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Papa Francisco hoje na Casa Santa Marta: quando “os corações se afastam, nasce a guerra”

Crianças famintas nos campos de refugiados, enquanto os fabricantes de armas fazem festa: na missa celebrada esta manhã na Casa Santa Marta, o Papa falou da paz e do escândalo da guerra.

“De onde vêm as guerras e as lutas entre vós?”, este versículo da primeira leitura, extraída da Carta do Apóstolo Tiago, inspirou a homilia do Papa, em que os discípulos de Jesus brigam para esclarecer quem era o maior entre eles. O Pontífice evidenciou que quando “os corações se afastam, nasce a guerra”. Todos os dias, constatou, “encontramos nos jornais guerras que produzem vítimas”:

E os mortos parecem fazer parte de uma contabilidade cotidiana. Estamos acostumados a ler essas coisas! E se tivéssemos a paciência de contar todas as guerras que neste momento existem no mundo, certamente teríamos muitas folhas escritas. Parece que o espírito da guerra se apoderou de nós. Fazem-se atos para comemorar o centenário daquela Grande Guerra, tantos milhões de mortos… E todos escandalizados! Mas hoje é a mesma coisa! Ao invés de uma grande guerra, há pequenas guerras em todos os lugares, povos divididos… E para preservar o próprio interesse, se matam entre si.

“De onde vêm as guerras e as lutas entre vós?”, repetiu o Papa. “As guerras, o ódio, a inimizade – respondeu – não se compram no mercado: estão aqui, no coração.” E lembrou que quando criança, no catecismo, “explicavam a história de Caim e Abel e todos ficavam escandalizados”, não se podia aceitar que alguém matasse o irmão. Hoje, porém, “tantos milhões se matam entre irmãos, entre si, mas estamos acostumados”. A Primeira Guerra Mundial, disse ainda, “nos escandaliza, mas esta grande guerra um pouco escondida, em todos os lugares, não! E tantas pessoas morrem por um pedaço de terra, por uma ambição, por ódio, por ciúme racial. Os prazeres nos levam à guerra, ao espírito do mundo”:

Habitualmente, mesmo diante de um conflito, nos encontramos numa situação curiosa: brigamos para resolvê-lo. Com a linguagem da guerra. A linguagem de paz não vem antes! E as consequências? Pensem nas crianças famintas nos campos de refugiados… Pensem somente nisto: este é o fruto da guerra! E se quiserem, pensem nas festas que fazem os que são os proprietários das indústrias das armas, que fabricam as armas, as armas que acabam lá. A criança doente, faminta, num campo de refugiados e as grandes festas, a vida boa que fazem os que fabricam as armas.

“Que acontece no nosso coração?”, insistiu o Papa, que propôs o conselho do Apóstolo Tiago: “Aproximem-se de Deus e Ele se aproximará de vocês”. E advertiu que “espírito de guerra, que nos afasta de Deus, não está distante de nós, mas em nossa casa”:

Quantas famílias destruídas porque o pai, a mãe não são capazes de encontrar o caminho da paz e preferem a guerra, fazer causa… A guerra destrói! ‘De onde vêm as guerras e as lutas entre vós?’. No coração! Eu lhes proponho que rezem hoje pela paz, por aquela paz que se tornou somente uma palavra, nada mais. Para que esta palavra tenha a capacidade de agir, sigamos o conselho do Apóstolo Tiago: ‘Reconheçais vossa miséria!’

Aquela miséria da qual provêm as guerras, explicou Francisco: “As guerras nas famílias, as guerras no bairro, as guerras em todos os lugares”. “Quem de nós chora quando lê um jornal, quando vê aquelas imagens na tv? Tantos mortos”. Retomando o Apóstolo, disse: “Transforme-se o vosso riso em luto e vossa alegria em desalento …”. Isso é o que deve fazer hoje, 25 de fevereiro, um cristão diante de tantas guerras, em todos os lugares”: “Chorar, fazer luto, humilhar-se”. “Que o Senhor nos faça entender isso e nos salve do habituar-nos às notícias de guerra”.

