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Não ficar fechado nos sistemas, abrir-se às surpresas de Deus: Papa em Santa Marta

Abrir-se às surpresas de Deus, sem se fechar aos sinais dos tempos – pediu o Papa Francisco na missa desta manhã, 13 de outubro, na Casa de Santa Marta. Comentando as palavras de Jesus aos doutores da lei, o Papa exortou os fiéis a não permanecerem apegados às próprias ideias mas a caminharem com o Senhor, encontrando sempre coisas novas…

Porque estes doutores da lei não percebiam os sinais dos tempos e pediam um sinal extraordinário…E por que é que não percebiam? Antes de mais, porque estavam fechados. Fechados no seu sistema, tinham sistematizado muito bem a lei, uma obra prima. Todos os judeus sabiam o que que se podia fazer e o que não se podia fazer, até onde se podia ir. Tudo bem arrumado. E assim estavam seguros.

Não percebiam que Deus é o Deus das surpresas, que Deus é sempre novo. Nunca se renega a si mesmo, nunca diz que o tinha dito era errado, nunca, mas sempre nos surpreende. Eles não percebiam isto e fechavam-se naquele sistema feito com tanta boa vontade e pediam a Jesus: ‘Dá-nos um sinal! E não percebiam os muitos sinais que Jesus fazia e que indicavam que o tempo estava maduro. Fechados!

Em segundo lugar, tinham esquecido que eram um povo a caminho. Em caminho. E quando se caminha, quando uma pessoa vai pelo caminho, sempre encontra coisas novas, que não conhecia.

Os doutores da lei, fechados em si mesmos, “não tinham percebido que a lei que defendiam e amavam era uma pedagogia que havia de levar a Jesus Cristo.” Se a lei não nos aproxima de Jesus Cristo é uma lei morta.

Isto deve fazer-nos pensar: estou apegado às minhas coisas, às minhas ideias, fechado. Ou estou aberto ao Deus das surpresas? Sou uma pessoa fechada, ou uma pessoa que caminha? Creio em Jesus Cristo? … Sou capaz de captar os sinais dos tempos e ser fiel à voz do Senhor que neles se manifesta? Podemos fazer-nos hoje estas perguntas e pedir ao Senhor um coração que ame a lei, porque a Lei é de Deus. E que ame também as surpresas de Deus, sabendo que esta lei santa não é finalizada a si mesma.

Fonte: News.Va

Angelus: “Não há pecado ou crime que possa cancelar um homem do coração de Deus”

“Não há pecado ou crime que possa cancelar um homem do coração de Deus”: a misericórdia divina foi a tônica da alocução pronunciada pelo Papa Francisco antes do Angelus deste domingo.

Comentando a conversão de Zaqueu, o Pontífice recordou que este trecho narrado no Evangelho de Lucas resume em si o sentido de toda a vida de Jesus, ou seja, procurar e salvar as ovelhas perdidas.

Zaqueu é uma delas. É desprezado porque é o chefe dos publicanos da cidade de Jericó, amigo dos odiados invasores romanos. É ladrão e explorador.

Impedido de se aproximar de Jesus, provavelmente por causa de sua má fama, e sendo pequeno de estatura, Zaqueu sobe em cima de uma árvore para poder ver melhor o Mestre que passa.

“Este gesto exterior, um pouco engraçado, expressa porém o ato interior do homem que tenta elevar-se sobre a multidão para ter um contato com Jesus”, explicou o Papa.

O próprio Zaqueu não sabe o sentido profundo do seu gesto; nem mesmo ousa esperar que possa ser superada a distância que o separa do Senhor; se resigna a vê-lo somente de passagem.

Mas Jesus, quando passa perto desta árvore, o chama por nome: «Zaqueu, desça da árvore porque hoje quero jantar na sua casa» (Lc 19,5). Zaqueu, aliás, é um nome significativo, pois quer dizer “Deus lembra”.

Já naquela época, comentou o Pontífice, existiam os “fofoqueiros”, pois este gesto de Jesus suscitou as críticas de toda a população de Jericó: “Mas como? Com todas as pessoas boas que existem na cidade, escolhe justamente um publicano? Sim, porque ele estava perdido; e Jesus diz: «Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele também é filho de Abraão» (Lc 19,9).

Não existe profissão ou condição social, não há pecado ou crime de qualquer gênero que possa cancelar da memória e do coração de Deus um só filho sequer. “Deus recorda”, não esquece nenhum daqueles que criou; Ele é Pai, sempre à espera de ver com atenção e com amor que renasça no coração do filho o desejo de regressar à casa. E quando reconhece este desejo, mesmo que simplesmente manifestado, imediatamente põe-se a seu lado, e com o seu perdão lhe torna mais leve o caminho da conversão e do regresso.

O gesto de Zaqueu, disse ainda o Papa, é um gesto de salvação. “Se há um peso na consciência ou algo do qual se envergonhar, não se preocupe. Suba na árvore ‘da vontade de ser perdoado’. Eu garanto que não se desiludirá. Jesus é misericordioso e jamais se cansa de perdoar.”

Francisco concluiu pedindo que cada um de nós ouça a voz de Jesus que nos diz: “Hoje quero passar na sua casa”, ou seja, na nossa vida.

Ele pode nos mudar, pode transformar o nosso coração de pedra em coração de carne, pode nos libertar do egoísmo e fazer da nossa vida um dom de amor.

Fonte: News.Va

Sob o signo de Francisco

Dom Demétrio Valentini

Foi muito movimentada a semana. Os oito cardeais, membros do agora “conselho permanente” do Papa, se reuniram com ele durante três dias. Em seguida, o Papa Francisco se sentiu na obrigação de visitar Assis, a terra do primeiro Francisco. E precedendo a estes episódios todos, saiu a nova entrevista, desta vez concedida a um ateu professo, diretor do jornal italiano La Repubblica.Diante deste contexto, parece clara a advertência do Evangelho sobre os “sinais dos tempos”. Se somos capazes de pressentir a chuva, como não perceber que em Roma está se armando um tempo, sujeito a relâmpagos e trovoadas, prometendo bem mais que uma chuva passageira.

Pelos sinais emitidos, aos poucos o Papa Francisco, com firmeza e convicção, vai direcionando suas propostas de mudanças, que prometem ser urgentes e amplas. A começar pela decisão de dar perenidade ao “conselho de consultores”. Antes de sua primeira reunião, este “Conselho” foi elevado à categoria de órgão permanente, com a finalidade de assessorar o Papa no governo da Igreja.

Para entender o alcance desta medida, é bom relacioná-la com o tempo de Paulo VI, logo após o Concílio. Eram insistentes as recomendações, no sentido de que o Papa criasse um “conselho de cardeais”, para ajudá-lo a implementar as orientações do Concílio. Mas Paulo VI, por sua natural timidez, não criou este “conselho”. Agora o Papa Francisco, por clara decisão tomada e publicada nestes dias, criou esta nova instância do governo eclesial, dando-lhe caráter definitivo, com possibilidade de agregar outras incumbências, e com o número dos seus componentes podendo ser adaptado de acordo com as circunstâncias.

Com isto, o Papa Francisco tem agora o instrumento para acionar as iniciativas que ele julgar oportunas. Algumas delas, de certa maneira, já foram confidenciadas. Entre elas, sua disposição de abrir o diálogo com a modernidade. Era a grande intenção do Concílio Vaticano II. Cinqüenta anos depois, esta disposição parece tomar forma concreta. Assim se expressa o Papa, de maneira clara e incisiva, diante de um interlocutor ateu:

“Os padres conciliares sabiam que abrir-se à cultura moderna significava ecumenismo religioso e diálogo com os não-crentes. Desde então foi feito muito pouco nesta direção. Tenho a humildade e a ambição de querer fazê-lo”. Portanto, ele decidiu levar em frente o Concílio, que permanece referência indiscutível para a Igreja em nosso tempo.

Outra grande empreitada do Papa é abrir a Igreja para que ela perceba os problemas da humanidade, e os assuma de maneira solidária. Depois de comentar a situação em que vivem hoje os jovens, sem trabalho e sem futuro, e o abandono em que se encontram as pessoas idosas, ele afirma claramente que este problema precisa ser assumido pela Igreja: “Isto é o problema mais urgente que a Igreja tem pela frente.”

Portanto, o Papa quer uma Igreja aberta aos problemas que hoje a humanidade enfrenta. Esta decisão do Papa leva a outra, agora definida claramente. Diz respeito à Cúria Romana. Reconhecendo seus muitos valores, aponta o problema principal de que ela padece. No dizer do Papa, a Cúria Romana é muito “vaticano-cêntrica”… “vê e cuida dos interesses do Vaticano…e descuida do mundo que nos circunda”. É uma análise pesada que o Papa faz da Cúria Romana. Diante disto, assume uma posição corajosa e firme, dizendo textualmente: “Não compartilho com esta visão, e farei tudo para mudá-la”.

Assim, vão ficando claros os propósitos renovadores do Papa Francisco. Ele se mostra muito disposto a levá-los em frente, conforme revelou para o jornalista Eugênio Scalfari: “farei o que for possível para cumprir o mandato que me foi confiado”.

Vamos lutar por um mundo melhor

Eu mais uma vez repeto e vou repetir até que o mundo esteja melhor, vamos lutar com todas as nossas forças por um mundo melhor, vamos lutar pelos mais fracos e oprimidos. Como já disse vamos colocar em prática tudo que Jesus nos ensinou ele vai ficar muito feliz. Vamos lutar por um mundo sem maldade, injustiças, desigualdades e de tudo que é ruim. Vamos lutar por um mundo com amor, paz, alegria, solidariedade, união, partilha, por um mundo mais o humano como Deus quer que seja o nosso mundo.Quando isso acontecer o céu inteiro ficará feliz e aqui na Terra também. Não deixemos os mares, as florestas, os animais chorando por causa do que os seres humanos estão fazendo com a Terra vamos fazer eles sorrirem e se encatarem com a gente de como nós cuidamos do mundo bem e de que existe amor, solidariedade, união, paz, justiça e que todos se amam como deve ser um irmão amando o outro como nosso Pai quer. Eu peço que por favor que as pessoas tomem consciência e vejam como nosso mundo está triste não só ele mas Deus, Nossa Senhora, os anjos, os  santos e todos do céu o mundo assim só está nos prejudicando e nunca vai nos levar a lugar nenhum então vamos lutar por um mundo melhor isso só nos trará felicidade, a paz e tudo de bom. Não vamos ligar, nem julgar pela aparência das pessoas, nem por suas condições isso nada importa o que importa é a pessoa que está ali que é seu irmão e que o amor deve existir entre os irmãos. Que Deus toque nos corações das pessoas que tem maldade em seus corações para que sejam boas e lutem por um mundo melhor. Este é o meu maior sonho ver um mundo melhor e sei que ele vai se realizar e vou lutar com toda a minha força por um mundo melhor e sei que não estou sozinha estou com Deus e todos os que querem mudar o mundo e ter um mundo melhor. Quando nosso mundo mudar para melhor Deus estará muito feliz em ver que seus filhos mudaram o mundo e o fizeram um mundo melhor este mundo que Deus sempre quis e sempre há de querer para nós. Estamos todos juntos por um mundo melhor. Vamos lutar por um mundo melhor.

Vamos mudar o mundo

Vamos mudar o mundo, que está tão errado, vamos mudar ainda há tempo, vamos mudar antes que seja tarde demais. Vamos nos unir e lutar contra o mal. Já está mais do que na hora de arrumar nosso mundo. È somente querer, e ter amor em seu coração e união. Vamos espalhar a paz, vamos espalhar o amor e tudo que é bom. Chega de injustiças, de maldades, de mentiras, de desigualdades de guerras que seja tudo igual a todos sem uns terem muito e outros tão pouco, pois ninguém e mais que ninguém somos todos iguais. Que os maus sejam tocados por Deus e que se arrependem do que fizeram e os que pretendem cometer alguma maldade sejam também tocados por Deus e não a façam. Está na hora de por mos em prática o que Jesus nos ensinou e quer que façamos. Que todas as nações possam viver em paz e unidas. Vamos amar uns aos outros como Jesus nos amou e respeitar uns aos outros se há alguma magoa de alguém perdoe e o ame, pois e isso que Deus quer e nos ensinou. Para mudar o mundo comecemos por nós, vejamos se estamos sendo realmente seguindo Jesus se está algo errado mude e ai sim você estará seguindo Jesus e ai comece a mudar o mundo e que finalmente possamos viver como Deus quer. Todos que são bons se unam e lutem por um mundo melhor ter um mundo melhor não e impossível e só nos unirmos e querer mudar o mundo. Que as pessoas tomem consciência e mudem que tenham mais Deus em seus corações e assim podemos ser irmãos como Deus quer. Vamos começar a mudar o mundo agora neste instante não percamos mais tempo diga eu vou eu posso e eu consego mudar o mundo. Vamos mudar o mundo eu peço que as nações se unam que sejam uma só e não briguem mais que sejam unidas. Eu peço que as pessoas queiram mudar o mundo enquanto houver uma pessoa querendo mudar o mundo a esperança nunca acabará e podemos ainda ter a chance de ter um mundo com paz. Vamos mudar o mundo.

