Santíssima Trindade

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio no Domingo da Santíssima Trindade

Assista à reflexão do Pe. Julio Lancellotti na missa da Santíssima Trindade, celebrada em 31/05/2015. A solenidade desse dia desafia os cristãos a serem semelhantes ao Pai. No Evangelho, Mateus Mateus conta que Jesus ordenou aos discípulos que ensinassem a todos os povos o que eles aprenderam de Cristo.

Gravação realizada na missa das 18h na igreja São Miguel Arcanjo.

A Liturgia, obra da Santíssima Trindade

Dom Edmar Peron

A liturgia desse último final de semana – Solenidade da Santíssima Trindade – nos inspira a retomar, no Catecismo da Igreja Católica, a liturgia como obra da Santíssima Trindade.

O Pai, fonte e fim da liturgia (1077-1083.1110). A Igreja reconhece que toda a obra de Deus,desde o início até à consumação dos tempos, desde o poema litúrgico da primeira criação (Gênesis) até aos cânticos da Jerusalém celeste (Apocalipse), é uma imensa bênção divina. Essa bênção é plenamente revelada e comunicada na liturgia da Igreja: “o Pai é reconhecido e adorado como a fonte e o fim de todas as bênçãos da criação e da salvação; no seu Verbo, encarnado, morto e ressuscitado por nós, ele nos cumula das suas bênçãos e, por ele, derrama em nossos corações o Dom que contém todos os dons: o Espírito Santo” (1082). Portanto, “na liturgia da Igreja, Deus Pai é bendito e adorado como fonte de todas as bênçãos da criação e da salvação, com que nos abençoou no seu Filho, para nos dar o Espírito da adoção filial” (1110). Expressivo, nesse sentido, é o hino que encontramos na Carta aos Efésios 1,3-14.

A obra de Cristo na Liturgia (1084-1090.1111). “A obra de Cristo na liturgia é sacramental, primeiramente porque o seu mistério de salvação se torna presente nela mediante o poder do seu Espírito Santo; depois, porque o seu corpo, que é a Igreja, é como que o sacramento (sinal e instrumento) no qual o Espírito Santo dispensa o mistério da salvação; e, enfim, porque, através das suas ações litúrgicas, a Igreja peregrina já participa, por antecipação, da liturgia celeste” (1111). A Sacrosanctum Concilium, n. 7, é o fundamente para essa compreensão. Para continuar na história a sua obra salvadora, Cristo está sempre presente em sua Igreja, especialmente na ação litúrgica. Está presente: no sacrifício da Missa, “quer na pessoa do ministro, […] quer, sobretudo sob as espécies eucarísticas”; nos demais Sacramentos; na sua palavra anunciada pela leitura da Sagrada Escritura; na comunidade reunida (Mt 18,20). “Em tão grande obra, […] Cristo associa sempre a si a Igreja, sua esposa muito amada”. Assim, “com razão se considera a Liturgia como o exercício da função sacerdotal de Cristo”.

O Espírito Santo e a Igreja na liturgia (1091-1109.1112). “Na liturgia, o Espírito Santo é o pedagogo da fé do povo de Deus. […] O desejo e a obra do Espírito no coração da Igreja é que nós vivamos da vida de Cristo ressuscitado. Quando Ele encontra em nós a resposta da fé que ele mesmo suscitou, realiza-se uma verdadeira cooperação. E, por ela, a liturgia torna-se a obra comum do Espírito Santo e da Igreja. Nesta dispensação sacramental do mistério de Cristo, o Espírito Santo […]: prepara a Igreja para o encontro com o seu Senhor; lembra e manifesta Cristo à fé da assembleia; torna presente e atualiza o mistério de Cristo pelo seu poder transformador; e finalmente, enquanto Espírito de comunhão, une a Igreja à vida e à missão de Cristo (1091-1092). Fruto do Espírito Santo na liturgia é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, “a comunhão com a Santíssima Trindade e a comunhão fraterna entre os irmãos” (1108).

Eis um pouco da riqueza que o Catecismo (muitas vezes desprezado – !?) oferece a todos nós.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém!

Um papa chamado Francisco!

D. Odilo Pedro Scherer

Quanta coisa eu gostaria de escrever neste breve artigo! Antes de tudo, louvor à Providência de Deus, que não deixa faltar Pastores à sua Igreja, que a conduzam conforme o coração de Cristo. Logo após a eleição do novo papa, ainda na Capela Sistina, os cardeais cantaram a plenos pulmões o hino de louvor à Santíssima Trindade – Te Deum laudamus! Muitos tinham lágrimas nos olhos.

