teologia

Missa pelos 25 anos de ordenação sacerdotal de Dom Edmar Peron será quarta-feira

Na quarta-feira, 21/01, haverá missa em comemoração pelos 25 anos de ordenação sacerdotal de Dom Edmar Peron, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, designado para a Região Episcopal Belém. A celebração será às 20h na igreja Nossa Senhora da Conceição, na praça Silvio Romero.

Assista esse e outros assuntos nos avisos paroquiais da semana:

Inscreva-se no curso de Teologia para Leigos do Setor Belém

O Setor Belém convida para o curso Teologia para Leigos que se inicia no dia 10 de fevereiro de 2014.

Os principais objetivos são:

* Responder aos constantes apelos da Igreja de São Paulo e à permanente necessidade de formação dos agentes evangelizadores, como pede o Documento de Aparecida.
* Incentivar e qualificar leigos e leigas como educadores da fé.
* Desenvolver um conhecimento interdisciplinar sobre assuntos da fé Cristã Católica.

O curso está organizado em aulas semanais, que acontecem toda segunda-feira das 19h30 às 21h30, no Centro Pastoral São José, e tem duração de 3 anos. A carga horária é de 192 h/aula. O valor mensal é de R$ 25,00. Alunos com frequência nas aulas igual ou maior que 75% recebem certificado de participação no final do curso.

Organização esquemática das disciplinas

Introdução à Teologia e introdução à Bíblia (disciplinas básicas para cursar as demais seções)

1) Seção Bíblia
1a. Introdução à Biblia
1b. Antigo Testamento e Novo Testamento (leitura orante da Bíblia)

2) Seção Teologia
2a. Introdução à Teologia
2b. Eclesiologia
2c. Liturgia
2d. Sacramentos
2e. Cristologia
2f. Pneumatologia
2g. Mariologia
2h. Trindade
2i. Escatologia

3) Seção Pastoral
3a. Missiologia
3b. Pastoral Urbana

4) Seção História da Igreja
4a. História da Igreja

Pegue sua ficha de inscrição nas secretarias das paróquias.

Para mais informações, entrar em contato por telefone: 11 2693-0287 ou por e-mail: [email protected].

Setor Belém
Região Episcopal Belém
Arquidiocese de São Paulo

Ser Padre em São Paulo: Alegria em servir!

Ser Padre em São PauloO que é mesmo vocação?

Vocação é um chamado de Deus. Ele chama cada um pelo nome e confia uma missão para ser realizada na vida. Na Igreja, alguns homens são chamados para serem ministros ordenados de Jesus Cristo a serviço do Povo de Deus.

Qual é a missão do Cristão?

É amar e seguir Jesus Cristo. É ser sal da terra e luz deste mundo (cf. Mt 5, 13-16), vivendo a verdade que Cristo veio revelar. É seguir os passos de Jesus e seu exemplo através do Evangelho.

Como aprender a ser cristão?

A família e a Igreja são escolas de vida cristã. Nessas comunidades devem prevalecer a fé e o amor no único Deus e a esperança na realização das promessas de Cristo.

Como os cristãos vivem sua vocação?

O exercício das virtudes teologais: Fé, Esperança e Amor, faz-nos viver na cidade de tal modo que nos empenhemos em transformá-la em moradia de irmãos. O sonho cristão é ver realizado, no mundo, a vontade de Deus: que todos tenha vida em abundância (cf. Jo 10,10). A vocação do cristão deve promover o bem comum, lutando pela justiça e defendendo a dignidade e os direitos de todo ser humano, a partir de Jesus Cristo.


Como o padre vive sua missão em São Paulo?

Muitos são os aspectos da missão do padre na cidade, entre eles: animar a comunidade no seguimento de Jesus, presidir à celebração da Missa, ministrar os sacramentos, anunciar a palavra de Deus também através da mídia (jornal rádio, TV, Internet etc), ser sinal de comunhão com toda a Igreja, testemunhar, pela entrega radical de sua vida, o amor a Jesus Cristo, na oração e no serviço preferencial aos mais pobres e necessitados.

