Sínodo dos Bispos

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio em 04/10/2015 – 27º Domingo do Tempo Comum

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio em 04/10/2015 – 27º Domingo do Tempo Comum

Assista à reflexão do Pe. Julio Lancellotti no 27º Domingo do Tempo Comum, celebrado em 04/10/2015. As leituras do dia mostram que os seres humanos não são chamados para a solidão, mas para a comunhão. Nesse dia, teve início no Vaticano o Sínodo dos Bispos sobre a família.

Gravação realizada na missa das 18h na igreja São Miguel Arcanjo.

Capela da Universidade São Judas Tadeu comemora 29 anos

A capela da Universidade São Judas Tadeu completa 29 anos no dia do padroeiro, 28/10/2014, com missa presidida pelo Pe. Julio Lancelotti a partir das 20h. Nos avisos paroquiais da semana, Pe. Julio convida a comunidade a participar da celebração.

No sábado, 1º/11, haverá reunião de Liturgia e Pastoral, às 15h, na igreja São Miguel.

Domingo, dia de Finados, as missas serão nos horários normais: 7h30 e 18h na São Miguel, e às 10h na capela.

Ao divulgar a mensagem do Sínodo dos Bispos sobre a Família, Pe. Julio fez duras críticas a alguns veículos de comunicação.

Assista a essas e outras notícias nos avisos paroquiais:

VÍDEOS: Presente de São Miguel, bênção de Bodas de Prata e avisos da semana

Estão disponíveis na secretaria da igreja São Miguel Arcanjo o texto que servirá de base para o Sínodo dos Bispos sobre a família, a ser realizado em outubro, e o Documento 100 da CNBB sobre “Paróquia: comunidade de comunidades”, o qual será tema de um encontro na comunidade. Mais detalhes nos avisos da semana, gravados na missa das 18h no domingo, 03/08/2014:

No final da celebração, o Pe. Julio lembrou dos doentes da comunidade e dos familiares que estavam celebrando a partida de algum parente. Ele também presenteou uma paroquiana com um quadro de São Miguel Arcanjo e abençoou um casal que comemorava 25 anos de matrimônio:

Vaticano divulga instrumento de trabalho para Sínodo dos Bispos

O secretário geral do Sínodo dos Bispos, cardeal Lorenzo Baldisseri, apresentou à imprensa, na quinta-feira, 26,  o Instrumentum laboris (instrumento de trabalho) que norteará as atividades da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos. Convocada pelo papa Francisco, a Assembleia será realizada de 5 a 19 de outubro de 2014, com o tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”.

Na ocasião, dom Lorenzo explicou que o documento, composto por mais de 45 páginas,  está dividido em três partes: “Comunicar o Evangelho da família hoje”, “A Pastoral da Família face aos novos desafios” e “A abertura à vida e a responsabilidade educativa”.

“O instrumento de trabalho é resultado da pesquisa promovida pelo Documento Preparatório, que incluía um questionário com 39 perguntas enviado a todas as dioceses do mundo. O questionário “foi acolhido de maneira positiva e teve ampla resposta, tanto do povo de Deus quanto da opinião pública em geral”, declarou o cardeal.

Temas abordados

A primeira parte do texto trata do desígnio de Deus, do conhecimento bíblico e magisterial e a sua recepção, da lei natural e da vocação da pessoa em Cristo. “O escasso conhecimento dos ensinamentos da Igreja exige dos trabalhadores pastorais mais preparação e compromisso para favorecer a compreensão por parte dos fiéis, que vivem em contextos culturais e sociais diferentes”, explicou o cardeal.

Já a segunda parte aborda os desafios relacionados à família, como “casais que vivem juntos, separados, divorciados, divorciados que voltaram a se casar, seus filhos, mães adolescentes, os que estão em irregularidade canônica e os que pedem o matrimônio sem ser crentes ou praticantes”. De acordo com dom Lorenzo, “compete à responsabilidade dos pastores a preparação para o matrimônio, hoje cada vez mais necessária, para que os noivos amadureçam a sua escolha como uma adesão pastoral de fé ao Senhor, para construir a família sobre bases sólidas”.

