Maranhão

CNBB divulga nota sobre sistema carcerário do país

Uma nota sobre o sistema carcerário do país foi apresentada pela presidência da CNBB em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira, 6 de fevereiro. Participaram da coletiva o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Conferência, cardeal Raymundo Damasceno Assis, e o secretário geral, dom Leonardo Steiner. A nota foi produzida pelo Conselho Episcopal Pastoral (Consep), que esteve reunido de 4 a 6 de fevereiro, em Brasília.

No texto, os bispos manifestam repúdio aos episódios de violência ocorridos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís (MA). Foram 60 mortes em 2013 e três no último mês de janeiro. “A falência do nosso sistema prisional é sustentada pela política de encarceramento em massa e comprovada pelas desumanas condições dos presídios, por denúncias de práticas de torturas, por despreparo de agentes penitenciários”, apontam os bispos.

Ao final,  a CNBB reafirma seu compromisso de contribuir para a promoção de uma cultura de paz. Confira a íntegra do texto:

Nota da CNBB sobre o sistema carcerário do país

“Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltradados, pois também vós tendes um corpo!”(Hb 13,3)

O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília, nos dias 4 a 6 de fevereiro, vem manifestar repúdio aos graves fatos ocorridos neste início de ano no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, no Maranhão, com repercussão mundial. Foram 60 mortes em 2013 e três no último mês de janeiro, algumas com decapitações e esquartejamentos, provocadas pelos próprios presos.

Unimo-nos aos bispos do Maranhão que, em nota, condenaram “o clima de terror e medo vivido na cidade de São Luís”, consequência da violência no Complexo de Pedrinhas. Com eles afirmamos: “A nossa sociedade está se tornando cada vez mais violenta. É nosso parecer que essa violência é resultado de um modelo econômico-social que está sendo construído”.

Esse modelo produz a desigualdade social, uma das maiores causas da violência. Entende-se, assim, que a maior parte da população carcerária seja de pobres, jovens e negros. Combater esta desigualdade é caminho para a segurança a que a população aspira como nos lembra o papa Francisco: “Enquanto não se eliminarem a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos, será impossível desarraigar a violência” (EG 59).

Não podemos assistir passivamente à violação da dignidade humana como ocorre nos presídios brasileiros e em inúmeras situações de violência que grassa no país. É lamentável que o Estado e a Sociedade só tenham olhos para a situação carcerária quando os presídios são palco de cenas estarrecedoras como as do Maranhão. Nesses casos, soluções emergenciais não enfrentam os problemas nas suas raízes nem levam a reformas estruturais que requer o atual sistema penitenciário.

A falência do nosso sistema prisional é sustentada pela política de encarceramento em massa e comprovada pelas desumanas condições dos presídios, por denúncias de práticas de torturas, por despreparo de agentes penitenciários. Soma-se a isso o fato de que dos mais de 500 mil detentos, cerca de 40% aguardam julgamento da justiça, além dos milhares com penas já vencidas. Como compreender uma situação dessas?

É urgente uma reforma do sistema carcerário que estabeleça metas claras para a solução dos problemas enfrentados pelos presídios, além da criação de um grupo ou programa de monitoramento de implementação destas metas. Levem-se a sério a justiça restaurativa, proposta pela ONU, e a Escola de Perdão e Reconciliação (ESPERE), defendida pela Pastoral Carcerária, como alternativas à política de encarceramento em vigor no país.

Para esse fim devem se unir Executivo, Legislativo e Judiciário, contando sempre com a indispensável participação da sociedade civil.

A Igreja no Brasil tem dado sua contribuição para a afirmação de uma cultura de paz, seja pela realização de três Campanhas da Fraternidade sobre a violência (1983), encarcerados (1997) e segurança pública (2009), seja por meio da atuação da Pastoral Carcerária e de outros grupos de defesa e promoção dos direitos humanos. Fiel à sua missão evangelizadora, ela continua à disposição para colaborar na busca de soluções que estanquem a violência, assegurem a paz e estabeleça a justiça nos presídios e na sociedade.

Que Deus nos ilumine e nos dê sabedoria para juntos trilharmos os caminhos da justiça e da paz!

Brasília, 6 de fevereiro de 2014

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís
Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

Cáritas arrecada doações para vítimas das chuvas

Nos últimos meses, as regiões Norte e Nordeste sofreram os efeitos das fortes chuvas. Milhares de pessoas ficaram desabrigadas por causa das enchentes. Para tentar amenizar os transtornos sofridos, as Cáritas Arquidiocesanas e Diocesanas, em parceria com as igrejas locais, estão promovendo campanhas de doação de alimentos, roupas, cobertores e água potável (filtros).

Cada estado está se articulando para atender a população atingida. No Maranhão, mais de 137 mil pessoas foram afetadas pelas enchentes nos 41 municípios, sendo que 29 estão em situação de emergência. Dia 9 de maio, sábado, a Cáritas Regional e o Clube do Choro lançaram uma campanha de solidariedade durante um sarau de música. Após o evento, foi contabilizado o saldo de 525 kg de alimentos não-perecíveis, 80 peças de roupas e R$ 605,00. Todo dinheiro arrecadado será revertido em favor das vítimas. As doações também podem ser feitas na sede da Cáritas em São Luís.

De acordo com Ricarte Almeida, coordenador da Cáritas Brasileira Regional do Maranhão, as campanhas de apoio às vitimas das enchentes estão sendo muitas, mas ainda é preciso mais.

“As pessoas estão muito tocadas com o que está acontecendo e os atos de solidariedade estão sendo muitos. Moradores de outros estados e países nos procuram para oferecer ajuda, no entanto, precisamos fazer mais. O Maranhão tem atualmente cerca de 170 mil atingidos. Precisamos discutir com o Estado políticas públicas permanentes para evitar que a chuva não submeta tantas pessoas a essa situação de calamidade. O quadro é complicado e só tende a se agravar a cada ano”.

No Piauí, a quantidade de vítimas das chuvas ultrapassa o número de 36 mil. A cidade mais atingida no estado foi Esperantina, onde 4 mil pessoas encontram-se desabrigadas. As doações podem ser feitas em todas as paróquias da Arquidiocese de Teresina. Além da doação dos itens de primeira necessidade, também estão sendo arrecadados brinquedos para tentar amenizar o sofrimento das crianças que estão nos abrigos. Quem puder disponibilizar seu tempo também será bem vindo. As paróquias estão necessitando da ajuda voluntária para receber e separar os produtos.

Em outros Estados a situação não é diferente. No Ceará, de acordo com dados da Defesa Civil, 69 municípios foram atingidos pelas águas, 12 pessoas morreram, 140 estão feridas, 16.311 perderam tudo e estão desabrigadas. Já o Pará (na região Norte) está enfrentando a maior enchente de sua história. E no Amazonas, o governo decretou situação de emergência em todo o Estado.

Com a intensificação das chuvas, a Cáritas Nacional em conjunto com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pretende lançar uma campanha nacional de mobilização para ajudar os desabrigados pela chuva. Quem puder fazer doações em dinheiro para socorro imediato às vítimas, reconstrução de casas e recuperação dos meios produtivos poderá fazer o depósito nas contas disponibilizadas pela Cáritas.

Serviço:
Cáritas Brasileira Brasileira – SOS NORTE E NORDESTE
• Banco do Brasil: Agência 3475-4, c/c: 23091-X
• Banco Bradesco: Agência 606, c/c: 68000-1
• Caixa Econômica Federal: Agência 1041, operação 003, c/c: 935-1