jovem

Comunidade se solidariza com vítimas de incêndio na favela da 21 de abril

Comunidade se solidariza com vítimas de incêndio na favela da 21 de abril

A comunidade São Miguel Arcanjo organizou uma campanha de apoio e solidariedade às vítimas do incêndio na favela da 21 de abril, ocorrido sexta-feira. No final da missa das 7h de sábado, 11/10, José, um dos feridos, esteve na igreja pedindo ajuda. Foi socorrido e levado ao hospital, onde permanece internado para tratar as queimaduras.

Na missa das 10h de domingo, alguns moradores da favela, entre eles o menino Jesus, relataram a situação em que se encontram e pediram a doação de água e leite. Pe. Julio reforçou o apelo e convidou os paroquianos a fazer uma carreata com as doações até o local do incêndio. A comunidade se comunicou pelo Facebook e pelos grupos de WhatsApp e às 15h a igreja estava lotada de água, leite e outros produtos. Dezenas de carros e voluntários foram até a favela levar o material.

Os moradores agradeceram o apoio e muitos se emocionaram com a presença do Pe. Julio, conhecido de vários deles.

Quem ainda quiser e tiver condições de ajudar, pode levar a colaboração na paróquia, nos seguintes horários: de segunda, terça, quinta e sexta-feira, das 7h30 às 17h30. Sábado, das 7h30 às 11h30. Domingo, após às 17h.

Nos avisos da semana, o Pe. Julio relembrou momentos dessa mobilização. Antes, falou da continuidade dos estudos bíblicos aos domingos, às 17h, do almoço com os jovens que será realizado no próximo domingo, 19/10, e da campanha missionária que este ano tem como tema o tráfico humano e o trabalho escravo:

No final da missa da solenidade de Nossa Senhora Aparecida, o Pe. Julio percorreu a igreja São Miguel Arcanjo com a imagem de Maria para que os fieis pudessem agradecer e homenagear a mãe de Jesus.

Grupo de jovens visita casa da Missão Belém

No final da missa das 18h, o Pe. Julio pediu aos jovens para contar a experiência de visitar uma das casas da Missão Belém, que acolhe moradores de rua. Ele voltou a falar do ECC – Encontro de Casais com Cristo – e lembrou que dia 24/11, Domingo de Cristo Rei, será o encerramento do Ano da Fé – veja nos avisos da semana:

Para encerrar, a comunidade cantou “Utopia”, de Zé Vicente:

Encontro de Catequese para o Ano da Fé será sexta-feira, 13

Na sexta-feira, 13, a comunidade realiza o encontro de catequese de adultos, como parte das reflexões sobre o Ano da Fé. Será às 20h na igreja São Miguel. Veja nos avisos da semana, que traz também informações sobre a eleição para o Conselho Participativo Municipal, sobre São Pedro Claver, cujo dia é celebrado em 9 de setembro, e sobre a Festa de São Miguel Arcanjo, que acontece dia 29, último domingo do mês:

JMJ: reunião preparatória será sábado, às 15h, na igreja

A comunidade São Miguel Arcanjo receberá 44 jovens italianos na Semana Missionária, que antecede a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). No sábado, 29/06, haverá reunião preparatória para famílias acolhedoras, voluntários e outros interessados, a partir das 15h na igreja São Miguel Arcanjo. Veja mais detalhes nos avisos da semana:

A tragédia de Santa Maria

Dom Demétrio Valentini

Tão fácil não será esquecida a cena que logo foi difundida pelo mundo. De um momento para outro, em questão de minutos, o que era uma festa alegre e descontraída, se tornou um desastre de consequências terríveis e inesperadas. Mais de duzentas pessoas acabaram morrendo subitamente, mal tendo tempo para se darem conta da fatalidade que se abatia de repente sobre elas.

Perderam a vida, lá onde tinham ido para comemorá-la. De repente, o que devia ser um ambiente seguro e propício para a alegria e o divertimento, se tornou uma terrível armadilha, de onde foi difícil escapar, mesmo para aqueles que conseguiram sair de suas garras.