O que é preciso para ser um padre? Por onde começar?

Em primeiro lugar, É Deus quem chama. Ele nos escolhe primeiro. Chama cada um pelo nome. É preciso aprender a ouvir Deus. Para ser padre, é necessário ser um bom católico e amar a Igreja.

A família pode ajudar?

A família pode mostrar ao jovem que a vocação e missão do padre é algo bom e desejável; isso ajuda muito o jovem na hora de sua decisão. É fundamental estar engajado em uma comunidade e ali ajudar a atender as suas necessidades. É assim que o jovem vai descobrindo e exercitando seus dons, no grupo de jovens, na liturgia, no serviço aos pobres, na amizade etc. Quando surge uma dúvida sobre vocação, é hora de procurar o pároco ou o bispo e expor-lhes seus sentimentos e suas inquietações.

Pastoral Vocacional?

A Pastoral Vocacional é o trabalho feito por uma equipe de pessoas – bispo, padres, diáconos, religiosos(as) e leigos(as) –  que tem por objetivo ajudar e orientar os jovens no processo de discernimento vocacional. São realizados encontros de despertar vocacional com os interessados e um acompanhamento personalizado com cada candidato, através de entrevistas e conversas regulares.

E depois?

Se forem percebidos sinais autênticos de vocação e o interessado desejar seguir adiante, ele irá para o Seminário Propedêutico, quer dizer, introdutório. O tempo nesta casa é de um ano. Para entrar, é preciso que o jovem tenha concluído o Ensino Médio (antigo 2º grau) ou esteja concluindo. As atividades da casa incluem o estudo, a vida comunitária, o acompanhamento individual, a vida de oração, a formação humana, cristã e afetiva e o trabalho pastoral etc.

Ser Padre em São Paulo

E os passos seguintes?

A Filosofia

O candidato presta vestibular para a Faculdade de Filosofia e, uma vez aprovado, durante 3 anos, passa a morar no Seminário de Filosofia, que fica na Freguesia do Ó. Nesse período, além dos estudos acadêmicos, há a convivência, a oração, a formação humana, cristã e afetiva e o desenvolvimento de um trabalho pastoral sistemático.

A Teologia

Os quatro anos de estudo de Teologia e a vivência de cada etapa do processo formativo habilitam o seminarista a pedir a ORDENAÇÃO, isto é, a tornar-se padre. Uma vez ordenado, ele fará parte do clero da Arquidiocese de São Paulo, para servir a Igreja e o povo de Deus no serviço em uma das paróquias e comunidades das seis Regiões Episcopais, a saber: Sé, Ipiranga, Lapa, Santana, Belém e Brasilândia.

Ser Padre em São Paulo é bom demais.
Responda ao chamado que Deus está te fazendo!

Você já pensou em ser sacerdote?

Diante do batizado se abre a possibilidade de ser sacerdote, dedicar toda sua vida a Deus, no serviço ao seu povo, através da pregação do Evangelho, da liturgia e na caridade pastoral. A vocação sacerdotal, como todas as vocações, não é iniciativa da pessoa, mas de Deus. Três palavras são fundamentais na vocação sacerdotal: Deus chama, consagra e envia.

Todo o processo da vocação para o sacerdócio exige um longo caminho de discernimento, desde a consciência do chamado, a promoção vocacional, o acompanhamento, os anos de seminário até a ordenação sacerdotal. É um caminho que implica uma série de qualidades: amor a Jesus Cristo, amor ao Evangelho, amor à Igreja e ao povo de Deus e comunhão com o bispo e com o papa.

É importante lembrar que, para o sacerdócio, há a exigência do celibato. O dom do celibato, sinal da disponibilidade plena ao serviço de Deus na Igreja, condição para receber e viver o Sacramento da Ordem na Igreja Católica Apostólica Romana. Portanto, somente os que acolhem este dom, com amor, alegria e dedicação, podem ser sacerdotes.

