cultura da paz

Pe. Julio defende a cultura da paz para superar a violência

No final da missa de domingo, 11/11, o Pe. Julio Lancellotti defendeu o trabalho pastoral da Igreja, inclusive na área de Direitos Humanos, e alertou a comunidade a não se deixar influenciar por acusações e ataques que estimulam ainda mais a violência. Ele lembrou as mensagens de Dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, na defesa da vida. Veja mais detalhes nos avisos da semana:

Sou da Paz convida jovens a difundirem a cultura de paz através do teatro

Em 2008, a Instituto Sou da Paz realizou estudos e colocou em discussão temas relacionados à Cultura da Violência e à Cultura de Paz. Ações como a criação de um blog, formações e a execução de dinâmicas participativas e de arte, com ênfase no teatro, foram desenvolvidas para que professores, alunos e os próprios colaboradores do Instituto pudessem debater sobre valores e as diferentes manifestações da cultura.

Essas iniciativas fizeram parte do investimento do Instituto na área de ‘Culturas e Valores’ e serviram como piloto para estabelecer as diretrizes e formas de ação dessa nova área. A proposta é criar também um ambiente para que a equipe do Sou da Paz possa aprofundar essas reflexões em cada projeto que realizar.

O novo projeto de ‘Culturas e Valores’, que foi lançado para reforçar a discussão iniciada em 2008, é o ‘Paz Encena’, que tem como objetivo trabalhar com jovens as questões relacionadas à violência e à cultura de paz, através do teatro.

Jovens moradores da periferia, grupos e coletivos teatrais de São Paulo que estejam interessados em divulgar a cultura de paz debatendo o assunto e trabalhando com outros jovens são convidados a inscrever-se.

Os selecionados participarão gratuitamente, duas vezes por semana, durante 9 meses, de oficinas de teatro e de duas outras linguagens artísticas que serão escolhidas pelos próprios jovens: circo, palhaço, hip hop ou música. Ao final do projeto, será produzida uma peça teatral par ser apresentada em escolas e centros culturais.

As inscrições vão até 5 de julho e as oficinas começarão em agosto deste ano, na zona Sul de São Paulo. O formulário de inscrição está disponível no site www.soudapaz.org e deve ser preenchido e enviado para [email protected] ou impresso e enviado para Rua Luis Murat, nº 260.

O Instituto Sou da Paz foi fundado há mais de 10 anos para trabalhar com prevenção à violência e influenciar na atuação do poder público e de toda a sociedade frente ao problema. A entidade atua implementando projetos nas áreas mais afetadas e também participando de fóruns, conselhos e outros espaços onde possa ser debatida a construção de um país mais seguro.

Mais informações: (11) 3812.1333

CF 2009: A opinião da comunidade

Paroquianos da São Miguel Arcanjo têm esperança de que a Campanha da Fraternidade deste ano ajude a mudar as situações de falta de segurança e fortalecer a “cultura da paz”. A equipe do site entrevistou integrantes da comunidade no final da missas do dia 1º de março às 18h e 22 às 10h – veja algumas opiniões:

CF 2009: Verdadeira cultura da paz

D. Odilo Pedro Scherer
Cardeal arcebispo de São Paulo

Desde o lançamento da Campanha da Fraternidade (CF) deste ano, recebi diversas manifestações de apreço pelo fato de a Igreja ter escolhido a “segurança pública” como tema da CF de 2009: “que bom, que a Igreja entrou nesta questão!” Sente-se de muitas formas a falta de segurança e muitas pessoas esperavam por esta iniciativa da Igreja “para fazer alguma coisa”… Está claro que a questão de fundo é a violência, que se alastra sempre mais, embora isso não apareça no enunciado do tema da CF.

Para que a CF tenha o efeito desejado, isto é, menos violência e mais paz na convivência social, a sociedade é chamada para uma reflexão ampla sobre os fatos de violência e, sobretudo, sobre suas causas, que podem ser tantas. Para isso, apela para o envolvimento e a participação de todos os seus filhos e filhas e de todas as suas organizações. Coloca à disposição materiais de apoio já conhecidos, como o Texto-Base e o Manual da CF, que apresentam a abordagem do tema e a propostas de reflexão e de ação; há ainda materiais para destinatários e grupos diversos, como escolas, a catequese, a juventude e as famílias.

Mas a reflexão não deve ficar apenas dentro do âmbito da Igreja: esta é missionária e quer falar a toda a sociedade. Para isso, é necessário que o tema chegue às páginas dos jornais e revistas, às telas das TVs, ao rádio e à Internet. Manifestações públicas podem ser organizadas para chamar mais a atenção sobre algum aspecto do problema. Iniciativas e criatividade estão liberadas amplamente e são muito desejadas. Leigos e suas organizações podem dar grande contribuição para esta tarefa, valendo-se de sua competência profissional e de suas responsabilidades e competências na vida e nas organizações da sociedade. Penso que toda iniciativa para propor uma reflexão sobre o tema da violência nos ambientes de trabalho e de convivência social seja bem-vinda; ações poderão ser promovidas de forma ecumênica, de mãos dadas com outros grupos religiosos ou organizações sociais e culturais. Os beneficiados serão as pessoas e a sociedade inteira.

