Cristo Rei

Grupo de jovens visita casa da Missão Belém

No final da missa das 18h, o Pe. Julio pediu aos jovens para contar a experiência de visitar uma das casas da Missão Belém, que acolhe moradores de rua. Ele voltou a falar do ECC – Encontro de Casais com Cristo – e lembrou que dia 24/11, Domingo de Cristo Rei, será o encerramento do Ano da Fé – veja nos avisos da semana:

Para encerrar, a comunidade cantou “Utopia”, de Zé Vicente:

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio na Solenidade de Cristo Rei

No último domingo do Ano Litúrgico, a Igreja Católica celebra a festa de Cristo Rei e o Dia Nacional do Leigo. Assista à íntegra da homilia do Pe. Julio Lancellotti e a Profissão de Fé dos participantes da missa das 18h de 25/11/2012 na igreja São Miguel Arcanjo:

No final da Missa, a comunidade renovou, diante do Santíssimo Sacramento, a consagração da vida a Cristo Rei:

Realeza diferente

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Realeza quer dizer magnificência, autoridade e poder. Ou seja, tudo aquilo que é relativo ao rei e diz respeito à sua pessoa e ao âmbito que abrange seu título nobiliárquico, o maior de todos existentes no território em que governa. Realeza é senhorio, é dignidade, é majestade tamanha que no antigo Brasil colônia, por exemplo, aonde o rei não podia ir pessoalmente, seu retrato o representava. E diante daquela efígie, todos se inclinavam, reverentes, reconhecendo sua realeza.

Em outras circunstâncias, não havendo o retrato, era a veste do rei que o representava e era objeto de preito e deferência. Tudo que lembrasse o rei e o que sua pessoa simbolizava: o cetro, a coroa, o manto, o trono, podia remeter a seu poder e autoridade e invocar respeito e submissão dos súditos.

Desde muito tempo, a humanidade encontrou no rei, no monarca – princípio único que a tudo ordenava – a personificação da ordem e da harmonia que sonhava viver e experimentar. Indivíduos e comunidade esperavam do rei o direcionamento, a lei a cumprir, a justiça enquanto parâmetro a nortear o comportamento e a organização da vida. Não foi diferente com o povo da Bíblia.

Uma vez que se encontrou maduro em seu processo identitário como povo da Aliança, o desejo de ter um rei começou a pulsar no coração do povo. Em clara consciência e consonância com a experiência de libertação dada por Deus e o dom da terra para habitar e viver, o povo necessitava um líder instituído e sagrado. Alguém que liderasse com justiça e equidade e que fosse o intendente do próprio Deus.

Não foi uma tarefa fácil a escolha do rei. Pois se este devia na terra tornar visível o próprio Deus, teria que ser, como o Santo de Israel, o porta-voz e defensor do pobre, do órfão, da viúva e do estrangeiro. Mais do que qualquer outro membro do povo, deveria o rei estar junto aos mais pobres e oprimidos, fazendo-lhes justiça e por eles falando, a eles defendendo.

Logo os reis se revelaram humanos e tristemente pecadores. Agiam com a ambiguidade inerente à condição humana, feitos de pó e barro como nós. Arrebatados por paixões, deixaram-se dominar pela ambição, pela luxúria, pela crueldade. E o ideal da realeza, golpeado e enfraquecido, passou a ser dilatado para os tempos messiânicos, coração da esperança do povo.

Quando viesse o Messias, este seria um rei segundo o coração de Deus. Filho do Altíssimo, ele faria reinar a justiça e o direito, e seu comportamento resgataria todas as ovelhas perdidas da casa de Israel. Os tempos de sua vinda seriam de festa e alegria, pois Deus teria então feito uma visita definitiva ao povo, que conheceria enfim a plenitude da vida.

A primeira comunidade cristã reconheceu em Jesus de Nazaré encarnado, vivo, morto e ressuscitado esse messias esperado. Proclamou-o a tempo e contratempo Senhor e Cristo. E anunciou aos quatro ventos que por ele e nele Deus havia cumprido todas as suas promessas. Ele era o Messias esperado e encarnaria então a verdadeira realeza que só pertencia a Deus.

