Ficha Limpa

Estudos bíblicos recomeçam dia 30/11, às 17h

Paróquia fará estudos bíblicos sobre os evangelhos da infância de Jesus a partir do dia 30/11. Os encontros serão realizados durante três domingos, às 17h, na igreja São Miguel Arcanjo.

No Tempo do Advento, a comunidade terá um cartaz com imagem do Menino Jesus para distribuir para os moradores preparando o Natal.

Nos avisos paroquiais da semana, o Pe. Julio Lancellotti voltou a falar da necessidade de apoiar a reforma política por eleições limpas.

Igreja reforça campanha por “Eleições Limpas”

Comunidades de todo o país vão coletar assinaturas para o projeto de iniciativa popular que pretende mudar o processo eleitoral. Entre as propostas estão o fim das doações de empresas para as campanhas, a eleição de deputados em dois turnos, sendo o primeiro deles sem nomes de candidatos, mas com base em propostas dos partidos, e a maior participação das mulheres.

A campanha é organizada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e outras entidades como o MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral), que protagonizou os projetos bem sucedidos da Ficha Limpa e da Lei 9840, contra a corrupção eleitoral.

Nos avisos paroquiais da semana, o Pe. Julio Lancellotti falou da importância de participar da iniciativa. Ele lembrou ainda que a partir do dia 30 a comunidade vai retomar os estudos bíblicos, agora com foco nos evangelhos da infância. Os encontros serão aos domingos, às 17h, na igreja São Miguel Arcanjo. Recomendou também assistir ao filme “Irmã Dulce”, que estreia nos próximos dias.

Assista essas e outras notícias:

Para saber mais sobre a campanha pela reforma política democrática e eleições limpas, clique aqui.

Casa da sogra

Frei Betto

Sábado, 28 de abril, comemora-se, no Brasil, o Dia da Sogra. O calendário de efemérides está repleto de dias consagrados a quase todos os galhos da árvore genealógica. Predomina, por razões óbvias, o Dia das Mães. Mãe todos temos, com certeza.

O Dia da Sogra deve ter sido incluído por proposta de algum político corrupto que, tendo escutado ofensas óbvias à sua progenitora, decidiu homenagear a mãe de sua mulher. Ou de suas mulheres, embora o calendário singularize (sogra) o que pluraliza na efeméride de maio (mães).

Sogras padecem no anedotário. “Feliz foi Adão que não teve sogra, nem caminhão”, li no para-choque de uma jamanta na Via Dutra. Cinco coisas que ninguém jamais viu: cabeça de bacalhau; mendigo careca; ex-corrupto; santo de óculos; e retrato de sogra na sala.

Faz-se de um lugar ou ambiente “casa da sogra” quando alguém se julga no direito de abusar da hospitalidade de parentes ou amigos. Na casa da sogra tudo é permitido, até a má educação e a falta de higiene.

A cascata de escândalos do caso Carlinhos Cachoeira, com perdão da redundância, projeta o Brasil como a própria casa da sogra. Muitos políticos – há exceções, felizmente – adotam três discursos: o eleitoral, da captação de votos; o partidário, das articulações de bastidores; e o salafrário, para amealhar dinheiro e poder.

Inúmeros empresários e comerciantes se queixam de que, no Brasil, não se vence licitações nem se obtém recurso público sem “molhar” a mão de políticos e funcionários do governo. A prática já está incorporada às negociações entre empresas privadas ou pessoas e agentes públicos. Amigo meu, ao ver sua moto recuperada pela polícia, se espantou com a lisura do investigador, que não lhe pediu nem um centavo.

Raros os políticos brasileiros que vieram de berço esplêndido. E todos sabem quão cara é uma campanha eleitoral. Essa vulnerabilidade é a porta de entrada dos corruptores, em geral travestidos de lobistas. Aproximam-se do político e se tornam facilitadores de suas vontades e necessidades: empregos aos parentes; viagens em jatinhos; férias em locais paradisíacos; presentes caros etc.

Na primeira fase, o corruptor nada pede, apenas oferece. Demonstra um desprendimento e dedicação ao político de fazer inveja a madre Teresa de Calcutá. Essa aproximação, que socialmente faz o político passar da classe econômica à executiva, introduzido aos prazeres privativos do mundo dos ricos, cria vínculos de amizade.

A segunda fase se inicia quando o político se sente na obrigação de ser grato ao amigo. Em que posso ajudá-lo? Ora, o amigo tem seus amigos: as empresas que o abastecem de recursos para abrir caminhos na intrincada burocracia da floresta governamental. Começam então as facilitações obtidas pelo político: licitações fajutas; informações privilegiadas; nomeações convenientes; tráfico de influência etc.