E como fazer para ser sacerdote? Se você sente esse chamado, procure o seu pároco e ou bispo e peça uma orientação, um acompanhamento inicial. Ele o ajudará no discernimento vocacional e, depois, na devida preparação.

Aqui, na Arquidiocese de São Paulo, você poderá ter essas e outras informações no CVA – Centro Vocacional Arquidiocesano ou com os padres coordenadores regionais da PV nos endereços abaixo. Entre em contato!

ANIMAÇÃO VOCACIONAL

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo

Dom Edmar Peron
Bispo Referencial para a Pastoral Vocacional Arquidiocesana

Promotor Vocacional: Pe. Messias de Moraes Ferreira
Telefone: (11) 3104-1795
E-mail: [email protected]

Região Episcopal Belém: Pe. Alexandre Ferreira Santos
Telefone: (11) 3061-8956
E-mail: [email protected]

Região Episcopal Brasilândia: Pe. Adriano Robson Rodrigues
Telefone: (11) 3935-6638
E-mail: [email protected]

Região Episcopal Ipiranga: Pe. Messias de Moraes Ferreira
Telefone: (11) 3104-1795
E-mail: [email protected]

Região Episcopal Lapa: Pe. Flavio Heliton da Silva
Telefone: (11) 3768-4308
E-mail: [email protected]

Região Episcopal Santana: Pe. Antonio Laureano
Telefone: (11) 2979-5558
E-mail: [email protected]

Região Episcopal Sé: Pe. Domingos Geraldo Barbosa de Almeida Jr.
Telefone: (11) 3826-4999
E-mail: [email protected]

Escola Diaconal: Diácono Ailton Machado Mendes
Telefone: (11) 3104-1795
E-mail: [email protected]

Informações:

CVA – Centro Vocacional Arquidiocesano
(de segunda a sexta-feira – das 9h às 12h e das 13h às 17h)
Rua Filipe de Oliveira, 36 – 6º andar – 01001-010 – São Paulo – SP
Telefone: (11) 3104-1795 – Fax: (11) 3104-2668
E-mail: [email protected]
http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br
http://facebook.com/cvasp1

ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

Jesus, Mestre Divino, que chamastes os apóstolos a vos seguirem, continuai a passar pelos nossos caminhos, pelas nossas famílias, pelas nossas escolas e continuai a repetir o convite a muitos de nossos jovens. Dai coragem às pessoas convidadas. Dai força para que vos sejam fiéis como apóstolos leigos, como sacerdotes, como religiosos e religiosas, para o bem do Povo de Deus e de toda a humanidade. Amém.

Deus uma vez mais

Maria Clara Lucchetti Bingemer

O contexto em que vivemos é feito de ateísmos e teísmos, de pluralidade cultural e religiosa, de fragmentação da crença e de emergência de novas formas de crer. Em meio a esta pluralidade importa situar como a pergunta por Deus é constitutiva da identidade humana, mesmo quando esta pretende negá-la ou a ela ser indiferente.

A crise da modernidade e o advento da chamada pós-modernidade, longe de dar um fim ao processo de reconfiguração do discurso teológico, assumem suas marcas principais e se propõem a radicalizar a “morte” cultural e conceitual de Deus. Ao lado da reconfiguração do religioso na fragmentação pós-moderna, o ateísmo não desapareceu do horizonte ocidental. E não se trata mais de um ateísmo qualquer, ou de uma não religiosidade pura e simples. É, com efeito, uma atitude vital de extrema complexidade, que não busca grandes sistemas ou narrativas para explicar a vida; que entende a existência em termos fragmentados e provisórios; que persegue respostas imediatas e o consumo não só de produtos como de ideias, conceitos e crenças.

