ambiente

Campanha da Fraternidade 2016: “Casa Comum, nossa responsabilidade”

A CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – e o CONIC – Conselho Nacional das Igrejas Cristãs – lançam nesta quarta-feira de cinzas a Campanha da Fraternidade, convidando os cristãos a refletir durante a Quaresma sobre as questões de saneamento básico, desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida dos cidadãos. Este ano, a CF é ecumênica e conta ainda com a parceria da Misereor, da Alemanha. Tem como tema “Casa Comum, nossa responsabilidade” e lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5.24).

Assista também à chamada da Campanha da Fraternidade 2016.

E leia a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma.

É hora de mudar! Conheça a Cúpula dos Povos na Rio+20

A cidade do Rio de Janeiro recebe em junho representantes de vários países do mundo para a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O evento acontece 20 anos depois da Rio 92, encontro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.

Em paralelo ao evento oficial, a sociedade civil realiza entre os dias 15 e 23 de junho a Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, que pretende “transformar o momento numa oportunidade para tratar dos graves problemas enfrentados pela humanidade e demonstrar a força política dos povos organizados”.

O tema da Cúpula é Venha reinventar o mundo, um chamado à participação para as organizações e movimentos sociais do Brasil e do mundo. Veja mais detalhes no vídeo produzido pelo Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social e pela Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Justiça, da Caridade e da Paz – CNBB:

Para saber mais, visite o site oficial da Cúpula dos Povos (cupuladospovos.org.br) e leia o documento “O que está em jogo na Rio+20

Conheça também a página no Facebook.

Água, o futuro e dois tipos de esperança

Jung Mo Sung

Dia 22 de março foi o “Dia Mundial da Água”, criado pela ONU para que o mundo tome consciência e faça algo para evitar um grande desastre que poderá cair sobre a humanidade com a escassez de água potável no mundo.

Todos, ou quase todos, já viram ou ouviram falar do que pode acontecer se continuarmos desperdiçando um bem tão vital como água potável. Mas, parece que apenas um número relativamente pequeno está levando esse problema a sério. Por que será isso?

Muitos dos que estão engajados na campanha pela preservação de recursos naturais escassos, como água, parecem pressupor que as pessoas não se “conscientizaram” só porque ainda não conhecem suficientemente o problema. Assim, a contramedida seria falar mais, “conscientizar” mais. É claro que há muitos que ainda não conhecem esse problema, mas eu suspeito que haja outros fatores que levam pessoas que já conhecem, já tomaram consciência do problema da água, a viverem como se nada de grave fosse acontecer no futuro.

Deixe-me dar um exemplo do cotidiano para explicar melhor o que quero dizer. Quando algum conhecido nosso enfrenta um problema grave de saúde, nós costumamos encorajá-lo dizendo que “tudo vai ficar bem”. E isso é importante porque sem esperança a pessoa não encontra força para lutar contra a enfermidade ou para enfrentar os efeitos colaterais do tratamento. Essa expressão “tudo vai ficar bem” revela uma confiança de que há um ser superior dirigindo as nossas vidas. E, se ao final, a pessoa morre, dizemos aos seus entes queridos que ela foi para um lugar melhor. Isto é, “tudo vai ficar bem”, mesmo após a morte.

Esse tipo de “esperança” aparece também em algumas visões sobre a história da humanidade e do universo/criação. Há grupos – alguns ligados a eco-espiritualidade – que dizem que há um Deus bom e providencial guiando todo o universo. Todo o universo estaria prenhe do Espírito divino. E por isso a história da humanidade e de todo o universo caminha para um ponto de plenitude, e o bem vencerá o mal. É uma visão ampliada do “tudo vai ficar bem”.

Se “tudo vai acabar bem”, por que deveríamos levar a sério a ameaça de um futuro sombrio para humanidade por conta do desperdício da água potável? Quem compartilha dessa esperança “sabe” que Deus dará um jeito para resolver o problema no futuro. A esperança por detrás do “tudo vai acabar bem” é um tipo de esperança que pode conduzir a uma catástrofe. É um tipo de esperança que H. Hannoun chamou de “esperança expectante”, que apenas espera.

