comunidade

Comunidade São Miguel Arcanjo agradece a presença na Festa Junina

A comunidade São Miguel Arcanjo agradece a todas as pessoas que estiveram presentes nos dois dias de quermesse e que colaboraram com o sucesso de nossa Festa Junina.

Quem participou gostou. Todos comentavam sobre o clima acolhedor e a comunhão entre os participantes. Foi um momento muito forte de vida em comunidade.

Agradecemos ao Padre Julio pela confiança depositada na equipe de trabalho e, sobretudo, pela participação dele, com alegria, nos dois dias de festa.

Somos gratos também aos doadores da comunidade, das empresas e organizações da região que contribuíram para que nossa festa fosse possível:

Prevent Senior Universidade São Judas CP!
Torres Picolomini JBL Equipamentos Unidos LL
 Di Cunto Pastifício Carasi  Tufão Express
ARPEC Caldeiras Lanchonete Taquari A. Z. Rodrigues
 Açougue Medalhão
Padaria Cassandoca
Padaria Santa Branca 

E o apoio da:

Em breve aqui, a cobertura da festa com imagens marcantes deste final de semana inesquecível para nossa comunidade!

Espiritualidade Pascal: o Domingo

Dom Edmar Peron

“Em cada semana, no dia a que chamou domingo, a Igreja celebra a Ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua Paixão” (Sacrosanctum Concilium, 102). Mas a cada domingo celebramos a Páscoa? Já não bastaria celebrá-la uma vez por ano e, assim, ficar livre nos outros domingos para sair da Cidade ou ir ao Shopping? Bem, que o domingo seja dia de repouso e de alegria, a Igreja não nega (mesmo que a sociedade a apresente o domingo cada vez mais como um dia qualquer de trabalho para muitos homens e mulheres), assim como não deixa de nos convocar para a celebração, reunidos em comunidade. Vejamos alguns textos que podem nos ajudar a meditar sobre esse assunto.

A cada celebração dominical, desde a Páscoa, a leitura do Evangelho nos tem proposto o Domingo como dia do encontro com o ressuscitado. Maria Madalena, “no primeiro dia da semana, foi ao túmulo de Jesus bem de madrugada, quando ainda estava escuro” (Jo 20,1 – Domingo de Páscoa). Os discípulos se reuniram “ao anoitecer desse dia, que era o primeiro da semana” e, depois, outra vez os encontramos reunidos no domingo e, dessa vez, “Tomé estava com eles” (Jo 20,19.26 – Segundo Domingo da Páscoa). São Lucas nos apresenta Jesus caminhando com os dois discípulos de Emaús, “nesse mesmo dia”, isto é, “no primeiro dia da semana” (24,1.13 – Terceiro Domingo da Páscoa). Assim, a partir desses evangelhos, podemos dizer que a experiência do encontro com Jesus ressuscitado que fizeram Maria Madalena, os Apóstolos e os discípulos que iam para Emaús aconteceu no domingo.

A Igreja, no Concílio Vaticano II, resgatou o Domingo como “principal dia de festa, […] dia da alegria e dia do repouso” (SC 106). Esse é o dia no qual nos reunimos para fazer memória da Paixão, Ressurreição e glória do Senhor Jesus e dar graças a Deus que em sua “grande misericórdia”, ao ressuscitar Jesus dentre os mortos, “nos fez renascer para uma esperança viva” (1Pd 1,3). E fazemos isso de modo particular pela celebração da eucaristia, pela qual anunciamos a morte do Senhor e proclamamos a sua ressurreição, até que ele venha (1Cor 11,26 – Oração Eucarística). Podemos, pois, com toda confiança proclamar que o Domingo, pela ressurreição de Jesus dentre os mortos, é o dia que o Senhor fez para nós, dia de exultação e de alegria.

Lembro um testemunho. Em tempo de perseguição, no ano 304, em Abitene, atual Turquia, 49 cristão foram pegos reunidos no domingo, enquanto celebravam a Eucaristia – o que lhes era proibido pelas leis do imperador Dioclesiano; ao serem interrogados no tribunal sobre tal desobediência, um deles, chamado Emérito, respondeu: “Sine dominico non possumus”, ou seja, nós não podemos viver sem nos reunirmos em assembleia no domingo para celebrar a Eucaristia. Faltar-nos-iam as forças para enfrentar as dificuldades quotidianas sem sucumbir. Depois de terríveis torturas, os 49 cristão foram mortos. Eis os mártires do domingo. Sobre esse assunto, meditemos a homilia de Bento XVI, em Bari, no dia 29 de maio de 2005.

Desse modo, a espiritualidade pascal inclui a vivência do Domingo: reunir-se para celebrar, alegrar-se no Senhor e repousar. É claro que esse ideal é, em nossos dias, uma profecia daquela liberdade que Deus oferece aos seus filhos e filhas. Como vivemos o Domingo? Deixemo-nos impulsionar pelos mártires de Abitene: sem o Domingo, o dia do Senhor, nós não podemos viver!

Frutos do Ano da Fé

Cardeal Odilo Pedro Scherer

No próximo dia 24 de novembro, Domingo de Cristo Rei, será celebrado o encerramento do Ano da Fé. Em muitas igrejas, mais uma vez, as comunidades farão a solene renovação da profissão da fé.

Há, nesse ato, uma força testemunhal muito expressiva: de fato, não cremos apenas de modo individual e subjetivo, mas em comunidade, juntamente com muitos outros, que professam a mesma fé. A Igreja é uma grande comunidade de fé, formada de inúmeras comunidades menores e, finalmente, de pessoas, que crêem pessoalmente e vivem a comunhão de fé com grande comunidade eclesial.

Não cremos sozinhos, mas com a Igreja toda; e cremos como a Igreja crê – a Igreja que vive hoje neste mundo e também a Igreja celeste! São incalculáveis aqueles que viveram esta mesma fé e já nos precederam na “casa do Pai”. Eles são nossos irmãos na fé, testemunhas e exemplos de fé, que continuam a nos ajudar a prosseguir e perseverar no caminho da fé. Estamos, pois em boa companhia e bem amparados!

O Ano da Fé foi uma bênção, pois nos ajudou a tomar consciência renovada da preciosidade da fé da Igreja e da importância de professá-la com convicção e alegria. O Ano da Fé termina, mas a vivência da fé continua; temos agora o nosso compromisso de testemunhar a fé com intensidade e de traduzir a fé em frutos de vida cristã. Não basta ter iniciado bem o caminho: é preciso perseverar nele, para alcançar a meta da nossa fé: a vida eterna e a comunhão plena com Deus.

Primeiros frutos da fé deveriam ser a gratidão e alegria. A fé é um dom precioso, recebido de Deus, e que requer a nossa resposta diária através das atitudes de fé. A fé leva a viver em contínua sintonia e comunhão com Deus e a ter as luzes de Deus (“lumen fidei”), para iluminar todas as circunstâncias da vida. A fé ajuda a discernir para fazer as escolhas certas. Viver a fé é viver unidos a Deus; é viver “por Cristo, com Cristo e em Cristo”, para usar a expressão de São Paulo.

Outra conseqüência do Ano da Fé deverá ser o cultivo da fé. Podemos imaginar a fé como uma planta, que precisa ser cultivada para viver, florescer e produzir frutos. A fé precisa ser alimentada no encontro pessoal frequente com Deus na oração. Sem oração, a fé enfraquece e morre, como a planta, que não recebe água. Alimento essencial da fé é também a Palavra de Deus, acolhida quer na Liturgia, quer em outras ocasiões, como também na leitura pessoal e orante da Sagrada Escritura.

Para crescer e amadurecer, a fé precisa ser esclarecida mediante o estudo; de fato, nossa fé também se expressa em conteúdos e afirmações; não é mero sentimento, mas também afirmação e convicção. Para ter uma compreensão melhor da fé da nossa Igreja, é importante ler e conhecer o Catecismo da Igreja Católica; ele é a explicação que a própria Igreja dá oficialmente sobre os motivos e as bases da nossa fé, sobre seus conteúdos, sobre como a fé é celebrada na Liturgia e nos Sacramentos, sobre as conseqüências da fé para sua vida, mediante a observância dos mandamentos e sobre como a fé é traduzida no testemunho e na vivência diária.

Finalmente, a fé verdadeira produz frutos, que são as “obras da fé”, sem as quais ela seria estéril: “a fé , sem obras, é morta em sim mesma”, afirma S.Tiago. Frutos da fé são as boas obras da justiça, caridade e solidariedade, que revelam a fecundidade e autenticidade da fé. São ainda as virtudes humanas e cristãs, que traduzem o jeito de viver de quem está em sintonia com Deus. É também a prática sincera e perseverante da religião, expressão da adoração e do louvor de Deus.

Publicado em O SÃO PAULO, ed. 12/11/2013

Festa Junina 2012

A comunidade São Miguel Arcanjo se alegra com a colaboração de todos, agradece a sua visita à Festa Junina e aguarda a sua participação nas próximas edições.

