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Igreja lança Campanha da Fraternidade

A Igreja lançou oficialmente nesta quarta-feira de cinzas a Campanha da Fraternidade que em 2009 tem como lema “A paz é fruto da justiça”. Paróquias e comunidades de todo o país são convidadas a refletir sobre a questão da segurança pública, a violência e a construção da cultura da paz.

Em São Paulo, o cardeal arcebispo D. Odilo Scherer presidiu a missa na Catedral da Sé, da qual participaram milhares de fiéis. D. Odilo ressaltou a importância da Quaresma para chegar à Páscoa e citou os três conceitos fundamentais deste tempo: o jejum, a esmola e a oração.

Em entrevista, o cardeal falou sobre a mensagem da Campanha:

O coordenador nacional da Pastoral Carcerária, Pe. Gunther Zgubic, comentou as mudanças necessárias para se alcançar a verdadeira paz:


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Veja abaixo fotos da celebração:


Imagens de Wanderley Oliveira

A insegurança de seguir Jesus

Tarcísio de Oliveira

A paz é fruto da justiçaO tema da Campanha da Fraternidade de 2009, “Fraternidade e Segurança Pública”, nos convida a uma reflexão, enquanto cristãos, sobre o nosso próprio modo de agir social. Quais serão nossos papeis e responsabilidades em relação à alta taxa de criminalidade e insegurança em que somos obrigados a conviver no Brasil? Não podemos no esquecer que Jesus, em sua vida pública, conviveu cada vez mais com uma situação de insegurança e que seu caminho teve como destino o assassinato através da violenta morte na cruz. A alternativa cristã para essa falta de segurança está, de acordo com o ensinamento de Cristo, interiormente na fé, e exteriormente no amor.

Embora Jesus fosse obrigado a conviver com uma forte cultura de injustiça social que caracterizava o império romano, ele sempre demonstrou uma forte segurança junto ao Pai em sua missão. Por esse motivo, antes de enfrentar a paixão, Jesus sintetiza essa dualidade aqui exposta através das seguintes palavras: “Agora meu coração está perturbado, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não, pois eu vim exatamente para isto, para esta hora. Pai, glorifica o teu nome!” (Jo 17,27-28a). De fato, Jesus nunca indicou a seus seguidores facilidade em relação aos seus ensinamentos. A tarefa do cristão é ser peregrino em meio às adversidades: “Se alguém quiser ser meu seguidor, toma a tua cruz e siga-me” (Mc 8, 34). É bom lembrar que os primeiros seguidores dos ensinamentos de Jesus não eram denominados por cristãos, mas de “seguidores do caminho”. Isto implica uma positividade, uma ação e iniciativa perante a vida, pois ninguém entra por um caminho para estacionar no meio. O “seguidor do caminho” era visto por sua atitude, por seu testemunho (martyria) cristão.

A primeira Igreja, em que a grande maioria, como nós, não havia visto a Jesus, mas que diferentemente de nós, estava muito mais próxima de seu testemunho, foi a comunidade dos mártires. Estes conseguiram algo realmente surpreendente: fazer com que a cultura de seus perseguidores mudasse através de sua iniciativa, e a iniciativa do cristão é norteada pelo amor. Foi assim que eles venceram o império romano.

O amor cristão, como tudo aquilo que veio de Jesus, possui uma dinâmica própria e transformadora. Isso pode ser verificado no texto da Didaqué, conhecido como o primeiro catecismo dos cristãos. Nele podemos notar o pensamento da “ violência do amor” onde desenvolve-se o raciocínio já presente nos evangelhos de “oferecer a outra face”. Isto pode no chocar, pois como isso pode ser amor e, mais ainda, ser violento? A própria Didaqué nos diz: “não se deixe levar pelos impulsos instintivos”. Ora, a reação impulsiva a uma ofensa é xingar, o instinto perante a violência é agredir. Qualquer um é capaz de fazer isso. A novidade que Cristo nos traz é que, responder à violência com um gesto de amor é também ser violento. É a única forma que faz o outro pensar em sua atitude, de fazê-lo sentir remorso por sua brutalidade. Qual o papel que o perdão pode gerar nos relacionamentos humanos? Tudo isso não deixa de ser violência, até mesmo o perdão, pois faz o outro se sentir mal pelo que fez.

Esta é a lição que a antiga tradição nos mostra para combatermos a violência. E essa lição foi elaborada numa época em que ser cristão era um crime cuja pena era a morte. O desenvolvimento da violência do amor aconteceu em meio a perseguições, torturas e mortes, muitas vezes, horríveis. Porém, esses seguidores do caminho de Cristo possuíam a segurança, alimentada por uma forte fé em Deus, que não restava outro caminho, pois eles bem sabiam que Cristo é o “caminho a verdade e a vida; ninguém vem ao pai senão por mim” (Jo 14,6).

