assembleia dos bispos

Formação de Presbíteros é tema principal da 47ª Assembleia da CNBB

Agência Adital – Está sendo realizada em Indaiatuba, São Paulo, a 47ª Assembleia Geral dos Bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro, que reúne 330 bispos, iniciou no dia 22 e vai até dia 1° de maio, e tem como tema central orientar a formação dos presbíteros.

Nas atividades da última quinta-feira (23) os bispos rezaram pelos jovens vocacionados ao sacerdócio e pelos padres que se dedicam à sua formação. Além disso, os participantes foram divididos em 20 grupos para debater o novo texto sobre a formação dos presbíteros na Igreja do Brasil. O resultado do trabalho é a revisão do Documento 55 da CNBB – Diretrizes Básicas da Formação dos Presbíteros do Brasil, em vigor desde 1995.

Nesta sexta-feira (24), terceiro dia do evento, a missa de abertura lembrou o Ano Nacional Catequético. O bispo de Goiás, Dom Eugênio Rixen, presidiu a missa e falou sobre a importância da catequese na comunidade. Um grupo de crianças participou da procissão das ofertas durante a celebração.

Nas discussões desta sexta-feira, os 330 bispos refletiram sobre a Maioridade Penal e ainda falaram sobre o tema “Iniciação à vida Cristã”, um dos assuntos prioritários do encontro. Outro importante tema a ser tratado é “O Brasil na Missão Continental”, que compôs o Projeto Nacional de Evangelização da CNBB no ano passado.

A coletiva de imprensa desta sexta-feira será realizada por Dom Nelson Westrupp, bispo de Santo André (SP) e presidente da Regional Sul 1 da CNBB (SP); Dom Pedro Luiz Stringhini, bispo auxiliar de São Paulo e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, da CNBB; e Dom Juventino Kestering, bispo de Rondonópolis (MT).

Os textos que forem aprovados nas discussões da Assembleia deverão ser publicados dentro da coleção “Estudos da CNBB”. Estes estudos são considerados um passo importante para elaboração futura do documento da CNBB.

Padre, Presbítero, Pastor, Ministro

Dom Demétrio Valentini

O Cardeal Martini, um dos homens de Igreja mais lúcidos hoje, propôs recentemente a realização de um novo concílio ecumênico, para tratar de três temas centrais para o futuro do cristianismo. O primeiro em torno da inculturação, para encontrar um novo patamar de diálogo do Evangelho com as grandes culturas e religiões no mundo de hoje. O segundo seria o ecumenismo, para um novo relacionamento entre os cristãos. E o terceiro seria sobre o ministério, para uma nova estruturação dos serviços internos da Igreja. Portanto, um novo diálogo com o mundo, um novo entendimento entre os cristãos, e uma nova organização interna na Igreja.

A assembléia da CNBB, reunida nestes dias, está abordando, de leve, o terceiro dos grandes temas sugeridos pelo Cardeal Martini. Está renovando as orientações para a formação dos presbíteros. Trata-se da formação dos padres, como o povo os chama.

As atenções de todos os bispos, nesta assembléia, se voltam para este ministério específico dos padres, sem analisar nem questionar o corpo bem mais amplo do conjunto de todo o ministério eclesial, que abrange desde o ministério do papa, dos bispos, dos presbíteros, dos diáconos, e também dos diversos ministérios leigos que podem ser exercidos, na perspectiva de uma Igreja toda ministerial.

Portanto, é uma abordagem com limites bem determinados, incidindo sobre uma proposta prática e concreta, de valorização deste ministério por uma aprimorada formação dos que o assumem.

Na análise da natureza eclesial deste ministério, o documento ora em estudo na assembléia, constata a diversidade de nomes que designam as pessoas que exercem este ministério. São chamados de padres, de presbíteros, de ministros, de pastores. Todos nomes para designar a mesma pessoa.

O documento constata que cada um desses nomes enfatiza um aspecto deste ministério com significação tão variada. É padre porque exerce uma paternidade em relação à comunidade. É presbítero, como foi chamado nos inícios da Igreja, porque possui maturidade, fruto de sua experiência da vida. É ministro, porque está a serviço da comunidade e age em nome de Cristo. E sobretudo pode ser chamado de pastor, a figura bíblica que melhor espelha a missão de cuidar da comunidade como o pastor cuida do rebanho.

Portanto, uma identidade muito rica, que justifica esta diversidade de nomes, com os quais se tenta expressá-la.

Diversos nomes, para uma mesma função, para um mesmo ministério. Diversas palavras, para uma realidade complexa, concentrada numa mesma pessoa.

Mas aqui a reflexão sobre o ministério na Igreja poderia tomar outra direção, a partir da diversidade de nomes com que o padre é designado. Ao contrário de reforçar as atribuições para uma mesma pessoa, esta diversidade de nomes pode sugerir a distribuição deste ministério de maneira diversificada e desconcentrada, de tal modo que ele poderia ser repartido de modo a envolver outras pessoas que poderiam exercer este mesmo ministério de maneira diferente, segundo a diversidade de circunstâncias e de acordo com as necessidades concretas de cada situação.

Isto iniciaria uma revisão em profundidade de todo o conjunto do ministério na Igreja, levando em conta os critérios que norteiam toda a iniciativa ligada à herança confiada por Cristo, isto é, a fidelidade no essencial, e a liberdade nas circunstâncias.

Em síntese, ao contrário de acumular nomes para uma mesma função e para as mesmas pessoas, repartir o ministério, de maneira diversificada, para outras pessoas, em vista do atendimento mais adequado às necessidades da comunidade. Assim, libertando-se de formas fixas, a Igreja ficaria mais fiel a Cristo, e as comunidades melhor servidas.