Fonte: News.VA

Um homem de governo não instrumentaliza Deus e o seu povo, disse o Papa

Não usar Deus e o povo nos momentos de dificuldade – esta é a principal conclusão da homilia do Papa Francisco nesta manhã de segunda-feira, 03 de fevereiro de 2014, em Santa Marta. Comentando o episódio da traição de Absalão ao seu pai, rei David, narradas no Segundo Livro de Samuel, o Santo Padre lança a sua atenção sobre as atitudes de David. A primeira atitude é a de não usar Deus nem o seu povo para se defender:

“David, esta é a primeira atitude, para defender-se não usa Deus nem o seu povo e isto significa o amor de um rei pelo seu Deus e o seu povo. Um rei pecador – conhecemos a história – mas um rei também com este amor tão grande: era tão ligado ao seu Deus e tão ligado ao seu povo e não usa para defender-se nem Deus nem o povo. Nos momentos difíceis da vida acontece que, se calhar, no desespero uma pessoa tente defender-se como pode e também usar Deus e a gente. Ele não, a primeira atitude é essa: não usar Deus e o seu povo.”

O rei David na situação difícil em que se encontrava, em que o seu próprio povo o tinha rejeitado e apoiado Absalão, sobe a montanha a chorar, descalço e com o rosto coberto. Acompanham-no alguns dos seus apoiantes. O rei David chora e revela uma segunda atitude: a penitência.“Esta subida ao monte faz-nos pensar àquela outra subida de Jesus, também Ele em sofrimento, com os pés descalços, com a sua Cruz subia o monte. Esta atitude penitencial. David aceita estar de luto e chora. Nós, quando nos acontece algo parecido na nossa vida sempre tentamos justificarmo-nos – é um instinto que temos. David não se justifica, é realista, tenta salvar a arca de Deus, o seu povo e faz penitência por aquele caminho. É um grande: um grande pecador e um grande santo. Como vão juntas estas duas coisas … Deus lá sabe.”

No caminho percorrido por David aparece um outro personagem que é Chimei que atira pedras contra ele e todos os seus servos considerando-o inimigo. Mas o rei David não escolhe o caminho da vingança mas confia no Senhor. E esta confiança em Deus é a terceira atitude que apresenta o Papa Francisco: confiar em Deus não procurando fazer justiça pelas suas próprias mãos. O Santo Padre considerou, assim, ser belo verificar estas três atitudes do rei David como ensinamentos para a nossa vida: “É belo ouvir isto e ver estas três atitudes: um homem que ama Deus, ama o seu povo e não o negocia, um homem que se sabe pecador e faz penitência; um homem que é seguro do seu Deus e confia n’Ele. David é santo e nós veneramo-lo como santo. Peçamos-lhe que nos ensine estas atitudes nos momentos difíceis da vida.”

Fonte: News.VA

Papa Francisco diz às religiosas: “O verdadeiro poder é o serviço”

Delegações de religiosas de todo o mundo foram recebidas pelo Papa Francisco na manhã desta quarta-feira, 08 de maio, na Sala Paulo VI, no Vaticano. As 800 irmãs, delegadas de 1900 diferentes Congregações, se reuniram nos últimos dias na Assembleia Plenária da União Internacional das Superioras Gerais, em Roma. Com elas, estava também o Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica, a quem Papa Francisco agradeceu logo no início de seu discurso. Dom João esteve domingo, 05, na Assembleia, participando de um debate e celebrando uma missa para as irmãs.

Centralidade de Cristo, autoridade como serviço de amor, e ouvir a Mãe-Igreja. Estas foram as três principais indicações sugeridas pelo Papa às religiosas, ao se dirigir a elas. “O que seria da Igreja sem vocês? Faltaria o carinho, a maternidade, a ternura, a intuição das mães. Queridas irmãs, fiquem certas de que eu as acompanho de perto, rezo por vocês, mas por favor, rezem também por mim!”, pediu Francisco.

O Papa também lembrou que “adorar e servir são dois comportamentos que não se separam, mas caminham sempre juntos; e disse que obediência é ouvir a vontade de Deus e aceitar que a obediência passe através das mediações humanas”. E completou: “Lembrem-se que a relação autoridade/obediência se insere no contexto maior do mistério da Igreja e constitui uma atuação especial de sua função mediadora”.

