Igreja católica

VÍDEO: Pe. Julio critica violência contra a mulher e cultura do estupro

VÍDEO: Pe. Julio critica violência contra a mulher e cultura do estupro

“Nós temos que construir um mundo em que não haja violência dos homens contra as mulheres”, afirmou o Pe. Julio Lancellotti durante a homilia de 29/05/2016, 9º Domingo do Tempo Comum. Dirigindo-se às crianças e adolescentes que se preparam para a 1ª Eucaristia e seus familiares, ele defendeu “que nós ensinemos os meninos que eles têm que respeitar as meninas; e que não há nenhuma justificativa pra que um homem desrespeite uma mulher”.

Assista na íntegra:

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio no 1º Domingo da Quaresma – as tentações de Jesus

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio no 1º Domingo da Quaresma – as tentações de Jesus

Deus ouve o clamor do povo e Jesus não aceita as seduções do diabo, que lhe oferece abundância, poder e prestígio. Acompanhe a reflexão do Pe. Julio sobre as leituras do 1º Domingo da Quaresma, celebrado dia 14/02/2016. No Evangelho, Lucas faz uma crítica dura e contundente ao poder:

Gravação realizada na missa das 10h na capela da Universidade São Judas Tadeu.

VÍDEO: Homilia do Pe. Julio no Domingo da Ascensão

Assista à reflexão do Pe. Julio Lancellotti no Domingo da Ascensão, celebrado em 17/05/2015, Dia Mundial das Comunicações Sociais. Nas leituras do domingo, Jesus diz aos discípulos que eles devem ser testemunhas dos seus ensinamentos e pregar o Evangelho “pelo mundo inteiro”.

Gravação realizada na missa das 18h na igreja São Miguel Arcanjo, em São Paulo.

Cardeal Jorge Mário Bergoglio é eleito Papa Francisco (com vídeo)

O cardeal arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mário Bergoglio, de 75 anos, é o novo papa da Igreja Católica, eleito no segundo dia do conclave. Primeiro latino-americano a ocupar o cargo, ele escolheu ser chamado de Francisco, em referência a São Francisco de Assis, símbolo da humildade e da simplicidade, e São Francisco Xavier, missionário jesuíta.

Na primeira bênção, para uma Praça de São Pedro lotada, ele pediu aos cerca de 1,2 bilhão de católicos do mundo a empreender um caminho de fraternidade, de amor e de evangelização. Agradeceu ao predecessor, o papa emérito Bento XVI, e pediu: “rezem por mim, e nos veremos em breve”.

O novo pontífice nasceu em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936. Formou-se técnico químico, mas depois escolheu a estrada do sacerdócio e entrou para o seminário. Em 11 de março de 1958, passou para o noviciado da Companhia de Jesus. Completou os estudos humanistas no Chile e em 1963, de volta a Buenos Aires, formou-se em Filosofia.

Em 1992, foi nomeado bispo e elevado a arcebispo em 1997, passando a chefiar a arquidiocese de Buenos Aires desde então. Em 2001, tornou-se cardeal.

Veja a primeira aparição e bênção do novo papa:

Teologia: a fé que busca sua inteligência

Maria Clara Bingemer

Não, não é por dever de ofício que defendo a importância da teologia. Não se trata do fato de haver sido conquistada há muitos anos pelo amor que me inspirava quando via no cerne do momento histórico brasileiro – feito de cinzas e chumbo – minha Igreja de inspirada profecia. Não, não é por vício intelectual de quem não se apercebe dos problemas simples da humana sensibilidade.

Sucede que creio na importância do diálogo entre a fé e a razão. Acontece que não acredito em crença ou religião que, à força de afastar-se da reflexão, desvertebra-se e definha em magra moral e atrofiada doutrina. Veja o leitor, acredito na centelha que o Criador acende nas mentes humanas, as quais a partir daí são convidadas a decifrar os enigmas da natureza, produzir sínteses articuladas e também e não menos buscar respeitosa e reverentemente penetrar nos mistérios da Transcendência que se desvelam provocando razão e coração. E acredito que a experiência do mistério ao qual chamamos Deus pode e deve ser conhecido também com a razão.

