Santo

Na canonização de José de Anchieta

Ao clero, Religiosos e Leigos da Arquidiocese de São Paulo

Caríssimos,

Conforme já foi divulgado por noticiários do Vaticano, o papa Francisco proclamará “santo” o bem-aventurado Padre José de Anchieta no próximo dia 02 de abril, mediante a assinatura e a publicação do Decreto da canonização.

Esta canonização, há muito esperada por nós, é motivo de especial alegria para todo o Brasil, uma vez que Anchieta é o “Apóstolo do Brasil”, assim proclamado já no seu funeral, em 1597. Ele marcou profundamente o início da evangelização, não apenas em São Paulo, mas em boa parte do Brasil. No centro histórico da capital paulista,  o Páteo do Colégio lembra que Anchieta foi um dos fundadores desta cidade e também um dos iniciadores da Igreja nesta metrópole.

Por isso, vamos acolher a sua canonização com manifestações de júbilo e ação de graças a Deus. Convido os padres a fazerem tocar os sinos na mesma hora, em todas as igrejas e capelas da Arquidiocese no dia 02 de abril, às 14h, por 5 minutos, ao menos.

Ao mesmo tempo, convido o povo a fazer celebrações espontâneas de louvor e agradecimento a Deus no mesmo dia 02 de abril, em horários que as paróquias podem marcar. A CNBB preparou um roteiro de celebração para a ocasião, que se encontra também no site da Arquidiocese (www.arquidiocesedesaopaulo.org.br), de onde pode ser baixado e impresso para o uso. Artigos sobre Anchieta também se encontram no mesmo site e podem ser úteis para falar ao povo sobre o novo Santo durante as celebrações.

Convido ainda a que, no domingo seguinte, dia 06 de abril,  se faça especial louvor a Deus pela canonização de Anchieta, embora mantendo normalmente a liturgia do 5º domingo da Quaresma. A santidade, de fato, é a meta da Quaresma e da vida cristã…

Na Catedral da Sé, naquele mesmo domingo, dia 06 de abril, às 11h, faremos um solene Te Deum laudamus pela canonização do Padre Anchieta; para essa celebração, serão também convidadas as autoridades do Município e do Estado. A Missa será precedida de uma procissão, saindo do Páteo do Colégio às 10h15 na direção da Catedral.

Os Padres queiram ajudar o povo das Comunidades a perceber a importância e o significado  desta canonização e da própria figura de Anchieta, tão ligada a São Paulo e ao Brasil. Deus nos oferece uma ocasião singular para o testemunho eloquente do Evangelho do Reino e da ação amorosa de Deus junto de seu povo nesta cidade. Ao mesmo tempo, a Providência nos convida a renovar-nos na dimensão missionária e da caridade pastoral, olhando para “São” José de Anchieta.

Ad maiorem Dei gloriam” – Que seja tudo para a maior glória de Deus! “São” José de Anchieta, rogai por nós! Deus os guarde no seu amor.

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo
@DomOdiloScherer

Anchieta, proclamado “santo” pela Igreja?

Cardeal Odilo Pedro Scherer

A canonização do bem-aventurado José de Anchieta parece estar muito próxima. Além do renovado interesse demonstrado pela Conferência Episcopal do Brasil e por várias dioceses, mais relacionadas com a vida e a obra missionária do Padre Anchieta, agora o próprio papa Francisco está pessoalmente interessado nesta causa.

Em breve, poderemos ter a alegria de ver, finalmente, proclamado “santo” aquele que, já no seu funeral, no final do século 16, foi aclamado por índios e portugueses como “apóstolo do Brasil”. Mas por quais motivos Anchieta deveria ser proclamado “santo” pela Igreja?

Convém recordar quem são os santos na Igreja: são as pessoas que vivem a comunhão e a sintonia com Deus e recebem do Espírito Santo a graça da santidade; Deus é O SANTO, por excelência, que comunica a santidade a quem se aproxima dele. A santidade não é apenas fruto do esforço humano, embora requeira esse mesmo esforço para corresponder com Deus e viver em sintonia com Ele. O santo é uma pessoa de Deus e testemunha da Sua  santidade; testemunha também de Jesus Cristo e do seu Evangelho.

