fé e política

Saudação da CNBB aos eleitos

Ao final do segundo turno das eleições, ocorrido neste domingo, 31 de outubro, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB saúda todos os eleitos – deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República -, augurando-lhes sucesso na tarefa de representar e defender o povo que os escolheu para esta missão. A CNBB cumprimenta de maneira especial a Sra. Dilma Rousseff, eleita presidente da República, a quem caberá dirigir os destinos da nação brasileira nos próximos quatro anos. Dela e dos demais eleitos se espera fidelidade no cumprimento das promessas apresentadas durante a campanha eleitoral. Passadas as eleições, o compromisso de todos é unir os esforços na construção de um Brasil com paz, justiça social e vida plena para todos. Pesa sobre os ombros de cada um dos eleitos a responsabilidade de corresponder plenamente às expectativas e à confiança, não só de seus eleitores, mas de toda a Nação brasileira.

Saudamos o povo brasileiro, que protagonizou o espetáculo da cidadania e da democracia ao participar ativamente das eleições em seus dois turnos. Cabe, agora, a todos nós, brasileiros e brasileiras, a irrenunciável tarefa de acompanhar os eleitos no exercício de seu mandato, a fim de que não se percam nos caminhos do poder de que foram revestidos.

Que Deus, de quem provém toda autoridade, acompanhe cada um dos eleitos com sua graça e sua bênção. O divino Espírito Santo os ilumine e lhes conceda sabedoria a fim de que tomem sempre as decisões mais acertadas para o bem de nosso povo. Imploramos a intercessão de Nossa Senhora Aparecida para os que foram eleitos e para todo o povo brasileiro

Brasília, 31 de outubro de 2010

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

Os cristãos e a defesa da verdade e da justiça nas eleições 2010

Dom Angélico Sândalo Bernardino

1. SINTO-ME honrado em estar com vocês e, nesta mesa, com a meu amado irmão, irmão dos pobres, Pe. Júlio Lancellotti, cuja mamãe Wilma Ferrari Lancellotti partiu para junto de Deus não faz muitos dias e a quem presto homenagem. Saúdo, de maneira particular, meus irmãos militantes nos diversos Partidos Políticos. Tal militância, na afirmação de Paulo VI, “é forma superior de solidariedade”.

2. Venho a este importante Ato na qualidade de Bispo emérito de Blumenau, na bela e Santa Catarina e, nesta condição, lhes falo, não em nome de Partido Político ou de candidata ou candidato.

3. Alem da importância de esclarecimento de alguns fatos “na defesa da verdade e da justiça”, fui motivado para esta reunião, pelo encontro que tive, após celebração da santa Missa, na comunidade Nossa Senhora Aparecida, Guaimim, no dia 10 último. Fui então procurado por Carlinhos e Sandra, apaixonado e jovem casal, acompanhado por meu irmão Néri e pai de Sandra A querida MARILI no céu, é a mãe de Carlinhos e de nosso valoroso Pe. Aécio! Eles estavam perplexos diante da atitude de alguns Bispos, nas presentes eleições, que vetavam candidatos (as) do PT, atribuindo-lhes apoio ao aborto! E o jovem casal, com entusiasmo, me perguntava “o que fazer?” e, ao mesmo tempo, entre sugestões várias, apresentava a de uma reunião como esta, perguntando-me se a ela, eu compareceria, tendo lhes eu respondido, imediatamente, SIM! Eis porque aqui estou!

Que Jesus Cristo, Caminho,Verdade e Vida esteja conosco e, com o PAI, nos envie o Espírito Santo para nossa iluminação.

A bem da verdade, da justiça, devo lhes dizer:

1. A atual campanha eleitoral está marcada, viciada, por muita mentira, falsificação e distorção de fatos. A internet, de modo especial, tem sido palco de verdadeiras ações articuladas por redes sociais de difamação, em atentado à democracia, à liberdade de comunicação que não pode ser confundida com libertinagem a serviço da mentira.

2. A IGREJA , OFICIALMENTE, em âmbito nacional, nestas eleições, se pronunciou três vezes :

– “DECLARAÇÃO SOBRE O MOMENTO POLITICO NACIONAL”, Assembléia Geral, 11 de maio de 2010.

–  “NOTA DA CNBB NA PROXIMIDADE DAS ELEIÇÕES”, assinada pela Presidência da CNBB. Dom Geraldo Lyrio, Dom Luiz Soares Vieira, Dom Dimas Lara Barbosa, dia l6 de setembro de 2010.