Há, especialmente entre cristãos mais fundamentalistas, um outro tipo de esperança que leva as pessoas a não fazer nada diante do desafio. É a esperança “apocalíptica” fundamentalista de que o mundo só terá jeito após a volta de Jesus, e essa volta será precedida por grandes catástrofes. Neste sentido, a crise da água potável seria um sinal positivo, pois apressaria a volta de Jesus.

As pessoas e os povos só atuarão de verdade e efetivamente se levarem a sério a ameaça que enfrentamos. E para levar a sério esse desafio, devemos abandonar as concepções “teológicas” de histórias dirigidas ou guiadas por deuses, Espírito ou por algum tipo de “lei da história”. Precisamos assumir, intelectual e existencialmente, que o futuro está aberto diante de nós. Mas, não nos engajamos nas lutas difíceis só porque descobrimos problemas graves. É preciso de uma força espiritual que nasce da esperança! Esperança essa que não seja somente “expectante”, mas que leva a uma ação. Uma esperança que nasce de uma fé de que o mundo e o futuro podem ser melhores; uma esperança que nos convoca para ação.

CNBB divulga nota sobre o Código Florestal

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na manhã desta quinta-feira, 1º de dezembro, uma nota sobre o Código Florestal na qual expressa sua preocupação pela possível aprovação do projeto com a falta de algumas “correções necessárias”.

“O projeto, ao manter ocupações em áreas ilegalmente desmatadas (Artigos 68 e 69) e permitir a recuperação de apenas metade do mínimo necessário para proteger os rios e a biodiversidade (Artigos 61 e 62), condena regiões inteiras do país a conviver com rios agonizantes, nascentes sepultadas e espécies em extinção”, destaca a CNBB em um trecho da Nota.

Ainda no texto, a Conferência sublinha que o projeto “não representa equilíbrio entre conservação e produção, mas uma clara opção por um modelo de desenvolvimento que desrespeita limites da ação humana”.

Leia a íntegra abaixo:

Nota da CNBB sobre o Código Florestal

O Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP) da Conferência Nacional dos bispos do Brasil – CNBB, reunido nos dias 29 e 30 de novembro de 2011, vem manifestar sua preocupação com a possível aprovação, pelo Congresso Nacional, do projeto de reforma do Código Florestal brasileiro. Já aprovado nas devidas Comissões do Senado Federal, o novo Código Florestal, tão necessário ao Brasil, embora tenha obtido avanços pontuais na Comissão do Meio Ambiente, como um capítulo específico para a agricultura familiar, ainda carece de correções.

O projeto, ao manter ocupações em áreas ilegalmente desmatadas (Artigos 68 e 69) e permitir a recuperação de apenas metade do mínimo necessário para proteger os rios e a biodiversidade (Artigos 61 e 62), condena regiões inteiras do país a conviver com rios agonizantes, nascentes sepultadas e espécies em extinção. Sob o pretexto de defender os interesses dos pequenos agricultores, esta proposta define regras que estenderão a anistia a quase todos os proprietários do país que desmataram ilegalmente.

O projeto fragiliza a proteção das florestas hoje conservadas, permitindo o aumento do desmatamento. Os manguezais estarão abertos à criação de camarão em larga escala, prejudicando os pescadores artesanais e os pequenos extrativistas. Os morros perderão sua proteção, sujeitados a novas ocupações agropecuárias que já se mostraram equivocadas. A floresta amazônica terá sua proteção diminuída, com suas imensas várzeas abertas a qualquer tipo de ocupação, prejudicando quem hoje as utiliza de forma sustentável. Permanecendo assim, privilegiará interesses de grupos específicos contrários ao bem comum.