O conceito de DEUS, ou do Transcendente, ou da Realidade Última, é considerado basilar por todos os sistemas religiosos, pois dá um sentido ao mundo em geral e, em particular, à vida humana. A autêntica questão transcendente com a qual todo ser humano um dia se depara é a questão deste mistério último e derradeiro que, por um lado, concede sentido à vida e por outro coloca em crise todos os sentidos previamente dados ao existir. A despeito de todo o processo da modernidade, da crise da secularização e outros fenômenos com os quais convivemos neste novo milênio, Deus continua a ser a questão que remete ao mistério último e ao sentido definitivo da vida e do ser, pela qual os seres humanos se sentem atraídos ou pelo menos intrigados. E muitas vezes instigados.

Se a objetividade do mundo –fruto da modernidade– é a resultante extrema da separação de Deus, separação que por sua vez liberta o ser humano e o institui sujeito de seu conhecimento, tornando-o autônomo diante da inteligência e da normatividade divinas, é possível examinar o problema sob outro ângulo. Este seria pensar que agora Deus se retira, deixando o ser humano às voltas com seu trabalho e suas disputas.

Neste contexto, toda maneira de falar de Deus cai por terra e sua inadequação radical é constantemente relembrada. A experiência radical do mistério questiona um discurso moderno que pretenderia trazer tudo à luz, incluída aí a “retirada” e a “morte” de Deus. A relativização de todas as premissas culturais e a crítica do projeto moderno alertam sobre as utilizações apressadas e mal feitas que pudessem incluir um discurso sobre Deus ou sobre sua “morte” com pretensões a legitimar todas as institucionalizações, todos os sistemas.

Neste contexto, as religiões e as teologias devem constantemente suspeitar do discurso que constroem, criticando-o e reconfigurando-o a cada passo. Isso fazendo, são igualmente chamadas a imbricar essa constante renovação com a fidelidade a suas tradições, que são parte constitutiva de sua identidade. Pensar e falar sobre Deus, hoje, não pode acontecer senão a partir do mundo. E este mundo é algo em constante mutação, exigindo uma reinvenção constante e permanente daqueles que o pensam e o dizem.

O mundo contemporâneo não é o mundo idílico, perfeito, completo e reconciliado, que parecem descrever muitos discursos. Pensamos, em particular, naqueles marcados pelo otimismo dos progressos e conquistas da modernidade, assim como nos que se encontram atravessados de lado a lado pela interpelação legítima da questão ecológica, racial, étnica, de gênero. Assim também como por deploráveis injustiças. A inserção nas realidades temporais ou terrestres é específica para cada um daqueles e daquelas que por esse Mistério foram tocados, podendo acontecer de distintas formas, dependendo de como se configurará sua experiência.

É em meio a este mundo que o ser humano tocado pela pergunta sobre Deus, pelo desejo do Transcendente e pela atração do Mistério é chamado a experimentar a Deus e falar sobre ele. Não mais –ou não mais apenas– com a linguagem da metafísica ou com a pergunta da teodiceia, mas a partir da vulnerabilidade e da provisoriedade das experiências humanas.

A teologia crítica, assim como o ateísmo crítico, coincidem em buscar e encontrar na injustiça, no sofrimento humano e nas situações insuportáveis deste mundo, o marco da pergunta pelo sentido último da vida como justiça. Nesse ponto, tanto os cristãos críticos como os ateus críticos encontram-se na luta contra a injustiça e sua sanção religiosa fácil, vislumbrando como único caminho uma solidariedade prática.

Teologia: a fé que busca sua inteligência

Maria Clara Bingemer

Não, não é por dever de ofício que defendo a importância da teologia. Não se trata do fato de haver sido conquistada há muitos anos pelo amor que me inspirava quando via no cerne do momento histórico brasileiro – feito de cinzas e chumbo – minha Igreja de inspirada profecia. Não, não é por vício intelectual de quem não se apercebe dos problemas simples da humana sensibilidade.

Sucede que creio na importância do diálogo entre a fé e a razão. Acontece que não acredito em crença ou religião que, à força de afastar-se da reflexão, desvertebra-se e definha em magra moral e atrofiada doutrina. Veja o leitor, acredito na centelha que o Criador acende nas mentes humanas, as quais a partir daí são convidadas a decifrar os enigmas da natureza, produzir sínteses articuladas e também e não menos buscar respeitosa e reverentemente penetrar nos mistérios da Transcendência que se desvelam provocando razão e coração. E acredito que a experiência do mistério ao qual chamamos Deus pode e deve ser conhecido também com a razão.