– “NOTA DA CNBB EM RELAÇÃO AO MOMENTO ELEITORAL”, de 8 de outubro 2010, assinada pela Presidencia já citada.

O REGIONAL SUL 1 DA CNBB , no dia 29 e junho de 2010 publicou a declaração “VOTAR BEM”, assinada por sua Presidência, Dom Nelson Westrupp, Dom Benedito Beni dos Santos e Dom Airton José dos Santos.

Estas são DECLARAÇÕES, NOTAS, OFICIAIS DOS BISPOS DA IGREJA CATÓLICA, no Brasil,no Estado de São Paulo.

Elas insistem:

a) na urgência de Programas que estejam compromissados com a defesa da vida em todas as suas fases, desde a sua concepção até sua morte natural, bem como com a realização de Reforma Agrária, Reforma Política, Preservação do meio ambiente e com os direitos sociais fundamentais, como a criação de empregos e geração de rendas, melhoria da saúde e educação, da segurança pública, da habitação,justiça para todos….

b) Na linha destas orientações oficiais da Igreja. O senhor Cardeal D. Odilo P. Scherer, em carta de 20 agosto de 2010, aos Padres da Arquidiocese de São Paulo, entre outras, dá-lhes as seguintes orientações:

• Fique claro que a Igreja não tem opção oficial por Partidos ou Candidatos (as). Por isso, o Clero não deve envolver-se publicamente na campanha partidária ( cfr. Can. 287 ; 572)

• Nas missas e outras celebrações (homilias,cursos) não deve ser feita campanha explicita para candidatos ou partidos.

c) A Igreja deve sim apresentar princípios, valores, critérios para que, lucidamente, o eleitor possa votar em candidatos com “ficha limpa”, comprometidos em seus programas com a promoção do bem comum, com a construção de sociedade justa e solidária.

INFELIZMENTE, destoando da orientação oficial da CNBB Nacional e Sul 1, irmão Bispo de Diocese localizada na grande São Paulo, na publicação, no início de julho de 2010, “EM QUEM NÃO VOTAR”, após considerações sobre o aborto e posicionamentos do PT, afirma “recomendamos a todos os verdadeiros cristãos a que não dêem seu voto à sra. Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam liberação do aborto”.

Na mesma linha, sem citar nome explicitamente mas implicitamente sim, o inoportuno  “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” de 3 de julho de 2010, da Comissão em defesa da vida do Regional Sul 1 da CNBB, este “Apelo” foi abraçado pela Presidência e Comissão Representativa do Regional Sul 1 que “ o acolhem e recomendam sua difusão”, no dia 26 de agosto de 2010.

Foi o prato cheio de que a oposição à candidata à Presidência da República se serviu, de maneira facciosa, parcial, para instrumentalizar a Igreja, dividir comunidades, tornar temas religiosos, o aborto, focos principais de debates, levando muitos a crerem que votar em Dilma é contrariar a orientação da Igreja Católica. Ora, isto é mentira uma vez que a Igreja oficialmente não se posicionou a respeito de NOMES e PARTIDOS, PODENDO, POIS, O CATÓLICO CONSCIENTEMENTE VOTAR em Dilma, em candidatos do PT. Contra a instrumentalização do aborto para fins eleitorais, ergueu-se valorosa a voz profética de D. Demétrio Valentini, Bispo de Jales, no artigo “ DESMONTE DE UMA FALÁCIA”.

FELIZMENTE, os BISPOS da Igreja Católica do Estado de São Paulo – Regional Sul 1 da CNBB, na Assembléia de suas Igrejas, nos dias 15 a 17 de outubro, desfazem ambigüidades, dizem categórico basta à instrumentalização da religião na discussão eleitoral e deixam claro que :

a) – Não indicam nem vetam candidatos ou partidos e respeitam a decisão livre e autônoma de cada eleitor;

b) – Desaprovam a instrumentalização de suas Declarações e Notas e enfatizam que não patrocinam a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos. (Recorde-se a impressão-difusão de um destes folhetos se tornou caso de Polícia!).

Dom Milton Kenan Junior, querido vigário episcopal para a Região Brasilândia, em carta aos Padres desta Região, recomenda a leitura desta última Declaração dos Bispos do Estado de São Paulo nas celebrações de hoje e amanhã.