A terceira fase da transformação do exercício de um mandato popular em casa da sogra é o caixa de campanha. O político não pode perder eleição. E para ganhá-la precisa de visibilidade (poucos a alcançam) e dinheiro (imprescindível). Criam-se o caixa um, legal, declarado à Justiça Eleitoral, e o caixa dois, por baixo dos panos, abastecido pelo amigo lobista e outras vias escusas.

É possível acabar com a corrupção? No coração humano, anabolizado por ambições desmedidas, jamais. Há, contudo, antídotos objetivos: financiamento público das campanhas eleitorais; controle da administração pública pela sociedade civil; ficha limpa também quanto ao patrimônio familiar acumulado; apurações rápidas e punições rigorosas aos corruptos.

Isso depende de reforma política, que o governo e o Congresso tanto protelam. Enquanto perdurar o atual sistema político, contaminado por 21 anos de ditadura militar, como a isonomia de representações estaduais no Senado, os ratos da corrupção haverão de trafegar à vontade pelos buracos do queijo suíço das maracutaias.

O Brasil deixará de ser a casa da sogra quando nossa indignação se converter em mobilização e proposta.

Bispos do Brasil pedem reforma política urgente

Os bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reunidos em sua sede nacional em Brasília desde terça-feira, 25, divulgaram na quinta-feira, 27, encerramento da reunião, uma nota intitulada “Reforma Política: urgente e inadiável”.

No texto, os bispos reafirmam a posição da Conferência de que é preciso trabalhar para que a Reforma de fato aconteça no país, porém, destaca que deve ultrapassar uma simples reforma eleitoral para que a nação colha os frutos necessários. “Se feita de forma a ultrapassar os limites de uma simples reforma eleitoral, ela se torna um caminho seguro para coibir a corrupção e sua abominável impunidade que corroem instituições do Estado brasileiro e a vida do povo”, diz um trecho do texto.

Em coletiva de imprensa, a presidência da CNBB, por meio do seu presidente, dom Raymundo Damasceno Assis, reafirmou a posição da entidade expressa no texto. “Não estamos apenas pleiteando uma reforma eleitoral, mas uma reforma que nós consideramos urgente e inadiável e desejamos que a sociedade assuma essa bandeira de exigir e cobrar uma reforma política verdadeira em nosso país”.

Leia texto na íntegra, abaixo:

Reforma Política: urgente e inadiável!

A Reforma Política é uma urgência inadiável em nosso país. Se feita de forma a ultrapassar os limites de uma simples reforma eleitoral, ela se torna um caminho seguro para coibir a corrupção e sua abominável impunidade, que corroem instituições do Estado brasileiro e a vida do povo.

A expectativa de sua efetiva realização, assegurada pela Presidente Dilma Rousseff, em seu discurso de posse, e pelas imediatas iniciativas da Câmara e do Senado de constituírem comissões para esse fim, está se exaurindo diante da lentidão e falta de vontade política com que o Congresso Nacional tem discutido o tema. Por isso, o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília, de 25 a 27 de outubro, manifesta perplexidade e indignação, em sintonia com o clamor que vem das recentes marchas contra a corrupção, e conclama a todos a exigirem dos parlamentares efetivo empenho na aprovação de uma reforma política ampla e com participação popular.

A sociedade brasileira não pode ser frustrada neste seu direito. Projetos de leis de iniciativa popular exitosos, como as leis 9.840/1999, contra a corrupção eleitoral, e 135/2010, denominada Ficha Limpa, são a prova do quanto nosso povo quer pôr fim à chaga da corrupção no Brasil. Confiamos que o Supremo Tribunal Federal decidirá pela constitucionalidade desta última a fim de que seja aplicada já nas próximas eleições.

Neste contexto, a CNBB reitera o que disse em seu documento Por uma reforma do Estado com participação popular: “A reforma política de que o país necessita com urgência, não pode se limitar a regras eleitorais, e dentro delas ao funcionamento dos partidos. Ela precisa atingir o âmago da estrutura do poder e a forma de exercê-lo, tendo como critério básico inspirador, a participação popular. Trata-se de reaproximar o poder e colocá-lo ao alcance da influência viável e eficaz da cidadania” (Doc. 91, n. 101).

O momento exige, portanto, a retomada do diálogo entre os atores da sociedade civil e os legisladores, na perspectiva de incorporação de propostas concretas já construídas. Do contrário, o Congresso se omitirá, outorgando ao Judiciário a responsabilidade de decidir sobre questões que cabem, primordialmente, ao Legislativo.

O fortalecimento da democracia direta passa pela regulamentação do artigo 14 da Constituição Federal, que trata dos plebiscitos, referendos e leis de iniciativa popular. Além disso, a reforma política não pode adiar medidas que moralizem o financiamento das campanhas eleitorais, assegurem candidaturas de “Fichas Limpas”, criem mecanismos para revogação de mandatos e garantam a fidelidade partidária.

A CNBB considera indispensável, também, dar novos passos que ampliem a aplicação da Ficha Limpa, de modo a atingir cargos comissionados do Parlamento e outros Poderes da Federação. O Executivo e o Judiciário são corresponsáveis por um Poder Serviço dignamente cidadão.

Movidos pela busca do bem comum e pela fé cristã, que nos faz “esperar contra toda esperança” (Rm 4,18), confiamos que estes apelos sejam ouvidos pelos Parlamentares.

Nossa Senhora Aparecida, Mãe dos brasileiros, inspire nossos dirigentes e nos alcance de seu Filho a vitória que almejamos.

Brasília, 27 de outubro de 2011.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida-SP
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís do Maranhão-MA
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília-DF
Secretário Geral da CNBB

Organizações se reúnem em Brasília para cobrar constitucionalidade da Lei Ficha Limpa

Um ano após a aprovação da Lei da Ficha Limpa, organizações se reuniram na quinta-feira, 29/09, com parlamentares da Frente Contra a Corrupção na Câmara dos Deputados para cobrar do Supremo Tribunal Federal (STF) uma decisão final sobre a constitucionalidade da matéria.

A Lei da Ficha Limpa proíbe a candidatura de políticos com condenações na Justiça. No início do ano, o STF decidiu que a lei não poderia valer para as eleições gerais de 2010, o que permitiu que diversos candidatos que haviam sido eleitos, mas foram barrados pela nova lei, pudessem assumir seus mandatos. Agora, o STF deverá decidir se a lei é constitucional e se valerá para as eleições municipais do ano que vem.

“Temos visto um belo movimento na sociedade, mas a lei ainda corre risco. Nossa reivindicação aqui é para que a constitucionalidade dela seja declarada o mais rápido possível”, disse o presidente da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, Francisco Praciano (PT-AM).

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) considerou “um absurdo” pedir ficha limpa para candidatos. “Se ele se dispõe a representar a sociedade, tem de ter alguns requisitos. E os partidos deveriam ter esse zelo e não têm. Os corruptos se sentem à vontade em quase todos os partidos”, disse.

O líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), disse esperar que o STF decida favoravelmente à questão. “Espero que a Lei da Ficha Limpa possa ser uma baliza para a sociedade civil e objeto de respeito para os partidos.”

Enquanto o Supremo não decide a constitucionalidade da matéria, a Frente Parlamentar se movimenta para cobrar dos deputados a aprovação de matérias contra a corrupção. São 160 projetos que tramitam na casa tratando de temas como o combate à lavagem de dinheiro, o fortalecimento da estrutura de órgãos de fiscalização e a criação de varas para investigar crimes de corrupção.

A frente pretende, ainda, propor a criação de uma espécie de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de Combate à Corrupção. A ideia é unir Executivo, Legislativo e Judiciário no enfrentamento a esse tipo de crime.

No fim da reunião o secretário executivo do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep), padre José Ernanne Pinheiro leu trechos da nota da CNBB “Vencer a corrupção com mobilização social” divulgada na última reunião do Conselho Episcopal Pastoral da Conferência realizada nos dias 20 a 22 de setembro, em Brasília – veja íntegra abaixo:

Vencer a corrupção com mobilização social

O Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunido em Brasília de 20 a 22 de setembro de 2011, manifesta sua solidariedade e apoio às últimas manifestações populares contra a corrupção e a impunidade, que corroem as instituições do Estado brasileiro.

A crescente interpelação da sociedade para melhor qualificar, social e eticamente, os seus representantes e outros poderes constituídos, se expressou como nova forma significativa do exercício da cidadania. Reveladora dessa consciência cidadã foi, além das atuais marchas contra corrupção, a mobilização durante a Semana da Pátria, que recolheu mais de 150 mil petições via internet em favor da campanha “Vamos salvar a Ficha Limpa”, fruto de ação popular que, neste mês completa um ano.

Atentos para que estas mobilizações se resguardem de qualquer moralismo estéril, incentivamos sua prática constante, com objetivos democráticos, a fim de que, fortificadas, exijam do Congresso Nacional uma autêntica Reforma Política, que assegure a institucionalidade do País.

