VÍDEO: Homilia do Pe. Julio na festa de São João
Assista à homilia do Pe. Julio Lancellotti na solenidade de nascimento de São João Batista, celebrada em 24/06, data em que se comemora também o Dia do Migrante:
editor Jesus, profeta, São João Batista
Assista à homilia do Pe. Julio Lancellotti na solenidade de nascimento de São João Batista, celebrada em 24/06, data em que se comemora também o Dia do Migrante:
O profeta Isaías se refere à figura do “servo” do Senhor, comumente denominada, “servo de Javé”. Sua missão profética vem de Deus, sendo por ele chamado “desde o ventre materno” (Is 49,1), “preparado desde o nascimento para ser seu servo” (Is 49,5). A atuação do “Servo” vai além de Israel. Isaías destaca a universalidade de sua missão profética, enquanto “luz das nações”, a fim de que a “salvação chegue aos confins da terra”. A profecia de Isaías a respeito do “Servo” se cumpre plenamente em Jesus Cristo, mas se aplica, ao menos em parte, a todo verdadeiro profeta. Por isso, esse trecho é escolhido para a natividade de S. João Batista.
São Paulo se dirige aos judeus de Antioquia da Psídia, na sinagoga da cidade, num sábado, anunciando que Jesus Cristo é o Salvador (At 13,23). Para tanto, ele se refere a Davi e a João Batista, pondo em relevo a missão de preparar o povo para acolher Jesus, realizada por João. Paulo esclarece que João Batista não é o Messias esperado, ao contrário do que alguns acreditavam. Apesar da sua importância, João Batista não ocupa o lugar de Jesus; ao contrário, veio conduzir o povo a Jesus. Por isso, a celebração do seu nascimento, hoje, deve também nos levar a sermos discípulos de Cristo.
O Evangelho relata o fato, narrado por Lucas, que motiva a solenidade litúrgica de hoje: o nascimento de João Batista, motivo de alegria e de admiração para os vizinhos. Sua mãe, Isabel, era estéril e, assim como o marido Zacarias, estava em idade avançada. O menino recebe de seus pais um nome que não era comum e, por isso, questionado pelas pessoas. Zacarias, o pai do menino, se põe “a louvar a Deus” (Lc 1,64). O povo admirado se perguntava: “o que virá a ser deste menino?” (Lc 1,66). E o texto proclamado se conclui com a afirmação de que “a mão do Senhor estava com ele”, como ocorreu com os grandes profetas.
Perante o nascimento de S. João Batista e o nascimento de cada criança, reconhecemos que a vida é dom de Deus a ser acolhido com alegria e responsabilidade e, por isso, rezamos, com o Salmo 138: “Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes!”. É preciso hoje, valorizar e defender a vida, desde a concepção. Dentre os que mais sofrem violações à vida, estão inúmeros migrantes, especialmente, as vítimas da migração forçada. Neste domingo, celebramos o Dia Nacional do Migrante, concluindo-se a Semana do Migrante, através da oração, da reflexão e de gestos de acolhida e solidariedade.
editor Ascenção, Código Florestal, Pentecostes, Santíssima Trindade, Santo Antônio, santos populares, São João Batista, São Pedro
Dom Demétrio Valentini
Neste ano o mês de junho se apresenta particularmente carregado de celebrações importantes. A começar pela sequência de domingos especiais, da Ascensão, em seguida Pentecostes, e depois o domingo da Santíssima Trindade. Tudo dentro de junho, que por conta própria apresenta as festas tradicionais de Santo Antonio, São João Batista e São Pedro.
Assim, ao lado dos domingos que já merecem o seu destaque, temos a proximidade de festas populares, recordando santos que continuam tendo uma incidência muito forte na religiosidade popular.
Acontece que neste ano a Páscoa veio bem mais tarde do que o costume. E assim a série de festas conclusivas do tempo pascal coincidiu com as festas tradicionais do mês de junho. E resultou nesta fartura de celebrações que nutrem bem nossa fé, e expressam bem nossos sentimentos.
Para entendermos a coerência dos calendários, de novo nos damos conta, a propósito deste festivo junho de 2011, como somos herdeiros de dois calendários, o judaico e o romano. Um tendo a semana como referência, e outro tendo como referência o mês.
Se aguçamos nossa curiosidade, podemos nos dar conta que as festas ligadas à semana, cadenciadas pelos domingos, são as mais antigas, e do ponto de vista da fé cristã, aquelas que nos apresentam o núcleo fundamental do mistério de Cristo, que a liturgia celebra em cada ano. Esta dinâmica semanal se expressa com evidência pelo tempo da quaresma, que inicia numa quarta-feira, pela semana santa que culmina com o domingo de páscoa, e que a partir daí se desdobra pelo ano inteiro.
Ao passo que as festas marcadas por dias dos meses, fazem parte de outra sequência, expressam celebrações posteriores, e denotam uma tradição surgida quando a civilização ocidental já tinha passado a adotar o calendário romano.
As primeiras, ligadas à semana, vêm carregadas de densidade teológica. A segunda, ligada aos meses, vem caracterizada de festejos populares, que também eles não deixam de expressar a forte incidência das verdades cristãs na vida religiosa do povo.
Em todo o caso, deixemos que o calendário nos prepare, cada ano, um farto cardápio de celebrações, destinadas a motivar nova vida, e dar-lhe consistência cristã.
Mas esta vibração religiosa não deixa de inquietar. Seja pela exigência de autenticidade e pelo cuidado com o indispensável equilíbrio na maneira de expressar nossa alegria e nossa convivência fraterna.
Mas muito mais por um questionamento especial, que convém fazer. Somos um povo que sabe vibrar com intensidade nas festas religiosas, e isto é bom. Porém não somos capazes da mesma vibração quando se trata de participar de iniciativas destinadas a buscar soluções para problemas vitais, de ordem social, política, econômica, ambiental.
Teríamos fartos motivos para desencadearmos um mutirão irresistível para erradicar a miséria de nosso país, como agora nos propõe o governo. Mas infelizmente nossa participação política é de baixa intensidade.
Podemos comprovar esta constatação na maneira como tramitou a votação sobre o novo Código Florestal. Um tema de vital interesse nacional como este, ficou restrito a debates que infelizmente foram demasiado condicionados a posições ideológicas, que distorcem a realidade e toldam o horizonte do equilíbrio e do bom senso.
Como este, outros temas serão em breve colocados na ordem do dia, como a reforma política e a reforma tributária.
Que as festas juninas não nos alienem destes desafios que precisam ser assumidos com responsabilidade. Até porque as próprias festas populares perdem sua sustentabilidade, se perdermos o horizonte de um país justo para todos.
editor Batismo, Espírito Santo, São João Batista
Gilda Carvalho
“Eis que envio à tua frente o meu mensageiro, e ele preparará teu caminho. Voz de quem clama no deserto: Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as veredas para ele.” (Mc 1,1-3). As palavras do profeta Isaías que dão início ao Evangelho narrado por São Marcos nos dão uma pequena mostra da grandeza do homem João.
Filho de Isabel e Zacarias, judeus piedosos que, sem filhos e já idosos, viram manifestar a graça de Deus, através da chegada de João. Seu nascimento é cercado de episódios reveladores da especialidade daquele que seria o precursor do Messias. Sua mãe, já avançada em idade, era considerada estéril; seu pai, também entrado em anos, era sacerdote e duvidou da mensagem do anjo que anunciava a gravidez da esposa e, por duvidar, ficou mudo até o nascimento do menino. Por fim, o nome dado à criança surpreendeu a todos, por ser um nome não usual na família, mas Zacarias insiste no mesmo e, assim, volta a falar.
Ainda no ventre da mãe, João reconhece a presença do Messias quando Isabel recebe a visita de Maria. Este primeiro encontro, ainda no útero materno, foi um transbordamento de alegria e louvor. Suas mães eram portadoras de um mistério e, cúmplices, fizeram de seus corpos instrumentos da revelação de Deus à humanidade. A gestação de ambas seguiu um ritmo paralelo, próximo. E, juntas, foram descobrindo, aos poucos, a grandeza da maternidade, a entrega de suas vidas ao Senhor. Maria, já portadora do Filho de Deus, foi visitar sua prima Isabel e, conta a história, a serviu durante sua gravidez. Manifestava-se na Mãe, o serviço do Filho aos homens e mulheres. Isabel, portadora do Precursor, no primeiro momento daquele reencontro entre as duas primas, anunciou – como mais tarde seu filho o faria – que naquela jovem que chegava estava sendo gerado o Messias: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!” (Lc 1, 42). Desde sempre os destinos dos dois meninos estarão ligados: se os laços de sangue os uniam na família terrena, o batista e o cordeiro de Deus serão companheiros de uma mesma missão.
Certamente outros encontros familiares se seguiram àquele primeiro. Brincadeiras de infância, cerimônias, descobertas… Anos se passaram até que nas águas do rio Jordão os primos voltaram a se encontrar, já adultos. João vivia com austeridade, pregando uma vida de conversão: era necessário que os caminhos fossem preparados para a chegada do Senhor. Era preciso que cada homem renascesse, se fizesse novo, para encontrar a Novidade. Após longo período de isolamento, João iniciou sua vida pública, anunciando que o Messias estava próximo. E foi nas margens do rio Jordão onde João exercia seu ministério, que aconteceu um novo encontro com seu primo Jesus. O Mestre, a quem João se referia como “aquele de quem não sou digno de desatar as correias de suas sandálias” (Mc 1, 7), pediu o Batismo a João, O homem Jesus que chegou às margens do rio queria ser batizado por João porque estava prestes a abraçar aquele mesmo caminho que o primo anunciava. E, cúmplices do Mistério tal como suas mães, vêem o céu se abrir e o Espírito do Senhor se manifestar na forma de uma pomba e escutam o próprio Deus falar: “Tu és meu Filho amado, em ti está o meu agrado” (Mc 1, 11).
João batizava na água e, até hoje, seguimos seu exemplo nos rituais cristãos do Batismo. O elemento da vida é usado pelo Batista como o símbolo da nova vida em Cristo. Contemporâneo do Messias, homem intrigante e instigante, figura forte no tempo litúrgico do Advento, João nos convida a permanecermos em constante atitude de conversão.
Água e Espírito se apresentam como sinais de conversão. Um lava, o outro restaura. A água tem sua natureza ligada à geração e à manutenção da vida humana. Simboliza a purificação, o renascimento. O Espírito salva, redime, fortalece, torna divino o que é humano. João batizava com a água. Era o batismo simbólico do Precursor, cuja liturgia até hoje celebramos. Dizia que depois dele viria um outro – Jesus – que nos batizaria no Espírito. Era o anúncio do maior dos profetas, de que a salvação era chegada através do Espírito de Deus manifestado em Jesus Cristo, que revelaria com sua vida o caminho para Deus: conversão – misericórdia – amor – serviço. O mesmo caminho anunciado por João Batista. Era Deus revelado àqueles homens que a própria vida uniu por laços familiares e por ideais.
O culto a São João Batista é celebrado desde os primórdios do Cristianismo e, é o único santo da Igreja para o qual se celebram duas solenidades: uma que marca o seu nascimento (24/06) e, a outra, em que se comemora o seu martírio (29/08). No Brasil, é costume celebrá-lo com a tradicional festa de São João, com danças, músicas e comidas típicas, e que reúne milhares de pessoas em todo o país.
Que João possa continuar a nos apontar o Mestre que passa, como outrora apontou aos seus discípulos e, através do precursor possamos também reconhecer no Homem de Nazaré o Cordeiro de Deus. Que possamos também nós seguir este caminho que João Batista e Jesus de Nazaré nos anunciaram. Só assim, estaremos vivendo em plenitude nossa condição de batizados e batizadas, membros do povo de Deus.
Texto para oração: Lc 1, 27-66.80