AINDA, DUAS OBSERVAÇÕES:

1. A realidade do ABORTO não pode ser transformada em questão eleitoreira! Pode e deve ser estudada,debatida, em profundidade. O aborto é atentado à vida, é crime. O Estado efetivamente deve promover políticas públicas a favor da VIDA, não da MORTE. Quanto a nós discípulos missionários de Jesus, lutemos contra a descriminalização do abrto. Mas,não paremos somente no debate da defesa da lei! Pode ser cômodo! Há mulheres que são colocadas em grande constrangimento, sofrimento,pobreza, desespero e que recorrem ao aborto, em LAMENTÁVEL E ERRADA OPÇÃO! O trabalho árduo de PREVENÇÃO é fundamental ! Elas estão a nosso lado,não podemos desconhecê-las,em degradante omissão. Discípulos do Verbo de Deus que se fez CARNE, COMPROMETAMO-NOS COM ESTA REALIDADE. Estas mulheres – nossas irmãs – , para o Estado,frequentemente omisso em políticas públicas a favor da vida, se tornam problema de saúde pública e, de nossa parte, precisam ser tratadas com misericórdia,compreensão. A CAMPANHA DA FRATERNIDADE,no próximo ano,com seu tema: “ Fraternidade e a vida no planeta” e o lema: “ A criação geme como em dores de parto” vai aprofundar os temas aborto,eutanásia e todo desdobramento sagrado da vida,em nosso planeta,afirmou D Geraldo Lyrio,Presidente da CNBB,em entrevista,na última quinta feira,dia 21 de outubro.

Como seria ótimo se as Dioceses,a exemplo com o que acontece com a Arquidiocese de São Paulo, oferecessem às mulheres sofridas e tentadas pela pseudo-solução do aborto, braços abertos em realizações como a do AMPARO MATERNAL !

2. Às vésperas das eleições, peçamos à padroeira e Mãe do Brasil, Nossa Senhora Aparecida que proteja nosso País, o Povo brasileiro. Que as eleições não sejam ocasião para violências, ódios, divisões. Que os embates e debates nos amadureçam e nos façam crescer na compreensão mútua, na fraternidade. Nos meus 77 anos, gosto de repetir diante do destempero de muitos a respeito do Brasil que confio na grandeza deste País, na maravilhosa fibra do Povo brasileiro. Diante de ataques apaixonados a nosso Presidente da República, não desconhecendo falhas em seu Governo, gosto de verificar que ele termina seu mandato com a admirável aprovação de 79% da população; é tido no Exterior, entre as “dez mais importantes personalidade do mundo”: é respeitado em sua política econômica e, em época de crise econômica que atinge a Europa e EE.UU de maneira profunda, conduz o Brasil em sério crescimento, com considerável aumento de empregos. Sem desconhecer os graves problemas que ainda nos atingem, sobretudo aos Pobres, insisto contra pessimistas e derrotistas, em repetir as palavras do poeta: “adora a terra em que nasceste ,não há País como este”. Vamos, pois, avante, de esperança em esperança,na esperança sempre conscientes de que a construção de um Brasil cada vez melhor é possível, dependendo dos Poderes da República e da urgente colaboração,participação ativa, de todos nós!

Voto pela democracia

Dom Demétrio Valentini

Esta campanha eleitoral, que está se concluindo, introduziu um fator novo, que compromete o exercício da própria democracia.

De maneira completamente impune, foi armado todo um esquema de demolição de uma candidatura, valendo-se da calúnia, difamação, mentira, e toda sorte de falácias enganadoras, sob o anonimato da internet, e sem nenhuma ação da justiça eleitoral, que ignorou este fator como se ele não fosse altamente prejudicial para a prática da democracia.

Este fator precisa ser neutralizado pela força do voto. De tal modo que, nestas eleições, está em causa não só a eleição para a Presidência da República; mas, sobretudo, a salvaguarda do próprio processo democrático.

Antes de indicar a Presidência, o voto precisa expressar o repúdio a esses procedimentos antidemocráticos, usados impunemente para demolir a imagem de uma candidatura, na tentativa de inviabilizá-la eleitoralmente.

Este o fato. Se este procedimento prosperar, o processo eleitoral fica seriamente comprometido. As campanhas eleitorais se reduzirão à corrida para ver quem primeiro elimina impunemente o seu adversário.