O Estado brasileiro deve fazer uso dos instrumentos legais para identificar, coibir e punir os responsáveis por atos de corrupção. Sem comprometimento ético, no entanto, será impossível banir de nosso meio a longa e dolorosa tradição de apropriação do Estado, por parte de alguns, para enriquecimento de pessoas e empresas.

Neste sentido, insistimos nas propostas apresentadas, em nota conjunta da CNBB com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no dia da Pátria:

“Para tornar vívido o sentimento de independência em cada brasileiro, devem os poderes eleger PRIORIDADES que reflitam a vontade da população, destacando-se: no Executivo, a necessidade de maior transparência nas despesas, a efetiva aplicação da lei que versa sobre esse tema, bem como a aplicação da “Lei da Ficha Limpa” aos candidatos a cargos comissionados, que também deveriam ser reduzidos.

No Legislativo, a extinção das emendas individuais ao Orçamento, a redução do número de cargos em comissão, o fim do voto secreto em todas as matérias e uma reforma política profunda, extirpando velhas práticas danosas ao aperfeiçoamento democrático.

No âmbito do Judiciário e do Ministério Público, agilidade nos julgamentos de processos e nos inquéritos relativos a crimes de corrupção e improbidade por constituírem sólida barreira à impunidade, bem como o imediato julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade sobre a Lei Complementar n. 135/2010 (Ficha Limpa)”.

Que o Espírito Santo ilumine todos os que, no exercício de sua cidadania, trabalham pela construção de um Brasil novo, justo, solidário e democrático.

Brasília-DF, 22 de setembro de 2011

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom Sergio Arthur Braschi
Bispo de Ponta Grossa
Vice-Presidente da CNBB Ad hoc

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Quem tem medo do 11º Ministro?

Chico Whitaker

A história da Lei da Ficha Limpa, que ainda não terminou, é um roteiro de novela, das mais emocionantes. Cheia de suspenses, de momentos de alegria e de tristeza, de sorrisos e de esbravejamentos, de surpresas e de alívios. E ela está tendo direito até a um último capitulo: dentro de certo tempo, para quebrar o empate em que se encontram, os “bons” e os “maus” vão se enfrentar, na sala majestosa da mais alta Corte do país, sob as vistas dos poucos que lá poderão entrar mas também pela televisão em todo o Brasil, como uma novela de sucesso.

Quando ela começou, como Iniciativa Popular de Lei, era bem menor o número dos que a acompanhavam. Grande parte das pessoas que dela tomavam conhecimento não acreditava que sequer pudesse seguir adiante, embora um fato auspicioso tenha marcado seu lançamento: o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, autor da proposta, obteve a adesão unânime -chame-se a atenção, unânime- da Assembléia Geral da CNBB. O que asseguraria que a coleta de assinaturas alcançaria todos os rincões do país, pela capilaridade que tem a Igreja Católica.

Uma vez iniciada, ela começou a encontrar resistências, algumas esperadas, outras inesperadas: entre as primeiras a de juristas e advogados, uns indignados outros preocupados com o atentado ao principio universal da presunção de inocência que se estaria pretendendo perpetrar; entre as segundas, a de movimentos sociais que temiam que a nova lei tornasse seus lideres inelegíveis, em tempos em que se tenta criminalizar sua ação. Mas devagar a coleta foi avançando, com tomadas de posição que permitiam a superação de muitas dúvidas.

Quando um ano e meio depois se atingiu o mínimo do milhão e trezentas mil assinaturas necessárias, o projeto foi entregue à Câmara, em ato com boa repercussão na mídia. E novos personagens entraram em cena: jornais e televisões. Estes atiçavam os brios dos parlamentares e da Mesa da Câmara: o projeto irá para a gaveta, sairá da gaveta?

O problema de ter que tramitar como Iniciativa Parlamentar foi resolvido rapidamente, com mais de vinte parlamentares o assinando imediatamente. Surgiram então veementes resistências, de onde pouco se esperava, criando novas áreas de tensão, que levantavam a duvida até sobre o interesse do governo no projeto.

Com todos esses ingredientes a novela ganhou uma audiência maior, permitindo que a coleta de assinaturas ainda continuasse. Foram logo conseguidas mais 400.000 , e outras 400.000 com a entrada no cenário de uma organização internacional especializada em mobilizações pela Internet. O fato estava consumado, a batata quente estava nas mãos dos nossos congressistas.