Diferentemente do que vem sendo divulgado, este projeto não representa equilíbrio entre conservação e produção, mas uma clara opção por um modelo de desenvolvimento que desrespeita limites da ação humana.

A tão necessária proteção e a diferenciação mediante incentivos econômicos, que seriam direcionados a quem efetivamente protegeu as florestas, sobretudo aos agricultores familiares, entraram no texto como promessas vagas, sem indicativo concreto de que serão eficazes.

Insistimos que, no novo Código Florestal, haja equilíbrio entre justiça social, economia e ecologia, como uma forma de garantir e proteger as comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas e de defender os grupos que sabem produzir em interação e respeito com a natureza. O cuidado com a natureza significa o cuidado com o ser humano. É a atenção e o respeito com tudo aquilo que Deus fez e viu que era muito bom (cf. Gn 1,30).

O novo Código Florestal, para ser ético, deve garantir o cuidado com os biomas e a sobrevivência dos diferentes povos, além de preservar o bom uso da água e permitir o futuro saudável à humanidade e ao ecossistema.

Que o Senhor da vida nos ilumine para que as decisões a serem tomadas se voltem ao bem comum.

Brasília-DF, 30 de novembro de 2011

Palestra sobre mudanças climáticas no Centro Pastoral São José

Diego Teixeira

Queridos irmãos e irmãs da paróquia São Miguel Arcanjo e da Comunidade,

No sábado, 30 de julho, participei de uma palestra sobre mudanças climáticas no Centro Pastoral São José, em que foi relatado sobre como o planeta está sofrendo com o aquecimento global. Primeiramente foi discutido que um dia o planeta irá acabar!

Mas calma que não será em 2012 como muitas pessoas acham. O planeta é como todo ser vivo, ela nasceu há mais de 4,6 bilhões de anos, com o passar do tempo foi se “modificando” e ainda tem mais alguns bilhões de anos de vida pela frente. Se compararmos a Terra com uma mulher que vai viver até os 100 anos, a Terra tem aproximadamente 80 anos de vida agora, então como a Terra todo planeta morre, toda estrela morre, e quem sabe o universo morrerá também, mas isso tudo é questão científica.

Existem vários riscos que podem levar ao fim da vida na Terra, mas a humanidade também pode contribuir para isso com suas próprias atitudes, como o esgotamento dos recursos naturais ou uma hecatombe nuclear.

O mundo está em crise, o uso excessivo dos recursos do planeta pelos humanos está levando a Terra a uma situação de risco nunca vivenciada antes. Pela primeira vez na história, uma espécie pode ser responsável por uma extinção em massa.

Depois foi mostrado pra todos da palestra um site interessante com um contador de Co2, o poluente que mais está degradando o nosso planeta. Ele é gerado pelas indústrias, carros, desmatamentos, queimadas de florestas etc. Foram discutidas em grupos pequenos soluções para reduzir esse impacto que está deixando nosso planeta cada dia mais quente; em seguida um integrante de cada grupo apresentou algumas soluções para todos. O mais discutido foi sobre energias não poluentes para o planeta como, por exemplo, energia solar, energia eólica (que é produzida pelos ventos) e também sobre a reeducar as pessoas,  pois com gestos simples no dia a dia podemos ajudar o planeta a não ter seu fim precoce, a saber reciclar, a reduzir o uso de sacolas plásticas, plantar árvores e plantas, enfim houve uma infinidade de sugestões para a nossa comunidade.

O futuro da humanidade, como a conhecemos, caminha para o colapso. Para evitar ou reduzir o aquecimento global e a escassez de recursos naturais é necessário mudar completamente nosso modo de vida.

Para quem quiser entrar no site em que se encontra o relógio de carbono e informação sobre esse poluente, o link é http://www.apolo11.com/relogiocarbonico.php

 

 

Florestas e Homens: outras escolhas são possíveis

Está agendada para esta terça-feira, 10/05, a votação das mudanças no Código Florestal brasileiro na Câmara dos Deputados. Para refletir sobre o assunto, apresentamos o vídeo “Homens e Florestas”, filme oficial do Ano Internacional das Florestas:

Florestas e Homens from Prime Arte Studios on Vimeo.