Desse modo, acredito, poderemos refletir sobre as nossas ações. Temos atitudes vingativas? Acrescentamos mais negatividade em nossas relações? A nossa língua está a serviço da paz ou da discórdia? Estamos, de fato, seguros de estarmos trilhando o caminho de Jesus que leva ao Pai?
A paz tão almejada decorre da compreensão desses princípios, como nos diz o próprio Jesus: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16,33).

Grupo Arco-íris discute tema da Campanha da Fraternidade

A paz é fruto da justiçaSegunda-feira, dia 09 de fevereiro, recomeçamos nossos encontros, já com o livrinho da Campanha da Fraternidade de 2009 (CF 2009), apesar de ainda estarmos no TEMPO COMUM. Sempre é tempo de oração e reflexão.

FRATERNIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA é um assunto polêmico.

Iniciamos com orações, leitura da Bíblia e a partilha das experiências. Nesse momento quase todos quiseram falar. Mais da metade das pessoas do grupo já sofreu algum tipo de violência, a começar pela Cidinha, que foi o caso mais grave, o caso da Lúcia que ficou por horas nas mãos de bandidos (ela e os dois filhos da patroa, de 3 e 6 anos), casos de sequestro-relâmpago, assaltos, vítimas de estelionato etc., sem falar da violência psicológica.

Só saber que bandido é bandido porque a falta de emprego, moradia, saúde, educação o levou a isso, não resolve o problema da nossa insegurança.

Outro ponto que foi muito falado foi de que a violência tem se disseminado tanto pela certeza da impunidade. Todos nós nos sentimos vítimas, sem poder contar com as autoridades.

GESTO CONCRETO

O que fazer? Na nossa fragilidade, a solução encontrada foi: orar e pedir à Deus proteção. Na medida do possível sempre acompanharmos uns aos outros.

Já marcamos o próximo encontro, e vamos ver se podemos fazer mais do que nos comprometemos nesse encontro.

E que DEUS nos abençôe e nos guarde.

Grupo Arco-Íris

A paz é fruto da justiça

D. Dimas Lara Barbosa, secretário-geral da CNBB

A paz é fruto da justiçaO TEMPO da Quaresma, a Igreja Católica propõe a seus fiéis que seja marcado por um esforço pessoal e comunitário de conversão, em vista da superação do pecado e de uma melhor vivência do sacramento do batismo. Isso significa dar passos concretos no sentido de uma união cada vez mais perfeita à pessoa de Jesus Cristo, assumindo os valores por ele pregados.

Com vistas a uma melhor vivência da dimensão comunitária da conversão, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) realiza todos os anos a Campanha da Fraternidade, que tem como objetivos permanentes: despertar o espírito comunitário no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor, exigência central do Evangelho; e renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da igreja na evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária.

Cada Campanha da Fraternidade gira em torno de um tema e de um lema que, desenvolvidos em diversos tipos de subsídios (círculos bíblicos, celebrações penitenciais, encontros para famílias, encontros para jovens, encontros nas escolas, roteiros para homilias, dentre outros), tornam-se referência para a análise da realidade concreta em que se vive, julgada à luz da palavra de Deus, além de apresentar pistas concretas para a ação.

Para este ano de 2009, o tema proposto é “Fraternidade e Segurança Pública”, e o lema, “A Paz é Fruto da Justiça (Is 32,17)”.

De fato, diariamente, chegam de todos os cantos do país notícias de injustiças e violências as mais diversas.

Nossa sociedade se torna cada vez mais insegura, e a convivência entre as pessoas é cada vez mais difícil e delicada. A CNBB quer contribuir para que esse processo seja revertido por meio da força transformadora do Evangelho.

O objetivo geral da Campanha da Fraternidade de 2009 é suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, nas famílias, na comunidade e na sociedade.

A paz buscada nessa campanha é a paz positiva, orientada por valores humanos, como a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao “outro” e a mediação pacífica dos conflitos, e não a paz negativa, orientada pelo uso da força das armas, a intolerância com os “diferentes” e tendo como foco os bens materiais.

Para que isso seja possível, alguns passos são necessários. O primeiro deles é desenvolver nas pessoas a capacidade de reconhecer a violência em sua realidade pessoal e social para que assumam a própria responsabilidade diante dela.

O exercício da cidadania também é importante. Daí a necessidade de favorecer a criação e a articulação de redes sociais populares e de políticas públicas, desenvolver ações que visem à superação das causas e dos fatores da insegurança, despertar o agir solidário para com as vítimas da violência e apoiar as políticas governamentais valorizadoras dos direitos humanos.

O caminho para a superação da insegurança passa, assim, pelo cultivo da cultura da paz, que supera a visão de guerra, segundo a qual violência se vence com violência.

A cultura da paz exige novos critérios para o relacionamento humano:

a vivência da não-violência ativa, a superação da vingança, a gratuidade, o perdão e a misericórdia. A prioridade tem que ser o valor da pessoa humana e sua dignidade.