Toda essa apologia da sacra ciência à qual me dedico por décadas, na docência e na pesquisa, surgem-me da continuada reflexão sobre os recentes dados do Censo de 2010 a respeito da religião no Brasil. Como tantos, encontro-me perplexa com a imensa diminuição dos fiéis das fileiras católicas e protestantes históricas. Mais ainda quando o êxodo se dá em direção às comunidades evangélicas de corte pentecostal.

O perfil das mesmas é conhecido: muitos cantos, manifestações exteriores afetivas e catárticas, línguas que se desatam proferindo discursos incompreensíveis, liturgias ruidosas. Aparece pouco ou quase nada o silêncio, a reflexão, a interioridade e a atenção ao caminho que a Palavra e o Espírito realizam em cada um e na comunidade reunida.

As análises são taxativas. O povo brasileiro e sobretudo os jovens desejam experiências religiosas mais afetivas. Há toda uma reconstrução da identidade religiosa em marcha, feita de pluralidade, múltipla pertença e mobilidade. Parece que o discurso religioso unívoco e unilateral encontra sérias dificuldades em fazer-se ouvir em uma sociedade tão movediça como a brasileira.

Creio, no entanto, que estamos nos esquecendo de algo importante. Nos anos 1980, quando a produção teológica era pujante, vivendo ainda das vigorosas relíquias do Concílio Vaticano II, o cristianismo histórico encontrava cidadania mais forte em meio à secularidade e à pluralidade que já fazia sentir sua presença. A perda de espaço e de fiéis das igrejas históricas coincidiu com uma perda da existência de um discurso teológico articulado, que enfrente as questões da sociedade e da Igreja, pensando-as à luz da fé e articulando-as em coerente discurso.

Por isso é que, desde dentro de uma pertença católica herdada ao nascer e abraçada continuamente, sempre de novo, ao longo desta já longa vida; humildemente perplexa como tantos ao procurar ler e entender os dados do Censo, eu diria que há um passo a mais que talvez seja importante para entender a queda dos números. O cristianismo histórico tem que recuperar sua vocação pensante! Há que pensar a própria experiência e a própria fé. Pensá-la em diálogo e com o auxílio das diferentes formas da cultura, da arte e de tudo que o gênio humano produziu em sua historia. Pensá-la diante dos grandes desafios globais que hoje a sociedade lança aos que lutam por um novo mundo possível. Pensá-la diante da fome e sede de nossos contemporâneos que desejam e esperam sínteses plausíveis e razoáveis da enorme fragmentação em que nos encontramos mergulhados.

Os mais de 2000 anos de cristianismo histórico tiveram isso muito claro por longo tempo. Assim, formaram e forjaram uma matriz cultural que configurou esta metade do mundo chamada Ocidente. Houve pecados pelo caminho, como o de não valorizar ou dialogar com as culturas autóctones, não incluir ou integrar outras culturas mais longínquas e outras religiões.

Porém, isso prova mais fortemente ainda que religião sem cultura simplesmente não existe. A fé – especialmente a fé cristã – sempre encontrou seu meio de expressão e crescimento nas culturas onde entrou. E quando digo cultura, digo também aquele movimento que faz o ser humano refletir sobre suas experiências, esforçar-se para compreendê-las, buscar e encontrar um quadro de referência onda situá-las e apropriar-se delas. Só assim poderá transmiti-las a outros e outras de forma atraente e plausível.

Dá-me a impressão de que entre o que faz as novas gerações afastarem-se do catolicismo está, além do desejo às vezes frustrado por uma experiência espiritual profunda, a assustadora lacuna de uma reflexão consistente e vigorosa sobre os conteúdos desta experiência. A inteligência da fé, também chamada Teologia, encontra-se aí poderosamente convocada a elaborar um discurso que tenha algo a dizer nesta situação. Oxalá esteja à altura deste chamado!

