo e cuidando deles na rua. Abandona, então, o claustro do convento e só vai seguir a missão que o Senhor lhe confiara. Logo começam a se achegar outras jovens, desejosas de também servir a Deus, através do cuidado com os mais pobres e, em 1950, Madre Tereza funda a Congregação das Missionárias da Caridade, que logo estaria difundida por todo o mundo.

Madre Tereza percorreu inúmeros países, foi recebida por chefes de Estado, reis e rainhas, recebeu o Prêmio Nobel da Paz, mas nunca deixou de lado o trabalho árduo junto àqueles que mais necessitavam. Morreu em 05 de setembro de 1997, de ataque cardíaco, e um ano depois, foi beatificada pelo Papa João Paulo II.

Sua figura frágil, coberta pelo hábito branco típico das Missionárias da Caridade, toma uma dimensão avassaladora quando se descobre o potencial de trabalho daquela mulher. Madre Tereza fez uma opção radical, que a levou para longe do fausto e da segurança da família e do convento, mas viveu na plenitude a opção de Jesus Cristo pelo mais simples e pelo mais pobre. Inúmeros relatos são feitos sobre o impacto que pessoas das mais diversas procedências sofreram ao se encontrar com a Madre. Outros tantos, são aqueles que falam de sua profunda comunhão com Deus, de sua incapacidade de tomar decisões – das mais simples às mais difíceis – sem antes consultá-Lo em oração. Madre Tereza é, sem dúvida, uma mística que viveu na concretude do trabalho diário o encontro com seu Senhor.

Muitas frases lhe são atribuídas. Uma, porém, marca a reflexão aqui proposta. Madre Tereza disse certa vez, que não poderíamos deixar que ninguém saísse de nossa presença sem se sentir melhor ou mais feliz. E continuava, nessa mesma ocasião ou em outra, mas que complementa o dito acima, dizendo que cada um de nós era, muitas vezes, o Evangelho lido pelo nosso próximo.

Ora, se somos o Evangelho que nosso próximo lê, o que estamos lhe dizendo, com nossas palavras, com nossas obras? Qual o real testemunho que damos de nossa comunhão com Cristo. Ao olhar a vida e a obra de Madre Tereza é possível identificar as letras da parábola do Samaritano contada por Jesus aos seus discípulos, ou as Bem-Aventuranças pregadas pelo Mestre, ou ainda, ouvimos Sua própria voz pregar a compaixão pelos pobres, as palavras de ordem para que os milagres acontecessem.

Madre Tereza viveu a intensa alegria daqueles que vivem a santidade já em vida: unida ao Seu Senhor, contemplando-O onde Ele anunciara que estaria – na face do excluído, do mais pobre, do mais oprimido, do que sofre. Possamos também ali encontrá-Lo.

Jejum: uma prática em desuso?

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Dizem que, enquanto um terço da humanidade passa fome, há pelo menos outro terço que come mais do que o necessário e sofre de obesidade. E há outra expressiva quantidade de pessoas que vive de dieta, fazendo regime para emagrecer, correndo atrás da última dieta para adquirir o corpinho das modelos que vê na televisão. Sem falar no outro grupo de pessoas que adoece e morre de anorexia.

Por outro lado, há uma prática que muitos crêem estar em desuso, mas que na realidade é praticada por mais gente do que se imagina. Trata-se do jejum, praticado por motivos religiosos, sobretudo, mas também éticos e políticos.

Qual o sentido de jejum? O dicionário nos ajuda com algumas definições: abstinência ou abstenção total ou parcial de alimentação em determinados dias, por penitência ou prescrição religiosa ou médica; privação ou abstenção de alguma coisa.

Dentro de certas escolas filosóficas greco-romanas e fraternidades religiosas jejuar, como um aspecto de ascese, foi aproximado à convicção de que a humanidade tinha experimentado um estado primordial de perfeição que foi perdida por uma transgressão original. Por várias práticas ascéticas como jejuar, praticar a pobreza voluntária e a penitência, o indivíduo poderia ser restabelecido a um estado onde a comunicação e a união com o divino foram tornadas possíveis novamente.