Nos avisos do final da missa das 18h de 24/06, o Pe. Julio agradece a todos os participantes, organizadores e colaboradores pela realização de mais esta confraternização:

Veja as fotos para relembrar os momentos de alegre convivência e celebração de Santo Antônio, São Pedro e São João sob a guarda de São Miguel.

 

 


Nossa festa conta com o apoio de:

ARPEC Caldeiras A. Z. Rodrigues CP!
Di Cunto ECO GTres Metais JBL Equipamentos
Lanchonete Taquari Padaria Praça dos Pães Torres Picolomini Tropical Palmitos
Tufão Express Unidos LL Universidade São Judas Prevent Senior

As urgências da Evangelização

Dom Odilo Pedro Scherer

No sábado passado, dia 29, tivemos nossa assembleia arquidiocesana de pastoral; ao mesmo tempo que avaliamos o caminho feito ao longo de 2011, marcado pelo destaque pastoral – “Paróquia, comunidade de comunidades” –, começamos a pensar o caminho pastoral da Arquidiocese em 2012.

O levantamento feito sobre as paróquias, ainda que incompleto, revelou que há muitas coisas boas acontecendo; ao mesmo tempo, notamos que elas precisam aprofundar o processo de conversão pastoral – “paróquia, torna-te o que tu és!” –, para serem comunidades de comunidades onde a vida e a missão da Igreja sejam realidades sempre mais perceptíveis e eficazes. De fato, é nas comunidades paroquiais que o rosto e o jeito da Igreja aparece mais concretamente. Ou fica descaracterizado.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2011-2015 nos ajudarão a dar passos no próximo ano; tentaremos levar a sério as urgências pastorais nelas apontadas, tomando consciência delas e respondendo a elas com o desejo de ser fiéis à missão da Igreja aqui, concretamente, em nossa Arquidiocese, conforme é propósito do nosso 10º Plano de Pastoral: “Ser Igreja discípula e missionária na cidade de São Paulo”.

A primeira urgência é que precisamos ser uma Igreja em estado permanente de missão. Não se faz missão apenas de vez em quando, pois a Igreja é missionária por sua própria natureza e por vontade de seu fundador: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19). Devemos passar de uma pastoral apenas de conservação para uma pastoral decididamente missionária, em todas as iniciativas e em todos os momentos da vida das nossas comunidades, onde a preocupação missionária esteja sempre presente.

Outra urgência é fazer com que a Igreja, em nossas paróquias, seja “casa de iniciação à vida cristã”. É fato que a maioria dos nossos batizados nunca fez uma verdadeira iniciação à vivência cristã e eclesial e, por isso, sente-se distante da fé e da vida da Igreja, não se identificando com elas. Como superar isso, a não ser através de um envolvimento multiforme, intenso, alegre, verdadeiro e gratificante na experiência da fé e da vida eclesial? Nossas comunidades precisam ser esses espaços e “lugares” da experiência cristã, que leva a ser discípulos missionários de Cristo.

A terceira urgência mostrada pelas Diretrizes é fazer a animação bíblica da pastoral e da vida da Igreja. Esta tem sua base na Palavra de Deus e não num discurso que ela mesma produz, ou que ela inventa conforme o gosto e as tendências do momento. A Igreja e cada cristão precisam orientar-se pela Palavra de Deus e nela buscar continuamente o fundamento e a força do seu agir no mundo. Temos muito que trabalhar para que a Palavra de Deus seja mais conhecida, acolhida e vivida! Desconhecer a Escritura é desconhecer a Cristo, já dizia São Jerônimo.

A quarta urgência nos confirma naquilo que estamos procurando fazer: que nossas paróquias sejam, de fato, comunidades de comunidades. O individualismo da cultura atual pode tomar conta também da vida cristã; no entanto, nós somos cristãos, não apenas individualmente, mas membros da “família de Deus”, que se manifesta nas muitas expressões do viver comunitário da Igreja. As paróquias precisam continuar a formar mais comunidades; pequenas comunidades dentro da grande comunidade, onde seja mais real este “viver como irmãos”, que aprendemos de Jesus no Evangelho.

Quinta urgência é trabalhar para a vida plena para todos. Jesus disse que veio “para que todos tenham vida e a tenham em abundância”; hoje, a vida humana e a da natureza, dom de Deus e casa que nos abriga e sustenta, estão ameaçadas de muitas formas, são desprezadas e até esmagadas. A fé no Deus da vida nos leva a valorizar, defender e amar a vida.em todas as suas expressões mas, de maneira especial, a vida humana. E, com esta urgência, acrescentamos ainda a atenção especial à juventude. A evangelização da juventude é crucial para o presente e o futuro da Igreja e da sociedade. E temos uma ocasião ímpar para fazê-lo, mediante a preparação da Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de janeiro.

A Melhor Comunidade!

No dizer do teológo Leonardo Boff a SS.Trindade é a melhor comunidade. Somos imagem e semelhança de Deus e por isso somos chamados a viver em comunidade onde o amor seja a marca e a solidariedade o estilo de vida.
O Deus Trindade é comunidade que se manifesta e se revela. Jesus nos revela o rosto do Pai, rosto amoroso, que acolhe com misericórdia e compaixão.
O Pai e o Filho nos enviam o Espírito Santo para que nunca nos sentimos perdidos e sem saber o caminho em cada momento da história.

Jesus é o Deus encarnado que vem para dar vida ao mundo e não para julgá-lo e condená-lo.

A solenidade da SS.Trindade é momento de compromisso e verdade de superação de todo tipo de indiferença e frieza.
Não celebramos a SS.Trindade para continuarmos da mesma maneira e para fazer o sinal da Cruz no início e fim das celebrações,mas para vivermos em nome do amor que transforma e compromete o viver e o ser.

A vida em comunidade! Presença do Ressuscitado!

O II Domingo da Páscoa nos convida a renovar a nossa fé e o seguimento de Jesus em comunidade que celebra a sua Presença e a sua Vida e compromete-se a anunciá-lo ao mundo por sua transformação.

O medo será superado pois o Vivente está entre nós, sopra sobre a comunidade gerando nova criação onde será superada toda forma de opressão e injustiça.

Ao tocar as chagas do Senhor Ressuscitado Tomé acrdedita.
Se tocarmos as chagas dos que sofrem reconheceremos Jesus que vive em nosso meio, despojado e identificado com sofredores.

O seguimento de Jesus é pessoal porém não individualista, é à comunidade reunida que manifesta a Paz como fruto da justiça e do amor.

Tomé não viu Jesus porque estava ausente e O reconheceu quando estava presente!

O compromisso de sermos discípulos missionários nos compromete com a sociedade e nos envolve na vida em comunidade!

“Paróquia, torna-te o que tu és” – Carta Pastoral à Arquidiocese de São Paulo

Aos Excelentíssimos Bispos Auxiliares,
Aos Padres, Diáconos e Religiosos/as,
Aos Leigos e Leigas da Arquidiocese de São Paulo

Queridos irmãos, filhos e filhas da Igreja que está em São Paulo:

Com a celebração de nosso Patrono, o Apóstolo São Paulo, iniciamos mais um ano pastoral em nossa Arquidiocese. Nesta ocasião, é minha alegria saudá-los e abençoá-los, fazendo os melhores votos para que este ano seja enriquecido por muitos frutos na ação evangelizadora; conforme é propósito expresso em nosso 10° Plano de Pastoral, queremos ser discípulos missionários de Jesus Cristo em São Paulo, testemunhando a presença e a ação salvadora de Deus e a força vital do Evangelho para o convívio social nesta grande cidade.

Convido, pois, a todo o povo da Arquidiocese a acolher este ano como um dom de Deus e uma tarefa posta em nossas mãos, para a realização de nossa missão, como membros da Igreja e da comunidade humana em que vivemos; cada um é convidado a colocar o seu dom e carisma a serviço do bem de todos e da edificação do Reino de Deus.

Nesses últimos anos, ao mesmo tempo em que leva avante sua missão no dia a dia da vida da Igreja, nossa Arquidiocese tem dado destaque, a cada ano, a algum tema ou questão eclesial relevante. A preparação da visita do Papa e da Conferência de Aparecida, em 2006-2007, mobilizou muito nossa Igreja; veio, a seguir, o ano centenário da criação da Arquidiocese, no qual procuramos tomar nova consciência sobre nossa realidade histórica e nossa presença nesta cidade; em 2009-2010 tivemos o Ano Paulino e, ao mesmo tempo, o Ano sacerdotal, eventos que nos fizeram olhar especialmente para a figura do Apóstolo São Paulo e os sacerdotes, que receberam o dom especial de servir a Cristo na sua Igreja e de servir a Igreja em nome de Cristo.

Durante o ano de 2010, nossa Arquidiocese realizou o seu 1° Congresso de Leigos; foi uma experiência eclesial enriquecedora e ajudou muitos leigos e leigas a aprofundarem a consciência sobre sua identidade, sua dignidade e sua parte na vida e na missão da Igreja; como fruto do Congresso, houve também a percepção de quantas organizações de leigos já existem e atuam na nossa Igreja e de quanto ainda dá para fazer para uma ação mais dinâmica e eficaz dos leigos! Muitas propostas sobre a organização, a formação e a ação dos leigos em nossa Arquidiocese foram elaboradas e deverão agora ser implementadas pelas próprias organizações do laicato e por toda a nossa Igreja em São Paulo.

