chuvas

Pedagogia ecológica: proposta para evitar tragédias e salvar vidas

Marcus Eduardo de Oliveira

Inequivocamente, o homem é um agressor em potencial da natureza. Esse pouco cuidado com o meio ambiente, aprofundado enfaticamente no último meio século, já fez centenas de milhares de vítimas mundo afora.

Enquanto os horizontes do sistema de mercado priorizarem a busca incessante do lucro, pouco se importando se com isso o meio ambiente será ou não afetado, a natureza, agredida sem piedade, vai aos poucos dando seu recado.

Nessa história toda parece que continuamos – nós, o bicho-homem -, sem aprender algo substancial, enquanto vítimas e mais vítimas – humanos, animais, plantas, flores e frutos – vão tombando pelo caminho. É a vida em toda sua plenitude que está sendo dilacerada.

A recente tragédia na Região Serrana do estado do Rio de Janeiro, com vítimas fatais que aumentam a cada dia, afora o descaso do poder público que sempre fez vistas grossas para a construção de habitações nas encostas íngremes e irregulares, pois isso rende votos, é, na essência, culpa do desequilíbrio ambiental que tem, na origem, a agressão humana para com a Mãe e a Irmã Natureza.

Talvez não seja precipitado associar as fortes chuvas dos últimos dias ao aquecimento global. Um aquecimento que propicia em seu conjunto mais energia no sistema climático. No centro da questão está a agressão ambiental para atender ao sistema de produção que “reclama” mais produtos no mercado.

Enquanto grande parte de nossa gente, dos diversos estratos da sociedade, continuar a atender aos ditames do mercado engrossando os apelos do consumo voraz, insistindo em ver a natureza apenas como mero apêndice de um sistema econômico cada vez mais tacanho e perverso, capaz de construir uma “falsa” riqueza sobre os reais escombros da natureza, outras tragédias surgirão e mais e mais mortes serão computadas.

Para tentar reverter essa trágica situação, a idéia da prática de uma Pedagogia Ecológica, ou tenha isso o nome que tiver – ecopedagogia, consciência ecológica, bioeconomia, socialismo ecológico e outros -, se insere como condição essencial de aprendizagem capaz de proporcionar não só qualidade de vida, mas sim a preservação da própria vida.

Essa Pedagogia Ecológica aqui modestamente defendida, é fruto de ponderações de renomados pensadores da órbita ambiental, e tem como ponto focal pensar num mundo sustentável partindo do conhecimento pleno do ambiente aliado a uma relação harmoniosa para com a natureza.

Essa Pedagogia Ecológica, para resumirmos essa idéia em poucas palavras, pressupõe uma regência do mundo natural, em todas suas matizes, de forma a se coadunar na prática do comum e irrestrito respeito ambiental, afastando-se do consumo voraz e vendo a vida no futuro como parceira indispensável da natureza.

Na essência, trata-se de uma proposta de ecologia pedagógica que visa ensinar primeiro a respeitar o recurso natural, pois isso se reflete na qualidade de vida. Isso deverá ser ensinado nos primeiros anos de estudo, fazendo com que a garotada tenha contato inicial com a necessidade de preservar a natureza, tal qual defendemos em outro artigo que, para nossa satisfação, teve boa acolhida e ampla repercussão nos sites e boletins informativos que circulam pela internet.

Além disso, essa proposta de Pedagogia Ecológica não deverá ficar restrita aos bancos escolares. É necessário e mesmo fundamental para o sucesso dessa proposta, que isso ganhe tom de campanha nacional, veiculado em termos de propaganda televisiva no horário nobre, permitindo a possibilidade de maior consciência ecológica de todos nós.

A “linguagem” usada nessa proposta de Pedagogia Ecológica televisiva e escolar, deve ser fácil e inteligível, capaz de “chegar” a todos, do Phd que poderá reproduzir isso em sala de aula, até o mais humilde morador de uma simples habitação num pedaço de morro qualquer.

Edward Teller certa vez disse que “A ciência procura encontrar lógica e simplicidade na natureza”. Kepler, de certa forma, corroborou afirmando que “A natureza ama a simplicidade” e Newton, por sua vez, pontuou que “(…) a natureza se apraz com a simplicidade”.

Pois é com essa simplicidade, levando um discurso de reconstrução e preservação ambiental que devemos trabalhar. A hora é de unir esforços – poder público, sociedade civil, organizações não governamentais, movimentos populares, imprensa e universidade – para levar à frente essa campanha de Pedagogia Ecológica que é mais que informativa; é uma campanha de orientação e precaução de novas tragédias.

Uma vez realçada essa idéia, incorporando novos adeptos, não seria presunção afirmar que outras tragédias poderão ser evitadas. Assim, se há alguém ou algo que poderá ganhar com isso, esse “algo” é, certamente, uma “coisa” indispensável que nos foi dada com total estima: a vida.

Assegurar a vida é, antes, buscar o equilíbrio ecológico. Para isso, nada melhor que todos tenham em mente a necessidade de saber o que fazer com a natureza.

A natureza nunca foi má conosco; nós é que sempre fomos perversos com ela. É a nossa chance de retribuir o que a natureza sempre nos deu.

O preço de não escutar a natureza

Leonardo Boff

O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.

Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que distribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.

A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrário, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.

Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que aí viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.

Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam. Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.

No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais frequentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.

Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.

Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.

Nota da CNBB de solidariedade às vítimas das chuvas no RJ

“Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos em apuros, mas não desesperançados; derrubados, mas não aniquilados” (2Cor 4,8-9).

O Brasil acompanha com dor, mais uma vez, as tragédias causadas pelas chuvas em vários estados do país, neste início de ano, de maneira especial, na região serrana do estado do Rio de Janeiro, Sul de Minas, Espírito Santo e São Paulo. Causa-nos tristeza profunda o crescente número de mortos, bem como dos desabrigados que perderam seus entes queridos e assistiram à destruição inclemente de suas casas e de seus bens.

Às vítimas desta dramática situação a CNBB vem manifestar sua solidariedade, ao mesmo tempo em que conclama a sociedade brasileira a intensificar suas doações, a fim de aliviar a dor e reavivar a esperança na certeza da superação de tamanha tragédia. Este gesto será facilitado com a campanha SOS SUDESTE, que a CNBB, juntamente com a Cáritas Brasileira, acaba de lançar apresentando a Conta 1490-8, Agência 1041 – OP. 003 – Caixa Econômica Federal e também a Conta 32.000-5, Agência 3475-4, Banco do Brasil, para doações.

Muitas destas tragédias poderiam ser evitadas ou, pelo menos, minimizadas se ações preventivas fossem tomadas, considerando o histórico de regiões que, ano após ano, vivem o mesmo drama. A CNBB confia, portanto, que as autoridades competentes se comprometam eficazmente na busca de solução para que catástrofes como estas a que assistimos não se repitam, vitimando milhares de pessoas.

Elevamos a Deus nossas preces pelos que morreram e por todos que sofrem com esta tragédia. Que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, venha em socorro de seus filhos e filhas.

Brasília, 13 de janeiro de 2011

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

Campanha em favor das vítimas das enchentes

Dom Demétrio Valentini

No mesmo dia em que todos recordávamos o aniversário do terremoto no Haiti, no Brasil, todos fomos surpreendidos com as trágicas conseqüências das enchentes, em diversos estados.

A tragédia maior, em desastre ambiental, em prejuízos materiais e, infelizmente, em elevado número de vítimas humanas, concentrou-se na região da serra, no Estado do Rio de Janeiro, atingindo diretamente a região abrangida pelas dioceses de Petrópolis e de Nova Friburgo. Porém também em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, a população enfrenta as tragédias, as perdas, a morte e a desolação provocados pelos temporais.

Em momentos como este, todos nos sentimos envolvidos, identificados com o sofrimento de tantas pessoas, que se vêem atingidas por esta fatalidade inesperada.

De imediato, expressamos nossa solidariedade com todos os envolvidos nesta tragédia, incentivamos a todos os que estão procurando prestar os primeiros socorros, confiamos nas iniciativas do poder público, e na soma de esforços de todos, tão necessária em momentos como este.

A Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira, atendendo à sua missão, lançam de imediato uma campanha nacional, em favor das vítimas das enchentes. Fica aberta a conta bancária para recolher as contribuições financeiras. Como de costume, as doações podem ser depositadas diretamente em uma dessas contas:

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – AG. 1041 – OP. 003 – C/C 1490-8
BANCO DO BRASIL – AG. 3475-4 – C/C 32.000-5
CNPJ da Cáritas Brasileira: 33.654.419/0001-16

Mas sugerimos que se faça uma coleta comunitária, em dia escolhido por cada diocese. Como data conveniente, propomos o último domingo deste mês, dia 30 de janeiro.

Com nossa solidariedade fraterna queremos diminuir o sofrimento dos que sofrem mais de perto as conseqüências desta tragédia, cujas lições nos apontam o caminho das responsabilidades que precisam ser assumidas por todos.

Que Deus conforte os atingidos pela catástrofe, e abençoe a todos os que puderem colaborar.

Nota de solidariedade às vitimas das enchentes nos Estados de Pernambuco e Alagoas

CNBB

Nós, Bispos, membros do Conselho Permanente da CNBB, reunidos em Brasília, nos dias 23 a 25 de junho de 2010, acompanhamos com muita dor e pesar as noticias que nos chegam sobre as enchentes que atingiram os Estados de Alagoas e Pernambuco, ocasionando muitas vítimas e desabrigados.

Além das vítimas anunciadas pelos meios de comunicação, há milhares de pessoas sofredoras, cujos corações estão despedaçados pelas perdas irreparáveis de entes queridos, de postos de trabalho, de seus pertences, suas propriedades, suas casas e tantos outros valores afetivos e culturais que não podem ser calculados.

Manifestamos nossa solidariedade a todos os sofredores aos quais fazemos chegar nossa palavra de conforto e de esperança. Pedimos ao Deus da vida, que dê forças às pessoas que são solidárias, partilham seus dons, seu tempo, seus bens e não medem esforços para ajudar na reconstrução da vida e dos meios de sobrevivência dos irmãos penalizados pelas consequências dessa tragédia.

Acompanhamos com atenção os esforços dos órgãos públicos governamentais na busca de soluções emergenciais, enquanto aguardamos soluções estruturais. Valorizamos a ação de solidariedade das comunidades e das Igrejas locais que têm empregado esforços e estabelecido parcerias para atender às necessidades mais urgentes.

A CNBB, juntamente com a Cáritas Brasileira, convoca a todos a se empenharem na Campanha SOS Pernambuco e Alagoas. As doações podem ser depositadas no Banco do Brasil, na conta corrente 5821-1, agência 3505-X.

Mais uma vez percebemos a força do amor fraterno e os sentimentos humanitários que caracterizam nosso povo. A fé e a esperança cristã confortem a todos na reconstrução de suas vidas e de seus bens.

Suplicamos as bênçãos de Deus, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida e de São João Batista, em favor de todas as famílias enlutadas e de todos os que sofrem com as enchentes e suas consequências.

Brasília -DF, 25 de junho de 2010

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

Cáritas da Arquidiocese de São Paulo lança campanha SOS Nordeste

A Cáritas Arquidiocesana de São Paulo criou uma conta corrente para arrecadar recursos que serão repassados para cidades que têm sofrido com as chuvas na Região Nordeste, especialmente dos estados de Pernambuco e Alagoas.

SOS Nordeste – Cáritas Arquidiocesana de São Paulo
Banco Itaú
Agência: 0057
Conta Corrente: 17627-3

No domingo, dia 27, às 11h, na Catedral da Sé, D. Odilo Pedro Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, preside celebração eucarística em solidariedade a todas as pessoas que estão sofrendo com as enchentes. Na ocasião, o arcebispo abre oficialmente a Campanha SOS Nordeste, da Cáritas de São Paulo.

