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Novo vídeo da campanha “Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas”

Novo vídeo da campanha “Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas”

Baseado em uma história antiga sobre a fome e partilha, esta animação em vídeo faz parte da campanha da Cáritas “Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas”. A lenda das “colheres longas” nos ensina que quando lutamos apenas para nos alimentar, todo mundo passa fome. Mas quando focamos a fome do outro, descobrimos que existem maneiras de alimentar o mundo.

Paz com fraternidade

Cardeal Odilo Pedro Scherer

A primeira mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial da Paz, comemorado a cada ano pela Igreja Católica no dia 1.º de janeiro, merece especial atenção: ela pode orientar pessoas, grupos, a sociedade inteira e as nações na busca e na preservação da paz. “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”, esse é o tema da mensagem. Francisco vai ao essencial e fala de “fundamento” e “caminho” e aponta na fraternidade a base sólida para edificar a paz; sem esse pressuposto, fica difícil dar solidez e estabilidade à paz, que poderá ser abalada por qualquer estremecida nos relacionamentos.

Continua verdadeiro que a paz é obra da justiça – opus iustitiae pax. Mas a justiça sem a dimensão fraterna, além de ser fria e dura, não é capaz de consolidar a paz. Sobretudo se a justiça for a dos vencedores, dos mais fortes e prepotentes. A fraternidade – essa, sim -, aliada à justiça, aplaina o caminho para a reconciliação e a paz duradoura.

A segunda parte do tema fala da fraternidade como caminho para a paz. Se queremos paz, precisamos promover a fraternidade, educar para a solidariedade. O uso da força e da violência consegue, talvez, derrotar inimigos, mas não estabelecer a paz. Violência e humilhação suscitam ódio e sede de vingança. A luta para uma paz verdadeira não se faz sem o poder desarmado da fraternidade.

O individualismo busca satisfações egocêntricas, sem levar em conta o seu preço social, e acaba degradando a dignidade humana e destruindo as relações sociais. Alguma filosofia afirma que o homem é movido, sobretudo, pelo ódio e pela violência; o cristianismo não compartilha essa visão sobre o homem.

Sobram razões para edificar a paz, seguindo caminhos de fraternidade. Nós somos feitos para o diálogo, o encontro e a convivência. Homem nenhum é uma ilha. O próximo não deve ser visto como um concorrente, um adversário, um inimigo a ser eliminado; tampouco como um objeto útil à satisfação dos próprios desejos.

O papa observa que as éticas contemporâneas são incapazes de construir verdadeiros laços de fraternidade e solidariedade por não reconhecerem no Pai comum seu fundamento. No entanto, somos todos membros da única grande família humana, descendentes de Adão e Eva, filhos amados do único Deus e pai! Temos, portanto, dignidade igual. A humanidade traz inscrita no profundo de sua identidade a vocação para a fraternidade.

As razões da fé levam a ver em cada ser humano um irmão e uma irmã, um companheiro nas estradas da vida, a quem estamos ligados pelos laços suaves da fraternidade. A solidariedade traduz de formas concretas a fraternidade e o interesse altruísta de uns pelos outros; alegrias, dores e esperanças de nossos irmãos nos dizem respeito e são, de alguma forma, também nossas.

Francisco lembra ensinamentos de seus predecessores. Paulo VI, na encíclica Populorum Progressio, já havia advertido para a necessidade de as pessoas e os povos trabalharem juntos, com espírito fraterno, para construir um futuro bom para todos, especialmente para os menos favorecidos (n. 43-44). João Paulo II, na Sollicitudo Rei Socialis, ensina que a paz é fruto da solidariedade e da busca sincera do bem comum (n. 38-39). Bento VI, na encíclica Caritas in Veritate, disse que é necessário introduzir na economia a lógica da solidariedade e da gratuidade (n. 19).