Por fim, a terceira parte é dedicada a temáticas relativas à abertura à vida, as dificuldades na recepção do magistério e sugestões pastorais.

Avaliação das Conferências

O “instrumentum laboris” é entregue aos membros de direito da Assembleia Sinodal. Até a data da reunião, ele é estudado e avaliado pelas Conferências Episcopais, com a proposta de suscitar questões pastorais a serem debatidas e aprofundadas durante os trabalhos da Assembleia Extraordinária e, depois, na ordinária que está marcada para o período de 4 a 25 de outubro de 2015, no Vaticano, com o tema “Jesus Cristo revela o mistério e a vocação da família”.

Dom Lorenzo observou, ainda, que o instrumento de trabalho apresenta visão da realidade familiar no contexto atual, iniciando reflexão profunda cujo desenvolvimento se realizará em duas etapas, previstas para a Assembleia Geral Extraordinária (2014) e Ordinária (2015). Segundo o cardeal, os resultados da Assembleia Extraordinária serão utilizados para a preparação do “instrumentum laboris” da Assembleia Ordinária e, após aprovação do papa Francisco, seguirá para publicação final.

Baixe o texto completo.

Fonte: CNBB

Reunião de Liturgia e Pastoral será sábado, 2/8

No próximo sábado, 2/8, haverá reunião de Pastoral e Liturgia na igreja São Miguel. Na pauta, a reflexão do documento sobre a família, resultado do questionário enviado às paróquias de todo o mundo em preparação para o Sínodo de outubro. Na véspera, primeira sexta-feira do mês, será a missa do Coração de Jesus às 7h e às 20h30 o Terço dos Homens. Mais detalhes nos avisos da semana:

Gravação realizada na missa das 18h na igreja São Miguel Arcanjo.

Sínodo de outubro: a família, como vai?

Cardeal Odilo Pedro Scherer

No dia 25 de junho passado, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU aprovou uma resolução de “proteção à família”, reconhecendo-a como núcleo natural, e fundamental da sociedade, com “direito à proteção por parte da sociedade e do Estado”.

O Conselho ainda reconheceu que “a família tem a responsabilidade primária de nutrir e proteger as crianças, para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade”; e, para tanto, que estas “devem crescer num ambiente familiar e numa atmosfera de felicidade, amor e entendimento”.

Pareceria que a ONU aprovou o óbvio ao se referir ao direito das crianças, pois é difícil imaginar que alguém possa afirmar o contrário. Os problemas aparecem quando se tomam em consideração a família e seu papel fundamental para a pessoa, a sociedade e o Estado; neste caso, a resolução da ONU contraria uma tendência bastante difundida de descrença e até de abandono da família, vista por muitos como instituição falida; não será, justamente, porque há uma forte percepção de que mais e mais crianças, e não apenas elas, estão expostas a graves problemas decorrentes da desestruturação da família e do seu desamparo por parte da sociedade e do Estado?

A Igreja Católica, que tem valorizado e defendido a família e suas atribuições naturais, não desconhece as dificuldades que sacodem a instituição familiar; mas não a considera como um barco à deriva, que deva ser abandonado à própria sorte. Mesmo em tempos de crise, a instituição familiar tem merecido o melhor dos esforços da Igreja, para ampará-la e fortalecê-la em sua dignidade e função social.

Compreende-se, assim, por que o papa Francisco convocou uma assembléia extraordinária do Sínodo dos Bispos, com o objetivo de tratar dos atuais desafios da família, que interpelam também a missão da própria Igreja. Sendo o primeiro Sínodo presidido por Francisco, pode-se intuir a importância que ele dá à família.

