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Igreja celebra 65 anos de ordenação sacerdotal de Dom Paulo

A Igreja de São Paulo celebrou no sábado, 27/11, a festa de 65 anos de ordenação sacerdotal de Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito da Arquidiocese. A missa na Catedral da Sé foi presidida pelo atual cardeal arcebispo, Dom Odilo Pedro Scherer, e contou com a participação de diversos bispos, padres, leigos.

Na abertura, Dom Paulo falou sobre a rotina que tem vivido:

A homilia foi feita por Dom Celso Queiroz, bispo emérito de Catanduva, que foi responsável pela Região Ipiranga como auxiliar de Dom Paulo até o ano 2000:

No final da celebração, Dom Paulo recebeu homenagens de crianças da Pastoral do Menor, de moradores de rua, do prefeito Gilberto Kassab,  do Pe. Tarcísio Mesquita, coordenador de pastoral da Região Belém, e de Chico Whitaker, representante dos leigos de São Paulo:

Carlos Beatriz registrou a celebração:

Presbítero, o povo quer ouvir a Palavra que habita em ti!

Pe. Paulo Cezar Mazzi

A Palavra habita em ti?

“Homem de Deus, escolhido entre as nações. Profeta do Senhor: vai falar aos corações. Solta tua voz, o povo quer ouvir a Palavra que habita em ti!”. Essas palavras fazem parte da primeira estrofe do hino de entrada da missa que celebramos no último 04 de agosto em nossa Diocese, por ocasião do Dia do Padre. É digna de meditação esta frase: “O povo quer ouvir a Palavra que habita em ti!”.

Já foi constatado na penúltima Assembleia Geral da CNBB o fato de que a Igreja do Brasil vive uma época de declínio do seu profetismo, e isso não só por parte da maioria dos nossos Bispos, mas de nós padres também. Os motivos são múltiplos e não podem ser tratados no pequeno espaço desse artigo. O que penso ser importante resgatar aqui é a verdade dessa canção: primeiro a Palavra precisa habitar em nós, para somente depois poder ser ouvida pelo nosso povo, talvez numa referência à encarnação do Verbo: primeiro, Maria disse: “Faça-se em mim segundo diz a Palavra” (citação livre de Lc 1,38), e somente depois “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14).

Como estamos no mês de setembro, celebrado como mês da Bíblia em nossa Igreja, achei oportuno escrever algo que nos ajude neste Ano Sacerdotal a perceber o que tem favorecido e o que tem atrapalhado a Palavra de habitar em nós. Isso nos leva a olhar para o silêncio. A experiência dos profetas, do próprio Jesus, dos apóstolos e dos grandes místicos da nossa Igreja revela algo muito claro: Deus não fala no barulho. Para que a Palavra habite em nós, é preciso que haja o espaço do silêncio em nossa vida de oração.

O silêncio se tornou algo irritante e quase que antinatural para nós, em nossa cultura moderna. A prova mais concreta disso é a dificuldade que temos para silenciar em nossos retiros. Sendo pedido de maneira incisiva ou tímida pelo pregador, o fato é que o silêncio acaba sendo esvaziado pela maioria de nós, com a justificativa de que precisamos aproveitar o momento do retiro também para conviver, para estreitar laços e para resolver problemas da Diocese que estão pendentes. Por trás dessas atitudes está a necessidade inconsciente que temos de nos defender do silêncio.

Existe uma resistência natural em nós para silenciar. Estamos tão acostumados com o barulho que, quando tentamos silenciar, nos sentimos como um viciado em droga entrando no seu doloroso período de abstinência, expressão que tomo emprestada de Henri Nouwen. A consequência da falta de silêncio, segundo este autor, pode ser assim sintetizada: “As perguntas que vêm de dentro ficam sem resposta. Os sentimentos incertos não são esclarecidos, os desejos emaranhados não são organizados, e as emoções confusas não são compreendidas”.

“O povo quer ouvir a Palavra que habita em ti!”. Embora saibamos que o povo quer ouvir a Palavra que habita em nós, nossa palavra parece estar soando apenas como vento, como está escrito: “Concebemos e tivemos as dores de parto, mas quando demos à luz, eis que era vento: não asseguramos a salvação para a terra; não nasceram novos habitantes para o mundo” (Is 26,18).

Neste Ano Sacerdotal seria bom que cada um de nós meditasse sobre essa verdade tão simples: “O povo quer ouvir a Palavra que habita em ti!”. Por mais que estudemos e preparemos bem as nossas homilias, é bom ter a humildade de reconhecer que a Palavra não pode ser produzida por nós. Ela só pode vir e fazer sua morada em nós, para então ser comunicada ao nosso povo. A nós cabe fazer como Maria: permitir que a Palavra se faça em nós, que faça da nossa vida um eco da sua verdade, da única verdade capaz de libertar (cf. Jo 8,32). É assim que ajudaremos a assegurar a salvação para a terra. É assim que ajudaremos a nascer novos habitantes para o mundo…

São João Maria Vianey

No 4 de Agosto a Igreja celebra a memória litrugica de São João Maria Vianey, o Cura D’Ars.

Neste ano com maior empenho, por celebrarmos os 150 anos de sua morte e por esse motivo o ANO SACERDOTAL.

São João Maria é a partir desse ano o patrono de todos os padres e não só dos párocos.

A sua vida de simplicidade e pobreza é exemplo para todos os que assumem o ministério presbiteral.

O Cura D’Ars conheceu dificuldades e discriminações, mas a sua perseverança e firmeza na fé o fez superar os desafios ou vivê-los com intensidade e mística inigualáveis.

O que muito me impressiona na vida do Cura D’Ars é o seu amor e acolhida pelos pobres; algumas vezes o Pe. Vianey foi visto descalço por ter dado até os sapatos para quem necessitava.

A sua vida de oração e sua confiança no AMOR de DEUS o alimentou por toda a vida mesmo nos momentos de maior solidão e dificuldade.

Que celebrar a sua memória nos ajude a viver a consagração que fizemos ao SENHOR no serviço ao Povo de DEUS!


Assista abaixo a uma seleção de vídeos sobre São João Maria Vianey:

Padre, Presbítero, Pastor, Ministro

Dom Demétrio Valentini

O Cardeal Martini, um dos homens de Igreja mais lúcidos hoje, propôs recentemente a realização de um novo concílio ecumênico, para tratar de três temas centrais para o futuro do cristianismo. O primeiro em torno da inculturação, para encontrar um novo patamar de diálogo do Evangelho com as grandes culturas e religiões no mundo de hoje. O segundo seria o ecumenismo, para um novo relacionamento entre os cristãos. E o terceiro seria sobre o ministério, para uma nova estruturação dos serviços internos da Igreja. Portanto, um novo diálogo com o mundo, um novo entendimento entre os cristãos, e uma nova organização interna na Igreja.

A assembléia da CNBB, reunida nestes dias, está abordando, de leve, o terceiro dos grandes temas sugeridos pelo Cardeal Martini. Está renovando as orientações para a formação dos presbíteros. Trata-se da formação dos padres, como o povo os chama.

As atenções de todos os bispos, nesta assembléia, se voltam para este ministério específico dos padres, sem analisar nem questionar o corpo bem mais amplo do conjunto de todo o ministério eclesial, que abrange desde o ministério do papa, dos bispos, dos presbíteros, dos diáconos, e também dos diversos ministérios leigos que podem ser exercidos, na perspectiva de uma Igreja toda ministerial.

Portanto, é uma abordagem com limites bem determinados, incidindo sobre uma proposta prática e concreta, de valorização deste ministério por uma aprimorada formação dos que o assumem.

Na análise da natureza eclesial deste ministério, o documento ora em estudo na assembléia, constata a diversidade de nomes que designam as pessoas que exercem este ministério. São chamados de padres, de presbíteros, de ministros, de pastores. Todos nomes para designar a mesma pessoa.

O documento constata que cada um desses nomes enfatiza um aspecto deste ministério com significação tão variada. É padre porque exerce uma paternidade em relação à comunidade. É presbítero, como foi chamado nos inícios da Igreja, porque possui maturidade, fruto de sua experiência da vida. É ministro, porque está a serviço da comunidade e age em nome de Cristo. E sobretudo pode ser chamado de pastor, a figura bíblica que melhor espelha a missão de cuidar da comunidade como o pastor cuida do rebanho.

Portanto, uma identidade muito rica, que justifica esta diversidade de nomes, com os quais se tenta expressá-la.

Diversos nomes, para uma mesma função, para um mesmo ministério. Diversas palavras, para uma realidade complexa, concentrada numa mesma pessoa.

Mas aqui a reflexão sobre o ministério na Igreja poderia tomar outra direção, a partir da diversidade de nomes com que o padre é designado. Ao contrário de reforçar as atribuições para uma mesma pessoa, esta diversidade de nomes pode sugerir a distribuição deste ministério de maneira diversificada e desconcentrada, de tal modo que ele poderia ser repartido de modo a envolver outras pessoas que poderiam exercer este mesmo ministério de maneira diferente, segundo a diversidade de circunstâncias e de acordo com as necessidades concretas de cada situação.

Isto iniciaria uma revisão em profundidade de todo o conjunto do ministério na Igreja, levando em conta os critérios que norteiam toda a iniciativa ligada à herança confiada por Cristo, isto é, a fidelidade no essencial, e a liberdade nas circunstâncias.

Em síntese, ao contrário de acumular nomes para uma mesma função e para as mesmas pessoas, repartir o ministério, de maneira diversificada, para outras pessoas, em vista do atendimento mais adequado às necessidades da comunidade. Assim, libertando-se de formas fixas, a Igreja ficaria mais fiel a Cristo, e as comunidades melhor servidas.