Ano Sacerdotal

Padre: pai gerando Cristo no coração da humanidade

Pe. Tarcisio Marques Mesquita

Neste ano sacerdotal, a Igreja nos convoca a pensar sobre o dom divino de servir residente no presbítero, o qual revitaliza a comunidade cristã com a presença real de Jesus na Eucaristia. Subsiste na raiz deste serviço uma aliança de forças que torna seu ministério vigor renovador e salvífico: a vontade do Pai, expressa no amor de Cristo, o próprio sacerdote, como pai doador de vida, e os frutos da terra e do trabalho humano; tudo isso se associando e tornando possível que Jesus prolongue sua presença entre nós como pão da vida e vinho da salvação.

Na Comunidade Cristã, esse homem investido deste ministério ordenado é chamado por todos “Padre”, pois deve ser o pai de toda a comunidade. O que melhor cumpre suas funções ministeriais, portanto, é exatamente aquele que ama com amor paterno. Por isso deve ser um pai dedicado, agindo e trabalhando para alimentar a família e, ainda, saciá-la em sua sede. Embora filho como os demais filhos de Deus, seus compromissos paternais exigem que nutra, sacie, guie, defenda, proteja e acalente numerosos filhos e filhas, todos adotados pela força intrínseca do Sacramento da Ordem que recebeu.

É guiado pela força de seu ministério que o padre se nutre do mesmo pão e do mesmo cálice. O vínculo que surge de alimentar e ser alimentado, nutrir e ser nutrido, deve propiciar a ele a ciência de estar continuamente a serviço, mantendo profundos vínculos de amor para com toda a criação, particularmente todo ser humano. Amando a Cristo, o verbo que existe antes de todos os séculos, por meio do qual tudo foi feito (cf. Jo1,3), ele expressa este amor e reverência a toda natureza, que passou a existir pela palavra e desejo do Cristo-Senhor, a quem ele, como pai, gerando vida, dever fazer nascer e ser distribuído por intermédio deste seu ministério.

No início do serviço presbiteral, no ser de todo padre comprometido com a vida de sua comunidade, já predominam preocupações quanto ao ambiente formado pelos interesses do convívio humano dentro do qual seus filhos e filhas circulam. Hoje, mais do que nunca na história humana, adiciona-se a estas suas preocupações o ambiente que compõe as condições que tornam possível a manutenção digna da vida humana neste planeta. Por isso, o momento presente exige que ele se envolva nas preocupações quanto ao ar, água, calor e frio, carência de alimento ou violência, não se omitindo, também, na busca de soluções, à luz do Evangelho, para estas mesmas questões.

Podem-se observar quão imensos são os desafios que inquietam a vida de um padre, ou seja, de um pai todo especial como ele deve ser. É por isso que faz parte dos seus encargos velar e atuar para que seus rebentos cresçam e vivam em um ambiente que lhes seja favorável. O padre não pode, portanto, vacilar e se omitir em participar dos esforços, atualmente tão urgentes, na preservação deste nosso meio planetário, que é a nossa casa. Da mesma forma como não é possível ser bom pai sem se deixar envolver nas questões que afligem e colocam em risco a vida de seus filhos, não é possível ser bom padre sem se inteirar dos desafios que fazem parte dos ambientes social e natural deste tempo.

Poder-se-ia perguntar: Qual pai autêntico não se preocuparia com as condições dignas de sua da família? Qual padre, fiel ao seu ministério, não se preocuparia com os destinos da humanidade a quem ele prometeu servir em obediência ao Cristo, por meio de quem ele se faz ministro? Por derivação destas interrogações, é essencial afirmar que o padre não se veja somente a repetir as palavras de Jesus “Isto é meu corpo… Isto é meu sangue”, mas as sinta como suas e mergulhe, junto com Jesus, no prazer de se dar e salvar. O padre, de fato, constrói de suas energias paternas um elenco de fé, transformando-o, a seguir, em tomadas de atitudes a serviço da vida. Ele é pai por disposição pessoal e em resposta ao Evangelho de Cristo , exercendo sua paternidade num contínuo aprendizado de plena doação.

Padre, enfim, é pai em natureza de serviço e por resposta ao convite do amor divino de se fazer motivação evangélica de serviço ao dom da vida; pai, em vista de um mundo em que se possa respirar um bom ar, beber água pura, onde haja aconchego, superação de todo mal e acolhida a todo ser humano, dom inestimável de Deus. O intenso vínculo ao Cristo deve torná-lo capacitado a compreender os caminhos humanos atuais, com seus riscos e alternativas, e saber lidar com suas próprias inseguranças a ponto de, como o próprio Cristo, não se acovardar em face aos riscos de morte inerentes ao cotidiano de quem busca, como bom pai, o bem dos filhos e filhas.

