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4ª Vigília de Leitura Contínua da Bíblia

Pelo quarto ano consecutivo, a Fraternidade da Esperança realiza em setembro, Mês da Bíblia, a Vigília de leitura Contínua da Palavra. No dia 5, a partir das 19h, até a manhã do dia 6, leitores de diferentes realidades, idades, pastorais, grupos e movimentos se alternarão na leitura de um trecho da Sagrada Escritura.

Nas edições anteriores, centenas de pessoas leram os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as cartas do Novo Testamento e os livros do Pentateuco. Neste ano serão feitas as leituras dos chamados livros históricos, precedidos pela leitura de alguns trechos do Evangelho segundo Mateus, proposto para o Mês da Bíblia deste ano.

Como nos anos anteriores, a vigília contará com a presença do arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer.

Para ser um dos leitores na vigília, basta enviar um e-mail para [email protected] com as seguintes informações: nome e data de nascimento de cada leitor; e horário aproximado em que cada leitor pretende ler (entre as 20h do dia 5/9 e as 6h do dia 6/9).

Programação
19h – Acolhida
20h – Início da leitura da Palavra
6h30 (dia 6/9) – Missa de encerramento

Serviço

4ª VIGÍLIA DE LEITURA CONTÍNUA DA PALAVRA
Data: 5/9, a partir das 19h
Organização: SERMIG – Fraternidade da Esperança
Local: ARSENAL DA ESPERANÇA  (rua Dr. Almeida Lima, 900 – próximo à Estação Bresser-Mooca do Metrô)
Informações: www.sermig.org/arsenaldaesperanca

4ª Vigília de Leitura Contínua da Bíblia

Celebração da Vigília na Praça da Sé com a Aliança de Misericórdia

Nesta sexta-feira 04/12/08 o Padre Julio Lancellotti celebrou missa na Vigília da Praça da Sé com a Aliança de Misericórdia, os irmãos da Toca de Assim, muitos missionários e o Povo da Rua. Uma celebração que tocou o coração de todos. Aliás, estávamos no coração de São Paulo. O calor da oração irradiava, afastando o cansaço, o frio e a chuva.

Celebração da Vigília na Praça da Sé com a Aliança de Misericórdia

A procissão do Santíssimo passou pelo Marco Zero, indo até onde estavam os moradores em situação de Rua – uma marquise. Jesus ia visitando os irmãos, enquanto a madrugada chegava. No Marco Zero, com o Santíssimo, o Padre Júlio rezou por toda a cidade, para que ela seja mais humana.

Veja abaixo alguns momentos registrados:

Fotos de Carlos Beatriz

Feliz vigília de Natal

Marcelo Barros *

É véspera de Natal. Para muita gente, o programa desta noite é uma ceia festiva ou um encontro familiar especial. É bom que, independentemente da sua dimensão religiosa, o Natal possa unir as pessoas e provocar confraternização. Antigamente, a noite de Natal era de vigília na esperança do sol. Depois de dias e dias, sem dar a sua luz, no duro inverno do norte, o sol volta a brilhar na manhã do 25 de dezembro. Por isso, os cristãos escolheram esta data para festejar Jesus Cristo, como luz que ilumina as nossas vidas e nos torna mais humanos. Mesmo pessoas de outras religiões, como aquelas que não têm nenhuma expressão de fé se alegram e gostam de crer que a divindade não precisa de templos de ouro para vir nos encontrar. O mundo se torna um imenso presépio no qual Deus pode se deitar em nossas palhas e em meio à nossa pobreza estrutural.

Antigamente, as religiões opunham o humano e o divino, assim como, até hoje, certo espiritualismo opõe o material e o espiritual. Quando se diz que alguém é espiritualizado, parece que se entende ser alguém desligado da matéria. Na própria Bíblia, ao contar a sua vocação de profeta, um discípulo de Isaías escreve: “Uma voz diz: Grita! Respondi: O que hei de gritar? Toda carne (toda criatura) é como a erva do campo. Toda a sua beleza é como a flor do campo. A erva seca e a flor murcha quando sobre elas passa o vento divino. Na verdade, o povo é mero capim que hoje existe e amanhã é jogado ao fogo. A Palavra de Deus, ao contrário, permanece eternamente!” (Is 40, 6- 8). A novidade do Natal é que o evangelho diz: “A Palavra de Deus se fez carne e armou sua tenda no meio de nós” (Jo 1, 14). A partir de agora, não existe mais divisão entre o divino e o humano já que do próprio Jesus, se pode dizer: “Humano assim a este ponto, só pode ser divino”. O corpo não é mais um cárcere do espírito. A espiritualidade do Natal nos faz amar o corpo, apreciar a beleza das pessoas, valorizar as relações, mesmo aquelas que parecem superficiais e descobrir uma dimensão sagrada do erótico. Somos chamados a viver no mundo, cuidando do que é real e como pessoas humanas que assumem sua humanidade.

Ao assumir nossa realidade e revelar a divindade presente na dimensão humana, Jesus valoriza os outros caminhos espirituais através dos quais as pessoas buscam a Deus. Pelo fato dele ter assumido nossa realidade humana, ele me ensina como cristão a reconhecer a presença divina em Maomé, em Buda e nas manifestações de todas as culturas e religiões. O Natal atesta que Deus veio encontrar “toda pessoa humana que veio a este mundo”, independente de qualquer classificação cultural ou religiosa. Quem descobriu o sentido mais profundo do Natal, se abre sempre mais ao outro e ao diferente. Quem não é capaz de aceitar o diferente não sabe o que é Natal.

Ao assumir a humanidade em toda a sua complexidade, Jesus assume uma dimensão masculina, mas também manifesta um ser feminino. Revela um Deus que é Pai e Mãe e permite que o chamemos de Ele e Ela. Na realidade do nosso mundo ainda tão ferido por desigualdades de gênero, o Natal nos revela o rosto feminino da divindade.

Pelo que, através desta reflexão, você pode perceber, o Natal é mais uma realidade a ser ainda acolhida e vivida do que simplesmente a memória de algo do passado. Por isso, o que constitui verdadeiramente esta festa é a vigília, a espera. De fato, é como se não pudéssemos ainda chegar ao dia 25 propriamente dito. Estamos vivendo a noite entre o 24 e o 25. Vivemos a espera da madrugada, já antecipando a alegria do dia novo que virá. Esta realidade é expressa nas Igrejas tradicionais pela chamada “Missa do Galo”. Hoje, na maioria de nossas cidades, por motivos de segurança ou de mera conveniência, o culto que tradicionalmente era à meia noite, é antecipado para às 19 ou 20 horas. Mas, o sentido desta vigília é nos reunir na expectativa de uma madrugada nova para as pessoas e para todo o universo.

Nas vigílias dos mosteiros antigos, repete-se um refrão litúrgico, baseado no livro do Êxodo: “Hoje, todos saberão que o Senhor virá e amanhã poderão ver a sua glória”. Parece irreal e até alienado cantar: “Hoje ainda poderá ser destruída a iniqüidade do mundo, porque reinará sobre nós o Salvador”. Entretanto, se trata de um cântico profético que nos anima na esperança de caminharmos nesta direção.

Que a paz e a alegria deste Natal desça sobre cada um/uma de vocês. Um feliz Natal de esperança e nova humanidade.

* Monge beneditino e escritor

(Publicado originalmente na agência Adital)