1. Destaque pastoral para 2011-2012

Quais foram os avanços reais na evangelização em sua paróquia nesses últimos 5 anos?

No ano pastoral de 2011 queremos colocar em destaque uma expressão fundamental de nossa Igreja, a paróquia, “comunidade de comunidades”, como vem identificada no Documento de Aparecida. A escolha deste destaque pastoral foi fruto de reflexões feitas na Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, em 30.10.2010, e no Conselho de Pastoral da Arquidiocese (CAP), em 4.11.2010. Queremos perguntar-nos, seriamente: como está a paróquia, a nossa paróquia? Conhecemos bem a realidade, pelo menos a realidade religiosa, de nossa paróquia? Há nela vazios, espaços ou situações não atendidas pela ação da nossa Igreja? Nossa paróquia chega ao final de cada ano, com as mesmas pessoas, ou pode constatar com alegria que novos sinais de vida foram despertados e foram integrados novos membros na família de Deus? Existem iniciativas para a formação do povo na fé, das crianças aos adultos? Nossa paróquia é animada por verdadeiro ardor missionário?

A paróquia é, na expressão local e concreta, aquilo que a Igreja é no seu todo. Na paróquia, a Igreja manifesta de maneira próxima e perceptível sua vida e sua missão; ela é uma comunidade organizada de batizados, de bens espirituais, simbólicos e materiais, de organizações e iniciativas que fazem a Igreja acontecer num determinado espaço e contexto. No 10º Plano de Pastoral da Arquidiocese (2009-2012), ela recebeu uma atenção especial (cf. pp. 92ss), que queremos agora aprofundar.

Se a paróquia vai bem, a Igreja ali também vai bem; se a paróquia vai mal, ali a Igreja vai mal. A Igreja corre o risco de “rodar no vazio” e de ser reduzida a uma série de estruturas, instituições e organizações, sem chegar às pessoas concretas, se as paróquias não vivem bem sua identidade e missão e não são a expressão de comunidades vivas e dinâmicas, ou se carecem de objetivos e organização pastoral.

Vale, pois, a pena que demos uma atenção especial à paróquia, realizando nela e através dela o processo de “conversão pastoral e missionária”, pedido pela Igreja em Aparecida, na 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe.

A renovação da paróquia é essencial para que nossa Arquidiocese, grande comunidade de muitas comunidades de discípulos missionários de Jesus Cristo, possa realizar bem sua missão na cidade de São Paulo.

Em vista da importância do tema e da necessidade de tratá-lo com mais tempo, para alcançar melhores frutos, é conveniente que a temática da paróquia se estenda para os 2 anos pastorais: 2011 e 2012, com oportunas indicações metodológicas dadas ao longo deste período pelo Secretariado Arquidiocesano de Pastoral.

Quero lembrar ainda que, em 2012, a Igreja estará lem¬brando os 50 anos do início do Concílio Vaticano II, ocasião em que será de grande proveito retomar as grandes intuições e Documentos do Concílio, para estudar, aprofundar, confrontar com o caminho feito de lá até hoje. Este olhar sobre as paróquias já poderá ser parte desse processo e será, certamente, muito proveitoso para nossa Arquidiocese.

2. Paróquia, torna-te o que tu és

Olhando atentamente para a realidade de sua paróquia, que imagem você consegue fazer dela?Vai tudo bem?

A meta do 10º Plano de Pastoral, inspirado na Conferência de Aparecida, é trabalhar para que nossa Arquidiocese, no seu todo e em suas muitas expressões particulares, seja uma Igreja verdadeiramente discípula e missionária de Jesus Cristo na grande cidade de São Paulo. E isso requer uma profunda “conversão pastoral e missionária” dos membros da Igreja, mas também de suas instituições e organizações pastorais, para ir além de uma pastoral voltada mais para a conservação daquilo que temos. É preciso adotar uma nova atitude e preocupação pastoral, que traduza um claro objetivo missionário em todos os níveis e âmbitos da vida eclesial.

Concentremos nossa atenção sobre a paróquia. Para começar, tomemos uma nova consciência sobre o seu significado teológico, místico e pastoral, superando uma visão apenas burocrática ou jurídica. Ela é o rosto mais visível e concreto do Mistério da Igreja, “Sacramento da salvação” no mundo; é uma comunidade de batizados, congregados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, vivendo a fé, a esperança e a caridade. Ela está reunida em torno de Cristo, presente sacramentalmente na Eucaristia e nos demais Sacramentos, na Palavra de Deus proclamada e acolhida com fé, nos pobres, doentes, sofredores e toda pessoa acolhida em nome de Cristo e servida na comunidade com amor. A assembléia eucarística é a expressão mais visível e sacramental da Igreja. Ela se reúne ainda hoje em torno de Jesus Cristo Salvador, Senhor e Pastor da Igreja, representado visivelmente pelo Ministro ordenado, que está no meio dela e à sua frente para servi-la e conduzi-la na caridade.

Muitas são as imagens usadas pelo Vaticano II para falar daquilo que é a Igreja, e que se aplicam também à paróquia (cf. LG 6-8). Ela é “casa de Deus” no meio das casas dos homens, templo de Deus edificado com pedras vivas, que são todos os batizados; é o “corpo de Cristo”, através do qual Ele continua a se expressar, a ir ao encontro das pessoas e a realizar sua tríplice missão entre os homens; é o concreto e visível “povo de Deus”, que irradia no mundo a luz de Cristo, difunde o sal e o fermento benéfico do Evangelho e vai fazendo aparecer os sinais do Reino de Deus, anunciado e já presente no meio de nós (cf. LG 9). Na paróquia, a Igreja inteira se expressa e realiza a missão recebida de Cristo: anunciar e acolher a Palavra de Deus; testemunhar a vida nova recebida no Batismo, buscando a santidade; viver a caridade pastoral, a exemplo e em nome de Jesus, Bom Pastor.

As definições da paróquia poderiam ser diversas. Cabe-lhe bem o conceito de “comunidade missionária dos discípulos de Cristo” no meio do mundo. É comunidade de pequenas comunidades, famílias, pessoas, grupos, organizações e instituições, que testemunham a variedade, a riqueza e a beleza dos dons de Deus e estão a serviço da missão recebida de Cristo; esta mesma missão se expressa na diocese, confiada ao bispo, sucessor dos Apóstolos, e na universalidade da Igreja, confiada ao pastoreio do Sucessor de Pedro.

A paróquia é também o conjunto de organizações, estruturas e iniciativas pastorais a serviço da vida e da missão da Igreja. Ela é o ícone visível daquilo que a Igreja de Jesus Cristo é na sua totalidade e no seu mistério humano-divino. Evidentemente, nenhuma paróquia se basta a si mesma, nem realiza sozinha e autonomamente a sua missão, mas o faz na comunhão da Igreja particular, reunida em torno do bispo (a diocese), e na comunhão universal da Igreja, reunida em torno do Papa. Contudo, a paróquia é a Igreja “na base”, onde a vida e a missão da Igreja acontecem; é a célula viva da Igreja, lugar privilegiado no qual a maioria dos batizados tem a possibilidade de fazer uma experiência concreta do encontro com Cristo e da comunhão eclesial.

3. Vida e missão da paróquia

Para que existe mesmo a paróquia? Sua paróquia consegue atender, de maneira adequada, a tríplice missão da Igreja?

Para quê existe a paróquia? Com o passar do tempo, talvez foram sendo criadas imagens e posturas nem sempre adequadas, que não traduzem bem o que a Igreja entende por “paróquia”. A paróquia tem um território e uma igreja-mãe, ou matriz, que são confiados aos cuidados pastorais de um sacerdote. Há também paróquias “pessoais” e “ambientais”, sem um território definido, mas igualmente confiadas a um sacerdote. O Direito Canônico define a paróquia como “uma determinada comunidade de fiéis, constituída estavelmente na Igreja particular, e seu cuidado é confiado ao pároco como a seu pastor próprio, sob a autoridade do bispo diocesano” (cf. cân. 515).

De fato, porém, a paróquia não pode ser identificada simplesmente com a “igreja matriz”, ou com algum ponto de atendimento para serviços religiosos, ou com uma instância burocrática e organizativa da Igreja. A paróquia é, acima de tudo, uma comunidade de pessoas, uma porção do Povo de Deus, que se congrega concretamente e de forma organizada em nome de Cristo, confiada aos cuidados pastorais de um Ministro ordenado (Padre); ele a reúne e serve nas coisas de Deus e da Igreja, forma na fé, anima e conduz na esperança e na caridade. A paróquia, com suas muitas comunidades menores e organizações eclesiais, é a verdadeira “Igreja-na-base”, onde a vida e a missão da Igreja acontecem de maneira concreta.