Para mais informações, visite o site De Florestas e Pessoas, criado pela GoodPlanet.

Código Florestal: o que está em jogo

A Câmara dos Deputados adiou para o dia 10 a votação das mudanças no Código Florestal, lei criada em 1934 para proteger a biodiversidade e a vida nas florestas brasileiras. Ruralistas defendem alterações para facilitar a produção, mesmo em áreas de preservação. De outro lado, ambientalistas querem cautela nas mudanças. O vídeo abaixo explica o que está em jogo:

O Greenpeace lançou a campanha “Congresso, desliga essa motossera” pedindo aos deputados mais tempo para analisar as propostas de mudança no Código Florestal. O recado foi dado por manifestantes, que estenderam uma grande faixa em frente ao Congresso:

Veja também a animação que o Greenpeace produziu sobre o assunto:

Para entender melhor o que está em jogo, São Paulo sediará um Seminário Nacional sobre o Código Florestal no próximo sábado, 07/05, das 9h às 16h no auditório do Senac da Rua Dr. Vila Nova, 228, no centro.

Informações e inscrições podem ser feitas pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (11) 3392.2660.

Educação Ambiental: assunto de criança!

Lilian Sgarioni Roberto

A Campanha da Fraternidade deste ano abordará tema ligado ao aquecimento global. Muito se ouve falar sobre isto, mas talvez pouco se faça para conservar nosso planeta. E eu sou da opinião de que antes de cobrarmos algo de nosso governantes, de um modo geral, devemos fazer nossa parte e de forma consciente e bem feita.

Podemos começar dentro de nossas casas, sendo exemplo para nossos familiares, principalmente para nossos filhos, que aprendem muito imitando nossos gestos e atitudes e se estes forem corretos, estaremos dando bons exemplos.

Numa sociedade onde quase tudo é considerado descartável, onde a tecnologia sempre apresenta novas gerações de televisores, computadores, celulares etc., é comum ficar na cabeça das pessoas que se algo quebrou ou se tornou obsoleto, “tem” que ser trocado por outro modelo e mais moderno e as crianças acabam absorvendo estes conceitos através de amigos na escola, no prédio, propagandas, internet e daí por diante. Primeiro temos que dar o devido valor às coisas. Todas elas. Se quebrou, será que não vale a pena consertar? Há um modelo novo de celular, mas se o seu está funcionando bem para que trocar?

Criança aprende rápido e leva a aprendizagem para toda a vida. Conservar os brinquedos, suas roupas, cuidar do que é seu e cuidar do meio em que se vive de forma prática:

-Incentivar a criança a doar brinquedos em bom estado que ela não brinca mais àquela outra criança que tem menos que ela;

-Roupas também: mostre ao seu filho que ele cresceu e que aquela peça que não serve mais, pode ser útil para outra pessoa;

-Desenhar: toda criança gosta. Que tal usar os dois lados da folha? Sejamos exemplos e sempre que possível usemos também.

-Hora do banho não é hora de brincar, é hora da higiene, de se lavar, vamos incentivar a usar corretamente a água, ficando limpinho, mas sem desperdício deste bem tão precioso, importante à vida;

-Escovar os dentes, ensine a abrir a torneira, molhar a escova e a pasta dental, fechar a torneira, escovar bem os dentes e depois abrir novamente para enxaguar. Não há necessidade alguma de manter a torneira aberta à toa;

-Sobre tudo que é descartável, incluo aqui copos, pratinhos, talheres plásticos. Mas como economizá-los? Vai fazer um piquenique com a família, use toalha de pano, louça de casa, alumínio, ágata, pano de prato, guardanapo de pano; quando voltar, lave, guarde tudo para usar de novo. Posso garantir que o planeta agradece;