A passagem de um sábio

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Se me dissessem anos atrás, quando eu era jovem estudante de teologia, que um dia iria me encontrar frente a frente com Jürgen Moltmann, certamente não acreditaria. Ou ficaria tão deslumbrada e ansiosa que não conseguiria pensar em outra coisa. O pensamento do teólogo luterano Moltmann marcou profundamente minha maneira de fazer teologia. E foi objeto de vários cursos de pós-graduação que dei a meus alunos na PUC do Rio, onde leciono.

Sendo algo assim como um guru ou uma referência maior na teologia cristã contemporânea, necessariamente era colocado em posição distante, não facilmente atingível por meu desejo de aprofundar as álgidas questões que sua teologia refletia. Jamais poderia imaginar-me conversando com Moltmann frente a frente, ou trocando idéias com ele.

E no entanto, isto aconteceu. Convidado para um simpósio internacional organizado pelo Departamento de Teologia da PUC-Rio, Moltmann aceitou o convite. E veio. Alegre e prontamente, do alto de seus 85 anos de idade. E também fiel a seu afetivo compromisso com a América Latina. Durante muitos anos o teólogo de Hamburgo foi constante e periodicamente à Nicarágua. E não é a primeira vez que vem ao Brasil.

Jürgen Moltmann é um dos principais teólogos cristãos contemporâneos. Ele nasceu em 1926 em Hamburgo, Alemanha, dentro da Igreja luterana. Lutou na II Guerra Mundial, foi feito prisioneiro pelos ingleses e levado para um campo de concentração na Inglaterra. De 1945 a1948, esteve prisioneiro dos aliados na Bélgica e na Inglaterra. Foi durante a situação dolorosa da prisão que sua vocação teológica despertou. Esse homem formado em Matemática sentiu-se fortemente chamado a refletir sobre o sentido da vocação cristã. Voltando à Alemanha, em 1948, foi estudar teologia. A partir de 1952, atuou como pastor da Igreja Luterana. Desde 1967, foi professor de teologia sistemática na Universidade de Tubinga, na qual ainda ensina.

Ouvindo-o narrar sua trajetória e falar das questões que o apaixonaram e se tornaram o nascedouro de sua Teologia, Moltmann toca nas fibras mais profundas da condição humana: o sofrimento inocente, a violência que vitima, o envolvimento de Deus com o sofrimento absurdo e inútil da humanidade, a necessidade de falar desse Deus a partir da cruz de Jesus e de seu mistério pascal.

Ao ouvi-lo falar, lembrei-me da primeira vez em que li seu livro “O Deus Crucificado”. Levou-me às lágrimas e fez-me bater o coração. Impressionou-me não apenas pelo rigor e clareza da reflexão, como também pela paixão que marca o discurso e que testemunha a fé profunda de seu autor. Eu o li e reli durante muito tempo, dei aulas sobre ele e, a partir dele, escrevi textos tomando-o como base.

Ao ir a El Salvador no congresso de celebração dos 30 anos do martírio de Monsenhor Romero, o livro de Moltmann tocou-me desde outro ângulo. O coração saltou no peito quando o vi manchado de sangue, exposto no museu da UCA que guarda a memória dos seis jesuítas assassinados em 1989. Um deles lia “O Deus Crucificado” no momento em que foi barbaramente torturado e assassinado. Olhando o livro exposto na vitrine, vi o sangue do mártir misturar-se à reflexão sobre a Paixão de Deus brotada da teologia moltmaniana.

Perguntado sobre o foco de sua teologia hoje, Moltmann explicou estar voltando aos temas candentes do início de sua trajetória: a paixão de Deus e do mundo, a dor divina como sentido para a dor humana. Olhando-o e ouvindo-o, senti-me diante de um sábio. Ali estava um homem que falava não a partir do intelecto, mas da sabedoria. Sabedoria cuja fonte é o Espírito da vida que sopra onde quer e suscita luz e claridade sobre os dramas inexplicáveis da condição humana, ungindo-a com um Sentido maior que a tudo configura.