Na Igreja, são os cristãos que correspondem de maneira profunda com a graça santificadora recebida de Deus no Batismo, através da fé, são santos; são aqueles que vivem a “vida nova”, segundo o Evangelho de Cristo, seguindo sua palavra e seu exemplo. Como a graça de Deus é multiforme e também conta com as qualidades humanas, assim a santidade se expressa de muitas maneiras; há os santos da caridade, da missão, do ensinamento, do testemunho excelso das virtudes humanas e cristãs, do serviço à Igreja, da contemplação, da mística, do martírio… Deus é admirável nos seus santos!

Por muitos motivos, Anchieta pode ser considerado “santo” pela Igreja. Foi um missionário generoso e extraordinário, dedicando sua vida ao serviço dos irmãos indígenas, para lhes levar a alegria e as riquezas do Evangelho de Cristo. Uma vida inteira dedicada à missão só é possível mediante uma profunda comunhão com Deus e com a Igreja. Foi catequista e formador de cristãos, discípulos de Cristo. Sofreu por Cristo e pelo Evangelho…

Anchieta é também um dos iniciadores da vida da Igreja no Brasil. Em São Paulo, isto é muito claro. Por isso, tem todo sentido dar-lhe o título de “apóstolo do Brasil”. Ele continua sendo um exemplo e estímulo para a vida da Igreja; somos continuadores da obra missionária de Anchieta e dos outros missionários, que entregaram a vida pelo Evangelho nesta “Terra de Santa Cruz”. Anchieta foi místico e homem de oração e contemplação, testemunha de Deus no seu modo de ser e agir.

Ainda mais: Anchieta viveu a caridade e outras virtudes de maneira extraordinária. Dedicava imenso amor aos doentes, respeito profundo aos indígenas e sua cultura, desejando ajudá-los a crescer nas suas condições humanas e espirituais. Foi um promotor da paz, que não hesitou em entregar-se como refém durante a confederação dos Tamoios, mesmo com riscos para a sua vida, querendo dar mostras de sinceridade nos propósitos e no trato com as partes em luta, enquanto seus confrades negociavam a paz.

E os milagres? Deus pode conceder a graça especial do milagre através da intercessão dos santos. Mas os milagres não são o requisito principal para proclamar um santo e a Igreja pode mesmo dispensá-los na canonização. O essencial mesmo é a vida santa e que o santo tenha sido uma pessoa de Deus, uma testemunha fiel e vigorosa de Cristo e do Evangelho. Anchieta foi tudo isso.

Beato José de Anchieta será canonizado, afirma Dom Damasceno

O Jesuíta, Beato José de Anchieta, fundador da cidade de São Paulo, logo receberá a honra dos altares. Foi o que informou na manhã desta quarta-feira, 18/12, o Arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno, durante coletiva de imprensa no Santuário Nacional.

O comunicado da Santa Sé sobre a canonização do beato veio por meio de um telefonema do próprio Papa Francisco a Dom Damasceno.  A notícia em favor do defensor dos indígenas, catequista, considerado apóstolo do Brasil, foi recebida com alegria pelo Cardeal.

“José de Anchieta deixou marcar profundas no início da colonização do Brasil, como também na sua evangelização. Eu creio que ele merece ser cultuado por toda a Igreja”, disse.

A data da canonização que ainda será definida pela Santa Sé

Leia mais sobre o Beato José de Anchieta

Na JMJ Rio 2013 Papa Francisco recordou Beato José de Anchieta

O Papa Francisco, em sua última homília no Brasil durante a Jornada Mundial da Juventude realizada na cidade do Rio de Janeiro em julho de 2013, encorajou mais de 3 milhões de jovens que estavam na Missa de envio, na praia de Copacabana, a evangelizarem outros jovens.

O Santo Padre citou o Beato José de Anchieta como um modelo de missionário, pois aos 19 anos de idade veio ao Brasil para sua missão evangelizadora. “Um grande apóstolo do Brasil, o Bem-aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando tinha apenas dezenove anos! Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem!”.