As leis da economia, impulsionadas pela concorrência, nada fraterna, e visando o lucro sempre maior, não conseguem eliminar a pobreza. Ao contrário, acabam suprimindo oportunidades e empurrando sempre mais gente para a margem do bem comum. A vida econômica precisa deixar-se revitalizar pelo oxigênio da fraternidade, para não se tornar vítima da concentração asfixiante de bens e oportunidades.

E as guerras continuam a manchar o convívio entre os povos… Muitas vezes, os conflitos ocorrem debaixo dos olhares de todos e com a indiferença generalizada. Como superá-los? Responde o papa Francisco: “A fraternidade extingue a guerra”, porque derruba seus motivos e introduz uma nova lógica no convívio entre os povos. Forte torna-se o apelo de Francisco às partes em conflito e em favor do desarmamento: “Renunciai às armas e ide ao encontro do outro com o diálogo, o perdão e a reconciliação, para reconstruir a justiça, a confiança e a esperança ao vosso redor!” (n. 7). E repete o apelo de seus predecessores contra a proliferação das armas, especialmente armas nucleares e químicas.

Corrupção e crime organizado ferem profundamente a fraternidade. São a expressão “refinada” do egoísmo, que não hesita em fazer recurso à violência ou ao mau uso do poder para alcançar seus objetivos de lucro, poder e glória. Muitas vezes o crime organizado explora impiedosamente pessoas e povos que já vivem sob a pressão da miséria, como os migrantes, os desempregados, a mulher marginalizada… Que glória pode haver nas fortunas desonestas ou nas mãos manchadas de sangue inocente?!

As organizações criminosas minam a legalidade e a justiça e ferem a dignidade da pessoa humana. Visitando a Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá, em maio de 2007, Bento XVI ameaçou com o julgamento de Deus os traficantes de drogas e os que fazem fortuna com o “mercado da morte”.

Francisco lembra ainda: a preservação da natureza e do ambiente da vida também requer atitudes e comportamentos mais fraternos. Os bens do mundo foram confiados ao cuidado do homem para que ele os administre e use com sabedoria, tendo em conta que não é seu único beneficiário. Os recursos da natureza devem ser usados para que não haja fome ou desperdício, nem depredação que comprometa o equilíbrio ambiental. A destinação universal dos bens da criação será alcançada com atitudes e comportamentos verdadeiramente fraternos.

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo
@DomOdiloScherer

Oração do Angelus: “Construir uma sociedade mais justa e solidária”!

Após a celebração Eucarística, no dia 1º de janeiro, o Papa Francisco deixou a Basílica Vaticana e se dirigiu à janela da terceira loggia do Palácio Apostólico para rezar a oração do Angelus com os milhares de fiéis, que superlotavam a Praça São Pedro.

Em sua primeira alocução mariana do ano, o Santo Padre dirigiu a todos as suas felicitações de paz e bem. Os seus augúrios são os mesmos da Igreja: são augúrios cristãos para que reine a paz, a justiça, a liberdade e o amor entre os povos.

A seguir, o Papa recordou o Dia Mundial da Paz, que tem como tema “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz” e explicou:

“Na sua base há a convicção de que nós todos somos filhos do único Pai, fazemos parte da família humana e partilhamos o mesmo destino. Disso deriva a responsabilidade de cada um de atuar, para que o mundo se torne uma verdadeira comunidade de irmãos, que se respeitam e aceitam as diversidades e cuidam uns dos outros. Somos chamados a dar-nos conta das violências e injustiças em muitas partes do mundo, que não nos podem deixar indiferentes e imóveis. Todos nós devemos construir uma sociedade mais justa e solidária”.

A seguir, o Santo Padre disse que, no primeiro dia do ano, em todas as partes do mundo, os cristãos elevam suas orações para pedir ao Senhor o dom da paz e a força para levá-la a todos os ambientes. Mas, a paz requer também a força da mansidão, da não-violência, da verdade e do amor. Aqui, o Papa insistiu dizendo que “a paz começa em nossas casas. A justiça e a paz começam entre nós, em nossas famílias, para depois chegar a toda a humanidade”. Por fim, exortou:

“Nas mãos de Maria, Mãe do Redentor, coloquemos, com confiança filial, as nossas esperanças. Confiemos a ela o grito de paz das populações oprimidas pelas guerras e as violências, para que a coragem do diálogo e da reconciliação prevaleça sobre as tentações de vingança, de prepotência, de corrupção”.

