tráfico

Divulgado tema da mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2015

O Pontifício Conselho da Justiça e da Paz divulgou nesta quinta-feira, 21, por meio de um comunicado, o título da Mensagem para o 48º Dia Mundial da Paz, comemorado em 1º de janeiro de 2015. “Não mais escravos, mas irmãos” é o tema da segunda escrita pelo Papa Francisco para a data.

“Julga-se habitualmente que a escravidão seja um fato do passado. No entanto, esta praga social continua muito presente no mundo atual. A Mensagem para o 1º de Janeiro de 2014 era dedicada à fraternidade: ‘Fraternidade, fundamento e caminho para a paz’. De fato, uma vez que todos são filhos de Deus, os seres humanos são irmãos e irmãs com igual dignidade”, diz o comunicado.

Ainda de acordo com o informa do Pontifício Conselho, a escravidão representa “um golpe de morte para a fraternidade universal” e, por conseguinte, para a paz. “Na verdade, a paz existe quando o ser humano reconhece no outro um irmão ou irmã com a mesma dignidade”.

“Persistem no mundo múltiplas formas abomináveis de escravatura: o tráfico de seres humanos, o comércio dos migrantes e da prostituição, o trabalho-escravo, a exploração do ser humano pelo ser humano, a mentalidade escravagista para com as mulheres e as crianças”, continua o texto.

O Pontifício Conselho também ressalta que há indivíduos e grupos que “se aproveitam vergonhosamente desta escravatura, tirando partido dos muitos conflitos desencadeados no mundo, do contexto de crise econômica e da corrupção”.

“A escravatura é uma terrível ferida aberta no corpo da sociedade contemporânea, é uma chaga gravíssima na carne de Cristo! Para combatê-la eficazmente, deve-se reconhecer acima de tudo a inviolável dignidade de cada pessoa”, reforça o informe.

“O objetivo a alcançar é a construção de uma civilização fundada sobre a igual dignidade de todos os seres humanos, sem qualquer discriminação. Para isso, é necessário o compromisso da informação, da educação, da cultura em favor de uma sociedade renovada e que se assinale pela liberdade, pela justiça e, logo, pela paz”, conclui o comunicado.

O Dia Mundial da Paz é resultado da vontade do Papa Paulo VI. A Mensagem do Papa é enviada aos ministros dos negócios estrangeiros de todo o mundo e indica também a linha diplomática da Santa Sé para o ano que se inicia.

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

Órgãos: tráfico e doação

Dom Demétrio Valentini

Um dos bons ofícios da Campanha da Fraternidade é estimular nossa reflexão. A questão do tráfico humano nos leva a ponderações sobre o nosso corpo. Ele está no centro da questão do tráfico humano:está em jogo o corpo. Ele sofre a exploração.

O corpo é ao mesmo tempo expressão visível da vida humana, e condição indispensável de sua existência. Se o corpo exerce corretamente suas funções, a vida flui, exuberante. Se o corpo tem dificuldade de funcionamento, a vida padece. O atestado de morte mais radical é o médico constatar a “falência múltipla dos órgãos”.

Por mais que cultivemos a certeza de uma sobrevida, que ultrapasse nossos condicionamentos físicos, a vida humana nunca deixa de se expressar através do corpo. Ele é um “organismo” integrado de forma admirável e prodigiosa, com todos os seus “órgãos” funcionando a serviço do prodígio maior, que é a vida humana.

Os múltiplos órgãos do corpo funcionam a serviço da vida humana. O cuidado com o corpo ultrapassa sua consistência física. Sua finalidade não se detém no corpo. Ele se posiciona em direção à vida.

O corpo está em função da vida. E a própria vida humana encontra seu sentido mais profundo quando ela também encontra uma finalidade maior, que a justifica plenamente.

“Ninguém vive para si mesmo”, alerta São Paulo. Nossa vida também não é “auto-referencial”. Ela gira em torno de um mistério maior.

Aí entra uma questão central que a Campanha da Fraternidade levanta neste ano. Como usar do corpo, para que ele esteja plenamente a serviço da vida.

Salta aos olhos a perversidade de quem se julga no direito de dispor de órgãos humanos, fazendo deles mercadoria, colocada à venda para fins lucrativos.

Desta maneira, se explora o corpo humano, com os expedientes usados para a obtenção dos órgãos que são vendidos como mercadorias, pervertendo sua finalidade, fazendo do corpo um instrumento de exploração, ferindo a dignidade humana.

Tanto a finalidade, como os procedimentos para obtenção forçada de órgãos, se tornam, assim, desumanos e anti-éticos.

Quando, porém, a pessoa humana, consciente do significado transcendente de sua vida, ela própria decide colocar gratuitamente seus órgãos, que permanecem sempre a serviço de sua vida pessoal, para estarem eventualmente a serviço da vida de outras pessoas, que estiverem na dependência de receber tais órgãos, aí muda de sentido, radicalmente.

Pois neste caso, de doação livre dos órgãos, eles são colocados a serviço da vida humana.