Cultivar a solidariedade

Dom Demétrio Valentini

Vamos enveredando para mais um final de ano, que o mês de novembro já deixa entrever. 2009 foi pródigo de apelos, como Ano Paulino, Ano Catequético, Ano Sacerdotal. Sem esquecer que ainda estamos no Ano Centenário de D. Helder.

A este propósito, novembro acena de novo para D. Helder. No dia 12 se comemora a fundação da Cáritas Brasileira, em 1956.

Para assinalar esta data, há anos a Cáritas vem promovendo a Semana da Solidariedade, de 05 a 12. Se ela faz sentido todos os anos, mais ainda neste, em que estamos recolhendo a memória deste grande profeta que Deus suscitou em nosso tempo.

São diversas as maneiras para medir o tempo. Seja em anos, em meses, em semanas, em dias, e até em horas. Cada qual realça uma dimensão.

Qual a dimensão ressaltada pela semana?

A semana é a melhor medida para o ritmo da vida. Cada semana faz o giro completo. Não é por nada que a Bíblia apresenta o relato simbólico da criação do mundo no espaço de uma semana. Cada semana dá a volta na vida.

É por isto que a consciência mais aguda do nosso cotidiano faz referência à semana, não ao mês. Podemos duvidar sobre o dia do mês em que estamos, mas não duvidamos em que dia da semana nos encontramos.

Qual o sentido de destacar uma semana inteira?

Para enfatizar um valor que não pode faltar na vida.

Assim chegamos ao sentido da “Semana da Solidariedade”, que a Cáritas Brasileira propõe anualmente, por ocasião do seu aniversário.

É para dizer que na vida não pode faltar a solidariedade. Ela deve fazer parte da dinâmica da vida. Não pode se limitar a ações esporádicas, a atitudes inócuas ou superficiais, que em nada alteram a existência humana. A solidariedade precisa se constituir em componente normal de nosso relacionamento humano.

João Paulo II insistia que era preciso “globalizar a solidariedade”. Numa época em que todos os setores da sociedade recebem o impacto da globalização, é possível impregnar de solidariedade a própria globalização.

Bento 16 esclarece que, em princípio, a globalização não é nem boa nem má. Depende de como ela se realiza. Podemos aproveitar os caminhos da globalização para propagar valores que elevam e dignificam a existência humana, esclarece ele na recente encíclica Caritas in Veritate.

A solidariedade tem seus níveis, alguns mais evidentes e talvez mais superficiais. Outros mais profundos e mais consequentes.

Ainda lembrando a figura de D. Helder, ele próprio costumava dizer: “Quando dou aos pobres um pedaço de pão, me chamam de santo. Quando pergunto pelas causas da fome no mundo, me chamam de comunista!”.

A Semana da Solidariedade serve tanto para os pequenos gestos, que sempre são válidos, como para mostrar quanto a solidariedade pode transformar as estruturas da sociedade, sejam políticas ou econômicas.

Como não vivemos sem as semanas, não devemos viver sem a solidariedade. É o recado que a Cáritas continua nos dando, segundo o exemplo de D. Helder.

Presbítero, o povo quer ouvir a Palavra que habita em ti!

Pe. Paulo Cezar Mazzi

A Palavra habita em ti?

“Homem de Deus, escolhido entre as nações. Profeta do Senhor: vai falar aos corações. Solta tua voz, o povo quer ouvir a Palavra que habita em ti!”. Essas palavras fazem parte da primeira estrofe do hino de entrada da missa que celebramos no último 04 de agosto em nossa Diocese, por ocasião do Dia do Padre. É digna de meditação esta frase: “O povo quer ouvir a Palavra que habita em ti!”.

Já foi constatado na penúltima Assembleia Geral da CNBB o fato de que a Igreja do Brasil vive uma época de declínio do seu profetismo, e isso não só por parte da maioria dos nossos Bispos, mas de nós padres também. Os motivos são múltiplos e não podem ser tratados no pequeno espaço desse artigo. O que penso ser importante resgatar aqui é a verdade dessa canção: primeiro a Palavra precisa habitar em nós, para somente depois poder ser ouvida pelo nosso povo, talvez numa referência à encarnação do Verbo: primeiro, Maria disse: “Faça-se em mim segundo diz a Palavra” (citação livre de Lc 1,38), e somente depois “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14).

