aliança

Catequese de Bento XVI – 12/12/2012

Queridos irmãos e irmãs,

A Revelação, a comunicação que Deus faz de si mesmo e do seu desígnio de benevolência e de amor, se insere no tempo e na história dos homens. A Sagrada Escritura ensina que Deus, desde o início, veio ao encontro do homem, chamando-o a uma íntima comunhão com Ele. E mesmo quando o homem se afastou d’Ele pela desobediência, Deus não cessou de oferecer ao homem a sua aliança: com Noé, depois do dilúvio; chamando Abraão a deixar a sua terra para tornar-se pai de uma multidão de povos; libertando o povo de Israel da escravidão do Egito e estabelecendo uma Aliança; guiando Israel por meio dos profetas, fazendo crescer a esperança de uma Nova Aliança destinada a todos os homens e que se realiza em Cristo, Aquele que ilumina e dá sentido pleno à história de Deus com a humanidade. De fato, estes são acontecimentos que não “passam” nem caem no esquecimento, mas se tornam memória, constituem a “história da salvação”. Assim, a fé é alimentada pela descoberta e a memória de Deus sempre fiel, que guia a história e constitui o fundamento seguro e estável sobre o qual podemos apoiar as nossas vidas.

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Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! Possa a preparação para o Natal, neste tempo do Advento, vos recordar que Deus vem ao encontro de cada ser humano. Meditai a Palavra de Deus, precioso alimento da vossa fé, para assim resplandecer nas vossas vidas a luz de Cristo que iluminou a gruta de Belém. Que Ele vos abençoe!

BENTO XVI

 

© Copyright 2012 – Libreria Editrice Vaticana

A Aliança de Amor!

No início do tempo comum o Evangelho de João nos mostra Jesus numa  festa de casamento. Jesus é o noivo da Nova Aliança, da nova criação. Vem para trazer a abundancia de vida e graça para todos.

Tudo será novo da água para o vinho! E quem faz a transformação é o Senhor JESUS!

A transformação acontece em uma festa, festa de casamento é de mudança de vida, de novo começo, de aliança de Amor!

A Transformação é o primeiro SINAL de Jesus no evangelho de João, é o inicio de nova caminhada. Transformação da água para o vinho.

O que seremos capazes de transformar em nossas vidas , na comunidade e no mundo. Transformações não são fáceis, exigem coragem e disponibilidade. Queremos que os outros mudem, que o mundo seja diferente, mas o que somos capazes  da mudar em nossas vidas para sermos mais humanos e fraternos?

Como nos engajamos na mudança do mundo?.

A ação da Dra. Zilda era uma ação transformadora, tornando a vida mais humana e fraterna.

A transformação é possível mas é exigente e muda o nosso estilo de viver, sentir, agir e ver o mundo.

O Haiti pobre, pequeno e sofrido está ensinando o munda o ser solidário e a pensar que a solidariedade não pode ser episódica mas um processo.  As nações ricas não serão felizes enquanto houver tanta miséria e sofrimento.

Deus ama seu povo, e com este povo faz aliança, para que todos vivam, precisando uns dos outros, transformando a vida da água para o vinho.

Páscoa: festa dos judeus, dos cristãos e de todos os povos

Domingos Zamagna

O vocábulo Páscoa provém das línguas hebraica (Pesah) e aramaica (Pasha), deverbais de uma raiz que significa “passar, saltar”.

A celebração pascal era originalmente uma festa agrícola, pastoril, quando os camponeses ofereciam, na primavera do hemisfério norte, os primeiros produtos de suas colheitas e rebanhos.

A partir desse substrato, por volta do séc. XII aC, a Páscoa começou a ser festejada também como memorial do acontecimento fundador da história do povo hebreu: o Êxodo, ou melhor, “os êxodos”, tanto o do Egito – que acabou se tornando paradigmático – quanto os das cidades-estado da Palestina. Os relatos sobre esses eventos, que inclusive podem ser controlados pela ciência histórica e pela arqueologia, são muito marcantes nos livros bíblicos. Em ambos os casos os hebreus galgaram um estágio de vida de impressionante qualidade para a época, pois conseguiram passar / saltar de uma situação de opressão (alienação) para uma vida de liberdade (inclusão).

Essa realidade vital recebeu uma expressão religiosa, concebida como aliança entre Deus e o povo, cujo resultado prático foi a constituição de uma anfictionia de tribos, isto é, uma nação fraterna onde não havia espaço para a exclusão. Tudo era polarizado pela dignidade das pessoas: havia convivência e trabalho para todos, sem nenhum dos gravames que estorvam a vida concreta dos povos, tais como monarquia, exércitos, burocracia, impostos etc. Essa situação persistiu pelo menos até a época salomônica.

Com o advento do cristianismo, oriundo do próprio judaísmo, como se lê nos textos neo-testamentários, a Páscoa recebeu novo significado. Convictos de que Jesus de Nazaré era o Messias longamente esperado pelo povo hebreu, os cristãos começaram a celebrar a Páscoa também como passagem de um estado de morte (assassinato de Jesus) para um estado de vida (ressurreição do Cristo). Com efeito, Jesus – assassinado em torno do ano 30 da nossa era, no tempo do imperador romano Tibério – depois que o seu túmulo foi encontrado vazio (cf Mt 28,6), a fé na sua ressurreição fez com que seus discípulos o reconhecessem como Filho de Deus, e o proclamassem como “Senhor” (Kýrios, em grego; Dominus, em latim, as línguas mais difundidas no Mediterrâneo), pois nele residia todo o poder de seu Pai, identificado com o Iahweh vétero-testamentário.

A Páscoa tem, enfim, além do seu significado estritamente religioso, um embasamento antropológico – e, por isso, ético -, no sentido que a aspiração a um estado de vida livre pertence à mais íntima estrutura de cada ser humano e de cada comunidade humana, podendo ser perfeitamente compreensível e vivenciado até mesmo por quem não se considera religioso.

Por isso, os ideais da Páscoa judaico-cristã não são mero privilégio confessional; eles podem ser vistos um como patrimônio comum de toda a humanidade, uma vez que todo ser humano é polarizado pelo bem, pela verdade, pela justiça e pela solidariedade. Cada membro da comunidade humana aspira, de fato, à passagem de um estado de opressão e morte para um estado de fruição de liberdade e vida feliz (cf Gl 5,1; Mt 5,1-11).