O Papa concluiu a oração mariana, convidando exortando os fiéis a pedirem a Nossa Senhora “para que o Evangelho da fraternidade, anunciado e testemunhado pela Igreja, possa falar às consciências e abater os muros, que impedem aos inimigos de se reconhecer cristãos”.

Após a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco passou a fazer sua saudação aos presentes, mas, de modo especial, agradeceu o Presidente da Itália, pelos seus augúrios de fim de ano, que fez em rede nacional, além das felicitações que fizeram por telefone.

O Bispo de Roma aproveitou para invocar de Deus as bênçãos para o povo italiano, afim de que possa, de modo responsável e solidário, contribuir para o bem de todos e olhar o futuro com confiança e esperança!

Depois, o Pontífice expressou sua gratidão também pelas tantas iniciativas de oração e de compromisso pela paz, em todas as partes do mundo, por ocasião do Dia Mundial da Paz.

O Santo Padre fez uma saudação particular aos “Cantores da Estrela”, em alemão Stersinger, que levaram as ofertas ao altar durante a Santa Missa: eram três jovens, vestidos de branco e com uma coroa na cabeça. Os “Cantores da Estrela”, como o Papa explicou, são crianças e jovens que, na Alemanha e Áustria, levam às casas a bênção de Jesus e coletam ofertas para as crianças mais necessitadas.

Ao término da oração do Angelus, o Papa Francisco desejou a todos um “Ano Novo de Paz”, com a graça do Senhor e a proteção de Nossa Senhora.

Recordamos que, na parte da tarde, deste primeiro dia de ano, o Papa, como Bispo de Roma, foi visitar, em forma estritamente particular, a Basílica de Santa Maria Maior, em pleno centro da capital italiana.

O Pontífice se deteve por alguns instantes de oração diante da imagem da Mãe de Deus, chamada “Salus Popoli Romani” (“Salvação do Povo Romano”). Esta foi a sétima vez que Papa Francisco esteve na Basílica mariana de Roma.

Fonte: News. Va

O Papa Francisco e a economia política da exclusão

Leonardo Boff

Quem escuta as várias intervenções do bispo de Roma e atual Papa, se sente em casa e na América Latina. Ele não é eurocêntrico, nem romanocêntrico e muito menos vaticanocêntrico. Ele é ele mesmo, um pastor que “veio do fim do mundo”, da periferia da velha cristandade européia, decadente e agônica (só 24% dos católicos são europeus); provem do cristianismo novo que se elaborou ao longo de 500 anos na América Latina com um rosto próprio e sua teologia.

O Papa Francisco não conheceu o capitalismo central e triunfante da Europa mas o capitalismo periférico, subalterno, agregado e sócio menor do grande capitalismo mundial. O grande perigo nunca foi o marxismo mas a selvageria do capitalismo não civilizado. Esse tipo de capitalismo gerou no nosso Continente latino-americano uma escandalosa acumulação de uns poucos à custa  da pobreza e da exclusão das grandes maiorias do povo.

Seu discurso é direto, explícito, sem metáforas encobridoras, como costuma ser o discurso oficial e equilibrista do Vaticano que coloca o acento mais na segurança e na equidistância do que na verdade e na clareza da própria posição.

A posição do Papa Francisco é claríssima: a partir  dos pobres e excluidos:”não devem subsistir dúvidas nem explicações que debilitem” esta opção já “que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres”(Exortação n.48). De forma contundente denuncia:”o sistema social e econômico é injusto em sua raiz(n.59); “devemos dizer não a uma economia da exclusão e da desigualdade social; esta economia mata…o ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora; os excluidos não são  os ‘explorados’ mas resíduos e ‘sobras”(n. 53).