-Lixo é no lixo, certo? Mas quantos adultos andam na rua e jogam papel no chão? Isso é exemplo? Não! Lixo é no lixo sempre. Faça sua parte;

-Em casa separamos o lixo orgânico do reciclável (todos deveriam fazer), inclua sua criança nesta tarefa e ensine-a a destinar o que ela própria produziu de lixo no lugar certo. Criança se sente importante em ajudar, fica feliz e ainda aprende;

-Encheu a piscininha para a criançada brincar, que tal ao invés de simplesmente jogar a água fora, encher regadores (de brinquedo mesmo) e regar as plantas ou aproveitar a água e lavar o quintal?

São inúmeras atitudes que todos adultos e crianças podemos tomar para melhorar a vida, somos uma comunidade, uma sociedade, não vivemos sozinhos. Cada um fazendo sua parte na sua casa, no seu bairro, faz a diferença, muita diferença e como já escrevi antes: nosso querido planeta Terra agradece!

‘Se não vos converterdes, todos perecereis’

Leonardo Boff

Disse Jesus nos evangelhos: “Se não vos converterdes, todos vós perecereis”. Quis dizer: “Se não mudardes de modo de ver e de agir, todos vós perecereis”. Nunca estas palavras me pareceram tão verdadeiras como quando assisti a Crônica de Copenhague, um documentário da TV francesa e passada num canal fechado no Brasil e, suponho, no mundo inteiro. Na COP-15 em Copenhague em dezembro último, se reuniram os representantes das 192 nações para decidir a redução das taxas de gases de efeito estufa, produtores do aquecimento global.

Todos foram para lá com a vontade de fazer alguma coisa. Mas as negociações depois de uma semana de debates acirradíssimos chegaram a um ponto morto e nada se decidiu. Quais as causas deste impasse que provocou decepção e raiva no mundo inteiro?

Creio que, antes de mais nada, não havia suficiente consciência coletiva das ameaças que pesam sobre o sistema-Terra e sobre o destino da vida. É como se os negociadores fossem informados de que um tal de Titanic estaria afundando sem se dar conta de que se tratava do navio sobre o qual estavam, a Terra.

Em segundo lugar, o foco não estava claro: impedir que o termômetro da Terra suba para mais de dois graus Celsius, porque então conheceremos a tribulação da desolação climática. Para evitar tal tragédia, urge reduzir a emissão de gases de efeito estufa com estratégias de adaptação, mitigação, concessão de tecnologias aos países mais vulneráveis e financiamentos vultosos para alavancar tais medidas. A preocupação agora não é garantir a continuidade do status quo, mas dar centralidade ao sistema Terra, à vida em geral e à vida humana em particular.

Em terceiro lugar, faltou a visão coletiva. Muitos negociadores disseram claramente: estamos aqui para representar os interesses de nosso país. Errado. O que está em jogo são os interesses coletivos e planetários, e não de cada país. Isso de defender os interesses do país é próprio dos negociadores da Organização Mundial do Comércio (OIT), que se regem pela concorrência e não pela cooperação. Predominando a mentalidade de negócios funciona a seguinte lógica, denunciada por muitos bem intencionados, em Copenhague: não há confiança, pois todos desconfiam de todos; todos jogam na defensiva; não colocam as cartas sobre a mesa por temerem a crítica e a rejeição; todos se reservam o direito de decidir só no último momento como num jogo de pôquer. Os grandes jogadores se omitiram: a China observava, os EUA calavam, a União Européia ficou isolada e os africanos, as grandes vítimas, sequer foram tomados em consideração. O Brasil no fim mostrou coragem com as palavras denunciatórias do Presidente Lula.

Por último, o fracasso de Copenhague -bem o disse Lord Stern lá presente- se deveu à falta de vontade de vivermos juntos e de pensarmos coletivamente. Ora, tais coisas são heresias para espírito capitalista afundado em seu individualismo. Este não está nada interessado em viver juntos, pois a sociedade para ele não passa de um conjunto de indivíduos, disputando furiosamente a maior fatia do bolo chamado Terra.

