Sermão da Montanha

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio no 5º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

No Evangelho do 5º Domingo do Tempo Comum, celebrado dia 09/02/2014, Jesus diz que os discípulos são sal da terra e luz do mundo. Qual o significado dessa afirmação? Existe alguma relação com o “sermão da montanha”? Na pregação, o Pe. Julio Lancellotti responde essas e outras questões:

Gravação realizada na missa das 18h na igreja São Miguel Arcanjo.

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio na Solenidade de Todos os Santos

Assista à pregação do Pe. Julio Lancellotti no domingo da Solenidade de Todos os Santos, celebrada em 03/11/2013. No Evangelho de Mateus, Jesus fala sobre as bem-aventuranças, na passagem que se tornou conhecida como “sermão da montanha”.

Gravação realizada na missa das 18h na igreja São Miguel Arcanjo.

A força do Evangelho

José Antonio Pagola

Mateus conclui o grande discurso de Jesus em uma montanha da Galiléia, com duas breves parábolas, narradas com mestria e fáceis de lembrar por todos. Sua mensagem é fundamental: seguir Jesus é “escutar as suas palavras” e “colocá-las em prática”. Se não fizermos assim o nosso cristianismo é um disparate. Não faz sentido nenhum.

O homem prudente edifica sua casa sobre a rocha sólida. Por isso, quando as chuvas torrenciais do inverno e a água desce das montanhas e assopram os fortes ventos do Mediterrâneo, a casa não afunda: “está edificada sobre a rocha”. Assim é a Igreja formada por crentes que se esforçam em escutar o evangelho e colocá-lo em prática.

O homem insensato, pelo contrário, edifica sua casa sobre a areia no fundo do vale. Portanto, quando chegam as chuvas, correm os rios e assopram os ventos, a casa cai e “é grande a sua queda”. Da mesma forma, o cristianismo se desmorona quando não é fundamentado na rocha do Evangelho escutado e praticado nas comunidades.

Na consciência moderna tem se produzido uma profunda mudança cultural que está colocando em crise o nascimento e a vivência da fé cristã. Está se tornando cada vez mais difícil despertar uma fé viva em Deus e em Jesus Cristo por meio da “doutrinação”. Apontemos duas causas fáceis de detectar.

Por um lado, há uma crise de autoridade, qualquer tipo de autoridade. Hoje em dia é difícil a Fé brotar da obediência a uma autoridade religiosa que se apresenta como possuidora da verdade. A palavra que a Igreja profere desde sua posição de autoridade sagrada não resulta hoje, por si mesma, nem crível nem atraente.

Além disso, ao invés de doutrina religiosa, as pessoas procuram uma experiência que lhes ajude a viver com sentido e esperança. Muitos homens e mulheres se distanciam quase instintivamente de qualquer iniciação à fé entendida como “processo de aprendizagem”.

Temos que acreditar muito mais na força transformadora do Evangelho. As palavras de Jesus têm mais poder do que nossas doutrinas. Sua Boa Nova é mais atraente do que todos os nossos sermões. Não é hora de formar grupos, criar espaços, possibilitar encontros em que as pessoas de hoje tenham a oportunidade de entrar em contacto direto com o Evangelho para escutar Jesus e descobrir juntos a Boa Nova?

Muitos dos que se sentem perdidos e vivem sem esperança poderiam descobrir com alegria que não estão sozinhos, que eles podem confiar em um Deus Pai e que podem viver com a esperança de Jesus. Isto é o que eles mais precisam.

Sal e Luz!

O evangelho deste domingo é continuidade do Sermão da Montanha e deve ser entendido neste contexto. As Bem aventuranças não podem ser vividas sem dar sabor e cor à vida, sem dar sentido e direção.

A mensagem de Jesus não pode ficar escondida mas manifestada pela vida de quem quer segui-LO com amor e entrega.

O sal dá sabor e conserva os alimentos, a luz revela as cores e as formas, ilumina o caminho. São sinais de vida.

Assim as bem aventuranças revelam quem é seguidor de Jesus.

Ninguém pode esconder a cidade construída na montanha nem acender a luz e colocá-la embaixo da cama, assim também não pode seguir a Jesus e não ter consequências.

As boas obras, o testemunho dos que seguem a Jesus levam a dar glória a Deus, por tornarem a vida mais humana sincera e verdadeira.