Não se pode negar: esse tipo de formulação do Papa Francisco lembra o magistério dos bispos latino-ameriacanos de Medelin (1968), Puebla (1979) e Aparecida (2005) bem como  o pensamento comum da teologia da libertação. Esta tem como seu eixo central a opção pelos pobres, contra a sua pobreza e em favor da vida e da justiça social.

Há uma afinidade perceptível com o economista Karl Polanyi que, por primeiro, denunciou a “Grande Transformação”(título do livro de 1944) ao fazer da economia de mercado  uma sociedade de mercado. Nesta tudo vira mercadoria, as coisas mais sagradas e as mais vitais. Tudo é objeto de lucro. Tal sociedade se rege estritamente pela competição, pela regência do individualismo e pela ausência  de qualquer limite. Por isso nada respeita e cria um caldo de violência, intrínseca à forma como ela  se constrói e funciona, duramente criticada pelo Papa Francisco (n. 53). Ela gestou um efeito atroz. Nas palavras do Papa: “desenvolveu uma globalização da indiferença; tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios; já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos em cuidar deles”(n.54). Numa palavra, vivemos tempos de grande desumanidade, impiedade e crueldade. Podemos nos considerar ainda civilizados se por civilização entendermos  a humanização do ser humano? Na verdade, regredimos à primitivas formas de barbárie.

Conclusão final que o Pontífice deriva desta inversão:”não podemos mais confiar nas forças cegas e na mão invisível do mercado”(n.204). Destarte ataca o coração ideológico e falso do sistema imperante.

Onde vai buscar alternativas? Não vai beber da esperada Doutrina Social da Igreja. Respeita-a mas observa:”não podemos evitar de ser concretos para que os grandes princípios sociais não fiquem meras generalidades que não interpelam ninguém”(n.182). Vai buscar na prática humanitária do Jesus histórico. Não entende sua mensagem como regra, engessada no passado, mas como inspiração que se abre para a história sempre cambiante. Jesus é alguém que nos ensina a viver e a conviver a “reconhecer o outro, curar as feridas, construir pontes, estreitar laços e ajudar-nos a carregar as cargas uns dos outros”(n.67). Personalizando seu propósito diz:”a mim interessa procurar que, quantos vivem escravizados por uma mentalidade individualista, indiferente e egoista, possam libertar-se dessas cadeias indignas e alcancem um estilo de vida e de pensamento mais humano, mais nobre, mais fecundo que dignifique a sua passagem por esta terra”(n.208). Esta intenção se assemelha àquela da Carta da Terra que aponta valores e princípios para uma nova Humanidade que habita com amor e cuidado o planeta Terra.

O sonho do Papa Francisco atualiza o sonho do Jesus histórico, o do Reino de justiça, de amor e de paz. Não estava na intenção de Jesus criar uma nova religião, mas pessoas que amam, se solidarizam, mostram misericórdia, sentem a todos como irmãos e irmãs porque todos filhos e filhas no Filho.

Esse tipo de cristianismo não tem nada de proselitismo mas conquista pela atração de sua beleza e profunda humanidade. São tais valores que irão salvar a humanidade.

Fome no mundo

Dom Demétrio Valentini

A Igreja acaba de lançar uma campanha para a erradicação da fome no mundo. Esta campanha vem respaldada de apoios muito significativos. Quem a encabeça é a Cáritas Internacional, mas quem a subscreve é o Papa Francisco.

A repercussão prática da posição do Papa já se mostrou muito eficaz, quando do seu contundente posicionamento contrário à intervenção dos Estados Unidos na Síria. A posição do Papa demoveu uma decisão já praticamente tomada pelo Presidente Obama. E a partir daí, os acontecimentos na Síria vão convergindo para uma solução pacífica do conflito interno, mesmo com as muitas dificuldades ainda a serem superadas pelo próprio povo da Síria.

Agora, a campanha é mais ampla, mais complexa, e mais duradoura. Desta vez, o Papa fez questão de agregar outros apoios, estratégicos e práticos, visando inserir esta campanha contra a fome na própria dinâmica da ação da Igreja.

A campanha foi sugerida pela Cáritas da Espanha, e foi logo encampada pela Cáritas Internacional. É de salientar que o Presidente da Cáritas Internacional é o Cardeal Oscar Maradiaga, que é um dos membros do “Grupo dos oito Cardeais”, nomeados pelo Papa Francisco para o ajudarem no governo da Igreja.

Desta maneira, resulta evidente a importância estratégica desta campanha, lançada quando vai tomando forma a nova postura da Igreja, simbolizada pela figura do Papa Francisco.

Para concretizar a proposta de uma Igreja “voltada para a sociedade”, solidária com suas grandes causas, nada melhor do que enfrentar este “escândalo público”, que é o flagelo da fome no mundo, como o próprio Papa o qualificou.

Com o lema: “Uma só família – Pão e Justiça para todas as pessoas” a campanha é lançada agora, com a intenção de ir envolvendo a Igreja toda, para atrair também as adesões da esfera pública, sobretudo a nível das Nações Unidas, onde o brasileiro José Graziano da Silva preside a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.

A campanha começa “em casa”, convocando as Cáritas de todos os países onde ela está organizada. Tem a intenção de se prolongar até o ano de 2015, quando com certeza já será possível avaliar suas repercussões práticas, para que a ação contra a fome se traduza em políticas públicas orgânicas e eficazes nos países que atualmente mais padecem deste flagelo, especialmente na África, e também na Ásia.

Dependendo do critério adotado, chega-se a cifras aproximadas, que quantificam as estatísticas da fome. O fato é que, segundo as Nações Unidas, existe aproximadamente um bilhão de pessoas que padecem de desnutrição no mundo. Outra constatação persistente é que o problema não decorre da escassez de alimentos. Com a produção atual, seria possível garantir alimentação suficiente para o mundo inteiro. O problema, portanto, não se limita à produção de alimentos, que continua sendo um desafio. O mais difícil é a adequada distribuição dos alimentos, que não pode ser deixada à lógica mercantilista, onde o alimento vira mera mercadoria, e a própria fome se torna, inclusive, fator de especulação financeira.

Esta, portanto, será uma campanha que vai mexer com nossas convicções. E vai colocar em destaque a importância do Brasil, não só pelo seu esplêndido potencial de produtor de alimentos, mas também pelos efeitos benéficos de suas políticas sociais, embora ainda incipientes.

Vamos aguardar as instruções práticas da Cáritas Brasileira, para que esta campanha se insira de maneira articulada em nossas comunidades, e encontre uma generosa proposta por parte do povo brasileiro.

Onde está nossa felicidade?

Cardeal Odilo Pedro Scherer

O final do Ano Litúrgico nos coloca diante das “realidades últimas” da nossa existência: para onde conduz a nossa vida? O que vem depois da vida neste mundo? Ainda haverá algo depois da morte?

No Ano da Fé, recordamos os grandes “mistérios da fé”, que Deus manifestou e nos quais cremos, junto com a Igreja. A fé é uma luz divina, que nos faz ver mais longe e compreender mais profundamente toda realidade – também aquilo que incomoda tanto o ser humano que pensa e se interroga sobre o sentido da vida e da morte, sobre a base de sustentação do bem e da justiça, da liberdade humana e do anseio por plenitude e a saciedade para seus anseios e aspirações mais profundas.

No 33º Domingo do Tempo Comum, a Liturgia nos apresentou textos iluminadores da Palavra de Deus, que são resposta a muitas de nossas interrogações. Vale a pena respeitar a Deus, ser honestos e praticar o bem? Ainda mais: vale a pena praticar o bem, mesmo com sofrimento? Esta sempre foi um angustiosa questão para o homem, sobretudo ao ver que os “ímpios” não respeitam ao homem, nem a Deus, e vão bem na vida e até debocham de quem é honesto e reto em seu viver…

A resposta vem do profeta Malaquias: a sorte final de ímpios e justos não será a mesma; a justiça de Deus pode tardar, mas não falhará e colocará cada coisa no seu devido lugar. Os ímpios, como palha, serão queimados e não restará deles nem raiz; mas os justos podem ter a certeza: sobre eles se levantará o sol da justiça e lhes trará salvação (cf Ml 3,19s).