Outra questão recomendada para a reflexão das religiosas foi a pobreza, que – disse – não è a pobreza teórica: “A pobreza teórica não nos interessa, a pobreza se aprende tocando a carne de Cristo pobre”; e insistiu na necessidade de que as religiosas sejam espiritualmente fecundas e neste sentido, ‘sejam mães’ e não ‘solteironas’.

Avançando, Papa Francisco passou ao segundo elemento no exercício da autoridade: o serviço, que teve seu ápice luminoso na cruz. “Para o homem – especificou – quase sempre a autoridade è sinônimo de posse, mas a autoridade como serviço è sinônimo de amor, significa entrar na lógica de Jesus que se inclinou para lavar os pés aos pobres. Quem quiser ser grande será servidor e antes ainda, escravo”.

Após criticar comportamentos carreiristas de homens e mulheres da Igreja, que usam o povo como trampolim para suas ambições pessoais, pediu às religiosas que exerçam autoridade compreendendo, amando, ajudando, abraçando todos, especialmente quem se sente excluído, nas periferias existenciais do mundo humano.

“È impossível – acrescentou – que uma consagrada e um consagrado não sintam com a Igreja, e a eclesialidade é uma das dimensões constitutivas de sua vocação, é um carisma fundamental para a Igreja. O ‘sentir com a Igreja’ – explicou – se expressa na fidelidade ao magistério, em comunhão com os pastores e com o bispo de Roma, sinal de unidade visível”.

“O anúncio – reafirmou o Pontífice, citando Paulo VI – não é jamais um ato isolado ou de grupo. A evangelização se realiza graças a uma inspiração pessoal, em união com a Igreja e em nome dela”.

 

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio no 22º Domingo do Tempo Comum

Assista à íntegra da reflexão do Pe. Julio Lancellotti no 22º Domingo do Tempo Comum, celebrado em 02/09/2012. A Carta de Tiago defende que a religião pura é cuidar dos indefesos. No Evangelho de Marcos, Jesus critica os fariseus que não vivem o que pregam.

Gravação realizada na missa das 18h na igreja São Miguel Arcanjo, em São Paulo.

Laços latino-americanos

Dom Demétrio Valentini

Os recentes acontecimentos na América Latina mostram como os laços de solidariedade entre os seus países são ainda muito frágeis. Sobretudo quando se trata de urgir a lisura democrática nos processos de decisões políticas, é propriamente nula a influência dos posicionamentos oficiais expressos pelos países que entre si já firmaram, de maneira solene, compromissos formais com a democracia.

Esta fraqueza de persuasão faz com que as tomadas de posição dos países assumam a configuração de formalidades, aparentando convicções democráticas, mas na verdade significando a concordância tácita diante de decisões que atropelam a democracia. A tradição golpista ainda se legitima, respaldada na certeza de que será tolerada, acabará sendo aceita, e por fim apoiada.

E tudo continua como se todos fossem democratas confessos, políticos convictos e militantes ativos da ordem constitucional.

Mas da democracia se cuida só as aparências, deixando espaço para manobras que possam eventualmente ser úteis para a manutenção de interesses de minorias privilegiadas, que, evidentemente não podem ficar atrelados a formalidades da democracia.

Desde meados do século passado, os países latino-americanos viveram momentos privilegiados de despertar de sua própria identidade, e de afirmação de sua legítima autonomia.

Houve momentos em que a afirmação da própria autonomia, contou com o eficaz apoio da presença e da atuação da Igreja, incentivando os cidadãos a assumirem suas responsabilidades políticas.

Os momentos de sintonia entre a atuação da Igreja e o compromisso de ação democrática dos cidadãos, se constituíram nos tempos mais promissores, que permitiam sonhar com um verdadeiro processo de libertação integral e de afirmação positiva dos países latino-americanos.

Mas estes momentos propiciaram a reação orquestrada de ditaduras de direita, apoiadas por quem queria que a América Latina continuasse submissa aos seus interesses estratégicos.

Nos últimos anos, parecia se fortalecer, de vez, a prática democrática, com a coincidência de governos eleitos democraticamente, e que contavam com o respaldo popular para a sua atuação democrática.

O recente episódio de destituição de um presidente, eleito democraticamente, e deposto com procedimentos que mal disfarçavam suas intenções golpistas, mostra quando ainda é frágil a democracia nos países latino-americanos, seja na prática interna de cada país, seja no relacionamento externo entre os países formalmente unidos em torno de tratados de ordem econômica ou política.