Na paróquia torna-se presente e se realiza a tríplice missão de Cristo – o anúncio da Boa Nova, a santificação da humanidade e o serviço pastoral – que é a razão de ser da vida e da ação de toda a Igreja e também de cada paróquia. Jesus Cristo continua vivo e presente no meio daqueles que estão congregados em seu nome; e entre eles continua a exercer sua missão no mundo; não sozinho, mas contando com a participação de todos os seus discípulos missionários, aos quais concede a assistência do seu Espírito.

3.1. Paróquia e Palavra de Deus.

Anunciar a Palavra de Deus e testemunhá-la pela vida é a primeira e mais importante missão da paróquia; é Jesus Cristo que, através da Comunidade paroquial, e nela, quer continuar a ser o anunciador e mestre da Boa Nova. A Igreja vive da Palavra de Deus, como vive da Eucaristia, Pão da Vida. O anúncio da Palavra desperta e alimenta a fé e a vivência da Palavra frutifica nas boas obras e no bom testemunho cristão no mundo. Sem um serviço constante e amoroso à Palavra de Deus, a fé esfria, a moral se desvia, as organizações eclesiais perdem seu sentido e a comunidade fica desorientada. Seria como uma árvore que não recebe mais água… De S. Jerônimo aprendemos que “ignorar as Escrituras, é ignorar a Cristo”.

O papa Bento XVI recordou toda a Igreja, na recente Exortação Apostólica pós-sinodal sobre a Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja (novembro de 2010), que a Palavra de Deus deve ter lugar central na Igreja, dando orientações importantes sobre como isso deve acontecer. Portanto, vale também para a paróquia. Toda a pastoral paroquial deve ser motivada, animada e impregnada pela Palavra de Deus (cf. Verbum Domini – VD nn. 72-89).

A paróquia precisa proporcionar ao povo muitas oportunidades de formação cristã na fé. Antes de tudo, é na paróquia que deve ser proclamado constantemente, e integralmente, o querigma cristão e não se poderia supor que isso já acontece em outro lugar ou instância da vida da Igreja. O anúncio e a acolhida da Palavra de Deus acontecem de modo privilegiado na Liturgia, com a proclamação das leituras bíblicas e a homilia (cf. VD nn. 52-71); os próprios textos litúrgicos estão impregnados pela Palavra de Deus. Mas também são vivamente recomendadas a leitura e estudo bíblico pessoal ou em grupos, e a prática da leitura orante da Palavra de Deus (cf. VD nn.86-87); a formação cristã deve acontecer também na catequese sistemática e permanente, nas pregações, retiros e outros encontros e momentos de formação cristã, bem como no estudo da teologia. O Catecismo da Igreja Católica precisa ser a referência constante para a formação do povo na fé católica.

A paróquia seja a “casa da Palavra de Deus”, onde ela ressoa constantemente, é acolhida com fé e testemunhada de muitas formas pelas obras da fé, esperança e caridade. Por isso, devem ser muitas as iniciativas paroquiais a serviço do anúncio da Palavra de Deus, voltadas para quem ainda não recebeu o primeiro anúncio, ou também para quem já está num processo de iniciação à vida cristã, ou está precisando e querendo se alimentar sempre de novo na Palavra da Vida. A formação e alimentação na fé, nas diversas etapas da vida dos fiéis, são a primeira e mais indispensável missão da paróquia.

3.2 Paróquia e santificação do povo.

Pelo Batismo, recebemos o dom da graça santificante, a vida de Deus em nós, que nosso Salvador nos trouxe pela sua santa encarnação e mereceu pela sua paixão, morte e ressurreição; e pela efusão do Espírito Santificador, fomos feitos filhos e filhas de Deus já neste mundo. Por isso, somos chamados a viver vida santa, como é santo Aquele que nos chamou. Isso requer de nós viver a comunhão constante com Deus, na sintonia com sua vontade e seus mandamentos; significa também honrar o nome de Deus em nós mediante uma vida digna da vocação à qual fomos chamados. A Igreja é a comunidade dos “santificados” pela graça de Deus, chamados a viver vida santa e a santificar o mundo com sua presença, sua ação e testemunho.

O Concílio Vaticano II ensina que todos são chamados à santidade; na Igreja, realizamos de diversos modos esta vocação e encontramos também os meios adequados para viver a santidade (cf. LG 39-42). A paróquia tem a missão de proporcionar a todos os fiéis os meios para a santificação, mediante a celebração dos Sacramentos, especialmente a Eucaristia e a Penitência, o cultivo da oração pessoal e comunitária, o incentivo à escuta atenta e à prática da Palavra de Deus e das virtudes humanas e cristãs, em particular, a caridade. É Jesus Cristo que continua a atrair todos a si e a saciar a fome e a sede daqueles que nele crêem com o pão vivo e a água da vida.

A esse propósito, é preciso recuperar a centralidade da celebração dominical para a vida da paróquia. Domingo é o dia em que o Senhor Ressuscitado quer encontrar seus discípulos e se manifestar a eles; é dia de Missa e de encontro alegre com os irmãos. Domingo é também o dia da grande manifestação da Igreja, dia de buscar o alimento da fé, esperança e caridade. Apesar das mudanças culturais, que transformaram o domingo num dia “útil” para tantas coisas, precisamos insistir com os fiéis para que não percam o sentido cristão do domingo e participem da celebração eucarística dominical. Cada paróquia valorize devidamente a Liturgia, com toda a sua riqueza espiritual e força evangelizadora. Haja nas paróquias a celebração diária da Santa Missa; promovam-se o culto eucarístico e as demais devoções populares, conforme orientação da Igreja. Sejam devidamente respeitadas as normas litúrgicas prescritas pelo Magistério da Igreja.

A paróquia é o lugar da celebração dos Sacramentos, “Mistérios da Salvação”. Sem cair na tentação da dicotomia entre “evangelização e sacramentalização”, é preciso dar renovado valor a todos e a cada um dos Sacramentos da Igreja, celebrados com a devida fé e preparação do povo. Destaque especial merece o Sacramento do Perdão, grande dom de Cristo à Igreja. As paróquias precisam ter e divulgar claramente os horários para o atendimento das confissões, como pede a disciplina da Igreja; cuidado especial há que se ter para evitar que alguns sacramentos da Igreja (Batismo, 1ª Comunhão, Casamento) sejam absorvidos pela lógica do mercado consumista.

3.3. Paróquia e caridade pastoral.

A Igreja é o povo de Deus, o rebanho do Bom Pastor, que continua indo à frente de suas ovelhas, conhece cada uma pelo nome, nutre, defende, conduz e acarinha cada uma de suas ovelhas. Ele é o Pastor bom, que conhece as ovelhas, caminha à frente delas, dá a vida pelas ovelhas e também vai atrás daquela que se perdeu. Agora Ele faz isso, sobretudo, através da caridade da Igreja, sua comunidade pastoral no mundo.

Por isso, a paróquia deve ser o lugar da acolhida de todos, do interesse alegre pelas pessoas e da atenção delicada em relação a todos os que sofrem; deve ser o lugar da busca daqueles que estão distantes, enfim, da prática de todas aquelas belas qualidades do Bom Pastor, que reúne, conhece, chama pelo nome, conduz, defende, corrige, procura, ama até entregar a vida pelas ovelhas (cf. Ez 34; Jo 10). Por isso, existem na paróquia, e devem existir, as diversas “pastorais”, como expressão concreta da caridade de Cristo e da Igreja. São serviços organizados da caridade do povo, voltados especialmente para os pobres, os doentes, as pessoas que mais sofrem, e que se parecem com aquela ovelha que o Bom Pastor toma nos ombros e carrega com todo o cuidado e compaixão.

A caridade deve ser pessoal, mas também comunitária e organizada; por isso, não devem faltar obras sociais e outras iniciativas de solidariedade social e de voluntariado, através das quais as pessoas tenham a oportunidade de colaborar e sejam incentivadas a fazê-lo. A caridade precisa também estar atenta à promoção da dignidade da pessoa e dos direitos humanos. Por isso, é importante que na paróquia seja promovido o conhecimento da Doutrina Social da Igreja, especialmente para preparar pessoas de liderança social com formação cristã sólida.

Faz parte da vida da paróquia a responsabilidade pastoral partilhada com toda a comunidade e também a boa administração dos bens materiais de que a paróquia precisa para viver e para cumprir sua missão. Por isso, a Igreja pede que em cada paróquia haja, além de um Conselho de Assuntos Econômicos (cf. cân. 537), também um Conselho de Pastoral (cf. cân. 536).

4. Muitos membros, mas um só corpo

Que papel desempenham na paróquia os leigos e os religiosos, ou os consagrados, nos diversos carismas?

Como a Igreja inteira, assim também cada paróquia poderia ser comparada ao corpo, com uma só cabeça, uma única vida, mas muitos membros, órgãos e funções: todos a serviço da vida e da missão do único organismo (cf. Gl 6,15; 2Cor 5,17). A Igreja é o Corpo de Cristo, animado por um mesmo Espírito, o Espírito Santo, que dá unidade e coesão ao corpo todo. Na paróquia está o povo de Deus, com a riqueza e a variedade de dons e carismas, que o Espírito Santo concede para a vitalidade de todo o corpo eclesial.