Nossa Profissão de Fé católica afirma: “e de novo (Jesus) há de vir para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim”. Na compreensão cristã da vida, nós não somos a última instância a decidir sobre o bem e o mal; nem tudo se resolve neste mundo, nem do jeito que cada um decide. Teremos que prestar contas a Deus sobre nossa vida e nosso agir, sobre o uso que tivermos feito de nossa liberdade.

Aliás, na visão da nossa fé, as coisas deste mundo não são ainda a realidade definitiva e final. Nem precisa ter muita fé para afirmar isso: nós passamos e as realidades deste mundo também passam; somos parte de uma realidade boa, mas ainda precária. Por isso, nossa fé nos leva a procurar os “bens eternos” e a “cidade definitiva”, onde Deus será tudo em todos.

Quando Jesus passeia no templo e os apóstolos lhe chamam a atenção para a grandiosidade e a beleza do templo de Salomão, ele responde: “disso tudo não ficará pedra sobre pedra, mas tudo será destruído” (cf.Lucas, 21,9). E convida os apóstolos a perseverarem, firmes na fé e na prática do bem, mesmo em meio a perseguições e injúrias (Lc 21,7,19). Se tivéssemos fé apenas para resolver questões deste mundo, seríamos os mais dignos de compaixão de todos os homens, no dizer de São Paulo. A fé firme em Deus e a esperança que brota da fé, dão-nos coragem e força para a perseverança na prática do bem. A falta de fé dá origem ao imediatismo e à pretensão de ter tudo, já neste mundo.

Na Oração do Dia do 33º Domingo comum, nós pedimos a Deus: “nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa, servindo a vós, o criador de todas as coisas” Esta oração, de fato, corresponde ao primeiro mandamento da Lei de Deus: “amar e servir a Deus de todo coração, com todas as forças…” Fora de Deus, não há felicidade plena.

Nossa fé, portanto, tem uma resposta para a questão angustiante do sentido da vida neste mundo e para a questão não menos angustiante do valor da prática do bem: há vida plena e felicidade completa para o homem, contanto que não se afaste de Deus e dos seus caminhos.

Conselho Permanente: Cáritas divulga Campanha Mundial de Combate à Fome

A Cáritas Brasileira apresentou hoje, aos bispos do Conselho Permanente, a Campanha Mundial “Uma família humana – Pão e Justiça para todos”, a ser lançada em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. O lançamento ocorrerá simultaneamente em todo o país em consonância com o lançamento em nível mundial.

Segundo a diretora executiva da Cáritas Brasileira, Maria Cristina dos Anjos, a Campanha “quer unir a humanidade como uma família e fazer que esta família, unida, assuma a causa do combate à fome e à pobreza até que sejam extintas”.

A proposta é sensibilizar a sociedade sobre a fome, miséria e desigualdade no mundo e no Brasil; mobilizar a Igreja e a sociedade para um diálogo sobre a realidade no país, a fim de colaborar para uma mudança efetiva da situação; evidenciar ações da Igreja no enfrentamento da fome, pobreza e desigualdade sociais e promover gesto concreto em favor do povo do Haiti.

Apoio à Síria

Ainda durante a reunião, a CNBB decidiu somar-se a outras entidades na campanha humanitária de apoio à Síria. De acordo com o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Damasceno Assis, trata-se de uma campanha de arrecadação de recursos materiais e financeiros e de divulgação sobre a situação do povo sírio, com a finalidade de ajudar a diminuir o sofrimento tanto das pessoas que ficam no país como dos refugiados. “Sobretudo, agora, no inverno, quando as pessoas vão para os campos e necessitam de alimento, roupas e outros materiais”, lembrou dom Damasceno.