Toda essa apologia da sacra ciência à qual me dedico por décadas, na docência e na pesquisa, surgem-me da continuada reflexão sobre os recentes dados do Censo de 2010 a respeito da religião no Brasil. Como tantos, encontro-me perplexa com a imensa diminuição dos fiéis das fileiras católicas e protestantes históricas. Mais ainda quando o êxodo se dá em direção às comunidades evangélicas de corte pentecostal.

O perfil das mesmas é conhecido: muitos cantos, manifestações exteriores afetivas e catárticas, línguas que se desatam proferindo discursos incompreensíveis, liturgias ruidosas. Aparece pouco ou quase nada o silêncio, a reflexão, a interioridade e a atenção ao caminho que a Palavra e o Espírito realizam em cada um e na comunidade reunida.

As análises são taxativas. O povo brasileiro e sobretudo os jovens desejam experiências religiosas mais afetivas. Há toda uma reconstrução da identidade religiosa em marcha, feita de pluralidade, múltipla pertença e mobilidade. Parece que o discurso religioso unívoco e unilateral encontra sérias dificuldades em fazer-se ouvir em uma sociedade tão movediça como a brasileira.

Creio, no entanto, que estamos nos esquecendo de algo importante. Nos anos 1980, quando a produção teológica era pujante, vivendo ainda das vigorosas relíquias do Concílio Vaticano II, o cristianismo histórico encontrava cidadania mais forte em meio à secularidade e à pluralidade que já fazia sentir sua presença. A perda de espaço e de fiéis das igrejas históricas coincidiu com uma perda da existência de um discurso teológico articulado, que enfrente as questões da sociedade e da Igreja, pensando-as à luz da fé e articulando-as em coerente discurso.

Por isso é que, desde dentro de uma pertença católica herdada ao nascer e abraçada continuamente, sempre de novo, ao longo desta já longa vida; humildemente perplexa como tantos ao procurar ler e entender os dados do Censo, eu diria que há um passo a mais que talvez seja importante para entender a queda dos números. O cristianismo histórico tem que recuperar sua vocação pensante! Há que pensar a própria experiência e a própria fé. Pensá-la em diálogo e com o auxílio das diferentes formas da cultura, da arte e de tudo que o gênio humano produziu em sua historia. Pensá-la diante dos grandes desafios globais que hoje a sociedade lança aos que lutam por um novo mundo possível. Pensá-la diante da fome e sede de nossos contemporâneos que desejam e esperam sínteses plausíveis e razoáveis da enorme fragmentação em que nos encontramos mergulhados.

Os mais de 2000 anos de cristianismo histórico tiveram isso muito claro por longo tempo. Assim, formaram e forjaram uma matriz cultural que configurou esta metade do mundo chamada Ocidente. Houve pecados pelo caminho, como o de não valorizar ou dialogar com as culturas autóctones, não incluir ou integrar outras culturas mais longínquas e outras religiões.

Porém, isso prova mais fortemente ainda que religião sem cultura simplesmente não existe. A fé – especialmente a fé cristã – sempre encontrou seu meio de expressão e crescimento nas culturas onde entrou. E quando digo cultura, digo também aquele movimento que faz o ser humano refletir sobre suas experiências, esforçar-se para compreendê-las, buscar e encontrar um quadro de referência onda situá-las e apropriar-se delas. Só assim poderá transmiti-las a outros e outras de forma atraente e plausível.

Dá-me a impressão de que entre o que faz as novas gerações afastarem-se do catolicismo está, além do desejo às vezes frustrado por uma experiência espiritual profunda, a assustadora lacuna de uma reflexão consistente e vigorosa sobre os conteúdos desta experiência. A inteligência da fé, também chamada Teologia, encontra-se aí poderosamente convocada a elaborar um discurso que tenha algo a dizer nesta situação. Oxalá esteja à altura deste chamado!

Vaticano II: uma referência do nosso tempo

Maria Clara Bingemer

Há cinquenta anos a Igreja Católica vivia um dos períodos mais importantes de sua história. Convocado pelo Papa João XXIII na festa de Natal de 1961, o Concílio Vaticano II era inaugurado no dia 11 de outubro de 1962. Realizado em quatro sessões, foi encerrado em 8 de dezembro de 1965, já sob o pontificado de Paulo VI.

O que pretendia o adorável e bondoso Papa João ao convocar em tempo recorde um Concílio Ecumênico com mais de 2000 participantes? Que necessidade pulsava nas entranhas da comunidade eclesial, fazendo sentir como necessária esta convocação? Por que a tradicional e respeitada Igreja Católica assumia o risco de abrir suas portas e situar-se sob os holofotes da opinião pública do mundo inteiro?

Desde Leão XIII, que em 1891 confessara com dor o distanciamento do catolicismo para com a classe operária, tornava-se sempre mais claro para o governo da Igreja que esse distanciamento se dava em relação ao mundo como um todo. No pontificado do Papa Pio XII (1939- 1958) já aconteciam dentro mesmo das fronteiras católicas movimentos de renovação fortes e influentes.

Os mais importantes diziam respeito ao estudo da Bíblia e à liturgia. Brilhante intelectual e agudo observador, Pio XII teve que viver um período conturbado em termos políticos, enfrentando a subida do Nazismo e uma guerra mundial que esfacelou a Europa.

Ali se sentiu ainda mais claramente a necessidade imperiosa para a Igreja de reaprender a dialogar com um mundo passado pelo crivo da modernidade, que não se regia mais pelos ditames da religião, mas avançava a passos largos pelos caminhos da secularidade e da autonomia da ciência e da técnica.

Eleito em1958, João XXIII surpreendeu o mundo ao recolher todos esses desejos e expectativas e torná-los realidade com a convocação do Concílio. Seu objetivo era repensar e renovar os costumes do povo cristão e adaptar a disciplina eclesiástica às condições do mundo moderno.

A palavra italiana aggiornamento (atualização) foi cunhada para expressar o que o Concílio pretendia e os frutos que desejava e perseguia.

Na visão profética de João XXIII, o Concílio seria como “um novo Pentecostes”, ou seja, uma profunda e ampla experiência espiritual que reconstituiria a Igreja Católica não somente como instituição, mas como movimento evangélico dinâmico, feito de abertura e renovação. Assim começou o processo que resultou no Concílio Vaticano II e que foi como um divisor de águas para a Igreja. “Sopro de inesperada primavera”, em palavras do próprio Papa, foi marcado pela abertura e pelo olhar reconciliado para o mundo e sua complexa realidade.

Enquanto Concílios anteriores na Igreja tinham como preocupação principal condenar heresias, definir verdades de fé e costumes e corrigir erros que nublavam a clareza da plena verdade, o Vaticano II teve desde o princípio como orientação fundamental a procura de um papel mais positivo e participativo para a fé católica na sociedade, discutindo não apenas definições dogmáticas e teológicas, mas voltando sua atenção igualmente para problemas sociais e econômicos, vendo-os não como ameaças, mas como autênticos desafios pastorais que pediam uma resposta por parte da Igreja.

Ao definir a especificidade do Concílio que convocava, João XXIII declarou enfaticamente, com força e audácia pastoral, não pretender uma vez mais fazer listas de erros e condenações, como tantas vezes havia acontecido no passado. Desejava, sim, a Igreja abrir diante do mundo a beleza e o valor de sua doutrina, usando mais de misericórdia e menos de severidade. Isto, no seu entender, ia mais ao encontro das necessidades dos tempos atuais e dava à mesma Igreja um rosto mais maternal e acolhedor.

João XXIII não pretendia revogar nada do depósito da fé que lhe cabia guardar com zelo de pastor. Mas tampouco desejava corrigir formulações ou proclamar novos dogmas. Sua intenção ao convocar o Concílio era que Igreja e Mundo pudessem finalmente dialogar abertamente, para que a mensagem cristã pudesse ser vivida em toda a sua profundidade e vigor. Hoje, o Vaticano II continua sendo uma referência não apenas para os católicos, e sim para todos aqueles e aquelas que desejam entender melhor o tempo em que vivem.

A Igreja ante os desafios do presente

Maria Clara Bingemer

A Igreja Católica tem ocupado insistentemente o noticiário nos últimos tempos e lamentavelmente para nós que somos parte dela no mesmo sentir e na mesma pertença, não muito positivamente. Os escândalos da pedofilia entre membros do clero e mesmo do episcopado parece que destaparam uma grande panela de pressão, obrigando a instituição mais antiga do mundo a rever-se em profundidade em vários pontos.

Acreditamos que isto não deixa de ser positivo. No contexto da grande e radical mudança de época que vivemos, ser levada a olhar-se a si mesma com olhar crítico e procurar trazer à luz pontos problemáticos que apontam para uma necessidade de conversão é uma graça que Deus nos dá neste momento da história. E como tal, necessita ser muito bem vivida, não podendo nem devendo ser desaproveitada.

Ressaltamos a seguir alguns desafios do presente que nos parecem importantes no atual momento que a Igreja atravessa:

1. Nos últimos decênios, a Igreja Católica tem assistido a dramática diminuição de seus efetivos mais importantes. A queda das vocações sacerdotais e religiosas, a evasão dos clérigos que pedem redução ao estado laical, seja porque descobrem que o estado de vida celibatário não é algo a que se sentem chamados, seja porque não encontram mais sentido na vocação que um dia abraçaram com fervor e entusiasmo ou por outros motivos é um fato.

Isto coloca a Igreja inapelavelmente frente à crise de seu modelo. Mostra-lhe que não pode mais configurar-se e erigir-se apoiada fundamentalmente sobre o clero e os religiosos como dirigentes e líderes, deixando o laicato em posição secundária, de subordinação e sem acesso às decisões. Se persistir neste modelo, corre o risco a instituição eclesial de ver-se obrigada a desfazer-se de muitas de suas obras – como escolas, hospitais, universidades – que tanto bem fizeram à humanidade ao longo de 2000 anos que nos fazem a nós, católicos, sentir-nos humildemente orgulhosos do que somos e do que a graça de Deus ajudou-nos a construir durante este tempo.

A teologia pós-conciliar vem chamando insistentemente a atenção para o fato de que a Igreja não deve mais configurar-se como uma instituição baseada sobre um eixo de contraposição clero X laicato; religiosos X não religiosos. Este eixo dá margem a concebê-la como uma instituição elitista, onde haveria os especialistas do espírito e a gente comum e corrente, que estaria sujeita às pobres e menores contingências da condição humana. O modelo eclesiológico da Igreja como Povo de Deus que a Lumen Gentium, documento central no Concílio Vaticano II propõe para a auto-concepção da Igreja pode ajudar-nos muitíssimo a todos os batizados neste momento de revisão. Trata-se de um modelo que concebe a comunidade eclesial a partir daquilo que é mais fundamental para todos os seus membros: o Batismo que os configura a todos e a cada um a Jesus Cristo, Senhor e Mestre a quem todos desejam seguir e servir. A partir desta dignidade que a todos iguala é que surgem os ministérios como serviços e não como privilégios.

2. A Igreja Católica, além disso, juntamente com as outras Igrejas cristãs históricas, tem visto diminuir e desaparecer consideravelmente sua hegemonia e sua força de configuração do comportamento da sociedade civil. De matriz cultural e civilizatória principal e central do Ocidente, passa a ser uma entre outras propostas religiosas, dividindo com estas o espaço e o imaginário da população, e sendo chamada fortemente a dialogar com essas diferentes visões, na abertura e na fraternidade sem disputas ou combates estéreis. O mundo é plural, não mais teocêntrico. Nem mesmo moderno antropocêntrico de corte cartesiano. Outras cosmovisões, outras experiências religiosas, outras dimensões vitais e salvíficas foram trazidas para perto pela tecnologia, pela globalização e por muitos outros fatores. Há que olhá-las de frente e com elas dialogar. Mais: há que a elas dar as mãos para construir juntos os grandes desafios da humanidade: a justiça e a paz. O Papa Benedito XVI fala belamente sobre isso em sua última Encíclica Caritas in Veritate. Integrar as alteridades e as diferenças, delas aprender humildemente, contribuir com aquilo que nos é próprio e com o que constitui nossa identidade, eis o que enriquece e que pode nos fazer todos mais fraternos, mais irmãos, mais humanos.

3. A Igreja Católica neste primeiro quartel de século XXI vê-se convidada a voltar seus olhos para outros hemisférios: o hemisfério oriental e o hemisfério sul. Sempre identificada com o Ocidente europeu, considerado a matriz da civilização ocidental e cristã, agora resulta que a maioria dos cristãos e católicos se encontra na Ásia, na África e na América Latina. O superior geral dos jesuítas, Pe. Adolfo Nicolás, em recente discurso no México, chamou a atenção para o fato de que a grande maioria das vocações para a importante ordem religiosa pela qual é responsável se encontra na India, no Vietnam, na Coréia. Ou ainda na África e na América Latina. Reconheceu publicamente que o próximo superior geral da ordem poderá ser asiático ou africano ou latino-americano. Isto significa que a Igreja está sendo convidada a redirecionar seu olhar para essas partes do mundo onde estão os deserdados do progresso e de suas benesses. Aí estão as culturas dominadas, exploradas secularmente pelo norte vitorioso que escreveu a história oficial. Sem desconhecer todo o bem e a maravilha que muitos missionários presentes nestas regiões fizeram ao longo destes mais de vinte séculos de história, é o momento, parece , de descentrar a Igreja, de mudar seu epicentro do norte para o Sul e do oeste para o leste, procurando ouvir e captar o que Deus está dizendo à comunidade eclesial como um todo desde estas margens da história que sempre foram esquecidas e desvalorizadas por uma visão muito marcada por certo modo de ver e sentir e certo estilo de viver. Pode ser uma excelente oportunidade de abertura e conversão para toda a Igreja em todos os seus segmentos e um saudável momento de um recomeço no seguimento de Jesus em novas bases e novos paradigmas.

No entanto, nenhum destes desafios pode ou deve ser respondido apenas com a adoção de estratégias ou táticas inovadoras e sofisticadas . Os estudos sociológicos e a lucidez histórica podem ajudar-nos mas não nos porão no caminho certo se não vierem acompanhadas de uma profunda atitude espiritual. Nesse sentido as últimas alocuções do Papa, sobre a necessidade da penitencia para toda a Igreja, desde o sucessor de Pedro até o mais humilde dos fiéis, reconhecendo um pecado e uma insuficiência que é de todos nós, apontam numa direção que é a única onde podemos estar seguros de ser guiados pelo Evangelho de Jesus. Não é com arrogância ou dureza, apontando o dedo acusatório contra pessoas ou grupos, que poderemos, enquanto Igreja, sair da crise onde estamos mergulhados. Mas sim com a atitude humilde do publicano que bate no peito e se reconhece pecador entre todos os outros, pede misericórdia e luz por parte do Senhor para ver por onde caminhar. A transparência e a verdade que devem caracterizar a Igreja neste momento doloroso pelo qual passa, se não vierem acompanhadas da humildade e do arrependimento, da penitencia e da conversão, não poderão levá-la muito longe no único caminho que deve ser o seu: o de refletir no meio do mundo a face do Senhor Jesus, que sendo rico se fez pobre , obediente até a morte de Cruz.

Solidariedade ao Papa Bento XVI

As TVs católicas do Brasil transmitiram nesta Quarta-feira Santa, 31/03, o pronunciamento do presidente Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Geraldo Lyrio Rocha, em solidariedade ao Papa Bento XVI. Para a CNBB, Bento XVI está sendo vítima de ataques duros e injustos:

O povo católico de todo o mundo acompanha, com profunda dor no coração, as denúncias de inúmeros casos de abuso sexual de crianças e adolescentes praticado por pessoas ligadas à Igreja, particularmente padres e religiosos. A imprensa tem noticiado com insistência incomum, casos acontecidos nos Estados Unidos, na Alemanha, na Irlanda, e também no Brasil.

Sem temer a verdade, o Papa Bento XVI não só reconheceu publicamente esses graves erros de membros da Igreja, como também pediu perdão por eles. Disso nos dá testemunho a carta pastoral que o Santo Padre enviou aos católicos da Irlanda e que pode se estender aos católicos de todo o mundo.

Mais do que isso, Bento XVI não receou manifestar seu constrangimento e vergonha diante desses atos que macularam a própria Igreja. Firme, o Papa condenou a atitude dos que conduziram tais casos de maneira inadequada e, com determinação, afirmou que os envolvidos devem ser julgados pelos tribunais de justiça. Não faltou ao Papa, também, mostrar a todos o horizonte da misericórdia de Deus, a única capaz de ajudar a pessoa humana a superar seus traumas e fracassos.

Às vítimas o Papa expressou ter consciência do mal irreparável a que foram submetidas. Disse Bento XVI: “Sofrestes tremendamente e por isto sinto profundo desgosto. Sei que nada pode cancelar o mal que suportastes. Foi traída a vossa confiança e violada a vossa dignidade. É compreensível que vos seja difícil perdoar ou reconciliar-vos com a Igreja. Em seu nome expresso abertamente a vergonha e o remorso que todos sentimos”.

Essa coragem do Sucessor de Pedro nos coloca a todos em estado de alerta. Meditamos sobre esses atos objetivamente graves, e estamos certos de que – como fez o Papa – devem ser enfrentados com absoluta firmeza e coragem.

É de se lamentar, no entanto, que a divulgação de notícias relativas a esses crimes injustificáveis se transforme numa campanha difamatória contra a Igreja Católica e contra o Papa. Deixam-nos particularmente perplexos os ataques freqüentes e sistemáticos, ao Papa Bento XVI, como se o então Cardeal Ratzinger tivesse sido descuidado diante dessa prática abominável ou com ela conivente. No entanto, uma análise objetiva dos fatos e depoimentos dos próprios envolvidos nos escândalos revela a fragilidade dessas acusações. O Papa, ao reconhecer publicamente os erros de membros da Igreja e ao pedir perdão por esta prática, não merecia esse tratamento, que fere, também, grande parte do povo brasileiro, que sofre com esses momentos difíceis, e reza pelas vítimas e seus familiares, pelos culpados, mas também pelas dezenas de milhares de sacerdotes que, no mundo todo, procuram honrar sua vocação.

De fato, “a imensa maioria de nossos sacerdotes não está envolvida nesta problemática gravemente condenável. Provavelmente, não chegam a 1% os envolvidos. Ao contrário, os demais 99% de nossos sacerdotes, de modo geral, são homens de Deus, dignos, honestos e incansáveis na doação de todas as suas energias ao seu ministério, à evangelização, em favor do povo, especialmente a serviço dos pobres e dos marginalizados, dos excluídos e dos injustiçados, dos desesperados e sofridos de todo tipo” (cf. Cardeal Cláudio Hummes, 12ºENP).

No momento em que a Igreja Católica e a própria pessoa do Santo Padre sofrem duros e injustos ataques, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil manifesta sua mais profunda união com o Papa Bento XVI e sua plena adesão e total fidelidade ao Sucessor de Pedro.

A Páscoa de Cristo, que celebramos nesta semana, nos leva a afirmar com o apóstolo Paulo: “Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos em apuros, mas não desesperançados; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados” (2Cor 4,8-9). Nossa fé nos garante a certeza da vitória da luz sobre as trevas; do bem sobre o mal; da vida sobre a morte.