Como estamos no mês de setembro, celebrado como mês da Bíblia em nossa Igreja, achei oportuno escrever algo que nos ajude neste Ano Sacerdotal a perceber o que tem favorecido e o que tem atrapalhado a Palavra de habitar em nós. Isso nos leva a olhar para o silêncio. A experiência dos profetas, do próprio Jesus, dos apóstolos e dos grandes místicos da nossa Igreja revela algo muito claro: Deus não fala no barulho. Para que a Palavra habite em nós, é preciso que haja o espaço do silêncio em nossa vida de oração.

O silêncio se tornou algo irritante e quase que antinatural para nós, em nossa cultura moderna. A prova mais concreta disso é a dificuldade que temos para silenciar em nossos retiros. Sendo pedido de maneira incisiva ou tímida pelo pregador, o fato é que o silêncio acaba sendo esvaziado pela maioria de nós, com a justificativa de que precisamos aproveitar o momento do retiro também para conviver, para estreitar laços e para resolver problemas da Diocese que estão pendentes. Por trás dessas atitudes está a necessidade inconsciente que temos de nos defender do silêncio.

Existe uma resistência natural em nós para silenciar. Estamos tão acostumados com o barulho que, quando tentamos silenciar, nos sentimos como um viciado em droga entrando no seu doloroso período de abstinência, expressão que tomo emprestada de Henri Nouwen. A consequência da falta de silêncio, segundo este autor, pode ser assim sintetizada: “As perguntas que vêm de dentro ficam sem resposta. Os sentimentos incertos não são esclarecidos, os desejos emaranhados não são organizados, e as emoções confusas não são compreendidas”.

“O povo quer ouvir a Palavra que habita em ti!”. Embora saibamos que o povo quer ouvir a Palavra que habita em nós, nossa palavra parece estar soando apenas como vento, como está escrito: “Concebemos e tivemos as dores de parto, mas quando demos à luz, eis que era vento: não asseguramos a salvação para a terra; não nasceram novos habitantes para o mundo” (Is 26,18).

Neste Ano Sacerdotal seria bom que cada um de nós meditasse sobre essa verdade tão simples: “O povo quer ouvir a Palavra que habita em ti!”. Por mais que estudemos e preparemos bem as nossas homilias, é bom ter a humildade de reconhecer que a Palavra não pode ser produzida por nós. Ela só pode vir e fazer sua morada em nós, para então ser comunicada ao nosso povo. A nós cabe fazer como Maria: permitir que a Palavra se faça em nós, que faça da nossa vida um eco da sua verdade, da única verdade capaz de libertar (cf. Jo 8,32). É assim que ajudaremos a assegurar a salvação para a terra. É assim que ajudaremos a nascer novos habitantes para o mundo…

Conselho do Setor Belém reúne-se na igreja São Miguel

O Conselho Setorial, composto por representantes das 9 Paróquias do Setor Belém, reuniu-se nesta terça-feira, 19/08/09 na igreja São Miguel Arcanjo. Participaram representantes das Paróquias Santa Rita, São João Batista, São José do Belém, São Carlos Borromeu, N. S. de Lourdes, N. S. Bom Conselho e São Rafael. A acolhida foi feita pelo Pe. Júlio Lancellotti.

Reunião do Setor Agosto 2009

O Pe. Marcelo Maróstica expôs os temas da pauta:

* Jornada da Caridade na Região Belém
* Ano Sacerdotal
* Ano Catequético
* Campanha do Desarmamento

Reunião do Setor Agosto 2009

Foi enfatizada a realização da Jornada nas Paróquias, em setembro. O Pe. Júlio pediu que num gesto concreto, as Paróquias auxiliassem uma obra iniciada por Dom Luciano Mendes de Almeida, o Centro Padre Ezequiel Ramin, que precisa de  contribuições para dar continuidade ao trabalho com os adolescentes em situação de conflito.

Quando se falou do Ano Sacerdotal, nosso Pároco lembrou de São João Eudes, mas também de todos os Padres que passaram pelo Setor Belém. Quanto ao tema do Ano Catequético, o Pe. Marcelo acentuou o Documento de Aparecida e a reflexão pela passagem dos 50 anos do 1º ano Catequético, inclusive para ressaltar o trabalho das catequistas.

Reunião do Setor Agosto 2009

Foi informado também que nos dias 22 a 24 de outubro a Paróquia São João Batista contará com um Posto da Guarda Civil para a Campanha do Desarmamento. No final o Pe. Aldo enfatizou a importância da Feira Vocacional que será realizada na Praça Silvio Romero no dia 17 de outubro, das 8h às 20h, dirigida especialmente aos jovens, com apresentação dos stands com material vocacional, corais, bandas e grupos teatrais.

Sacerdote, por que és?