Para a celebração de domingo, dom Odilo convida especialmente os milhares de nordestinos que vivem na capital paulista a comparecem à catedral para rezarem pelos seus conterrâneos que estão sofrendo com os desastres causados pelas chuvas. A arquidiocese de São Paulo estuda, ainda, um meio de organizar arrecadação de gêneros alimentícios.

Cáritas lança campanha de solidariedade aos desabrigados do RJ

A Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro lançou Campanha de atendimento aos desabrigados pelas chuvas e desabamentos dos últimos dias no Estado do Rio. Todas as paróquias da Arquidiocese estão sendo mobilizadas para receber doações. São aceitos alimentos não perecíveis e de pronto consumo, além de roupas, agasalhos e água potável.

Para doações em dinheiro, foi disponibilizada a seguinte conta bancária:

BANCO BRADESCO
Agência: 0814-1
Conta: 48.500-4


A Arquidiocese de Niterói divulgou a nota abaixo em solidariedade às vítimas:

A Arquidiocese de Niterói se solidariza com todos aqueles que foram atingidos, direta ou indiretamente, pelas chuvas que caíram nos últimos dias em toda a região da nossa Arquidiocese de Niterói e outras partes do Estado. Particularmente, todos nós, clero e fiéis leigos, abraçamos os que tiveram as suas casas danificadas ou mesmo derrubadas pelo temporal, ou que sofreram a perda de seus entes queridos.

Comunicamos que disponibilizamos as paróquias de São Lourenço (Ponto Cem Réis) e de Nossa Senhora Auxiliadora (Salesiano – Santa Rosa) como locais de recebimento de mantimentos e roupas para os desabrigados.

Desde já agradecemos àqueles que puderem colaborar neste momento de dor, ajudando também no soerguimento dessas pessoas e na reconstrução de suas moradias.

Deixamos a nossa bênção a todos, certos de que o próprio Cristo será o nosso amparo – Ele, nosso Salvador, nossa Esperança.

D. Fr. Alano Maria Pena OP
Arcebispo Metropolitano de Niterói

Dom Roberto Francisco Ferrería Paz
Bispo Auxiliar de Niterói

Santuário de Aparecida se mobiliza por vítimas das enchentes

O Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo, inicia campanha em solidariedade às vítimas das enchentes de São Luiz do Paraitinga (SP). Serão enviados para a cidade três carregamentos de mantimentos, com previsão de saída do primeiro às 15h de hoje, dia 5. Serão arrecadadas cestas básicas, velas, roupas e água potável.

A campanha terá duração de duas semanas. E há a possibilidade de que mais dois carregamentos sigam com as doações para São Luiz na segunda-feira, 11, e no dia 18.

O Santuário enviará também todas as doações de alimentos feitas diariamente pelos romeiros e devotos de Nossa Senhora Aparecida.

“Habitualmente recebemos no Santuário Nacional doações de devotos da Mãe Aparecida, fruto de promessas e agradecimentos pela intercessão de Maria Santíssima. Esse material, que durante todo o ano repassamos às entidades assistenciais do município, será, nas próximas duas semanas, somado àquele que também doado pelas pessoas da cidade”, explicou o reitor do Santuário Nacional, padre Darci Nicioli.

Os interessados podem entregar as doações na Tribuna Papa Bento XVI (em frente a Basílica), durante todos os dias, até 18 de janeiro, das 8h às 17h, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Região Belém solidária às vítimas das chuvas

Atenta aos trágicos acontecimentos, resultantes de severas enchentes e graves deslizamentos de terra que, nestes últimos dias, têm ceifado vidas e desalojado centenas de famílias em nossa cidade, a Região Episcopal Belém, da Arquidiocese de São Paulo, por meio de seu bispo-auxiliar, Dom Pedro Luiz Stringhini, bem como suas pastorais sociais, vem manifestar pesar e solidariedade a todas as pessoas atingidas por esses lamentáveis eventos.

Com a continuidade das chuvas e a precariedade nas condições habitacionais de imensa quantidade de famílias nas áreas mais humildes de nossa cidade, em particular em sua Zona Leste, tais acontecimentos tendem a se repetir, aumentando, mais e mais, o já assustador número de vítimas. Momentos como esse urgem tomadas de posturas incisivas por parte do Poder Público, dos segmentos organizados da sociedade e de todos os demais membros da população. Percebe-se o quanto é urgente a elaboração e execução de políticas públicas ousadas e imediatas em vista da superação desse tipo de situação que, já tão conhecida, não se pode aceitar que continue se repetindo a cada ano.

