milagre dos pães

A Compaixão que partilha, sacia e faz viver!

httpv://www.youtube.com/watch?v=OAPd1D6K7vI

O Evangelho do 18º domingo do Tempo Comum nos leva a considerar a Compaixão de Jesus pelo povo sofrido e explorado que afaste-se do centros de poder e busca encontrar vida com dignidade.

O Pe Jacir de Freitas Faria nos diz: “A multiplicação dos pães quer nos ensinar que, se partilhamos, ninguém mais vai ter necessidade. Nisso reside o milagre. A comunidade é chamada a não ficar parada,mas ir além. Deus não quer a pobreza, mas a igualdade social. Um dos grandes males que assolam o ser humano é o desejo incontrolável de ter para ostentar o poder da posse. A felicidade não está no ter, mas no ser e nas relações. O Livro de Eclesiastes nos ensina que a felicade é comer e beber, desfrutando do produto do próprio trabalho.”

Celebrar a Eucaristia é compromisso de partilha que supera a acumulação e nos educa, partilhando o mesmo pão, a sermos pessoas de partilha e solidariedade que vence o egoísmo e o individualismo pelo amor.

A atitude de Jesus nascida de sua compaixão nos diz: Dai-lhe vós mesmos de comer.
A resposta é sempre a mesma: o que temos não é suficiente.
Jesus insiste e a partir de um povo numeroso e organizado e do pouco que se tem pede para que haja distribuição.

Distribuir, partilhar é o milagre que sacia e faz viver!

O Pão guardado endurece e o pão repartido tem gosto de Amor!!

O nosso grande pecado

José Antonio Pagola

O episódio da multiplicação dos pães teve grande popularidade entre os seguidores de Jesus. Todos os evangelistas o recordam. Seguramente, comovia-os pensar que aquele homem de Deus se tinha preocupado em alimentar uma multidão que tinha ficado sem o necessário para comer.

Segundo a versão de João, o primeiro que pensa na fome daquele gente que foi escutá-Lo é Jesus. Esta gente necessita de comer; tem de se fazer algo por eles. Assim era Jesus. Vivia pensando nas necessidades básicas do ser humano.

Filipe faz-Lhe ver que não têm dinheiro. Entre os discípulos, todos são pobres: não podem comprar pão para tantos. Jesus sabe-o. Os que têm dinheiro não resolverão nunca o problema da fome no mundo. É necessário algo mais do que dinheiro.

Jesus vai ajudá-los a vislumbrar um caminho diferente. Antes de mais nada, é necessário que ninguém acumule o seu para si mesmo se há outros que passam fome. Os Seus discípulos terão que aprender a por à disposição dos que têm fome o que tenham, mesmo que só seja «cinco pães de cevada e um par de peixes».

A atitude de Jesus é a mais simples e humana que podemos imaginar. Mas, quem nos vai ensinar a nós a partilhar, se só sabemos comprar? Quem nos vai libertar da nossa indiferença ante os que morrem de fome? há algo que nos possa fazer mais humanos? Produzir-se-á algum dia esse “milagre” da solidariedade real entre todos?

Jesus pensa em Deus. Não é possível acreditar Nele como Pai de todos, e viver deixando que os Seus filhos e filhas morram de fome. Por isso, toma os alimentos que recolheram no grupo, “levanta os olhos ao céu e diz a ação de graças”. A Terra e tudo o que nos alimenta recebemos de Deus. É uma oferta do Pai destinado a todos os Seus filhos e filhas. Se vivemos privando outros daquilo que necessitam para viver é porque o esquecemos. É o nosso grande pecado apesar de quase nunca o confessarmos.

Ao partilhar o pão da eucaristia, os primeiros cristãos sentiam-se alimentados por Cristo ressuscitado, mas, ao mesmo tempo, recordavam o gesto de Jesus e compartiam os seus bens com os mais necessitados. Sentiam-se irmãos. Não tinham todavia esquecido o Espírito de Jesus.

Da necessidade à saciedade!

Uma multidão O seguia, como eram humanos, frágeis e empobrecidos, logo aparece a necessidade, a primeira a FOME.

O que fazer? eram tantos, muitas bocas, muitas vidas, imensa necessidade!

Quanto dinheiro seria preciso por um pedaço de pão para cada um?

Logo vem a sugestão: manda-os embora, que cada um resolva a sua fome, vá comprar, vá pedir, vá se arranjar!

Para alimentar tanta gente seria necessário o salário de um ano de trabalho!

A partir do pequeno, que tinha cinco pães e dois peixes, uma merenda de um dia de trabalho, foi possível organizar o povo e dividir o pouco de cada um e saciar a todos.

O grande sinal de JESUS é a partilha e a solidaridade.

JESUS não propõe a acumulação, o individualismo, o bolo crescer para depois dividir.

JESUS propõe a solidaridade, a compaixão, o compromisso que trasnforma a VIDA.

O texto de João nos remete à Eucaristia, celebrá-la supõe vida partilhada e compromisso de partilha.

Como é possível no mundo de hoje alimentar as multidões famintas?

O que supõe um mundo sem fome e miséria? Isso realmente é possível?

Ações em nível politíco, comunitário, pessoal e social são necessárias!

O que não podemos é não fazer nada!

Celebrar a EUCARISTIA é ato de resistência, de insubordinação diante da crueldade de um sistema que nos torna individualistas e egoístas.

Senhor JESUS ensina-me a partilhar, a ser irmão a não reter o pão!


Assista à homilia da missa de domingo, 26/07/2009, sobre a multiplicação dos pães: