indígena

Ato em defesa de D. Pedro Casaldaliga e do povo Xavante

O Comitê de Solidariedade a Dom Pedro Casaldaliga e ao povo Xavante realiza ato na quinta-feira, 07/02, a partir das 19h na Câmara Municipal de São Paulo. Dom Pedro é bispo emérito da prelazia de São Félix do Araguaia e sempre se dedicou às populações indígenas e outros excluídos. Aos 84 anos de idade, ameaçado de morte, teve de sair de casa (contra a vontade) e ficar sob proteção policial.

Nas missas de domingo, o Pe. Julio Lancellotti convidou a comunidade a participar desse ato – veja nos avisos da semana:

Novo Bartolomeu de Las Casas

Egon Dionísio Heck

Zurich, histórica e calma, deu voz à alma de um grande lutador. O majestoso auditório da “Aula”, na Universidade, cuja unidade técnica é referência no mundo, acolheu D. Erwin, para homenagear as lutas dos que neste ano receberam o premio Nobel Alternativo. Na sua introdução, um decano da universidade, fez referência ao bispo D. Erwin como grande lutador pela causa dos povos da Amazônia, especial dos povos indígenas, como um novo Bartolomeu de Las Casas.

Descontraído e eloqüente, o bispo do Xingu e presidente do Cimi optou por uma dinâmica menos formal e convencional. Numa espécie de bate papo com um interlocutor, foi expondo seus pensamentos, sentimentos e lutas pela vida, a partir de sua fé e mística, sem temor, apesar das ameaças de morte. Ao discorrer sobre as agressões e violências contra os povos e a natureza, destacou a situação do povo Kaiowá Guarani, no Mato Grosso do Sul, que qualificou como a pior situação de um povo indígena que ele conheceu. Visitou algumas comunidades desse povo em março deste ano. Disse à ilustre platéia, de mais de 300 pessoas, que não era possível assistirmos no século 21 a continuidade de genocídios iniciados há mais de quinhentos anos, quando os primeiros europeus chegaram ao continente americano. Também narrou os principais embates hoje, como a questão da construção da hidrelétrica de Belo Monte. Fez menção das mentiras propagandeadas e escondidas nos discursos oficiais, orquestradas em favor das grandes empreiteiras, a quem, sobremaneira, interessam essas obras “faranônicas e apocalípticas”.

Foi longamente aplaudido. Com perspicácia e humor, com simplicidade profunda, D. Erwin trouxe uma importante contribuição para aqueles que estão buscando construir um outro mundo, que superem os atuais modelos econômicos e políticos que estão levando a humanidade ao precipício. Que o “bem viver” inunde o mundo, a partir dos Andes, chegando aos Alpes.