Cardeal Odilo Pedro Scherer

Feliz Páscoa! “Disto todos nós somos testemunhas”

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Jesus ressuscitado deu este encargo aos apóstolos: “vós sereis as minhas testemunhas em Jerusalém, na Galileia… até os extremos da terra” (Lc 24,48). E São Pedro, pregando à multidão após a vinda do Espírito Santo, afirma: “com efeito, Deus o ressuscitou dos mortos e disto todos nós somos testemunhas” (At 2,32). Havia gente negando que Jesus tivesse ressuscitado já naqueles dias… A afirmação da ressurreição de Jesus enfrentou resistência e contestação desde o início; e isso depõe em favor de sua veracidade. Os apóstolos a testemunharam até o martírio.

“Jesus Cristo ressuscitou dos mortos” – esse é um fato extremamente importante para a fé cristã; nisso, nossa fé não pode vacilar. Para muitos, a ressurreição de Jesus não seria possível, humanamente falando. Mas é bem aí que está o ponto: não é realização do homem. Desde o início, os apóstolos afirmam que Jesus ressuscitou “pelo poder de Deus”, e não pela lógica das leis da natureza. E se Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos, significa que Jesus é de Deus.

Os apóstolos afirmam com vigor essa verdade, que faz toda diferença para a fé da Igreja. São Paulo, respondendo a alguém que negava a ressurreição, chega a dizer: “se Cristo não ressuscitou, nossa pregação é vazia e a vossa fé não tem fundamento!” (cf 1Cor 15, 12-18), tal é a importância da ressurreição de Jesus para a fé da Igreja!

Por isso, também nós cremos e afirmamos, com toda a Igreja: Jesus Cristo ressuscitou dos mortos! Deus confirmou que ele é seu Filho e que tudo o que ensinou é verdadeiro; que Jesus, por isso, é o mediador entre Deus e os homens, o “salvador”, que nos introduz diante de Deus e nos transmite sua vida, mediante o Espírito Santo; que, finalmente, Jesus Cristo é o “Senhor”, o Juiz dos vivos e dos mortos. E disso também nós continuamos sendo testemunhas!

A Páscoa é a ocasião para uma profunda renovação da nossa fé e de nossa adesão a Jesus Cristo Salvador, “nossa vida e ressurreição”. É também a ocasião para renovar nossa disposição de sermos testemunhas de Jesus Cristo no mundo, como seus discípulos missionários!

Querido povo de Deus em São Paulo, com a Igreja, também nós cantamos: “este é o Dia que o Senhor fez para nós! Alegremo-nos e exultemos de alegria!” Desejo que todos sintam aquela alegria e paz que o Ressuscitado transmitiu aos discípulos nos encontros com eles após a sua ressurreição. Feliz e santa Páscoa! Deus abençoe a todos!

Tráfico de pessoas. Uma vergonha!

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Poucas semanas antes de sua vinda ao Brasil, em julho passado, o papa Francisco esteve na ilha de Lampedusa, já próxima da África, no sul da Itália; ali aportam numerosos prófugos da miséria e da violência, procedentes da África e de outras partes do mundo, sonhando com a vida na Europa.

Muitos, de fato, nem conseguem chegar à terra firme e naufragam, ou são abandonados pelos modernos mercadores de escravos no meio do Mediterrâneo em barcos abarrotados e sem o mínimo respeito à sua dignidade. Isso, depois de terem pago caro a alguma organização criminosa pelo transporte e pela promessa de visto e emprego no lugar de destino. Milhares acabam morrendo e jogados ao mar, nada diferente do que acontecia durante séculos com os navios negreiros no período colonial.

O Papa jogou flores ao mar para lembrá-los; ao mesmo tempo, rezou pelos que pereceram e confortou sobreviventes; e denunciou o tráfico de pessoas como uma atividade ignóbil, uma vergonha para sociedades que se dizem civilizadas. Diante dessa questão, os governos muitas vezes ficam indiferentes ou sem ação. Francisco conclamou a todos à superação da “globalização da indiferença”.

Desde tempos imemoriais, o tráfico de pessoas era praticado amplamente e até aceito, geralmente, em vista do trabalho escravo. O Brasil conviveu por séculos com a escravidão de índios e africanos; estes últimos eram adquiridos, traficados e comercializados como “coisa” num mercado vergonhoso, mas florescente. Foram necessários séculos para que a escravidão fosse formalmente proibida e abolida. Um progresso civilizatório!

Mas o problema voltou, se é que já havia sido erradicado de maneira completa. A forma contemporânea de escravidão é bem mais difundida e grave do que se poderia imaginar e está sendo favorecida pela globalização das atividades econômicas ilegais e clandestinas. Hoje, como no passado, essa atividade criminosa envolve organizações e redes nacionais e internacionais, com altos ganhos a custos e riscos baixos para os traficantes.

O tráfico de pessoas é praticado em vista de vários âmbitos da economia, legais e ilegais, como a construção civil, a agricultura, o trabalho doméstico, o entretenimento, a exploração sexual e, mesmo, a adoção ou a comercialização de órgãos. As vítimas, geralmente, são atraídas por promessas de trabalho e emprego, boas condições de vida em outras cidades ou países. Com freqüência, o tráfico de pessoas está ligado ao fenômeno das migrações e à permanência ilegal e precária em algum país.

Capítulo especialmente doloroso representa o tráfico de crianças e adolescentes, praticado por redes que envolvem pequenas vítimas do mundo inteiro. Entidades não-governamentais, que acompanham esta questão, estimam que, na década de 1980, quase 20 mil crianças brasileiras foram levadas para a adoção no exterior; constataram-se numerosos processos fraudulentos nessas adoções. No Brasil, há denúncias de tráfico de crianças e adolescentes destinados à exploração sexual; e continua grande o contingente de crianças de 7 a 14 anos de idade exploradas no trabalho infantil.

Algumas características do tráfico humano já foram estudadas. Antes de tudo, ele envolve o crime organizado, com uma complexa estrutura que relaciona meios e fins para facilitar suas atividades; há aliciadores, fornecedores de documentos falsos e de assistência jurídica, transportadores, lavagem de dinheiro… Há rotas nacionais e transnacionais do tráfico de mulheres para a exploração sexual, de trabalhadores ilegais, de crianças, de órgãos. No Brasil, a Região Amazônica apresenta o maior número dessas rotas, seguida pelo Nordeste.

O tráfico de pessoas é abastecido por hábeis e convincentes aliciadores, que induzem suas vítimas e as envolvem numa rede, que lhes tira a autonomia e da qual dificilmente conseguem se libertar. Geralmente, há uma boa proposta de emprego e renda no aliciamento. Por ser um crime invisível e silencioso, seu enfrentamento é difícil; as vítimas geralmente não denunciam, uma vez que elas passam a viver em situação de risco e de constrangimento. Além da vulnerabilidade social e econômica, elas têm sua dignidade degradada.

Como enfrentar essa chaga social, que representa um verdadeiro retrocesso cultural e civilizatório? Apesar da gravidade do problema, apenas recentemente ele começou a ser enfrentado seriamente pela sociedade. A partir da segunda metade do século 20, a escravidão no âmbito do trabalho forçado imposto pelas guerras começou a ser debatida em fóruns internacionais, de modo especial na Organização Internacional do Trabalho e na ONU. Com o avanço da globalização, alastrou-se ainda mais o tráfico de pessoas, mas também a consciência sobre a necessidade de normas adequadas e eficazes para combater esse tipo de crime.

Em 1999, a ONU realizou a Convenção de Palermo, contra o crime organizado transnacional e seus protocolos estão em vigor desde 2003. O Brasil adotou essa Convenção em 2006; desde 2008 tem o seu próprio Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Há numerosas iniciativas de organizações da sociedade civil que se dedicam ao enfrentamento do tráfico de pessoas. A Igreja também tem suas pastorais voltadas para essa problemática.

Em 2014, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoverá, no período que precede a celebração da Páscoa, a Campanha da Fraternidade sobre o tema do tráfico de seres humanos. Será uma boa ocasião para uma tomada de consciência mais ampla sobre as dimensões e a gravidade do problema e para suscitar iniciativas e decisões para enfrentar essa vergonhosa chaga social em nosso País.

Boa notícia para todo o povo!

Cardeal Odilo Pedro Scherer

O Advento e o Natal são períodos especialmente marcados pelo Evangelho da alegria. O papa Francisco, com sua Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (Evangelii Gaudium), convidou toda a comunidade da Igreja a se envolver, de forma renovada, na evangelização, destacando que o Evangelho, anúncio bom e alegre, deve chegar a todos.

É interessante que, lendo as palavras do Novo Testamento depois de conhecer a Evangelii Gaudium, saltam aos olhos as características da alegria e da esperança no anúncio do Evangelho, confiado à Igreja. Sem esquecer que também se trata de um chamado à conversão e a fazer escolhas difíceis, não se pode transformar o Evangelho ou identificar a pregação da Igreja num elenco de “não pode”, ou num fardo imposto pesadamente sobre as pessoas.

O caminho estreito é conseqüência do anúncio de algo grandioso e sumamente bom, como é a experiência do amor misericordioso de Deus e sua proximidade em relação a nós; portanto, é possível também propor a cruz de Cristo no caminho que leva a Deus; sem ela, não há autêntica escolha por Deus.

No nascimento de Jesus, o anjo disse aos assustados pastores de Belém: “não tenhais medo: eu vos anuncio uma grande alegria, que será alegria também para todo povo!” (Lc 2,10). Os pastores foram a Belém, viram e experimentaram grande alegria e foram iluminados pela glória de Deus, irradiada pelo recém-nascido deitado sobre palhas… E voltaram para as suas ocupações, contando a todos o que tinham visto e ouvido; e assim, a sua alegria tornou-se “alegria para todo povo”.

São típicos do tempo do Advento e do Natal a abertura à solidariedade e os gestos de bondade e de partilha. Isso é muito bonito e tem relação direta com a experiência cristã do Natal. Que isso não se perca nem seja substituído por atitudes cada vez mais individualistas e egocêntricas; há o risco de se diluir o verdadeiro “espírito do Natal”, deixando que ele seja absorvido pela tendência cultural dos dias atuais, marcada pela busca sôfrega de satisfações particulares.

Que as ações de bondade e de amor fraterno continuem a irradiar a esperança e a alegria, fazendo com que o Natal signifique “alegria grande para todo povo”. Os pobres, os doentes e os “pequeninos” deste mundo são os que mais têm a necessidade de ouvir a alegre notícia do Natal.

Não deixemos de fazer gestos que testemunhem a alegre mensagem que temos a comunicar aos outros, quer por uma visita pessoal, quer por um momento de oração e de partilha comunitária da Palavra de Deus. As novenas de Natal em família ajudarão a criar um clima de fé, no qual é possível acolher o Deus-que-vem e que já está no meio de nós. Sem uma preparação espiritual, é possível celebrar um Natal com mesa farta de comidas e guloseimas, esquecendo até mesmo Jesus Cristo, primeiro homenageado desta festa…

Para que o belo anúncio do Natal continue a ser “boa notícia para todo o povo”, é necessário que o Evangelho seja anunciado a todos e testemunhado de muitas maneiras. A Campanha Nacional para a Evangelização precisa do apoio generoso de todos. Por isso, no domingo, dia 15 de dezembro, teremos o “gesto concreto” em favor da evangelização nas nossas igrejas e paróquias.

Dom Odilo convida para o encerramento do Ano da Fé, no Domingo de Cristo Rei

A todos os Leigos/as e às suas organizações eclesiais na Arquidiocese de São Paulo

Caríssimos/as,

Aproxima-se o encerramento do Ano da Fé – marcado para o Domingo de Cristo Rei, neste ano, dia 24 de novembro. Ao mesmo tempo que os saúdo com a paz de Cristo, desejo escrever-lhes uma palavra sobre a celebração conclusiva do Ano da Fé.

No Domingo de Cristo Rei, celebra-se no Brasil o Dia dos Leigos; todos os batizados são “filhos do Reino de Cristo e de Deus”. Ao mesmo tempo que acolhemos o Reino de Deus como suprema graça, somos todos chamados a participar da edificação do Reino de Deus neste mundo mediante nossa vida na fé.

Ao longo deste ano, todos nós fomos encorajados a reavivar nossa fé cristã católica. Vários foram os objetivos propostos: aprofundar a experiência da fé mediante o renovado encontro pessoal e comunitário com Deus; fortalecer as raízes da nossa fé, mediante a instrução e o estudo das razões que temos para crer e dos conteúdos da nossa fé; testemunhar nossa fé publicamente; renovar a profissão de nossa fé e praticar as obras da fé.

Nossa fé é pessoal, mas também de toda a grande comunidade da Igreja, que professa essa mesma fé em toda parte. Temos a mesma fé dos apóstolos, dos mártires, dos grandes pregadores e missionários, dos santos do passado e de hoje! Não estamos sós; ao contrário, estamos em muito boa companhia!

Frutos muito desejados do Ano da Fé são a alegria e o encanto da fé; a firmeza e a perseverança na fé; o interesse em progredir na fé e em produzir os seus frutos, mediante a vida santa; a transmissão da fé, com renovado interesse e ardor. A fé, de fato, é um precioso dom de Deus, mas é também a nossa resposta a esse dom. Sem nosso esforço e dedicação na vivência da fé, ela enfraquece e pode até se extinguir em nós. E, sem a luz da fé, a vida perde o rumo e fica sem o brilho da esperança.

No encerramento do Ano da Fé, continuemos a pedir, com insistência, como os apóstolos: “Senhor, aumentai a nossa fé!” (cf Lc 17,5). Pela fé somos salvos: a fé, como sincera e firme aceitação de Deus e adesão a Ele e como vida na fé. Que nossa fé se fortaleça, cresça e produza frutos abundantes, nutrida por nossos encontros frequentes com Deus: na sua Palavra viva e eficaz; na oração pessoal e comunitária; na participação da Missa dominical; na prática das virtudes humanas e cristãs, especialmente da caridade e da justiça.

E permaneçamos unidos à Igreja, pois assim não estaremos sozinhos, mas contaremos com a ajuda de tantos irmãos. Destaco também a necessidade de se instruir e de conhecer melhor a fé; sem isso, há o risco de não valorizar a fé da Igreja e até de a abandonar. O que não se conhece, não se ama; o que não se ama, facilmente se deixa de lado e abandona. O Catecismo da Igreja Católica, ou o seu Compêndio, são instrumentos preciosos para a instrução e o conhecimento da nossa fé, da fé da Igreja Católica. Nós precisamos valorizar e usar com frequência o Catecismo.

Para o encerramento do Ano da Fé, no Dia dos Leigos, 24 de novembro, convido todos os leigos da Arquidiocese, especialmente aqueles ligados às diversas organizações do laicato (Pastorais, Associações, Movimentos, Novas Comunidades e outros grupos). A Missa solene na Catedral Metropolitana, no Domingo de Cristo Rei, será às 11h.

Durante a Missa, faremos uma solene renovação da Profissão de Fé; faremos também o renovado envio missionário de todos os leigos e de suas organizações, para participarem ativamente da transmissão da fé e da edificação do mundo, segundo Deus, pelo seu testemunho da fé.

No Domingo de Cristo Rei, todos também podem obter a graça especial da indulgência plenária, observadas as condições que a Igreja normalmente põe: arrependimento dos pecados e confissão sacramental, participação da Santa Missa, renovação da Profississão de Fé e oração nas intenções do Papa e da vida e da missão Igreja.

Enfim, meus queridos irmãos em Cristo, agradeçamos a Deus o dom precioso da fé cristã; por ela, estamos em comunhão com Deus e nos sabemos amados por Ele. Quem tem fé, peça a perseverança fiel, até ser chamado para “ver” Deus face a face! E seja generoso em testemunhar a transmitir a fé aos outros. E quem não tem fé, ou tem pouca, continue a procurar e a pedir esse dom. Deus não nega sua luz, nem esconde seus caminhos a quem os procura de coração sincero!

Com o Domingo de Cristo Rei, encerra-se o Ano Litúrgico e inicia-se a Campanha Nacional para a Evangelização, que se prolonga até o 3º Domingo do Advento. Isso nos diz que a fé por nós professada, supõe também nosso esforço missionário e evangelizador para que a Boa Nova do amor salvador do nosso Deus, chegue a toda a humanidade. Deus quer que todos cheguem ao conhecimento da fé e sejam salvos.

Deus os conserve firmes, perseverantes e operosos na fé! Sua graça os acompanhe!

“Ó Deus, concedei-nos a graça de uma fé firme, num coração renovado e perseverante, para vos conhecermos como Deus vivo e verdadeiro e Aquele que enviastes, Jesus Cristo! Guiados pelo Espírito Santo, possamos progredir no caminho da fé com o coração repleto de alegria e ser para os outros testemunhas do vosso amor, atraindo-os para vós!”

Card. Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo

Mensagem de Dom Odilo – Carta aos jovens em vista da JMJ Rio 2013

Aos jovens da Arquidiocese de São Paulo

Queridos jovens:

Aproxima-se o momento longamente esperado e preparado com ardor. Daqui a um mês estaremos iniciando a Jornada Mundial da Juventude e o papa Francisco já estará no Brasil, como peregrino da JMJ Rio-2013. Com ele, tantos de vocês também estarão peregrinando para o Rio de Janeiro, aos pés do Cristo Redentor. Eu também estarei lá, com vocês.

A JMJ será uma experiência inesquecível, um momento forte de fé, cultura e vida eclesial. Haverá jovens de numerosos países, povos, raças, culturas e costumes diversos; falarão línguas incompreensíveis, mas todos se compreenderão, porque se comunicarão com a mesma linguagem dos anseios e esperanças juvenis e da mesma fé católica. Em torno de Cristo e do papa Francisco, estarão mostrando ao mundo o rosto jovem e alegre da família humana, reunida no amor e na fraternidade. Será muito bonito!

Em vista da JMJ, que se aproxima, desejo convidá-los a se alegrarem intensamente, desde agora! Ao mesmo tempo, continuemos a preparar-nos para esse evento de fé e vida eclesial. Rezem e convidem a rezar pelo bom êxito da Jornada. E convidem todos a se alegrarem com vocês; também os outros jovens, que talvez ainda não se “ligaram” muito naquilo que vai acontecer na JMJ. Esse será um momento único para os jovens do Brasil, que não se repetirá tão cedo.

A Semana Missionária, que vai de 16 a 21 de julho, já está organizada; intensifiquemos agora a sua preparação e convidemos os demais jovens para a participação. Receberemos na Arquidiocese de São Paulo jovens de cerca de 60 países diversos! Serão acolhidos e hospedados em nossas paróquias e comunidades, nos colégios e nas famílias, junto com vocês, em suas casas. Acolhamos bem esses irmãos jovens, vindos de longe!

Com eles, realizaremos a Semana Missionária; eles querem conhecer e experimentar algo de nossa cultura, de nossa hospitalidade, de nossa fé e de nossa Igreja. Deles, teremos muito para aprender. Vamos trocar experiências e nos enriquecer reciprocamente!

E não esqueçamos que a Semana Missionária é, antes de tudo, para ser vivida por nós mesmos, com os jovens e adultos de nossas comunidades e organizações eclesiais. Falem a todos da Jornada e das expectativas da Semana Missionária. É uma ocasião de ouro para sermos missionários de Jesus Cristo para os nossos companheiros e amigos!

“Ide, fazei discípulos meus todos os povos!” Com fé firme e esperança alegre superaremos qualquer obstáculo ou dificuldade que se possa apresentar. Por Jesus Cristo e pelo Reino de Deus vale a pena fazer coisas grandes e qualquer sacrifício! E os beneficiados seremos nós mesmos. Que Deus os abençoe e assista!

Assinatura de Dom Odilo
Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo

Sopro renovador da Igreja

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

Há 50 anos, estava em andamento o Concílio Vaticano II, que foi interpretado como um “sopro renovador” do Espírito Santo na Igreja. Ele agiu através do papa e dos bispos, chamados a desempenhar a sua missão naquela grande assembleia eclesial.

Atentos ao sopro do mesmo Espírito Santo, estamos também hoje, procurando discernir o que Deus quer de nós e por onde conduz a Igreja, para que ela continue a cumprir fielmente a missão recebida de Cristo, seu divino Fundador. E não somente a Igreja deve fazê-lo, enquanto comunidade de fé, mas também cada pessoa, mesmo não crente, é convidada a fazê-lo para a realização da obra boa. O Espírito Santo age onde e como quer e, continuamente, “renova a face da terra”, iluminando as consciências e instigando as vontades para decisões retas e justas.

Com mais razão, as pessoas de fé precisam colocar-se em sintonia com o Espírito de Deus, “derramado em nossos corações”, na busca sincera e na prática do bem. O Espírito Santo “inspira as almas santas e forma os amigos de Deus”, que poderão testemunhar e irradiar a luz de Deus sobre o convívio social. O papa Francisco tem insistido, em suas falas recentes, que os católicos precisam de coragem e vigor no testemunho do Evangelho. A fé cristã não se pode reduzir apenas a um verniz exterior, ou a um vago sentimento interior; ela precisa se tornar operativa na vida concreta. Não basta ser, disse ele, “cristãos de poltrona”, que apenas assistem a tudo como estranhos e desinteressados, sem se envolver na vida e na missão da Igreja.

Na Liturgia de Pentecostes, foi lido um trecho da 1ª. Carta aos Coríntios, em que o Apóstolo recorda a ação do Espírito Santo na Igreja; esta é como um corpo, que tem Cristo como cabeça, e muitos membros, que são todos os fiéis da Igreja (cf 1Cor 12). A vitalidade e as muitas capacidades e funções dos membros procedem do mesmo Espírito de Cristo, cabeça do corpo. Cada membro desempenha a própria função para o bem de todo o corpo. A obra individual de cada membro é suscitada por uma única força vital e não pode faltar para a saúde e o bem de todo o corpo.

Na constituição dogmática – Lumen Gentium -, o Concílio apresenta a Igreja como um grande povo de batizados, um organismo vivo, formado de pessoas com fé em Cristo, agraciadas de toda sorte de dons e graças de Deus, chamadas a irradiar o Evangelho e a vida nova do reino de Deus, que já se faz presente neste mundo, mas será pleno apenas na eternidade. A Igreja é habitada por Deus, vivificada e animada pelo seu Espírito.

Na Igreja, todos têm a dignidade comum de filhos e filhas de Deus, recebida no Batismo; e cada um tem seu lugar e sua missão, de acordo com o dom, a vocação e a missão recebidos dentro da Igreja. Não todos fazem a mesma coisa; mas é importante que cada membro da Igreja faça bem a sua parte. Na Igreja, comunidade de discípulos-missionários de Jesus Cristo, todos vivem dos dons da salvação que o Divino Fundador continuamente oferece em abundância para todos através da Palavra e dos Sacramentos; todos são chamados a viver vida santa e a testemunhar no mundo a riqueza e a variedade dos dons de Deus.

Ao mesmo tempo, na Igreja existem os ministros de Deus, revestidos de dons especiais e constituídos para o serviço de Deus e de seus irmãos; eles são membros da Comunidade dos fiéis, mas também são animadores e pastores dessa Comunidade, em nome de Jesus Cristo Pastor e Sacerdote de Deus para a humanidade. Há os fiéis que consagram a vida ao testemunho radical do Evangelho mediante os votos religiosos ou outra forma de especial consagração; dessa forma, ajudam seus irmãos a caminharem mais seguros e estimulados na fé e a perseverem nela.

É sempre o mesmo Espírito Santo que capacita cada um para a realização da própria missão; e assim edifica o conjunto da Igreja na harmonia e na unidade, onde todos contribuem para o bem de todos. A vida da Igreja de Cristo, portanto, não deve seguir o modelo sociológico, mas teológico da comunhão e colaboração. É obra do Espírito Santo que a Igreja se oriente pelo princípio de comunhão, e não pelo de competição ou concorrência. Nisso precisamos continuar a nos renovar na Igreja.

Cardeal Dom Odilo embarca para Roma e deixa mensagem

Aos irmãos bispos auxiliares de São Paulo
Aos sacerdotes e diáconos,
religiosas/os, consagradas/os e leigos/as
da Arquidiocese de São Paulo

Caríssimos/as,

Antes de partir para Roma, onde participarei da “despedida” do papa Bento XVI e do Conclave, desejo dirigir-lhes ainda uma breve palavra.

Antes de tudo, convido-os a vivermos com intensa fé este momento raro na vida da Igreja. Talvez nem todos vêem e compreendem a Igreja como nós a vemos e compreendemos, a partir da fé e da estima que nutrimos por ela; por sermos parte da mesma Igreja, conhecemos que ela é mais do que a soma de todos os membros e organizações visíveis que dela fazem parte.

A Igreja faz parte do “Mistério”, do desígnio salvador de Deus, que se serve da fragilidade humana para vir ao encontro dos homens, mostrar-lhes seu amor e para dar-lhes a plenitude da vida. Na base da Igreja, no seu interior e à frente está sempre a ação providente da Trindade Santa. Portanto, tenhamos coragem e fiquemos firmes na nossa fé, mesmo se as águas onde navega a barca de Pedro ficam agitadas. Lembremos sempre de que Jesus vai conosco na barca!

Convido a rezar intensamente pela Igreja nesses dias, para que ela seja sempre mais fiel a Cristo e à missão recebida; que todos nós, católicos, nos convertamos profundamente à verdadeira fé e à vida cristã autêntica, ouvindo os apelos da Palavra de Deus nesta Quaresma e no Ano da Fé. Rezemos e confiemos n’Aquele que disse: “tende coragem! Eu estarei sempre convosco!”.

Sugiro que, durante o período da “sede vacante”, até que seja eleito o novo Papa, em todas as igrejas da Arquidiocese sejam feitas celebrações e orações especiais pela Igreja, pedindo o aumento de nossa fé; pelo Conclave e pelo que será eleito Papa, para que tenha toda a assistência do Espírito Santo no desempenho de sua árdua missão à frente da Igreja inteira, como Sucessor de Pedro. Poderão ser feitas “horas santas”, adoração ao Santíssimo Sacramento, oração do Rosário e Santas Missas nessas mesmas intenções. Conclamemos o povo à oração neste momento importante da vida da Igreja.