No 10° Plano de Pastoral vem exposto como nossa Ar¬qui¬dio¬cese é formada de discípulos missionários com vocações diferentes; todos são chamados a viver a mesma dignidade do Batismo e a dar sua contribuição própria, com vocações e carismas diferentes, para a realização da grande missão da Igreja (cf. pp. 96-100). O mesmo vem exposto também no Documento de Aparecida (cf. DAp nn. 184-224). Como acontece na Igreja inteira, assim também acontece na paróquia, que conta com três grupos de membros, com dons e missões próprias: os fiéis leigos, os ministros ordenados e os membros da Vida Religiosa Consagrada.

Os fiéis leigos formam o grande corpo eclesial, o Povo de Deus que Cristo reuniu no seu nome e consagrou mediante o dom do Espírito Santo. Pelo Batismo e pela Crisma eles receberam a dignidade de filhos de Deus e os dons que os habilitam a participar ativamente na vida e na missão da Igreja, na sua maneira própria, como leigos. Cabe-lhes, sobretudo, testemunhar a fé e a vida cristã no meio do mundo e levar a luz, o sal e o fermento do Evangelho para a família, as relações humanas e para o mundo secular, onde vivem e trabalham. Os fiéis leigos são os apóstolos do Evangelho no meio do mundo, transformando a partir de dentro, mediante sua presença e participação, as realidades terrestres (cf. LG nn. 30-38; DAp nn. 209-215).

Os fiéis leigos são congregados na unidade e servidos em nome de Cristo e da Igreja pelos Ministros ordenados. E também são chamados a participar, de maneira co-responsável, da vida e missão internas da própria Igreja. Eles já estão empenhados, de muitas formas, na organização e administração da paróquia, nas diversas pastorais e serviços de animação da vida eclesial.

Lugar especial para a ação e a realização da vocação laical é a família; mediante a vivência e convivência cristã no lar, a educação religiosa dos filhos e a comunicação da fé às novas gerações, eles prestam um inestimável serviço à vida e à missão da Igreja. As paróquias precisam dar amparo, formação e incentivo às famílias, mais ainda diante das dificuldades que elas enfrentam nos tempos atuais.

Além disso, as paróquias precisam dar apoio e expressão a muitas iniciativas, organizações, movimentos e associações dos leigos, que contribuem de maneira própria para a vida e a missão da paróquia e da Igreja, como um todo. Desejo incentivar vivamente os leigos a que se organizem também por categorias profissionais e grupos de responsabilidades sociais afins, para tornarem mais fácil e eficaz a sua formação, presença e testemunho cristão no meio do mundo, onde estão inseridos como cidadãos.

Os impulsos, motivações e propostas do 1° Congresso de Leigos da Arquidiocese (2010) precisam agora ser viabilizados nas paróquias, que são o lugar privilegiado para o incentivo e o apoio às muitas iniciativas e organizações do laicato, voltadas para a sua formação e ação no mundo.

Os Ministros ordenados, sacerdotes e diáconos, enquanto batizados, também são membros do Povo de Deus; mas eles receberam o dom e a missão especial de estar à frente da comunidade paroquial, para servi-la em nome de Cristo, Pastor e Cabeça da Igreja. A eles cabe assumir e desempenhar pessoalmente a tríplice missão de Cristo e da Igreja, para o proveito dos fiéis; mas também formar, conduzir e animar todos os membros do corpo eclesial na vivência da própria vocação e missão. Nossa Igreja reúne-se em torno dos Ministros ordenados, que receberam esse dom especial e esta grande responsabilidade em relação aos irmãos (cf. LG nn. 18-29). Em cada paróquia se reze pelas vocações e haja um serviço organizado de animação vocacional, para que vocações sacerdotais despertem, sejam acolhidas e encaminhadas pela comunidade.

Os Ministros ordenados, sendo também membros do Povo de Deus, no meio dele desempenham a missão de Cristo, Cabeça do corpo, Pastor, Sacerdote e Mestre da Igreja. Sua missão em relação à paróquia vem bem definida no Direito da Igreja (cf. cân. 519-552). Cabe a eles exercer o serviço de pastores e guias das comunidades paroquiais, a exemplo de Cristo, por seu chamado e por sua delegação (cf. DAp nn. 186-208).

Os religiosos e religiosas, como também as novas formas de Vida Consagrada, são parte do Povo de Deus e estão presentes em muitas paróquias de nossa Arquidiocese. Desde o início da Igreja em São Paulo, até hoje, contribuem com sua presença e atuação, de acordo com seus carismas próprios, para a vida e a missão da Igreja nesta cidade. As comunidades de vida contemplativa ajudam a crentes e não-crentes a manterem sempre e em tudo a referência a Deus, único bem absoluto e objetivo final de nossa existência. As comunidades religiosas de vida ativa estão inseridas diretamente na ação pastoral, ou mantêm obras e instituições voltadas para a educação, a saúde, o cuidado dos pobres e pessoas necessitadas, ou para outras finalidades, e ajudam a expressar melhor o dinamismo da Igreja no testemunho da presença do Reino de Deus entre os homens (cf. LG nn. 43-47; DAp nn. 216-224).

A todos os Consagrados/as na Vida Religiosa desejo convidar e estimular a uma renovada partilha de dons e à participação dinâmica na vida e missão da Igreja em nossa Arquidiocese. Além das iniciativas eclesiais que lhes são próprias, sua presença e participação nas comunidades e paróquias tem o valor importante de ser um testemunho profético para nosso povo. A Igreja, nas suas bases, precisa dar o devido apreço à riqueza espiritual e eclesial dos carismas da Vida Consagrada; e isso poderá também ajudar no surgimento de novas vocações à Vida Consagrada, tão necessárias e importantes para a Igreja.

Na Igreja, conforme o exemplo dado por Jesus, “o maior é aquele que deve servir mais” (cf. Jo 13,12-17). Também São Paulo ensina que os diversos dons concedidos pelo Espírito Santo aos membros da Igreja não se destinam à vanglória, nem ao desfrutamento individualista, mas para o benefício e a missão de toda a comunidade eclesial; e como os membros do corpo não vivem em função de si próprios, mas para o bem e a vitalidade do corpo inteiro (cf. 1Cor 12), assim também na Paróquia, clero, leigos e religiosos têm dons diversos, mas para o serviço e a comunhão da comunidade toda. Importa valorizar e reconhecer o dom de cada um, para a vitalidade do corpo eclesial.

5. Somos todos discípulos missionários de Jesus Cristo

Quais são os sinais que confirmam que sua paróquia já é uma verdadeira comunidade de discípulos-missionários de Cristo?

De muitos modos pode ser definido o católico. Na Conferência de Aparecida, o Papa Bento XVI trouxe um conceito teológico muito bonito para dizer quem somos nós: “discípulos missionários de Jesus Cristo”. Pelo Batismo, fomos acolhidos na Igreja e nos tornamos, por graça e dom especial, filhos e filhas de Deus. Isso nos vincula de maneira especial a Jesus Cristo, “autor e consumador de nossa fé” (cf. Hb 2,10; 12,2). Com isso, o cristão tornou-se um discípulo de Jesus Cristo e, por conseqüência, testemunha e missionário de seu Evangelho no mundo. Muitos são cristãos católicos e não sabem disso, ou nunca tiveram a oportunidade de tomar consciência dessa graça especial. Foram batizados, mas nunca foram evangelizados. E a “evangelização” é o processo de aproximação de Jesus Cristo, de comunicação do seu Evangelho e de adesão, pela fé, à “vida nova em Cristo”.

A paróquia pode realizar muitas atividades sociais, culturais e religiosas. Mas seu objetivo primordial é proporcionar aos seus membros uma rica e variada experiência da fé cristã católica, alimentada nas fontes da fé e da vida cristã e eclesial, que são a Palavra de Deus, a Tradição viva da fé da Igreja, a Liturgia e a riqueza mística do seguimento de Cristo, segundo o Evangelho, manifestada na vida dos santos. As várias atividades organizadas na Paróquia devem ser decorrência dessa missão e objetivo primordiais; e, dessa fonte, vão beber sempre sua inspiração e dinamismo. Contrariamente, a paróquia torna-se uma estrutura sem alma, ou uma entidade de prestação de vários serviços, talvez até úteis, mas sem identidade própria, pois estará deixando de lado sua missão principal.