Assim, a doação livre dos próprios órgãos, para ficarem à disposição de pessoas que necessitam deles, é um gesto que toma sentido na finalidade suprema da existência humana, que consiste em doar a própria vida por amor.

Para que a doação de órgãos tenha este sentido, é preciso que seja feita em plena liberdade. Como fez Jesus. Ele enfatizou claramente: “Ninguém tira minha vida, eu a dou livremente”.(Jo 10,18)

O corpo humano pode, assim, ser colocado como expressão do amor, que justifica a doação total da própria vida. É isto que está na origem do sacramento da Eucaristia. Tendo assumido um corpo humano, o Filho de Deus fez deste corpo, o sinal maior de seu amor.

A quaresma recorda e revive este gesto maior de Cristo. Ele entregou seu corpo para expressar seu amor por nós!

Tráfico de pessoas. Uma vergonha!

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Poucas semanas antes de sua vinda ao Brasil, em julho passado, o papa Francisco esteve na ilha de Lampedusa, já próxima da África, no sul da Itália; ali aportam numerosos prófugos da miséria e da violência, procedentes da África e de outras partes do mundo, sonhando com a vida na Europa.

Muitos, de fato, nem conseguem chegar à terra firme e naufragam, ou são abandonados pelos modernos mercadores de escravos no meio do Mediterrâneo em barcos abarrotados e sem o mínimo respeito à sua dignidade. Isso, depois de terem pago caro a alguma organização criminosa pelo transporte e pela promessa de visto e emprego no lugar de destino. Milhares acabam morrendo e jogados ao mar, nada diferente do que acontecia durante séculos com os navios negreiros no período colonial.

O Papa jogou flores ao mar para lembrá-los; ao mesmo tempo, rezou pelos que pereceram e confortou sobreviventes; e denunciou o tráfico de pessoas como uma atividade ignóbil, uma vergonha para sociedades que se dizem civilizadas. Diante dessa questão, os governos muitas vezes ficam indiferentes ou sem ação. Francisco conclamou a todos à superação da “globalização da indiferença”.

Desde tempos imemoriais, o tráfico de pessoas era praticado amplamente e até aceito, geralmente, em vista do trabalho escravo. O Brasil conviveu por séculos com a escravidão de índios e africanos; estes últimos eram adquiridos, traficados e comercializados como “coisa” num mercado vergonhoso, mas florescente. Foram necessários séculos para que a escravidão fosse formalmente proibida e abolida. Um progresso civilizatório!

Mas o problema voltou, se é que já havia sido erradicado de maneira completa. A forma contemporânea de escravidão é bem mais difundida e grave do que se poderia imaginar e está sendo favorecida pela globalização das atividades econômicas ilegais e clandestinas. Hoje, como no passado, essa atividade criminosa envolve organizações e redes nacionais e internacionais, com altos ganhos a custos e riscos baixos para os traficantes.

O tráfico de pessoas é praticado em vista de vários âmbitos da economia, legais e ilegais, como a construção civil, a agricultura, o trabalho doméstico, o entretenimento, a exploração sexual e, mesmo, a adoção ou a comercialização de órgãos. As vítimas, geralmente, são atraídas por promessas de trabalho e emprego, boas condições de vida em outras cidades ou países. Com freqüência, o tráfico de pessoas está ligado ao fenômeno das migrações e à permanência ilegal e precária em algum país.

Capítulo especialmente doloroso representa o tráfico de crianças e adolescentes, praticado por redes que envolvem pequenas vítimas do mundo inteiro. Entidades não-governamentais, que acompanham esta questão, estimam que, na década de 1980, quase 20 mil crianças brasileiras foram levadas para a adoção no exterior; constataram-se numerosos processos fraudulentos nessas adoções. No Brasil, há denúncias de tráfico de crianças e adolescentes destinados à exploração sexual; e continua grande o contingente de crianças de 7 a 14 anos de idade exploradas no trabalho infantil.

Algumas características do tráfico humano já foram estudadas. Antes de tudo, ele envolve o crime organizado, com uma complexa estrutura que relaciona meios e fins para facilitar suas atividades; há aliciadores, fornecedores de documentos falsos e de assistência jurídica, transportadores, lavagem de dinheiro… Há rotas nacionais e transnacionais do tráfico de mulheres para a exploração sexual, de trabalhadores ilegais, de crianças, de órgãos. No Brasil, a Região Amazônica apresenta o maior número dessas rotas, seguida pelo Nordeste.

O tráfico de pessoas é abastecido por hábeis e convincentes aliciadores, que induzem suas vítimas e as envolvem numa rede, que lhes tira a autonomia e da qual dificilmente conseguem se libertar. Geralmente, há uma boa proposta de emprego e renda no aliciamento. Por ser um crime invisível e silencioso, seu enfrentamento é difícil; as vítimas geralmente não denunciam, uma vez que elas passam a viver em situação de risco e de constrangimento. Além da vulnerabilidade social e econômica, elas têm sua dignidade degradada.