Só a efetiva, e pertinaz, prática interna da democracia, poderá fortalecer o posicionamento comum dos países latino americanos.

Até que ela não se consolide, continuará capenga a democracia na América Latina.

CRISTO REI! Rei despojado e Salvador!

Celebramos a Solenidade de Cristo Rei, neste final do ano litúrgico.
A solenidade de hoje pode nos passar uma idéia triunfalista ao invés de nos mostrar a Verdadeira face deste Rei Crucificado e servidor!

No dia desta solenidade lemos, este ano, o evangelho de Lucas 23,35-43. Pode parecer desconcertante e sem propósito um Rei assim:pregado na CRUZ!

Um Rei desprovido de poder e glória, sem força!
O que ouve o Rei depojado e crucificado: A outros salvou, salve a si mesmo!
O Rei é desafiado a mostar o seu poder em relação a si mesmo, já que nos
dias de sua vida anunciava e apresentava a salvação a todos que no caminho por Ele optavam.

Lucas nos mostra o Rei despojado entre dois malfeitores, recebendo o castigo mais cruel e desprezivel que se podia ter. Condenado por apresentar e anunciar um Reinado que contrapõe:

Serviço ao poder.
Partilha à acumulação.
Solidariedade ao individualismo.
Liberdade frente a toda escravidão.
Fraternidade ante a dominação.

Os poderes de seu tempo e de todos os tempos terão dificuldades de aceitá-LO.

No momento de aniquilamento diante do desafio de salvar-se e demonstar a força do seu poder. Jesus o Rei despojado atende a oração de um dos malfeitores, executado com e como Ele, e lhe oferece e garante a salvação.

Jesus foi fiel e generoso até o fim. Servidor e Salvador
Rei Crucificado, despojado e Ressuscitado!

Servidor e Salvador sempre!

A cena lucana é comovente e impactante. Mostra que o Rei Crucificado é o Salvador que os Anjos anunciaram no início do seu evangelho.

O Rei Crucificado e despojado foi fiel até o fim.

A Quaresma e os políticos. As três tentações de Jesus e as tentações dos políticos

Arnaldo Zenteno S.J.
(tradução da Agência Adital)

Nas leituras da Quaresma, o Evangelho nos apresenta três tentações que Jesus enfrentou e superou. Eram tentações que queriam desviá-lo de sua missão como Messias a serviço do povo. E essas três tentações, apesar de que todos nós passamos por elas, especialmente os políticos as enfrentam. Poderão vencê-las?

1ª. Tentação: O proveito próprio. Se és Messias, se és dirigente, faz com que essas pedras se convertam em pão para saciar não a fome do povo, mas tua própria fome. É a tentação de usar seu messianismo em seu próprio proveito. Não se busca em primeiro lugar a vontade de Deus, o amor e a justiça; mas, em primeiro lugar são vistas as necessidades pessoais do dirigente. Jesus multiplicou os pães; porém, para o povo e não para ele mesmo.

E quantos políticos usam seu poder em benefício próprio! Não veem as necessidades do povo com fome, mas que eles que já estão fartos, acumulam mais e mais bens, melhores e melhores salários em dólares.

2ª tentação: O prestígio. O tentador convida: Se és o Messias, atira-te do alto do Templo. Mostrar em obras chamativas, prodigiosas, de prestígio. Esse Messias seria muito distinto do apresentado por Isaías e do que Jesus encarna; ou seria muito distinto do Messias Servidor Fiel e Humilde que está disposto a dar a vida.

Porém, quantos políticos buscam a fama, o prestígio, o renome, aparecer nas inaugurações dos centros de luxo ou o querem ser considerados benfeitores devido às suas boas e desinteressadas obras!

3ª Tentação: O Poder. Satã promete: te darei a riqueza e o poder sobre as nações, se te prostrares e me adorares. A resposta de Jesus é cortante: somente adorarás ao Senhor! E na Última Ceia Jesus lava os pés aos discípulos e nos diz que “Ele não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida por nós. Aquele que queira ser o primeiro que se torne o último e o servidor de todos os demais”. E Jesus nos adverte: “não sejam como os reis que oprimem o povo e, todavia, querem ser chamados de benfeitores”.