No entanto, a realeza encarnada, vivida e anunciada por Jesus, que seria reconhecido por seus seguidores como Messias, parecia bem diferente daquilo que normalmente se espera de um soberano ou de um rei. Sua autoridade vinha do amor e da humildade; seu poder se expressava no serviço mais simples ao menor de todos os seus semelhantes, a quem chamava não de súditos, mas de irmãos; seu trono era a poeira dos caminhos; seu cetro, suas mãos calosas de carpinteiro, despidas de adereços, que abençoavam e curavam quantos encontravam; sua coroa era sua cabeça ungida pela água do Jordão e pelo perfume de Maria de Betânia; e, finalmente, o círculo de espinhos que lhe apertou cruelmente o crânio até que exalasse o último suspiro.

Com sua Ressurreição, seus discípulos perceberam que ali estava verdadeiramente o Rei esperado. Jesus com sua vida, suas palavras, sua prática, resgatava o Deus que sempre na história do povo se identificava com os mais pobres e desvalidos, até o ponto de padecer a mesma sorte e o mesmo destino de todos eles. Celebrar a festa de Cristo Rei, que fecha com chave de ouro o ano litúrgico e abre as portas para o Advento do Natal é pisar nas pegadas desse Rei, que só se encontra no despojamento e no serviço. Hoje como ontem ele liberta o povo de todas as opressões pelo mistério de seu poder feito impotência pelo amor apaixonado pela humanidade.

Igreja lança Campanha da Evangelização

Com o lema Ele veio curar nossos males, começou no domingo de Cristo Rei a Campanha da Evangelização 2011, que tem como objetivos: mostrar a necessidade da participação de todos os batizados na ação evangelizadora da Igreja e motivar para que todos contribuam com os projetos pastorais da CNBB e das dioceses de todo o país. A campanha termina no 3º Domingo do Advento, quando se realiza a coleta nacional.

Veja mais detalhes nos avisos da semana:

O Rei despojado!

Hoje a solenidade de Cristo Rei nos mostra um Rei despojado e identificado com os pequenos e excuídos, com os famintos, sedentos, despidos, encarcerados, doentes, desalojados, identifica-se com os que não contam mas que são depositários das promessas do Reino.

Reino sem força e sem poder, reino de Justiça,Amor e Paz!

Reino que compromete e transforma, que humaniza e nos faz irmãos e irmãs.

O Rei Jesus é um Rei servidor e pastor das ovelhas feridas, é um Rei Pastor que cuida com carinho e não despreza.

A Solenidade de Cristo Rei é solenizar o Amor de Deus para com os pequenos, é compromisso de caminhar para construir um Reino assim.

Venha a nós o Vosso Reino!!

O Reino de Deus é dom e tarefa

Dom Odilo Pedro Scherer

No próximo domingo, a Igreja comemora a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. É o último domingo do ano litúrgico, que nos coloca na perspectiva do futuro e da realização plena do desígnio criador de Deus e de suas promessas. Para aonde peregrinamos nesta vida? Para aonde se encaminha o mundo?

A resposta da Igreja, baseada na Palavra de Deus, é esta: todos nós e tudo o que existe se encaminha para o encontro com Jesus Cristo, Salvador e Senhor, para a manifestação plena da redenção. E isso significa a participação no Reino de Deus em sua plenitude. O título de “Cristo-Rei” é tomado da linguagem humana para nos ajudar a compreender algo do que é o Reino de Deus e de como reina o Cristo-Senhor.

O Reino de Deus, é claro, não tem os defeitos dos reinos da terra e nele se encontra a perfeição de tudo o que já existe de bom nesse mundo; para começar, o Soberano Senhor é justo, misericordioso, bondoso, providente, amoroso… Seu reino é de vida, alegria, amor e paz, fraternidade, beleza, encanto… “A morte não existirá mais e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram” (Ap 21,4). Nem haverá mais divisão entre reinos e países, nem guerras para disputar o poder e impor a hegemonia aos outros, nem especulação financeira… Deus será tudo em todos; será, finalmente, “meu único verdadeiro bem”, como dizia São Francisco; e estar na sua companhia, será a plena saciedade para o homem.