Como enfrentar essa chaga social, que representa um verdadeiro retrocesso cultural e civilizatório? Apesar da gravidade do problema, apenas recentemente ele começou a ser enfrentado seriamente pela sociedade. A partir da segunda metade do século 20, a escravidão no âmbito do trabalho forçado imposto pelas guerras começou a ser debatida em fóruns internacionais, de modo especial na Organização Internacional do Trabalho e na ONU. Com o avanço da globalização, alastrou-se ainda mais o tráfico de pessoas, mas também a consciência sobre a necessidade de normas adequadas e eficazes para combater esse tipo de crime.

Em 1999, a ONU realizou a Convenção de Palermo, contra o crime organizado transnacional e seus protocolos estão em vigor desde 2003. O Brasil adotou essa Convenção em 2006; desde 2008 tem o seu próprio Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Há numerosas iniciativas de organizações da sociedade civil que se dedicam ao enfrentamento do tráfico de pessoas. A Igreja também tem suas pastorais voltadas para essa problemática.

Em 2014, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoverá, no período que precede a celebração da Páscoa, a Campanha da Fraternidade sobre o tema do tráfico de seres humanos. Será uma boa ocasião para uma tomada de consciência mais ampla sobre as dimensões e a gravidade do problema e para suscitar iniciativas e decisões para enfrentar essa vergonhosa chaga social em nosso País.

Igreja pede “tolerância zero” frente ao tráfico de seres humanos

Tolerância zero: este foi o consenso ao qual chegaram os participantes do encontro internacional sobre o tráfico de seres humanos, realizado no Vaticano no último final de semana.

Os organizadores do congresso apresentaram as conclusões esta manhã, na Sala de Imprensa da Santa Sé. O Chanceler da Pontifícia Academia das Ciências, Dom Marcelo Sánchez Sorondo, reiterou a necessidade de um maior apoio da Igreja na luta contra este crime e uma maior conscientização acerca do problema.

“A criminalidade que conseguiu se impor é um efeito da globalização da indiferença de que fala o Papa Francisco”, afirmou o Chanceler. Dom Sánchez Sorondo declarou que se tratou de um encontro muito frutífero, mas a Pontifícia Academia ainda tem que estudar os modos para pôr em prática todas as sugestões e propostas feitas, inclusive a criação de uma nova de rede de combate ao tráfico.

O médico Dr. José Maria Simón Castelvì citou a Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro, ocasião em que ficou evidente os estragos que o uso do crack provoca entre os jovens. Com a droga, estão envolvidos a violência e o crime organizado – contexto que facilita o tráfico de pessoas e de órgãos.

Ele manifestou a preocupação dos médicos pela falta de justiça que esses crimes acarretam, recordando de modo especial que quando se fala de doação de sangue ou de órgãos, se trata de um ato completamente gratuito, que não pode ser comercializado.

Dr. Castelvì falou ainda de uma “mudança de época” de enfrentar o tráfico ao considerar a prostituição como uma forma de escravidão. “Este tráfico deve acabar”, defendeu.

Já o Prof. Juan José Llach afirmou que foram apresentadas mais de 50 propostas durante o congresso e que para a Pontifícia Academia das Ciências começa um período de trabalho intenso para articular e repensar ação da Igreja perante o tráfico de pessoas.

Fonte: News. Va

Igreja critica ação na “Cracolândia”

Nesta entrevista exclusiva, o arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer, fala sobre a ação do poder público na área da chamada “Cracolândia”, na região central da cidade.

O arcebispo afirma que é preciso combater o uso ilegal das drogras e a ação criminosa dos traficantes, mas critica os métodos violentos e desrespeitosos que estão sendo utilizados pela Prefeitura de São Paulo e pelo Governo Estadual na ação de retomada da “Cracolândia”. Dom Odilo fala, também, sobre a presença positiva e eficaz da Igreja nesses locais de degradação humana.

Veja a entrevista do cardeal

O SÃO PAULO – Qual a avaliação do senhor sobre a ação da Prefeitura e do Governo Estadual na área da chamada “Cracolândia”?

Dom Odilo Pedro Scherer – O tráfico e o consumo de entorpecentes é um problema grave, que precisa ser enfrentado com decisão e medidas adequadas pelas autoridades competentes. Além de ser ilegal, e de o tráfico ser criminoso, esse problema traz prejuízo enorme à saúde e degrada a dignidade humana nos usuários e dependentes das drogas. Mais grave ainda, quando se desenvolvem áreas de tráfico e consumo mais ou menos “livres” em alguma área da cidade, como é o caso da cracolândia, de São Paulo. Não é pensável que as autoridades façam vista grossa e deixem certos espaços entregues aos traficantes e gestores do comércio de morte. Por isso, a ação atenta e permanente das autoridades é necessária.

O SÃO PAULO – Os métodos usados estão sendo os mais adequados?