Criou-se então o suspense com a nuvem da dúvida surgida no dia mesmo da entrega: o projeto levado ao Congresso propunha que só com uma condenação em primeira instância os candidatos já se tornariam inelegíveis. Se fosse esta a norma, dizia-se claramente no Congresso, ele dificilmente seria aprovado.

Ano legislativo terminando, férias, as emoções só reapareceram quando a Câmara retomou suas atividades, com um movimento de surpresa do Presidente da Casa: constituir um Grupo de Trabalho, não previsto no seu Regimento Interno, que preparasse um substitutivo englobando o projeto de Iniciativa Popular e outros dez que já tramitavam na Câmara sobre o mesmo tema – o primeiro deles dos idos de 1993. O Grupo de Trabalho começou bem, convocando a sociedade para uma Audiência Pública. Mas com o assunto já bem mais presente na mídia, seus comentaristas começaram a levantar suspeitas: nossos espertos parlamentares estavam fazendo uma hábil manobra para desvirtuar totalmente a proposta que tinha chegado da sociedade, e apresentar um substitutivo que descaracterizaria totalmente seu propósito moralizante.

O novo suspense durou um mês, o tempo estabelecido para que o Grupo de Trabalho realizasse sua tarefa. Ao final, para surpresa geral, e apesar de fortes resistências dentro do próprio Grupo, a emenda saiu melhor que o soneto: foi possível aproveitar muito do que se propunha nos dez projetos -e até do que se levantou na Audiência Pública- e o projeto original terminou por ser aprimorado, resolvendo inclusive o obstáculo das condenações somente em primeira instância: seriam consideradas aquelas decididas por um colégio de juízes, o que equivaleria a uma primeira ou a uma segunda instância, segundo o caso. O MCCE, que acompanhava de perto as discussões, considerou que o substitutivo correspondia ao que se buscava, para alívio geral.

O ambiente começou a ficar de novo quente quando o substitutivo foi levado ao plenário. Um pedido de urgência urgentíssima para sua votação não conseguiu a adesão dos dois maiores partidos da Casa e tudo parecia que ia desandar, pelos prazos exigidos pela tramitação então necessária. Chegou-se, no entanto, ao acordo de mandá-lo para a Comissão de Constituição e Justiça, dando-lhe um mês para examiná-lo; terminado esse prazo, seria dada a urgência urgentíssima ao eventual novo substitutivo discutido na Comissão, quer ela o tivesse aprovado ou não.

Foi a fase de maior tensão da novela. A CCJ naturalmente abordaria a própria constitucionalidade do projeto, e o relator que fosse designado poderia enterrá-lo de vez. Esse tema já havia provocado muita discussão e até posicionamentos indiretos de Ministros do STF, que mais cedo ou mais tarde teriam que dar seu veredicto sobre isso.

De novo para surpresa geral, o relator designado, do partido do governo, conseguiu elaborar, com a aprovação do MCCE, um projeto ainda melhor, contendo detalhes que eliminavam as resistências que persistiam. Estas já se organizavam para que o projeto não saísse da CCJ. Mas o gongo tinha soado e ele teve que ser mandado ao Plenário da Câmara sem a aprovação dessa Comissão. Para alivio geral de todos os espectadores da novela, os dois grandes partidos cumpriram seu compromisso de lhe dar urgência urgentíssima.

Daí para a frente, a tramitação foi rápida: o assunto já estava bem debatido, as posições estavam definidas, e tanto na Câmara como depois no Senado contou-se com o apoio de uma maioria maior do que a exigida para uma Lei Complementar, como era o caso dessa Lei. O texto do substitutivo vindo da CCJ foi totalmente aprovado e rejeitados todos os destaques apresentados, com emendas modificativas. Como se dizia na Câmara que era mais fácil uma vaca voar do que esse projeto ser aprovado, oito meses depois dele ter entrado no Congresso a vaca visivelmente voou.

No Senado, no entanto, um pequeno susto chamou a atenção de todos os que vinham acompanhando a novela, tornando-os de novo apreensivos: a aprovação de uma pequena emenda, da qual se poderia dizer que não era anódina e tinha endereço certo, obrigaria o projeto a voltar para a Câmara, se fosse considerada de mérito. Mas como foi interpretada como emenda de redação, tudo terminou em paz, para que se pudesse entrar no segundo capitulo da novela, em que um novo e importante ator entrou no palco: o Tribunal Superior Eleitoral.

Seu Presidente, recém empossado, criou um enorme suspense levantando a questão fundamental: seria ele constitucional ou não? Mas, em sucessivos julgamentos de casos concretos, o TSE resolveu essa e outras duas questões, com um quorum de 5 a 2, o que não deixava margem a dúvidas: constitucional, sim; compreendendo condenações anteriores à lei, sim; valendo já na eleição de 2010, sim.

O capitulo final da novela é o que estamos vivendo agora: os condenados pelo TSE apelaram ao STF, como lhes faculta a Lei. A primeira parte desse capítulo foi bastante emocionante, com cada Ministro tomando sua posição, um após outro, em dois longos julgamentos acompanhados pela TV em todo o Brasil, e manifestações do lado de fora do prédio do Supremo. Muita gente ficou estupefata com comportamentos distantes do que se esperaria de calmos Magistrados. Tivemos direito até a cenas explícitas de partidarização. E o empate de 5 a 5 nos dois julgamentos obrigou o futuro surgimento, no enredo, de um personagem ainda desconhecido: o 11º Ministro, que está por ser designado pelo Presidente da República.

O suspense agora criado é ainda maior: nesse capitulo poderá ser jogado por terra todo esse imenso e custoso esforço feito pela sociedade brasileira e pelos setores do Congresso Nacional que o honraram. Se o 11º Ministro ou Ministra se colocar ao lado do pelotão dos cinco contrários ao projeto, ele sozinho -ou ela sozinha- terá tido mais poder que o próprio Presidente da República, que promulgou a Lei. Depois desse voto de desempate o previsível é que os prejudicados pelas decisões anteriores pedirão imediatamente a anulação das mesmas. E o sonho de moralização política que essa Lei carrega consigo virará fumaça e se desfará no ar.

Se batatas quentes existem, esta que caiu nas mãos de Lula é muito mais do que simplesmente quente. A última sessão do STF mostrou que não é assim tão neutro nomear um Ministro do Supremo. E o modo como a novela pode terminar faz com que até se possa pensar em uma nova proposta para a Reforma Política: introduzir a possibilidade de “impeachment” dos Ministros dessa Corte, pelo enorme poder que têm e que pode ser desvirtuado em prejuízo de toda a sociedade.

Não nos resta outra alternativa senão a de “acordar” Lula -embora seja mais do que provável que ele já esteja ciente disso- para o significado da indicação que deve fazer. Na sociedade brasileira há muita gente que lhe dá a possibilidade de escolher um 11º Ministro ou Ministra que não venha a carregar, o resto de sua vida, a responsabilidade de um imenso crime de “lesa-esperança”, o que vem a ser o mesmo que “lesa-futuro”. Sendo que o mínimo que se poderá dizer é que, se não o fizer, terá perdido uma oportunidade de fechar luminosamente seu mandato.

Nota oficial da CNBB sobre o momento eleitoral

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio de sua Presidência, congratula-se com o Povo Brasileiro pelo exercício da cidadania na realização do primeiro turno das eleições gerais, quando foram eleitos os representantes para o Poder Legislativo e definidos os Governadores de diversas unidades da Federação, bem como o nome daqueles que serão submetidos a novo escrutínio em 2º turno, para a Presidência da República e alguns governos estaduais e distrital.

A CNBB congratula-se também pelos frutos benéficos decorrentes da aprovação da Lei da Ficha Limpa, que está oferecendo um novo paradigma para o processo eleitoral, mesmo se ainda tantos obstáculos a essa Lei tenham de ser superados.

Entretanto, lamentamos profundamente que o nome da CNBB – e da própria Igreja Católica – tenha sido usado indevidamente ao longo da campanha, sendo objeto de manipulação. Certamente, é direito – e, mesmo, dever – de cada Bispo, em sua Diocese, orientar seus próprios diocesanos, sobretudo em assuntos que dizem respeito à fé e à moral cristã. A CNBB é um organismo a serviço da comunhão e do diálogo entre os Bispos, de planejamento orgânico da pastoral da Igreja no Brasil, e busca colaborar na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Neste sentido, queremos reafirmar os termos da Nota de 16.09.2010, na qual esclarecemos que “falam em nome da CNBB somente a Assembléia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência”. Recordamos novamente que, da parte da CNBB, permanece como orientação, neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País, a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada este ano em sua 48ª Assembléia Geral.

Reafirmamos, ainda, que a CNBB não indica nenhum candidato, e recordamos que a escolha é um ato livre e consciente de cada cidadão. Diante de tão grande responsabilidade, exortamos os fiéis católicos a terem presentes critérios éticos, entre os quais se incluem especialmente o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana.

Confiando na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invocamos as bênçãos de Deus para todo o Povo Brasileiro.

Brasília, 08 de outubro de 2010

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

Lei da Ficha Limpa é mantida

Dalmo de Abreu Dallari

Julgando um recurso em que era interessado o candidato Joaquim Roriz, cuja candidatura foi obstada com fundamento em disposições da Lei Complementar 135, de 4 de junho de 2010, a Lei da Ficha Limpa, cinco Ministros do Supremo Tribunal Federal votaram favoravelmente à manutenção do veto à candidatura de Roriz e cinco votaram em sentido contrário. É importante lembrar que a pretensão do candidato Roriz era no sentido de que o Poder Judiciário declarasse ser inconstitucional a aplicação da Lei da Ficha Limpa para barrar sua candidatura.

Qual o sentido e o alcance dessa votação no Supremo Tribunal Federal, em que houve um empate? Houve uma decisão ou a matéria continua em aberto no Supremo Tribunal, à espera de que ele decida? Aparentemente não houve uma decisão, porque nenhum dos lados conseguiu a maioria, mas essa conclusão não é jurídica, não é correta, como não será difícil explicar.

O Supremo Tribunal Federal tem atualmente dez ministros, uma vez que ainda não foi preenchida a vaga resultante da aposentadoria do ministro Eros Grau. A Constituição prevê a existência de onze ministros e atualmente ele só tem dez, mas apesar da existência da vaga o Tribunal funciona normalmente e suas decisões são absolutamente válidas, produzindo os efeitos jurídicos normais, os mesmos que produziriam se todas as vagas estivessem preenchidas.

Alegação rejeitada

Quanto à decisão do caso Roriz e aos efeitos do empate na votação, o primeiro ponto que deve ser posto em evidência é que, nos termos expressos do artigo 97 da Constituição, para declarar uma inconstitucionalidade é indispensável que a maioria absoluta dos membros do Tribunal vote nesse sentido. A maioria absoluta, nesse caso, significa um total de seis votos. Como apenas cinco votaram pela inconstitucionalidade a conseqüência é que não foi atingido o número suficiente, constitucionalmente exigido, para declarar inconstitucional a aplicação da lei. Assim, pois, o resultado da votação tem o efeito jurídico de manter a Lei da Ficha Limpa em pleno vigor e, portanto, de aplicação obrigatória.

Um dado interessante, que é oportuno assinalar, é que a maioria absoluta dos dez membros do Tribunal corresponde ao total de seis votos; e se já tivesse sido preenchida a vaga existente, e o número de ministros em exercício fosse onze, para obtenção da maioria absoluta continuaria a ser necessário um total de seis votos.

Uma última observação, que é oportuno fazer, é que ao final da sessão o presidente do STF deveria ter proclamado formalmente o resultado. Isso não foi feito, provavelmente porque, pelas implicações políticas e pelo grande interesse popular, o presidente preferiu redigir cuidadosamente o texto da proclamação. Isso é conveniente, pois para os leigos uma decisão que termina empatada pode ser interpretada como um impasse, que deixa o caso em aberto à espera de uma decisão – o que não é o caso, pois o fato de não ter sido atingida a maioria absoluta significa a rejeição da alegação de inconstitucionalidade.

A conclusão juridicamente correta é que houve uma decisão no sentido de rejeitar a alegação de inconstitucionalidade e a Lei da Ficha Limpa está em vigor e deve ser aplicada.

O Brasil de amanhã: os brasileiros escolhem

 Card. Odilo P. Scherer

O Dia da Pátria evoca o momento histórico da independência do Brasil. O Grito do Ipiranga tem quase 190 anos e, naquele momento, despertou no coração dos brasileiros sentimentos de liberdade, patriotismo e ufanismo nacional. E ainda agora, todos os anos, esses sentimentos se renovam nas comemorações do Dia da Pátria. Mas também caímos na conta de que ainda há muito por fazer para que esses sonhos e aspirações se tornem realidade para todos os brasileiros.

A dependência colonial do País continua ainda hoje, embora de formas diferentes, camuflada na trama das políticas econômicas, financeiras, comerciais e até culturais; independência e autonomia permanecem sonhos distantes na vida real de muitos brasileiros, que vivem na miséria, ou em condições de grave precariedade econômica. A vida política continua dominada por poderosos interesses de grupos, sem estar voltada para os interesses mais amplos da população, sobretudo daquelas camadas sociais mais necessitadas do Poder Público para sua proteção e a promoção de sua dignidade. A independência do Brasil ainda tem etapas a percorrer; certamente estão sendo dados passos na direção justa, mas o povo precisa participar e estar atento para que este processo não passe por cima de suas cabeças e frustre seus justos anseios.

As próximas eleições são uma ocasião para a participação consciente de todos nas decisões sobre os rumos do Brasil nos próximos anos. Votar bem é contribuir com a própria parte para que o Brasil vá bem. Nesse sentido, os Bispos do Estado de São Paulo, em sua assembléia anual de junho passado, elaboraram uma lista de orientações. Votar bem ainda não é tudo; mas deixando de fazer as escolhas certas agora, estaremos colaborando para que o Brasil seja mal governado, leis injustas e desajeitadas sejam aprovadas, a riqueza nacional seja administrada mal, ou até desviada de sua legítima destinação e o atraso de vida se prolongue por mais tempo.

Os cidadãos têm força política e é do povo que o poder político emana. Na democracia, são os cidadãos que escolhem quem faz leis e governa. Por isso, o exercício desse poder, pelo voto, é importante para o País. Por sua vez, quem for eleito, deve exercer o poder político como um serviço ao País e ao povo, de quem recebeu o mandato Por isso, é bom verificar se os candidatos estão comprometidos com as grandes questões, que requerem ações decididas dos governantes e legisladores, como a superação da pobreza, a promoção de uma economia voltada para a criação de postos de trabalho e a melhor distribuição da renda, a educação de qualidade, saúde, moradia, saneamento básico para todos, respeito à vida e defesa do meio ambiente. Governar bem é governar para todos, e não apenas para grupos, que se beneficiam do governante ou legislador para alcançar ou proteger seus interesses particulares.

 Político bom está comprometido com o bem comum, que se expressa na liberdade, justiça e solidariedade social, segurança pública e cultura da paz, no pleno respeito à dignidade da pessoa e seus fundamentais direitos, em especial, na inviolabilidade da vida humana desde a concepção até à morte natural. São valores são fundamentais e irrenunciáveis para o convívio social. Isso também requer a promoção de condições econômicas para a satisfação das necessidades básicas e a vida digna da população, bem como o reconhecimento da legítima posse de bens, preservada a dimensão social da propriedade. 

As eleições são o momento bom para escolher cidadãos dignos, probos e capazes de governar e legislar com sabedoria e prudência; momento também de não conferir esta responsabilidade pública tão importante a cidadãos que não tenham “ficha limpa”. Isso requer um esforço dos eleitores para conhecer os candidatos e para não votar de maneira inconsequente. Alguém entregaria as chaves de sua casa a um zelador não-confiável? Ou a senha do cofre a um ladrão comprovado? 

Bom é lembrar ainda que o voto não é mercadoria e não deve ser vendido; isso seria corrupção eleitoral. Voto não tem preço, é secreto e pessoal, mas não é assunto particular, pois é o exercício de uma responsabilidade pública e tem consequências para a coletividade. Voto não se dá em troca de favores, mas representa a liberdade e a dignidade de cada eleitor. Não se deve vender barato (nem caro) a própria dignidade! É preciso examinar a história pessoal dos candidatos, suas idéias e as propostas defendidas por eles e seus partidos; partidos são importantes, pois amarram a autonomia dos mandatários. Nas urnas, o eleitor deposita um “voto de confiança” nos candidatos. Confiança é dada a quem a gente conhece.

 Algumas questões não devem ficar fora da consideração dos eleitores cristãos e católicos. A religião pertence à identidade de um povo; dê seu voto de confiança a políticos comprometidos com a liberdade religiosa e de consciência, o respeito pelas convicções religiosas dos cidadãos, seus símbolos e instituições religiosas e a livre manifestação de sua fé. A Família é um patrimônio da humanidade e um bem insubstituível para a pessoa. Nosso voto pode fazer com que o Poder Público promova o casamento e a família bem constituída, proteja a família contra sua destruição e lhe assegure condições para cumprir bem sua missão. Mas nosso voto também pode ter o efeito contrário, dependendo de quem escolhemos. O casamento e a família natural são patrimônio da humanidade e a sociedade que descuida da família destrói suas próprias bases. 

Já escolheu seus candidatos? Eles se enquadram nas suas convicções? Se forem eleitos, o que pode ser feito para acompanhar o exercício do seu mandato e ver se cumprem o que prometeram e se fazem jus ao voto de confiança que receberam? 

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 06.09.2010

Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo

Notas da CNBB sobre Código Florestal e Ficha Limpa

CNBB

O Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB (Consep) divulgou duas notas ao final de sua reunião, nesta quinta-feira, 17. Uma das notas manifesta a posição da Conferência dos Bispos acerca das reformas do Código Florestal, aprovadas em julho pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Na segunda nota, os bispos pedem a plena aplicação da lei 135/2010, conhecida como Ficha Limpa. More →