A Região Belém, mantendo-se em oração, roga a proteção de Deus a todas as famílias envolvidas nesse momento de dor, e espera que, apesar de tudo, possam, contando com a solidariedade e ajuda a que têm direito, vivam um Natal digno e feliz, com as bênçãos de Deus, cujo Filho nasce pobre “para nos enriquecer com sua pobreza” (2Cor 8,9).

Cáritas arrecada doações para vítimas das chuvas

Nos últimos meses, as regiões Norte e Nordeste sofreram os efeitos das fortes chuvas. Milhares de pessoas ficaram desabrigadas por causa das enchentes. Para tentar amenizar os transtornos sofridos, as Cáritas Arquidiocesanas e Diocesanas, em parceria com as igrejas locais, estão promovendo campanhas de doação de alimentos, roupas, cobertores e água potável (filtros).

Cada estado está se articulando para atender a população atingida. No Maranhão, mais de 137 mil pessoas foram afetadas pelas enchentes nos 41 municípios, sendo que 29 estão em situação de emergência. Dia 9 de maio, sábado, a Cáritas Regional e o Clube do Choro lançaram uma campanha de solidariedade durante um sarau de música. Após o evento, foi contabilizado o saldo de 525 kg de alimentos não-perecíveis, 80 peças de roupas e R$ 605,00. Todo dinheiro arrecadado será revertido em favor das vítimas. As doações também podem ser feitas na sede da Cáritas em São Luís.

De acordo com Ricarte Almeida, coordenador da Cáritas Brasileira Regional do Maranhão, as campanhas de apoio às vitimas das enchentes estão sendo muitas, mas ainda é preciso mais.

“As pessoas estão muito tocadas com o que está acontecendo e os atos de solidariedade estão sendo muitos. Moradores de outros estados e países nos procuram para oferecer ajuda, no entanto, precisamos fazer mais. O Maranhão tem atualmente cerca de 170 mil atingidos. Precisamos discutir com o Estado políticas públicas permanentes para evitar que a chuva não submeta tantas pessoas a essa situação de calamidade. O quadro é complicado e só tende a se agravar a cada ano”.

No Piauí, a quantidade de vítimas das chuvas ultrapassa o número de 36 mil. A cidade mais atingida no estado foi Esperantina, onde 4 mil pessoas encontram-se desabrigadas. As doações podem ser feitas em todas as paróquias da Arquidiocese de Teresina. Além da doação dos itens de primeira necessidade, também estão sendo arrecadados brinquedos para tentar amenizar o sofrimento das crianças que estão nos abrigos. Quem puder disponibilizar seu tempo também será bem vindo. As paróquias estão necessitando da ajuda voluntária para receber e separar os produtos.

Em outros Estados a situação não é diferente. No Ceará, de acordo com dados da Defesa Civil, 69 municípios foram atingidos pelas águas, 12 pessoas morreram, 140 estão feridas, 16.311 perderam tudo e estão desabrigadas. Já o Pará (na região Norte) está enfrentando a maior enchente de sua história. E no Amazonas, o governo decretou situação de emergência em todo o Estado.

Com a intensificação das chuvas, a Cáritas Nacional em conjunto com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pretende lançar uma campanha nacional de mobilização para ajudar os desabrigados pela chuva. Quem puder fazer doações em dinheiro para socorro imediato às vítimas, reconstrução de casas e recuperação dos meios produtivos poderá fazer o depósito nas contas disponibilizadas pela Cáritas.

Serviço:
Cáritas Brasileira Brasileira – SOS NORTE E NORDESTE
• Banco do Brasil: Agência 3475-4, c/c: 23091-X
• Banco Bradesco: Agência 606, c/c: 68000-1
• Caixa Econômica Federal: Agência 1041, operação 003, c/c: 935-1