A Igreja recebeu um novo Sucessor de Pedro para conduzi-la nos caminhos do Evangelho e para animar todos os seus membros no testemunho da salvação de Deus, manifestada a toda a humanidade por meio de Jesus Cristo. Participei pela primeira vez de um conclave e posso dizer que foi ocasião para uma experiência eclesial única e profunda! Pude perceber a sincera busca do melhor para a Igreja e sua missão. O Espírito Santo não dorme!

Antes de entrar no conclave, rezamos muito, tratamos com franqueza, respeito e profundo senso de responsabilidade as questões que precisavam ser tratadas em vista da escolha do novo Pontífice. O clima no Colégio Cardinalício era sereno e fraterno. A entrada em conclave, com o canto da ladainha de todos os Santos e da especial invocação do Espírito Criador – Veni Creator Spiritus – foi o início de um ato continuado de oração, que durou até à escolha do novo papa. Para tudo isso, não podia haver espaço mais apropriado que a Capela Sistina, com os esplêndidos afrescos de Miquelângelo, especialmente da grande cena do juízo universal.

Eleito o cardeal Jorge Mário Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, ele escolheu o nome de Francisco, em memória de São Francisco de Assis. Várias surpresas, deixaram desconcertados os “vaticanistas” mais experientes: um papa não-europeu, já nem tão jovem, um latino-americano da Argentina, o primeiro papa jesuíta, que toma o nome de Francisco ainda não usado por nenhum Pontífice anteriormente! Bem que Jesus disse: o Espírito Santo sopra onde quer e ninguém sabe de onde seu sopro vital vem, nem para onde vai… Precisamos todos estar atentos à sua ação, deixando-nos conduzir por Ele!

Certamente, Francisco é um nome muito indicativo das características que o novo Papa quer dar ao seu pontificado. São Francisco tinha sido um pecador, dado às vaidades do mundo; mas encontrou a misericórdia de Deus e se voltou inteiramente Ele: “meu Deus e meu tudo!” A partir de sua conversão, procurou viver o Evangelho em profundidade, cultivando a comunhão com Deus e desejando voltar-se sempre mais para Cristo, a ponto de ser chamado de “homem inteiramente cristificado”.

Não é esse mesmo o apelo que a Igreja recebe e faz a todos, desde há mais tempo?! Conversão para um renovado encontro com Deus, um discipulado verdadeiro, para a santidade de vida através da comunhão profunda com Deus, deixando-se abraçar e amar por Ele? Na sua primeira missa com o Colégio Cardinalício, no dia seguinte à sua eleição, o papa Francisco observou que, sem esta comunhão profunda com Deus e a identificação com Jesus Cristo “crucificado”, sem confessar o seu nome, a Igreja não passa de uma “ONG piedosa”… Na basílica de São Francisco, em Assisi, há uma bela escultura do Santo abraçado aos pés do Crucificado, que baixa a mão direita para abraçar Francisco.

Mas não é só isso: tendo conhecido a misericórdia e o amor infinito de Deus Pai, São Francisco passou a reconhecer em cada criatura um irmão e uma irmã; sobretudo nos homens e mulheres, buscando viver com todos a fraternidade universal, sem excluir ninguém. Coração livre, ele podia amar a todos de coração inteiro e puro. Amou sobretudo os doentes (o leproso!), os pobres, os pecadores, os supostos “inimigos”; conseguia dialogar com os “diferentes”, sem mais nenhum dos preconceitos que regulam, geralmente, as relações humanas. Que grande desafio para a Igreja e a humanidade inteira!

Outra dimensão nada secundária na escolha do Papa Francisco: Após sua conversão, o Santo de Assis ardia pelo desejo de falar a todos do amor misericordioso de Deus: “o Amor não é amado, o Amor não é amado! – saiu a gritar pelas ruas e as pessoas acharam que estivesse louco. Louco de amor a Deus! Havia compreendido a loucura de Jesus Cristo crucificado e que era preciso anunciar a todos essa bela notícia. Assim, São Francisco enviou seus frades como missionários em todas as direções. E essa dimensão missionária urge mais do que nunca em nossos dias.

Papa Francisco já entrou no coração do povo. Deus o ilumine e fortaleça! Deus abençoe toda a Igreja e a humanidade inteira através do seu ministério petrino, como servidor das ovelhas do Supremo Pastor! E São José, que festejamos no dia da inauguração solene de seu Pontificado, interceda paternalmente por Papa Francisco!

A Melhor Comunidade!

No dizer do teológo Leonardo Boff a SS.Trindade é a melhor comunidade. Somos imagem e semelhança de Deus e por isso somos chamados a viver em comunidade onde o amor seja a marca e a solidariedade o estilo de vida.
O Deus Trindade é comunidade que se manifesta e se revela. Jesus nos revela o rosto do Pai, rosto amoroso, que acolhe com misericórdia e compaixão.
O Pai e o Filho nos enviam o Espírito Santo para que nunca nos sentimos perdidos e sem saber o caminho em cada momento da história.