Ouvindo-o e vendo-o sentia-se a presença do sábio, aquele que conhece o seu Deus e cujo único desejo é crescer nesse conhecimento, inseparável do amor. Em meu coração, erguia-se uma silenciosa oração de louvor Àquele que suscitou no seio da comunidade eclesial uma testemunha da estatura de Jürgen Moltmann.

Educar para a celebração da vida e da Terra

Leonardo Boff

Dada a crise generalizada que vivemos atualmente, toda e qualquer educação deve incluir o cuidado para com tudo o que existe e vive. Sem o cuidado, não garantiremos uma sustentabilidade que permita o planeta manter sua vitalidade, os ecossistemas, seu equilíbrio e a nossa civilização, seu futuro. Somos educados para o pensamento crítico e criativo, visando uma profissão e um bom nível de vida, mas nos olvidamos de educar para a responsabilidade e o cuidado para com o futuro comum da Terra e da Humanidade. Uma educação que não incluir o cuidado se mostra alienada e até irresponsável. Os analistas mais sérios da pegada ecológica da Terra nos advertem que se não cuidarmos, podemos conhecer catástrofes piores do que aquelas vividas em 2011 no Brasil e no Japão. Para se garantir, a Terra poderá, talvez, ter que reduzir sua biosfera, eliminando espécies e milhões de seres humanos.

Entre tantas excelências, próprias do conceito do cuidado, quero enfatizar duas que interessam à nova educação: a integração do globo terrestre em nosso imaginário cotidiano e o encantamento pelo mistério da existência. Quando contemplamos o planeta Terra a partir do espaço exterior, surge em nós um sentimento de reverência diante de nossa única Casa Comum. Somos inseparáveis da Terra, formamos um todo com ela. Sentimos que devemos amá-la e cuidá-la para que nos possa oferecer tudo o que precisamos para continuar a viver.

A segunda excelência do cuidado como atitude ética e forma de amor é o encantamento que irrompe em nós pela emergência mais espetacular e bela que jamais existiu no mundo que é o milagre, melhor, o mistério da existência de cada pessoa humana individual. Os sistemas, as instituições, as ciências, as técnicas e as escolas não possuem o que cada pessoa humana possui: consciência, amorosidade, cuidado, criatividade, solidariedade, compaixão e sentimento de pertença a um Todo maior que nos sustenta e anima, realidades que constituem o nosso Profundo.

Seguramente não somos o centro do universo. Mas somos aqueles seres, portadores de consciência e de inteligência. pelos quais o próprio Universo se pensa, se conscientiza e se vê a si mesmo em sua esplêndida complexidade e beleza. Somos o universo e a Terra que chegaram a sentir, a pensar, a amar e a venerar. Essa é nossa dignidade que deve ser interiorizada e que deve imbuir cada pessoa da nova era planetária.

Devemos nos sentir orgulhosos de poder desempenhar essa missão para a Terra e para todo o universo. Somente cumprimos com esta missão se cuidarmos de nós mesmos, dos outros e de cada ser que aqui habita.

Talvez poucos expressaram melhor estes nobres sentimentos do que o exímio músico e também poeta Pablo Casals. Num discurso na ONU nos idos dos anos 80 dirigia-se à Assembléia Geral pensando nas crianças como o futuro da nova humanidade. Essa mensagem vale também para todos nós, os adultos. Dizia ele:

“A criança precisa saber que ela própria é um milagre, saber, que desde o início do mundo, jamais houve uma criança igual a ela e que, em todo o futuro, jamais aparecerá outra criança como ela. Cada criança é algo único, do início ao final dos tempos. E assim a criança assume uma responsabilidade ao confessar: é verdade, sou um milagre. Sou um milagre do mesmo modo que uma árvore é um milagre. E sendo um milagre, poderia eu fazer o mal? Não. Pois sou um milagre. Posso dizer Deus ou a Natureza, ou Deus-Natureza. Pouco importa. O que importa é que eu sou um milagre feito por Deus e feito pela Natureza. Poderia eu matar alguém? Não. Não posso. Ou então, um outro ser humano que também é um milagre como eu, poderia ele me matar? Acredito que o que estou dizendo às crianças, pode ajudar a fazer surgir um outro modo de pensar o mundo e a vida. O mundo de hoje é mau; sim, é um mundo mau. E o mundo é mau porque não falamos assim às crianças do jeito que estou falando agora e do jeito que elas precisam que lhes falemos. Então o mundo não terá mais razões para ser mau.