CNBB em ritmo de Páscoa

Dom Demétrio Valentini

De 22 de abril a primeiro de maio a CNBB estará realizando sua 47ª. Assembléia anual. A data é determinada pela Páscoa. Nesta época, em cada ano, os bispos vêm chegando das 270 dioceses do Brasil, para o seu encontro de dez dias.

Observadas as circunstâncias, é o tempo mais propício para reunir os bispos. Em primeiro lugar, porque na páscoa cada bispo se encontra em sua respectiva diocese, onde sua presença é indispensável para a realização das grandes celebrações que lhe cabe presidir por dever de ofício. Se é para convocar os bispos, é na páscoa que os encontramos em casa.

Mas a assembléia da CNBB em tempo de páscoa não é ditada só pela conveniência de época. A reunião de todos os bispos tem uma evidente semelhança com os acontecimentos do dia da ressurreição.
A cruz tinha desnorteado os apóstolos, e o germe da dispersão já corroía os vínculos da comunhão ente eles. No primeiro dia após o sábado, alguns já estavam se mandando de volta às suas antigas moradias, curtindo a frustração de suas esperanças, como os discípulos de Emaús.

Mas a notícia da ressurreição aos poucos foi de novo congregando os discípulos, tecendo entre eles um novo compromisso e uma nova consciência de serem depositários de uma causa que era preciso assumir e levar adiante. A ressurreição, na verdade, foi dando firmeza à Igreja, que a partir daquele dia foi se consolidando, e foi tomando consistência, toda ela derivada de Jesus Cristo, que então começou na verdade a ser compreendido na sua dimensão divina e na sua missão salvadora.

Assim continua acontecendo hoje. É ainda em Cristo Ressuscitado que a Igreja busca força para se reconhecer e para assumir a missão a ela confiada. Por isto, é muito significativo que depois da Páscoa os bispos se congreguem em assembléia, para de novo se sentirem reunidos em torno de Cristo, e dele receberem a paz, o perdão e a força do Espírito para cumprirem a missão, como aconteceu com os apóstolos.

Se olhamos a temática central da assembléia deste ano, percebemos ainda os reflexos de Aparecida. Aquela reunião representativa de toda a Igreja da América Latina vai se confirmando sempre mais como paradigmática, como evento revelador da atuação do Espírito de Deus, por ter captado a essência do Evangelho, de maneira sintética e dinâmica, expressando-o pelo binômio “discípulos e missionários de Jesus Cristo”. De fato, a atividade de Jesus pode ser sintetizada nestas duas palavras: ele formou discípulos, que se transformaram em missionários.

Nesta dupla dimensão, podemos identificar ainda hoje a tarefa da Igreja. Ela também precisa formar discípulos, para transformá-los em missionários.

Pois aí está o tema central desta assembléia: a formação dos presbíteros. Mas não só eles. Todos os membros da Igreja precisam se tornar discípulos de Cristo. Por isto o outro tema, a iniciação cristã, destinada a todos.

Mas não basta formar discípulos. Se eles não assumem a missão, é vã a sua formação. A assembléia estará atenta a esta dimensão indispensável, analisando propostas concretas da “missão continental”, que Aparecida propôs.

Numa de suas aparições como ressuscitado, Jesus surpreendeu os discípulos pescando no mar da Galiléia. Era de madrugada. Nada tinham apanhado durante a noite. Sob a palavra de Jesus, lançaram de novo a rede, que se encheu de 153 peixes.

Pois bem, o tema central de Aparecida, “discípulos e missionários”, que ainda continua presente nas assembléias da CNBB, é como as duas pontas da rede. Puxando-as, vem a rede inteira. Resta ver se vem vazia, ou cheia de peixes. Depende do compromisso dos discípulos de Cristo com as causas da humanidade. Jesus tinha dito que seriam pescadores de homens. A rede da Igreja precisa estar repleta da problemática humana.

Como no tempo dos apóstolos, o Ressuscitado pede à CNBB que lance as redes na realidade do povo brasileiro. Há um grande cardume de problemas, que aguardam a solicitude missionária da Igreja para serem assumidos à luz da Ressurreição, e transformados em caminho de vida nova para todos.

Assembléia reunirá mais de 300 bispos em Itaici

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) inicia, na próxima quarta-feira, 22, sua 47ª Assembleia Geral, em Itaici, município de Indaiatuba (SP). O Brasil possui 447 bispos, dos quais 147 são eméritos (bispos que já deixaram a administração de suas dioceses). Há ainda seis dioceses sem bispos, conduzidas por administradores diocesanos que participarão da Assembleia com direito a voto. Já confirmaram presença 326 bispos, dos quais 33 são eméritos.

Na assembleia deste ano, os bispos vão discutir, como tema central, a formação dos futuros padres. Uma Comissão de bispos está fazendo a revisão do Documento 55 da CNBB, Diretrizes Básicas da Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil, em vigor desde 1994. O novo texto será estudado e aprovado pela Assembleia e, em seguida, encaminhado à Congregação para a Educação Católica, em Roma, para aprovação final.

Os dez dias da Assembleia exigem uma grande estrutura por parte da CNBB. Um grupo de cem pessoas se divide em várias equipes de serviços para assegurar o êxito do encontro dos bispos. Da CNBB integram o grupo 36 assessores, 17 secretários dos regionais, 17 representantes dos organismos da CNBB e 19 funcionários, além de 11 voluntários. Há, pelo menos, 17 convidados que também participarão da Assembleia. Entre bispos e equipes de serviço, o encontro envolverá cerca de 450 pessoas.

fonte: CNBB