Jesus é o Deus encarnado que vem para dar vida ao mundo e não para julgá-lo e condená-lo.

A solenidade da SS.Trindade é momento de compromisso e verdade de superação de todo tipo de indiferença e frieza.
Não celebramos a SS.Trindade para continuarmos da mesma maneira e para fazer o sinal da Cruz no início e fim das celebrações,mas para vivermos em nome do amor que transforma e compromete o viver e o ser.

Junho festivo e denso

Dom Demétrio Valentini

Neste ano o mês de junho se apresenta particularmente carregado de celebrações importantes. A começar pela sequência de domingos especiais, da Ascensão, em seguida Pentecostes, e depois o domingo da Santíssima Trindade. Tudo dentro de junho, que por conta própria apresenta as festas tradicionais de Santo Antonio, São João Batista e São Pedro.

Assim, ao lado dos domingos que já merecem o seu destaque, temos a proximidade de festas populares, recordando santos que continuam tendo uma incidência muito forte na religiosidade popular.

Acontece que neste ano a Páscoa veio bem mais tarde do que o costume. E assim a série de festas conclusivas do tempo pascal coincidiu com as festas tradicionais do mês de junho. E resultou nesta fartura de celebrações que nutrem bem nossa fé, e expressam bem nossos sentimentos.

Para entendermos a coerência dos calendários, de novo nos damos conta, a propósito deste festivo junho de 2011, como somos herdeiros de dois calendários, o judaico e o romano. Um tendo a semana como referência, e outro tendo como referência o mês.

Se aguçamos nossa curiosidade, podemos nos dar conta que as festas ligadas à semana, cadenciadas pelos domingos, são as mais antigas, e do ponto de vista da fé cristã, aquelas que nos apresentam o núcleo fundamental do mistério de Cristo, que a liturgia celebra em cada ano. Esta dinâmica semanal se expressa com evidência pelo tempo da quaresma, que inicia numa quarta-feira, pela semana santa que culmina com o domingo de páscoa, e que a partir daí se desdobra pelo ano inteiro.

Ao passo que as festas marcadas por dias dos meses, fazem parte de outra sequência, expressam celebrações posteriores, e denotam uma tradição surgida quando a civilização ocidental já tinha passado a adotar o calendário romano.

As primeiras, ligadas à semana, vêm carregadas de densidade teológica. A segunda, ligada aos meses, vem caracterizada de festejos populares, que também eles não deixam de expressar a forte incidência das verdades cristãs na vida religiosa do povo.

Em todo o caso, deixemos que o calendário nos prepare, cada ano, um farto cardápio de celebrações, destinadas a motivar nova vida, e dar-lhe consistência cristã.

Mas esta vibração religiosa não deixa de inquietar. Seja pela exigência de autenticidade e pelo cuidado com o indispensável equilíbrio na maneira de expressar nossa alegria e nossa convivência fraterna.

Mas muito mais por um questionamento especial, que convém fazer. Somos um povo que sabe vibrar com intensidade nas festas religiosas, e isto é bom. Porém não somos capazes da mesma vibração quando se trata de participar de iniciativas destinadas a buscar soluções para problemas vitais, de ordem social, política, econômica, ambiental.

Teríamos fartos motivos para desencadearmos um mutirão irresistível para erradicar a miséria de nosso país, como agora nos propõe o governo. Mas infelizmente nossa participação política é de baixa intensidade.

Podemos comprovar esta constatação na maneira como tramitou a votação sobre o novo Código Florestal. Um tema de vital interesse nacional como este, ficou restrito a debates que infelizmente foram demasiado condicionados a posições ideológicas, que distorcem a realidade e toldam o horizonte do equilíbrio e do bom senso.

Como este, outros temas serão em breve colocados na ordem do dia, como a reforma política e a reforma tributária.

Que as festas juninas não nos alienem destes desafios que precisam ser assumidos com responsabilidade. Até porque as próprias festas populares perdem sua sustentabilidade, se perdermos o horizonte de um país justo para todos.

Avisos de 31/05/2009

* Domingo, 07/06 – Dia da Santíssima Trindade
* Quinta-feira, 11/06 – Corpus Christi (missa às 15h na capela da Universidade São Judas)
* Sábado, 13/06 – Dia de Santo Antônio
* Sexta-feira, 19/06 – Dia do Coração de Jesus
* Sexta-feira, 05/06 – Terço dos homens às 20h30
* Festa Junina dias 20 e 21/06
* Domingo, 28/06 – Encerramento do Ano Paulino