Pastoral do Povo da Rua

Catadores sofrem agressões em São Paulo

No dia 12 de dezembro acompanhei a visita do padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua, para constatar as agressões físicas aos catadores e confisco de suas carroças e pertences pessoais, por parte dos agentes operacionais, fiscais e guardas da prefeitura.

Ouvi seus relatos e vi os hematomas. Ao relatar os fatos a uma autoridade municipal, ouvimos a resposta: “Recebemos muita reclamação que os catadores sujam as ruas, e comparando ao mundo animal, são como os abutres”. Pergunto, são os catadores que produzem e descartam lixo? Os catadores coletam, com adversidades de todo tipo, muito mais do que 1% da coleta seletiva da própria prefeitura. Abutres? Realmente sobra truculência e falta compaixão!

Catadores Agredidos em São Paulo
Texto: Wanderley de Oliveira, membro do Conselho de Meio Ambiente, Cultura de Paz e Desenvolvimento Sustentável da PMSP
Foto: Paulo Giandalia

Ato relembra morte de morador de rua e questiona atendimento de saúde pública

Agência Adital

Rua 8 de Setembro, Papicu, Fortaleza (CE). Manhã do dia 13 de julho. Um morador de rua passa mal e precisa de atendimento médico. Moradores da região chamam o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), em vão. Ninguém aparece. À tarde, ainda sem receber cuidados médicos, o morador não identificado, falece. Apenas nessa hora, aparecem o Ronda do Quarteirão (ronda policial) e o carro do Instituto Médico Legal (IML) para resgatar o corpo.Indignada com a situação, a Pastoral do Povo da Rua de Fortaleza, programou um momento celebrativo em memória do cidadão. De acordo com Fernanda Gonçalves, Secretária Executiva da Pastoral, essa não é a primeira vez que um morador de rua vê negado o acesso à saúde pública. Porém, neste caso, o resultado foi o óbito.

Uma das lutas da Pastoral do Povo da Rua é garantir atendimento médico para essa população. “Por que um morador de rua não tem direito à saúde?”, questiona a secretária. Para ela, o atendimento médico deve ser feito independente da identificação. “Todos têm direito ao atendimento à saúde, mesmo sem documento”, afirma.

Ainda segundo Fernanda, o ‘povo da rua’ tem a característica, de não revelar sua origem e seu nome. Às vezes, eles usam nomes diferentes, o que dificulta na hora de verificar a identidade real. “Ficamos muito tristes porque gostaríamos de saber quem ele era, fazer contato com a família, saber a cidade onde nasceu, para fazermos um sepultamento digno. Mesmo assim, celebraremos em memória ao ser humano”, enfatiza Fernanda.

O momento celebrativo será realizado amanhã (30), às 16h30, na rua 8 de Setembro, Papicu, local onde a vítima viveu e faleceu. Padre Lino Allegri, da Pastoral do Povo de Rua, conduzirá o momento que tem o objetivo de renovar a esperança para essa população e criticar o atual modelo de atendimento da saúde pública.

São esperados para a ocasião moradores de rua, Pastorais Sociais, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), movimentos sociais, Centro de Defesa pela Vida e um representante do Movimento Nacional da População de Rua. Além dessas pessoas, também foram convidados representantes da saúde pública da cidade.

Mais informações com Fernanda Gonçalves (85) 3388 8706 – Secretária Executiva da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese Fortaleza.

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso eu. É parar de dar voltas ao redor de nós mesmos, como se fôssemos o centro do mundo e da vida…. a humanidade é maior.”
Dom Helder Camara.