Espírito Santo

Cantos, avisos e bênção do “biscoito do Espírito Santo”

No final da missa de Pentecostes, o Pe. Julio abençoou os “biscoitos do Espírito Santo”, mantendo uma tradição portuguesa na paróquia. Ele lembrou a todos da festa junina que será realizada no próximo fim de semana e da celebração de Corpus Christi, na quinta-feira, 23. E animou a participação da comunidade nos cantos finais:

PENTECOSTES!

A solenidade de Pentecostes é a alegria e o amor de Espírito Santo que se derrama sobre nós.
No dizer do Pe.Comblin: “Do princípio ao fim, a vida do mundo e do homem procedem do Espírito de Deus e são dirigidas por Ele. O Espírito de Deus está na origem de tudo. Enviado pelo Pai, segundo a inspiração da Palavra que é o Filho de Deus, o Espírito conduz tudo à plena realização do Reino de Deus. Tudo é dom gratuito por iniciativa do Pai. Não há nada no mundo antes da chegada do Espírito e não chega nada depois do Espírito. O Espírito é a força que dá origem e finalidade a tudo. O Espírito é uma força de amor e vida que tudo penetra.”

A solenidade de Pentecostes nos chama à vida nova e à transformação.
O pe.Comblin ainda nos diz: “O homem é o único ser que não é o que tem que ser por nascimento, mas por vocação. No homem a vocação é mais importante que o nascimento. O que a pessoa é chamada a ser ao receber o dom de Deus é mais importante do que aquilo que traz ao nascer. O homem é um ser por vocação mais do que um ser pela força da natureza, embora não chegue a sê-lo senão pela força da natureza. Ele é ao mesmo tempo natureza e vocação.”

A reflexão e ação sobre o Espírito Santo nos leva a agir de maneira nova e aquece nossa vida e nos implele ao amor.

Insiste o pe Comblin: “Desde o começo o Espírito chama o que é fraco. Não usa os instrumentos de persuasão dos poderosos, mas a arma dos pobres que é a palavra. O Espírito é semelhante aos pobres e oprimidos. Não usa as armas da arrogância e da imposição.”

O Espírito Santo é amor que propõe e não usa de imposição, nos leva à comunhão. O Espírito não nos leva à uniformidade mas à unidade!

Vem Espírito Santo. Vem!


Vejam as fotos da celebração das 7h30 na Igreja São Miguel Arcanjo, por Carlos A Beatriz. Destaque para os sete dons, Temor, Ciência, Piedade, Fortaleza, Sabedoria, Conselho e Inteligência. Se observarmos vamos encontrar esses dons nesse momento.

Quando o espírito de Deus soprou

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Se a Páscoa é a festa máxima do cristianismo, quando na vitória de Jesus Cristo sobre a morte nós, cristãos, celebramos o destino finalmente redimido da condição humana – viver plenamente, sem medo de um fim que não existe -, Pentecostes é a festa da criação como um todo. Nela, o Espírito é derramado sobre toda carne, suscitando naqueles ali reunidos uma comunicação universal e sem barreiras, que acaba com a incomunicação instaurada pela babelização das línguas e o consequente desentendimento entre os seres humanos.

Por isso, Pentecostes é a festa da diferença reconciliada e integrada na totalidade daquilo que foi o sonho de Deus na criação, quando pela Palavra e o Espírito disse: Faça-se e tudo se fez: luz, terra, biodiversidade, vida humana, amor, fertilidade e fecundidade. Pentecostes é a festa onde a nostalgia e a orfandade se tornaram comunidade e missão. Comunidade dos que creram em Jesus de Nazaré, choraram sua morte e com ela sentiam-se perdidos e perplexos. Missão destes mesmos que agora, com a ressurreição do Mestre, são transformados em testemunhas intrépidas e corajosas que a tudo enfrentam para anunciar ao mundo a boa nova de que aquele que estava morto agora vive e não deve ser buscado em túmulos e cemitérios, mas sim no olhar brilhante e no coração ardente dos que nele creem e experimentam sua presença mais forte do que nunca.

Naquele Pentecostes, primeiro fez-se verdade a frase que Paulo escreve na carta aos gálatas: Não há judeu nem grego, nem escravo, nem homem, nem mulher, pois todos são um só em Cristo Jesus. Assim sucedeu quando os apóstolos, iluminados pelo Espírito, falaram a uma multidão de todas as raças e línguas e foram entendidos, seu anúncio recebido e a missão que continha esse anúncio praticada. Assim a Igreja já nasce sob o signo da universalidade e proclama ao mundo sua missão: anunciar Jesus Cristo e fazer acontecer seu reino.