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Fonte: site da CNBB

No turbilhão das grandes mudanças que afetam profundamente a vida contemporânea, entre as argumentações de defesa da laicidade do estado, ou nas incidências da linguagem do pensamento pluralista das sociedades, a Igreja Católica, no mundo inteiro, convocada pelo Papa Bento XVI, vivencia um Ano Sacerdotal – desde 19 de junho, festa do Sagrado Coração de Jesus, dia mundial de oração pela santificação dos padres. Diante de todas essas mudanças, do pluralismo e, particularmente, no centro da questão crucial para a vida humana – o seu sentido, incluindo a compreensão de onde viemos e para onde vamos – a Igreja, profeticamente, recoloca esta pergunta no seu próprio coração e na pauta dos assuntos que interessam os andamentos da vida do mundo neste momento grave e desafiador de sua história: Sacerdote, porque és?

O ministério sacerdotal é um dom para a Igreja e para o mundo. Urge aprofundar a compreensão das medidas e o alcance do sacerdócio como dom. O padre como dom. E sendo assim, o sacerdote é dádiva de Deus. O Santo Cura d’Ars, São João Maria Vianey, patrono dos padres, aquele que tocou com o seu ministério, de modo admirável e inesquecível, a vida da França, no seu tempo, afirmava, ‘o sacerdócio é o amor do coração de Jesus’. Agradecido pelo dom do seu sacerdócio, que fez de uma vila sem importância, em razão da excelência de sua vida sacerdotal, o grande centro de referência, batendo, pelas razões da busca de Deus e do sentido para a vida, a imbatível Paris de todos os tempos. Como dom, o sacerdote não é promotor e agente de um tipo de mercado religioso que hoje se multiplica. Embora perdendo forças, nos cenários contemporâneos, com a mercantilização de milagres e curas, arrebanhando incautos e sofridos, amalgamando tudo com uma linguagem que inclui gritarias e uma sensação de manipulação de Deus. Deus é amor. Jesus Cristo é o amor encarnado de Deus. O amor vem de Deus.

E todo aquele que ama nasceu de Deus – e conhece a Deus. Quem não ama não chegou a conhecer Deus. Pois Deus é amor, ensina o evangelista João na sua primeira carta. Ele continua, ‘foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho Único ao mundo para que tenhamos a vida por meio dele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como oferenda de expiação pelos nossos pecados’ (I Jo 4,7-10).

O sacerdote é dom porque o seu ministério sacerdotal, desdobrado em conduta, serviços, vivências e posturas, é manifestação e concretização deste amor. O Padre, homem escolhido entre homens e constituído em favor de todos, é discípulo missionário servidor do povo de Deus. E sustentado pela contínua busca da santidade de vida, é facilitador desse indispensável e inadiável encontro pessoal com o Cristo vivo, levando todos ao reconhecimento e à sabedoria de pautar a sua vida tendo Deus como seu centro e fonte inesgotável do seu sentido. O sacerdote, por isso mesmo, faz anteceder às suas muitas tarefas no labor de cada dia a serviço do povo, anunciando o Evangelho, o cuidado e o compromisso com a condição do seu ser. É a santidade de vida que alavanca, fecunda e torna exitoso o serviço prestado na condição própria de sacerdote.

Um olhar atento e sincero deve ser lançado sobre a presença e vivência sacerdotal neste momento da vida da Igreja e de sua missão no coração do mundo. Não deixando de considerar e tomar providências quantos aos descompassos de vidas e condutas sacerdotais questionáveis, é preciso reconhecer a magnitude, em quantidade e extensão, do serviço de padres na vida de famílias, de pessoas, de grupos, dos pobres, na cultura e na congregação das comunidades de fé. Fazendo deste serviço uma escola de amor, longe do modelo de mercado religioso de milagres e curas.

Um compromisso empenhado para ser e fazer de todos discípulos pela escuta da Palavra de Deus, interpelando vidas e condutas, e pela vivência dos sacramentos como fonte amorosa da graça de Deus que transforma e sustenta. O sacerdote, pois, não é um mero delegado na comunidade, mas um dom para ela, pela unção do Espírito Santo e por sua especial união com Cristo. Na cultura atual, o padre é chamado a conhecê-la profundamente, conduzindo todos, como facilitador, para beber na fonte do mistério do amor de Deus, pela Palavra e pelos Sacramentos. O sacerdote está empenhado no caminho missionário da Igreja como “advogada da justiça e defensora dos pobres”, assim afirma o Papa Bento XVI. O mundo precisa de sacerdotes. A Igreja, no conjunto amplo de sua missão a serviço da vida, orando e refletindo, empenha-se e se compromete com a qualificação permanente dos seus sacerdotes fazendo deles verdadeiro dom na vida do mundo, um servidor indispensável.