Isso pode parecer sonho distante para quem não tem fé. Mas essa é a esperança dos cristãos, bem fundada na Palavra de Deus. O Reino de Deus é o dom maior, o dom completo de Deus ao homem. Não é sonho distante, pois o Filho de Deus veio ao encontro de todo homem e, com ele, o Reino de Deus já irrompeu nesse nosso mundo. Jesus começa a sua pregação, anunciando e convidando: “o Reino de Deus está próximo! Convertei-vos e crede no Evangelho!” (cf Mc 1,15). Acolher o Reino de Deus e entrar nele requer mudança de vida, é novidade boa, é a melhor escolha para o homem!

De muitos modos, Jesus anunciou e mostrou que o Reino de Deus já estava se manifestando em sua pessoa e ação; os males eram superados (“os cegos veem, os surdos ouvem, os doentes são curados…”), o pão e o peixe eram partilhados, o perdão era dado, os excluídos eram buscados, o inimigo do Reino de Deus era vencido e expulso… A todos era apresentado o jeito novo de viver, para aderir ao Reino de Deus, como vemos nas bem-aventuranças, nas parábolas do reino, no mandamento novo; o próprio exemplo de Jesus e seu modo de viver mostram o “jeito” das coisas no Reino de Deus. Aos fariseus, que perguntam sobre o momento da chegada do Reino de Deus, Jesus responde: “o Reino de Deus já está entre vós!” (cf Lc 17,21).

Jesus convida a ser discípulos do Reino de Deus e a conformar a vida com o jeito do Reino de Deus, que é dom e graça, mas também é tarefa e missão. Todos são chamados a ser como o fermento e o sal, permeando toda realidade deste mundo com a força transformadora e com o sabor novo do Reino de Deus; ou como a luz, que ilumina toda realidade deste mundo, dando-lhe nova compreensão. Enfim, somos todos chamados a ser operários na messe, obreiros laboriosos na vinha do Senhor, pescadores incansáveis, servidores e administradores fiéis dos bens do Reino de Deus, testemunhas corajosas, convivas dignos e felizes no banquete do reino…

A solenidade de Cristo Rei também é comemorada no Brasil como o Dia dos Leigos e Leigas, bem lembrando que todos os batizados formam esse povo novo que adere ao Reino de Cristo e de Deus e são chamados a se alegrar com essa graça tão grande que Deus faz aos homens. Ao mesmo tempo, todos são missionários do Reino de Deus, enviados para o meio do mundo para testemunhar e anunciar, de muitas maneiras, que o Reino de Deus já chegou; aderir a ele e viver conforme o jeito do reino é um grande bem para o mundo, a melhor coisa que pode acontecer!

Conclusão do 1º Congresso de Leigos da Arquidiocese

Neste domingo de Cristo Rei, acontece a conclusão do 1º Congresso de Leigos da Arquidiocese de São Paulo no Ginásio do Ibirapuera:

 

Assista à opinião de participantes sobre o 1º Congresso de Leigos:

Veja a íntegra de homilia proclamada por D. Tomé Ferreira da Silva, bispo auxiliar encarregado:

Veja também outra matéria e fotos no Rosto da Comunidade: http://www.oarcanjo.net/site/index.php/rosto/paroquia-sao-miguel-arcanjo-no-1%c2%ba-congresso-de-leigos/

CRISTO REI! Rei despojado e Salvador!

Celebramos a Solenidade de Cristo Rei, neste final do ano litúrgico.
A solenidade de hoje pode nos passar uma idéia triunfalista ao invés de nos mostrar a Verdadeira face deste Rei Crucificado e servidor!

No dia desta solenidade lemos, este ano, o evangelho de Lucas 23,35-43. Pode parecer desconcertante e sem propósito um Rei assim:pregado na CRUZ!

Um Rei desprovido de poder e glória, sem força!
O que ouve o Rei depojado e crucificado: A outros salvou, salve a si mesmo!
O Rei é desafiado a mostar o seu poder em relação a si mesmo, já que nos
dias de sua vida anunciava e apresentava a salvação a todos que no caminho por Ele optavam.

Lucas nos mostra o Rei despojado entre dois malfeitores, recebendo o castigo mais cruel e desprezivel que se podia ter. Condenado por apresentar e anunciar um Reinado que contrapõe:

Serviço ao poder.
Partilha à acumulação.
Solidariedade ao individualismo.
Liberdade frente a toda escravidão.
Fraternidade ante a dominação.