Jesus tinha razão: se não nos convertermos, vale dizer, se não mudarmos este tipo de pensamento e de prática, na linha da cooperação universal jamais chegaremos a um consenso salvador. E assim iremos ao encontro dos dois graus Celsius de aquecimento com as suas dramáticas consequências.

A valente negociadora francesa Laurence Tubiana no balanço final disse resignadamente: “os peixes grandes sempre comem os menores e os cínicos sempre ganham a partida, pois essa é a lógica da história”. Esse derrotismo não podemos aceitar. O ser humano é resiliente, isto é, pode aprender de seus erros e, na urgência, pode mudar. Fico com o paciente chefe dos negociadores Michael Cutajar que no final de um fracasso disse: “amanhã faremos melhor”.

Desta vez a única alternativa salvadora é pensarmos juntos, agirmos juntos, sonharmos juntos e cultivarmos a esperança juntos, confiando que a solidariedade ainda será o que foi no passado: a força secreta de nossa melhor humanidade.

A harmonia em Francisco de Assis

Pe Geovane Saraiva

São Francisco só viveu quarenta e quatro anos, de 1182 a 1226, mas foi o suficiente para anunciar o Evangelho em harmonia com todas as realidades existentes, começando com a própria natureza, levando a todos e a tudo uma mensagem de paz. Por isso ele é respeitado em todas as religiões, pelo seu jeito de viver, totalmente encarnado e identificado com Nosso Senhor Jesus Cristo, como o arauto da paz verdadeira e duradoura. Daí a belíssima oração atribuída ao pobrezinho de Assis: “Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz…”.

Francisco de Assis, quando jovem, sonhou com a glória militar, chegando a participar de uma guerra entre as cidades de Assis e Perúgia, mas não obtendo nenhum sucesso, a ponto pegar uma dura prisão, por um ano. Ao iniciar uma nova aventura militar, passa por uma crise de consciência, a ponto de ser questionado profundamente quanto à ação militar. Voltou para sua terra natal e, aos poucos, foi amadurecendo nele uma radical conversão.

Deus o chamava a dizer: não as vaidades do mundo, não a glória militar, não a ambição do comércio. Mas sim a imitação radical da pobreza de Cristo. Francisco de Assis foi tão profundo em viver o exercício da caridade, nos pobres, fazendo um firme propósito de nunca negar-lhes um auxílio ou esmola. Não tendo nada, mas nada mesmo para oferecer a um mendigo, tirou o seu manto novo e o trocou pelo manto esfarrapado daquele pobre mendigo.

Dois anos antes de morrer, com sua vontade louca de assemelhar-se ao Cristo, Deus entrou na sua vida de modo ainda mais profundo, através da chagas, ficando impresso no seu corpo os sinais da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, totalmente identificado com “Servo Sofredor” – “Não sei se eras Francisco ou se Cristo eras”.

O Santo de Assis acolheu sua missão, ao abraçar o mistério da cruz, numa demonstração de coragem e de fé inabalável. Aceitou tudo por amor, canalizando dentro da virtude da humildade, com a clara consciência de que todas as graças concedidas pelo o Espírito Santo de Deus, a mais preciosa é a renúncia.

Francisco de Assis foi a figura humana mais importante e atraente do milênio que passou, conhecido em todo planeta. E é precisamente a partir dele que a fé passou a ser vivida de um modo diferente, porque ele foi ao extremo, foi às raízes.

No Cântico das Criaturas vemos um Francisco de Assis amando e respeitando a criatura humana e, ao mesmo tempo, protegendo os animais e plantas, chamando-os com a maior ternura, de irmãos e irmãs. Para ele, também a chuva, o vento e o fogo deveriam ser carinhosamente respeitados como irmãos.