êxodo

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio em 02/08/2015 – 18º Domingo do Tempo Comum

Reflexão do Pe. Julio Lancellotti no 18º Domingo do Tempo Comum, celebrado em 02/08/2015. Nesse dia, o Livro do Êxodo conta que o povo sente saudades do tempo da escravidão, está perdido no deserto. No Evangelho, Jesus apresenta um novo sentido à vida: não basta seguir a lei, mas amar o irmão; assimilar a humanidade de Cristo torna a vida divina.

Gravação realizada na missa das 18h na igreja São Miguel Arcanjo, em São Paulo.

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio no 30º Domingo do Tempo Comum

Pregação do Pe. Julio Lancellotti no 30º Domingo do Tempo Comum, celebrado em 26/10/2104. No Livro do Êxodo e no Evangelho, a Palavra de Deus apresenta os critérios de Deus: Ele ouve o pobre, a viúva e o órfão e tem misericórdia. Jesus afirma que o maior mandamento é amar a Deus de todo coração e ao próximo como a si mesmo.

Gravação realizada na missa das 7h30 na igreja São Miguel Arcanjo, em São Paulo.

Espiritualidade Pascal: chamados a sair de si mesmo

Dom Edmar Peron

A espiritualidade desse tempo da Páscoa inclui, certamente, a mensagem do Papa Francisco para o 51º dia mundial de oração pelas vocações. Ele inicia a sua mensagem com o tradicional texto de Mateus: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita” (9,37-38). Deus é o “Senhor da colheita”; lavrou a terra, semeou, cultivou. E, agora, no tempo da Igreja é hora de trabalhar para colher. Esse campo “é a humanidade, somos nós”. Dessa maneira, a oração de que fala Jesus é para que aumente o número das pessoas que “estão ao serviço do seu Reino”. Pessoas que conseguem contemplar a ação de Deus no mundo, o adoram e, consequentemente, sentem-se interpeladas por ele para, livremente, “agir com ele e por ele”.

E continua o papa Francisco: “Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo, uma saída de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs. Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (1Pd 3,15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projeto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração”.

Depois, o Papa Francisco convida cada pessoa “a ouvir e seguir Jesus, a deixar-se transformar interiormente pelas suas palavras que «são espírito e são vida» (Jo 6,63)”. Ele afirma que nos fará um bem enorme “participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em cada um e ao seu redor as melhores energias”.

Enfim, conclui o papa: “Quanto mais soubermos nos unir a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais haverá de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós”.

Continuemos hoje a salvadora experiência de Jesus: percorrer nossa Cidade, testemunhando com nossas vidas “o evangelho do Reino”, cheios de compaixão pelas multidões que continuam “angustiadas e abandonadas como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9,35-36). A Páscoa é convite permanente para irmos ao encontro desses irmãos e irmãs: eis o nosso êxodo cotidiano.

Quaresma para celebrar a Páscoa de coração purificado

Dom Edmar Peron

Há poucos dias, participamos do significativo rito da imposição das cinzas sobre nossas cabeças; suplicávamos a Deus que, como pai, ouvisse nossas súplicas e nos desse a graça de prosseguir na “observância da Quaresma” a fim de celebrarmos “de coração purificado o mistério pascal” de Jesus Cristo, vivendo uma “vida nova, à semelhança do Cristo ressuscitado”. Desse modo, as orações de bênção das cinzas já nos indicavam que celebramos a Quaresma por causa da Páscoa. Essa compreensão aparece em diferentes textos do Missal Romano. Vejamos!

O tempo da Quaresma, bem vivido, nos prepara – catecúmenos e fiéis – para a celebração do mistério pascal: “A observância anual da Quaresma é tempo favorável pelo qual se sobe ao monte santo da Páscoa” (Cerimonial dos Bispos, n. 249). As orações desses dias nos ajudam a louvar a Deus, “Pai santo, rico em misericórdia” e bendizer o seu nome “enquanto caminhamos para a Páscoa, seguindo as pegadas de Jesus Cristo”: ele mesmo, durante a Quaresma, reabre para a Igreja “a estrada do Êxodo, para que ela humildemente tome consciência de sua vocação de povo da aliança” (Prefácio da Quaresma, V); ele é quem concede “aos cristãos esperar com alegria, cada ano, a festa da Páscoa” (Prefácio da Quaresma, I); é a ele que suplicamos a graça de que “o nosso coração corresponda” às oferendas colocadas sobre o altar da Eucaristia, “com as quais iniciamos nossa caminhada para a Páscoa” (Primeiro Domingo da Quaresma, Oração Sobre as Oferendas).

Contudo, andaremos pelo caminho quaresmal conscientes de nossa fraqueza. Por isso, nesses dias, também rezamos a Deus para que “a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal” (Quarta-feira de Cinzas, Oração do Dia); que ele, Deus, inspire nossas ações e nos ajude a realizá-las para que nele “comece e termine tudo aquilo que fizermos” (Quinta-feira depois das Cinzas, Oração do Dia); que ele nos auxilie com sua bondade “para que vivamos interiormente as práticas externas da Quaresma” (Sexta-feira depois das Cinzas, Oração do Dia).