Os poderes de seu tempo e de todos os tempos terão dificuldades de aceitá-LO.

No momento de aniquilamento diante do desafio de salvar-se e demonstar a força do seu poder. Jesus o Rei despojado atende a oração de um dos malfeitores, executado com e como Ele, e lhe oferece e garante a salvação.

Jesus foi fiel e generoso até o fim. Servidor e Salvador
Rei Crucificado, despojado e Ressuscitado!

Servidor e Salvador sempre!

A cena lucana é comovente e impactante. Mostra que o Rei Crucificado é o Salvador que os Anjos anunciaram no início do seu evangelho.

O Rei Crucificado e despojado foi fiel até o fim.

República e Reino

Dom Demétrio Valentini

A próxima semana começa com o dia da República, e termina com o domingo de Cristo Rei.

República e Reino. Até parece combinado. Para arrematar bem este ano litúrgico, nada melhor do que estas duas referências estimuladoras, com o claro desafio de integrar os valores que elas apontam.

Uma visão, portanto, não teórica, mas prática, no intuito de discernirmos como participar concretamente da República, e como, ao mesmo tempo, sentir-nos cidadãos do Reino de Deus.

Logo salta aos olhos que a referência mais rica, mais profunda, mais permanente, é sem dúvida o Reino. Não é por acaso que o Evangelho o menciona com tanta freqüência, a ponto de Cristo ter dedicado a ele a maior parte de suas parábolas. E depois de ter contado tantas, ele mesmo se perguntava com que mais poderia ser comparado o Reino.

Mateus, herdeiro da tradição judaica, fala do “Reino dos Céus”, para evitar de citar, por respeito, o nome de Deus. É sempre prudente não usar em vão o nome de Deus!

São pitorescas as comparações usadas por Cristo. Desde o aceno para o grão de mostarda, até a comparação do banquete, rejeitado pelos convidados, mas oferecido inesperadamente aos pobres.

As muitas comparações usadas por Cristo sugerem que o Reino aponta para a integração, para a harmonia, para a totalidade, onde somos convidados a nos integrar. O Reino não disputa lugar com as outras realidades. Ao contrário, ele integra a todas, apontando o sentido e a finalidade de cada uma, concreta e singular, que assim não se entende perdida ou isolada, mas integrada no conjunto maior.

O Reino supõe harmonia interior, que Jesus expressava de maneira surpreendente e encantadora, e buscava por sua atitude mística de recolher-se longamente em oração.

Jesus fala que o Reino é semelhante ao fermento que a mulher põe na farinha, até que tudo fique levedado. Ou semelhante também ao sal, que torna saborosa a comida. Ou à luz, que deve ser colocada em lugar de destaque para iluminar todo o ambiente.

Com estas comparações, fica claro que o Reino não é alheio à realidade. Ele a respeita, mas tem a força de transformá-la por dentro, não contrariando sua natureza, mas levando-a a desabrochar suas potencialidades.

Portanto, o Reino não é alheio à realidade. Quem se sente animado a participar do Reino, e a agir de acordo com sua inspiração, se volta para a realidade, e procura a maneira adequada de nela interagir.

Pois bem, nesta semana comparece uma realidade muito importante, com um nome bem concreto: a nossa República, a “República Federativa do Brasil”.

Se quisermos ser coerentes com a realidade do Reino, precisamos encontrar a maneira adequada de participar da vida republicana. O cristão se sente participante do Reino, mas também cidadão da república.

Porém, com uma diferença: na esfera do Reino, lidamos com o absoluto, contamos com verdades definitivas, apelamos para a obediência e para a comunhão de pensamentos e de vontades.

Na vida republicana lidamos com o relativo, com o precário, com o provisório, com o limitado, e não podemos invocar sobre estas realidades a mesma postura que adotamos na vivência do Reino. Na República não convém, por exemplo, invocar o nome de Deus! O melhor é cumprir, na prática, a sua vontade.

No Reino se escuta e se obedece. Na República se pensa e se decide. Quando aplicamos à República os mesmos procedimentos do Reino, acabamos desrespeitando a República, mas também traindo o Reino, pois ele aposta, não na imposição, mas no convencimento.

A propósito, isto tem alguma coisa a ver com as recentes eleições acontecidas na República?