Aqui se revela grande realismo: cada realidade, especialmente, a humana é única e preciosa mas, ao mesmo tempo, vivemos num mundo conflitivo, contraditório e com aspectos terrificantes. Mesmo assim, há que se confiar na força da semente. Ela é cheia de vida. Cada criança que nasce é uma semente de um mundo que pode ser melhor. Por isso, vale ter esperança. Um paciente de um hospital psiquiátrico que visitei, escreveu, em pirografia, numa tabuleta que me deu de presente: Sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano”.

Nada mais é necessário dizer, pois nestas palavras se encerra todo o sentido de nossa esperança face aos males e às tragédias deste mundo.

Curso sugerido para 2011 com Frei Gorgulho e Ana Flora

O Evangelho da Galileia e os Primeiros Seguidores de Jesus &
A Maturidade Espiritual Segundo a Palavra de Deus

Todos os cristãos imaginam quais seriam os primeiros ensinamentos de Jesus ao norte da Galiléia e quais foram os seus primeiros seguidores. O Evangelho da Galiléia [a Fonte Q] apresenta respostas e nos convida a uma espiritualidade cada vez mais madura.

Professores: Frei Gilberto da Silva Orgulho, OP  e  Ana Flora Anderson

Local: Igreja Nossa Senhora do Rosário de Fátima –  Av. Dr. Arnaldo – Sumaré
Estação de Metrô: Sumaré

Horário: 9h às 11h

Mês/dias:
Março   12 e 26                 Maio     14 e 28                 Agosto        13 e 27           Outubro         8 e 22

Abril      9 e [30]                Junho   11 e 25                 Setembro  10 e 24           Novembro   12 e 26

Taxa anual: R$ 100,00

O curso de Teologia no Centro Pastoral São José – Setor Belém, também continua neste ano de 2011. Participe

Curso de Teologia transmite conhecimento da fé cristã católica

Wanderley de Oliveira

“A Educação não pode tudo, mas pode alguma coisa”
Paulo Freire

Caía um dilúvio no fim da tarde da segunda-feira, 13 de dezembro, na cidade de São Paulo. Era mais um desafio aos 108 formandos que passaram os ultimos 2 anos no Curso de Teologia para Leigos do Setor Belém da Arquidiocese de São Paulo.

Segundo Dom Odilo Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo, “é missão da igreja formar leigos e leigas para se contraporem ao pensamento corrente e contribuir para enriquecer o horizonte do pensamento e da cultura, para atuarem na vida social e cultural da sociedade. Desenvolvendo uma postura cristã católica coerente com o ensinamento da Igreja”.

Uma celebração abriu o evento com a participação dos padres Marcelo, Aldo, Eduardo e Lauricio.

Padre Marcelo Matias, Coordenador do Curso, como mestre de cerimônia bem humorado recebeu os formandos para a entrega dos certificados. Os formandos emocionados relataram experiências e vivências renovadas na fé.

No encerramento um delicioso coquetel foi servido aos convidados, com destaque para o quibe de forno e bolo de chocolate com sorvete.

As inscrições estão abertas para a nova turma do Curso de Teologia para Leigos que terá início em fevereiro de 2011, com aulas dinâmicas, expositivas e trabalhos em grupos.

Mais informações neste link ou no Centro Pastoral São José, Av. Alvaro Ramos, 366, no Belém.

Veja abaixo as fotos da noite fetas por Wanderley de Oliveira: