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VÍDEO: Homilia do Pe. Julio no Domingo da Ascensão

Assista à reflexão do Pe. Julio Lancellotti no Domingo da Ascensão, celebrado em 17/05/2015, Dia Mundial das Comunicações Sociais. Nas leituras do domingo, Jesus diz aos discípulos que eles devem ser testemunhas dos seus ensinamentos e pregar o Evangelho “pelo mundo inteiro”.

Gravação realizada na missa das 18h na igreja São Miguel Arcanjo, em São Paulo.

CNBB abre consulta às dioceses sobre o Sínodo da Família

CNBB abre consulta às dioceses sobre o Sínodo da Família

“Ficaria muito grato se o senhor promovesse uma consulta ampla com o Povo de Deus da sua diocese para o bom êxito do processo sinodal que se concluirá com a segunda e última etapa do Sínodo sobre a Família, em outubro próximo. Aproveito para pedir as orações de sua diocese para a família e a próxima Assembleia Sinodal”, disse o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Raymundo Damasceno Assis, em carta enviada aos bispos do Brasil. Acesse o questionário disponibilizado pelo Vaticano.

A iniciativa do presidente da CNBB é motivada a partir do comunicado do secretário-geral do Sínodo, cardeal Lorenzo Baldisseri, que pede a realização de “uma ampla consulta com todo o povo de Deus sobre a família segunda a orientação do processo sinodal”.

Diante da solicitação da Santa Sé, dom Raymundo Damasceno, também delegado-presidente do Sínodo, pede a contribuição das dioceses do Brasil com a consulta sobre a família.

O texto de trabalho (Instrumentum laboris) da primeira fase do Sínodo, também contou com a colaboração das dioceses de diversos países. A consulta ao povo é um pedido do papa Francisco, que tem incentivado a participação das comunidades nas reflexões do Sínodo. A 3ª Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos foi realizada de 5 a 19 de outubro, no Vaticano.

Ouvir o povo

O primeiro dos documentos da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, os Lineamenta, além das reflexões, apresenta uma série de perguntas. O objetivo é avaliar o texto produzido pelos bispos e solicitar o aprofundamento do trabalho começado durante a Assembleia. Ao todo, o documento propõe 46 questões para serem refletidas e orientadas a partir de temáticas:

“O contexto sociocultural”, “A relevância da vida afetiva”, “A família no desígnio salvífico de Deus”, “A indissolubilidade do matrimônio e a alegria de viver juntos”, “Cura pastoral de quantos vivem no matrimônio civil ou convivem”, “A atenção pastoral às pessoas com tendência homossexual”, “O desafio da educação e o papel da família na evangelização”.

Orientações

No site do Vaticano está disponível o questionário (baixe aqui) que deverá nortear os trabalhos de estudos nas dioceses, sob orientação do bispo local ou responsável. A CNBB irá receber as contribuições e produzirá uma síntese do material coletado nas igrejas particulares. Posteriormente, esse conteúdo será enviado à secretaria geral do Sínodo, responsável em preparar o texto de trabalho para a 14ª Assembleia Geral Ordinária, que ocorrerá de 4 a 25 de outubro próximo, no Vaticano. O tema proposto será “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.

A secretaria do Sínodo orienta, ainda, que as Conferências Episcopais escolham as modalidades adequadas para produzir as reflexões, conforme orienta o documento. Outra sugestão é que agentes de pastorais das Igrejas particulares e instituições acadêmicas, organizações, movimentos laicais e outras instâncias eclesiais sejam envolvidos no trabalho.

Fonte: CNBB com informações da Secretaria do Sínodo/Vaticano

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio em 09/11/2014

Pregação do Pe. Julio Lancellotti na comemoração da “Dedicação da Basílica de Latrão”, celebrada em 09/11/2014. A basílica é a Catedral do Bispo de Roma, o Papa, e recorda o significado dos templos. Nesse dia, o Evangelho de João conta o episódio em que Jesus foi ao templo em Jerusalém e se revoltou com os exploradores do povo.

Gravação realizada na missa das 18h na igreja São Miguel Arcanjo, em São Paulo.

Francisco recebeu na Casa Santa Marta um grupo de detentos: “Esta é a vossa casa”

Na manhã desta quarta-feira (19), antes de dirigir-se à Praça São Pedro para a Audiência Geral, o Papa Francisco recebeu na Casa Santa Marta, no Vaticano, um grupo de 19 detentos dos Cárceres de Pisa e de Pianosa. “Esta é a vossa casa”, disse o Papa aos visitantes.

Os detentos realizavam uma peregrinação a Roma, no âmbito de um caminho espiritual, acompanhados pelos capelães Pe. Roberto Filippini e Pe. Luigi Gabriellini. O grupo participou da Missa celebrada nas Grutas Vaticanas às 7h15min, presidida pelo Arcebispo Dom Lorenzo Baldisseri.

Informado das suas presenças, o Pontífice manifestou desejo de encontrá-los pessoalmente, acolhendo-os então às 9 horas, na sua residência, a Casa Santa Marta, por 45 minutos. O Pontífice rezou com, e por eles, e os abençoou diante da imagem de “Nossa Senhora Desatadora dos Nós”.

A responsável pela área educativa do Cárcere Dom Bosco, de Pisa, Liberata Di Lorenzo, disse que o Papa lhes contou “a história de Nossa Senhora Desatadora dos Nós e diante daquela imagem, muito evocativa em função da situação, tiramos uma fotografia juntos”. “Um dos detentos – continuou Di Lorenzo – estava literalmente paralisado de medo e emoção, não tinha nem mesmo a coragem de aproximar-se, pois não se julgava à altura daquele encontro”. “Ele me disse – concluiu Di Lorenzo – que na sua vida nunca teve medo em situações muito perigosas e difíceis, mas estava agora, e me pediu para acompanhá-lo na saudação ao Papa, pois não tinha força de fazê-lo sozinho”.

O Arcebispo Baldisseri definiu o encontro como “belíssimo, comovente”. “O Papa – disse o prelado – quis saudar e abençoar um a um. Os encorajou muito. O seu foi um sinal de grande paternidade em relação às pessoas empenhadas em um percurso espiritual”.

Os detentos de Pisano que encontraram o Papa participam dos encontros de catequese promovidos no Instituto Dom Bosco. A delegação de Pisa era formada por 8 detentos, 7 homens e uma mulher, a única entre os 19 reclusos. Entre os detentos de Pianosa, por sua vez, estavam também latino-americanos.

Fonte: News.VA

Portas abertas

Dom Demétrio Valentini
Adital

Estamos chegando na reta final do Ano da Fé. Iniciado em 11 de outubro de 2012, ele vai se concluir oficialmente no dia 24 deste mês de novembro.

Ele foi instituído pelo Papa Emérito Bento XVI, e será concluído pelo Papa Francisco. Sua motivação principal esteve ligada ao Concílio Vaticano II. Isto explica a data do seu início, no dia em que se completavam 50 anos da abertura do Concílio.

Todo documento oficial do Vaticano é identificado por suas primeiras palavras, que geralmente são escolhidas por evocarem, de maneira especial, o assunto principal do documento.

Desta vez, as palavras escolhidas foram: “Porta Fídei”, isto é: “A Porta da Fé”.

Na verdade, são de uma citação bíblica. Foram palavras usadas por Barnabé e Paulo, ao voltarem da primeira excursão apostólica em terras pagãs do império romano. Traziam a “boa notícia” de que “Deus abriu aos pagãos a porta de fé” (Atos 14, 27). Na iminência de concluir este “Ano da Fé”, nos damos conta que a palavra “porta” se presta bem, não só para celebrar um ano, mas para designar o novo espírito, a nova postura, o novo clima de relacionamento e de confiança, trazido para dentro da Igreja, muito além das expectativas iniciais do Ano da Fé.

Vivemos agora sob o signo da porta aberta. Se Bento XVI, com a promulgação do Ano da Fé usou as chaves de Pedro para abrir de novo a porta da fé, o Papa Francisco veio escancarar todas as portas.

De fato, a Igreja é desafiada hoje a abrir as portas, sem receio de ser invadida e perder sua identidade. Ao contrário, a Igreja se sente desafiada a acolher todos os clamores que surgem das situações concretas. A Igreja se vê na obrigação, como portadora do Evangelho, de ter para com todas as pessoas uma palavra de ânimo, de esperança, e da certeza do amor de Deus.

Esta disposição de abrir as portas pode ser facilmente identificada na decisão tomada pelo Papa Francisco, de convocar um sínodo extraordinário sobre a família, em outubro de 2014.

O interessante é perceber que já havia um sínodo sobre a família, convocado para 2015. Para que, então, um extraordinário sobre o mesmo assunto, em 2014?

Aí mora a estratégia do Papa Francisco. Este primeiro sínodo é para “escancarar as portas” dos problemas muito sérios e profundos, que atingem hoje a família.

Com esta decisão, o Papa “abre a porta” para que sejam colocadas à mesa da reflexão todas as situações, mesmo as mais complexas e difíceis.

Não como alguém que só recorda os grandes princípios, e com eles condena todos os que não os vivem em plenitude. Mas, isto sim, como alguém que escuta com atenção os problemas vividos hoje pelas famílias, e se pergunta o que pode fazer, para que continuem experimentando o amor que Deus tem para com cada pessoa, em qualquer situação que se encontre.

Assim se entende o grande elenco de questões, sobre as problemáticas mais complexas e novas, que atingem hoje a família, desde o divórcio, o casamento gay, os métodos contraceptivos, e tantas outras situações, provocadas pelas 38 perguntas do sínodo, colocadas em aberto, para todos os que quiserem expressar sua opinião.

Não é a Igreja que escolhe o “cardápio” dos problemas a serem enfrentados. Esses problemas são trazidos pela realidade. A Igreja reflete sobre eles, para entendê-los, sim; mas, sobretudo, para se perguntar o que pode fazer pelas pessoas que os vivem.

Ela olha a realidade, sob a luz da Boa Nova, e sob o prisma da misericórdia a ser administrada em nome de Cristo.

Igreja pede “tolerância zero” frente ao tráfico de seres humanos

Tolerância zero: este foi o consenso ao qual chegaram os participantes do encontro internacional sobre o tráfico de seres humanos, realizado no Vaticano no último final de semana.

Os organizadores do congresso apresentaram as conclusões esta manhã, na Sala de Imprensa da Santa Sé. O Chanceler da Pontifícia Academia das Ciências, Dom Marcelo Sánchez Sorondo, reiterou a necessidade de um maior apoio da Igreja na luta contra este crime e uma maior conscientização acerca do problema.

“A criminalidade que conseguiu se impor é um efeito da globalização da indiferença de que fala o Papa Francisco”, afirmou o Chanceler. Dom Sánchez Sorondo declarou que se tratou de um encontro muito frutífero, mas a Pontifícia Academia ainda tem que estudar os modos para pôr em prática todas as sugestões e propostas feitas, inclusive a criação de uma nova de rede de combate ao tráfico.

O médico Dr. José Maria Simón Castelvì citou a Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro, ocasião em que ficou evidente os estragos que o uso do crack provoca entre os jovens. Com a droga, estão envolvidos a violência e o crime organizado – contexto que facilita o tráfico de pessoas e de órgãos.

Ele manifestou a preocupação dos médicos pela falta de justiça que esses crimes acarretam, recordando de modo especial que quando se fala de doação de sangue ou de órgãos, se trata de um ato completamente gratuito, que não pode ser comercializado.

Dr. Castelvì falou ainda de uma “mudança de época” de enfrentar o tráfico ao considerar a prostituição como uma forma de escravidão. “Este tráfico deve acabar”, defendeu.

Já o Prof. Juan José Llach afirmou que foram apresentadas mais de 50 propostas durante o congresso e que para a Pontifícia Academia das Ciências começa um período de trabalho intenso para articular e repensar ação da Igreja perante o tráfico de pessoas.

Fonte: News. Va

Representante vaticano na ONU defende inclusão social para combater a fome no mundo

Debelar a fome no mundo superando as exclusões sociais, promovendo justiça e respeito por todo ser humano: foi a recomendação do observador permanente da Santa Sé na ONU, Dom Francis Chullikatt, expressa nesta terça-feira à segunda comissão da 68ª sessão da Assembleia Geral, em Nova York.

“A fome, como todas as formas de pobreza, é causada pela exclusão social”, explicou e denunciou o arcebispo: “Os atuais níveis de produção são suficientes para que todos possam se alimentar, mas milhões de pessoas ainda padecem a fome”.

“Isso é verdadeiramente vergonhoso”, comentou o representante do vaticano, acrescentando: “1,3 bilhão de tonelada de alimento é desperdiçado a cada ano e, citando palavras do Papa Francisco, ressaltou que “quando o alimento é desperdiçado, é roubado da mesa dos pobres”.

Citando ainda o Pontífice, Dom Chullikatt pediu que se “superem as tentações do poder, da riqueza e do interesse pessoal para servir à família humana”. Significa trabalhar para “promover uma vida digna para todos”. Significa “pensar nos que vivem à margem da sociedade – explicou – e no bem-estar das gerações presentes e futuras”.

O observador vaticano convidou a entrelaçar os temas da segurança alimentar com a não discriminação e acesso ao alimento para todos.

“Muitas vezes – denunciou – o acesso ao alimento se torna uma arma para controlar ou subjugar os povos, ao invés de ser um instrumento para construir comunidades pacíficas e prósperas.”

Daí, alguns princípios orientadores para uma efetiva distribuição do alimento: em primeiro lugar, o princípio da subsidiariedade, que significa conceber “as atividades humanas em nível mais local e direto possível a fim de assegurar o máximo da participação”, explicou.

Nisso, “as realidades maiores têm a responsabilidade de dar apoio às menores”, recomendou. Em seguida, evidenciou que subsidiariedade significa não somente dar alimento às pessoas, mas ajudá-las a ser autossuficientes. Por fim, Dom Chullikkatt ressaltou que “a fome é um problema humano que requer soluções baseadas na comum humanidade”.

Fonte: News.VA

Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos

O Santo Padre convocou a III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, a realizar no Vaticano, de 5 a 19 de outubro do próximo ano, tendo como tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”.

Comentando esta informação, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Lombardi, observou que “é assim que o Papa deseja promover a reflexão e o caminho da comunidade da Igreja: com a participação responsável do episcopado das diversas partes do mundo”. “É justo que a Igreja se mova comunitariamente na reflexão e na oração, assumindo orientações pastorais comuns nos pontos mais importantes – como a pastoral da família – sob a guia do Papa e dos bispos. A convocação do Sínodo extraordinário indica claramente este caminho”.

“Neste contexto – acrescentou ainda Padre Lombardi – propor soluções pastorais particulares, da parte de pessoas ou de Secretariados locais corre o risco de gerar confusão. É bom pôr em relevo a importância de realizar um caminho na plena comunhão da comunidade eclesial”.

Faz parte do Conselho permanente da Secretaria do Sínodo, o cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, que, entrevistado por Silvonei José, do Programa Brasileiro, recorda que se mantém em programa, em outubro de 2015, uma outra assembleia, ordinária, do Sínodo, nos 50 anos da criação, da parte de Paulo VI, desta instituição sinodal. Esse Sínodo de 2015 deverá colocar-se em continuidade com o de 2014 e poderá ter como tema “Família e pessoa humana”, enfrentando complexas questões antropológicas com que se confronta a humanidade e a Igreja do nosso tempo.

Desde 1985 que não se realizava uma Assembleia Geral “Extraordinária”. Nesse ano, convocada por João Paulo II, no vigésimo aniversário da conclusão do Concílio Ecumênico Vaticano II, realizou-se a II Assembleia sinodal desse tipo, tendo como tema “A aplicação do Concílio Vaticano II”. Em 1969, ainda no tempo de Paulo VI, tivera lugar a I Assembleia Extraordinária, sobre “As Conferências episcopais e a colegialidade dos Bispos”.

A I Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos teve lugar em 1967. A mais recente, a XIII, realizou-se em Outubro do ano passado, tendo como tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã” (foto: missa conclusiva, presidida por Bento XVI, na basílica de São Pedro)

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

VÍDEO: o primeiro discurso do Papa Francisco no Brasil

Assista à primeira fala do Papa Francisco no Brasil, na solenidade oficial realizada no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, com a presença de diversas autoridades, inclusive a presidente Dilma Rousseff. O papa chegou ao país para participar da Jornada Mundial da Juventude.

Vídeo gerado pela Rede Vida de Televisão

Transcrição – Jornada Mundial da Juventude

Senhora Presidenta,
Ilustres Autoridades,
Irmãos e amigos!

Quis Deus na sua amorosa providência que a primeira viagem internacional do meu Pontificado me consentisse voltar à amada América Latina, precisamente ao Brasil, nação que se gloria de seus sólidos laços com a Sé Apostólica e dos profundos sentimentos de fé e amizade que sempre a uniram de modo singular ao Sucessor de Pedro. Dou graças a Deus pela sua benignidade.

Aprendi que para ter acesso ao Povo Brasileiro, é preciso ingressar pelo portal do seu imenso coração; por isso permitam-me que nesta hora eu possa bater delicadamente a esta porta. Peço licença para entrar e transcorrer esta semana com vocês. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu Nome,para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração; e desejo que chegue a todos e a cada um a minha saudação: “A paz de Cristo esteja com vocês!”

Saúdo com deferência a Senhora Presidenta e os ilustres membros do seu Governo. Obrigado pelo seu generoso acolhimento e por suas palavras que externaram a alegria dos brasileiros pela minha presença em sua Pátria. Cumprimento também o Senhor Governador deste Estado, que amavelmente nos recebe na Sede do Governo, e o Senhor Prefeito do Rio de Janeiro, bem como os Membros do Corpo Diplomático acreditado junto ao Governo Brasileiro, as demais Autoridades presentes e todos quantos se prodigalizaram para tornar realidade esta minha visita.

Quero dirigir uma palavra de afeto aos meus irmãos no Episcopado, sobre quem pousa a tarefa de guiar o Rebanho de Deus neste imenso País, e às suas amadas Igrejas Particulares. Esta minha visita outra coisa não quer senão continuara missão pastoral própria do Bispo de Roma de confirmar os seus irmãos na Fé em Cristo, de animá-los a testemunhar as razões da Esperança que d’Ele vem e de incentivá-los a oferecer a todos as inesgotáveis riquezas do seu Amor.

O motivo principal da minha presença no Brasil, como é sabido, transcende as suas fronteiras. Vim para a Jornada Mundial da Juventude. Vim para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Eles querem agasalhar-se no seu abraço para, junto de seu Coração, ouvir de novo o seu potente e claro chamado: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”.

Estes jovens provêm dos diversos continentes, falam línguas diferentes, são portadores de variegadas culturas e,todavia, em Cristo encontram as respostas para suas mais altas e comuns aspirações e podem saciar a fome de verdade límpida e de amor autêntico que os irmanem para além de toda diversidade.

Cristo abre espaço para eles, pois sabe que energia alguma pode ser mais potente que aquela que se desprende do coração dos jovens quando conquistados pela experiência da sua amizade. Cristo “bota fé” nos jovens e confia-lhes o futuro de sua própria causa: “Ide, fazei discípulos”. Ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criem um mundo de irmãos. Também os jovens “botam fé” em Cristo. Eles não têm medo de arriscar a única vida que possuem porque sabem que não serão desiludidos.

Ao iniciar esta minha visita ao Brasil, tenho consciência de que, ao dirigir-me aos jovens, falarei às suas famílias,às suas comunidades eclesiais e nacionais de origem, às sociedades nas quais estão inseridos, aos homens e às mulheres dos quais, em grande medida, depende o futuro destas novas gerações.

Os pais usam dizer por aqui: “os filhos são a menina dos nossos olhos”. Que bela expressão da sabedoria brasileira que aplica aos jovens a imagem da pupila dos olhos, janela pela qual entra a luz regalando-nos o milagre da visão! O que vai ser de nós, se não tomarmos conta dos nossos olhos? Como haveremos de seguir em frente? O meu auspício é que, nesta semana, cada um de nós se deixe interpelar por esta desafiadora pergunta.

A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo e, por isso, nos impõe grandes desafios. A nossa geração se demonstrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhe espaço; tutelar as condições materiais e imateriais para o seu pleno desenvolvimento; oferecer a ele fundamentos sólidos, sobre os quais construir a vida; garantir lhe segurança e educação para que se torne aquilo que ele pode ser; transmitir-lhe valores duradouros pelos quais a vida mereça ser vivida, assegurar-lhe um horizonte transcendente que responda à sede de felicidade autêntica, suscitando nele a criatividade do bem; entregar-lhe a herança de um mundo que corresponda à medida da vida humana; despertar nele as melhores potencialidades para que seja sujeito do próprio amanhã e corresponsável do destino de todos.

Concluindo, peço a todos a delicadeza da atenção e, se possível, a necessária empatia para estabelecer um diálogo de amigos. Nesta hora, os braços do Papa se alargam para abraçar a inteira nação brasileira, na sua complexa riqueza humana, cultural e religiosa. Desde a Amazônia até os pampas, dos sertões até o Pantanal, dos vilarejos até as metrópoles,ninguém se sinta excluído do afeto do Papa. Depois de amanhã, se Deus quiser, tenho em mente recordar-lhes todos a Nossa Senhora Aparecida, invocando sua proteção materna sobre seus lares e famílias. Desde já a todos abençôo. Obrigado pelo acolhimento!

A Igreja e a alegria pascal

Maria Clara Bingemer

Mais uma vez celebrando a Páscoa, a Igreja cantará e se alegrará com a ressurreição do Crucificado Jesus de Nazaré, arrancado às garras da morte pelo Pai, que enfim revela-se como Deus dos vivos e não dos mortos. Mais uma vez a comunidade eclesial reunida acenderá suas velas no Círio que simboliza a luz de Cristo e todo o recinto antes escuro se iluminará.

O mestre de canto entoará o Exsultet com júbilo e deslumbramento, constatando que seu Senhor cumpriu todas as promessas que fez e não permitiu que seu Eleito conhecesse a corrupção e a derrota da morte. E neste canto litúrgico proclamará: Que a Mãe Igreja alegre-se igualmente, erguendo as velas deste fogo novo, / E escutem reboando de repente o aleluia cantado pelo povo.

E talvez há muito tempo este canto não seja tão verdadeiro quanto nesta Páscoa que em 2013 celebramos. Porque talvez nunca uma Quaresma tenha sido tão intensa e por isso mesmo seu pascal desfecho excede em alegria e esperança. A Igreja Católica vem vivendo um verdadeiro processo pascal e agora celebrará com maior e renovado júbilo este momento de Ressurreição.

No dia 11 de fevereiro, ainda em pleno Carnaval, Bento XVI renunciou a seu cargo de Bispo de Roma que preside todas as Igrejas. A cátedra de Pedro ficou vazia enquanto a perplexidade tomava conta de mentes e corações pelo mundo afora. Os dias que se seguiram foram de desolação ao conhecer muitas das razões do corajoso gesto do Papa hoje emérito. Mas também de especulações tateantes e conjeturas sobre quem seria seu sucessor e o que representaria neste momento difícil da Igreja.

A comunidade eclesial no mundo inteiro voltava seus olhos para Roma onde uma situação nunca antes vivida acontecia. Tornava-se ciente das sombras que se haviam abatido sobre esta instituição que é a mais antiga da história da humanidade e que parecia a muitos inexpugnável a fatos dolorosos e obscuros como os que a mídia trazia à luz. A sociedade secular também se interessava. E multiplicavam-se ao redor do mundo as perguntas, o espanto, a espera.

Ao terminar o conclave, a fumaça branca foi festejada não apenas pelos católicos, mas por todos os que sabem a importância que tem o Cristianismo na história e na cultura do Ocidente. Todos os homens e mulheres de boa vontade que ainda que não se sintam membros plenos desta Igreja percebiam dentro de si um sentimento de orfandade com todas as vicissitudes que a golpeavam. A fumaça branca anunciava que havia novo Papa, que a sé de Pedro já não estava vazia. Mas quem a ocuparia.

O anúncio da alegria foi feito com voz trêmula pelo cardeal francês. O nome pronunciado – Jorge Mario Bergoglio – intrigou a muitos, surpreendeu a tantos. O silêncio desceu sobre o mundo enquanto se esperava que o novo Papa se apresentasse. E Francisco chegou ao balcão do Vaticano. Com voz acolhedora e alegre saudou: “Boa noite”. E, antes de abençoar, pediu oração e bênção para si próprio. Estava proclamado um novo tempo pascal para a Igreja que voltava a respirar esperança e júbilo.

A partir daí, a simplicidade e o estilo despojado do novo Papa têm encantado a todos. Suas palavras são pontuadas por uma preocupação central: os pobres. E todos que o ouvimos descobrimos que saudades tínhamos de ouvir essa palavra presente e reincidente nos lábios do Pastor. Vindo do Sul, “do fim do mundo”, onde a pobreza e a injustiça fazem seu trabalho predatório a cada dia sobre as vidas humanas, Francisco não esquece e não deixa esquecer a serviço de quem está a Igreja que preside na caridade. E sua fé proclama que estes que o mundo considera últimos são e devem ser, na verdade, os mais queridos de Deus, os preferidos. E, portanto devem ser a opção primeira e preferencial da Igreja de Cristo.

Com ele e por causa dele, podemos na vigília pascal cantar com verdade e alegria autênticas: Ó noite de alegria verdadeira, Que prostra o Faraó e ergue os hebreus, Que une de novo ao céu a terra inteira, Pondo na treva humana a luz de Deus. Francisco até agora não tem deixado de nos lembrar que o Evangelho que professamos nos leva necessariamente a erguer os caídos e cuidar das vítimas. As três palavras que disse aos cardeais como um programa – caminhar, edificar, confessar – necessariamente levarão a Igreja de volta à primavera do Concílio.

E a Mãe Igreja então se alegrará e cantará aleluia! porque redescobrirá sua vocação de ser uma Igreja pobre e para os pobres. Feliz Páscoa para todos e todas!