Diante de um fato trágico como este, que implicou a morte de centenas de pessoas, num primeiro momento nos invade o sentimento de impotência, face a realidades que impiedosamente vão ceifando pessoas, tirando-lhes o dom mais precioso, imprescindível, e insubstituível, que é a própria vida.

A difusão da notícia foi suscitando um turbilhão de sentimentos. Todos nos imaginamos como teria sido diferente se em tempo o incêndio pudesse ter sido evitado. Teria sido tão fácil agir com antecedência, ficou tão difícil enfrentar as consequências.

Esta constatação faz logo pensar na medida indispensável que precisa sempre ser tomada, de prevenção adequada a ser feita, com a suficiente garantia e com medidas generosas, mesmo que pareçam exageradas quando vistas fora de nossas previsões de acidentes inesperados que possam acontecer.

Esse fato deixará certamente muitas lições práticas, a serem tiradas por todos. De maneira especial pelas autoridades encarregadas de urgirem a segurança em qualquer ambiente de aglomeração humana.

Mas antes de pensar nas providências que esta tragédia vai certamente despertar, todos nos sentimos ainda envolvidos e solidários com as pessoas que mais de perto estão agora experimentando a dureza deste drama que se abateu sobre elas, de maneira tão terrível e inesperada.

Para os que morreram, podemos ter uma certeza iluminadora, seja qual for a forma que toma nossa fé e nossa esperança. Com serenidade, para eles, podemos cultivar a certeza de que terão se encontrado com o Deus da vida, que os acolheu com misericórdia, ternura e bondade, fazendo com que passassem diretamente da festa nesta vida, para o banquete definitivo, mesmo que isto tenha acontecido em hora tão inesperada.

Esta certeza a respeito de todos os falecidos nesta tragédia serve de principal conforto para os sobreviventes, seja os que estavam na festa e conseguiram sobreviver, seja para as famílias, para os parentes e amigos dos falecidos.

Assim mesmo, sabemos que a dor persiste e vai ser levada para a vida inteira. E diante desta dor humana, a melhor atitude é o respeito, o silêncio, e a solidariedade com todos e cada um.

São muitas as reflexões que este triste acontecimento suscita. Ainda mais diante do fato de ter envolvido especialmente jovens, neste ano em que a Campanha da Fraternidade tem como tema a juventude, e como evento principal o encontro mundial do Papa com os jovens, aqui no Brasil.

A seu tempo, estas reflexões precisarão ser bem recolhidas, para serem transformadas em lições de vida.

Impressiona a constatação de que a grande maioria das vítimas deste incêndio, não morreu queimada. Morreu por inalar fumaça tóxica produzida pelo fogo. Esta circunstância é carregada de simbolismo. Quando se queimam valores, se abandonam critérios éticos, se esquecem recomendações da prudência e da sabedoria tradicional, o perigo mora nas consequências! Parece inócuo prescindir destas referências. Mas, a seu tempo, o resultado se manifesta.

É urgente identificar onde mora na sociedade de hoje a fumaça tóxica que ceifa vidas e impede sua realização plena. Que este triste episódio de Santa Maria sirva de alerta a todos.

Comunicação digital e a Igreja

O fenômeno da midiatização do sagrado está cada vez mais presente nos meios de comunicação. Hoje existe uma coisa chamada “ciber-religião” que se resume a experiências religiosas que ocorrem no ciberespaço e na cibercultura. Acredito que a Igreja Católica precisa melhorar muito neste campo. A sociedade contemporânea vive em um mundo que é multiplataforma (equipamentos) e digital. A cultura das pessoas e, especificamente, a dos jovens, modificou-se profundamente. Hoje, o jovem está no Facebook, Youtube, Twitter, Orkut, Blogs, iPhones etc. As informações são obtidas muito mais de modo digital do que nos meios convencionais. Tudo isso apresenta um enorme desafio para a Igreja Católica, que deve comunicar com os técnicos e linguagem da mídia, a mensagem evangélica de uma maneira rápida, contemporânea e adequada.