A única arma para combater esta dinâmica deletéria é o próprio voto. É pelo voto que se frustram os intentos de eliminar arbitrariamente uma candidatura, valendo-se de expedientes difamatórios, caluniosos e injustos.

Cabe ao eleitor identificar qual a candidatura que foi vítima deste intento fascista. Pessoalmente, deixo ao eleitor a resposta a esta questão. Mesmo reconhecendo que este procedimento sujo e desonesto acabou abalando a consciência de muitas pessoas simples, que ficaram atordoadas, pela insistência das acusações e por sua gravidade. Mas prefiro apostar na capacidade de discernimento dos eleitores, e no bom senso que finalmente vai prevalecer, pois a mentira tem perna curta, e o feitiço pode se virar contra o feiticeiro.

Desta vez, portanto, com o voto, em primeiro lugar vamos desfazer o intento de quem procurou demolir uma candidatura. Esta candidatura acabou se tornando símbolo do repúdio a procedimentos que precisam ser extirpados. Votando nela, votamos contra as falácias desta campanha. Assim o voto adquire dupla finalidade.

Na verdade, além deste duplo valor do voto nesta eleição, ele tem uma terceira tarefa: reprovar de vez o intento de instrumentalizar a religião para fins eleitorais. Este também é um expediente que precisa ser extirpado do processo eleitoral brasileiro. É urgente rasgar as máscaras de muitos fariseus, que utilizam causas e posições religiosas para fins eleitorais, pretendendo-se detentores de poderes sagrados para manipular a consciência dos eleitores. Está mais do que na hora de abolir de vez este procedimento que já está ultrapassado há séculos.

Faço votos que tenhamos a lucidez de perceber o valor agregado que desta vez o voto vai assumir. E estejamos todos prontos para que, passado o processo eleitoral, possamos tirar desta campanha lições práticas que precisam ser transformadas em normas reguladoras das futuras eleições no Brasil. Para que, apesar de tudo, a democracia saia fortalecida!

Regenerar a Campanha

Dom Demétrio Valentini

Temos pela frente mais uma semana de campanha eleitoral, em segundo turno para a Presidência da República.

Viria bem a propósito uma sugestão: quem sabe nesta semana daria para regenerar a campanha, livrando-a de sua mediocridade, e de muitos equívocos que a caracterizaram até aqui?

Quem sabe, ainda daria para debater propostas concretas de governo para os próximos quatro anos, sem perder de vista, claro, as perspectivas de um projeto de Brasil a longo prazo. Realizar em torno destas propostas uma discussão franca, aberta, aprofundada, procurando garantir a viabilidade de tudo o que cada um pretende fazer.

A discussão poderia ser conduzida pelos dois candidatos, mas poderia se estender aos chefes dos partidos, visando o engajamento dos parlamentares para a formulação e execução dos planos de governo.

Poderia, poderia, poderia!

Mas infelizmente não vai acontecer. Está mais do que evidente que não existe ambiente para isto. A campanha já foi contaminada pelo vírus dos ataques pessoais entre os candidatos, na tentativa de desmerecer o adversário e solapar sua imagem junto aos eleitores.

Seria ingenuidade pensar que nesta última semana a campanha vai melhorar. Os ataques vão continuar, as tentativas de desestabilização também. Nada vai ser alterado. As eleições poderiam ser feitas neste domingo, embora cada lado esteja pensando como aproveitar estes dias que ainda faltam para talvez desferir um golpe mais certeiro que produza um efeito mais evidente, fazendo pender a balança para o seu lado.

Portanto, está anunciada mais uma semana de encenação inútil, de promessas infundadas. Esta campanha passará para a história como a mais suja já realizada no Brasil, levantando grandes apreensões sobre as futuras campanhas, se não forem tomadas em tempo sábias providências, a serem transformadas em leis claras e severas, capazes de coibir os abusos.

Dado que as coisas assim estão, vamos nos alertando para o exercício do discernimento. É importante conferir como é composta a pauta dos noticiários televisivos, a capa das revistas, a primeira página dos grandes jornais. Numa aparente e elegante neutralidade, vão desfilando em sequência matérias trazidas à tona e enfileiradas com o único escopo de desfazer a imagem do adversário. Sim, do adversário, porque os grandes meios de comunicação sabem muito bem escolher quem é o seu candidato, e quem é o seu adversário. E não vão poupar nenhum cartucho que julgarem capaz de causar estrago efetivo.

Esta é a realidade política neste país chamado Brasil.

