dia das mães

Catequese de adultos para o Ano da Fé terá encontro na sexta-feira, 10

A comunidade realiza mais um encontro de catequese para o Ano da Fé na sexta-feira, 10/05, a partir das 20h na igreja São Miguel Arcanjo. No domingo, 12, dia das mães, celebra-se também o dia
da ascensão do Senhor e se comemora o dia das comunicações – veja mais detalhes nos avisos da semana:

VÍDEOS: Homenagem às mães e avisos da semana

Domingo, 13 de maio, a igreja celebra com devoção Nossa Senhora de Fatima. Mas neste ano de 2012, a data coincide com o dia das mães. Veja a homenagem da comunidade São Miguel Arcanjo realizada no final da missa das 18h:

Nos avisos da semana, o Pe. Julio Lancellotti convida a participar da reflexão sobre o 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo:

Mães de presos, mães de presas, mães presas

Pastoral Carcerária
Por José de Jesus Filho
Assessor jurídico e membro da coordenação nacional da Pastoral Carcerária

Não tenho dúvida em afirmar que a pessoa presa pode perder tudo: liberdade, casa, emprego, amigos, parentes, e assim por diante. Mas há alguém que não a abandona: sua mãe. Diria mais, a mãe vai presa com ela ou com ele.

O Brasil conta hoje com mais de 400 mil presos, a maioria composta por jovens entre 18 e 25 anos. Muitos deles, ao ingressarem nas prisões, são esquecidos pela comunidade de onde vieram. Em São Paulo, a situação se agrava, pois as penitenciárias distam até 12 horas de onde vivem os familiares. A enorme distância constitui um dos fatores de maior desagregação dos presos em relação à família e à comunidade à qual originalmente pertencem.

No entanto, as mães não medem sacrifícios para assistirem os seus filhos, ainda que estejam presos em outros estados. De fato, mesmo formando uma massa empobrecida, sem recursos para manter-se, percorrem longos caminhos para estar com seus filhos mesmo que somente por duas ou três horas.

A peregrinação das mães, especialmente no Estado de São Paulo, começa na sexta-feira, quando se reúnem num mesmo local para tomar o ônibus que as levará até a penitenciária. Continua durante a viagem, nem sempre tranqüila, pois frequentemente são paradas pela polícia para revista. Afinal, são “mães de criminosos”. Aí se inicia as humilhações que prosseguem até a entrada da penitenciária, onde são revistadas, com a utilização de métodos incompatíveis com a dignidade da pessoa humana, como por exemplo, sentarem nuas em um banquinho detector de metais ou agachar por duas ou três vezes diante de funcionárias que nem sempre as tratam com respeito devido a todo ser humano.

A vontade e a necessidade de ver os filhos fazem com que as mães se submetam a tratamentos degradantes. Mesmo depois das humilhações na viagem e na entrada da prisão, caminham em filas até os pavilhões internos sob os olhares indiferentes de alguns funcionários, ou mesmo sob ofensas verbais. Presenciei um dia um dos funcionários chamá-las de “lixo”.

Para muitos presos, esses são os únicos momentos de alegria durante o longo tempo de cumprimento de suas penas. Os presos artistas, quando chega o dia das mães, enchem as paredes dos pavilhões com papéis decorados e lindas mensagens. É a maneira que eles encontram de homenageá-las. A visita é tão importante que, se a administração penitenciária quiser provocar uma rebelião, basta suspender as visitas e pronto, está armada a confusão. Pode se tirar tudo do preso, menos o direito de ver suas mães.

Há, porém, o outro lado da história. Não é incomum encontrar a situação de mães que vão ao presídio visitar seus filhos e recolher o leite que ele deixa de tomar para entregá-lo à sua genitora, pois é sabedor de que ela, lá fora, passa por mais necessidades do que ele, cá dentro.

Ser mãe de preso não é de fato uma experiência agradável, afinal, ninguém deseja ter um filho preso, dificuldade maior passam as mães presas. Elas e seus filhos.

A mulher sofre muito mais as conseqüências do aprisionamento do que os homens. E isso por duas razões:

Primeiramente porque representa apenas 5% da população prisional e, por esse motivo, não recebem a mesma atenção das autoridades oferecida aos homens, sua voz não se faz ouvir ante as autoridades constituídas, as quais reservam a quase totalidade de seus recursos para as prisões masculinas. Geralmente, às mulheres são destinadas, abandonadas ou já condenadas para outros usos tais como conventos, seminários, unidades de internação de menores, penitenciárias masculinas que já não servem para os fins a que foram construídas, mas agora custodiam mulheres.

Além disso, a vulnerabilidade da mulher em relação à saúde supera muito a do homem, pois necessita de cuidados especiais. O fluxo menstrual e a gravidez são suficientes para recordar a indispensabilidade de ginecologista e obstetra.

Em segundo lugar está o abandono quase total a que as mulheres são submetidas. Se os homens recebem visitas de suas mães e esposas as mulheres só tem visitas de suas mães, os esposos, não poucas vezes esquecem-na.

Os homens em São Paulo estão em penitenciária ou em centros de detenção provisória. Já grande parte das mulheres presas, principalmente aquelas que são mães, para não perder o contato com os filhos, permanecem em carceragem da polícia civil espalhadas pelo estado, prisões essas sem condições para abrigar seres humanos. Essas mulheres sacrificam seu próprio bem estar, aceitando viver em lugares insalubres e superlotados para poder ver seus filhos uma vez por semana.

Delicado também é o estado das mães presas e grávidas. Poucas recebem atendimento pré-natal e isso tem levado invariavelmente a abortamentos e complicações no parto. Muitas por falta de médicos na unidade prisional e escolta para levá-las para o hospital, iniciam o trabalho de parto na cela mesmo e têm seus filhos com a ajuda de outras presas.

Para aquelas que alcançam a graça de ver os seus filhos nascerem, podem passar até seis meses amamentando; em São Paulo são apenas quatro meses, depois, a família recolhe a criança ou o juiz da infância e o Conselho Tutelar assumirão o seu destino.

No ano passado, tivemos de assistir a um triste fato no interior de São Paulo. As mulheres eram levadas ao hospital e, depois do parto, eram separadas de seus filhos e recebiam uma injeção para secar o leite.

Por fim, quero lembrar das mães de presos que também estão presas. São poucos os casos, mas existem. Sofrem as mães, sofrem os filhos. Geralmente essa situação ocorre quando o filho assume dívida dentro da prisão, sua mãe, para não ver o filho morto por seus credores, aceita a indigna tarefa de transportar no corpo drogas para dentro da prisão e, assim, saldar a dívida. No entanto, são presas no ato da revista na unidade prisional e levadas diretamente para a prisão.

Pode parecer desagradável dizer essas coisas no mês das mães, mas desagradável mesmo é a realidade delas.

E se chamamos a atenção para esses fatos, é porque sonhamos que um dia não precisaremos mais contá-los.

Mães, feliz dia!

Falar das mães

Falar das mães é falar de Deus, pois no coração delas está o verdadeiro sentido do amor.
Amor que serve como exemplo. Amor que nos é dado sem pedir recompensa, nem cobrança. Amor sem distinção, sem egoísmo; um amor que não mede esforços nem distância.

Dentre tantas atribuições do seu dia a dia, ela se torna uma mulher forte, madura e encontra tempo para ser Mãe, profissional, namorada e esposa extremamente dedicada. Sabe o que quer para sua vida e tem consciência de que o mundo foi feito para ser vivido com amor, e que os direitos e os ideais sejam de todos e respeitados por todos.

Parabéns a todas que são, e às que ainda serão mamães.

Sônia

Pietás brasileiras

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Na maioria das vezes, a única coisa que lhes resta é a demanda por um cadáver. Esse que hoje é um cadáver um dia esteve em seu ventre. Ela lhe deu á luz, o alimentou, ensinou-o a andar e a falar. Carregou-o nos braços por longas noites insones, cuidando de sua febre, de sua gripe, de sua dor e de sua reação de vacina. Hoje ela quer carregá-lo nos braços outra vez. A última. Antes de devolvê-lo a terra e à eternidade onde agora somente viverá. Não mais em seus braços. Não mais próximo ao seu corpo.

É assim que muitas – inúmeras – mães brasileiras passarão o dia das mães. Chorando a dor de uma ausência impreenchível e sofrendo a reduplicação dessa ausência na impossibilidade de tocar, beijar, acarinhar o corpo morto que um dia saiu vivo de seu ventre, correu alegre pelas ruas e praças, cresceu, virou homem e lhe encheu o coração e a vida de alegria e esperanças.

Sem tragédias ou dramas excessivos: ser mãe no Brasil de hoje está se tornando algo muito, muito perigoso. É acordar de manhã e não saber se o percurso do filho pequeno até a escola não será interrompido brutalmente por algum assalto que ameaçará ou apagará sua vida. É viver o dia em sobressalto cada vez que o telefone toca, temendo notícias de seu filho que anda pelas ruas das cidades assassinas em que estão transformadas boa parte das capitais e grandes cidades brasileiras. É deitar-se à noite e não conseguir conciliar o sono, porque o filho que saiu não se sabe onde está, ainda não chegou e o coração cavalga de medo que não chegue.

E é também – e talvez mais cruelmente ainda – ter a notícia de que o filho morreu, constatar seu desaparecimento e não poder enterrar dignamente seu corpo. Nada mais doloroso para uma mãe do que não poder celebrar esse ritual triste, mas nobre: dar sepultura digna ao filho que concebeu, deu à luz e alimentou. Ver negado esse direito mais fundamental que através da historia da humanidade celebrizou e tornou paradigmas mulheres como Antígona e outras. Sepultar o ser amado, poder chorá-lo com dignidade e tristeza profunda. Ter negado esse direito é dor somada a dor onde parece que não há mais espaço para dores novas e irremissíveis.

Quem viu o impressionante filme “Tropa de elite” lembra-se do momento da “conversão” do policial do BOP, magnificamente interpretado por Wagner Moura. Ela se dá justamente no momento em que uma senhora oprimida pela dor lhe pede ao menos o direito de enterrar seu filho. Ali sua integração interior começa a desfazer-se e fragmentar-se. E o policial antes tão seguro, tão severo, que só falava aos gritos, que deixava a mulher parir sozinha porque ele estava cuidando de metralhar alguma favela, começa a não dormir à noite, a ter enjôos, vômitos e todos os sintomas do estresse causado por um remorso, uma perplexidade que não o deixam sossegar. Aquela mulher com sua dor inconsolável e sua determinação firme como só as mães costumam ter abrira uma brecha em sua auto-estima inexpugnável.

Neste Dia das Mães é bom alegrar-se e celebrar. A maternidade é uma graça das maiores. O próprio Deus, ao encarnar-se em Jesus de Nazaré, não abriu mão dessa experiência única que é nascer do ventre de uma mulher. O maior dos homens, o mais poderoso já coube todinho, inteirinho, no corpo de uma mulher. Por isso é bom fazer festa, ganhar presentes, beijos, abraços, rir, dar graças.

Mas seria importante não esquecer que enquanto as mães brasileiras estiverem sob esta contínua e terrível ameaça de ver os frutos de seu ventre exterminados em uma guerra ridícula e sem fim, da qual ninguém está livre, são todas as mães que estão sob ameaça. E se nos dessolidarizamos e dizemos que graças a Deus não aconteceu conosco, pior ainda.

Não são só os meninos do tráfico que estão morrendo vítimas da violência. São os rapazes da classe média, que sem resistir a assaltos, são metralhados sem piedade. São crianças pequenas no bebê conforto, jovens de ambos os sexos indo para o colégio e a universidade que têm sua trajetória de vida interrompida por uma bala perdida.

Se não fazemos a luta das Pietás e das Dolorosas brasileiras a nossa luta, corremos o risco de o Dia das Mães tornar-se mais uma celebração fúnebre que um dia de festa e alegria.

Feliz Dia das Mães para todas!