Menino Jesus

VÍDEOS: Homilia do Pe. Julio na noite de Natal

Reflexão do Pe. Julio Lancellotti na missa da Vigília de Natal, celebrada em 24/12/2013, noite do nascimento de menino Jesus. Deus vem para o meio do povo, trazendo luz para a humanidade, de forma simples e despojada, sem força nem poder opressor.

No final da missa, a comunidade cantou “Noite Feliz” com altar ocupado por crianças, adolescentes e jovens:

Gravação realizada na igreja São Miguel Arcanjo, em São Paulo.

Bênção do Menino Jesus

No final das missas no 3º Domingo do Advento, tempo de preparação para o Natal, o Pe. Julio Lancellotti abençoou as imagens do Menino Jesus e presépios:

Nos avisos da semana, o Pe. Julio pediu a colaboração da comunidade para o tradicional frango assado que será servido na segunda-feira, 23/12, aos moradores de rua na Comunidade São Martinho de Lima, embaixo do Viaduto Guadalajara. Ele agradeceu também a participação na festa da Pastoral da Criança:

Almoço de Natal da Comunidade São Martinho será sexta-feira, dia 21

O tradicional almoço de Natal do povo da rua será na próxima sexta-feira, 21/12, na Comunidade São Martinho, embaixo do Viaduto Guadalajara, no Belém. A comunidade São Miguel é convidada a colaborar com frango, dinheiro e participando do evento. Veja mais detalhes nos avisos da semana:

No final da missa, o Pe. Julio reforçou o sentido do Natal e a comunidade cantou:

O Natal e suas contradições

Pe. Alfredo J. Gonçalves
Assessor das Pastorais Sociais

Tradicionalmente, são várias e diferenciadas as personagens e suas atitudes nos relatos natalícios dos Evangelhos. Do ponto de vista da Sagrada Família (José, Maria e o Menino), deve defender-se da fúria de Herodes contra o recém-nascido, o que resulta na “legendária” fuga para o Egito. Herodes, por sua vez, teme um rival ao trono e trata de eliminar pela raiz a possibilidade dessa ameaça. Já os pastores e os reis magos acolhem com inusitada alegria da chegada do tão esperado Messias. A estrela é o símbolo de que algo se descortina no horizonte.

Sejam ou não relatos pós-pascais, construídos para entender o mistério da Encarnação e adequar solenemente a “descida” do Deus feito homem, de qualquer forma traduzem um contexto sociohistórico da época. Ou seja, enquanto os poderosos temem e tremem diante das forças rivais vindas da base e da periferia, os pequenos se regozijam com a possibilidade de mudanças na trajetória de suas vidas e do destino da própria história. Vinda do Messias, no contexto de uma Palestina subjugada pelas forças do Império Romano, mexia fortemente com o imaginário popular. Atualizava a esperança por longo tempo nutrida.

Traduzindo para os tempos de hoje, entre o Menino Jesus e o Papai Noel, qual das duas figuras nas festas natalinas provoca maior apelo à onda crescente de vendas e de rentabilidade? A pergunta está subjacente à preparação das vitrines, estantes e ambientação das lojas. Nos grandes centros comerciais –shopping-centers em especial– desde setembro e outubro as duas personagens disputam espaço entre os enfeites, luzes e mercadorias. No cenário profusamente iluminado do emblemático pinheiro, com todas as bugigangas nele penduradas, não pode faltar o presépio nem o personagem vestido de vermelho e branco.

A verdade é que, com o passar dos anos, a motivação do Natal se deslocou do nascimento de Jesus para as inovações de um mercado que nada poupa para ampliar as vendas e os lucros. A Boa Nova do Evangelho cedeu espaço aos modismos da produção em massa, particularmente voltada para as famílias e as crianças. A ânsia ou a compulsão das compras substituiu a mística das celebrações. A sede de Deus tenta saciar-se com novidades cada vez mais numerosas e diversificadas, não importa se made in China, in USA ou in Brazil.

A fúria consumista da massa de novos compradores, atrás dos ingredientes da ceia natalícia, ou em busca dos presentes para amigos e parentes, tomou o lugar da singela alegria dos pastores de Belém com o anúncio, pelos anjos, da chegada do Messias. A estridência apelativa da propaganda abafa o “repique dos sinos”, metáfora rural de algo inovador. O período do Natal se “desencanta”, como diria Max Weber. O mercado rasga o véu do mistério e o sagrado se dilui no burburinho ruidoso das ruas, galerias e anúncios de publicidade.