 

 

 

 

 

 

A baleia e a borboleta

Jacques Noyer *

Não peço que se mude a Igreja. Peço que ela seja viva. Peço-lhe que permaneça fiel à sua missão, e que leve a palavra de Cristo aos nossos contemporâneos, que testemunhe o mundo renovado pelo Espírito.

Não se trata de conservá-la como um tesouro, com o risco de fazê-la um reduto de costumes ultrapassados. Não se trata de remendá-la com alguma astúcia para que sobreviva a um ou dois invernos. Trata-se de que Ela encontre os gestos e as palavras que falarão de Deus ao mundo de hoje.

Ela é a minha Igreja. Não quero me dessolidarizar dela. Assumo a sua história muitas vezes com orgulho, outras vezes com vergonha, mas sempre com resignação. Assumo tudo nela, o melhor e o pior, as cruzadas e os concílios de Alexandre VI e João Paulo II, a corte de Roma e os santos… Eu creio que esta história de homens, com seus heróis e seus relapsos, suas audácias e suas prudências, é santa pelo Evangelho que ela carrega.

Peço-lhe somente que permaneça na História sem se congelar no eterno. Peço-lhe que não sacralize seu passado a ponto de se fechar ao presente. Peço-lhe que renuncie aos sucessos mundanos e às vãs riquezas para não entristecer o Espírito que a chama.

Gostaria que ela tomasse consciência que é necessário que mude porque o mundo, que é o campo da sua missão, mudou. Gostaria que reconhecesse o trabalho do Espírito mais do que os traços do demônio. As novidades não são forçosamente valores que desaparecerão logo, mas frequentemente “sinais dos tempos”, premissas do Reino. É preciso que abra as portas da esperança, ao invés de cultivar os arquivos da nostalgia.

Ela introduziu a escola para todos. Ensinou aos homens ler e escrever. Quis que o homem crescesse, mas se angustia hoje porque seu discurso não é mais aceito. O seu “catecismo” pode ser muito rico e muito coerente, mas os adultos de hoje não esperam mais um catecismo. Esperam que ouça suas questões, ao invés de dar-lhes respostas. Preferem dialogar com Deus e não apenas que se fale d’Ele.

Denunciou os casamentos por interesse e as uniões arrumadas pelos pais. Defendeu a liberdade dos esposos e promoveu o amor no coração do casal. Mas sente-se muito surpresa, quando hoje não se aceita mais a fidelidade hipócrita de outros tempos. A Bíblia nos fala, entretanto, de uma aliança de amor permanentemente traída e renovada.

Pentecostes reuniu a diversidade dos povos no mesmo espírito. A Igreja, e a Igreja Católica em particular, fez tudo para pacificar as fronteiras e encorajar os intercâmbios. Mas hoje ela se contenta em convidar as nações ricas a reconhecer suas raízes cristãs, ignorando a mistura de populações, que estimuladas ou não, atropelam os Estados, as consciências e as nações.

A grandeza da Igreja foi sempre ficar do lado dos pobres. Mesmo quando não conseguia levar a justiça, ela consolava por sua caridade. Ainda hoje os cristãos estão presentes na busca de uma política mais justa e nas ações emergenciais caritativos. É aí que compreendemos o Cristo. É aí que se esperam encontrar seus discípulos, mas os meios de comunicação se divertem enfocando a Igreja apenas através de um Pontífice desempenhando o papel de último monarca absoluto, com um cerimonial de outra época, longe dos problemas urgentes de seu público.

Um grito como este deverá ser dirigido a quem? Uma oração como esta, dirigir a que santo? Para que endereço enviar esta correspondência? Haveria alguma chance de se mudar alguma coisa?

O peso da administração vaticana – que não é um mamute, mas uma enorme baleia encalhada na praia – dá a impressão que nada pode despertá-la. Minhas palavras não farão mais ruído do que as asas de uma borboleta sobre o dorso da baleia, mas, apesar de tudo, sabe-se que um vôo de borboletas, no hemisfério sul, pode desencadear uma tempestade no hemisfério norte. E, além disso, há muitas borboletas. E no vento que elas provocam, sopra também o Espírito.

Por que não poderiam ser capazes de despertar a baleia? Se vier uma grande maré ou uma pequena tempestade, ei-la de volta à água, leve e viva.

(Tradução de Francisco Pacheco, irmãozinho de Jesus, da Fraternidade Religiosa Carlos de Foucauld)

* Bispo emérito de Amiens, França

Publicado originalmente pela Agência Adital