A campanha é organizada pela Cáritas Brasileira e conta com o apoio de entidades como o Regional Sul 1 da CNBB, Consulado Sírio, instituição ‘Ajuda à Igreja que sofre’, entre outras.

Signis Brasil

A presidente da Signis Brasil, Irmã Helena Corazza, apresentou, aos bispos do Conselho Permanente, os trabalhos desenvolvidos pela instituição que congrega todos os meios de comunicação católicos e de inspiração cristã no país. A Signis também oferece formação aos comunicadores.

De acordo com Irmã Helena, a Signis é uma instituição ligada ao Pontifício Conselho das Comunicações, com sede em Bruxelas e que está presente em mais de cem países. “É uma rede que tem um pé na Igreja e um pé no mundo, que mantém diálogo com a sociedade. Segue exatamente esse espírito que o Concílio Vaticano trouxe e que nós estamos reavivando nos 50 anos”, ressaltou Irmã Helena.

Encerramento

A reunião do Conselho Permanente da CNBB teve início no dia 22 e terminou hoje, 24 de outubro, pela manhã. Durante o encontro, os bispos deram encaminhamentos à 52ª Assembleia Geral, que acontecerá em maio de 2014, e discutiram questões como a conjuntura atual, Diretório de Comunicação, Lei da Mídia Democrática, Filantropia, Reforma Política, entre outros.

Fonte: CNBB

Papa Francisco: juntar esforços em defesa de todas as minorias perseguidas

Juntamente com o combate de todas as formas de anti-semitismo, é importante enfrentar o problema da intolerância na sua globalidade, tomando em consideração todas as situações em que qualquer minoria é perseguida ou marginalizada: sublinhou o Papa, ao receber, nesta quinta-feira, uma Delegação de 60 pessoas do Centro Simon Wiesenthal, organização judaica para a defesa dos direitos humanos.

O Santo Padre sublinhou que este encontro, na sequência de outros ocorridos no passado com os Papas precedentes, exprime o seu apreço pela obra a que o Centro se dedica: “combater todas as formas de racismo, intolerância e anti-semitismo, preservando a memória da Shoa (Holocausto dos Judeus) e promovendo a compreensão recíproca mediante a formação e o empenho social.

Recordando ter tido já ocasião, nas últimas semanas, de reafirmar a condenação da Igreja em relação a toda e qualquer forma de anti-semitismo, o Santo Padre convidou a convidar o problema da intolerância na sua globalidade:

“Onde uma qualquer minoria é perseguida ou marginalizada em razão das suas convicções religiosas ou étnicas, está em perigo toda uma sociedade e todos nos devemos sentir implicados.”

Papa Francisco recordou, “com particular pesar”, os “sofrimentos, marginalização e verdadeiras perseguições que tantos cristãos estão a sofrer em variados países do mundo”.

“Unamos os nossos esforços para favorecer uma cultura do encontro, do respeito, da compreensão e do perdão recíprocos”.

Fonte? News.Va

Dom Milton convida ao seminário ‘Justiça e Direito Igual para Todos’

A Coordenação Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo realiza no próximo sábado, 31 de agosto, o seminário “Justiça e Direito Igual para Todos”. Na carta-convite para o evento, dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese e referencial do Serviço da Caridade, Justiça e Paz, do qual faz parte a Pastoral Carcerária, destaca que a atividade terá como reflexão central o Sistema Judiciário brasileiro.

De acordo com o bispo, este será um momento de formação para os agentes de pastoral e parceiros na atuação social junto ao povo, uma vez que o seminário se insere nas reflexões da 5º Semana Social Brasileira. “Estruturas sociais, políticas e econômicas orientadas pela justiça e pela fraternidade são necessárias para a promoção da vida, da dignidade, das alegrias e das esperanças dos homens e das mulheres”.

Fonte: CNBB