tempo comum

Vídeo: Homilia e mensagem do Pe. Julio no 5º Domingo do Tempo Comum

Assista à íntegra da homilia do Pe. Julio Lancellotti no 5º Domingo do Tempo Comum, gravada na missa das 10h na capela da Universidade São Judas Tardeu, em São Paulo:

No final da missa, o Pe. Julio passou os dados da Missão Belém para quem tiver interesse em ajudar os trabalhos do grupo. E a comunidade cantou “Estar contigo”:

Tempo Comum

Fr. Marcos Sassatelli

“Quem diz que está com Jesus,
deve comportar-se como Ele se comportou” (1Jo 2, 6)

O Tempo Comum é o mais extenso do Ano Litúrgico e se compõe de duas partes. A primeira parte começa no dia seguinte à celebração da festa do Batismo do Senhor e se estende até a terça-feira antes do início da Quaresma. A segunda parte começa na segunda-feira depois do domingo de Pentecostes e termina antes das Primeiras Vésperas do 1º domingo do Advento (Cf. Normas sobre o Ano Litúrgico e o Calendário – NALC, 44).

No Ano Litúrgico, o Tempo Comum “nos possibilita desfrutar de aspectos da vida e da missão de Jesus e seus discípulos, que não são contemplados nos Tempos do Natal e da Páscoa. Cada domingo do Tempo Comum tem o sabor de ‘Páscoa semanal’” (CNBB. Guia Litúrgico Pastoral. 2ª edição. Edições CNBB, Brasília, p. 88).

“A tônica dos 33 (ou 34) domingos do Tempo Comum é dada pela leitura contínua do Evangelho. Cada texto do Evangelho proclamado nos coloca no seguimento de Jesus Cristo, desde o chamamento dos discípulos até os ensinamentos a respeito do fim dos tempos. Neste Tempo, temos também as festas do Senhor e a comemoração das testemunhas do mistério pascal (Maria, Apóstolos e Evangelistas, demais Santos e Santas)” (Ib., p. 13).

Ora, se o Tempo Comum “nos coloca no seguimento de Jesus”, podemos perguntar-nos: o que significa ser seguidores e seguidoras de Jesus hoje, no mundo em que vivemos?

A meu ver, ser seguidores e seguidoras de Jesus (discípulos missionários e discípulas missionárias), significa:

1. Conhecer experiencialmente o Projeto de Deus a respeito do Ser humano e do Mundo, que é o Reino de Deus;

2. Aderir vivencial e conscientemente a esse Projeto;

3. Comprometer-se com ele, fazendo-o acontecer na história, que é um processo contínuo, dinâmico, contraditório e aberto à transcendência, ou seja, à plenitude do Reino de Deus, à plenitude da vida e da felicidade.

“Vendo Jesus que ia passando, João Batista apontou: ‘Eis aí o Cordeiro de Deus’. Ouvindo essas palavras os dois discípulos (que estavam com João Batista) seguiram a Jesus. Jesus virou-se para trás e, vendo que o seguiam, perguntou: ‘O que é que vocês estão procurando?’ Eles disseram: ‘Mestre, onde moras?’ Jesus respondeu: ‘Venham, e vocês verão’. Então eles foram e viram onde Jesus morava. E começaram a viver com Ele naquele mesmo dia” (Jo 1, 36-39). O compromisso de seguir Jesus brota sempre do testemunho de alguém (nesse caso de João Batista) e da experiência do encontro com o próprio Jesus.

Comprometer-se, pois, com o Projeto de Deus, fazendo-o acontecer na história, significa:

3.1. Inserir-se na realidade, isto é, estar “por dentro”, ter uma “consciência crítica”.

“Como Cristo, por sua Encarnação ligou-se às condições sociais e culturais dos Seres humanos com quem conviveu; assim também deve a Igreja inserir-se nas sociedades, para que a todas possa oferecer o mistério da salvação e a vida trazida por Deus” (Concílio Vaticano II. A atividade missionária da Igreja – AG, 10).

3.2. Interpretar a realidade e os acontecimentos à luz do Evangelho e, ao mesmo tempo, o Evangelho à luz da realidade e dos acontecimentos.

“Para desempenhar sua missão, a Igreja, a todo momento, tem o dever de perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho, de tal modo que possa responder, de maneira adaptada a cada geração, às interrogações eternas sobre os significados da vida presente e futura e de suas relações mútuas. É necessário, por conseguinte, conhecer e entender o mundo no qual vivemos, suas esperanças, suas aspirações e sua índole frequentemente dramática” (Concílio Vaticano II, A Igreja no mundo de hoje – GS, 4)..

“Como discípulos de Jesus Cristo, sentimo-nos desafiados a discernir os ‘sinais dos tempos’ à luz do Espírito Santos, para nos colocar a serviço do Reino, anunciado por Jesus, que veio para que todos tenham vida e ‘para que a tenham em plenitude’ (Jo 10,10)” (Documento de Aparecida – DA, 33).

3.3. Transformar a realidade, fazendo acontecer o Ser humano Novo e o Mundo Novo.

“Testemunhamos o nascimento de um novo humanismo (acrescentamos hoje: e de um novo naturalismo) no qual o Ser humano se define, em primeiro lugar, por sua responsabilidade perante os seus irmãos e a história (acrescentamos hoje: e toda a natureza)” (Concílio Vaticano II. A Igreja no mundo de hoje – GS, 55).

Enfim – para os seguidores e seguidoras de Jesus – transformar a realidade, fazendo acontecer o Ser humano Novo e o Mundo Novo, significa:

3.3.1. Anunciar aos Seres humanos de hoje o Evangelho com todas as suas exigências concretas, sem adaptá-lo aos interesses dos grupos ou classes sociais mais poderosas, mesmo que isso não agrade aos “grandes” do mundo.

“Rogo a você (Timóteo), diante de Deus e de Jesus Cristo (…), proclame a Palavra, insista no tempo oportuno e inoportuno, advertindo, reprovando e aconselhando com toda paciência e doutrina. (…) Faça o trabalho de um anunciador do Evangelho, realize plenamente o seu ministério” (2Tm 4, 1-2.5).

3.3.2. Fazer a opção pelos Empobrecidos, Oprimidos e Excluídos, para – a partir deles e junto com eles – participar do processo de libertação do Ser humano todo, de todos os Seres humanos e de toda a Natureza, segundo o Projeto de Deus, que é o seu Reino.

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4, 18-19).

Em síntese, “o seguimento de Jesus tem duas dimensões fundamentais intrinsecamente relacionadas: a dimensão cristológica: ser e viver como Jesus e a dimensão pneumatológica: o Espírito que atualiza Jesus na história. Consequentemente, o seguimento só pode ser concretizado levando-se em conta dois fatores determinantes: a memória viva de Jesus de Nazaré e as situações históricas em que se vive. Jesus deve ser prosseguido, atualizado e não imitado mecanicamente”.

“O Espírito é a memória e a imaginação de Jesus: memória que faz voltar sempre a Jesus de Nazaré; imaginação que nos leva a perguntar constantemente, o que diria e faria Jesus hoje. A vida de Jesus foi toda ela perpassada pelo Espírito. Consequentemente, o seguimento é o lugar privilegiado da manifestação do Espírito” (Ivanise Bombonatto. Seguimento de Jesus. Uma abordagem a partir da Cristologia de Jon Sobrino – http://www.teologia-assuncao.com.br/).

O método usado “ver, julgar, agir” (ou, em outras palavras, “analisar, interpretar, libertar”) “nos permite articular, de modo sistemático, a perspectiva cristã de ver a realidade; a assunção de critérios que provêm da fé e da razão para seu discernimento e valorização com sentido crítico; e, em consequência, a projeção do agir como discípulos missionários de Jesus Cristo” (Documento de Aparecida – DA, 19).

Que no Tempo Comum – os cristãos e as cristãs – vivamos plenamente a espiritualidade do seguimento de Jesus, que é uma espiritualidade radicalmente humana. “Não se encontra nada verdadeiramente humano que não ressoe no coração dos discípulos e discípulas de Jesus” (Concílio Vaticano II. A Igreja no mundo de hoje – GS, 1).

Nunca te canses do Reino Vidas pelas vidas,
Nunca te canses de falar do Reino Vidas pelo Reino, Vidas pelo Reino.
Nunca te canses de fazer o Reino Todas as nossas Vidas,
Nunca te canses de ‘semear’ o Reino Como a sua Vida como a Vida Dele.
Nunca te canses de acolher o Reino Ó Mártir Jesus!
Nunca te canses de esperar o Reino (Mantra)
(Dom Pedro Casaldáliga)

Vídeos: Homilia de 15/01 e mensagem sobre a Cracolândia

Assista abaixo à íntegra da homilia do Pe. Julio Lancellotti na missa do 2º Domingo do Tempo Comum, celebrada às 18h na igreja São Miguel Arcanjo, em São Paulo:

No final da celebração, Pe. Julio falou sobre a violência da operação policial que o governo de São Paulo desencadeou na chamada “Cracolândia”:

Para ler o artigo do professor Gaudêncio Torquato, citado pelo Pe. Julio, clique aqui.

Os dois irmãos e a desobediência obediente!

httpv://www.youtube.com/watch?v=iOnmfhBHx44

O evangelho deste domingo é desconcertante e cortante!
É o evangelho do contrário, da desobediência obediente, da reviravolta e da superação das aparências.

A parábola dá a entender que a ética de Jesus não é a ética das palavras, mas a ética dos fatos. O que se faz é mais importante do que o que se fala. Principalmente quando o que se fala é exatamente o contrário daquilo que se vive.

Esta parábola exclusiva de Mateus precede outras duas em que Jesus abre duro debate com aqueles que se consideravam autoridades e exemplo de vida religiosa. Que afastavam e evitavam os pecadores e indesejáveis.

Publicanos e prostitutas, gente maldita e infiel, os últimos que serão os primeiros. Pois ouviram e acreditaram na misericórdia de Deus e na justiça do Reino.

Só pela fidelidade, transformação e discernimento poderemos nos aproximar
do Reino e dele fazer parte. O não que se transforma em sim.

Os meandros da vida que se transforma pelo amor!
Jesus nos provoca e convoca para humanizar a vida e a não viver de aparências e falsas seguranças.

A difícil missão de ser justo!

httpv://www.youtube.com/watch?v=rBtEylnHhpw

Nos ensina o Pe. Bertolini neste 23º Domingo do Tempo Comum: ” Os seguidores de Jesus se reúnem para celebrar juntos a memória daquele que nos amou até as extremas consequências do Amor: Jesus Cristo morto e ressuscitado, presente onde dois ou três se reúnem em seu nome. Os que se reúnem em nome Dele buscam criar e expressar relações onde a única dívida a ser paga é a do amor.”
O Evangelho de hoje mostra que a comunidade não deve perder o irmão.

Que o que une a comunidade não é a perfeição, é a busca constante do amor que supera as divisões e ajuda na difícil missão de ser justo pelo discernimento e capacidade de revisão dos caminhos e atitudes tomados.

O perdão, tenho refletido, não é esquecer, mas lembrar e não fazer o mesmo que te feriu.

Vivemos desafios constantes que podem nos desumanizar e a reproduzir o mal que nos atinge. O discernimento, a mediação humana dos irmãos, podem nos ajudar a recomeçar, a não perder a esperança e a acreditar que apesar de nossas limitações, somos filhos de Deus.

O seguimento de Jesus se dá por caminhos onde os conflitos não se escondem, caminhos que a ilusão cega e afasta da realidade, mas mostra que a comunidade é o lugar que educa e renova.

O discernimento cristão faz ver o relacionamento humano não como dominação e exercício do poder, mas como construção de fraternidade que corrige e educa .

O caminho de Jesus e dos seus seguidores!

httpv://www.youtube.com/watch?v=X7h2F5zexlc

“Nós podemos desconfiar de uma Igreja que não conhece o martírio?” Por quê? Porque o caminho dos cristãos não é diferente do caminho de Jesus.
É feito de incertezas, mas também de coragem e esperanças, de lutas e conquistas; de cruz e também de ressurreição e vida, de não conformismo, mas também de compromisso com o projeto de Deus. Isso tudo nos diz o Padre Bortolini a respeito da evangelho de hoje.

Muitas vezes temos medo das consequências do seguimento de Jesus que enfrenta as forças contrárias à vida.

Renunciar a tudo o que nos afasta do seguimento de Jesus requer discernimento e grande amor.
Seguir Jesus no caminho da cruz nos educa e humaniza, não buscando o poder mas vivendo do serviço e fazendo da vida oblação.

Jesus nos ensina, pelo seu testemunho, a fidelidade e a coragem para enfrentar as forças da morte e superar a mediocridade da cultura do egoísmo e da busca do poder.

Que o seguimento de Jesus nos fortaleça e conforte, nos traga a alegria de escolher o caminho de quem faz de sua vida doação e sinal do Reino de Deus!