“De forma especial, queria que este mandato de Cristo -”Ide” – ressoasse em vocês, jovens da Igreja na América Latina, comprometidos com a Missão Continental promovida pelos Bispos. O Brasil, a América Latina, o mundo precisa de Cristo! Paulo exclama: «Ai de mim se eu não pregar o evangelho!» (1Co 9,16). Este Continente recebeu o anúncio do Evangelho, que marcou o seu caminho e produziu muito fruto. Agora este anúncio é confiado também a vocês, para que ressoe com uma força renovada. A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam! Um grande apóstolo do Brasil, o Bem-aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando tinha apenas dezenove anos! Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem! Este é o caminho a ser percorrido!”, concluiu o Papa.

Mais sobre a coletiva com dom Damasceno

Dentre as novidades apresentadas por Dom Raymundo Damasceno, está a realização de uma edição extraordinária do Sínodo dos Bispos para o próximo ano, em Roma, e que falará sobre a família. A Assembleia ordinária acontecerá em 2015. Além disso, apresentou o tema e o lema da próxima Campanha da Fraternidade, que abordará o tráfico humano.

O bispo auxiliar de Aparecida, Dom Darci José Nicioli, relembrou também os momentos mais marcantes da arquidiocese: a Festa de Frei Galvão, Romaria Nacional da Juventude, dia dedicado à Padroeira do Brasil e o crescimento de público no Santuário. Segundo ele, mais de 11 milhões de fiéis estiveram na Basílica este ano, além da ilustre presença do Papa Francisco em julho durante a Jornada Mundial da Juventude.

“Eu gosto de uma frase que ele usou aqui [em Aparecida]: ‘não deixem que roubem a esperança do nosso coração’, e nós estamos sedentos de esperança. Então, tudo isso significa esperança: nunca desanimar , nunca desistir…”, ressaltou o bispo.

Ainda durante a coletiva, Dom Damasceno destacou ainda dois documentos elaborados pelo Papa neste ano: a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, com o apelo para a missão evangelizadora da igreja, e a mensagem de Francisco para o dia 1º de janeiro de 2014, em que o Pontífice faz referência à Fraternidade como um caminho para a paz.

Por fim, o cardeal expressou sua mensagem aos fiéis para este Natal. “Somos chamados a viver essa mensagem profunda do Natal, acolher bem o outro, ver no outro um outro eu. Esta é a minha mensagem de um Feliz e Santo Natal para todos e também um Ano Novo muito abençoado, sobre a proteção de Nossa Senhora Aparecida”, disse.

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

 

São Martinho de Lima

São Martinho de Lima

São Martinho de Lima

Com “orgulho santo” celebramos a santidade de vida de um santo do nosso chão latino-americano. São Martinho nasceu no Peru em 1579, filho de um conquistador espanhol com a mulata panamenha.

Grande parte da sociedade de Lima não diferenciava tanto da nossa atual, pois sustentava a hipócrita postura do preconceito racial, por isso Martinho sofreu humilhações, por causa da sua pele escura. Aconteceu que São Martinho não foi reconhecido portador de sangue nobre, e nem precisava, porque educado cristãmente pela mãe, descobriu com a vida que o “aspecto mais sublime da dignidade humana está na vocação do homem à comunhão com Deus” (Catecismo da Igreja Católica).

Com idade suficiente, São Martinho, homem cheio do Espírito Santo e de obras no Amor, conseguia servir a Cristo no próximo, primeiramente pelas suas diversas profissões (barbeiro, dentista, ajudante de médico), e mais tarde, amou Deus no outro e o outro em Deus, como irmão da Ordem Dominicana.

Mendigo por amor aos mendigos, São Martinho de Porres, ou de Lima, destacou-se dentre tantos pela sua luta contra o Tentador e a tentação, além da humildade, piedade e caridade.

Sendo assim, Deus pôde munir Martinho com muitos Carismas, como o de cura e milagres, sem que estes o orgulhasse e o impedisse de ir ao Céu, onde entrou em 1639.

São Martinho de Lima…. rogai por nós!

Fonte: Santo do Dia – Canção Nova
Distribuição: Membros da Comunidade São Martinho de Lima

Perder a cabeça…

“Perder a cabeça e não a dignidade” foi o que norteou São Thomas More, célebre humanista inglês, lorde chanceler do rei Henrique VIII. São Thomas More esteve encarcerado entre 17 de abril de 1534 e 6 de julho de 1535, acusado de conspirar contra o rei e executado por decapitação.

O mártir inglês perdeu a cabeça e não a dignidade, mantendo-se fiel à sua consciência e aos seus princípios. Erudito e literato de primeira grandeza, é considerado o melhor prosador da Inglaterra em língua latina e o fundador da literatura inglesa moderna.

Estadista no sentido mais autêntico da expressão, tornou-se conhecido e famoso por sua prudência e integridade. A sua obra mais conhecida, a “Utopia”, é a imagem do Estado ideal, segundo a razão humana, que contrastava com a realidade dos reinos do seu tempo e de agora.

Thomas More esteve por quatro anos como hóspede na Cartuxa de Londres, ordem conhecida por sua severidade e exigência, onde aprofundou o conhecimento da doutrina cristã e onde também reconheceu que sua vocação não era a vida monástica. Passou a viver como advogado, casando-se com Joan Colt, com quem teve quatro filhos: Margareth, Elizabeth, Cecily e John.

Advogado brilhante, desempenhou cargos públicos e participou de missões diplomáticas e comerciais na Europa, onde estabeleceu laços de amizade com os maiores intelectuais de seu tempo, como Erasmo de Rotterdam. A sua esposa Joan faleceu em 1511, deixando os filhos pequenos e Thomas More, viúvo, casou-se com Alice Middleton, cuidadosa mãe e administradora do lar.

A escola que Thomas More montou em sua própria casa, fato inusitado, permitia dar às suas filhas e aos filhos dos criados a mesma educação que dava ao seu filho homem. O seu cuidado com a educação cristã era detalhado, proporcionando momentos de oração com toda a família e com os empregados, com grande freqüência e piedade.

A sua dedicação e competência o levaram ao cargo de Chanceler, que equivalia ao de juiz supremo. O seu empenho foi tanto que resolveu dar andamento a todos os processos que se acumularam durante anos, para tornar a justiça acessível aos desvalidos, recebendo até em sua casa quem tivesse alguma queixa.

A tirania de Henrique VIII, suas manobras políticas para conseguir o que queria, desde tráfico de influência até perseguições e morte, levaram o chanceler More a renunciar ao cargo. As práticas do rei para conseguir o que queria a qualquer preço, como a anulação de seu casamento com Catarina de Aragão, para casar-se com Ana Bolena, o levaram a declarar-se Chefe Supremo da Igreja na Inglaterra. Os que discordavam e se negavam a assinar o documento de submissão total tinham os bens confiscados e eram condenados à morte, como o bispo de Rochester, São John Fisher.

O ex-chanceler, com 54 anos, sabia que a discordância se tornaria resistência e o jogaria em terríveis dificuldades e perseguições. Armadilhas muito bem arquitetadas e ardilosas tentaram envolvê-lo a todo custo, mas não conseguiam demover o homem que, pela liberdade de consciência, não teve medo de enfrentar a morte.

Comovente é sua meditação espiritual escrita na Torre de Londres, na prisão: “Dai-me a vossa graça, meu senhor, para ter o mundo em nada. Para ter minha mente bem unida a Vóz e não depender das censuras dos outros. Para que pense em Deus com alegria e implore ternamente sua ajuda. Para que me apóie na fortaleza de Deus e me esforce com denodo por amá-lo. Para que conheça minha própria miséria e vileza, para que me humilhe sob a mão poderosa de Deus. Para percorrer a senda estreita que conduz à vida. Para levar a cruz com Cristo. Para pedir perdão antes que o Juiz chegue. Para ter sempre presente a paixão que Cristo sofreu por mim. Para ganhar Cristo e para isso ter em nada de nada, a perda da fortuna, dos amigos, da liberdade, da vida e de tudo. Para ter os meus piores inimigos como meus melhores amigos…”

Na canonização de Thomas More e John Fisher, o papa Pio XI os comparou a “grandes faróis erguidos para brilhar e iluminar os caminhos de Deus”. Toda essa história se torna ainda mais dramática pois o papa João Paulo II declarou São Thomas More padroeiro da classe política, que na maior parte das vezes prefere não perder a cabeça e sim a dignidade!