Carta de Dom Claudio Hummes aos presbíteros

Jesus disse: “Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo” (Jo 12,47).

Caros Presbíteros,

A atual cultura ocidental dominante, sempre mais difundida em todo o mundo, através da mídia global e da mobilidade humana, também nos países de outras culturas, apresenta novos desafios, não pouco empenhativos, para a evangelização. Trata-se de uma cultura marcada profundamente por um relativismo que recusa toda afirmação de uma verdade absoluta e transcendente e, em consequência, arruina também os fundamentos da moral e se fecha à religião. Dessa forma, perde-se a paixão pela verdade, relegada a uma “paixão inútil”. Jesus Cristo, no entanto, apresenta-se como a Verdade, o Logos universal, a Razão que ilumina e explica tudo o que existe. O relativismo, ademais, vem acompanhado de um subjetivismo individualista, que põe no centro de tudo o próprio ego. Por fim, chega-se ao niilismo, segundo o qual não há nada nem ninguém pelo qual vale a pena investir a própria inteira vida e, portanto, a vida humana carece de um verdadeiro sentido. Todavia, é preciso reconhecer que a atual cultura dominante, pós-moderna, traz consigo um grande e verdadeiro progresso científico e tecnológico, que fascina o ser humano, principalmente os jovens. O uso deste progresso, infelizmente, não tem sempre como escopo principal o bem do homem e de todos os homens. Falta-lhe um humanismo integral, capaz de dar-lhe seu verdadeiro sentido e finalidade. Poderíamos referir-nos ainda a outros aspectos dessa cultura: consumismo, libertinagem, cultura do espetáculo e do corpo. Não se pode, porém, não frisar que tudo isso produz um laicismo, que não quer a religião, faz de tudo para enfraquecê-la ou, ao menos, relegá-la à vida particular das pessoas.

Essa cultura produz uma descristianização, por demais visível, na maioria dos países cristãos, especialmente no Ocidente. O número das vocações sacerdotais caiu. Diminuiu também o número dos presbíteros, seja pela falta de vocações seja pelo influxo do ambiente cultural em que vivem. Tais circunstâncias poderiam conduzir-nos à tentação de um pessimismo desencorajante, que condena o mundo atual, e induzir-nos à retirada para a defensiva, nas trincheiras da resistência.

Jesus Cristo, ao invés, afirma: “Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo” (Jo 12,47). Não podemos nem desencorajar-nos nem ter medo da sociedade atual nem simplesmente condená-la. É preciso salvá-la! Cada cultura humana, também a atual, pode ser evangelizada. Em cada cultura há “sementes do Verbo”, como aberturas para o Evangelho. Certamente, também na nossa atual cultura. Sem dúvida, também os assim chamados “pós-cristãos” poderiam ser tocados e reabrir-se, caso fossem levados a um verdadeiro encontro pessoal e comunitário com a pessoa de Jesus Cristo vivo. Em tal encontro, cada pessoa humana de boa vontade pode, por Ele, ser alcançada. Ele ama a todos e bate à porta de todos, porque quer salvar a todos, sem exceção. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, para todos. É o único mediador entre Deus e os homens.

Caríssimos Presbíteros, nós, pastores, nos tempos de hoje, somos chamados com urgência à missão, seja “ad gentes”, seja nas regiões dos países cristãos, onde tantos batizados afastaram-se da partecipação em nossas comunidades ou, até mesmo, perderam a fé. Não podemos ter medo nem permanecer quietos em casa. O Senhor disse a seus discípulos: “Por que tendes medo, homens fracos na fé?” (Mt 8, 26). “Não se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas no candieiro, para que ilumine a todos os que estão na casa” (5,15). “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20).

Não lançaremos a semente da Palavra de Deus apenas da janela de nossa casa paroquial, mas sairemos ao campo aberto da nossa sociedade, a começar pelos pobres, para chegar também a todas as camadas e instituições sociais. Iremos visitar as famílias, todas as pessoas, principalmente os batizados que se afastaram. Nosso povo quer sentir a proximidade da sua Igreja. Faremo-lo, indo à nossa sociedade com alegria e entusiasmo, certos da presença do Senhor conosco na missão e certos de que Ele baterá à porta dos corações aos quais O anunciarmos.