Conseqüentemente, em várias tradições religiosas, um retorno a um estado primordial de inocência ou felicidade ativou várias práticas de ascese julgadas necessárias ou vantajosas, provocando tal retorno. Para tal se agrupa a suposição subjacente básica de que aquele jejum era de algum modo propício para iniciar ou manter contato com Deus. Em alguns grupos religiosos (por exemplo, Judaísmo, Cristianismo e Islã) jejuar gradualmente se tornou um modo de expressar devoção e adoração a um ser divino específico.

Além da suposição subjacente básica de que jejuar é uma preparação essencial para revelação divina ou para algum tipo de comunhão com o transcendente ou o sobrenatural, muitas culturas acreditam que o jejum é um prelúdio em tempos importantes na vida de uma pessoa. Purifica ou prepara a pessoa (ou grupo) para maior receptividade em comunhão com o espiritual.

Dentro da tradição judaica um só dia de jejum foi imposto pela lei de Moisés, o Yom Kippur, o Dia do Perdão (Lv. 16:29-34), mas foram acrescentados quatro dias adicionais depois do exílio babilônico (Zac. 8:19) a fim de fazer memória de desastres que tinham acontecido. As escrituras judaicas fixaram o jejum dentro do contexto da vigilância no serviço de Yahveh (por exemplo, Lv. 16:29ff.; Jz. 20:26), e foi considerado elemento importante como um preliminar para profecia (por exemplo, Moisés jejuou quarenta dias no Sinai; Elias jejuou quarenta dias quando foi ao Horeb).

No entanto, a Bíblia também entende o jejum em outra chave de leitura: a prática da justiça e a solidariedade com os oprimidos. O profeta Isaías, em seu capítulo 58, 3-10 diz:

De que nos serve jejuar, se tu não vês,
humilhar-nos, se não ficas sabendo?
Ora, no dia do vosso jejum, sabeis fazer bom negócio e brutalizais todos os que por vós labutam.
Jejuais, mas procurando contenda e disputa e golpeando maldosamente com o punho!
Não jejuais como convém num dia
em que quereis fazer ouvir no alto a vossa voz.
Deve ser assim, o jejum que eu prefiro,
o dia em que o homem se humilha?
Trata-se por acaso de curvar a cabeça como um junco, de exibir na liteira saco e cinza?
É para isto que tu proclamas um jejum,
um dia favorável junto ao Senhor?
O jejum que eu prefiro, acaso não é este:
desatar os laços provenientes da maldade, desamarrar as correias do jugo, dar liberdade aos que estavam curvados, em suma, que despedaceis todos os jugos?
Não é partilhar o teu pão com o faminto?
E ainda: os pobres sem abrigo, tu os albergarás; se vires alguém nu, cobri-lo-ás:
diante daquele que é a tua própria carne, não te recusarás.
Então a tua luz despontará como a aurora, e o teu restabelecimento se realizará o bem depressa.
Tua justiça caminhará diante de ti
e a glória do Senhor será a tua retaguarda.
Então tu clamarás e o Senhor responderá, tu chamarás e ele dirá: Aqui estou!
Se eliminares de tua casa o jugo,
o dedo acusador o , a palavra maléfica,
se cederes ao faminto o teu próprio bocado, e se aliviares a garganta do humilhado, tua luz se levantará nas trevas, tua escuridão será como o meio-dia.

Assim como o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, Jesus de Nazaré também relativiza o jejum formal (Mt. 6:16-6:18). E justamente porque o primordial é a prática da caridade. Vários textos neo-testamentários o demonstram (cf. Mt 6, 16-18), ao mesmo tempo em que afirmam que o dar de comer a quem tem fome não somente é o centro da mensagem evangélica, mas é critério fundamental para a salvação (cf. Mt 25, 36 ss).