Quando Jesus falou sobre o Reino de Deus, Ele usou elementos da cultura e ambiente daquela época: o rebanho, a figueira, o banquete, as sementes, a festa do casamento, o joio e o trigo etc. Nós não podemos falar hoje como falávamos trinta ou até vinte anos atrás. Hoje a cabeça do jovem e sua percepção é outra. O Beato João Paulo ll definiu os mass media como “o primeiro areópago dos tempos modernos” declarando que “não é suficiente, portanto, usá-los para difundir a mensagem cristã, mas é necessário integrar a mensagem nesta ‘nova cultura’ criada pelas modernas técnicas de comunicação”. No ano passado, no Dia Mundial das Comunicações, o Papa Bento XVl afirmou “que a web (rede) não é mais instrumento, mas um ambiente de vida” e convidou as pessoas “não a usar bem a rede, mas a viver bem no tempo da rede”. Precisamos, portanto, transmitir profissionalmente a mensagem cristã por todas as plataformas.

No site, o público pode acessar uma rádio online, participar de fóruns e chats, ler artigos, adquirir produtos na loja virtual e até fazer cursos à distância. Há igrejas não católicas que perceberam logo a importância do ciberespaço e da cibercultura para comunicar e difundir suas mensagens religiosas. Houve enorme sucesso neste investimento por eles. A Igreja Católica precisa entrar nestes espaços com seus programas de evangelização. O depósito da verdade cristã precisa ser transmitido por todas as plataformas disponíveis. Estes programas, levando em consideração a lógica da rede e suas potentes metáforas que trabalham sobre o imaginário, devem incluir: leituras e explicações Bíblicas; o modo de compreender a Igreja e a comunhão eclesial; eventos litúrgicos; orientações sobre os sacramentos e os temas clássicos da teologia moral católica. A Igreja precisa enfrentar com coragem os novos desafios que o ciberespaço e a cibercultura nos trouxeram para compreender e usar as várias plataformas na comunicação digital por fins de evangelização.

*É missionário redentorista, prof. da UFC e assessor da CNBB Reg. NE1

Postado por 

Arquidiocese celebra Dia Nacional da Juventude

Centenas de jovens da Arquidiocese de São Paulo celebraram o Dia Nacional da Juventude (DNJ) neste domingo (6), no Colégio Luiza de Marillac, na zona norte da capital.

A data, que foi comemorada na maior parte do país no dia 30 de outubro, em São Paulo, foi adiada para o dia 6 de novembro, devido à realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), no último domingo, o que impediria a participação de muitos jovens.

O evento, que começou às 12h30, contou com apresentações culturais de jovens de diferentes expressões juvenis, como o movimento dos Focolares, a Comunidade Católica Shalom e a Pastoral da Juventude (PJ).

Também aconteceram oito oficinas temáticas que aprofundaram o tema do DNJ deste ano, protagonismo da mulher. Mais de 200 jovens participaram das reflexões envolvendo a realidade da mulher, desde a dimensão teológica, passando pela realidade social, questões de gênero, e sobre o lugar da mulher na própria Igreja. “Nós queremos, com esse DNJ, também lembrar e valorizar a presença da mulher na nossa Igreja”, ressaltou Nei Marcio de Oliveira Sá, secretário executivo do Setor Juventude da Arquidiocese de São Paulo (Sejusp).

Nei recordou que esse evento aconteceu logo depois do Bote Fé, a festa de acolhida dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), realizado em 18 de setembro. Por isso, foi pensado em um evento menor, que proporcionasse a oportunidade de refletir o tema do DNJ e celebrar a data.

O Setor Juventude é formado pelas pastorais, movimentos, associações, novas comunidades, e congregações religiosas que trabalham com a juventude na Arquidiocese.

Às 16h foi celebrada uma missa, presidida por dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar de São Paulo e referencial do Sejusp, e concelebrada pelos bispos auxiliares dom Joaquim Justino Carreira e dom Tomé Ferreira da Silva, e alguns padres.

Na homilia, dom Tarcísio ressaltou a Solenidade de Todos os Santos, celebrada neste domingo no Brasil. “Somos uma grande multidão de santos”, afirmou o bispo, lembrando que o Beato João Paulo 2º sempre dizia para os jovens: “Sede santos!”.

“Hoje nós celebramos aquela multidão que está no coração de Deus. Que estão diante de Deus e que conduzem a sua vida diante de Deus”, completou dom Tarcísio.

No final da missa, jovens homenagearam Nossa Senhora e mulheres que marcaram a história pelo seu testemunho – Zilda Arns, Santa Paulina, Beata Dulce dos Pobres, irmã Dorothy Stang, e Maria da Penha (que deu nome à lei que tornou mais rigorosa a punição para os casos de agressão às mulheres).

Veja a cobertura completa do DNJ 2011 na edição de 8/11 do jornal O SÃO PAULO.

Cardeal Scherer saúda jovens

O arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer, compareceu ao evento, mas não presidiu a missa, pois está se recuperando de uma forte gripe, que o impossibilita de falar por muito tempo. Mas ele não deixou de, logo no início da missa, deixar sua saudação à juventude.

Dom Odilo recordou a realização do Bote Fé e ressaltou que o evento foi um momento muito importante da juventude de São Paulo e do Brasil. “Vocês [jovens] acolheram a Cruz da jornada, dando início à preparação da Jornada Mundial da Juventude do Brasil, que será realizada em 2013”.

O cardeal motivou os jovens acompanharem esse momento de preparação da JMJ. “Seria muito bonito que os jovens ficassem ‘ligados’ à passagem da Cruz pelos muitos lugares por onde ela vai peregrinando”, afirmou dom Odilo, lembrando, ainda, que antes da jornada, também haverá as pré-jornadas e possivelmente a Arquidiocese acolherá muitos peregrinos de vários países.

O arcebispo também convidou os jovens a aderirem às propostas do Setor Juventude arquidiocesano, “para que a juventude possa estar no compasso da vida da Igreja aqui em São Paulo”.

“Nós queremos ser Igreja discípula missionária na cidade de São Paulo, diante das muitas problemáticas que nós temos”, salientou dom Odilo, chamando a atenção para o fato de que a fé não está sendo transmitida para as novas gerações. “Quantos jovens não estão mais ligados à Igreja. Muitos jovens casais não batizam mais as crianças. Não levam mais as crianças para a Iniciação à Vida Cristã”, afirmou dom Odilo, exortando aos jovens a não perderam de vista a responsabilidade de evangelizadores da família.

Deus está de volta

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Não chega a ser uma novidade o fato de estarmos assistindo, já há algum tempo, a certo “reencantamento do mundo”, isto é, a uma inversão do processo de secularização deslanchado com a modernidade e sua crise. Essa tendência começou a visibilizar-se com a nova consciência religiosa trazida pela Nova Era, o esoterismo, o culto das pirâmides de cristal, o I-Ching, o tarô, o retorno dos anjos e duendes. A razão banida permanecia oculta pelo deslumbramento com um além povoado de deuses maiores e menores, porém fluidos e sem consistência. E o resgate da transcendência sem absolutos expressou-se até mesmo, mais recentemente, em livros de grande tiragem que falavam sobre meninos bruxos e anéis mágicos.

A ideia da incompatibilidade de princípio da secularização com a religião entra decididamente em declínio. E os sintomas do que poderíamos chamar de uma volta de Deus aparecem como sinais visíveis de novos tempos. “Aquilo que muitos acreditavam que destruiria a religião – a tecnologia, a ciência, a democracia, a razão e os mercados –, tudo isso está se combinando para fazê-la ficar mais forte”, escreveram John Micklethwait e Adrian Wooldridge, ambos jornalistas da revista britânica The Economist, no livro “God is back”. Para muitos e bem concretamente para os jovens, como diz o título do livro, Deus está de volta.

Os jovens são religiosos. Não como seus pais ou avós, mas de outra maneira, própria, fazendo uma nova síntese entre a experiência da fé e sua expressão. E a internet é um dos recursos que mais intervêm na sede de transcendência do jovem que vai para diante do computador buscar interlocução para seus anseios espirituais.

A modernidade, com efeito, significa uma humanização do divino, a ascensão irreversível da secularidade. Foi um extraordinário progresso para o espírito humano, porque permitiu ao homem, enfim, pensar por si mesmo. Mas a modernidade também comporta um movimento oposto, que eleva e diviniza o humano. A humanização do divino implica o fim das transcendências “verticais”, autoritárias, situadas fora e acima do sujeito. Nesse sentido, a modernidade é o reino da imanência.

No entanto, hoje se percebe ser possível, também, nas entranhas da imanência – da razão, do conhecimento e da ciência – pensar algo que a transborda, que a extravasa e a faz autotranscender-se. A força motriz dessa nova transcendência é o amor, que leva os seres humanos a ultrapassar sua interioridade solitária para alcançar o Outro e com ele entrar em relação.

Tal experiência e tal atitude não significam o banimento da razão; ao contrário, dão à ciência estatuto pleno de cidadania quando se trata de pensar esse Deus que volta a ser elemento constitutivo do conhecimento e do pensar humanos. A constatação da volta de Deus traduz, por outro lado, a certeza de que nenhuma sociedade pode sobreviver sem a religião, já que a maioria dos homens considera insatisfatórias as respostas dadas pela ciência às perguntas existenciais sobre a vida e a morte.

Como impulso utópico e como consciência vigilante dos limites, a fé e sua expressão religiosa têm hoje um lugar assegurado na sociedade do conhecimento e na comunidade científica. Deus está de volta e muito concretamente ali onde menos se esperava que estivesse: entre as novas gerações, filhas da ciência e da técnica. É preciso abrir os ouvidos para entender como esses novos crentes percebem o sujeito maior de sua crença.

Jovens: “firmes na fé”

D. Odilo Pedro Scherer

O tema desta Jornada da Juventude, na Espanha, é belo, profundo e tem um significado muito atual: “enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé” (cf Cl. 2,7). Na Carta aos Colossenses, São Paulo exorta os fiéis a não se deixarem abalar na fé em Cristo e a não se perturbarem com outros ensinamentos e propostas religiosas, ou não-religiosas.

“Fiquem firmes na fé em Cristo”, equivale a um apelo a não desanimar e a perseverar diante das dificuldades para ser cristãos. O tema aponta para o centro da vida cristã: nossa referência essencial a Cristo. Ser cristão é ser discípulo de Cristo; é estar ligado a ele com uma relação estreita e vital; é receber dele a vida nova, mediante a fé e o Batismo. Para São Paulo, isso significa “estar nele”, ser edificado sobre ele, estar enraizado nele.

Significa que “já não somos mais estrangeiros e estranhos a Cristo e a Deus, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (cf Ef 2,11-19). Sem essa referência a Cristo, o cristão perde o rumo e a Igreja, o seu sentido. A Igreja aponta para Cristo e convida jovens e adultos a encontrálo, a se deixarem encantar por ele, a experimentarem a alegria e a paz de estar em sua companhia; a acolherem sua Palavra e seguirem seus passos vida afora.

Sim, porque ele é o salvador, o pastor, que conduz e ama seu rebanho, que dá a vida pelas ovelhas; é a porta aberta que leva direto ao encontro com Deus; o “pão” que sacia toda fome e faz viver para sempre; a água que mata toda a sede; é a luz que permite caminhar sem tropeços e sem errar o caminho; é a verdade, a vida, o rosto humano de Deus… Isso interessa aos jovens?

Em nossos dias, o cristão encontra- se muitas vezes desafiado a viver sua fé em Deus e em Cristo, num contexto de esquecimento de Deus, numa espécie de “eclipse do sentido de Deus”, quando não, de clara negação e rejeição de Deus. Renascem movimentos de ateísmo militante e de negação e combatedo sentido da fé e da vivência religiosa. Sempre mais se afirma o laicismo na vida pública e se pretende até legislar para tirar dos espaços públicos os sinais e símbolos da fé, sob o pretexto de preservar a liberdade daqueles que não creem. Crer ofende a quem não crê?! Em nome do “Estado laico”, pretende-se relegar a fé e a religião, no máximo, para o espaço da vida privada, sem lhes reconhecer alguma relevância para o convívio social.

No entanto, quando se coloca Deus de lado, também o homem e o mundo perdem seu sentido. Sem uma referência consciente ao Criador, a criatura perde sua identidade e dignidade. O esquecimento ou desprezo de Deus estão na origem de tantos problemas do mundo e da sociedade. Por isso, é neces-sário e urgente que se reconheça novamente o primado de Deus na vida do homem. “Tudo muda, dependendo se Deus existe, ou não existe” (card. Ratzinger, Jubileu dos catequistas, 10.12.2000).

Na sua mensagem para a Jornada Mundial da Juventude de Madrid, o papa Bento 16 escreve: “Deus é a fonte da vida; eliminá-lo, equivale a separar-se desta fonte e, inevitavelmente, privar-se da plenitude e da alegria. Sem o Criador, a criatura se dilui” (Gaudium et Spes, 36). A fé é um dom de Deus, que ilumina a vida daquele que crê e a transforma. Só com a fé em Deus, mediante a qual o homem pode entrar em comunhão com Deus e estabelecer com ele um laço de confiança, é que a vida encontra sua plenitude. “Tu nos fizeste para ti, Senhor, e nosso coração anda inquieto enquanto não repousa em ti novamente, Senhor” (Santo Agostinho).

A fé nos faz aderir firmemente a Deus e a tudo o que ele significa e revelou para nós. Com frequência, o ato de fé é incompleto: “creio em Deus, mas…” Existe a tendência de fazer cortes e exclusões no conjunto das verdades da fé e, sobretudo, de desvincular a fé da vida: na prática, vive-se como se Deus não existisse, ou nada significasse para nossa vida e para o mundo. Um Deus “excluído” do mundo não equivale ao Deus da revelação bíblica e da fé cristã.

Jovens e menos jovens terão, em Madrid, uma bela oportunidade para se firmarem na fé, junto com o papa, os bispos e sacerdotes, e com tantos outros jovens, que para lá acorrerão (ou voarão…), de todas as partes do mundo! Sim, graças a Deus, não há só carentes e sedentos de fé em nossos dias, mas também testemunhas que a vivem alegremente. Em Madrid, veremos muitos jovens firmes na fé!

Jovens, vamos a Madrid?

D. Odilo Pedro Scherer

Aproxima-se a Jornada Mundial da Juventude de Madrid, de 16 a 21 de agosto próximo. Nos dias precedentes, haverá a Pré-Jornada, durante a qual jovens de todas as partes do mundo serão acolhidos nas dioceses da Espanha e, ali, terão seus encontros e missões com os jovens da própria Espanha.

Prevê-se uma grande movimentação de jovens, que seguirão para Madrid, onde também terão o encontro com o Papa Bento XVI. A organização desse grande evento está na responsabilidade do Pontifício Conselho para os Leigos, mas contará muito com o apoio da Conferência Episcopal espanhola e com as organizações dos jovens espanhóis. Mais de 10 mil jovens do Brasil já estão com o passaporte pronto para viajar para a Espanha; e também mais de 60 bispos!

As Jornadas, iniciadas pelo Papa João Paulo II, têm o objetivo de estabelecer uma nova interação da Igreja com a Juventude; certamente, isso tem sido alcançado em boa parte, mas ainda há muito por fazer, quer porque os jovens evoluem e os protagonistas são sempre novos, quer porque a grande massa dos jovens ainda não está envolvida nas iniciativas pastorais da Igreja.

Ninguém duvida da importância fundamental da evangelização da juventude para que as novas gerações possam ser iniciadas na experiência do encontro com Cristo e na vivência da fé cristã e eclesial. As Jornadas criam boas oportunidades para verdadeiros “mutirões” de evangelização da juventude e seria pena não tirar todo o proveito dessa ocasião ímpar para o envolvimento dos jovens com a Igreja.

O Papa Bento XVI escolheu um belo tema para a próxima jornada: “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé” (cf Cl 2,7). O tema faz referência a uma passagem da Carta de São Paulo aos Colossenses, na qual o apóstolo, depois de falar das suas lutas e fadigas, como missionário do Evangelho, encoraja a comunidade, que recebe a carta, a ficar firme naquilo que aprendeu do Evangelho: “Todos sejam encorajados, unidos no amor, para alcançar a riqueza do pleno entendimento e o conhecimento do mistério de Deus, que é Cristo. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento”. E exorta, que ninguém se deixe levar “por discursos enganadores”.

A advertência de Paulo aos Colossenses tinha um motivo: naquela comunidade cristã tinham se infiltrado falsos “pregadores” e “mestres”, que apresentavam teorias esotéricas e da mitologia e cosmologia grega sobre diversas divindades e forças cósmicas a governar a vida dos homens… Pretendiam também apresentar novas “revelações” e novos “conhecimentos” sobre Deus, ainda não manifestados… E os cristãos começavam a vacilar na fé. A toda hora, esses “mestres” aparecem também em nossos dias e levam consigo pouco firmes na fé. Ainda há poucos dias, fora do Brasil, alguém anunciava o dia e a hora exata do “fim do mundo”… Errou de novo! Já o próprio Jesus ensinou que “ninguém sabe o dia e a hora, mas somente Deus”; e advertiu contra os enganadores e falsos profetas (cf Mt 24, 3-8). A lição ainda não foi aprendida!

O texto de São Paulo continua e pede que os cristãos, “tendo acolhido Cristo, continuem caminhando com ele”. De fato, não basta ter tido um encontro fugaz com ele e, depois, ir atrás de outros mestres, ou continuar pela vida afora como se Cristo nada significasse. “Continuem caminhando com ele”, exorta Paulo, indicando que a vida cristã se expressa como “discipulado”, com Cristo, e nós em caminho, atrás dele. A CNBB destaca isso nas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (2011-2015). São Paulo usa ainda outras expressões semelhantes para dizer a mesma coisa: Viver “com” Cristo, “por” Cristo, “em” Cristo. Tudo isso coloca em evidência mais uma vez que a fé cristã, antes de ser adesão a um ensino e doutrina, é adesão firme a uma pessoa: a Jesus Cristo, Filho de Deus.

No texto proposto pelo papa para a Jornada Mundial da Juventude toma como referência estas indicações muito expressivas de São Paulo: “Continuai enraizados nele, edificados sobre ele, firmes na fé, tal qual vos foi ensinada, transbordando em ação de graças. Que ninguém vos faça prisioneiros de teorias e conversas sem fundamento” (Cl 2,7-8). Quantos se deixam desviar da fé cristã, com tanta facilidade, “por qualquer vento de doutrina”, como folhas levadas pelo vento, planta sem raiz, casa construída sobre a areia…

A feliz escolha do tema da Jornada vai proporcionar uma reflexão importante para jovens e não-jovens sobre a nossa ligação e relação constante com Cristo (“enraizados” nele); sobre o fundamento da nossa fé e vida cristã (“edificados” sobre ele); e sobre a necessária firmeza na fé, para não vacilar diante das mil dificuldades do caminho (“firmes na fé, como vos foi ensinada”).