No final de junho, foi publicado o Instrumento de trabalho do Sínodo, um texto elaborado a partir das respostas a um amplo questionário espalhado pelas dioceses do mundo inteiro, visando obter o conhecimento da atual situação da família e dos desafios por ela enfrentados nos diversos países e contextos culturais. Ainda não é um documento conclusivo, mas uma proposta de reflexão.

As respostas trataram de uma lista extensa de situações vividas pela família, que vão da difusão dos ensinamentos da Igreja sobre a família e o casamento, e sua recepção, ao trato da Igreja com tais questões, às pressões culturais, econômicas e morais sofridas pela família; mas também contemplam as atuais realidades familiares, como as novas uniões depois de uma separação ou divórcio e sua participação na vida da Igreja; as uniões sem formalização alguma, nem civil, nem religiosa; a aparente descrença no casamento e na família e a transmissão responsável da vida; a educação dos filhos, cada vez mais fora da responsabilidade dos pais; as uniões de pessoas do mesmo sexo, com a pretensão de ter status de casamento e família; as políticas contrárias ao casamento e à família em várias partes do mundo…

Não faltam questões antigas e novas, nem sempre ajustadas ao Evangelho e à doutrina da Igreja. O que, então, leva a Igreja, convocada pelo papa Francisco, a se debruçar sobre essas questões, é a preocupação com as pessoas envolvidas nessas diversas situações concretas, sem abandoná-las, nem lhes dar a impressão de que a Igreja e o próprio Deus não têm mais nada para lhes oferecer. O Evangelho, de toda maneira, continua sendo “boa nova” de salvação e de vida para todos; as dificuldades atuais não são, nem devem ser, a referência última para a família e a pessoa humana.

Participarão da assembléia sinodal extraordinária os presidentes das Conferências Episcopais, além de outras pessoas, a critério do papa. Não se espere que o Sínodo vá enfrentar esses temas de maneira pragmática, buscando apenas chegar a um simplista “pode-não pode”. As questões são profundas e não dependem de uma atitude voluntarista da Igreja, amoldável aos humores do tempo e dos movimentos culturais.

Elas se inscrevem numa crise antropológica e cultural aguda, que atinge a própria pessoa humana, sua identidade e sentido. Quando o ser humano é apreciado apenas do ponto de vista instrumental e utilitarista, ele passa a ser objeto de uso e meio para atingir objetivos de outras pessoas, da sociedade ou do Estado; e já não é mais vista um fim em si mesmo, como ensinava Emmanuel Kant: “o ser humano nunca deve ser tido como um meio, mas sempre como um fim em si mesmo”.

Essa verdadeira deturpação do sentido do ser humano também leva à concepção da vida como aventura voltada sobre o próprio indivíduo, para o usufruto das sensações do momento, sem o horizonte da alteridade, no qual ele encontra a sua verdadeira expressão e sua realização mais plena. E introduz uma grande desorientação nas relações humanas, no sentido do amor, bem como nas instituições sociais mais elementares, como o casamento e a família, anteriores à própria sociedade organizada e ao Estado.

A assembleia extraordinária do Sínodo, deste ano, não dará uma palavra conclusiva sobre as questões postas, mas será uma etapa do “caminho sinodal”, que se concluirá na 14ª. assembléia ordinária do Sínodo, em outubro de 2015. Agora, o objetivo é fazer uma reflexão aprofundada sobre a situação da família e do casamento, para compreender melhor os motivos da sua crise e discernir sobre as novas perspectivas que se abrem para a missão da Igreja.

Em 2015, a reflexão será de fundo antropológico, sobre a pessoa humana e a família à luz da fé cristã. Então sim, será o momento de oferecer diretrizes pastorais novas.

Papa Francisco inicia seu primeiro Consistório

A família “é célula fundamental da sociedade humana”, disse o papa Francisco na abertura dos trabalhos do Consistório extraordinário, que teve início hoje, 20, no Vaticano.

Estão presentes 185 cardeais, com a participação dos 19 prelados que serão criados cardeais pelo papa Francisco sábado, 22, entre eles o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta.

Em foto divulgada pela Rádio Vaticano, o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis, aparece caminhando ao lado do papa Francisco.

O colégio cardinalício está reunido para refletir sobre temas relacionados à Família. “A nossa reflexão terá sempre presente a beleza da família e do matrimônio, a grandeza desta realidade humana, tão simples e ao mesmo tempo tão rica, feita de alegrias e esperanças, de fadigas e sofrimentos, como o é toda a vida”, comentou o papa no início da reunião.

Reflexão

Durante o Consistório serão aprofundadas a teologia da família e a pastoral que deve ser implementada no contexto atual. O papa Francisco pediu aos cardeais que ajudem a refletir sobre a realidade da família com profundidade sem cair na “casuística”.

“Hoje, a família é desprezada, é maltratada, pelo que nos é pedido para reconhecermos como é belo, verdadeiro e bom formar uma família, ser família hoje; reconhecermos como isso é indispensável para a vida do mundo, para o futuro da humanidade”, afirmou Francisco.

Concluindo sua fala, o papa lembrou que é necessário colocar em evidência o plano de Deus para a família. E disse aos cardeais: “ajudemos os esposos a viverem-no com alegria ao longo dos seus dias, acompanhando-os no meio de tantas dificuldades com uma pastoral inteligente, corajosa e amorosa”.

Após a colocação do papa, o presidente emérito do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, o cardeal Walter Kasper, também falou aos participantes.

No decorrer da reunião, estão previstas outras intervenções sobre a família que irão contribuir para a preparação do próximo Sínodo dos Bispos, em outubro.

Fonte: CNBB

A Família é o Centro

“O tema da família está no centro do coração do Papa Francisco. Tanto que o primeiro grande ato do Seu pontificado foi a convocação do Sínodo dos Bispos sobre a família”. Estas foram as primeiras palavras proferidas por dom Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família, em sua exposição para cerca de 350 pessoas que lotaram o auditório Paulo Apóstolo, nas Irmãs Paulinas, em São Paulo, na noite de terça-feira, 5/11, sob o tema “Família, sujeito de uma nova evangelização do amor”

Após momento de oração conduzido pela irmã Ivonete Kurten, fsp, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, intermediou o encontro, saudou a todos e agradeceu o arcebispo italiano por sua palavra orientadora e encorajadora.

Os agentes de pastoral, sacerdotes, religiosas, membros de movimentos, grupos e comunidades, engajados no trabalho da evangelização familiar, foram ouvir do prelado o que a Igreja e o Papa estão articulando acerca dos desafios atuais enfrentados pelas famílias.

Dom Vincenzo falou veementemente sobre a importância da família para a Igreja e a sociedade, ratificando que será a segunda vez que o Sínodo dos Bispos tratará sobre o mesmo assunto. Ele acredita que a família é a realidade que apoia e sustenta a sociedade, sobretudo nos momentos de crise, mas que não é valorizada. Pelo contrário, são “usadas” pelo governo. “Nós devemos mudar esta contradição desta nossa sociedade contemporânea”, conclui. Também na terça-feira, 5/11, o Vaticano apresentou o Documento de Preparação para o Sínodo, que inclui um questionário com 38 quesitos a ser respondidos por toda a Igreja.

O arcebispo de São Paulo pediu para que todos acompanhem a preparação da Assembleia dos Sínodos, que vai acontecer de 5 a 19 de outubro de 2014, e façam votos para que Ela contribua, de fato, para a realidade da família, a qual vive uma grande crise, mas que não pode ser abandonada, pois “a família está no Plano de Deus”.

Quando indagado sobre a atuação da mídia e seu poder de articulação e influência junto à sociedade, o arcebispo italiano ressaltou que todos conhecem bem sobre esta questão e devem sentir-se responsáveis na educação das crianças e adolescentes. “Não se esqueça de educar os filhos com diálogo. É preciso perder tempo com eles, de uma forma inteligente”.

Ao ser perguntando se no Sínodo haverá alguma orientação para que nas homílias sejam reforçadas a união entre a sociedade e a Igreja, uma geradora da outra, dom Paglia confessou que “no fim de novembro de 2013 o Papa Francisco escreverá uma encíclica onde falará muito das homílias”.

Em entrevista ao site da Arquidiocese de São Paulo, o Padre Wladimir Porreca – assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, disse que a presença do Monsenhor Paglia é um reforço, apoio e incentivo para todo o trabalho que é realizado no país. “Quando Ele coloca as diretrizes daquilo que a Igreja do mundo inteiro tem trabalhado, acaba mostrando a beleza da caminhada da Igreja no Brasil”.

Segundo Padre Wladimir, a falta de unidade entre os que atuam na Pastoral da Família é um dos principais desafios a serem enfrentados. Para o assessor da CNBB, existem dois aspectos importantes a serem reforçados: entender sobre Comissão de Família e colocar Jesus Cristo em primeiro lugar para depois chegar à catequese. “Às vezes nós nos preocupamos muito com normas e deixamos de lado aquilo que é essencial, no sentido de evangelização, da beleza da família cristã”. Padre Wladimir afirma que não se deve ficar fechado entre grupos, é preciso ter uma ação social.

Dom Odilo lembrou que a assembleia extraordinária do próximo ano, está em consonância com a ordinária já prevista para 2015 com o tema “A pessoa humana e a sociedade”. Ele diz que a família estará inserida numa temática mais ampla. “O que é a pessoa humana? Quem é o homem, à Luz da Fé? A antropologia também está numa crise”.

Sobre os inúmeros questionamentos levantados sobre o Sínodo, Padre Wladimir Porreca avisa que as pessoas precisam entender que o Sínodo não é um receituário. Ele tem como ponto principal favorecer a beleza da família. “O cristão católico tem de saber que o modelo de família cristã é o da felicidade”.

Monsenhor Vincenzo Paglia despediu-se citando o trecho da homilia de dom Oscar Romero (1917-1980), quando este estava celebrando o funeral de um padre que fora assassinato pelo esquadrão da morte: ‘O Concílio pede a todos os cristãos serem mártires, ou seja, de darem a vida. Alguns são pedidos dar a vida até o sangue, como este sacerdote. Mas, a todos nós, o Senhor pede para dar a vida; bem com uma mãe, que quando concebe um filho, o amamenta, o faz crescer. Esta mãe é um mártire, porque está dando uma vida’.

Em sua passagem pelo Brasil, o presidente do Pontifício Conselho para a Família, já esteve em Salvador, na segunda-feira, 4/11, com dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador. Na ocasião, Dom Paglia entregou uma contribuição econômica, enviada pelo Papa Francisco, para o Centro de acolhimento para crianças “Nova Semente”. Já na cidade de São Paulo, Ele concedeu uma entrevista coletiva à jornalistas, na tarde de quarta-feira, 6/11. Nesta quinta-feira, 7/11, viaja a cidade de Aparecida e retornar à Roma na sexta-feira, 8/11.

Assista na Web TV Paulo Apóstolo a íntegra da palestra de dom Vincenzo Paglia:

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos

Na terça-feira, 8, o papa Francisco convocou a 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, que acontecerá em outubro de 2014 e terá como tema: “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. De Roma, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, membro do Conselho Permanente da Secretaria do Sínodo, concedeu entrevista ao O SÃO PAULO e falou sobre a convocação que descreveu como “surpreendente”.

“Há desafios novos e outros permanentes. Hoje há uma instabilidade maior nos casamentos e muitos se desfazem depois de algum tempo; há o medo de assumir um compromisso ‘por toda a vida’, devido à cultura individualista, do provisório e do descartável”, afirmou dom Odilo.

Além de falar dos desafios para a família na atualidade e das relações da Nova Evangelização com a vida familiar, o Cardeal abordou a questão das “uniões de pessoas do mesmo sexo, que pretendem ter o reconhecimento de ‘casal’ e de família, inclusive com a adoção de filhos”.

Leia a íntegra

O SÃO PAULO – Como o senhor vê a convocação de uma Assembleia Extraordinária do Sínodo para 2014 com o tema: “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”?

Cardeal dom Odilo Pedro Scherer – Essa convocação foi surpreendente, pois não se previa até há pouco tempo. Há várias explicações para essa decisão do papa Francisco: os graves e urgentes desafios que a família vive desafiam a missão evangelizadora da Igreja; esses desafios precisam ser trabalhados na ótica da Nova Evangelização; e, finalmente, essa convocação revela a intenção do Papa de dar um caráter mais “sinodal” ao exercício do seu ministério.

O SÃO PAULO – Quais os novos desafios para a família na atualidade?

Dom Odilo – Há desafios novos e outros permanentes. Hoje há uma instabilidade maior nos casamentos e muitos se desfazem depois de algum tempo; há o medo de assumir um compromisso “por toda a vida”, devido à cultura individualista, do provisório e do descartável; mas há também uma verdadeira depreciação do casamento, pois muitos não se casam mais, nem no religioso, nem no civil. Mas há também a questão das uniões de pessoas do mesmo sexo, que pretendem ter o reconhecimento de “casal” e de família, inclusive com a adoção de filhos. E não se deve esquecer que a família é fortemente colocada sob pressão por questões econômicas, pela difusão de propostas “alternativas” à família por certa corrente ideológica contrária à família; e há os problemas decorrentes da pouca clareza sobre o papel dos pais na educação dos filhos e sobre o tipo de educação a ser dada. E permanecem grandes desafios o papel da família na transmissão da fé e dos valores ético-morais. A Igreja continua a depositar grande valor na família, mas sua visão sobre a pessoa humana e sobre a família vai muitas vezes contra a corrente da mentalidade contemporânea.

O SÃO PAULO – Como a Nova Evangelização está relacionada com a vida familiar?

Dom Odilo – A Igreja olha a família a partir da fé em Deus e em sintonia com o seu desígnio criador e salvador. Por isso, ela vê na família, antes de tudo, a realização de um desejo de Deus e não apenas uma criação da sociedade. Há questões de fundo, que a Igreja leva em conta: o que quis Deus ao criar o homem e a mulher e ao colocá-
los frente a frente, como recíprocos e complementares? Qual é o significado da
sexualidade, do amor humano, do casamento, da paternidade e da maternidade? Tudo isso não pode estar simplesmente sujeito a movimentos culturais e ideológicos, ou ao gosto dos indivíduos. A Nova Evangelização precisa ajudar a repropor, de maneira convincente, esperançosa e alegre o “Evangelho da família” ao mundo de hoje. E as famílias evangelizadas ajudarão a evangelizar outras famílias; a própria família é evangelizadora e a Igreja quer continuar a contar com ela para a transmissão da fé.

O SÃO PAULO – Após a convocação da Assembleia Extraordinária de 2014, o que se pode esperar da Assembleia Ordinária de 2015, também sobre o tema da família?

Dom Odilo – Antes de tudo, a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, em 2015, terá um tema mais alargado, com dois focos: família e pessoa humana. Serão tratadas as questões antropológicas, muito sérias, pois há uma grave “confusão antropológica” na cultura contemporânea. Enquanto isso, a Assembleia Extraordinária, em 2014, terá como foco os “desafios” familiares para a evangelização. Além disso, os participantes das duas assembleias serão diferentes; em 2014, serão sobretudo os presidentes das Conferências Episcopais; em 2015 a participação será mais ampla e variada de bispos e de outros membros da Igreja. Mas é certo que as duas assembleias serão complementares. Em 2014, será feita uma grande tomada de consciência da situação familiar em relação à evangelização; em 2015, haverá um discernimento eclesial e teológico sobre a família e outras questões antropológicas; e a assembleia poderá propor ao Papa oportunos encaminhamentos ou decisões.

Fonte: Arquidiocese de São Paulo