Por isso Pentecostes é a festa da Igreja, mas uma Igreja que não permanece fechada em suas fronteiras; abre as portas para dialogar com todos e a cada momento ser reinventada a partir do encontro e do diálogo com outras culturas e outras realidades e línguas. Pentecostes é a festa de uma Igreja que não faz acepção de pessoas e anuncia a todos e a cada um a boa nova da qual é depositária. Pentecostes é a celebração de uma identidade eclesial que não quer impor-se pela força, mas apresentar um dom e um presente, e a partir dai reencontrar sua identidade.

Hoje, em um mundo não mais hegemonicamente cristão, mas fragmentado pela secularidade e a pluralidade multifacética, a celebração de Pentecostes recobra todo um sentido que resgata aquilo que de mais profundo está em suas origens: o fato de desejar estar ali onde estão as pessoas, as coisas, tudo o que é criado por Deus para ajudar humildemente a que a vida aconteça. Por isso, a celebração de Pentecostes configura uma Igreja desejosa de que não haja fronteiras que não sejam ultrapassadas, que não haja bloqueios que não sejam superados, que não haja discriminações que não sejam reconciliadas, que não haja traumas que não sejam curados.

Pentecostes é a festa da pluralidade do criado. E, como tal, é a festa do amor que, fiel à sua identidade fecunda e criativa, integra e plenifica tudo aquilo que toca. Celebrar Pentecostes é compreender, é experimentar que ser cristão é crer sobretudo nesta humanidade que Deus ama e que é capaz de fazer de suas contradições ponto de partida para crescimento e plenitude.

A comunidade terá um defensor!

Na caminhada da vida as comunidades enfrentarão grandes e graves desafios.
Jesus promete que não estarão sózinhas mas contarão com um defensor o Espírito Santo pelo qual se fortalecerão e encontrarão caminhos de verdade e vida.

O discernimento a partir do amor vivido e ensinado por Jesus nos transformará e nos fortalecerá frente as hostilidades do mundo que não entende que o amor a Deus e a fidelidade do seguimento trazem consequências.

As comunidades não estarão abandonadas mas protegidos por um amor que não desaparece e compromete.

O discernimento a partir de Jesus e de sua vida nos faz discípulos e missionários.

No seguimento de Jesus teremos que, como Ele, enfrentarmos os poderes deste mundo que desumanizam a vida e destroem a dignidade da pessoa humana.

O mundo não verá Jesus mas o conhecerá através dos que o amam e anunciam sua Vida e Presença pelo seguimento e vivência do amor fraterno e da transformação do mundo.

O espírito sopra onde quer

Pe. Alfredo J. Gonçalves

Nas últimas décadas, um sopro do espírito varre a Igreja, seja do lado protestante seja do lado católico. Quando sopra o vento, nada e ninguém podem detê-lo. Ao mesmo tempo, ninguém pode-lhe permanecer neutro, indiferente. Vêem daí os prós e contras frente ao crescimento dos movimentos carismáticos ou pentecostais, tanto no catolicismo como no protestantismo.

Uns os batizam de espiritualismo intimista e privativo, estéril e ineficaz. Outros neles encontram a razão de ser para sua trajetória cristã, com a certeza de que, finalmente, puderam encontrar o caminho. Uns e outros reconhecem sua emergência e sua repercussão. Mas, enquanto para os primeiros tais movimentos tendem a evitar todo e qualquer compromisso social, para os segundos refletem uma experiência profunda de encontro com Cristo.

Onde está a verdade? Seria muita pretensão procurar separar o joio do trigo, para ficar na linguagem evangélica. Nesses embates, as linhas continuam indefinidas, os contornos não são precisos. Graças a Deus, a vida é muito mais dinâmica e imprevisível do que nossos esquemas mentais e gramaticais. “O bem o e mal, o certo e o errado, tudo é muito misturado”, diria Guimarães Rosa (Grande Sertão Veredas).

Apesar desse alerta, vale a pena tentar um olhar mais objetivo sobre esse “sopro do espírito”. De início, temos de reconhecer que estamos diante de uma realidade carregada de ambiguidades, mesmo porque pisamos um terreno sagrado. Neste, tudo se reveste de mistério, diante do qual não raro ficamos sem palavras! Diante da experiência e das expressões da fé, há limites claros para a razão humana.

Cientes do solo ambíguo em que avançamos, a primeira coisa que chama a atenção dos movimentos carismáticos é a mistura de riscos e potencialidades. Uns e outras se confundem, se mesclam e se entrelaçam. Ente os riscos, não é difícil surpreender uma leitura equivocada da realidade social e histórica. Como se esta fosse impulsionada por um determinismo secreto, onde a ação humana não tem qualquer possibilidade de mudança.

Sendo assim, e sendo essa realidade marcada pelas contradições em nível sociológico, e pelo pecado em nível teológico ou moral, o mais sensato não é tentar transformá-la, e sim fugir dela. Na impossibilidade de mudar os destinos do mundo e da humanidade, o melhor é escapar para outra dimensão. Resulta que, em não poucos casos, o pentecostalismo protestante ou católico se converte numa espécie de “barquinho de salvação” diante da sociedade imutável. “O mundo está perdido, mergulhado no pecado, mas eu encontrei Jesus”! O barquinho procura equilibrar-se no mar tempestuoso, muitas vezes ignorando as angústias de quem está sendo devorado pelas ondas gigantes da fome e da miséria, da injustiça e das desigualdades sociais, da violência e da discórdia. Mares bravios afogam pecadores e inocentes, mas os barquinhos seguem protegidos pelas bênçãos de Jesus.

No fundo inconsciente dessa leitura míope dos fatos históricos, esconde-se uma dicotomia que divide o mundo dos salvos, os que “encontraram Jesus”, e os perdidos que se recusam a tal encontro. Permanecendo na cegueira, sua condenação será inevitável. O estudo superficial da realidade conduz a uma prática marcada por ações paliativas, assistenciais, ou puramente religiosas. Não falta a sensibilidade e a caridade para com os menos favorecidos; falta o conceito de protagonismo dos pobres. O falso diagnóstico falsifica igualmente o remédio.

Passemos às potencialidades, as quais, repetimos, misturam-se inextrincavelmente aos riscos. Salta à vista, antes de tudo, o retorno da alegria à vivência cristã. É possível ser cristão, alegre e feliz! Esse aspecto reveste de vida nova a liturgia, a prática e todas as demais expressões religiosas. Revela um ingrediente muito comum na cultura latino-americana, em geral, e brasileira, em particular. Tempera o vinho novo de novas manifestações. Com isso, aprendemos que não é só a mente ou a inteligência que se comunica com Deus. Todo o corpo reza, celebra e festeja! Rompe-se com um racionalismo frio e calculista, às vezes demasiadamente politizado, que impregnava a prática cristã de cunho mais profético. Dá-se importância ao gesto, à imagem, ao canto, ao simbolismo, enfim, a uma linguagem coreograficamente mais vívida e rica. As atividades religiosas ganham em vigor e alegria. A festa entra na Igreja. Às vezes em detrimento da profecia, é bem verdade, mas não podemos deixar de reconhecer esse lado expansivo que, por outro lado, faz-se presente em grande parte das expressões religiosas negras e indígenas, berço comum de nossa cultura miscigenada.

Além disso, não dá para negar a experiência religiosa de inúmeras pessoas que insistem ter “encontrado Jesus” e, de fato, mudaram o rumo de suas vidas. Não poucas superaram vícios e consertaram desavenças inconciliáveis. O que há por trás disso? Independentemente do que fazem os dirigentes religiosos diante de tais testemunhos, permanece inegável uma experiência profunda, verdadeira, por vezes indecifrável para os próprios sujeitos que a vivenciaram. Impossível tanta gente se enganar por tanto tempo. Impossível estar diante de uma mentira colossal e coletiva!

Não há o que duvidar: um sopro do espírito modificou suas existências. Há manipulação, há exploração do sagrado, há mercantilização da fé. Há exageros de curas e de “falar em línguas”! Nada disso, porém, elimina os que os fiéis chamam de “encontro com Jesus” e “mudança de vida”.