Essas três tentações são as que atingem todos os dirigentes e, mais do que os dirigentes, os políticos: usar seu posto, seu cargo, sua influência em primeiro lugar em benefício próprio; buscar a fama e o prestígio antes do bem do povo; e buscar e sacrificar tudo para ter mais riquezas e mais poder. E essas tentações, como estão vigentes hoje na Nicarágua? A Quaresma e, especialmente, a Semana Santa, são um chamado de Jesus para que nos convertamos, para mudar nossos passos e não cair em tentação. São também um chamado a não ser passivos ou indiferentes quando os dirigentes sociais, religiosos ou políticos caiam nessas tentações e oprimam o povo.

De cair nessas 3 tentações, livra-nos Senhor.

Primeiro Domingo da QUARESMA

No primeiro Domingo da Quaresma refletimos sobre as tentações de Jesus no deserto, não tanto como um episódio mas como um mistério.

Mistério que nos acompanha na vida e na história, mistério de liberdade e escravidão. As tentações estão presentes em nossa vida pessoal e comunitária, na nossa caminhada e nas solitações que todos os dias recebemos.

Constantemente somos ameaçados pela triplíce tentação do PODER.

O poder do Bem Estar. Converter as pedras em pão.

O poder da dominação. Mandar e ter o mundo inteiro.

O poder religioso. Cair do Alto do Templo, prodigíos maravilhosos.

JESUS vê claramente e nos ensina que o caminho do PODER não é o caminho para a realização de sua missão.

JESUS não veio para submeter, nem vencer, mas para HUMANIZAR principalmente aqueles que estão submetidos à desumanização por parte dos poderosos.

O ideal e a prática de JESUS é que as pessoas se humanizem e não sejam aprisionadas por nada e por ninguém.

As tentações na verdade são as propostas que o mundo de hoje nos faz e que a Campanha da Fraternidade nos chama à atenção:

Qual é o vosso DEUS?

Não se pode servir a dois senhores, DEUS e o Dinheiro, Serviço ou poder!

JESUS não se manifesta nem aceita expor seu caminho de maneira espetacular, sujeitando a verdade ao espetáculo,mas ao caminho do humilda esforço de cada dia pela fé e confiança em seu AMOR.

As tentações são seduções, muito úteis e até necessárias, poderiam argumentar alguns, mas não são transformadoras nem humanizadores, porque descartam o amor e a adesão pela fé.

O Senhor fortalece a nossa fé para sempre confiar no seu amor que humaniza e transforma nosso viver.

A salvação nasce dos sem poder!

O Evangelho do quarto domingo da Advento vem reafirmar “A Salvação nasce dos sem poder”. A comunidade dos pobres é sinal do Amor de Deus que transforma a Vida .

O significado dos nomes envolvidos na cena são reveladores:

JESUS: DEUS Salva!

João: DEUS é misericórdia

Zacarias: DEUS se lembrou

Isabel: DEUS é plenitude

Maria: a Amada

Não há imposição e sim ternura, bondade e envolvimento!

Na impossibilidade humana o amor de DEUS é garantia e sustento para a mudança.

Isabel e Maria, o antigo e o novo, a promessa e a realização, a Mãe de precurssor e a Mãe do Salvador!

Isabel a Saudação, Maria a saudada, A Arca da Aliança, portadora da Esperança e da Salvação!

Os escolhidos são os sem poder, os insignificantes da história, aqueles que o poder não leva em conta, nem considera.

A NOVIDADE vem pelo amor!

AMOR dos pequenos que esperam em DEUS e não na força do seu poder! Que na sua insegurança confiam na misericórdia e  compaixão.

As verdadeiras alegrias vem do serviço e não da dominação!

O Corruptômetro

Frei Betto

A Transparência Internacional divulgou, a 17 de novembro, na Alemanha, o índice de corrupção no mundo. Numa escala de 0 (sem corrupção) a 10 (haja lanterna de Diógenes para descobrir um honesto!), o Brasil mereceu 3,7 pontos. Avançou da 80a posição para a 75a, entre 180 nações analisadas. Nosso país se equipara, agora, à Colômbia, ao Peru e ao Suriname. O país onde há menos corrupção é a Nova Zelândia.

Por que há tanta corrupção no Brasil? Temos leis, sistema judiciário, polícias e mídia atenta. Prevalece, entretanto, a impunidade – a mãe dos corruptos. Você conhece o nome de um notório corrupto brasileiro? Ele foi processado e está na cadeia?

Padre Vieira, no sermão em homenagem à festa de santo Antônio, em 1654, indagava: “O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção?” A seu ver, havia duas causas principais: a contradição de quem deveria salgar e a incredulidade do povo diante de tantos atos que não correspondiam às palavras.

O corrupto caracteriza-se por não se admitir como tal. Esperto, age movido pela ambição de dinheiro. Não é propriamente um ladrão. Antes, trata-se de um requintado chantagista, desses de conversa frouxa, sorriso amável, salamaleques gentis. Anzol sem isca peixe não belisca.

O corrupto não se expõe; extorque. Considera a comissão um direito; a porcentagem, pagamento por serviços; o desvio, forma de apropriar-se do que lhe pertence; o caixa dois, investimento eleitoral. Bobos aqueles que fazem tráfico de influência sem tirar proveito.

Há muitos tipos de corruptos. O corrupto oficial se vale da função pública para tirar proveitos a si, à família e aos amigos. Troca a placa do carro, embarca a mulher com passagem custeada pelo erário, usa cartão de crédito debitável no orçamento do Estado, faz gastos e obriga o contribuinte a pagar. Considera natural o superfaturamento, a ausência de licitação, a concorrência com cartas marcadas.

A lógica do corrupto é corrupta: “Se não aproveito, outro leva vantagem em meu lugar”. Seu único temor é ser apanhado em flagrante delito. Não se envergonha de se olhar no espelho, apenas teme ver o nome estampado nos jornais. Confiante, jamais imagina a filha pequena a indagar-lhe: “Papai, é verdade que você é corrupto?”

O corrupto não tem nenhum escrúpulo em dar ou receber caixas de uísque no Natal, presentes caros de fornecedores ou patrocinar férias de juízes. Afrouxam-no com agrados e, assim, ele relaxa a burocracia que retém as verbas públicas.

Há o corrupto privado. Jamais menciona quantias, tão somente insinua, cauteloso. Assim, torna-se o rei da metáfora. Nunca é direto. Fala em circunlóquios, seguro de que o interlocutor saberá ler nas entrelinhas.

O corrupto franciscano pratica o toma lá, dá cá. Seu lema é “quem não chora, não mama”. Não ostenta riquezas, não viaja ao exterior, faz-se de pobretão para melhor encobrir a maracutaia. É o primeiro a indignar-se quando o assunto é a corrupção que grassa pelo país.

O corrupto exibido gasta o que não ganha, constrói mansões e castelos, enche o latifúndio de bois, convencido de que puxa-saquismo é amizade e sorriso cúmplice, cegueira. Vangloria-se de sua astúcia ao enganar e mentir.

O corrupto nostálgico orgulha-se do pai ferroviário, da mãe professora, da origem humilde na roça, mas está intimamente convencido de que, tivessem as mesmas oportunidades de meter a mão na cumbuca, seus antepassados não deixariam passar.

O corrupto previdente, calculista, já está de olho na Copa do Mundo no Brasil, em 2014, e nas Olimpíadas do Rio, em 2016. Ele sabe que os jogos Panamericanos no Rio, em 2007, tiveram orçamento de R$ 800 milhões e consumiram R$ 4 bilhões.

O corrupto não sorri, agrada; não cumprimenta, estende a mão; não elogia, incensa; não possui valores, apenas saldo bancário. De tal modo se corrompe que nem mais percebe que é um corrupto. Julga-se um negocista bem-sucedido.

Melífluo, o corrupto é cheio de dedos, encosta-se nos honestos para se lhe aproveitar a sombra, trata os subalternos com uma dureza que o faz parecer o mais íntegro dos seres humanos. Aliás, o corrupto acredita piamente que todos o consideram de uma lisura capaz de causar inveja em madre Teresa de Calcutá.

O corrupto julga-se dotado de uma inteligência que o livra do mundo dos ingênuos e torna-o mais arguto e esperto do que o comum dos mortais.

Enquanto os corruptos brasileiros não vão para a cadeia, ao menos nós, eleitores, ano que vem podemos impedi-los de serem eleitos para funções públicas.