O Papa Bento XVI tem repetido que não é de um grande ideal ético que nasce a fé cristã, nem de um corpo de doutrinas bem elaborado, mas do encontro com uma pessoa – Jesus Cristo Salvador – e, por meio dele, do encontro com o Mistério de Deus Trindade (cf. Deus Caritas est). A doutrina e a moral tomam significado para a pessoa a partir disso. E a paróquia, sendo uma comunidade de discípulos missionários de Jesus Cristo, existe para promover, de muitas maneiras, esse encontro das pessoas com Cristo. Muito além de ser uma instância burocrática e prestadora de serviços, mesmo úteis e importantes, ou uma referência para o “consumo de bens religiosos”, a paróquia deve ser uma comunidade viva e vibrante de fé e alegria cristã, que atrai para Cristo e medeia, de muitas maneiras, o encontro pessoal com Ele; ao mesmo tempo, o “espaço” onde se vive e cultiva a mística que decorre desse encontro com Cristo na liturgia, na caridade e no serviço aos irmãos e ao mundo, em nome da fé e como fruto da fé.

O cristão é um discípulo de Cristo, atraído e fascinado por Ele, convertido a ele de todo o coração e apaixonado por Ele; o discípulo, que ama o seu Senhor, também é capaz de dar a própria vida por Ele, como fizeram tantos ao longo dos séculos, quer no martírio, quer na consagração total da vida ao Evangelho, quer ainda na orientação da própria vida, no meio do mundo, de acordo com os valores e ideais do Reino de Deus anunciados por Jesus. O verdadeiro discípulo também se torna missionário e já não pode reservar apenas para si a beleza transformadora do encontro com Cristo, mas deseja que outros também “encontrem o Senhor” ¬— “vimos o Senhor!” (cf. Jo, 20,25) – e façam a mesma experiência — “vinde e vede” (cf. Jo 1,39).

6. Paróquia, comunidade de comunidades

Quantas e quais expressões de vida eclesial organizada já enriquecem a vida de sua paróquia?

A vida cristã se expressa de maneira especial na vida comunitária. Jesus pediu que seus discípulos permanecessem “unidos no seu nome”, como aparece na parábola da videira e dos ramos (cf. Jo 15), ou na oração sacerdotal, após a última ceia (cf. Jo 17); e os Atos dos Apóstolos trazem dois belos testemunhos sobre a vida da primeira comunidade cristã: “eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (cf. At 2, 42-47). E ainda: “a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia serem suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum” (cf. At 4, 32-37).

A comunidade paroquial é significada e torna-se visível, de modo especialmente profundo, na celebração eucarística dominical. Convocados pela Palavra de Deus, os fiéis respondem com fé e acorrem, no “Dia do Senhor”, à reunião em torno de Cristo Ressuscitado, proclamando os “Mistérios da Fé” na Palavra de Deus, na Eucaristia e na oração em comum, alegrando-se na esperança e aprofundando a caridade. O próprio Senhor Jesus Cristo se faz presente “onde dois ou mais estão reunidos em seu nome” (cf. Mt 18,20) e, com eles, apresenta o perfeito louvor e adoração ao Pai; pela pessoa dos seus Ministros, Ele instrui na Palavra de Deus os fiéis, alimenta-os com o Pão da Vida e envia-os novamente em missão para o meio do mundo. Por isso, é da máxima importância que seja valorizada plenamente, por todo o povo nas paróquias, a participação na celebração da Eucaristia dominical.

A vida comunitária é essencial à vivência da fé cristã. Ser discípulos missionários de Jesus Cristo supõe pertencer a uma comunidade cristã determinada. No entanto, de maneira geral, as paróquias são grandes e formadas de numerosas pessoas e isso favorece o anonimato e torna difícil a participação mais efetiva de todos na vida e na missão da Igreja. Por isso, sejam estimuladas e valorizadas, dentro da paróquia, as comunidades menores, como as comunidades eclesiais de base, capelas de bairro e outras formas de comunidade e expressões de vida eclesial, onde as pessoas tenham a possibilidade de uma participação mais pessoal, de receber ajuda ou de colocar seus dons a serviço da vida e da missão eclesial.

É importante promover a presença visível e organizada da comunidade eclesial em todo o espaço físico da paróquia; onde faltam comunidades, é necessário suscitá-las através de uma ação missionária eficaz; há na cidade espaços de difícil penetração para a Igreja, como certos condomínios, ou prédios residenciais; também ali é preciso estudar a maneira de fazer presente o testemunho da comunidade eclesial. Mas também há os ambientes, ou “areópagos”, dos quais a Igreja não pode ficar ausente, como os hospitais, as escolas, colégios e universidades, os presídios e os “mundos” da comunicação. Será necessário encontrar caminhos para anunciar, também ali, a Boa Nova; de modo especial, esses são campos privilegiados para a ação do laicato.

A paróquia é, e deve ser, uma “comunidade de comunidades” (cf. DAp nn. 164-180). Graças a Deus, geralmente, no interior das paróquias, e fazendo parte delas, já existem muitas e variadas expressões de vida cristã e comunitária: capelas de bairros, comunidades eclesiais de base, grupos de vida cristã estável, comunidades religiosas, seminários, associações de fiéis, “comunidades novas”, movimentos eclesiais, escolas católicas, Faculdades, Universidades e outras instituições ligadas à Igreja, como hospitais, rádios, sites da internet… E não esqueçamos que as famílias são a “Igreja no lar”; sua importância para a vivência diária da fé em comunidade é vital, como também para a educação cristã e a transmissão da fé às novas gerações. Todas essas formas organizadas de vida eclesial existem para realizar a vida e a missão da Igreja, segundo o dom e a vocação próprios de cada uma.

A paróquia, portanto, é bem mais do que uma única comunidade homogênea: nela há muitas expressões de vida eclesial, que precisam ser valorizadas, animadas e envolvidas mais diretamente na realização da única missão da Igreja. No entanto, é preciso observar que todas as variadas expressões de vida eclesial das “comunidades menores” não se bastam a si mesmas, mas completam-se na relação com a comunhão eclesial mais ampla, que acontece na paróquia, na diocese e na comunhão universal da Igreja. O momento melhor e a expressão mais perfeita da comunhão da Igreja acontece na celebração da Eucaristia, sob a guia dos Ministros ordenados, constituídos Pastores para servir, animar e conduzir, em nome de Cristo, todo o corpo eclesial. Por isso, as comunidades menores e outras expressões de vida eclesial, dentro da paróquia, devem estar relacionadas com o Padre da paróquia e com o Bispo.

Também a paróquia não se basta e não deve fechar-se sobre si mesma; ela está unida às demais paróquias e ao Bispo, sucessor dos Apóstolos, que une em torno de si — de Cristo Pastor — a grande comunidade diocesana na comunhão da mesma fé, esperança e caridade. Ele também promove a comunhão de toda a diocese com as demais dioceses da Igreja, e com o Papa, Sucessor de Pedro, que confirma a todos na fé em Cristo. Por isso, as paróquias são chamadas a se abrir à comunhão mais ampla da Igreja, a partilhar seus dons e também a tomar parte da missão e das responsabilidades de toda a Igreja. Isso se expressa, de maneira especial, nos Setores e Regiões Episcopais da Arquidiocese, que são lugares e organismos concretos de comunhão, partilha e missão.

7. Comunidades formadoras de discípulos

Quais iniciativas sua paróquia tem para oferecer formação religiosa ao povo, para que todos os batizados se tornem ardorosos discípulos de Jesus Cristo?

A paróquia é o espaço normal onde os batizados vivem a sua condição de discípulos de Jesus Cristo, onde expressam sua fé e se organizam para viver a caridade e testemunhar a esperança. É o lugar onde fazem a experiência pessoal e comunitária do encontro com Deus por meio de Jesus Cristo, no dom do Espírito Santo. Por isso, a paróquia tem a missão de formar nos caminhos do Evangelho todos os batizados para que permaneçam fiéis e unidos a Cristo e à Igreja e se tornem, de fato, missionários do Evangelho para o mundo.

Nesta missão de despertar e formar discípulos missionários de Jesus Cristo devem ser envolvidas todas as forças vivas da paróquia – pessoas, grupos, organizações e instituições; todas elas devem ser “lugares para a formação dos discípulos missionários” (cf. DAp nn. 301-346). A paróquia, naturalmente, em comunhão com o Plano orgânico de pastoral da Arquidiocese, precisa pensar seu próprio processo evangelizador e missionário; indispensável é preparar pessoas para ajudar nesse processo; não faltam impulsos da Igreja para promover a renovação missionária das paróquias (cf .DAp nn. 276-286).

Destaque especial, no trabalho evangelizador da paróquia, deve ser dado ao processo de iniciação à vida cristã através de uma catequese eficaz, como recomendou a Conferência de Aparecida (cf. DAp nn. 286-300). A catequese, como processo contínuo de formação na fé, deve estender-se a todas as fases da vida da pessoa. É importante tomar consciência sobre o que já existe e o que falta, para que os fiéis recebam formação cristã ao longo do ano e nas diversas etapas da vida. Deve ser nossa preocupação constante a superação do “analfabetismo religioso” em nossa Igreja. A experiência feliz e confortadora da fé seja incentivo à busca do esclarecimento e ao conhecimento das verdades fundamentais da fé e da moral, da liturgia e da oração. A Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Católica precisam tornar-se referência e companhia constante para os católicos e nossas comunidades.

8. Paróquia, comunidade missionária

Sua paróquia já é uma comunidade missionária? Que aspectos da “conversão missionária” ainda são necessários?