Cardeal Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero

Em tempo de compreender, respeitar e agradecer a um jovem padre

Pe. Tarcísio Marques Mesquita

Seguindo a linha que percorre a fisionomia humana, cabelos sem vigor e esbranquiçados que, do topo, escorrem desordenados acima de rugas de sulcos profundos que marcam sua face. Há quem vaticine que seus sinais de cansaço mental e debilidade física são penalidades que lhe foram impostas por seu modo de vida despreocupado de si e solitário. Esquecido! Conhecido já em idade avançada, descontextualizado do seu empenho prolongado de jovem laborioso e cheio do vigor da tenra idade, há, também, quem o considere rabugento ou “relíquia do passado”. Outros o veem como um velhinho gracioso que, “claro, precisa descansar e deixar de teimosamente agir e opinar”. “Precisa carregar seus dias e esperar que o resto deles escoe na quietude e bom comportamento com que um religioso deve aguardar o momento em que o Senhor o chame!”. Sua voz marca o tom de palavras de pronúncia e significados ultrapassados que, às vezes, reverentemente são ouvidas, mas que não são necessariamente consideradas. Embora não se diga, pois isso é politicamente incorreto, há, ainda, quem o considere absurdamente pesado e improdutivo.

Assim, prossegue vivendo o padre idoso: longe demais na história de uma vida humana, suas experiências – límpidas para quem sabe o valor das realizações do passado – parecem inúteis com relação ao contexto atual, resultante de mudanças a que ele próprio “não foi capaz” de acompanhar. Para uns, ingênuo e gracioso; bom que seja “guardado” e “protegido”, que fique “aconchegado” e “quieto”. Para outros, teimoso e irritadiço: “difícil de ser levado”. O padre idoso segue, ex opere operatur, tentando ajustar-se aos novos contextos, assaz diferentes em relação aos seus empenhos do passado.

Mudanças bruscas e decepcionantes impõem-lhe uma aposentadoria compulsória, suposta e dolorosamente indesejada, vista como penalidade e veredito condenatório de suas “imprudências e escorregos” de um longo sacerdócio constituído como um rosário de acontecimentos e realizações. Suas boas obras apagam-se na ferrugem que corrói as placas de bronze não erguidas em sua honra.

Haja tempo que nos propicie resgatar e reverenciar o bem que o presbítero – palavra que exatamente significa o mais velho – faz e, incessantemente, agradecê-lo e respeitá-lo. Mais do que nunca, é preciso ouvi-lo, e aprender um pouco do tanto que nos pode ensinar. Seja respeitado, ub audit (1), sabendo que os mais velhos entre nós, presbíteros, deveriam, como nos ensinou Jesus, ser os primeiros em honra, lugar e distinção.

Hoje e amanhã, seja feliz o Dia do Padre!

(1) DO LATIM, UB AUDIRE SIGNIFICA OUVIR ATENTAMENTE. CÍCERO CUNHOU O TERMO DANDO-LHE O SENTIDO USADO NA PALAVRA OBEDECER, QUE, POR DECORRÊNCIA, HOJE TAMBÉM É USADA COMO RESPEITAR.

São João Maria Vianey

No 4 de Agosto a Igreja celebra a memória litrugica de São João Maria Vianey, o Cura D’Ars.

Neste ano com maior empenho, por celebrarmos os 150 anos de sua morte e por esse motivo o ANO SACERDOTAL.

São João Maria é a partir desse ano o patrono de todos os padres e não só dos párocos.

A sua vida de simplicidade e pobreza é exemplo para todos os que assumem o ministério presbiteral.

O Cura D’Ars conheceu dificuldades e discriminações, mas a sua perseverança e firmeza na fé o fez superar os desafios ou vivê-los com intensidade e mística inigualáveis.

O que muito me impressiona na vida do Cura D’Ars é o seu amor e acolhida pelos pobres; algumas vezes o Pe. Vianey foi visto descalço por ter dado até os sapatos para quem necessitava.

A sua vida de oração e sua confiança no AMOR de DEUS o alimentou por toda a vida mesmo nos momentos de maior solidão e dificuldade.

Que celebrar a sua memória nos ajude a viver a consagração que fizemos ao SENHOR no serviço ao Povo de DEUS!


Assista abaixo a uma seleção de vídeos sobre São João Maria Vianey:

Fidelidade de Cristo. Fidelidade dos sacerdotes

Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques

Iniciado o Ano Sacerdotal para toda a Igreja no dia 19 de junho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, os sacerdotes recebemos do Papa Bento XVI uma Carta especial. Nela o mesmo Santo Padre propõe as motivações e o tema para o Ano Sacerdotal iniciante. Motivação: a celebração dos 150 anos da morte de São João Maria Vianney, o Cura d Ars, padroeiro dos párocos. Lema: Fidelidade de Cristo. Fidelidade dos sacerdotes.
Este Ano especial quer motivar os sacerdotes e toda a comunidade dos fiéis a reconhecer o imenso dom de Deus que é o sacerdócio de Cristo em Sua Igreja. Quer despertar para a gratidão pelo dom recebido e estimular maior santidade de vida e ministério nos sacerdotes, o que se reverterá em muito bem para todos os irmãos confiados a seu pastoreio.
O Santo Padre toma a vida e os ensinamentos do santo sacerdote Cura d Ars, São João Maria Vianney como luminoso modelo para todos os sacerdotes em sua vida consagrada e no exercício de seu ministério pastoral. A fidelidade de Cristo ao Pai e à humanidade se espelha nele e será também estímulo espiritual para todos os que são chamados, consagrados e enviados pelo mesmo Jesus, como participantes de sua missão salvadora.
Como o foi para o Santo Cura da cidade de Ars na França, será para todo sacerdote o Coração de Jesus, em seu extremo de Amor pela humanidade, fidelidade perfeita ao projeto amoroso do Pai para a salvação do mundo, fidelidade de Amor misericordioso para com os homens, modelo do sacerdote formado “coração a coração” com Cristo, o Bom Pastor que, tomado de compaixão, dá a vida por suas ovelhas.
“Deixar-se conquistar plenamente por Cristo! Esta foi a finalidade de toda a vida de São Paulo, a quem dirigimos a nossa atenção durante o Ano paulino que já está próximo do seu encerramento; esta foi a meta de todo o ministério do Santo Cura d Ars, que invocaremos durante o Ano sacerdotal; este seja também o objetivo principal de cada um de nós. Para ser ministros ao serviço do Evangelho, é certamente útil o estudo com uma formação pastoral atenta e permanente, mas é ainda mais necessária a “ciência do amor”, que só se aprende de “coração a coração” com Cristo. Com efeito, é Ele que nos chama a partir o pão do seu amor, para perdoar os pecados e para guiar o rebanho em seu nome. Precisamente por isso nunca devemos afastar-nos da nascente do Amor que é o seu Coração trespassado na cruz.” (da homilia de Bento XVI na abertura do Ano Sacerdotal 19 de junho de 2009)
Da santidade de vida e entusiasmo generoso no ministério, o sacerdote será dom especial de Deus para tornar presente o próprio Jesus para os irmãos, para que seus gestos salvadores se prolonguem no tempo e cheguem a todas as pessoas.
“Só assim seremos capazes de cooperar eficazmente para o misterioso “desígnio do Pai”, que consiste em “fazer de Cristo o coração do mundo”! Desígnio que se realiza na história, na medida em que Cristo se torna o Coração dos corações humanos, começando a partir daqueles que são chamados a estar mais próximos dele, precisamente os sacerdotes. Chamam-nos a este compromisso constante as “promessas sacerdotais”, que pronunciamos no dia da nossa Ordenação e que renovamos todos os anos na Quinta-Feira Santa, na Missa crismal. Até as nossas carências, os nossos limites e debilidades devem reconduzir-nos ao Coração de Jesus. Com efeito, é verdade que os pecadores, contemplando-O, devem aprender dele a necessária “dor dos pecados” que os reconduza ao Pai, isto vale ainda mais para os ministros sagrados. Como esquecer, a este propósito, que nada faz sofrer tanto a Igreja, Corpo de Cristo, como os pecados dos seus pastores, sobretudo daqueles que se transformam em “ladrões de ovelhas” (Jo 10, 1 ss.), porque as desviam com as suas doutrinas particulares, ou porque as prendem com laços de pecado e de morte? Estimados sacerdotes, também para nós é válido o apelo à conversão e ao recurso à Misericórdia Divina, e devemos igualmente dirigir com humildade uma súplica urgente e incessante ao Coração de Jesus, para que nos preserve do terrível risco de prejudicar aqueles que somos chamados a salvar.” (idem)
E a beleza do testemunho de vida será confirmadora da graça de Deus que o sacerdote anuncia e serve aos irmãos.
Toda a Igreja é chamada a se envolver neste Ano Sacerdotal. A oração da Igreja pelos seus pastores, a colaboração fraterna e generosa, o estímulo da própria santidade de vida dos fiéis, será de proveito para todos aqueles que devem ser os servidores da mesma vida divina à Igreja e ao mundo.

Iniciado o Ano Sacerdotal para toda a Igreja no dia 19 de junho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, os sacerdotes recebemos do Papa Bento XVI uma Carta especial. Nela o mesmo Santo Padre propõe as motivações e o tema para o Ano Sacerdotal iniciante. Motivação: a celebração dos 150 anos da morte de São João Maria Vianney, o Cura d Ars, padroeiro dos párocos. Lema: Fidelidade de Cristo. Fidelidade dos sacerdotes.

Este Ano especial quer motivar os sacerdotes e toda a comunidade dos fiéis a reconhecer o imenso dom de Deus que é o sacerdócio de Cristo em Sua Igreja. Quer despertar para a gratidão pelo dom recebido e estimular maior santidade de vida e ministério nos sacerdotes, o que se reverterá em muito bem para todos os irmãos confiados a seu pastoreio.

O Santo Padre toma a vida e os ensinamentos do santo sacerdote Cura d Ars, São João Maria Vianney como luminoso modelo para todos os sacerdotes em sua vida consagrada e no exercício de seu ministério pastoral. A fidelidade de Cristo ao Pai e à humanidade se espelha nele e será também estímulo espiritual para todos os que são chamados, consagrados e enviados pelo mesmo Jesus, como participantes de sua missão salvadora.

Como o foi para o Santo Cura da cidade de Ars na França, será para todo sacerdote o Coração de Jesus, em seu extremo de Amor pela humanidade, fidelidade perfeita ao projeto amoroso do Pai para a salvação do mundo, fidelidade de Amor misericordioso para com os homens, modelo do sacerdote formado “coração a coração” com Cristo, o Bom Pastor que, tomado de compaixão, dá a vida por suas ovelhas.

“Deixar-se conquistar plenamente por Cristo! Esta foi a finalidade de toda a vida de São Paulo, a quem dirigimos a nossa atenção durante o Ano paulino que já está próximo do seu encerramento; esta foi a meta de todo o ministério do Santo Cura d Ars, que invocaremos durante o Ano sacerdotal; este seja também o objetivo principal de cada um de nós. Para ser ministros ao serviço do Evangelho, é certamente útil o estudo com uma formação pastoral atenta e permanente, mas é ainda mais necessária a “ciência do amor”, que só se aprende de “coração a coração” com Cristo. Com efeito, é Ele que nos chama a partir o pão do seu amor, para perdoar os pecados e para guiar o rebanho em seu nome. Precisamente por isso nunca devemos afastar-nos da nascente do Amor que é o seu Coração trespassado na cruz.” (da homilia de Bento XVI na abertura do Ano Sacerdotal 19 de junho de 2009)

Da santidade de vida e entusiasmo generoso no ministério, o sacerdote será dom especial de Deus para tornar presente o próprio Jesus para os irmãos, para que seus gestos salvadores se prolonguem no tempo e cheguem a todas as pessoas.

“Só assim seremos capazes de cooperar eficazmente para o misterioso “desígnio do Pai”, que consiste em “fazer de Cristo o coração do mundo”! Desígnio que se realiza na história, na medida em que Cristo se torna o Coração dos corações humanos, começando a partir daqueles que são chamados a estar mais próximos dele, precisamente os sacerdotes. Chamam-nos a este compromisso constante as “promessas sacerdotais”, que pronunciamos no dia da nossa Ordenação e que renovamos todos os anos na Quinta-Feira Santa, na Missa crismal. Até as nossas carências, os nossos limites e debilidades devem reconduzir-nos ao Coração de Jesus. Com efeito, é verdade que os pecadores, contemplando-O, devem aprender dele a necessária “dor dos pecados” que os reconduza ao Pai, isto vale ainda mais para os ministros sagrados. Como esquecer, a este propósito, que nada faz sofrer tanto a Igreja, Corpo de Cristo, como os pecados dos seus pastores, sobretudo daqueles que se transformam em “ladrões de ovelhas” (Jo 10, 1 ss.), porque as desviam com as suas doutrinas particulares, ou porque as prendem com laços de pecado e de morte? Estimados sacerdotes, também para nós é válido o apelo à conversão e ao recurso à Misericórdia Divina, e devemos igualmente dirigir com humildade uma súplica urgente e incessante ao Coração de Jesus, para que nos preserve do terrível risco de prejudicar aqueles que somos chamados a salvar.” (idem)

E a beleza do testemunho de vida será confirmadora da graça de Deus que o sacerdote anuncia e serve aos irmãos.

Toda a Igreja é chamada a se envolver neste Ano Sacerdotal. A oração da Igreja pelos seus pastores, a colaboração fraterna e generosa, o estímulo da própria santidade de vida dos fiéis, será de proveito para todos aqueles que devem ser os servidores da mesma vida divina à Igreja e ao mundo.

Avisos de 28/06/2009

* Encerramento do Ano Paulino neste domingo, 28/06, mas a Igreja celebra o Ano Catequético e o Ano Sacerdotal.

* Sexta-feira, 03/07, 20h30 – Terço dos homens na igreja São Miguel Arcanjo (D. Pedro Luiz, bispo da Região Belém será convidado a participar).