Chamamos a atenção para as responsabilidades do Estado na solução do problema da violência: segurança pública é um direito dos cidadãos e um dever do Estado; denunciamos os esquemas de violência organizada e criminosa, as injustiças sociais não resolvidas e que são uma violência contínua, especialmente sobre as pessoas e as camadas sociais frágeis e indefesas; alertamos para certa cultura complacente com a violência, que aparece no apreço dado a espetáculos deprimentes de violência, ou na exploração, como mercadoria e recurso para captar lucros, da curiosidade mórbida sobre fatos de violência; vai-se formando assim a insensibilidade e a indiferença das consciências diante das situações concretas de violência, que se tornam corriqueiras e parte do dia-a-dia.

A CF levanta um forte grito de alerta contra a violência, antes que esta fique incontrolável; quem nada faz para combatê-la, acabará sendo vitimado por ela. É preciso haver uma verdadeira “conversão social”, para não dar lugar à cultura da violência, às estruturas e organizações que fazem da violência o seu modo de se impor e ter vantagens; é preciso que seja difundida a cultura da dignidade do ser humano e do respeito aos seus direitos; e que sejam criadas favorecidas as condições de uma verdadeira justiça social, pois sem justiça não haverá paz.

Na nossa proposta para a solução desse problema, porém, há um diferencial, que queremos afirmar claramente durante esta Quaresma: a superação da violência não depende apenas de condições externas, mas também da conversão do coração e da orientação da vida segundo a verdade e o bem. “O reino de Deus chegou! Convertei-vos e crede no Evangelho!” (cf Mc 1,15). Este anúncio de Jesus orienta toda a caminhada quaresmal e a vida cristã. Quem quer viver segundo Deus deve mudar de conduta, abandonar o que não convém diante de Deus e abraçar aquilo que é coerente com seu reinado.

Também a CF orienta-se por este princípio fundamental. Na medida em que o coração humano aceitar o reino de Deus e sua justiça, mudam também as relações sociais. Por isso a CF nos traz a sabedoria preciosa e já bem antiga do profeta Isaías: “A paz é fruto da justiça!” (37,17). E, no reino de Deus, o modo de viver e conviver é a fraternidade, onde o próximo é visto como um irmão, filho do mesmo Pai celeste e digno de todo o respeito e consideração. Viver segundo o reino de Deus é promover a verdadeira cultura da paz.

Uma cultura de paz

Dom Sinésio Bohn

Se você é condenado injustamente, você pode reagir de muitas maneiras. Jesus ficou em silêncio, quando falsas testemunhas o acusaram diante de Pilatos. Vale a pena fazer o mesmo? É claro, como oferta a Deus, qual incenso que sobe aos céus. E dizer: “Por ti, Senhor”!

Uma das afirmações dos jovens da América Latina, refletidas diante da cruz, foi esta: “Na cruz Jesus Cristo rompeu o ciclo da violência”. Pela oferta da vida, o Salvador nos trouxe paz.

É o que Paulo diz na carta aos Efésios: “Ele é a nossa paz; ele, de dois povos, fez um só, derrubando com seu corpo o muro da divisão e da hostilidade. Criando assim, em sua pessoa, de duas uma só e nova humanidade, fazendo as pazes” (Ef 2, 14-15).

No sermão da montanha, Jesus chamou de bem-aventurados os que procuram a paz. São os pacificadores pelo Evangelho vivido e testemunhado. Que fazem da própria vida uma oferta de paz.

Um coração de paz não se constrói com pensamento de vingança, muito menos de ódio. A paz do coração tem um preço alto: o perdão. O próprio Jesus, antes de expirar, disse: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). Assim fez também Estevão ao ser apedrejado: “Senhor, não lhe leves em conta esse pecado” (At. 7, 60).

A convivência na sociedade moderna pluralista, cheia de divisões, egoísmo e radicalismo é complicada. Por isso exige uma virtude chamada misericórdia com uma pitada de tolerância. Aliás, Jesus não se esqueceu de recomendá-las: “Felizes os misericordiosos porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7).

O papa João Paulo II, alvejado pelos tiros certeiros de Ali Agka, na Praça São Pedro, quando deixou o hospital, sua primeira visita foi à prisão, para levar o perdão a seu potencial assassino.

A campanha da Fraternidade 2009 se preocupa justamente com a segurança pública. É assunto complexo, difícil. Se nós brasileiros cuidarmos do coração e da mente, cultivando atitudes de amor e pensamentos de paz, podemos irradiar uma cultura de paz.

A justiça restaura a paz

Ir. Petra Silvia Pfaller

A Campanha da Fraternidade de 2009 quer suscitar o debate sobre a segurança pública. Não somente promovê-lo, mas analisar a questão da violência no País e contribuir na promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade. A violência aumenta desordenadamente. A questão da segurança pública afeta a todos e é de responsabilidade de todos, por isso “pública”.

Esta campanha traz essa reflexão, bem como propostas concretas, parte delas já praticadas, embora ainda timidamente e sem grande efeito midiático. Por isso é necessário ressaltar as propostas do agir que a CF 2009 nos coloca. Entre os objetivos específicos destacam-se: reconhecer a violência; fortalecer a ação educativa e evangelizadora; desenvolver ações de superação dos fatores da insegurança; despertar o agir solidário com as vítimas da violência (algo que, por sinal, no nosso ordenamento jurídico é esquecido); e “denunciar a predominância do modelo punitivo no sistema penal brasileiro, expressão de mera vingança, a fim de incorporar ações educativas, penas alternativas e fóruns de mediação de conflitos que visem a superação dos problemas e aplicação da justiça restaurativa”.

A justiça restaurativa indica a séria e efetiva luta pela paz social. Existem no Brasil três projetos pilotos do Ministério da Justiça, através da Secretaria da Reforma do Judiciário, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em que se aplica em caráter experimental a justiça restaurativa. Um deles é no Núcleo Bandeirante (DF), por sinal bem-sucedido.

Leoberto Brancher, juiz da 3ª Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre, fala que “a justiça restaurativa define uma nova abordagem para a questão do crime e das transgressões, que possibilita um referencial paradigmático na humanização e pacificação das relações sociais envolvidas num conflito. As práticas restaurativas – soluções de composição informal de conflitos inspiradas nos princípios da justiça restaurativa – têm representado poderosa ferramenta de implementação da cultura de paz em termos concretos”.

Entende-se que a justiça restaurativa é um encontro entre as pessoas envolvidas numa situação de violência ou conflito, seus familiares, amigos e comunidades. Destarte, acredita-se que sem a participação da sociedade organizada não se alcança a paz nem se resolve o aumento da violência. E a justiça restaurativa visa justamente intensificar a participação da comunidade.

A justiça restaurativa traz o juízo de despertar o arrependimento e a solidariedade, suprindo o fracassado modelo de prisão. Abandona-se a vingança e cultiva-se a cultura da paz. Assim, é possível permitir que a rigidez processual dê lugar ao diálogo e à mediação e que o poder público, empresas, escolas e igrejas ajam em conjunto, auxiliando na reconciliação entre autores arrependidos de atos ilícitos e sua disposição em ajudar na reparação de danos causados às vitimas, que estarão dispostas a restaurar a paz. Nesse modelo da justiça restaurativa não se celebra só um acordo – há um processo de reconciliação entre as partes.

Sabemos que a prisão e seu fracasso na ressocialização trazem graves consequências, não só à sociedade, mas aos próprios presos, seus familiares e servidores do sistema prisional. A pena de prisão deveria ser usada como último recurso para punição, como preconiza o Direito Penal. É notório que desde a mais remota existência a prisão nunca resolveu a violência e nem a diminuiu. É preciso acreditar nessas novas propostas, pois a prisão desumana não recupera ninguém, mesmo que muitas pessoas e integrantes do Estado vivam na hipocrisia e insistam em construir mais presídios em vez de investir seriamente em educação e saúde.

Com a justiça restaurativa poderão um dia se realizar as palavras da poetisa goiana Cora Coralina: Tempo virá….. As prisões se transformarão em escolas e oficinas. E os homens imunizados contra o crime, cidadãos de um novo mundo, contarão às crianças do futuro histórias absurdas de prisões, celas, altos muros, de um tempo superado.

Igreja lança Campanha da Fraternidade

A Igreja lançou oficialmente nesta quarta-feira de cinzas a Campanha da Fraternidade que em 2009 tem como lema “A paz é fruto da justiça”. Paróquias e comunidades de todo o país são convidadas a refletir sobre a questão da segurança pública, a violência e a construção da cultura da paz.

Em São Paulo, o cardeal arcebispo D. Odilo Scherer presidiu a missa na Catedral da Sé, da qual participaram milhares de fiéis. D. Odilo ressaltou a importância da Quaresma para chegar à Páscoa e citou os três conceitos fundamentais deste tempo: o jejum, a esmola e a oração.

Em entrevista, o cardeal falou sobre a mensagem da Campanha:

O coordenador nacional da Pastoral Carcerária, Pe. Gunther Zgubic, comentou as mudanças necessárias para se alcançar a verdadeira paz:


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Veja abaixo fotos da celebração:


Imagens de Wanderley Oliveira