mês das missões

Comunidade se solidariza com vítimas de incêndio na favela da 21 de abril

Comunidade se solidariza com vítimas de incêndio na favela da 21 de abril

A comunidade São Miguel Arcanjo organizou uma campanha de apoio e solidariedade às vítimas do incêndio na favela da 21 de abril, ocorrido sexta-feira. No final da missa das 7h de sábado, 11/10, José, um dos feridos, esteve na igreja pedindo ajuda. Foi socorrido e levado ao hospital, onde permanece internado para tratar as queimaduras.

Na missa das 10h de domingo, alguns moradores da favela, entre eles o menino Jesus, relataram a situação em que se encontram e pediram a doação de água e leite. Pe. Julio reforçou o apelo e convidou os paroquianos a fazer uma carreata com as doações até o local do incêndio. A comunidade se comunicou pelo Facebook e pelos grupos de WhatsApp e às 15h a igreja estava lotada de água, leite e outros produtos. Dezenas de carros e voluntários foram até a favela levar o material.

Os moradores agradeceram o apoio e muitos se emocionaram com a presença do Pe. Julio, conhecido de vários deles.

Quem ainda quiser e tiver condições de ajudar, pode levar a colaboração na paróquia, nos seguintes horários: de segunda, terça, quinta e sexta-feira, das 7h30 às 17h30. Sábado, das 7h30 às 11h30. Domingo, após às 17h.

Nos avisos da semana, o Pe. Julio relembrou momentos dessa mobilização. Antes, falou da continuidade dos estudos bíblicos aos domingos, às 17h, do almoço com os jovens que será realizado no próximo domingo, 19/10, e da campanha missionária que este ano tem como tema o tráfico humano e o trabalho escravo:

No final da missa da solenidade de Nossa Senhora Aparecida, o Pe. Julio percorreu a igreja São Miguel Arcanjo com a imagem de Maria para que os fieis pudessem agradecer e homenagear a mãe de Jesus.

Outubro missionário

Estamos em pleno mês de outubro, “mês das missões” para a Igreja. Muitas iniciativas, por toda parte, recordam-nos que somos um povo missionário, chamado a viver “em estado permanente de missão”.

O papa Francisco, no final da Jornada Mundial da Juventude do Rio, enviou os jovens para serem missionários do Evangelho no meio do mundo. “Ide, sem medo, para servir!”, foi com essas três palavras que fez o envio de mais de 3 milhões de missionários para os quatro cantos do mundo.

O cristão, discípulo de Jesus Cristo, não pode perder de vista o mandato missionário feito por Jesus na origem da Igreja: “Ide, pregai o Evangelho a toda criatura” (cf. Mc 16,15). Essa ordem de Cristo não cessou de valer, nem pode ser ignorada: somos um “povo em missão”. Temos uma boa notícia para anunciar a todos; muitos ainda não a conhecem e também têm o direito de se alegrar com a “Boa Nova da salvação”.

A vida do cristão é uma constante resposta a esse “ide”, de Jesus, que também prometeu: “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (cf. Mt 28,20). E o Papa encorajou os jovens: “Ide, sem medo!” Sim, apesar de a Mensagem ser bela e de grande esperança, ela é também desafiadora e chama à conversão.

Ela vai muitas vezes contra a lógica e as tendências dominantes do ambiente circunstante. Por isso, os discípulos missionários podem ser tentados de medo e de desânimo, sobretudo diante das cruzes, renúncias e martírios a que estão expostos. A superação do medo vem da certeza de que ele os acompanha e também já passou por isso: “O Reino de Deus sofre violência e só os corajosos o alcançam” (cf. Mt 11,12).

O medo pode tomar jeito de respeito humano, acomodação ou desânimo. A vida cristã sem brilho e ardor é como fogueira apagada, que não atrai nem comunica mais calor; pior que isso, tende a virar apenas cinza… A Igreja missionária precisa recobrar o ardor da fé e a chama da esperança; foi assim que os santos e os mártires tornaram-se os maiores missionários, que continuam a atrair para Jesus Cristo mesmo depois de terem deixado este mundo. O “medo” leva a desprezar e ocultar o dom recebido; foi isso que fez o “servo mau e preguiçoso” do Evangelho; ao responder ao seu senhor que lhe pedia contas da moeda emprestada, ele alegou: “Tive medo do senhor e escondi na terra o talento que me confiaste” (cf. Mt 25, 25-26).

O anúncio do Evangelho do Reino de Deus é um grande serviço prestado ao próximo, quer considerado individualmente, quer comunitariamente. O serviço ao próximo lembra o que fez Jesus: “Veio para servir, e não para ser servido” (cf. Mt 20,28). Há muitos modos de se colocar a serviço do próximo. O anúncio claro do Evangelho é um serviço inestimável aos outros; quem acende uma luz e ilumina o caminho da sociedade com a sabedoria da Palavra de Deus está oferecendo a coisa mais importante do mundo.

Neste mês missionário, no qual também recordamos Nossa Senhora do Rosário, aprendamos dela a nos colocar a serviço de todos. Ela, sem medo, disse: “Eis-me aqui, eu sou a serva do Senhor” (cf. Lc 1,38). Em sua disposição para acolher, sem medo, o convite para servir a Deus e a humanidade, ela deu ao mundo o Salvador… Nossa Senhora interceda pela Igreja missionária!

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo
@DomOdiloScherer

Santa Teresinha e o centro da fé cristã

D. Odilo Pedro Scherer

Entramos em outubro, mês das missões, recordando Santa Teresinha, padroeira dos missionários. Há alguns anos, a pequena e jovem grande santa, tão querida do povo, foi proclamada “Doutora da Igreja” pelo papa João Paulo 2º. Doutores da Igreja são grandes intérpretes e expositores da fé cristã e são reconhecidos assim porque deram uma contribuição extraordinária à compreensão e à exposição do “mistério” de nossa fé.

Qual foi a contribuição dessa santinha, que entrou no Carmelo com apenas 15 anos de idade, após uma licença especial arrebatada pessoalmente do coração do papa, olho no olho do pontífice estupefato… Qual é o ensinamento, para toda a Igreja, dessa jovem carmelita, falecida aos 24 anos de idade, sem ter escrito mais que cartas, poesias e sua história autobiográfica?

O caminho para a santidade vivido por Santa Teresinha passou a ser chamado “a pequena via”, ou “o caminho da infância espiritual”. Ela viveu um constante relacionamento filial e familiar com Deus, como criança que se sente profundamente querida e amada pelo pai. E, a partir dessa atitude, ela compreendia e vivia a mística correspondente, através da oração constante, da resposta de amor traduzida como obediência a Deus, da preocupação missionária para que também os outros compreendessem o amor misericordioso de Deus. Ela ardia de zelo missionário e mantinha contato, por cartas, com muitos missionários em várias partes do mundo.

Também dessa interpretação genuína da vida cristã, como relação filial e familiar com Deus, Santa Teresinha compreendia e interpretava a fé professada pela Igreja, bem como a vida moral daí decorrente enquanto prática vivida do amor a Deus, que leva a evitar tudo o que ofende a Deus e ao próximo, ou que não convém à dignidade dos filhos de Deus, e a praticar toda virtude que enobrece o agir cristão e também manifesta aos outros o amor de Deus.

Não seria isso sonho e fantasia de uma adolescente ainda não provada pelos rigores da vida real? Quem lê a história autobiográfica da santa verá que não é assim; embora muito jovem, ela foi muito provada. O certo é que ela compreendeu bem e traduziu na própria vida o ensinamento central da fé cristã: Deus nos ama muito, como um pai ama seus filhos. Dessa afirmação está repleta a Sagrada Escritura. A própria vinda do Filho de Deus a este mundo, fazendo-se solidário conosco, e que é o fato central da revelação bíblica, testemunha isso mesmo: “Deus tanto amou este mundo, que lhe entregou seu próprio Filho” (cf Jo 3,16). E Jesus nos ensinou a chamar Deus de “nosso Pai” (cf Mt 6,9)

O cristianismo, antes e mais que a afirmação de uma doutrina ou de uma via moral, é a afirmação de uma realidade e de um grande fato: Deus vem ao encontro do homem e o “salva”, ou seja, tira-o de sua indigência, da sua angústia, do seu limite natural e o eleva a uma condição sobrenatural. Tudo decorre daí. Deus nos chama para o encontro familiar com ele, no qual o homem não é diminuído ou anulado, mas recebe uma plenitude que ele próprio nunca poderia alcançar por si mesmo. A salvação anunciada pela fé da Igreja, coerente com o Evangelho, não nos fala apenas da comunicação de “bens de Deus” a nós, mas da participação na “casa do Pai”, ou seja, da vida com Deus. É assim que nós cremos; é isso que a Igreja anuncia.

No Batismo, pela adesão de fé a Deus, por Jesus Cristo, no dom do Espírito Santo, recebemos a participação na vida sobrenatural – vida divina – já neste mundo; e somos chamados a viver uma relação familiar com Deus já nesse mundo. Essa é a realidade mais bonita e esperançosa da nossa fé, decorrente do Evangelho. Não é fantasia, mas é o cerne do Evangelho, anunciado e testemunhado pelos apóstolos, os santos, os mártires, os verdadeiros pastores e doutores da fé, ao longo dos séculos. Santa Teresinha o fez de maneira simples e extraordinária! E nós, como discípulos de Cristo, somos convidados a viver esta “vida nova” e a transmitir, como missionários, esse “belo anúncio” aos outros. Todos precisam saber disso! Não podemos guardar isso só para nós!