Na Conferência de Aparecida, em maio de 2007, a Igreja falou através do Papa e dos bispos da América Latina e do Caribe, atualizando seus propósitos diante dos desafios atuais vividos pelos povos e pela própria Igreja neste Continente. Durante 500 anos, a Igreja Católica marcou com o Evangelho de Cristo a vida e a cultura desses povos, não obstante deficiências e falhas que possam ter existido. A força do Evangelho é maior e mais poderosa do que nossa humana forma de servir o Evangelho. Isso deve ser dito também do Brasil e de São Paulo.

Em Aparecida, a Igreja renovou o seu propósito de estar a serviço do Evangelho do Reino de Deus com novo ardor, novos métodos e novas formas. Somos discípulos missionários de Jesus Cristo no meio de nossos povos para que, nele, encontrem vida plena. Diante dos tempos novos e condições culturais mudadas, devemos rever seriamente nossas maneiras de ser e viver a vida e a missão eclesial. Em Aparecida pede-se que haja uma verdadeira “conversão pastoral”, superando cansaços e formas inadequadas e ineficazes de evangelizar e fazer pastoral; é necessário, sobretudo, ir além da preocupação com a mera conservação do que já existe, para imprimir à ação pastoral uma decidida preocupação missionária (cf. DAp nn. 365-379).

Se isso vale para a Igreja como um todo, vale também, e especialmente, para a paróquia, “comunidade de comunidades” (cf. DAp nn. 164-183). Este processo de “conversão pastoral” precisa iniciar pela tomada de consciência sobre a natureza e a missão eclesial da paróquia, conforme expusemos acima, nesta carta. Torna-se necessária, em seguida, uma corajosa e ampla verificação da realidade atual da paróquia, sobre o que existe e o que já se faz de bom, onde há falhas e deficiências, onde e como é preciso fazer mais e melhor… É bom ter presentes algumas interrogações: Qual é o significado da paróquia no espaço da cidade onde ela se encontra? Ela é expressão viva e dinâmica da vida eclesial no meio desse povo? Enfim, torna-se necessário um planejamento de iniciativas para promover e alcançar, com fé, paciência e perseverança, a renovação missionária das paróquias. Fundamental é envolver nisso toda a comunidade paroquial, o Conselho Pastoral Paroquial, as diversas representações de comunidades menores, associações, grupos, movimentos, pastorais etc, para alcançar com mais eficácia o objetivo proposto.

O 10° Plano de Pastoral e o Documento de Aparecida deverão ser referências constantes nesse processo, com oportunas orientações metodológicas do Secretariado de Pastoral da Arquidiocese. Destaco que, antes de renovar estruturas, é preciso renovar pessoas, mentalidades e posturas; trata-se de desenvolver uma nova “cultura pastoral”, que tenha sempre presente a preocupação missionária e nos faça pensar, não apenas na satisfação das próprias buscas espirituais e religiosas, mas também na partilha dos bens da fé e da vida eclesial com aqueles que já participam da vida da Igreja, ou com aqueles que fazem parte dela mas ficaram distantes, ou se afastaram dela. “Onde estão os outros, que não aparecem, nem participam?” – deve ser nossa preocupação constante. O que podemos fazer por eles, para que retornem à Igreja? E o que podemos fazer por aqueles que nunca foram alcançados ou envolvidos pelo anúncio do Evangelho? Deveria haver alegria na paróquia cada vez que alguma pessoa a mais começa a participar da vida da Igreja…

A paróquia tem a missão de proporcionar aos fiéis muitas ocasiões de encontro com Cristo e, por meio dele, com Deus, no dom do Espírito Santo: na Palavra de Deus, na Eucaristia e nos demais Sacramentos, na mística da fé sobrenatural e da vivência eclesial, na experiência amorosa da oração pessoal e comunitária, na caridade atenta para com os pobres, doentes e todas as pessoas que sofrem, na promoção da justiça, da solidariedade, da beleza; a experiência do encontro com Cristo também é favorecida pelo testemunho luminoso dos santos e mártires, que nos precederam na fé e enriqueceram a vida da Igreja com seu exemplo.

Quanta coisa bonita temos em nossa Igreja para ser acolhida e vivida, como dom e graça, para ser expandida de maneira missionária ao nosso redor, para que nossas comunidades paroquiais sejam verdadeiramente missionárias! Disse o Papa Bento XVI, na Missa de abertura da Conferência de Aparecida, dia 13.05.2007: “a Igreja sente-se discípula e missionária desse Amor: missionária somente porque antes é discípula, capaz de deixar-se atrair, com renovado enlevo, por Deus que nos amou e nos ama por primeiro (cf. 1Jo 4,10). A Igreja não faz proselitismo, ela cresce muito mais por atração: Cristo ‘atrai todos a si’ com a força do seu amor, que culminou no sacrifício da cruz.” (cf. Homilia do Papa, DAp, Apêndice).

Na paróquia, os discípulos que já têm algum caminho andado com Cristo, devem ajudar outros, que estão apenas começando, como as crianças, os jovens ou os neo-convertidos à fé, acompanhando-os com carinho, paciência e pedagogia adequada nesse “ir ao encontro de Cristo”. “Queremos ver Jesus” – pediram alguns “gregos” a Filipe e André; e esses, que já eram discípulos e estavam com Jesus, levaram até Ele aqueles pagãos (cf. Jo 12 20-22). Nossa preocupação e ação missionária deve estender-se a todos, também àqueles que abandonaram a fé, ou nunca sentiram a alegria de crer. De fato, Jesus enviou os discípulos “a todos os povos” (cf. Mt 28,19), e não apenas àqueles que já eram religiosos. Nossas paróquias, por isso mesmo, não podem perder de vista a dimensão missionária “ad gentes”; as iniciativas de outubro, “mês das missões”, são importantes para manter atento o olhar para o vasto horizonte da missão, que se estende para bem além dos limites paroquiais e alcança o mundo inteiro.

Mas é importante que a paróquia também reflita sobre o alcance propriamente territorial de sua missão, para ver se não há vazios de presença eclesial nos espaços da paróquia. Há hospitais sem assistência? Há escolas, presídios, condomínios ou inteiros bairros sem nossa presença religiosa? É muito recomendável a setorização territorial da paróquia, promovendo o surgimento de novas comunidades, onde faltam, através de um trabalho mis¬sio¬nário no interior da própria paróquia, que é a unidade mis¬sionária fundamental da Igreja; sua ação evangelizadora deve estender-se a toda a área, ou âmbito, de sua competência.

Uma coisa é certa: o futuro de nossa Igreja e da paróquia depende de nosso ânimo missionário hoje. Por isso mesmo, a preocupação missionária não pode deixar de colocar seu foco na formação religiosa das crianças e dos jovens, atraindo-os, ajudando-os a se sentirem parte da comunidade eclesial, formando-os nas riquezas da fé e nos caminhos da vida cristã. Os casais e as famílias católicas devem merecer toda a atenção e apoio para que façam de seus lares verdadeiras células de vida cristã; elas são a “primeira escola da fé” para as novas gerações (cf. DAp n. 302). Um grande trabalho missionário será realizado quando os pais cristãos fazem bem a sua parte, iniciando os filhos nas coisas da fé e introduzindo-os na vida da Igreja.

9. Presbítero, pastor e guia da comunidade paroquial

Como pode ser definida a missão do padre/presbítero, na paróquia?

Não seria possível concluir esta reflexão sobre a paróquia, sem uma atenção especial ao Padre, a quem é confiado o cuidado de uma comunidade paroquial. É bem verdade que, na Igreja, todos os fiéis têm a mesma fundamental dignidade, comum a todos os batizados; pela graça batismal, todos tornaram-se filhos e filhas de Deus, testemunhas de Jesus Cristo e de seu Evangelho, e participam dos bens espirituais da comunidade eclesial e também de sua missão. Pelo Batismo, todos os fiéis são constituídos num “povo sacerdotal” e também participam do sacerdócio de Cristo (cf. LG 10-11), sendo chamados a viver vida santa e a manifestar no mundo a glória de Deus. Este é o “sacerdócio comum a todos os fiéis”.

No entanto, aos Ministros ordenados foi confiado o sa¬cer¬dócio ministerial, que é fruto de uma vocação específica de Cristo na Igreja; dentre os discípulos, Jesus chamou aqueles que quis, constituiu os Doze e lhes deu uma missão especial (cf. Lc 4,11-12). Os padres, Ministros ordenados, exercendo seu ministério, ajudam os demais fiéis a viverem o sacerdócio comum a todos (cf. Ef 4,11-12; 1Pd 2,5); e, mediante seus Ministros, Cristo mesmo continua a oferecer a Deus Pai os dons e louvores de toda a Igreja e a derramar sobre os homens os dons da salvação.

A comunidade eclesial, em sua plenitude, tem a presença de Cristo, Cabeça e Pastor único da Igreja, representado sacramentalmente pelos Ministros ordenados, guias e pastores visíveis da Igreja. Este sacerdócio não é comum a todos os batizados, mas um “ministério”, ou seja, um serviço qualificado de Cristo em favor dos irmãos; não é “delegado” pela comunidade, mas provém de Cristo mesmo, através do Sacramento da Ordem conferido pela Igreja.