Esta síntese cristã da prática ascética do jejum não desapareceu da espiritualidade cristã. Pelo contrário; tornou-se a prática ascética favorita dos monges do deserto. Homens e mulheres viram isto como uma medida necessária para livrar a alma dos apegos mundanos. A própria tradição cristã fixou e desenvolveu gradualmente jejuns sazonais, ou seja, próprios a uma determinada época do ano litúrgico.

Nos tempos que correm, onde o consumo é estimulado até o paroxismo, onde as ânsias viscerais e os frenesis possuidores se multiplicam, há vários jejuns que, se praticados nos farão imenso bem. E refiro-me aqui não somente ao jejum alimentar. Mas ao jejum dos vícios vários, legais ou ilegais, quais sejam: o álcool, o fumo, a internet em quantidade desordenada e excessiva, o jogo, o consumo desenfreado. E tantos, tantos outros. Neste movimento de despojamento que o jejum dos impulsos vários que nossa ânsia consumista inventa e estimula, estaremos mais livres para receber e perceber as graças que Deus nos dá e as necessidades e dores que o irmão sofre.

Que um jejum sensato e criativo não seja uma prática em desuso para nós. Eis um saudável testemunho a dar neste início de milênio.

Oração do Matuto

Dia desses minha amiga poeta Fátima Irene Pinto foi, ela e sua sensibilidade, rezar numa daquelas igrejas que tanto abençoam as Minas Gerais. Antes que se dirigisse a Deus, ela ouviu um matuto em sua prece. Fátima silenciou. Ouviu calada, ouvidos pregados em cada palavra daquele homem simples. Ele dizia assim:

“Ói Deus, / nóis tá sempre pedindo as coisas pro Sinhô. / Nóis pede dinhero / nóis pede trabaio / nóis pede pra chovê / e se chove demais / nóis pede pra pará / mode a coiêita num afetá. // Nóis pede amô / nóis pede pra casá / pede casa pra morá / nóis pede saúde / nóis pede proteção / nóis pede paiz / nóis pede pra dislindá os nó / quano as coisa cumprica, / mode a vida corrê mió. // Quano a coisa aperta nóis reza / pedindo tudo que farta / é uma pidição sem fim / e quano as coisa dá certo / nóis vai na igreja mais perto / e no pé de argum santo / que seja de devoção / nóis dexa sempre uns merréis / e lá nos cofre da frente / nóis coloca mais uns tostão. // Mais hoje Meu Sinhô / bateu uma coisa isquisita / e eu me puis a matutá / nóis pede, pede, pede / mas nóis nunca pregunta / comé que o Sinhô tá / se tá triste ou contente / se percisa darguma coisa / que a gente possa ajudá / e por esse esquecimento / o Sinhô há de adescurpá. // Ói Deus, nóis sempre pensa / que o Sinhô não percisa de nada / mais tarvêz não seja assim / tarvêz o Sinhô percisa de mim / Sim … o Sinhô percisa, sim / percisa da minha bondade / percisa da minha alegria / percisa da minha caridade / no trato c’os meus irmão. // Nóis semo o seu espêio / nóis semo a sua Criação / nóis num pode fazê feio / nem ficá fazendo rodeio / mode desapontá o Sinhô / nem amargá o seu sonho / que foi um sonho de amô / quano essa terra todinha criô. // Ói Deus, eu prometo / vo rezá de outro jeito / vo pará com a pidição / e trocá milagre por tostão / tarvez inté eu peça uma graça / mas antes eu vo vê direitinho / o que é que andei fazendo de bão / e se nada de bão encontrá / muito vo me envergonhá / e ainda vo pedí perdão”.

Para a minha amiga só restou manter o silêncio, quebrado por um “Amém” que lhe fugiu da garganta sem pedir licença nem fazer cerimônia.

Rubens Marchioni – [email protected]