Esclareço que, durante a minha ausência da Arquidiocese de São Paulo, Dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar para a Região Sé, responderá pela Arquidiocese na condição de Vigário Geral para toda a Arquidiocese. E o Cônego Antônio Aparecido Pereira é o porta voz da Arquidiocese.

Enfim, respondo a uma pergunta feita por vários sacerdotes: como se deve mencionar o nome do Papa na Oração Eucarística da Missa durante o período da sede vacante? A resposta simples é esta: não se menciona. E nem se substitui pelo “Papa que será eleito”, nem pelo “Cardeal Camerlengo”, nem pelo “Conclave”. Simplesmente, omite-se a referência ao Papa durante o período da sede vacante. Explicações mais detalhadas sobre o mesmo assunto podem ser lidas a seguir, logo abaixo.

Que o apóstolo São Paulo interceda por nós todos e nos ajude a ser fortes na fé, alegres na esperança e operosos na caridade! Que o exemplo de fé de Nossa Senhora nos ajude!

Aproveito a ocasião saudar a todos e para lhes desejar todo o bem. Deus abençoe a todos!

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo

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A MENÇÃO DO NOME DO BISPO E DO PAPA NA ORAÇÃO EUCARÍSTICA

A menção do nome do Bispo e do Papa na oração eucarística não tem a ver com distinção, mas para evidenciar que a Missa é celebrada em comunhão com os Pastores da Igreja. Por isso, só se menciona o nome daquele que, efetiva e canonicamente, desempenha o cargo de Ordinário tanto na diocese quanto na Sede Apostólica, desde a sua posse canônica até o fim do exercício de seu governo pastoral.

Então, por quem se reza quando não se tem um Papa eleito?

Há notícias de celebrantes que, erroneamente, rezam nas preces eucarísticas “pelo Papa que será eleito”, “pelo Colégio de Cardeais”, pelo “Camerlengo”. Apesar de o Missal reformado pelo Concílio Vaticano II não apresentar nenhuma indicação a este respeito, o “Missale Romanun” (edição típica de 1962), é uma fonte que pode nos orientar: “’Una cum Papa nostro…'[1], expressa o nome do Papa, ‘mas estando a Sede vacante, estas palavras sejam omitidas’”. Portanto, omita-se tanto a menção do nome do nome Papa quanto o próprio texto da oração a ele referente, passando logo para o Ordinário do lugar, o Bispo.

A regra geral, por conseguinte, é que se omita tudo quanto se refere ao Papa na oração eucarística. A saber, as preces eucarísticas como devem ser rezadas após a renúncia de Bento XVI e o início do Pontificado do novo Papa:

Oração eucarística I ou “Cânon Romano”

Nós as oferecemos também [pelo vosso servo o papa N.] por nosso bispo N. e por todos os que guardam a fé que receberam dos apóstolos.

Oração eucarística II

Lembrai-vos, ó Pai, da vossa Igreja que se faz presente pelo mundo inteiro: que ela cresça na caridade [com o papa N.,] com o nosso bispo N. e todos os ministros do vosso povo.

Oração eucarística III

E agora, nós vos suplicamos, ó Pai, que este sacrifício da nossa reconciliação estenda a paz e a salvação ao mundo inteiro. Confirmai na fé e na caridade a vossa Igreja, enquanto caminha neste mundo: [o vosso servo o papa N,] o nosso bispo N. com os bispos do mundo inteiro, o clero e todo o povo que conquistastes.

Oração eucarística IV

E agora, ó Pai, lembrai-vos de todos pelos quais vos oferecemos este sacrifício: [o vosso servo o papa N.,] o nosso bispo N., os bispos do mundo inteiro, os presbíteros e todos os ministros, os fiéis que, em torno deste altar, vos oferecem este sacrifício, o povo que vos pertence e todos aqueles que vos procuram de coração sincero.

Oração eucarística V

Dai [ao Santo Padre, o Papa N., ser bem firme na fé e na caridade, e] a N., que é bispo desta Igreja, muita luz para guiar o seu rebanho.

Oração eucarística VI-A

Renovai, Senhor, à luz do evangelho, a vossa Igreja (que está em N.). Fortalecei o vínculo da unidade entre os fiéis leigos e os pastores do vosso povo, em comunhão com [o nosso papa N. e] o nosso bispo N. e os bispos do mundo inteiro, para que o vosso povo, neste mundo dilacerado por discórdias, brilhe como sinal profético de unidade e de paz.

Oração eucarística VI-B

Fortalecei, Senhor, na unidade os convidados a participar da vossa mesa. Em comunhão com [o nosso papa N. e] o nosso bispo N. com todos os bispos, presbíteros, diáconos e com todo o vosso povo, possamos irradiar confiança e alegria e caminhar com fé e esperança pelas estradas da vida.

Oração eucarística VI-C

Pela participação neste mistério, ó Pai todo-poderoso, santificai-nos pelo Espírito e concedei que nos tornemos semelhantes à imagem de vosso Filho. Fortalecei-nos na unidade, em comunhão com [o nosso papa N. e] o nosso bispo N., com todos os bispos, presbíteros e diáconos e todo o vosso povo.

Oração eucarística VI-D

Senhor Deus, conduzi a vossa Igreja à perfeição na fé e no amor, em comunhão com [o nosso papa N.,] o nosso bispo N., com todos os bispos, presbíteros e diáconos e todo o povo que conquistastes.

Oração eucarística VII

Conservai-nos, em comunhão de fé e amor, unidos [ao papa N. e] ao nosso bispo N. Ajudai-nos a trabalhar juntos na construção do vosso reino, até o dia em que, diante de vós, formos santos com os vossos santos, ao lado da virgem Maria e dos apóstolos, com nossos irmãos e irmãs já falecidos que confiamos à vossa misericórdia. Quando fizermos parte da nova criação, enfim libertada de toda maldade e fraqueza, poderemos cantar a ação de graças de Cristo que vive para sempre.

Oração eucarística VIII

Ele nos conserve em comunhão com [o papa N. e] o nosso bispo N. com todos os bispos e o povo que conquistastes. Fazei de vossa Igreja sinal da unidade entre os seres humanos e instrumento da vossa paz!

Haiti ainda exige atenção especial

Encontro-me no Haiti desde o dia 8 de janeiro. Vim para cá com o padre Gianpietro Carraro e alguns outros missionários e voluntários da Missão Belém. Fomos acolhidos e hospedados num centro missionário dos padres carlistas, que ficou em pé depois do terremoto; ali também estão abrigadas as religiosas da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), que vieram para trabalhar no Haiti, além da comunidade do Seminário Maior Diocesano do Haiti, com mais de 200 seminaristas.

Fizemos visita ao arcebispo de Porto Príncipe, que estava reunido com vários sacerdotes, em retiro. Contou-nos um pouco sobre a situação da Igreja neste tempo posterior ao terremoto. Ainda falta reconstruir muitas igrejas, as missas continuam a ser celebradas debaixo de tendas, a construção do seminário ainda não começou. A visita à catedral, em ruínas, é desoladora. No entanto, andando pelas ruas, já não se veem mais tantos sinais do terremoto; os materiais foram removidos e a maioria das casas recuperáveis parece ter sido reparada. Contudo, edifícios públicos, de governo, continuam em ruínas.

Ainda se observam grandes campos de tendas, onde as pessoas continuam a viver e a esperar uma casa para morar; muita gente também foi para as periferias da cidade e constituiu novas favelas, ocupando áreas disponíveis; outros foram para as montanhas, perto de Porto Príncipe, onde o ar é melhor; também essas estão à espera de receber uma casinha. De fato, a poluição do ar é grande, além da poeira, pois é seco neste período.

Na visita ao núncio apostólico, pudemos ouvir uma nova explicação sobre a situação do país e sobre o fluxo das ajudas internacionais para a reconstrução do país. Uma breve visita aos capelães do Brasil e do Paraguai, das Forças de Paz da ONU, também foi proveitosa para compreender o papel dessas forças internacionais, que continuam no Haiti, cuidando da segurança, mas em grau já diverso do início de sua presença; hoje já existe uma polícia haitiana, que começa a ter significado sempre maior para cuidar da ordem.

Passei a maior parte do tempo com os sete missionários da Missão Belém, que estão estavelmente no Haiti. Eles vieram para cá há cerca de dois anos e já estão fazendo um trabalho de grande significado e valor em Warf Jeremie, um bairro distante do centro de Porto Príncipe; trata-se de uma favela formada sobre um lixão imenso, onde as pessoas vivem em barracos paupérrimos, em condições degradantes para a dignidade humana, sobre o lixo, junto com um canal de esgoto a céu aberto, com porcos por todo lado e um mau cheiro insuportável. Dizem que seriam mais de 200 mil pessoas! Por toda parte, muitas crianças! Não há ruas, nem luz, nem água encanada. Não há trabalho e as pessoas procuram “fazer bicos” para sobreviver.

Nesse bairro, já existem vários trabalhos sociais, de diversas organizações. Foi ali também que a Missão Belém iniciou, com o apoio de benfeitores de São Paulo e da Itália, um centro de acolhida para crianças; foram construídas várias casinhas simples, mas decentes, com salas para acolher crianças; funciona como uma escolinha, que já acolhe cerca de 450 crianças, desde seis meses até oito anos; a maioria delas são bem pequenas e isso requer a ajuda de voluntários e assalariados. A manutenção é assegurada por apadrinhamentos à distância e pela Providência de Deus…

A visita às salas foi comovente; as crianças estão limpinhas, bem nutridas, os olhinhos brilhando… Passam o dia inteiro ali e recebem alimentação três vezes ao dia. À tarde, voltam para suas mães. Se não estivessem ali, provavelmente estariam brincando sobre o lixo, em meio ao esgoto, passando fome… Com as crianças, os pais, sobretudo as mães, também são envolvidas na escolinha e aprendem a fazer muitas coisas úteis. Uma vez por semana, uma das religiosas da CRB, que é enfermeira, vai lá e dá alguma assistência à saúde.

Os missionários visitam as casas, promovem várias ações de evangelização com o povo e já falam o creolo fluentemente… Vi que são bem aceitos e bem quistos pelo povo. Eles mesmos também vivem numa choupana precária e muito pobre, como são as do povo, para compartilhar concretamente a vida daquela população.

Fizemos uma via sacra no meio da favela, esgueirando-nos entre os barracos, onde não existem ruas… Foi uma experiência chocante ver de perto onde e como vivem aquelas pessoas. A ideia de Jesus, que continua a carregar a cruz nas dores e sofrimentos da humanidade, foi muito forte.

Hoje, 12 de janeiro, transcorre o terceiro aniversário do terrível terremoto, no qual perderam a vida mais de 300 mil pessoas; entre elas, também doutora Zilda Arns, que tinha vindo para cá fundar a Pastoral da Criança. Rezarei uma missa num santuário, lembrando de todas as vítimas. Já tive contatos com as religiosas da CRB, que estão empenhadas em várias frentes de trabalho para ajudar a população a retomar a vida; há várias congregações, de diversos países, bem como grupos de voluntários, fazendo o mesmo.

O Haiti continua sendo um país muito pobre e devastado; mas tem muitas possibilidades e, com muitos pequenos “milagres”, motivados pela solidariedade e a caridade fraterna, certamente conseguirá superar a situação atual.

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo
@DomOdiloScherer

Testemunhas de Jesus Cristo na cidade de São Paulo

Quais são os objetivos da presença da Igreja numa cidade? Tantas poderiam ser as respostas, mas uma delas é a principal: a Igreja está na cidade e em qualquer parte para ser testemunha de Jesus Cristo e do Evangelho do Reino de Deus. E para isso que a Arquidiocese de São Paulo, enquanto expressão local da nossa Igreja, está presente na grande cidade de São Paulo.

Isso foi recomendação do próprio Jesus Cristo aos apóstolos, ao prometer-lhes o Espírito Santo, antes de se elevar ao céu: “vós sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra” (cf At 1,8); interessante é observar que Jesus manda ser testemunhas dele, em primeiro lugar, na cidade de Jerusalém, que para os apóstolos era “a grande cidade” daquela época.

No seu novo Plano de Pastoral, a Arquidiocese de São Paulo assume isso como meta orientadora: SER TESTEMUNHA DE JESUS CRISTO NA CIDADE DE SÃO PAULO. Esta missão e este propósito dão sentido e orientação a tudo o que a Igreja é e faz em São Paulo: para todas as suas organizações pastorais, instituições educativas, caritativas e solidariedade social; para seus Meios de Comunicação e entes culturais, para as organizações e a atuação dos fiéis leigos, para a atuação dos bispos, padres e religiosos; para a existência e atuação das paróquias, igrejas, santuários, conventos, mosteiros, pequenas e grandes comunidades; para as celebrações litúrgicas e manifestações religiosas, artísticas e culturais, e até para o badalar dos sinos nas torres das igrejas… Tudo isso existe a serviço do testemunho Jesus Cristo e de seu Evangelho na cidade de São Paulo.

O 11º Plano de Pastoral parte de uma referência histórica à presença e atuação da Arquidiocese de São Paulo e ao caminho de fidelidade a Cristo, que ela procurou seguir. Hoje esta Igreja vê-se hoje diante de situações novas do ponto de vista religioso e pastoral, do ponto de vista social, político e cultural; essas situações representam, uma chance e um convite para atuar de forma nova e perseverante; mas também mostram situações desafiadoras, em que a nossa Igreja precisa exercer sua missão com renovada atenção.

Em sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, também a Arquidiocese de São Paulo coloca-se diante das urgências, que requerem o nosso empenho especial de todos os católicos e de todas as organizações desta Igreja na Metrópole. As urgências assumidas no 11º Plano de Pastoral são seis: que a Igreja em São Paulo se coloque em estado permanente de missão; seja uma acolhedora casa de iniciação à vida cristã; que toda a sua vida e ação sejam animadas pela a Palavra de Deus; que se torne sempre mais uma variada e rica Comunidade de comunidades” cristãs; que ela se coloque generosamente ao serviço da vida plena para todos; que concentre esforços para a evangelizar a juventude.

Para cada uma dessas urgências, o 11º Plano oferece indicações pastorais, que deverão ser traduzidas em iniciativas e programas de ação pelas paróquias, comunidades e organizações eclesiais e pastorai da Arquidiocese. O Plano de Pastoral é norteador da ação evangelizadora e pastoral da Arquidiocese e não oferece programas detalhados de ações, que deverão agora ser elaborados pelas organizações eclesiais e pastorais.

Com o novo Plano de Pastoral, já são feitas algumas indicações para um projeto pastoral de 4 anos, com a finalidade de melhor traduzir o 11º Plano em programas pastorais orgânicos. O projeto pastoral leva em conta o 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II, o Ano da Fé e o Catecismo da Igreja Católica, para ajudar nossa Arquidiocese a viver esses próximos 4 anos bem sintonizada e em comunhão com a Igreja no Brasil em do mundo inteiro.

O primeiro ano de vigência do Plano de Pastoral coincide com a realização do Ano da Fé, que toda a Igreja celebra de 11 de outubro de 2012 até 24 de novembro de 2013. Por isso, e com o objetivo de estimular a todos a viverem intensamente o Ano da Fé, o Arcebispo oferecerá à Arquidiocese sua segunda Carta Pastoral – Senhor, aumentai a nossa fé! – na qual também serão apresentada indicações e sugestões programáticas para a vivência do Ano da Fé. Que o Espírito de Deus dê vida e faça frutificar as sementes que lançamos no campo de Deus com nossos esforços!

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

 

11º Plano de Pastoral para download:

11º Plano de Pastoral