Um dos poderosos auxílios que Deus nos oferece é a sua Palavra, contida no Livro Santo, a Bíblia: ela conduziu no caminho do Reino de Deus, homens e mulheres, que hoje são para nós grandes testemunhas, os Santos e as Santas; ela nos alimenta, pois “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4: Dt 8,3); ela desarma “as ciladas do antigo inimigo” (Primeiro Domingo da Quaresma, Prefácio); se ela, a Palavra, permanecer em nós, conheceremos a verdade e seremos livres (Jo 8,32) e venceremos o Mal (1Jo 2,14).

Organizemos nosso tempo ao longo da Quaresma e nos empenhemos ainda mais à leitura, meditação e prática da Palavra de Deus, contida na Bíblia. Assim, alcançaremos o que pedimos na Quarta-feira de Cinzas: “celebrar de coração purificado o mistério pascal” de Jesus Cristo.

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio no 3º Domingo da Quaresma

Assista à reflexão do Pe. Julio Lancellotti na missa do 3º Domingo da Quaresma, celebrado em 03/03/2013. A Primeira Leitura, do Livro do Êxodo, revela o amor de Deus pelo povo: Ele vê a aflição, ouve o clamor, conhece o sofrimento e desce para libertá-lo. No Evangelho, Jesus conta uma parábola que demonstra a compaixão de Deus.

Tríduo Pascal – a nossa Páscoa – Quinta-feira Santa

Ceia do Senhor

É considerada véspera da Sexta-Feira Santa.

Jesus, seguindo o costume de seus irmãos judeus, celebrava todos os anos a Páscoa em memória dos acontecimentos do Êxodo. Às vésperas de ser entregue e condenado à morte, Jesus celebrou a Páscoa com um sentido próprio a partir de sua morte na cruz. Sua morte é Páscoa: mostra a intervenção do Pai que salva a humanidade pelo amor de seu Filho, amor este levado às últimas consequências. “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Antecipadamente, ele celebrou em forma de ceia pascal o que iria acontecer no calvário no dia seguinte.

Ele tomou o pão e o vinho celebrados na Páscoa e aplicou-os a si mesmo. Nessa ceia, é costume bendizer a Deus sobre o pão sem fermento que é partido e distribuído; Jesus viu nesse gesto o sacrifício do seu corpo imolado na cruz e dado como alimento. Nela, toma-se vinho e come-se o cordeiro sacrificado, cujo sangue selou a primeira aliança entre Deus e o povo e também poupou da morte os primogênitos. Jesus é o novo cordeiro que tira o pecado do mundo, seu sangue redentor derramado na cruz perdoa todo pecado.

Ao celebrar pela última vez a Páscoa judaica com seus apóstolos, Jesus institui o memorial de sua Páscoa (Paixão, Morte e Ressureição), a Eucaristia como o sacramento por excelência, que expressa o significado de sua entrega como cumprimento do projeto do Reino de Deus. Na última ceia há uma antecipação celebrativa, sacramental, do sacrifício de expiação do pecado que acontece na cruz. Essa é a celebração sacramental nova, memorial do novo êxodo pascal de Cristo.

Sua entrega consciente àqueles que podiam matá-lo significou o enfrentamento do mal deste mundo pelo Filho de Deus. Jesus combate o mal pela raiz e ensina-nos que o amor deve ser levado às últimas consequências: “Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).

Lava-pés

O gesto do lava-pés está muito presente na sociedade no tempo de Jesus, visto que se andava a pé. O primeiro gesto de acolhida numa casa era oferecer água para lavar os pés. O estranho é ver Jesus lavando os pés. Dessa forma, o gesto se reveste do valor da humildade, do serviço, do despojamento. Porque o comum era que um serviçal o realizasse.

Jesus, o Filho de Deus encarnado, entende sua vida e sua missão como serviço de amor à humanidade. Ele se doa inteiramente. “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais assim como eu fiz para vós” (Jo 13,14-15). Assim, o Reino de Cristo só pode ser recebido e instaurado com o serviço de amor. E a entrega da sua vida na cruz será o cume desta entrega, da sua vida colocada a serviço da humanidade. Assim, os três elementos se orientam mutuamente: o sacrifício na cruz, o serviço e a humildade de lavar os pés, e o pão partido. Isto é Eucaristia.

Celebração litúrgica

Ritos iniciais
Liturgia da Palavra
1ª leitura: Ex 12,1-8.11-14 – Primeira Páscoa
Sl 115 – O cálice por nós abençoado
2ª leitura: 1Cor 11,23-26 – O que eu recebi vos transmiti
Evangelho: Jo 13,1-15 – Lave-pés
Lava-pés
Liturgia Eucarística
Transladação do Santíssimo Sacramento


Tríduo Pascal – a nossa Páscoa

Paulinas

Páscoa: festa dos judeus, dos cristãos e de todos os povos

Domingos Zamagna

O vocábulo Páscoa provém das línguas hebraica (Pesah) e aramaica (Pasha), deverbais de uma raiz que significa “passar, saltar”.