Como todo sopro do espírito, também esse incomoda e interpela a instituição. Causa um clima de estranheza e rivalidade entre as igrejas estabelecidas e as estruturas voláteis dos movimentos autônomos ou carismáticos. Estes costumam caminhar acima ou paralelamente ao “plano diocesano”, o qual, por sua vez, nem sempre lhe abre as portas ou lhe dá espaço. Mas convém não esquecer que “o espírito sopra onde quer” (Jo, 3, 8), a irrupção de Deus na história é imprevisível e não respeita fronteiras. Nenhuma Igreja pode represar as forças do vento nem manter o monopólio da manifestação do espírito divino.

Sobram dois desafios. Por um lado, reconhecer e respeitar o sopro do espírito, em que muita gente se sente reconciliada com a própria fé e com a própria vida; por outro, saber discernir o que é espetáculo, show ou manipulação, do que é obra de Deus. E aprender com Gamaliel que não se pode “mover guerra contra Deus” (At 5, 34-39).

Pentecostes! Espírito Santo, VEM!

A solenidade de Pentescostes movimenta a vida, transforma a história, vivifica as esperanças, nos aquece e reanima.

A Solenidade de Pentecostes é a festa do Envio e da Paz, plenitude da justiça vivida na solidariedade.
O Espírito Santo de Deus nos conduz na história para sermos seguidores, discípulos missionários de Jesus.

Comovente o relato da presença do Senhor no centro da comunidade reunida em seu nome e impulsionada pelo Espírito Santo. Jesus deseja a Paz e depois mostra as mãos e o lado, as marcas do sofrimento as marcas do amor.

Segui-lo e anunciá-lo deixa marcas profundas, a missão se dá em meio a conflitos e desafios.

Receber o Espírito Santo para discernir e fazer escolhas que humanizem a vida e superem os sofrimentos que destroem a esperança.
O Espírito Santo é o paráclito, o defensor o consolador e tranformador.

O Espírito Santo é a revolução dos valores: de acumular para partilhar! Não afasta, aproxima. Não fere, cura.

Vivamos intensamente o Amor que nos humaniza e transforma!

João, o Batista

Gilda Carvalho

“Eis que envio à tua frente o meu mensageiro, e ele preparará teu caminho. Voz de quem clama no deserto: Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as veredas para ele.” (Mc 1,1-3). As palavras do profeta Isaías que dão início ao Evangelho narrado por São Marcos nos dão uma pequena mostra da grandeza do homem João.

Filho de Isabel e Zacarias, judeus piedosos que, sem filhos e já idosos, viram manifestar a graça de Deus, através da chegada de João. Seu nascimento é cercado de episódios reveladores da especialidade daquele que seria o precursor do Messias. Sua mãe, já avançada em idade, era considerada estéril; seu pai, também entrado em anos, era sacerdote e duvidou da mensagem do anjo que anunciava a gravidez da esposa e, por duvidar, ficou mudo até o nascimento do menino. Por fim, o nome dado à criança surpreendeu a todos, por ser um nome não usual na família, mas Zacarias insiste no mesmo e, assim, volta a falar.

Ainda no ventre da mãe, João reconhece a presença do Messias quando Isabel recebe a visita de Maria. Este primeiro encontro, ainda no útero materno, foi um transbordamento de alegria e louvor. Suas mães eram portadoras de um mistério e, cúmplices, fizeram de seus corpos instrumentos da revelação de Deus à humanidade. A gestação de ambas seguiu um ritmo paralelo, próximo. E, juntas, foram descobrindo, aos poucos, a grandeza da maternidade, a entrega de suas vidas ao Senhor. Maria, já portadora do Filho de Deus, foi visitar sua prima Isabel e, conta a história, a serviu durante sua gravidez. Manifestava-se na Mãe, o serviço do Filho aos homens e mulheres. Isabel, portadora do Precursor, no primeiro momento daquele reencontro entre as duas primas, anunciou – como mais tarde seu filho o faria – que naquela jovem que chegava estava sendo gerado o Messias: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!” (Lc 1, 42). Desde sempre os destinos dos dois meninos estarão ligados: se os laços de sangue os uniam na família terrena, o batista e o cordeiro de Deus serão companheiros de uma mesma missão.

Certamente outros encontros familiares se seguiram àquele primeiro. Brincadeiras de infância, cerimônias, descobertas… Anos se passaram até que nas águas do rio Jordão os primos voltaram a se encontrar, já adultos. João vivia com austeridade, pregando uma vida de conversão: era necessário que os caminhos fossem preparados para a chegada do Senhor. Era preciso que cada homem renascesse, se fizesse novo, para encontrar a Novidade. Após longo período de isolamento, João iniciou sua vida pública, anunciando que o Messias estava próximo. E foi nas margens do rio Jordão onde João exercia seu ministério, que aconteceu um novo encontro com seu primo Jesus. O Mestre, a quem João se referia como “aquele de quem não sou digno de desatar as correias de suas sandálias” (Mc 1, 7), pediu o Batismo a João, O homem Jesus que chegou às margens do rio queria ser batizado por João porque estava prestes a abraçar aquele mesmo caminho que o primo anunciava. E, cúmplices do Mistério tal como suas mães, vêem o céu se abrir e o Espírito do Senhor se manifestar na forma de uma pomba e escutam o próprio Deus falar: “Tu és meu Filho amado, em ti está o meu agrado” (Mc 1, 11).
João batizava na água e, até hoje, seguimos seu exemplo nos rituais cristãos do Batismo. O elemento da vida é usado pelo Batista como o símbolo da nova vida em Cristo. Contemporâneo do Messias, homem intrigante e instigante, figura forte no tempo litúrgico do Advento, João nos convida a permanecermos em constante atitude de conversão.

Água e Espírito se apresentam como sinais de conversão. Um lava, o outro restaura. A água tem sua natureza ligada à geração e à manutenção da vida humana. Simboliza a purificação, o renascimento. O Espírito salva, redime, fortalece, torna divino o que é humano. João batizava com a água. Era o batismo simbólico do Precursor, cuja liturgia até hoje celebramos. Dizia que depois dele viria um outro – Jesus – que nos batizaria no Espírito. Era o anúncio do maior dos profetas, de que a salvação era chegada através do Espírito de Deus manifestado em Jesus Cristo, que revelaria com sua vida o caminho para Deus: conversão – misericórdia – amor – serviço. O mesmo caminho anunciado por João Batista. Era Deus revelado àqueles homens que a própria vida uniu por laços familiares e por ideais.

O culto a São João Batista é celebrado desde os primórdios do Cristianismo e, é o único santo da Igreja para o qual se celebram duas solenidades: uma que marca o seu nascimento (24/06) e, a outra, em que se comemora o seu martírio (29/08). No Brasil, é costume celebrá-lo com a tradicional festa de São João, com danças, músicas e comidas típicas, e que reúne milhares de pessoas em todo o país.
Que João possa continuar a nos apontar o Mestre que passa, como outrora apontou aos seus discípulos e, através do precursor possamos também reconhecer no Homem de Nazaré o Cordeiro de Deus. Que possamos também nós seguir este caminho que João Batista e Jesus de Nazaré nos anunciaram. Só assim, estaremos vivendo em plenitude nossa condição de batizados e batizadas, membros do povo de Deus.

Texto para oração: Lc 1, 27-66.80

O essencial do credo

Jose Antonio Pagola

Ao longo dos séculos, os teólogos cristãos têm elaborado profundos estudos sobre a Trindade. No entanto, bastantes cristãos de nossos dias não conseguem entender o que essas admiráveis doutrinas têm que ver com suas vidas.

Ao que parece, hoje precisamos de ouvir falar de Deus com palavras humildes e simples, que toquem nosso pobre coração, confundido e desanimado, e revigorem nossa fé vacilante. Nós precisamos, talvez, recuperar o essencial do nosso credo e aprender a vivê-lo com uma nova alegria.

“Creio em Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra”. Não estamos sós ante os nossos problemas e conflitos. Não somos esquecidos. Deus é o nosso “Pai” querido. Desse modo era chamado por Jesus e assim é chamado por nós. Ele é a origem e o objetivo da nossa vida. Todos fomos criados por amor e seu coração de Pai nos espera no final da nossa peregrinação por esse mundo.

Hoje, seu nome é esquecido e negado por muitos. Os nossos filhos vão se afastando dele, e nós que acreditamos não sabemos lhes contagiar a nossa fé, mas Deus continua nos olhando com amor. Embora vivamos cheios de dúvidas, não temos que perder a fé em um Deus criador e Pai porque iríamos perder a nossa ultima esperança.

“Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor”. É o grande presente que Deus fez ao mundo. Ele nos contou como é o Pai. Para nós, Jesus nunca será mais um homem. A lhe olhar, vemos o Pai: nos seus gestos captamos a sua ternura e a sua compreensão. Nele podemos sentir ao Deus humano, próximo, amigo.