Dom Odilo Pedro Scherer – Outra questão é a que se refere aos métodos empregados na ação das autoridades competentes. É evidente que não se pode aprovar o uso da violência e de métodos desrespeitosos daquilo que resta de dignidade humana nos usuários e dependentes das drogas. Espalhar por outras áreas da cidade os dependentes, sem que seja dada a eles uma ajuda eficaz, também não parece uma boa solução; e a repressão do consumo, sem coibir e punir, com medidas adequadas, a produção e o tráfico de drogas, também não resolve o problema.

O SÃO PAULO – Qual a importância da presença da Igreja neste tipo de ambiente de degradação social?

Dom Odilo Pedro Scherer – Antes de tudo, é preciso afirmar que há uma longa e corajosa presença da Igreja junto aos dependentes químicos, para lhes oferecer a possibilidade de abandonar o consumo e a dependência das drogas. Exemplos bons disso são a Campanha da Fraternidade de 2001, sobre as drogas (“vida, sim, drogas, não!”); as Fazendas da Esperança e muitas outras instituições voltadas para o socorro e a recuperação dos dependentes químicos. Na área da “cracolândia” atuam diversas organizações da Igreja, como o Vicariato do Povo da Rua, a Missão Belém, a Aliança de Misericórdia, os Irmãos de Emaús e outros mais. Tive a informação de que, com a atuação solidária e de convencimento, apenas da Missão Belém, nas últimas semanas, desde antes do Natal, cerca de 150 dependentes de drogas deixaram a área e foram acolhidos nos locais de recuperação. As organizações da Igreja têm seu método próprio, muito eficaz, para tratar o problema e para recuperar os dependentes. Não basta a desintoxicação do organismo, mas é preciso recuperar a pessoa, no seu todo, e ajudá-la a recuperar o sentido da vida. Muito amor, respeito, dedicação, fé em Deus fazem parte desse método.

O SÃO PAULO – E como enfrentar a ação dos traficantes de drogas?

Dom Odilo Pedro Scherer – Este é o problema mais complexo, pois envolve vários tipos de interesses e responsabilidades, com quantias enormes de ganhos com negócios ilícitos e com o “comércio da morte”, como bem definiu o papa Bento 16 na Fazenda da Esperança, em maio de 2007. O enfrentamento desse problema cabe às autoridades constituídas e competentes. A Igreja só pode apelar que os promotores da produção e do tráfico de drogas se convertam e abandonem esse caminho de maldade; foi ainda Bento 16 quem lhes lembrou que, um dia, deverão prestar contas a Deus por toda vida perdida e pelos sofrimentos causados aos outros com suas ações. A penitência e a conversão são caminhos abertos a todos.

Roda Viva entrevista Luiz Eduardo Soares

O programa Roda Viva, da TV Cultura, entrevistou na segunda-feira, 29/11, o antropólogo Luiz Eduardo Soares, especialista em segurança pública. Ele foi secretário de segurança do Rio e do governo federal e escreveu livros sobre o tema – um deles, “Elite da Tropa”, inspirou o filme “Tropa de Elite”.

Assista à íntegra do Roda Viva, com apresentação de Marília Gabriela e a participação de Augusto Nunes, Paulo Moreira Leite, Luciano Suassuna, Nancy Cardia e do cartunista Chico Caruso:

Bloco 1

2º bloco

Bloco 2

3º bloco

Bloco 3

4º bloco

Bloco 4

A crise no Rio e o pastiche midiático

Luiz Eduardo Soares

Sempre mantive com jornalistas uma relação de respeito e cooperação. Em alguns casos, o contato profissional evoluiu para amizade. Quando as divergências são muitas e profundas, procuro compreender e buscar bases de um consenso mínimo, para que o diálogo não se inviabilize. Faço-o por ética –supondo que ninguém seja dono da verdade, muito menos eu–, na esperança de que o mesmo procedimento seja adotado pelo interlocutor. Além disso, me esforço por atender aos que me procuram, porque sei que atuam sob pressão, exaustivamente, premidos pelo tempo e por pautas urgentes. A pressa se intensifica nas crises, por motivos óbvios. Costumo dizer que só nós, da segurança pública (em meu caso, quando ocupava posições na área da gestão pública da segurança), os médicos e o pessoal da Defesa Civil, trabalhamos tanto –ou sob tanta pressão– quanto os jornalistas.

Digo isso para explicar por que, na crise atual, tenho recusado convites para falar e colaborar com a mídia:

(1) Recebi muitos telefonemas, recados e mensagens. As chamadas são contínuas, a tal ponto que não me restou alternativa a desligar o celular. Ao todo, nesses dias, foram mais de cem pedidos de entrevistas ou declarações. Nem que eu contasse com uma equipe de secretários, teria como responder a todos e muito menos como atendê-los. Por isso, aproveito a oportunidade para desculpar-me. Creiam, não se trata de descortesia ou desapreço pelos repórteres, produtores ou entrevistadores que me procuraram.

(2) Além disso, não tenho informações de bastidor que mereçam divulgação. Por outro lado, não faria sentido jogar pelo ralo a credibilidade que construí ao longo da vida. E isso poderia acontecer se eu aceitasse aparecer na TV, no rádio ou nos jornais, glosando os discursos oficiais que estão sendo difundidos, declamando platitudes, reproduzindo o senso comum pleno de preconceitos, ou divagando em torno de especulações. A situação é muito grave e não admite leviandades. Portanto, só faria sentido falar se fosse para contribuir de modo eficaz para o entendimento mais amplo e profundo da realidade que vivemos. Como fazê-lo em alguns parcos minutos, entrecortados por intervenções de locutores e debatedores? Como fazê-lo no contexto em que todo pensamento analítico é editado, truncado, espremido –em uma palavra, banido–, para que reinem, incontrastáveis, a exaltação passional das emergências, as imagens espetaculares, os dramas individuais e a retórica paradoxalmente triunfalista do discurso oficial?

(3) Por fim, não posso mais compactuar com o ciclo sempre repetido na mídia: atenção à segurança nas crises agudas e nenhum investimento reflexivo e informativo realmente denso e consistente, na entressafra, isto é, nos intervalos entre as crises. Na crise, as perguntas recorrentes são: (a) O que fazer, já, imediatamente, para sustar a explosão de violência? (b) O que a polícia deveria fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas? (c) Por que o governo não chama o Exército? (d) A imagem internacional do Rio foi maculada? (e) Conseguiremos realizar com êxito a Copa e as Olimpíadas?

Ao longo dos últimos 25 anos, pelo menos, me tornei “as aspas” que ajudaram a legitimar inúmeras reportagens. No tópico, “especialistas”, lá estava eu, tentando, com alguns colegas, furar o bloqueio à afirmação de uma perspectiva um pouquinho menos trivial e imediatista. Muitas dessas reportagens, por sua excelente qualidade, prescindiriam de minhas aspas –nesses casos, reduzi-me a recurso ocioso, mera formalidade das regras jornalísticas. Outras, nem com todas as aspas do mundo se sustentariam. Pois bem, acho que já fui ou proporcionei aspas o suficiente. Esse código jornalístico, com as exceções de praxe, não funciona, quando o tema tratado é complexo, pouco conhecido e, por sua natureza, rebelde ao modelo de explicação corrente. Modelo que não nasceu na mídia, mas que orienta as visões aí predominantes. Particularmente, não gostaria de continuar a ser cúmplice involuntário de sua contínua reprodução.

Eis por que as perguntas mencionadas são expressivas do pobre modelo explicativo corrente e por que devem ser consideradas obstáculos ao conhecimento e réplicas de hábitos mentais refratários às mudanças inadiáveis. Respondo sem a elegância que a presença de um entrevistador exigiria. Serei, por assim dizer, curto e grosso, aproveitando-me do expediente discursivo aqui adotado, em que sou eu mesmo o formulador das questões a desconstruir. Eis as respostas, na sequência das perguntas, que repito para facilitar a leitura:

(a) O que fazer, já, imediatamente, para sustar a violência e resolver o desafio da insegurança?

Nada que se possa fazer já, imediatamente, resolverá a insegurança. Quando se está na crise, usam-se os instrumentos disponíveis e os procedimentos conhecidos para conter os sintomas e salvar o paciente. Se desejamos, de fato, resolver algum problema grave, não é possível continuar a tratar o paciente apenas quando ele já está na UTI, tomado por uma enfermidade letal, apresentando um quadro agudo. Nessa hora, parte-se para medidas extremas, de desespero, mobilizando-se o canivete e o açougueiro, sem anestesia e assepsia. Nessa hora, o cardiologista abre o tórax do moribundo na maca, no corredor. Não há como construir um novo hospital, decente, eficiente, nem para formar especialistas, nem para prevenir epidemias, nem para adotar procedimentos que evitem o agravamento da patologia. Por isso, o primeiro passo para evitar que a situação se repita é trocar a pergunta. O foco capaz de ajudar a mudar a realidade é aquele apontado por outra pergunta: o que fazer para aperfeiçoar a segurança pública, no Rio e no Brasil, evitando a violência de todos os dias, assim como sua intensificação, expressa nas sucessivas crises?

Se o entrevistador imaginário interpelar o respondente, afirmando que a sociedade exige uma resposta imediata, precisa de uma ação emergencial e não aceita nenhuma abordagem que não produza efeitos práticos imediatos, a melhor resposta seria: caro amigo, sua atitude representa, exatamente, a postura que tem impedido avanços consistentes na segurança pública. Se a sociedade, a mídia e os governos continuarem se recusando a pensar e abordar o problema em profundidade e extensão, como um fenômeno multidimensional a requerer enfrentamento sistêmico, ou seja, se prosseguirmos nos recusando, enquanto Nação, a tratar do problema na perspectiva do médio e do longo prazos, nos condenaremos às crises, cada vez mais dramáticas, para as quais não há soluções mágicas.

A melhor resposta à emergência é começar a se movimentar na direção da reconstrução das condições geradoras da situação emergencial. Quanto ao imediato, não há espaço para nada senão o disponível, acessível, conhecido, que se aplica com maior ou menor destreza, reduzindo-se danos e prolongando-se a vida em risco.

A pergunta é obtusa e obscurantista, cúmplice da ignorância e da apatia.

(b) O que as polícias fluminenses deveriam fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas?

Em primeiro lugar, deveriam parar de traficar e de associar-se aos traficantes, nos “arregos” celebrados por suas bandas podres, à luz do dia, diante de todos. Deveriam parar de negociar armas com traficantes, o que as bandas podres fazem, sistematicamente. Deveriam também parar de reproduzir o pior do tráfico, dominando, sob a forma de máfias ou milícias, territórios e populações pela força das armas, visando rendimentos criminosos obtidos por meios cruéis.

Ou seja, a polaridade referida na pergunta (polícias versus tráfico) esconde o verdadeiro problema: não existe a polaridade. Construí-la –isto é, separar bandido e polícia; distinguir crime e polícia– teria de ser a meta mais importante e urgente de qualquer política de segurança digna desse nome. Não há nenhuma modalidade importante de ação criminal no Rio de que segmentos policiais corruptos estejam ausentes. E só por isso que ainda existe tráfico armado, assim como as milícias.

Não digo isso para ofender os policiais ou as instituições. Não generalizo. Pelo contrário, sei que há dezenas de milhares de policiais honrados e honestos, que arriscam, estóica e heroicamente, suas vidas por salários indignos. Considero-os as primeiras vítimas da degradação institucional em curso, porque os envergonha, os humilha, os ameaça e acua o convívio inevitável com milhares de colegas corrompidos, envolvidos na criminalidade, sócios ou mesmo empreendedores do crime.

Não nos iludamos: o tráfico, no modelo que se firmou no Rio, é uma realidade em franco declínio e tende a se eclipsar, derrotado por sua irracionalidade econômica e sua incompatibilidade com as dinâmicas políticas e sociais predominantes, em nosso horizonte histórico. Incapaz, inclusive, de competir com as milícias, cuja competência está na disposição de não se prender, exclusivamente, a um único nicho de mercado, comercializando apenas drogas –mas as incluindo em sua carteira de negócios, quando conveniente. O modelo do tráfico armado, sustentado em domínio territorial, é atrasado, pesado, anti-econômico: custa muito caro manter um exército, recrutar neófitos, armá-los (nada disso é necessário às milícias, posto que seus membros são policiais), mantê-los unidos e disciplinados, enfrentando revezes de todo tipo e ataques por todos os lados, vendo-se forçados a dividir ganhos com a banda podre da polícia (que atua nas milícias) e, eventualmente, com os líderes e aliados da facção. É excessivamente custoso impor-se sobre um território e uma população, sobretudo na medida que os jovens mais vulneráveis ao recrutamento comecem a vislumbrar e encontrar alternativas. Não só o velho modelo é caro, como pode ser substituído com vantagens por outro muito mais rentável e menos arriscado, adotado nos países democráticos mais avançados: a venda por delivery ou em dinâmica varejista nômade, clandestina, discreta, desarmada e pacífica. Em outras palavras, é melhor, mais fácil e lucrativo praticar o negócio das drogas ilícitas como se fosse contrabando ou pirataria do que fazer a guerra. Convenhamos, também é muito menos danoso para a sociedade, por óbvio.

(c) O Exército deveria participar?

Fazendo o trabalho policial, não, pois não existe para isso, não é treinado para isso, nem está equipado para isso. Mas deve, sim, participar. A começar cumprindo sua função de controlar os fluxos das armas no país. Isso resolveria o maior dos problemas: as armas ilegais passando, tranquilamente, de mão em mão, com as bênçãos, a mediação e o estímulo da banda podre das polícias.

E não só o Exército. Também a Marinha, formando uma Guarda Costeira com foco no controle de armas transportadas como cargas clandestinas ou despejadas na baía e nos portos. Assim como a Aeronáutica, identificando e destruindo pistas de pouso clandestinas, controlando o espaço aéreo e apoiando a PF na fiscalização das cargas nos aeroportos.

(d) A imagem internacional do Rio foi maculada?

Claro. Mais uma vez.

(e) Conseguiremos realizar com êxito a Copa e as Olimpíadas?

Sem dúvida. Somos ótimos em eventos. Nesses momentos, aparece dinheiro, surge o “espírito cooperativo”, ações racionais e planejadas impõem-se. Nosso calcanhar de Aquiles é a rotina. Copa e Olimpíadas serão um sucesso. O problema é o dia a dia.

Palavras Finais

Traficantes se rebelam e a cidade vai à lona. Encena-se um drama sangrento, mas ultrapassado. O canto de cisne do tráfico era esperado. Haverá outros momentos análogos, no futuro, mas a tendência declinante é inarredável. E não porque existem as UPPs, mas porque correspondem a um modelo insustentável, economicamente, assim como social e politicamente. As UPPs, vale dizer mais uma vez, são um ótimo programa, que reedita com mais apoio político e fôlego administrativo o programa “Mutirões pela Paz”, que implantei com uma equipe em 1999, e que acabou soterrado pela política com “p” minúsculo, quando fui exonerado, em 2000, ainda que tenha sido ressuscitado, graças à liderança e à competência raras do ten.cel. Carballo Blanco, com o título GPAE, como reação à derrocada que se seguiu à minha saída do governo. A despeito de suas virtudes, valorizadas pela presença de Ricardo Henriques na secretaria estadual de assistência social –um dos melhores gestores do país–, elas não terão futuro se as polícias não forem profundamente transformadas. Afinal, para tornarem-se política pública terão de incluir duas qualidades indispensáveis: escala e sustentatibilidade, ou seja, terão de ser assumidas, na esfera da segurança, pela PM. Contudo, entregar as UPPs à condução da PM seria condená-las à liquidação, dada a degradação institucional já referida.

O tráfico que ora perde poder e capacidade de reprodução só se impôs, no Rio, no modelo territorializado e sedentário em que se estabeleceu, porque sempre contou com a sociedade da polícia, vale reiterar. Quando o tráfico de drogas no modelo territorializado atinge seu ponto histórico de inflexão e começa, gradualmente, a bater em retirada, seus sócios –as bandas podres das polícias– prosseguem fortes, firmes, empreendedores, politicamente ambiciosos, economicamente vorazes, prontos a fixar as bandeiras milicianas de sua hegemonia.

Discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, crime violento, brutalidade, corrupção? Como se refundarão as instituições policiais para que os bons profissionais sejam, afinal, valorizados e qualificados? Como serão transformadas as polícias, para que deixem de ser reativas, ingovernáveis, ineficientes na prevenção e na investigação?

As polícias são instituições absolutamente fundamentais para o Estado democrático de direito. Cumpre-lhes garantir, na prática, os direitos e as liberdades estipulados na Constituição. Sobretudo, cumpre-lhes proteger a vida e a estabilidade das expectativas positivas relativamente à sociabilidade cooperativa e à vigência da legalidade e da justiça. A despeito de sua importância, essas instituições não foram alcançadas em profundidade pelo processo de transição democrática, nem se modernizaram, adaptando-se às exigências da complexa sociedade brasileira contemporânea. O modelo policial foi herdado da ditadura. Ele servia à defesa do Estado autoritário e era funcional ao contexto marcado pelo arbítrio. Não serve à defesa da cidadania. A estrutura organizacional de ambas as polícias impede a gestão racional e a integração, tornando o controle impraticável e a avaliação, seguida por um monitoramento corretivo, inviável. Ineptas para identificar erros, as polícias condenam-se a repeti-los. Elas são rígidas onde teriam de ser plásticas, flexíveis e descentralizadas; e são frouxas e anárquicas, onde deveriam ser rigorosas. Cada uma delas, a PM e a Polícia Civil, são duas instituições: oficiais e não-oficiais; delegados e não-delegados.

E nesse quadro, a PEC-300 é varrida do mapa no Congresso pelos governadores, que pagam aos policiais salários insuficientes, empurrando-os ao segundo emprego na segurança privada informal e ilegal.

Uma das fontes da degradação institucional das polícias é o que denomino “gato orçamentário”, esse casamento perverso entre o Estado e a ilegalidade: para evitar o colapso do orçamento público na área de segurança, as autoridades toleram o bico dos policiais em segurança privada. Ao fazê-lo, deixam de fiscalizar dinâmicas benignas (em termos, pois sempre há graves problemas daí decorrentes), nas quais policiais honestos apenas buscam sobreviver dignamente, apesar da ilegalidade de seu segundo emprego, mas também dinâmicas malignas: aquelas em que policiais corruptos provocam a insegurança para vender segurança; unem-se como pistoleiros a soldo em grupos de extermínio; e, no limite, organizam-se como máfias ou milícias, dominando pelo terror populações e territórios. Ou se resolve esse gargalo (pagando o suficiente e fiscalizando a segurança privada /banindo a informal e ilegal; ou legalizando e disciplinando, e fiscalizando o bico), ou não faz sentido buscar aprimorar as polícias.

O Jornal Nacional, nesta quinta, 25 de novembro, definiu o caos no Rio de Janeiro, salpicado de cenas de guerra e morte, pânico e desespero, como um dia histórico de vitória: o dia em que as polícias ocuparam a Vila Cruzeiro. Ou eu sofri um súbito apagão mental e me tornei um idiota contumaz e incorrigível ou os editores do JN sentiram-se autorizados a tratar milhões de telespectadores como contumazes e incorrigíveis idiotas.

Ou se começa a falar sério e levar a sério a tragédia da insegurança pública no Brasil, ou será pelo menos mais digno furtar-se a fazer coro à farsa.

A Juventude

Dom Demétrio Valentini

Para a Pastoral da Igreja, este domingo é o Dia Nacional da Juventude. Ao menos esta é a intenção, traduzida em diversas iniciativas pelo Brasil a fora, tentando reunir os jovens para celebrarem sua vida e refletirem sobre seus desafios.

A Diocese de Jales promove um encontro especial com os jovens das comunidades, no amplo salão da Paróquia Santo Antonio. Será aberto com a celebração da missa, animada pelos próprios jovens, prosseguindo com apresentações preparadas por eles.

Quanto aos jovens, com certeza, a maioria deles nem tomou conhecimento da iniciativa, nem sabe que existe um dia nacional da juventude. Tal a crise de identidade que os jovens vivem hoje, que pouco lhes interessa saber se a sociedade está preocupada com eles, e lhes dedica um dia especial.

Não é fácil entender o que se passa hoje com a juventude. Nem é fácil lidar com os jovens. Que o digam os pais, que olham perplexos para seus filhos, e estranham a grande diferença de gerações. Que o diga a escola, que se arrepia com os problemas trazidos pelos alunos, e se vê incapaz de oferecer soluções. Que o diga a Igreja, que perdeu o contato com os jovens, e não sabe mais como reatar o diálogo com eles.

Também pudera. Todos estamos de acordo em que vivemos uma época de mudanças alucinantes, a ponto de identificá-la não só como “uma época de mudanças, mas uma mudança de época”, como reconheceu recentemente a Conferência de Aparecida.

Pois bem, as mudanças incidem mais diretamente sobre os jovens. Eles estão ao desabrigo de refúgios protetores, que amaciam o impacto das rápidas transformações culturais em curso em nossos dias. Além do mais, os jovens são alvos escolhidos de quem se aproveita da situação para faturar em cima da fraqueza humana.

Os jovens se tornam alvo de manobras perniciosas, que tem sua tradução mais cruel e mais danosa na rápida disseminação da droga, que vitima tantas vidas no auge de sua pujança.

O mundo da droga, isto é, o complexo sistema de produção e comercialização de entorpecentes, sacrificando vidas sem nenhum escrúpulo para conseguir seus vis intentos financeiros, se constitui na maior praga que contamina hoje a humanidade, e que faz dos jovens suas vítimas preferidas.

Os grandes traficantes de drogas merecem nosso repúdio e nossa indignação, junto com a atenta atuação para, o quanto possível, frustrar seus macabros intentos. Eles se escudam atrás de intermediários, que ficam expostos à repressão policial, enquanto eles podem, tranquilamente, posar de beneméritos fariseus da falsa decência, com a cara de pau de se mostrarem cidadãos ilibados e beneméritos.

Em seu desamparo, e na sua ânsia compreensível de se lançarem nas aventuras da vida, os jovens foram passando por diversas situações, de onde saíram chamuscados e marcados na sua identidade. Primeiro foi o cinema, com seus encantos iniciais, que logo terminaram. Depois veio a televisão, que num primeiro momento absorveu a juventude, tolhendo seu espaço de convívio com a família e com a sociedade. Depois os jovens tomaram o rumo das ruas, ficando mais expostos às ciladas traiçoeiras dos falsos valores, da bebida, da droga e da banalidade. Agora são atraídos pela internet, abrindo para eles um inesperado mundo virtual de sonhos que podem persistir por mais tempo, mas não deixam de ser ilusões irrealizáveis.

Pois bem, este o mundo da juventude. Diante dele, não é o caso de desanimar. Pois apesar de tudo, os jovens conservam o desejo da vida, e a sede de valores autênticos. O melhor é desafiá-los, para que eles mesmos se tornem protagonistas de sua realização.

É o que a Diocese espera fazer no encontro deste domingo. Desafiar os jovens a assumirem sua missão. E confiar a eles o futuro da diocese, que está celebrando seu jubileu de ouro. Para que daqui a 50 anos sejam eles a testemunharem suas vitórias e suas conquistas.

Papa condena assassinato de padre na Amazônia

Sacerdote italiano foi atingido a tiro dentro da sua residência

Bento XVI lamentou a morte do padre Rugerro Ruvolletto, de 52 anos, um sacerdote italiano assassinado na cidade brasileira de Manaus, este Sábado. Em apenas um mês foram registados cinco assaltos a paróquias na capital desta região da Amazónia.

O Pe. Ruvolletto estava em Manaus há quase dois anos e era pároco em várias igrejas. Foi encontrado morto, de joelhos, ao lado da cama, com um tiro na cabeça.

A Arquidiocese de Manaus publicou um comunicado no qual expressa a sua “indignação” em relação à morte do sacerdote. O texto é assinado pelo arcebispo de Manaus, D. Luis Soares Vieira, e pelos bispos auxiliares, D. Mário Pasqualotto e D. Sebastião Bandeira.

Os responsáveis pela arquidiocese sublinham que “a violência tem várias causas” e que “não podemos ser simplistas nos nossos julgamentos”.

Também a Diocese de Pesqueira manifestou o seu repúdio perante “este triste e lamentável facto”.

fonte: CNBB