Nada contra o direito de adquirir os produtos do progresso e da tecnologia. Tal direito deve ser estendido a todas as camadas sociais. Mas é inegável que o tamanho do bolso gera uma hierarquia diferenciada, onde uns curtem uma euforia descontrolada, enquanto outros amargam a vergonha de não poder satisfazer desejos mínimos dos próprios filhos. Em pleno clima de Natal, sucesso e frustração coexistem lado a lado, escancarando como nunca as injustiças e desigualdades sociais.

Tampouco se trata de voltar ao saudosismo do ambiente rural, tradicional, marcado pela voz dos sinos e o tom das novenas. Mas é evidente que o mundo contemporâneo, industrializado, urbanizado e informatizado, constitui a pátria de uma minoria, enquanto grande fatia da população vive as festas natalinas como eventos de fachada e de imitação barata, com o sentimento de permanecer do lado de fora do banquete que Deus preparou para todos. A porta segue cerrada para não poucos!

O fato é que, como já nos lembrava o velho Marx, o capitalismo faz da mercadoria um fetiche. Ela necessita da benção e legitimação de algum ser igualmente misterioso. É então que entra em cena o Papai Noel. O bom velhinho de cabelos e barbas brancas, indumentária familiar, morador de um país longínquo e desconhecido, com um veículo nada moderno, vem magicamente incrementar o processo de compra-e-venda e a rentabilidade do capital. As próprias casas comerciais se revestem de uma auréola sagrada, com música, luzes e sons natalícios.

Nesse ambiente misto de sagrado e profano, o Menino Jesus parece um tanto quanto envergonhado diante da movimentação frenética que se cria ao redor do Papai Noel. Este recebe visitas e mais visitas, é fartamente fotografado, distribui sorrisos e abraços e goza da companhia disputada por uma fila sem fim de crianças ansiosas… Já o Outro, embora pobre e recém-nascido (ou talvez por isso), não chama muita atenção, não atraí multidões, passa meio que despercebido, permanecendo como que deslocado nesse ambiente festivo e iluminado.

Retrato de um mundo materialista, em franco processo de secularização e carente de significado. Farto de coisas e imagens, cores e sons, novidades em tecnologia e produtos. Rico de variadas formas de ter e prazer, mas pobre de sentido. Tão pobre que necessita de uma porção de objetos para preencher o vazio da alma ressequida. Porém, quanto mais desses objetos procura adquirir, maior se faz a sede do espírito. Aí está a astúcia do fetiche: a felicidade parece ser inversamente proporcional às coisas que se acumula para garanti-la. Pior ainda, parece afastar-se à medida que lutamos para adquiri-la.

A um canto, o Menino recém-nascido, mesmo mudo e cego pelo excesso de luminosidade, quase invisível e escanteado, insiste em proclamar a Boa Nova do Evangelho. Na confusão de tantas novidades materiais, sua presença aponta para um “tesouro que a traça não rói nem os ladrões roubam”. Algo que todos buscam, embora poucos admitam.

Noite de Natal de 2011 – COM VÍDEO

Nesta  noite de Natal de 2011, de fato celebramos o nascimento de Jesus. Nasceu na periferia de seu tempo, em Belém, no campo, logo colocado numa manjedoura. Nasceu por Maria, jovem escolhida por Deus, tendo como companheiro José. Ali se constituiu a sagrada família.

O Padre Julio, trazendo para o presente, salientou que Jesus certamente estaria nascendo na Favela do Moinho, recentemente esfacelada por um incêndio. Local de pobres, como aquele dos pastores no tempo do nascimento de Jesus. Também acentuou:

“Que celebrar o Natal nos torne mais humanos e comprometidos com os mais pobres e abandonados!”

Noite de profunda fé. A Igreja São Miguel Arcanjo ficou lotada, inclusive nas suas dependências externas, mesmo com a chuva. Do outro lado da rua, um sofredor de rua também participava da celebração, rezando com fervor.

No final da missa, a encenação do nascimento de Jesus. Uma criança sempre é escolhida para compor a cena no nascimento, com Maria, José, pastores e os reis magos. A Camila, filha da Rosangela e neta da Roseli, representou Jesus no seu nascimento, com a mesma simplicidade.

Fotos por Carlos A. Beatriz

Mensagem de Natal de D. Odilo e do Pe. Julio

Feliz Natal!

Assista abaixo à mensagem do cardeal arcebispo de São Paulo, D. Odilo Pedro Scherer, gravada especialmente para os visitantes do site O Arcanjo no ar:

Ouça também a mensagem do Pe. Julio Lancellotti para a festa do nascimento do Menino Jesus em 2009:

[audio:MensagemNatal2009.mp3]

Caso prefira copiar o arquivo desta mensagem para o seu computador, clique aqui.


A mensagem do Pe. Julio e a Novena de Natal foram gravadas nos estúdios da Universidade São Judas Tadeu