O que fazer? Valorizar ainda mais o voto! É com ele que podemos frustrar quem faz da política um meio de conseguir o poder, para colocá-lo a serviço dos seus interesses pessoais e corporativos, instrumentalizando a fé e as instituições eclesiais.

O voto é nossa arma verdadeira. Ele é a pequena pedra que Davi colocou em sua funda, no combate contra o gigante Golias. A verdadeira vitória eleitoral, desta vez, não é em primeiro lugar “ganhar a eleição”, mas derrotar as trapaças eleitorais. Isto a gente faz demonstrando que votamos, não levados pelas falsas acusações que se propagaram em abundância nesta campanha, mas pela vontade livre de cada eleitor, definida a partir da proposta de governo que cada eleitor achar mais conveniente para todo o povo brasileiro e para o futuro do nosso país.

Declaração do Regional Sul 1 da CNBB sobre as Eleições

Os bispos católicos do Regional Sul 1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), do Estado de São Paulo, em sintonia com a DECLARAÇÃO SOBRE O MOMENTO POLITICO NACIONAL, da 48ª Assembleia Geral da Conferência (Brasília, maio de 2010), esclarecem que não indicam nem vetam candidatos ou partidos e respeitam a decisão livre e autônoma de cada eleitor.

O Regional Sul 1 da CNBB desaprova a instrumentalização de suas Declarações e Notas e enfatiza que não patrocina a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos.

Reafirma, outrossim, as orientações quanto a critérios e princípios gerais a serem levados em conta no discernimento sobre o momento político, já oferecidos pela 73ª Assembleia Geral do Regional Sul 1 (Aparecida, junho de 2010), expressos na Nota VOTAR BEM.

Recomenda, enfim, a análise serena e objetiva das propostas de partidos e candidatos, para que as eleições consolidem o processo democrático, o pleno respeito aos direitos humanos, a justiça social, a solidariedade e a paz entre todos os brasileiros.

Indaiatuba (Itaici), SP, 16 de outubro de 2010.

Dom Nelson Westrupp
Presidente do Conselho Episcopal Regional Sul 1
e Bispos do Regional Sul 1

Eleição, agressividade e o Espírito

Jung Mo Sung

É cristianismo uma religião da proibição, que impõe sobre toda a população (seja cristã ou não) seus valores à base da “espada” ou da lei do Estado? A história nos mostra que em parte foi e continua tentando ser esse tipo de religião da imposição através da proibição. Valores religiosos não podem ser impostos a não ser proibindo alternativas, pois valores religiosos e éticos só são valores para as pessoas que os praticam se assumidos livremente. Como não se pode impor o assumir livremente, o que seria uma contradição, a única forma de realizar o desejo da imposição dos seus valores é proibindo alternativas – através da força, do medo do inferno ou da lei do Estado.

No fundo é isso que está acontecendo nesta eleição, como também ocorreu nas anteriores, em torno da questão do aborto e do casamento ou união civil dos homossexuais (tema que está entrando agora na polêmica). Setores da igreja católica e das igrejas evangélicas, que fora da época das eleições se veem como “inimigas”, se unem contra um mesmo inimigo proibindo os seus fiéis de votarem na figura que representaria o mal por não querer obedecer às leis de Deus (leis essas reduzidas ao campo da sexualidade humana e na forma interpretada pela sua igreja).

(A teoria do desejo mimético de René Girard nos oferece uma interpretação muito interessante de como esses dois setores rivais do cristianismo estão, no fundo, imitando uns aos outros, sendo iguais, tanto na eleição quando lutam contra o inimigo comum, quanto na luta de um contra o outro na ausência desse inimigo. É por isso que muitos desses setores evangélicos assumem discursos e ritos católicos, como setores católicos -carismáticos ou mais conservadores- imitam as igrejas evangélicas conservadoras e pentecostais.)

Esta imposição traz consigo uma contradição interna. As pessoas que querem impor, em nome de Deus, os seus valores ou crenças religiosas sobre outros grupos sabem, no fundo, que há algo de errado neste processo. Sabem que tentar impor esses valores a toda população através de proibições é no fundo reconhecer que são incapazes de mostrar, através de testemunho e ensino, o valor dessas crenças e valores morais. Ao tentar impor sobre os diferentes os seus valores, reconhecem que estão falhando na sua missão de anunciar a boa-nova (o evangelho) que só pode ser assumido livremente. Por isso, o discurso da proibição vem acompanhado de tanta agressividade contra os ditos “inimigos” de Deus ou das suas igrejas. No fundo é uma agressividade dirigida contra o “inimigo” e ao mesmo tempo contra o seu sentimento de fracasso no que pensa ser a sua missão.

Agressividade e falta de cuidado em verificar a veracidade das informações difundidas (para dizer o mínimo) revelam que há algo de errado no cristianismo vivido e defendido por esses grupos.

Se é verdade que historicamente o cristianismo foi vivido e se expandiu através desses mecanismos de imposição e proibição do alternativo, do diferente, também é verdade que nem toda a história do cristianismo foi e é assim. Mais importante do que isso, não é compatível com o cristianismo primitivo, muito menos com a vida de Jesus de Nazaré.

A boa-nova aos pobres e às vítimas das situações e estruturas opressivas (nisso resume a evangelização, cf. Lc 4) deve ser anunciada e testemunhada de forma propositiva para que seja aceita e vivida em liberdade. Pois como ensinou são Paulo, “onde está o Espírito, está a liberdade” (2Cor 3,17).

Por isso, a atuação dos cristãos na política deve ser fundamentalmente de modo propositivo e não acusatório e agressivo. Pois estamos anunciando e lutando por valores que “valem por si”; e que só são valores na medida em que são vividos com respeito e tolerância aos diferentes, dentro de espírito da liberdade. Devemos apresentar e lutar por propostas sociais e políticas, baseadas em nossa esperança de um mundo mais justo e solidário, onde até os mais pobres possam viver dignamente, com “respeito e mansidão” (cf 1Pe 3,15).

É claro que entre cristãos pode e deve haver diversidade nas linhas de propostas políticas e sociais, pois o evangelho não nos oferece programa político concreto para os nossos dias, mas nos ensina que devemos lutar para que todos e todas tenham vida em abundância (cf Jo 10,10). O que significa que lutar pelo “pão” dos mais pobres e o reconhecimento da dignidade humana de todas as pessoas devem ser uma prioridade na ação social e política dos cristãos e das igrejas.

A forma como se faz a política e atua nas eleições revela o verdadeiro espírito que move os seus agentes. É verdade que no “mundo” há muitos políticos que crêem que tudo é válido para alcançar os seus objetivos. Há muitos que acreditam que a agressividade nas acusações (e calúnias) revela a seriedade do seu compromisso religioso e ético. Mas, eu penso que a agressividade revela outra coisa, um outro espírito, diferente do Espírito do Amor-solidário (ágape) que deveria mover as comunidades e pessoas cristãs.

Resguardar Valores

Dom Demétrio Valentini

Começa a preocupar o nível de polarização que está atingindo o segundo turno das eleições para a presidência da república. A situação requer o retorno ao bom senso, para que a campanha prossiga no respeito mútuo entre todos, tanto candidatos como eleitores.

Uma campanha eleitoral, ainda mais quando destinada a eleger a pessoa que vai ocupar a Presidência da República, não pode comprometer valores que se constituem em precioso patrimônio histórico e cultural de nosso país. É preciso resguardar estes valores, evitando que fiquem comprometidos pelo clima de crescente tensão que ameaça comprometer o bom andamento do processo eleitoral.

O Brasil é um país com uma mensagem a dar ao mundo inteiro, de respeito da diversidade, de convivência pacífica, de aceitação da pluralidade racial e cultural, de tolerância, de diálogo e de esportividade em contornar situações difíceis.

Este patrimônio não pode ficar comprometido pelos equívocos de uma campanha eleitoral que apela para os ataques pessoais e para a tentativa de destruir o bom nome e a imagem dos adversários políticos, instigando ódio e calúnias.

Existe uma ética eleitoral, que precisa ser urgida e colocada em prática, enquanto é tempo. Antes de cumprir a finalidade de indicar os eleitos pela maioria de votos, a campanha eleitoral tem o compromisso de provar que temos maturidade suficiente para praticar a democracia.

A maneira como está transcorrendo a campanha, deixa evidente a urgência de uma reforma política, que precisará ser feita de imediato, logo que se iniciar o novo mandato. Há lições claras que precisam ser recolhidas, e colocadas na nova legislação, para que o exercício da democracia seja amparado por leis que coíbam os abusos que estão sendo cometidos nesta campanha.

Antes ainda do resultado final deste pleito, precisamos demonstrar que somos capazes de administrar com responsabilidade o clima de tensão que a campanha está produzindo. Para eleger os mandatários da nação, não podemos permitir que fique comprometido o convívio pacífico, que é indispensável para que os eleitos possam exercer com eficácia os seus mandatos.

Há sintomas muito preocupantes. Como episódio símbolo pode ser lembrado o caso da menina de nove anos, que acabou sendo espancada pelos colegas na escola, só porque trazia o emblema de uma candidatura.

É importante identificar logo o nascedouro dos problemas. Há situações novas, ainda não contempladas pela lei. Uma delas, por exemplo, é o uso da internet. Quando associado ao fanatismo e à falta de ética, resultam as barbaridades que são propagadas aos quatro ventos. Para anulá-las, o melhor antídoto, certamente, será o voto. Precisamos desautorizar, pelo voto, a falta de ética de quem inventa calúnias, e as propaga impunemente.

A situação requer uma profunda reflexão sobre as consequências que podem ser introduzidas na sociedade brasileira pelos diversos tipos de fundamentalismos que estão se manifestando. Neste sentido, junto com a preocupação em resguardar valores de nosso patrimônio histórico, é bom perguntar-nos se não é conveniente resguardar a finalidade primeira de nossas instituições. As Igrejas, por exemplo, e outras manifestações religiosas, que podem ter sua influência positiva também nos processos eleitorais, não seria melhor que se resguardassem, para exercerem a função de preservar a tolerância e o convívio pacífico na sociedade?

Antes de irmos de novo para a urna, temos o compromisso de consultar nossa consciência, e nos perguntar o que podemos fazer para preservar o exercício da democracia em nosso país, no respeito dos valores éticos que incumbem a todos, cuja violação precisa ser coibida adequadamente.

Dilma e a fé cristã

Frei Betto

Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte.

Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência.

Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho.

Nada tinha de “marxista ateia”.

Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.

Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória -diria, terrorista- acusar Dilma Rousseff de “abortista” ou contrária aos princípios evangélicos.

Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade.

Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo.

Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica.

Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que “a árvore se conhece pelos frutos”, como acentua o Evangelho.

É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam.

Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto…

Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.

Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.

Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes.

A resposta de Jesus surpreendeu: “Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes…” (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz.

Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.

Eleição, aborto e a infantilização da religião

Jung Mo Sung

Por que bispos, padres e grupo religiosos que sempre defenderam a separação radical entre a religião e política, que sempre criticaram a discussão política no âmbito da Igreja ou até mesmo a relação “fé e política”, estão fazendo, até mesmo nas missas, campanha aberta contra Dilma?

Uma primeira resposta poderia ser: hipocrisia. Respostas moralistas podem satisfazer o “juiz moralista” que todos nós carregamos no mais profundo do nosso ser, mas não são boas para nos ajudar a entender o que está acontecendo.

Esta campanha contra a candidatura da Dilma, e com isso o apoio explícito ou implícito à candidatura do Serra, está sendo feita de várias formas, mas com um elemento comum: os católicos e os “crentes” não devem votar nela porque ela seria a favor do aborto e, por isso, contra a vida. Alguns agregam também a acusação de que, se ela for eleita, as TVs católicas e evangélicas seriam proibidas de veicular os programas religiosos ou obrigadas a diminuir o seu tempo de duração. É a velha acusação de que “comunistas” são contra a religião.

Essas duas acusações são expressas e justificadas através de lógicas religiosas, e não a partir da “racionalidade leiga” que deve caracterizar a discussão sobre a política hoje. Esses grupos não admitem a distinção entre a religião e a política, ou melhor, não admitem a “autonomia relativa” do campo político e de outros campos -como o econômico- que se emanciparam da esfera religiosa no mundo moderno. Por isso, eram e são contra “fé e política” ou o debate sobre a política no campo religioso, pois esses debates são feitos normalmente a partir do princípio da autonomia relativa da política. Isto é, a discussão sobre questões políticas são feitas com argumentos de racionalidade sócio-política e não submetidos ao discurso meramente religioso.

Para esses grupos (é preciso reconhecer que ocorre também em outros grupos político-religiosos), os valores religiosos (do seu grupo) devem ser aplicados diretamente a todos os campos da vida pessoal e social. E, em casos graves como aborto, ser impostos sobre toda a sociedade através das leis do Estado. Nesses casos, não seria misturar a religião com a política, mas seria a “defesa” dos mandamentos e valores religiosos; ou colocar a política a serviço dos valores religiosos (nessa discussão apresentados como “a serviço da vida”). Pois, nada estaria acima dos “mandamentos de Deus”. Desta forma não se reconhece a autonomia relativa do campo político, a dificuldade de se passar do princípio ético abstrato (do tipo “defenda a vida”) para as políticas sociais concretas, e muito menos se aceita a pluralidade de religiões com valores diversos e propostas de ação divergentes e conflitantes.

Esta é a razão pela qual esses grupos não entendem e nem aceitam a resposta dada por Dilma de que ela, pessoalmente, é contra o aborto, mas que ela vai tratar esse tema como um problema de saúde pública. Para ouvidos daqueles que crêem que não há ou não deve haver separação entre a saúde pública (o campo da política social) e a opção religiosa pessoal do governante, a resposta da Dilma soa como eu não sou contra o aborto, que logo é traduzido na sua mente como “eu sou a favor do aborto”.

E se ela é a favor do aborto, ela é contra a vida e, portanto, ela é do “mal”. Enquanto que, por oposição, o outro candidato seria do “bem”.

Reduzir toda a complexidade da “defesa da vida” -a que um/a presidente deve estar comprometido/a- à manutenção da criminalização do aborto (que é o que está discutido de fato neste debate sobre ser a favor ou contra o aborto) é uma simplificação mais do que exagerada. Simplificação que deixa fora do debate, por ex., toda a discussão sobre políticas econômicas e sociais que afetam a vida e a morte de milhões de pessoas. Mas é compreensível quando os cristãos têm muita dificuldade em perceber quais são os caminhos concretos e possíveis para viver a sua fé na sociedade, perceber em que a sua fé pode fazer diferença na vida social. Diante de tanta complexidade, a tentação mais fácil é simplificar o máximo para separar “os do bem” de “os do mal”.

Essa simplificação me lembra a pergunta que os meus filhos, quando muito pequenos, me faziam ao assistir um filme: “pai, ele é do bem?” Se sim, eles torciam por aquele que “é do bem” contra o “do mal”. Essa necessidade de separar os do bem e os do mal faz parte da condição mais primária do ser humano. O problema é que reduzir toda a complexidade da luta em favor da vida ao tema de ser favor ou contra a manutenção da criminalização do aborto é infantilizar a discussão política e, o que é pior, é infantilizar a própria religião que professa.

Nota oficial da CNBB sobre o momento eleitoral

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio de sua Presidência, congratula-se com o Povo Brasileiro pelo exercício da cidadania na realização do primeiro turno das eleições gerais, quando foram eleitos os representantes para o Poder Legislativo e definidos os Governadores de diversas unidades da Federação, bem como o nome daqueles que serão submetidos a novo escrutínio em 2º turno, para a Presidência da República e alguns governos estaduais e distrital.

A CNBB congratula-se também pelos frutos benéficos decorrentes da aprovação da Lei da Ficha Limpa, que está oferecendo um novo paradigma para o processo eleitoral, mesmo se ainda tantos obstáculos a essa Lei tenham de ser superados.

Entretanto, lamentamos profundamente que o nome da CNBB – e da própria Igreja Católica – tenha sido usado indevidamente ao longo da campanha, sendo objeto de manipulação. Certamente, é direito – e, mesmo, dever – de cada Bispo, em sua Diocese, orientar seus próprios diocesanos, sobretudo em assuntos que dizem respeito à fé e à moral cristã. A CNBB é um organismo a serviço da comunhão e do diálogo entre os Bispos, de planejamento orgânico da pastoral da Igreja no Brasil, e busca colaborar na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Neste sentido, queremos reafirmar os termos da Nota de 16.09.2010, na qual esclarecemos que “falam em nome da CNBB somente a Assembléia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência”. Recordamos novamente que, da parte da CNBB, permanece como orientação, neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País, a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada este ano em sua 48ª Assembléia Geral.

Reafirmamos, ainda, que a CNBB não indica nenhum candidato, e recordamos que a escolha é um ato livre e consciente de cada cidadão. Diante de tão grande responsabilidade, exortamos os fiéis católicos a terem presentes critérios éticos, entre os quais se incluem especialmente o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana.

Confiando na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invocamos as bênçãos de Deus para todo o Povo Brasileiro.

Brasília, 08 de outubro de 2010

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB