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O Credo do povo de Deus

Dom Demétrio Valentini
Bispo de Jales (SP)
Site CNBB

Estamos em pleno Ano da Fé. Ele teve seu início oficial no dia 11 de outubro de 2012, data que celebrava os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II. E tem seu término estabelecido para o domingo de Cristo Rei de 2013, que neste ano vai cair no dia 24 de novembro.

Um ano que promete muitas iniciativas, em vista desta proposta de fazermos dele um “Ano da Fé”.

Mas o interessante é que recentemente já tivemos outro “ano da fé” realizado logo depois que terminou o Concílio. Aquele foi proposto pelo Papa Paulo VI. Tinha como motivação a celebração do martírio de São Pedro e São Paulo em Roma.

O martírio dos dois maiores Apóstolos aconteceu nas proximidades do ano 67 de nossa era. Daí a data daquele “Ano da Fé”, colocado entre as festas de São Pedro e São Paulo, entre o 29 de junho de 1967 e 29 de junho de 1968.

Daquele primeiro “Ano da fé” a Igreja recebeu uma herança muito preciosa. Trata-se do “Credo do Povo de Deus”, elaborado por Paulo VI, e professado por ele no dia do encerramento do Ano da Fé, em 1968.

Foi louvável o esforço do Papa de colocar dentro de uma sequência harmoniosa, todas as verdades reveladas por Deus, colocadas para o nosso conhecimento, e propostas para o nosso consentimento. Assim, através de uma profissão clara e detalhada, Paulo VI formulou a crença cristã em Deus Trindade, destacando as verdades ao alcance da Igreja sobre Jesus Cristo e o Espírito Santo. Mas explicitando também as verdades sobre Maria, sobre a Igreja, sobre a nossa realidade de pecadores envolvidos pelas consequências do pecado humano, mas chamados à santificação pela ação da graça de Deus revelada em Jesus Cristo, e levada em frente pelo ministério da Igreja.

Este “credo”, professado solenemente pelo Papa Paulo VI, ficou conhecido como o “Credo do Povo de Deus”.

Com este título se retoma a afirmação central do Concílio, que identificou a realidade e a missão da Igreja em termos de “povo de Deus”, no contexto da visão bíblica que é sintetizada nas palavras do Profeta Jeremias; “Eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo”.

Será certamente útil conferir este “Credo do Povo de Deus”, na sequência que ele próprio destaca, para percebermos a riqueza de verdades que Deus nos revelou, e o desafio de conhecê-las bem e professá-las de maneira consciente e comprometida.

Em todo o caso, é uma boa proposta iniciarmos o novo ano, guiados pelo “Credo do Povo de Deus”.

Clique aqui para ver o “Credo do Povo de Deus” na homilia do Papa Paulo VI no encerramento do Ano da Fé, em 1968.

O essencial do credo

Jose Antonio Pagola

Ao longo dos séculos, os teólogos cristãos têm elaborado profundos estudos sobre a Trindade. No entanto, bastantes cristãos de nossos dias não conseguem entender o que essas admiráveis doutrinas têm que ver com suas vidas.

Ao que parece, hoje precisamos de ouvir falar de Deus com palavras humildes e simples, que toquem nosso pobre coração, confundido e desanimado, e revigorem nossa fé vacilante. Nós precisamos, talvez, recuperar o essencial do nosso credo e aprender a vivê-lo com uma nova alegria.

“Creio em Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra”. Não estamos sós ante os nossos problemas e conflitos. Não somos esquecidos. Deus é o nosso “Pai” querido. Desse modo era chamado por Jesus e assim é chamado por nós. Ele é a origem e o objetivo da nossa vida. Todos fomos criados por amor e seu coração de Pai nos espera no final da nossa peregrinação por esse mundo.

Hoje, seu nome é esquecido e negado por muitos. Os nossos filhos vão se afastando dele, e nós que acreditamos não sabemos lhes contagiar a nossa fé, mas Deus continua nos olhando com amor. Embora vivamos cheios de dúvidas, não temos que perder a fé em um Deus criador e Pai porque iríamos perder a nossa ultima esperança.

“Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor”. É o grande presente que Deus fez ao mundo. Ele nos contou como é o Pai. Para nós, Jesus nunca será mais um homem. A lhe olhar, vemos o Pai: nos seus gestos captamos a sua ternura e a sua compreensão. Nele podemos sentir ao Deus humano, próximo, amigo.

Este Jesus, o Filho amado de Deus, nos animou para a construção de uma vida mais fraterna e feliz para todos. É o que o Pai mais deseja. Além disso, ele nos indicou o caminho a ser percorrido. “sede vós compassivos como compassivo é o vosso Pai celeste”. Se esquecermos de Jesus, quem irá ocupar o seu vazio? Quem poderá nos oferecer a sua luz e a sua esperança?

“Creio no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida”. Este mistério de Deus não é algo distante. Está presente no profundo de cada um de nós. Podemos entendê-lo como o Espírito que alenta as nossas vidas, como o Amor que nos leva para aqueles que sofrem. Este Espírito é a melhor coisa que temos dentro de nós.