A comunidade paroquial depende do Sacerdote e não pode dispensar o seu serviço qualificado e dedicado. Ele representa sacramentalmente Jesus Cristo, Sacerdote, Pastor e Guia da comunidade eclesial; pelo exercício do seu ministério sacerdotal, ele gera continuamente a comunidade, no dom do Espírito Santo, nutre-a com os dons da vida sobrenatural, anima e conduz os fiéis em Cristo nos caminhos do Evangelho e entrega sua vida inteira em favor dos irmãos, a exemplo de Cristo, que não veio para ser servido, mas para servir e entregar sua vida pela salvação de todos (cf. Mt 20,28).

Eis, portanto, que a renovação da comunidade paroquial depende, em boa parte, da renovação na vivência do ministério sacerdotal. Ao sacerdote incumbe, em primeira pessoa, o anúncio da Palavra de Deus e o envolvimento, nesta missão, de toda a comunidade que lhe está confiada; a ele também cabe presidir a celebração dos Divinos Mistérios e estimular à viva e frutuosa participação toda a comunidade paroquial; cabe ainda ao sacerdote, posto à frente da paróquia, servir sem reservas a comunidade paroquial, a exemplo do Bom Pastor, e de envolver nos “cuidados pastorais” toda a comunidade dos batizados à sua volta, a qual também participa da caridade pastoral de Cristo e a deve expressar de muitas maneiras.

Aos presbíteros, portanto, desejo encorajar vivamente no exercício da missão que lhes foi confiada, como pastores e guias da comunidade paroquial. Na ordenação sacerdotal, esta missão lhes foi entregue junto com o dom do sacerdócio ministerial; e, na tomada de posse da paróquia, o tríplice serviço de Cristo – profético, sacerdotal e pastoral -, que se prolonga na Igreja, lhes é entregue pessoalmente, para o bem daquela comunidade paroquial específica. O próprio Cristo quer continuar a exercê-lo em favor da humanidade através de seus ministros.

Os sacerdotes tenham sempre diante dos olhos o exemplo do Cura de Ars, proclamado pela Igreja como “um pároco admirável”. Ao chegar em Ars, descrente e hostil ao padre e à Igreja, ele amou aquele povo e por ele ofereceu sua vida, rezou, fez penitência e considerou ser aquela a missão de sua vida. Aos poucos, o “homem de Deus” foi contagiando todos e irradiando a força do Evangelho e da graça de Deus, capaz de transformar as pessoas.

Cada padre, à frente de uma paróquia, considere que esta é “a porção da sua herança” (cf. Sl 16,5); a “casa de Deus”, entregue aos seus cuidados para ser administrada fielmente (cf. Lc 16,1); o rebanho de Cristo, confiado ao seu zelo pessoal, para ser pastoreado, “não por coação, mas de coração generoso e livre, como modelo do rebanho” (cf. 1Pd 5,1-4).

Aos fiéis leigos de cada paróquia quero estimular à colaboração generosa com seu pároco e com os demais sacerdotes que nela estiverem exercendo o ministério. Nenhum padre conseguirá levar avante sozinho a sua missão, que também é missão de toda a Igreja. Tenham apreço pelo sacerdote e o assistam em suas humanas limitações e dificuldades, bem lembrados daquilo que Cristo disse: “quem vos ouve, a mim ouve, quem vos despreza, a mim despreza; e quem despreza a mim, despreza Aquele que me enviou” (cf. Lc 10,16).

10. A exemplo de São Paulo

Para ser “Igreja discípula e missionária de Jesus Cristo na cidade de São Paulo, o quê temos a aprender do apóstolo São Paulo, nosso Patrono?

Antes de encerrar esta carta, voltemos nosso olhar para o Apóstolo Paulo, Patrono de nossa Arquidiocese. Dele temos muito a aprender, quer da sua conversão e adesão incondicional a Jesus Cristo, quer do seu amor generoso ao Evangelho, que o fez missionário corajoso e incansável no meio dos povos, quer ainda do seu método missionário.

Paulo teve sempre a preocupação de iniciar a evangelização com o anúncio do querigma, mediante o qual a fé era despertada; tinha contatos pessoais com o povo; formava, a seguir, uma comunidade cristã, que ele mesmo continuava a instruir e a pastorear com muito zelo, como lemos nas suas cartas. E não deixava de preparar pessoas, que encarregava de cuidar das comunidades, enquanto ele prosseguia abrindo fronteiras missionárias.

É interessante observar que Paulo não trabalhava sozinho, mas acompanhado por numerosos companheiros de missão, como Barnabé, João Marcos, Timóteo, Tito, Silas e tantos outros. Tinha contato pessoal com muitas pessoas, como podemos perceber pelas saudações no final da Carta aos Romanos (cf. Rm 16), da Carta aos Colossenses (cf. Cl 4, 7-18) e da 2ª Carta a Timóteo (cf. 2Tm 4,19-20). A missão e a evangelização não são obra para uns poucos, mas para muitos “irmãos e companheiros no Senhor”.

Em nossas paróquias, é necessário despertar um novo ardor missionário, para que muitas pessoas abracem esta causa com fé, esperança e entusiasmo, “confiados à graça do Senhor”. A formação e preparação dessas pessoas é indispensável para desenvolver nas paróquias uma nova atitude missionária. Que o exemplo e o ardor missionário de São Paulo contagiem nossa Igreja. Recomendo a recitação freqüente da Oração a São Paulo, Patrono de nossa Arquidiocese.

Nossa Igreja, em São Paulo, além de confiar na intercessão e proteção materna de Nossa Senhora da Assunção, dos Santos Padroeiros das paróquias e comunidades, agradece o trabalho e exemplo missionário de tantos que nos precederam nesta messe do Senhor em terras do Planalto de Piratininga: ao beato Pe. Anchieta e, com ele, ao Pe. Nóbrega e seus companheiros, que aqui lançaram as primeiras sementes do Evangelho; aos bem-aventurados e santos Frei Galvão, Madre Paulina e Padre Mariano, que honram a Igreja de São Paulo, nos acompanham na missão e nos estimulam a seguir seu exemplo; aos dedicados bispos e padres, que pastorearam este “rebanho do Senhor”, antes de nós; aos inúmeros missionários que para cá vieram e gastaram suas vidas pelo Reino de Deus; aos imigrados de tantas origens, que trouxeram sua fé, deixando-a impressa em numerosas obras, como as capelas e igrejas que hoje usamos, na edificação das paróquias, colégios, conventos, mosteiros, obras sociais, bens culturais, obras de arte… Aos religiosos e religiosas, que testemunharam sua consagração radical ao Evangelho em inúmeras obras da Igreja; aos milhões de leigos e leigas, casais e famílias católicas, que batizaram seus filhos e lhes comunicaram a herança e a alegria da vida cristã, no cultivo da fé em seus lares.

A Igreja que peregrina hoje em São Paulo quer honrar a herança recebida e renovar-se na alegria de crer e de seguir pelos caminhos do Evangelho, como comunidade de discípulos missionários de Cristo. Ao mesmo tempo, quer renovar-se na missão, em cada membro e em cada uma de suas comunidades, para que o Evangelho de Cristo continue a iluminar e a orientar a vida do povo paulistano e nossa Igreja seja enriquecida com o testemunho de tantos discípulos-missionários de Jesus Cristo nesta cidade. Que nossa missão se torne concreta e dinâmica em cada paróquia. O Espírito Santo não deixa de assistir, iluminar e confortar os discípulos missionários de Jesus Cristo. Deus abençoe a todos!

São Paulo, na comemoração do Patrono da Arquidiocese, São Paulo Apóstolo, 25 de janeiro de 2011.

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo


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Feliz Ano Novo!

Ao findar o ano de 2010, que deixou marcas profundas, desejo a todo os nossos paroquianos e leitores do Arcanjo no Ar um ano cheio de fé e coragem para enfrentarmos os desafios do novo ano.
Que nossa Comunidade de S.Miguel Arcanjo renove seus compromissos e forte na fé testemunhe Jesus Cristo como Senhor da Vida.
Que a palavra de Deus nos fortaleça e renove, sejamos missionários e testemunhas ativos neste mundo cheio de contradições e desafios.
A Todos e todas meu abraço e bênção!

Leitura Orante da Palavra de Deus

Frei Carlos Mesters

Uma prática antiga, sempre nova

“A Palavra está perto de ti, em tua boca e em teu coração” (Dt 30,14)

Há pessoas que acham a Bíblia um livro difícil. Dizem que ela só serve para o estudo das coisas de Deus, mas não para rezar e fazer a pessoa crescer na intimidade com Deus. No AT, já havia gente que pensava assim achando que só alguns poucos seriam capazes de descobrir e entender a Palavra de Deus. Por exemplo, pessoas estudadas e viajadas, capazes de entender as coisas do céu e da terra. More →