Este Jesus, o Filho amado de Deus, nos animou para a construção de uma vida mais fraterna e feliz para todos. É o que o Pai mais deseja. Além disso, ele nos indicou o caminho a ser percorrido. “sede vós compassivos como compassivo é o vosso Pai celeste”. Se esquecermos de Jesus, quem irá ocupar o seu vazio? Quem poderá nos oferecer a sua luz e a sua esperança?

“Creio no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida”. Este mistério de Deus não é algo distante. Está presente no profundo de cada um de nós. Podemos entendê-lo como o Espírito que alenta as nossas vidas, como o Amor que nos leva para aqueles que sofrem. Este Espírito é a melhor coisa que temos dentro de nós.

Celebração de Pentecostes na Catedral da Sé

Leticia de Oliveira Aio

No dia 31 de maio os jovens crismandos de toda a Arquidiocese de São Paulo reuniram-se na Catedral da Sé (Igreja de Nossa Senhora da Assunção) para comemorar o dia de Pentecostes.

Celebração de Pentecostes na Catedral da Sé

O dia de Pentecostes é celebrado sempre no 50º dia após a Páscoa. Pentecostes é símbolo do Cenáculo, onde os apóstolos se reuniram pela primeira vez à espera do Espírito Santo, inspirador de todos os trabalhos na Igreja. Desde a fundação é no Cenáculo que a comunidade cristã se reúne, para ser conduzida pelo Sopro Inspirador, compartilhando o amor em Cristo.

Nos reunimos no salão da Igreja São Miguel, onde realizamos nossos encontros quinzenais da Crisma, colocamos a camiseta da nossa igreja e caminhamos até o metrô Belém. De lá fomos até a estação Sé e caminhamos até a Catedral. Já estava lotada de jovens quando chegamos, dos lugares mais distantes da cidade, como Santana e Brasilândia. Encontramos um cantinho perto das portas da Igreja, do lado esquerdo do corredor principal e pudemos observar a entrada dos membros da Igreja bem de perto.

Como a Igreja estava lotada, permitiram que ficássemos no corredor principal muito próximos ao altar, o que foi muito bom pois pudemos visualizar muito bem a linda missa daquele dia. Após a Comunhão saímos da Igreja, pois seria difícil voltarmos para casa ao final da celebração, mas desfrutamos de momentos lindos dentro do templo e com certeza foi uma experiência bastante marcante para todos nós, uma vez que muitos (como eu) nunca tinham assistido a uma missa na Catedral.

Creio que este dia foi muito importante pois não temos idéia de quantos jovens se reúnem em busca de um mesmo objetivo, em busca de compreender os ensinamentos da Igreja e buscarmos sempre ajudar aos nossos irmãos, e neste dia foi possível ver que somos um grupo muito grande e que, embora pertençamos a diferentes comunidades, somos todos irmãos unidos por um mesmo ideal.

Aos amigos da crisma gostaria de deixar um grande abraço, pois durante este tempo que estamos juntos nos encontros estabelecemos grandes laços de amizade que, eu espero, permanecerão para sempre.

Crismandos na Catedral da Sé

Fotos de Diego Teixeira.

Três festas

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

A revelação de Deus se completou com a manifestação do Espírito Santo. Ele dá testemunho do Pai e do Filho, sendo Ele mesmo pessoa, expressão pessoal da comunhão divina, introduzindo-nos no mistério da Trindade una. Neste mês de junho a Igreja celebra três festas que condensam para nós a infinita riqueza da comunicação de Deus conosco: a SS. Trindade, Corpus Christi e Sagrado Coração de Jesus, respectivamente nos dias 7, 11 e 19 próximos.

O grande mistério, origem e destino do universo, é a Trindade Santa: Deus Pai, Filho e Espírito Santo, Deus-Amor. Mais de uma vez Jesus afirmou “Eu e o Pai somos Um”(Jo 10,30). Este ser Um com o Pai significa uma comunhão profunda no ser e no agir: “o Pai está em mim e eu no Pai” (Jo 10,38). Esta comunhão é uma comunhão de amor, no Espírito Santo. São João assim definiu Deus: “Deus é Amor”( I Jo 4,8). Dirá mais tarde Santo Tomás: Amor Subsistente.

No capítulo 17 do evangelho de João Jesus assim se dirige ao Pai: “e agora, Pai, glorifica-me junto de ti mesmo, com a glória que eu tinha, junto de ti, antes que o mundo existisse” (v.5). Em outra ocasião Ele afirmara: “antes que Abraão existisse Eu Sou” (Jo 8,58). Assim os discípulos compreenderam a origem eterna de Jesus e Tomé pôde exclamar, ao contemplar a humanidade do ressuscitado: “meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). Aquele homem, Jesus de Nazaré, é verdadeiramente Deus, mais precisamente, o Verbo eterno pelo qual o Pai criou todas as coisas, as visíveis e as invisíveis. Ele é o Verbo feito carne no seio de Maria, por obra do Espírito Santo. Compreendemos então o significado profundo da devoção ao Coração de Jesus.

É o coração humano de Deus-Filho. Ali mora o Pai que lhe dá seu amor inteiro, infinito, no Espírito Santo, tal como se manifestou no batismo de Jesus. O Coração de Jesus é um coração onde faz morada a relação filial que desde sempre subsiste no mistério de Deus: “O Pai me ama e eu amo o Pai”. A eterna relação de amor Pai-Filho se comunica a nós na humanidade de Jesus. Por isso o Coração de Jesus tem a plenitude do Espírito Santo, é um Coração abrasado de infinito amor. É São João quem nos legou a cena do soldado atravessando o coração de Cristo com uma lança, observando: “…e imediatamente saiu sangue e água”. Os padres da Igreja viram nesse acontecimento um precioso símbolo da nascimento da Igreja: a água remetendo-nos ao batismo e o sangue à eucaristia. Do lado aberto de Cristo nasce a Igreja, nova Eva, a humanidade nova. Pela sua paixão e morte Jesus se entrega inteiramente à humanidade, purificando-a para a ela se unir, comunicando-lhe vida abundante.

O Coração transpassado de Cristo testemunha esse incomensurável amor. E o Espírito dá testemunho em nosso coração de que somos, no Filho, filhos amados de Deus, agora nosso Pai. São João nos ensina: “são três que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue” (I Jo 5,7-8). E continua: “e nisto consiste o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho, não tem a vida” (Jô 5,11-12). A devoção ao Coração de Jesus nos conduz para dentro desse mistério de amor e de vida. Ter o próprio coração entrelaçado com o de Cristo é estar mergulhado no mistério de amor que é o próprio Deus. O Batismo introduziu-nos nesse mistério.

A eucaristia aprofunda sempre mais nossa comunhão com Cristo e, n’Ele, com o Pai e com todos os seres humanos, em primeiro lugar com os que conosco constituem o Corpo Místico, que é a Igreja. A Eucaristia é, pois, o grande sacramento do encontro de Deus conosco. Prolonga o mistério da encarnação: o Verbo Encarnado, pão descido do céu para a vida do mundo (Cf. Jo 6,35), se faz pão-alimeto nas mesas-altares de nossas comunidades (Jo 6,51). Corpus Christi é a festa em que a Igreja se alegra e proclama publicamente sua fé na Eucaristia, presença daquele que doou sua vida para que vivêssemos a plenitude da vida: “Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo do Pai, assim viverá de mim quem de mim se alimenta… Quem come deste pão viverá para sempre”(Jo 6,57-58). A Eucaristia é ainda a presença da entrega de Jesus. O ato de amor com que Jesus ofereceu sua vida na Cruz se faz realmente presente na celebração eucarística. Ali está Jesus, por força das santas palavras da consagração, entregando-se a nós e unindo-nos à sua entrega ao Pai, feita na Cruz de uma vez para sempre. Tanto quanto Nossa Senhora, ao pé da cruz, nós entramos no ato de amor com que Jesus se entregou ao Pai pela nossa salvação. Depois comungamos, recebemos o corpo e sangue do Senhor, corpo glorioso, mas dado na Cruz, naquela sexta feira santa, e sangue transfigurado, mas derramado naquele dia para a remissão de nossos pecados, sangue da nova e eterna aliança. Na eucaristia o Coração de Jesus providenciou um meio de perpetuar sua presença redentora no meio de nós. Na despedida – era preciso que Ele voltasse para o Pai – Ele quis ficar, disfarçado, mas muito realmente, nos sinais do pão e do vinho, para que nunca nos esquecêssemos de que Ele morreu por nós e de que, ressuscitado, d’Ele e com Ele deveríamos viver, em profunda comunhão. Mês de junho, Mês abençoado!