A celebração pascal era originalmente uma festa agrícola, pastoril, quando os camponeses ofereciam, na primavera do hemisfério norte, os primeiros produtos de suas colheitas e rebanhos.

A partir desse substrato, por volta do séc. XII aC, a Páscoa começou a ser festejada também como memorial do acontecimento fundador da história do povo hebreu: o Êxodo, ou melhor, “os êxodos”, tanto o do Egito – que acabou se tornando paradigmático – quanto os das cidades-estado da Palestina. Os relatos sobre esses eventos, que inclusive podem ser controlados pela ciência histórica e pela arqueologia, são muito marcantes nos livros bíblicos. Em ambos os casos os hebreus galgaram um estágio de vida de impressionante qualidade para a época, pois conseguiram passar / saltar de uma situação de opressão (alienação) para uma vida de liberdade (inclusão).

Essa realidade vital recebeu uma expressão religiosa, concebida como aliança entre Deus e o povo, cujo resultado prático foi a constituição de uma anfictionia de tribos, isto é, uma nação fraterna onde não havia espaço para a exclusão. Tudo era polarizado pela dignidade das pessoas: havia convivência e trabalho para todos, sem nenhum dos gravames que estorvam a vida concreta dos povos, tais como monarquia, exércitos, burocracia, impostos etc. Essa situação persistiu pelo menos até a época salomônica.

Com o advento do cristianismo, oriundo do próprio judaísmo, como se lê nos textos neo-testamentários, a Páscoa recebeu novo significado. Convictos de que Jesus de Nazaré era o Messias longamente esperado pelo povo hebreu, os cristãos começaram a celebrar a Páscoa também como passagem de um estado de morte (assassinato de Jesus) para um estado de vida (ressurreição do Cristo). Com efeito, Jesus – assassinado em torno do ano 30 da nossa era, no tempo do imperador romano Tibério – depois que o seu túmulo foi encontrado vazio (cf Mt 28,6), a fé na sua ressurreição fez com que seus discípulos o reconhecessem como Filho de Deus, e o proclamassem como “Senhor” (Kýrios, em grego; Dominus, em latim, as línguas mais difundidas no Mediterrâneo), pois nele residia todo o poder de seu Pai, identificado com o Iahweh vétero-testamentário.

A Páscoa tem, enfim, além do seu significado estritamente religioso, um embasamento antropológico – e, por isso, ético -, no sentido que a aspiração a um estado de vida livre pertence à mais íntima estrutura de cada ser humano e de cada comunidade humana, podendo ser perfeitamente compreensível e vivenciado até mesmo por quem não se considera religioso.

Por isso, os ideais da Páscoa judaico-cristã não são mero privilégio confessional; eles podem ser vistos um como patrimônio comum de toda a humanidade, uma vez que todo ser humano é polarizado pelo bem, pela verdade, pela justiça e pela solidariedade. Cada membro da comunidade humana aspira, de fato, à passagem de um estado de opressão e morte para um estado de fruição de liberdade e vida feliz (cf Gl 5,1; Mt 5,1-11).

O Baú de recordações !

Marcos continua querendo a nos ajudar a responder a pergunta: Quem é JESUS?

Para isso vai mexer no Baú de recordações do povo. O povo de Israel sabe muito bem o que significa o deserto, os 40 dias, o êxodo, a arca de Noé, a fidelidade e a infidelidade ao projeto de DEUS.

O evangelho de hoje mexe com a cabeça do povo e com suas recordações, atualiza a memória e faz descobrir a novidade que liberta e faz viver.

JESUS faz o novo Êxodo e vence as tentações, o povo caminhou 40 anos no deserto para construir um projeto de vida, JESUS passa 40 dias no deserto frente à frente com satanás que quer dizer adversário.

JESUS está no Deserto como Adão estava no Paraíso!
JESUS foi tentado no deserto como Adão fora tentado no Paraíso!
JESUS está no meio das feras como Adão estava no Paraíso!
JESUS é servido pelos anjos no deserto e Adão foi expulso pelos Anjos do Paraíso!
JESUS é fiel diante das tentações no deserto, Adão foi infiel diante das tentações no Paraíso!

JESUS será tentado sempre porque o REINO que anuncia não é o Reino que muitos esperam, principalmente as autoridades e muitos do povo, o seu apelo de conversão que significa adesão a ELE e a sua mensagem, é a possibilidade de transformação em busca da VIDA!

O DESERTO e os 40 dias fazem o povo recordar que o caminho é longo e exigente.
Adão sucumbiu, JESUS venceu o adversário que não dará trégua até o fim.

JESUS transformou o deserto em Paraíso, crer, , aderir, tornar-se seu seguidor é o nosso desafio.
O seguimento de JESUS se dá na vida cheia de conflitos e esperanças que não podem desaparecer.

Seguindo JESUS venceremos a violência que nos atormenta não pela força, mas pelo AMOR!
A tentação da violência nos desfigura e desumaniza o AMOR nos humaniza mesmo quando nos martiriza!


Assista abaixo à homilia da missa do 1º domingo da Quaresma: